Naruto não me pertence, nem a história!
Na manhã seguinte, Sasuke chegou ao escritório com meia hora de atraso, e encontrou Hinata usando o que devia ser a roupa mais sóbria de seu guarda-roupa. E o pior é que estava mais sexy do que nunca!
Passou por ela e cumprimentou-a com um murmúrio quase inaudível, seguindo diretamente para sua sala. Depositou a valise sobre a escrivaninha e se acomodou na confortável cadeira, reclinando-a ao máximo. Seu corpo todo doía em consequência da noite insone. Fechando os olhos, pôs-se a imaginar se Hinata havia conseguido dormir.
A julgar pela atenção que dedicava à tela do computador quando ele entrou, parecia perfeitamente disposta e descansada.
Não deixara de notar que ela usava meias de Seda pretas, e a fantasia de vê-la de cinta-liga incendiou seus sentidos. Ao menos, ela prendera os cabelos, conforme havia pedido. Mas não da mesma forma como costumava penteá-los, presos em um austero coque. Deixara alguns fios caídos sobre o rosto, realçando ainda mais os traços delicados. E a boca... embora sem batom, os lábios macios e rosados eram um convite perfeito para um beijo.
Ela tinha razão, concluiu Sasuke. Alguma coisa mudara em Hinata naquele final de semana. Parecia ter desabrochado, fazendo transbordar toda a feminilidade que escondia.
— Hinata, traga meu café, por favor — pediu de dentro do escritório, sem coragem de encará-la.
Quando ela parou diante de sua escrivaninha sem dizer uma só palavra, foi forçado a erguer os olhos.
— Sim?
— Gostaria de estender meu horário de almoço hoje — avisou em tom formal. — Tenho alguns assuntos particulares para resolver.
— Assuntos particulares? — Ele franziu o cenho, preocupado.
— Não é nada de mais. Pretendo comprar algumas roupas, mas não devo demorar.
— Use todo o tempo que precisar.
O resto da vida, de preferência, pensou para si.
— Tem certeza?
— Sim, Hinata. — Sasuke fez um gesto de impaciência com a mão. — Certeza absoluta. Agora, se me der licença, tenho de fazer um relatório para Shikamaru.
— Ouvi alguém mencionar meu nome? — Uma voz grave e profunda ecoou da recepção.
Sasuke se levantou e abriu um largo sorriso, saudando o homem alto e elegante que acabava de entrar.
— Shikamaru, como vai? — cumprimentou-o com alegria exagerada, aliviado por distrair a atenção de Hinata. — Quando você voltou?
— Cheguei ontem à noite. Vim vê-lo logo cedo, estou ansioso para saber sua opinião sobre o Sunshine Gardens.
— Sente-se, vou lhe contar tudo. Feche a porta quando sair, Hinata.
Entendendo a mensagem clara, ela saiu em silêncio, sentindo o olhar de Shikamaru cravado em suas costas enquanto fechava a porta atrás de si.
Assim como ela, Sasuke também observou o interesse, e uma estranha sensação incômoda e dolorida apertou seu peito.
— Então, esta é sua nova assistente... Você é um homem de sorte! — ele comentou em tom de cumplicidade. — Tenho uma queda por mulheres de preto, embora prefira que não usem nada.
— Não há nada entre mim e Hinata — Sasuke se apressou em dizer, tentando manter o tom mais natural que pôde.
— Sábia atitude, meu rapaz! Os casos que mantemos no escritório devem ficar em segredo. Mas conte-me sobre o hotel. Você ficou satisfeito?
Sasuke decidiu ignorar as insinuações maliciosas de Shikamaru e passou a fornecer todas as informações que obtivera. Revelou que a compra do hotel não era um bom investimento sem mencionar que não estivera presente no jantar, agradecendo a si mesmo por ter assistido ao vídeo de apresentação na noite anterior.
— Minha opinião profissional é que você deve esquecer o Sunshine Gardens — concluiu por fim. — Além disso, consegui algumas informações importantes de uma corretora que também estava lá. Aparentemente, o cliente que ela estava representando pretendia comprar o hotel a qualquer custo. Nunca achei que fosse boa idéia entrar em uma batalha já perdida. Esse tipo de comprador não se importa em gastar o que for necessário.
— Talvez ela estivesse blefando.
— Não creio.
— E você sabe quem ela estava representando?
— Não. Soube apenas que o cliente dela é rico o bastante para ter o que quiser, e tem um ego do tamanho da conta bancária.
— Ouvi um boato de que Kakashi Hatake estava interessado na compra...
Sasuke suspendeu a respiração por uma fração de segundo. Ninguém sabia das circunstâncias que envolviam seu divórcio. Mantivera em segredo o fato de que Sakura era a amante secreta de Hatake. A reação diante daquele nome despertou o rancor e amargura que o acompanhavam, mas manteve o tom profissional.
