Naruto não me pertence, nem a história!
Hinata ficara encantada com o trajeto do aeroporto de Coolangatta para o hotel pela estrada sinuosa que acompanhava a orla do mar. Porém, ao chegar, prendeu a respiração. Um caminho de cascalho, ladeado por canteiros de prímulas e lilases, levava à entrada da moderna construção de concreto e vidro, tendo como fundo uma magnífica praia particular. Um jardim com folhagens exuberantes e exóticas flores coloridas dividia o estacionamento e o saguão de entrada, com imensas portas de vidro abertas para receber os hóspedes. O sol do entardecer emprestava um brilho mágico ao cenário, perfeito para o romance...
Censurando duramente o pensamento inoportuno, ela ordenou a si mesma que parasse de se comportar como uma adolescente. O fato de estar mais próxima de seu chefe e o inesperado interesse dele em conhecê-la melhor não significava que teriam um romance. Claro, ela jamais pensara em ter um romance com Sasuke, afirmou para si. Seria um absurdo acreditar que a atenção que ele demonstrara durante a viagem e até aquele momento significasse alguma coisa além de gentileza e educação próprias de um homem fino e requintado como ele.
Observou-o enquanto pagava a corrida do táxi, que os deixara à entrada do saguão, e não pôde evitar que uma onda de calor brotasse em seu peito. Respirou fundo e tentou conter a excitação. Afinal, era apenas humana!, desculpou-se. Nenhuma mulher de carne e osso conseguiria ignorar o impacto provocado por aqueles olhos negros!
— E então? O que achou?
Hinata levou alguns segundos para registrar o que ele dizia. Parado à frente dela, ele a fitava com expectativa, esperando a resposta.
— Oh, é maravilhoso! — exclamou com absoluta sinceridade. — Adorei o trajeto do aeroporto para cá! E o hotel... Meu Deus, não mereço tudo isso!
— Não seja modesta, Hinata — ele disse em tom de censura. — Você merece muito mais!
As palavras gentis a aqueceram como mel derretido, fazendo-a corar.
— Bem, mas observe que já chegamos há cinco minutos e até agora ninguém veio apanhar nossa bagagem.
A observação pragmática a fez lembrar-se da razão pela qual estavam ali. Tola, tola, tola!, censurou-se com severidade, reprimindo com violência a urgência de um desejo que começava a despertar de um sono profundo.
Estamos aqui para trabalhar, e não para ter um adorável e romântico fim de semana!, repetia como um mantra enquanto o acompanhava até a recepção.
— Espere aqui com a bagagem enquanto apanho as chaves — sugeriu Sasuke, deixando-a no aconchegante hall decorado com sofás de couro branco.
— Nosso apartamento é no segundo andar — informou ele, ao voltar acompanhado por um funcionário uniformizado. — Consegui alguém para levar a bagagem.
Enquanto seguiam para o elevador, ele se aproximou e murmurou-lhe ao ouvido:
— Não se esqueça de anotar este detalhe no relatório. Mais uma vez, Hinata repetiu seu mantra, começando a se arrepender por ter ido. Estava pisando em terreno perigoso, ao menos para ela. Sentia-se frágil e vulnerável, e receava pôr em risco seu emprego e seu coração se não afastasse as fantasias românticas que insistiam em ocupar seu pensamento.
Uma onda de tristeza a invadiu ao refletir que não era do tipo de mulher que despertava o interesse do sexo oposto. Afinal, Naruto a abandonara sem pensar duas vezes. E Sasuke... Bem, com uma mulher sofisticada como deveria ser sua ex-esposa, que razão teria para notar a insignificante secretária que o seguia como um cão fiel?
Ao chegarem à porta do apartamento, Sasuke deu uma gorjeta pouco generosa ao funcionário e lançou a Hinata um olhar significativo.
— Se ele espera receber boas gorjetas, terá de ser mais eficiente — comentou enquanto o carregador se afastava.
— Talvez não seja culpa dele. O hotel está lotado, e ele estava ocupado quando chegamos.
— Talvez, mas colhemos os frutos do que plantamos. Como eu lhe disse hoje pela manhã, a vida não é justa, Hinata.
Ela se calou, sem palavras para argumentar.
— O serviço pode não ser dos melhores, mas o apartamento é magnífico! — ela exclamou, observando a confortável sala de estar com uma ampla sacada que oferecia uma maravilhosa vista para o mar.
