Naruto não me pertence, nem a história.

Hinata recuou um passo ao ver a expressão de surpresa estampada no rosto de Sasuke. Embora pudesse prever que ele ficaria chocado ao vê-la vestida daquela forma, concluiu que "surpresa" era uma palavra que estava longe de descrever o ar abobalhado com que a fitava.

— Acho que vou voltar para o quarto — balbuciou, corando até a raiz dos cabelos. — Esta roupa não está apropriada para...

— Claro que não! — exclamou ele, interrompendo-a. — Quero dizer, não precisa voltar para o quarto. Afinal, não vamos sair do apartamento e você provavelmente está usando mais roupas do que muitas mulheres que estão no restaurante neste exato momento. Venha, sente-se aqui e vamos comer.

Ele apanhou uma garrafa de vinho com mãos trêmulas, fazendo um esforço sobre-humano para não acariciar com os olhos a pele alva e acetinada que se revelava por sob o robe. Quando seu olhar pousou sobre a evidente saliência dos mamilos intumescidos que marcavam a fina seda, Sasuke não pôde evitar que mil imagens eróticas povoassem sua mente. Imaginou-a deitada sobre o carpete macio, desmanchando o laço que fechava a minúscula peça e expondo o corpo nu só para ele...

— Espero que goste de Chablis. — Comentou a primeira coisa que lhe ocorreu apenas para afastar os pensamentos inoportunos.

— Sim, gosto muito. Obrigada.

Ela estava grata pelo drinque, e ainda mais agradecida por estar sentada. Tremia tanto que receava que suas pernas não pudessem sustentá-la durante o curto trajeto do quarto ao sofá, em uma distância que lhe parecera quase intransponível.

Constrangimento estava longe de descrever o que estava sentindo. Hinata estava paralisada, desejando que o chão se abrisse para tragá-la para o outro lado do planeta. Onde estava com a cabeça ao imaginar que Sasuke nem a notaria?

Apanhou a taça de vinho e sorveu um pequeno gole, mal sentindo o delicioso sabor da fina bebida.

— Este vinho deve ter custado uma fortuna!

Mal acabou a frase, arrependeu-se de ter aberto a boca. Sentia-se cada vez mais ridícula a cada minuto que passava.

— Não se preocupe, todas as despesas serão por conta de Shikamaru. Por falar nisso, acabo de ter uma idéia... Espere aí!

Ele afastou a cadeira e saiu para o hall de entrada, enquanto ela o observava.

Como se não bastasse estar praticamente nua, estava ainda mais embaraçada ao ver seu chefe usando roupas informais. Já adivinhara o tom leitoso de sua pele, mas nunca tivera a oportunidade de confirmar aquela impressão.

— Eu estava certo! — Sasuke voltou, ofegante. — Há um salão de beleza no hotel.

Com um sorriso vitorioso, estendeu-lhe o folder do hotel.

— Um salão de beleza? — repetiu ela, sem entender aonde ele queria chegar.

— Sim! Ao vê-la com os cabelos soltos, cheguei à conclusão que você se esconde por trás das roupas sóbrias que costuma usar. Não sei se alguém já lhe disse antes, mas aquele tom não combina com você. Mesmo sem estar arrumada, parece outra mulher quando solta os cabelos. Imagine o efeito se passasse por uma sessão de beleza completa!

— E que eu julguei que você preferia que eu me vestisse daquela forma, especialmente no trabalho.

— Por quê?

— Bem, sua mãe me contou a respeito da assistente pessoal que trabalhava para você antes de mim.

— Oh, não! — ele gemeu, com um suspiro profundo. — Mamãe é incorrigível!

— Não a repreenda, por favor.

— Fique tranquila, estou acostumado com ela. Então, você tentou se esconder deliberadamente para não chamar minha atenção?

Hinata hesitou antes de responder. Na realidade, não fizera de propósito. Desde que Naruto a abandonara, deixara de cuidar de sua aparência. Porém, não pretendia revelar a verdade. Já fora humilhada demais por não ter sido reconhecida pelo ex-noivo.

— Oh, Hinata, você não precisava ter feito isso. Percebi desde o princípio que você tem inteligência e competência suficientes para conseguir o cargo. Além disso, não se trata apenas da forma de se vestir. Minha ex-assistente não tinha classe, e tentava me seduzir o tempo todo... Ela estava me deixando louco!