Os quartos, situados em extremos opostos nas laterais da sala, possuíam um pequeno hall com um aparador e um espelho, e eram revestidos com um papel de parede cor de creme, estampado com delicadas orquídeas amarelas.
— Aqui estão as chaves.
— Obrigada.
Ao apanhar uma das chaves, Hinata roçou a palma da mão de Sasuke com a ponta dos dedos, e o simples toque provocou-lhe uma cascata de arrepios pela espinha.
— Estou ansiosa por um banho! — exclamou, tentando disfarçar o tremor das mãos. — Não vejo a hora de entrar e... Opa! Há alguma coisa errada com esta chave!
Sasuke se aproximou e tentou ajustar a chave na fechadura, mas não teve sucesso.
— Deve estar com defeito — comentou, desistindo de tentar.— Vou ligar para a recepção e pedir que mandem outra cópia.
— Acho melhor eu mesma ir buscar. — Ela o deteve com um gesto. — Você viu como estão ocupados.
— Hinata, às vezes você é muito tolerante...
— Pode ser, mas acho que é muito mais rápido e menos irritante partir para a ação em vez de ficar esperando a boa vontade alheia.
— Tem razão. Na verdade, sou como você. Também não tenho paciência para esperar. — Sorriu com gentileza e a fitou. — Enquanto você vai à recepção, vou preparar um café.
Ao vê-la sair, Sasuke abriu a porta do outro quarto e ficou impressionado com o que viu. Amplo e iluminado, o dormitório possuía um espaço interno pouco usual para um hotel.
Colocou a mala no hall e avaliou sua imagem no espelho. Seus cabelos precisavam de um bom corte e estavam no mais completo desalinho, concluiu para si. Porém, o que mais o surpreendeu foi a súbita preocupação com a aparência.
Tentando ajeitar os fios rebeldes com os dedos, observou o aspecto cansado de sua expressão. O que mais precisava naquele momento era de uma boa ducha, refletiu enquanto entrava no quarto que ocuparia. As luzes se acenderam automaticamente, assim como o ar-condicionado. Ele sorriu com satisfação e avaliou o aspecto geral do quarto.
Absolutamente tudo obteve sua aprovação, desde a pintura suave das paredes à mobília, que tornava o ambiente aconchegante e agradável. Anexa ao hall, havia uma pequena cozinha equipada com geladeira, forno de microondas e armários de pinho, e os banheiros de ambos os quartos eram brancos, com prateleiras de vidro contendo toalhas e artigos de higiene pessoal.
Pensou em deixar a suíte principal para Hinata, mas decidiu que ela poderia protestar.
Foi para a pequena cozinha para preparar o café, e não se desapontou. O armário sobre a pia estava guarnecido com tudo de que precisava. Ligou a cafeteira elétrica e seguiu para a sacada para esperar que a bebida ficasse pronta.
Sasuke respirou o ar puro trazido pela brisa do mar, imaginando como seria agradável despertar com o sol da manhã entrando pela janela. Ao entardecer, seria magnífico sentar-se nas confortáveis cadeiras dispostas ao redor da piscina, com uma garrafa de um bom vinho branco gelado.
Para sua surpresa, se pôs a pensar se Hinata gostaria de vinho branco. Esperava que sim, pois o cenário exigia. Poderia lhe perguntar quando ela voltasse, planejando pedir ao serviço de copa que levasse duas garrafas para o apartamento.
Hinata merecia sua consideração, ponderou. Sua mãe lhe contara que ela havia se dedicado integralmente a cuidar da mãe adotiva, esquecendo-se de si mesma por quatro anos. Além disso, era a melhor secretária que já tivera. Que mulher além de Hinata aceitaria sem protestar a solicitação de trabalhar no final de semana, acompanhando o chefe carrancudo e exigente?
Com uma ponta de remorso, Sasuke concluiu que, daquele dia em diante, seria mais agradável com sua secretária. Um sorriso ou uma gentileza não arrancaria pedaço. Afinal, que culpa tinha ela das amarguras e ressentimentos que ele carregava?
Satisfeito com sua decisão, Sasuke respirou profundamente a brisa refrescante e foi para a cozinha em busca do café. Hesitou entre servir-se ou esperar por Hinata, começando a ficar preocupado com sua demora.