— Então não se importa que eu mude meu jeito de me vestir para trabalhar?

— Por que deveria?

— Tive receio de que pudesse pensar que eu... bem...

— Estivesse interessada em me seduzir? — completou ele.

— Sim!

Uma gostosa gargalhada a surpreendeu. Em um só dia, Hinata compartilhava uma intimidade com seu chefe que jamais poderia imaginar, nem mesmo que trabalhasse com ele por muitos anos!

— Bem, então eu estava certo quando tive a idéia. Amanhã, quero que você vá ao salão de beleza e faça tudo que tiver direito.

— Acho que não é necessário, Sasuke — hesitou, pouco acostumada àquele luxo.

— Ao contrário, é absolutamente necessário!

— Oh, obrigada!

— Claro, estou pensando apenas em nosso propósito. Temos um jantar formal à nossa espera amanhã. Além disso, não se esqueça de que seu ex-noivo estará presente. Quem sabe ele possa reconhecê-la...

O simples pensamento fez com que ela estremecesse. Detestava a idéia de ter que se deparar com Naruto e aquela mulher mais uma vez, mas não havia saída.

Sasuke caminhava pela sala enquanto esperava por Hinata. Ela permanecera trancada no quarto desde que retornara do salão de beleza por volta das cinco horas. Já estavam atrasados. Impaciente, vestiu o paletó do smoking, pronto para o coquetel que precederia o jantar.

— Hinata, estamos atrasados — avisou, com ligeiras batidas na porta da suíte.

— Estou quase pronta!

Quando a porta se abriu, Sasuke arregalou os olhos.

— Puxa, você está... está ótima!

Hinata jamais poderia imaginar o impacto que sua aparição provocaria. O choque de Sasuke foi evidente ao vê-la com o vestido azul-turquesa colado ao corpo, realçando o busto firme por sob o decote pronunciado.

Ele olhou para a nova mulher que surgia à sua frente, incrédulo diante da metamorfose pela qual passara.

Contendo-se para não cair aos pés dela, enfiou as mãos nos bolsos do paletó como um recurso desesperado para não tocá-la. Não se tratava apenas dos cabelos cortados à altura dos ombros com a franja que emoldurava seu rosto, que haviam recebido reflexos em tons azulados em harmonia com a tez suave e acetinada... O conjunto era perfeito. Os olhos grandes e arredondados, com longos cílios, e a discreta maquiagem que apenas realçava os traços bem-feitos, os ombros delicados, o contorno dos quadris arredondados...

A transformação, porém, ia além da aparência física. A feminilidade que desabrochara em Hinata era nova e surpreendente, capaz de provocar uma revolução nos hormônios de qualquer homem na face da Terra.

Quando deu por si, Sasuke percebeu que poderia admirá-la por uma eternidade, descobrindo a cada segundo um novo mistério.

— Sasuke, o que aconteceu? Você acha que minha roupa está apropriada? Não estou ridícula?

— Ridícula? — ecoou, incrédulo. — Como poderia estar ridícula?

— O cabelo não está exagerado? E a maquiagem? Acho que está um pouco carregada...

— Hinata, você está perfeita.

— Acha mesmo? Quando me vi no espelho com esta maquiagem, achei que estava parecendo um fantasma.

— Ao contrário, você nunca esteve tão viva! E o vestido está perfeito — completou, meneando a cabeça.

Estendeu-lhe o braço dobrado, em um gesto galante, orgulhoso de tê-la a seu lado.

— Vamos. A noite nos espera.

Hinata seguiu ao lado de Sasuke em silêncio, sentindo violentas contrações no ventre. Confrontar-se com Naruto estava acima de suas forças! A aparência externa podia estar ótima, mas somente ela sabia o que se passava com suas emoções.

Seria a mesma Hinata que perdera a razão de viver quando Naruto a abandonara? Conseguiria encará-lo sem sentir seu mundo desmoronar mais uma vez? O pânico provocou uma onda de arrepios por sua espinha e invadiu todos os poros de seu corpo.

— Sasuke, sinto muito, mas acho que não vou conseguir — balbuciou em um fio de voz quando estavam a caminho do salão onde acontecia o coquetel.

— Sim, você consegue.

Com um gesto imperativo, ele abriu a porta envidraçada e a conduziu para o interior do luxuoso salão, repleto de homens e mulheres que conversavam animadamente, produzindo um burburinho ensurdecedor.

De súbito, Hinata estacou e agarrou-se ao braço de Sasuke.

Acabara de avistar Naruto e Shion a poucos passos, conversando com outro casal.

— Suponho que aquele rapaz seja seu ex-noivo — Sasuke comentou, seguindo a direção em que ela olhava.

Naquele momento, Naruto se voltou para a loira escultural que o acompanhava, vestida com um luxo exagerado para a ocasião.

— Shion, pare com isso — ele disse em tom áspero. Com um gesto de impaciência, ele se voltou e deparou-se com Hinata. O belo rosto sofreu uma profunda transformação, como se ele tivesse sido atingido por um raio.

— Hinata, é você?! — Atônito, Naruto deu passo à frente para observá-la melhor. — Meu Deus, você está linda!

Ao perceber o movimento, a loira aproximou-se dele e tomou-o pelo braço.

— Shion, você se lembra de Hinata?

— Claro que me lembro! Que coincidência encontrá-la aqui! — comentou com um sorriso afetado para, a seguir, avaliar Sasuke dos pés à cabeça.

Hinata sorriu com desdém. Mulheres como Shion nunca olhavam para outras mulheres por muito tempo quando havia um homem alto e atraente por perto.

Naruto, por sua vez, a fitava como se estivesse vendo um ser de outro planeta.

— Estava pensando o mesmo a respeito de vocês dois — Hinata retrucou, orgulhosa de seu autocontrole. — Este é meu chefe, Sasuke Uchiha.

Com uma ligeira inclinação de cabeça, Sasuke cumprimentou-os com indiferença.

— Sasuke, este é Naruto e Shion... Desculpe, não me lembro de seu sobrenome.

— Fujimura.

— Oh, sim! Fujimura. E o que os traz à Costa Dourada? Negócios ou diversão?

— Diversão

— Negócios — Naruto disse ao mesmo tempo, enquanto Shion o fuzilava com o olhar.

Hinata sorriu diante do evidente embaraço de seu ex-noivo. Sasuke tinha razão. Sim, ela podia enfrentá-lo!

— E vocês? — indagou ele, lançando um olhar crítico a Sasuke.

— Viemos a negócios, não é, Sasuke?

— Claro. — Ele enviou-lhe um sorriso cúmplice, com a clara mensagem de que havia muito mais. — Hinata é minha assistente pessoal. Trabalha para mim há apenas cinco semanas e transformou minha vida em um mar de rosas. Sem ela, sou um homem perdido!

Hinata começou a entrar em agonia. Com aquelas palavras, Sasuke insinuava que o relacionamento se estendia para além do escritório.

— É mesmo?

Hinata sentiu o coração disparar no peito diante do tom cortante de Naruto.

— Querido, não monopolize a conversa — Shion enviou a Naruto um olhar cáustico, mas foi ignorada.

— Você conhece Hinata há muito tempo? — perguntou Sasuke.

— Sim, fomos noivos há alguns anos. Mas não deu certo, não é, Hina?

A menção do apelido com que ele costumava chamá-la fez com que um súbito tremor a percorresse. Lutando para não demonstrar a menor reação, Hinata sorriu.

— Ao contrário, acho que tudo deu certo, Naruto. Fiz o que tinha de fazer, assim como você. Mas não vamos falar do passado. Tenho certeza de que não somos mais as mesmas pessoas que éramos naquela época.

— E só me resta agradecer ao destino por não ter dado certo — Sasuke comentou, fitando-a longamente.

— Achei que Hinata fosse apenas sua secretária — Naruto comentou em tom ácido.

— Bem, ela é. Mas, hoje em dia, uma boa assistente pessoal vale mais do que ouro. Hinata não é apenas bonita, mas é a profissional mais competente que já conheci. Pense bem, se vocês não tivessem rompido, ela seria sua esposa e não estaria trabalhando para mim. E incrível como pequenos acontecimentos podem mudar os rumos da vida, não é?

Hinata fez o que pôde para se manter em pé. Como se tivesse percebido, Sasuke passou um braço possessivo por seus ombros, num gesto íntimo e insinuante. Embora suas emoções estivessem na mais completa confusão, não pôde deixar de sentir a agradável onda de calor que o gesto provocou. — Presumo que vocês vão assistir à apresentação do jantar esta noite, não é?

— Sim, Shion está representando um cliente interessado na compra do hotel.