Talvez não tivesse encontrado uma chave de reserva, refletiu, fazendo outra anotação mental para acrescentar aquela observação em seu relatório. A última coisa que o novo proprietário desejaria era preocupar-se com o quadro de funcionários. Seria muito dispendioso e levaria muito tempo para treinar o novo pessoal.
Aspirou o delicioso aroma do café e apanhou duas canecas de porcelana branca. Muito bom, pensou satisfeito. A qualidade dos produtos o surpreendeu. Lembrou-se de pedir a Hinata que verificasse os artigos femininos de seu banheiro.
Estava a ponto de sorver o primeiro gole da bebida fumegante quando uma batida na porta chamou sua atenção. Apressou-se em atender e se deparou com Hinata, pálida e ofegante.
— Não me diga que eles não têm uma chave extra! Não
é possível que... — começou a dizer, mas interrompeu a frase no meio a ver a expressão de pavor no rosto lívido.
Ela permaneceu paralisada, com os olhos vidrados como se tivesse visto um fantasma. Embora não fosse o homem mais intuitivo do mundo, Sasuke percebeu de pronto que havia algo errado.
— Hinata, o que aconteceu?
— Eu... Eu...
Sem conseguir concluir a frase, ela apoiou-se no batente da porta, receando que seus joelhos não pudessem mais suportá-la.
— Entre, você está branca como cera!
Preocupado, ele a puxou para o interior do apartamento e conduziu-a para o sofá, voltando para trancar a porta.
— Hinata, você está me deixando preocupado! O que aconteceu?
Ela o fitou e deu uma risada nervosa, sentindo que estava à beira de um ataque histérico.
— O que aconteceu?! — ecoou com voz esganiçada. — Eu jamais poderia imaginar que... Oh, meu Deus! É terrível!
— Por favor, Hinata, tente se acalmar!
Aflito, ele correu para a cozinha e voltou em um segundo, carregando um copo de água com açúcar.
— Vamos, beba um pouco de água para se acalmar. Aflito, Sasuke forçou-a a beber, embora ela estivesse tão trêmula que metade do conteúdo derramou sobre seu colo.
— Está melhor agora?
— Melhor? Estou vivendo um pesadelo!
— Por quê? — Tentando acalmá-la, ele tomou as mãos geladas entre as suas. — O que pode ter acontecido de tão terrível enquanto você foi até a recepção?
— Ele está aqui! — balbuciou ela, com o rosto transfigurado pelo pânico.
— Ele? Quem é ele?
— Ele não me reconheceu! — continuou Hinata, como se Sasuke não estivesse presente. — Foi isso que aconteceu! Ele não me reconheceu!
Hinata estava em estado de choque e oscilava entre o riso histérico e o pranto convulsivo.
— Hinata, por favor, tente se acalmar — Sasuke ordenou em tom autoritário. — Não poderei ajudá-la se não me contar o que está acontecendo. Respire fundo... isso mesmo! Mais uma vez, inspire... expire...
Enquanto falava, Sasuke caminhou até a porta envidraçada e abriu-a ao máximo para que o ar puro da noite entrasse.
— E então, está mais calma?
Ela meneou a cabeça em afirmativa, nervosa demais para se sentir constrangida com a cena que acabara de fazer.
— Naruto... encontrei-o no saguão.
— Quem é Naruto?
— Meu noivo... quero dizer, meu ex-noivo. Ele estava lá, olhou para mim e não me reconheceu...
Com um gesto abrupto, levantou-se e foi até a cozinha apanhar outro copo de água.
— Eu achei que sabia por que ele havia rompido o noivado — continuou ao voltar, sentando-se à frente de Sasuke. — Achei que ele não me amava o bastante para apoiar minha decisão.
Pouco habituado a compartilhar emoções e sentimentos, Sasuke limitou-se a ouvi-la. Nunca imaginara que sua eficiente e impassível secretária pudesse ter uma reação tão passional. Decidiu que o mais sábio a fazer em uma situação inusitada como aquela seria permanecer em silêncio e deixar que ela desabafasse, sem interferir com alguma opinião que pudesse ser desastrosa.
— Eu deixei meu emprego para cuidar de Kurenai — continuou ela, como se estivesse pensando em voz alta. — Nunca passou pela minha cabeça que houvesse outra mulher... Claro, discordar de minha atitude lhe deu a desculpa perfeita para cancelar o casamento!
— O que a faz pensar que havia outra mulher? — Sasuke arriscou com cautela.