— Posso falar por mim mesma, Naruto — ela o cortou, irritada. — Meu cliente é multimilionário. Acredite, se ele decidir comprar este hotel, ninguém mais terá chance. Ele consegue tudo o que quer. E você, Sasuke? Quem está representando?

— Confesso que sou apenas um pobre analista financeiro, mas estou certo de que você sabe que não posso revelar o nome de meu cliente por questões éticas. Um grande negócio é como uma partida de pôquer. Nunca devemos pôr as cartas na mesa antes que o jogo termine. Podemos estar blefando,

— Meu cliente nunca blefa — ela contra-atacou, entendendo a insinuação. — Ele não tem por que blefar. Quando quer alguma coisa, simplesmente a consegue. Dinheiro não é problema para ele.

— Simples assim? Seu cliente pode nunca ter blefado, mas se ele toma decisões de negócios dessa forma, deve saber que nem sempre temos as melhores cartas.

— Bem, isso não me diz respeito — Shion falou com indiferença. — Enfim, ele é apenas um cliente. Contanto que receba a comissão de venda, não me importo com o que ele faz.

— Você fala como uma verdadeira corretora — Sasuke disse com um sorriso irônico.

— Claro, é assim que ajo quando estou trabalhando. Mas você precisa me conhecer melhor para saber que nem sempre sou tão ambiciosa...

Hinata não pôde acreditar no que ouvira. Shion estava flertando com Sasuke diante dos olhos de Naruto!

Mas por que estava surpresa? Era o mesmo que fizera com ela, quando estavam noivos.

Uma fúria silenciosa começou a crescer dentro dela. Shion havia seduzido Naruto, mas não lhe daria chance para fazer o mesmo com Sasuke! Sabia que era apenas seu chefe, mas era um homem maravilhoso é não desejava que caísse nas garras daquela víbora.

— Detesto interromper, mas temos que ir, Sasuke. O jantar será às oito horas e você prometeu encontrar-se com o sr. Wong no bar, às sete e meia.

— Tem razão. Estão vendo? O que eu faria sem ela? Até logo, nos veremos no jantar.

Despediram-se e se afastaram, seguindo em direção ao bar.

— Quem é o sr. Wong? — ele sussurrou ao ouvido de Hinata assim que se afastaram.

— Não tenho idéia! Inventei o primeiro nome que me veio à cabeça apenas para nos livrarmos deles.

— Mas por quê? A idéia de ficar com Naruto e Shion é perfeita para que você possa se vingar.

— Mas ela estava flertando com você — Hinata comentou, indignada.

— O que é ótimo para seu plano de vingança. Naruto poderia ficar enciumado.

— Tive a impressão de que você estava gostando.

— E estava. Mas não da forma como você pensa. Aquela loira artificial não me atrairia nem em um milhão de anos. Você não me conhece bem por pensar assim.

— É verdade, não o conheço bem. Até ontem, você era meu chefe.

— E um chefe rabugento e chato, não é?

— Não, nunca! Você sabe que quero dizer. Apenas não podia imaginar que ficaríamos tão próximos. Você chegou a insinuar que éramos amantes, e foi muito convincente...

— Se não pode vencê-los, junte-se a eles, Hinata. Pessoas como Naruto e Shion são maliciosos e fúteis. Não se importam em trair ou magoar, estão preocupados apenas com seus próprios interesses. É assim que a maioria das pessoas se comporta.

Hinata percebeu a amargura nos olhos negros e soube no mesmo instante que ele não falava de Naruto. Desejou perguntar sobre sua ex-esposa, mas sabia que não era o momento certo.

Ao menos, ela tivera a deliciosa sensação de enfrentar a situação e sobreviver. Suspirou aliviada ao saber que o pior já passara. Porém, o que mais a confortava foi a descoberta de que já não amava Naruto. Ele e Shion haviam sido feitos um para outro, concluiu sem o menor traço de ressentimento.

— Prometa que não vai flertar com Shion — ela pediu com convicção.

— Prometo! — Sasuke deu uma gostosa gargalhada. — Mas você não deve se preocupar comigo, Hinata. Posso cuidar de mim mesmo. E você? O que sentiu ao encontrar seu ex-noivo?

— Você tinha razão. Consegui encará-lo, e o melhor foi ter descoberto que já o esqueci.

— É mesmo? Fiquei preocupado que esse encontro tivesse mexido com você.

— Não seja ridículo!

— Acha ridículo um homem saudável sentir ciúme de você, especialmente esta noite?

— Ciúme? — Confusa, ela o fitou, sem acreditar no que acabara de ouvir. — Bem, não... quero dizer, eu não posso me comparar a Shion.

— Claro, ela não chega aos seus pés.

Um silêncio embaraçoso pairou sobre eles, e Sasuke olhou para o relógio com um gesto nervoso.

— São quase oito horas... Vamos para o bar para nos encontrarmos com o misterioso sr. Wong e tomar um drinque.

Dez minutos mais tarde, estavam acomodados em uma mesa situada no agradável terraço, saboreando margaritas à luz do luar e apreciando a magnífica vista. A maioria dos prédios dos hotéis vizinhos mantinha as luzes acesas, desenhando a sinuosa orla do mar em um contorno de luz.

O ar quente da noite era amenizado pela brisa refrescante do mar.

— Oh, este lugar é adorável! — Hinata comentou com ar sonhador. — E uma pena não termos tempo para um segundo drinque, se quisermos chegar a tempo para jantar.

— E se jantássemos aqui? — ele sugeriu de súbito. — Vi no cardápio que servem grelhados e saladas.

— Mas não temos de estar presentes na apresentação do gerente?

— Não é essencial. Posso comprar o vídeo e estudar todos os detalhes com cuidado.

— E Naruto e Shion?

— Você disse que não se importa com ele.

— E não me importo mesmo, mas...

— Então, está resolvido. Para mim, será um alívio ficar distante de Shion. Francamente, acho que será uma boa estratégia não aparecer no jantar. Vamos deixá-los pensar que o sr. Wong é um milionário de Cingapura disposto a comprar o hotel. Assim, sua vingança será completa.

— Sasuke, acho que não devemos...

— Você tem uma perigosa tendência a recuar, Hinata. No mundo dos negócios, algumas estratégias são fundamentais. Posso lhe garantir que não haverá problema nos ausentarmos do jantar. Hoje, enquanto você estava no salão de beleza, fiz uma investigação particular, e não vou recomendar a compra do hotel. Não é um bom negócio. O movimento só aumenta durante a alta temporada, e há muita concorrência. Apesar da qualidade das acomodações e da decoração luxuosa, o hotel está abaixo do padrão da concorrência. Além disso, a reposição do quadro de funcionários será muito dispendiosa.

— Como você descobriu tudo isso?

— Falei com algumas pessoas que moram em Coolangata, com funcionários do hotel, motoristas de táxi, donos de loja, fornecedores... Eles não têm razão para mentir, embora os atuais proprietários tenham todas as razões do mundo para esconder a verdade.

— Entendo.

— Então, o que me diz? Não vamos ao jantar?

— Sim, será ótimo!

— Vou pedir uma garrafa de vinho, e podemos dançar depois de comer. Este vestido foi feito para isso!

Uma emoção nova e contagiante a invadiu. A simples idéia de dançar com Sasuke a fez tremer. Imaginar-se nos braços dele, tão próxima que poderia sentir a respiração quente, o perfume másculo, o corpo viril colado ao seu...

— Não danço há tantos anos que acho que não me lembro mais.

— Você não dançou no casamento de sua amiga?

— Não.

— E por quê?

— Não senti vontade — mentiu, sentindo-se corar.

A verdade era que, ao ver os noivos dançando, felizes e apaixonados, Hinata fora tomada por uma onda de pânico. Soubera, naquele momento, que jamais viveria um momento parecido com o deles. Depois que rompera com Naruto, sentia-se frágil e insegura, e passara a evitar a aproximação com qualquer homem, receando ter o coração partido mais uma vez.

Na festa do casamento de Tenten, correra para o banheiro, seu lugar favorito para escapar das situações que julgava perigosas.

— Isso tem alguma relação com Naruto?

— Como sabe? — Inquietou-se na cadeira, começando a ficar incomodada com a incrível capacidade daquele homem de adivinhar seu pensamento.

— Parece óbvio para mim. — Ele tocou-a de leve no braço. — Já é hora de se livrar do passado. Você vai dançar comigo hoje à noite, e não quero ouvir nem mais uma palavra. Não aceito uma negativa como resposta.

— Sim, chefe! — ela respondeu com bom humor.

— Esta é uma ótima frase! E bom que você pratique mais.

— Sim, chefe. -

Ele riu, começando a se divertir mais do que poderia imaginar.