— O fato de vê-la junto com ele. E não é uma desconhecida. Ele está acompanhado pela corretora de imóveis responsável pela venda do apartamento que seria nosso depois de casados — ela desabafou, sem conter os soluços.
— Entendo... E eles estão casados?
— Acho que não. Quero dizer, presumo que não, a julgar pela conversa que ouvi. Acredito que estejam aqui a trabalho.
— Ouça, Hinata, você não sabe o que realmente aconteceu — ele disse em tom conciliador. — Não tire conclusões precipitadas.
— Não estou tirando! Sei que estou certa. Tenho uma forte intuição sobre eles. Dizia a mim mesma que era pura imaginação quando via os olhares que trocavam, e que não havia nada de mais quando se encontravam no apartamento quando eu estava trabalhando. Naruto inventava uma nova desculpa a cada semana, até que... — Hinata cobriu o rosto com as mãos, sentindo-se arrasada. — Meu Deus, agora, tudo faz sentido!
— Certo, ele é um cretino, mas o que importa, agora? Ou você continua apaixonada, depois de... Há quanto tempo vocês romperam?
— Quatro anos, e foi ele quem rompeu.
— Já disse, ele é um cretino. E quatro anos é tempo suficiente para ter esquecido. Não entendo por que está tão aborrecida.
— O amor não acaba simplesmente porque queremos, Sasuke. Mesmo que eu não o amasse mais, não é fácil para mim vê-lo com outra mulher, especialmente ao descobrir que me traiu bem debaixo dos meus olhos!
— Sei o quanto isso pode magoar — comentou ele com simpatia —, mas temos de deixar o passado para trás. Não podemos continuar sofrendo pelas mágoas do passado. Isso nos torna amargos e fechados para novas experiências.
Sasuke ouviu o eco de suas próprias palavras sem acreditar no que acabara de dizer. Com que direito a aconselhava, se agia exatamente da mesma forma?
— Certo, digamos que eu não o ame mais, e consiga superar o passado... mas estou me referindo ao presente, Sasuke. — Ela o fitou com os olhos cheios de tristeza e dor. — Ele não me reconheceu!
Sasuke se compadeceu ao perceber o significado do que ela dizia. Estava magoada não apenas pela traição, mas parecia ainda mais sentida por não ter sido reconhecida pelo homem que amara. Entendia aquele tipo de humilhação, e foi tomado por uma imensa simpatia por Hinata.
— Talvez ele não estivesse olhando para você, ou estivesse prestando atenção em outra coisa — contemporizou, mesmo sabendo que era uma observação inútil.
— Bem que eu gostaria, mais sei que não. Estávamos frente a frente... Ele quase trombou em mim! Seria impossível que não me visse.
— Bem, nesse caso, talvez ele...
— Sasuke, não tente me iludir! — ela o interrompeu com um gesto decidido. — Ele me viu, não resta a menor dúvida. Shion não me conhecia tão bem, nos encontramos apenas algumas vezes. Mas Naruto... Nós éramos namorados, pelo amor de Deus!
— Você disse alguma coisa a ele? Chamou-o pelo nome?
— Falar com ele? Não! — Ela apoiou o rosto nas mãos, sentindo o peso de séculos pesar-lhe sobre os ombros. — Eu me tranquei no toalete e fiquei lá até ter certeza de que eles haviam ido embora. Foi por isso que demorei tanto.
O que provavelmente a fizera demorar fora o tempo que passara diante do espelho, tentando ver o que ele havia vislumbrado, Sasuke concluiu para si.
— Você acha que ele fingiu que não a reconheceu?
— Não, eu vi nos olhos dele que eu não passava da mais completa estranha. Eles falavam sobre a venda do hotel, e ele nem sequer se desculpou ao esbarrar em mim.
— Você mudou tanto assim em quatro anos, Hinata? — Sasuke quis saber, intrigado.
— Acho que sim. Pensando bem, não o culpo por não ter me reconhecido. Minha amiga Tenten costuma dizer que não sou nem a sombra do que fui alguns anos atrás.
A amargura escondida nas palavras sensibilizou-o ainda mais. Porém, Sasuke foi tomado por uma estranha e inesperada sensação de desconforto. Recusando-se a admitir a ponta de ciúme que começava a machucá-lo, deu asas à imaginação e tentou vislumbrar como ela seria quatro anos atrás. Só então percebeu que Hinata tinha traços delicados e femininos e, embora fosse magra, possuía um porte elegante e clássico. Talvez as roupas sóbrias escondessem formas delicadas e femininas...
— Então, o que quer fazer? — indagou, antes que sua imaginação fosse longe demais.
— Não sei.
— Provavelmente, eles estarão presentes no jantar que será oferecido aos interessados na compra do hotel, já que você supõe que vieram a trabalho.
A expressão de Hinata se transformou de desespero em puro terror.
— Você não é obrigada a ir... — ele acrescentou rapidamente.
— Tem certeza? Quero dizer... Sei que precisa de mim, e não quero desapontá-lo.
— Está tudo bem, Hinata. O mais importante é que você me ajude a analisar as condições do hotel. O jantar será importante se eu quiser ter uma idéia melhor sobre a parte contábil e administrativa, e posso cuidar disso sozinho. Afinal, é minha área de atuação, e não a sua.
Ela o fitou, e só então percebeu a gentileza e doçura dos adoráveis olhos negros. Os olhos eram a única coisa que nunca mudavam em uma pessoa, pensou.
Contendo o turbilhão de emoções que a invadiu, Hinata recrutou todo seu autocontrole e se levantou.
— Vou buscar um café.
— Espere, deixe que eu faça isso. — Sasuke segurou-a pelo braço, impedindo-a de continuar.
— Obrigada, você é muito gentil — murmurou ela, antes de cair em um pranto profundo.
— Nenhum ser humano decente poderia fazer qualquer coisa além de ser gentil com você, Hinata. Naruto é um cretino. Você está melhor sem ele, acredite.
Ela o observou enquanto ele caminhava até a cozinha. Como a ex-esposa dele fora estúpida em abandoná-lo!, pensou para si. Assim como Naruto, que não valorizara todo o amor que ela tinha para lhe dar.
— Sasuke, não sei como me desculpar pelo meu comportamento... — começou ela ao vê-lo retornar com duas canecas de café.
Sasuke sentou-se à frente de Hinata e colocou as canecas sobre a mesa de centro. Sabia que precisava dizer alguma coisa para que ela não se sentisse constrangida.
— Que tal descermos para comer alguma coisa? — sugeriu ele, tentando imprimir um tom animado à voz. — Não, pensando melhor, vou pedir para que o jantar seja servido no quarto. Estamos cansados e, não sei quanto a você, mas eu estou faminto!
Ela concordou com um meneio, sem forças para reagir.
— Ótimo! Seu quarto é o da direita. Tudo que precisamos agora é de uma boa ducha, uma boa refeição e uma boa noite de sono!
Meia hora depois, Sasuke saiu do banheiro e pediu o jantar, que, para sua surpresa, chegou em poucos minutos.
Ele abriu uma garrafa de vinho branco e apanhou duas taças no armário da cozinha. Observou que, mesmo não sendo de cristal, eram de ótima qualidade.
— Está pronta, Hinata?
— Ainda não... — A voz abafada ecoou do banheiro. — Estou com um problema.
— O que foi?
— Eu... Eu esqueci de trazer roupas de baixo.
Sasuke se conteve para não rir. Aquilo não combinava com Hinata!
— Não se preocupe, você poderá comprar algumas peças amanhã. Por enquanto, vista o robe e venha comer.
— Eu não trouxe robe.
— Nesse caso, procure no armário de toalhas. Os hotéis costumam deixar alguns à disposição dos hóspedes. Se não encontrar, não se esqueça de anotar mais esta falha no relatório.
— Já encontrei, mas... acho que não é muito apropriado...
— Hinata, você não tem alternativa. Vista-o e venha comer. Detesto beber sozinho, e há uma garrafa de vinho branco esperando por nós.
Sasuke foi para a sala, começando a se aborrecer. Hinata sabia que ele não se importava com sua aparência. Por que estaria preocupada com o que vestir?
Serviu-se de vinho e o saboreou em pequenos goles, apreciando o delicioso sabor de uvas frescas.
Quando deu por si, seu pensamento voltara-se para Sakura. Aquele era o lugar ideal para casais apaixonados, envolvidos em um clima romântico e sensual. Não conseguia pensar em ninguém além da ex-esposa para compartilhar tais momentos.
Porém, em vez disso, estava com sua eficiente secretária, sem correr o menor risco de sentir-se atraído por ela...