— Acho que o nome dele combina com a descrição que a corretora fez — disse em tom frio. — Ela disse que seu cliente sempre teve tudo que queria, e dinheiro nunca foi objeção para ele.
Sasuke sabia que estava dizendo a mais absoluta verdade.
Aquele homem conquistara uma mulher que, na ocasião, ainda estava apaixonada pelo marido, ao menos era o que ele acreditava, e a corrompera com seu dinheiro.
Odiava aquele homem com toda sua alma, assim como muitas pessoas que haviam sido prejudicadas por ele.
Kakashi Hatake conseguia manter sua fortuna intacta à custa de negócios escusos e atitudes inescrupulosas, aliados a consultores e advogados brilhantes e os melhores contatos políticos e sociais. Havia se casado duas vezes e tinha uma filha do primeiro casamento e duas do segundo. Embora estivesse com mais de cinquenta anos, tinha o aspecto jovem e saudável favorecido pela nutricionista particular, esteticista, cirurgião plástico... enfim, tudo que o dinheiro podia comprar.
Quando Sakura começara a trabalhar como sua assistente pessoal, ela costumava ironizar a vaidade e o ego colossal do chefe. Mas a ironia dera lugar a um fascínio que rapidamente se transformara em paixão.
As lembranças deixaram Sasuke de mau humor.
— Espero que Hatake compre o hotel — disse em tom amargo. — E que perca muito dinheiro.
— O que você tem contra ele? Já perdeu dinheiro em algum investimento que o envolvia?
Sasuke refletiu por alguns segundos antes de responder. Perdera algo muito mais valioso que dinheiro.
— Digamos apenas que ele não vai gostar de me encontrar sozinho, em uma noite escura.
Shikamaru riu com vontade.
— E eu que nunca achei que você tivesse sofrido alguma perda financeira importante!
— Todos cometemos erros, Shikamaru. É isso que nos faz crescer.
— E o que Kakashi Hatake lhe ensinou?
— Ele ensinou-me a nunca subestimar um homem que tem mais dinheiro que eu.
— É verdade. Bem, já vou indo. Nos veremos amanhã cedo na academia, certo?
— Combinado.
— Não trabalhe até tarde.
— Não se preocupe. Por favor, quando passar pela recepção, peça a Hinata para me trazer outro café.
— Está bem. Talvez eu mesmo a ajude a preparar. Essa garota tem classe, e um corpo... — Com um gesto malicioso, ele beijou a ponta dos dedos. — E suspeito que você já sabe disso, parceiro!
— Pelo amor de Deus, Shikamaru! Fale baixo! Ela pode ouvir! Você nunca ouviu falar em assédio sexual?
— Posso estar enganado, mas flagrei um olhar de sua assistente que indicava que ela não seria totalmente avessa a tal idéia, se partisse de você.
— Não seja ridículo!
— Não estou sendo ridículo. Estudei linguagem corporal quando fiz um curso de vendas e marketing recentemente, e não tenho a menor dúvida de que ela se sente atraída por você. Eu garanto. Mas, se me diz que não está interessado, tenho de acreditar.
Sasuke lançou-lhe um olhar que o fez se calar no mesmo instante.
— Não está mais aqui quem falou. — Shikamaru ergueu as mãos em sinal de paz. — Até amanhã.
Como Sasuke já esperava, Shikamaru se esqueceu de pedir a Hinata que levasse o café. Quando ela entrou no escritório, depois de chamá-la pelo interfone, ele se flagrou despindo-a mentalmente mais uma vez, da mesma forma que fizera na noite em que chegaram ao hotel. O problema era que já conhecia todas as curvas do corpo bem-feito, e a realidade superava em muito as fantasias sensuais que sua imaginação havia criado.
Shikamaru estaria certo? Teria Hinata alguma fantasia erótica a seu respeito? Talvez, mas poderia apenas estar tentando substituir o ex-noivo. Mas... e se desejasse secretamente que o romance entre eles continuasse?
A simples idéia o excitou. Ele não a amava, e nem seria capaz de amar qualquer mulher pelos próximos cem anos. O amor estava fora de sua vida, depois de tudo que vivera com Sakura. Nunca mais se envolveria em um relacionamento mais profundo. Tudo que queria de uma mulher era apenas sexo, e nada mais. Sexo sem compromisso.
Observou-a colocar a xícara de café à sua frente e levantar os olhos para ele com expectativa.
— Deseja mais alguma coisa, chefe?
Sim, pensou para si, ignorando a ironia contida na frase. Desejava possuí-la ali mesmo, sobre a escrivaninha, mas conteve o ímpeto de revelar o pensamento absurdo.
— Não. Pode voltar ao trabalho. Pensando melhor, tire a tarde de folga, se quiser.
— A tarde toda? — Ela arregalou os olhos, surpresa.
— Sim, por que não? Você merece, depois de tudo que fez no final de semana.
Sasuke arrependeu-se no mesmo instante que acabou de enunciar a frase. Percebeu que ela poderia ter uma interpretação errônea e ambígua, enquanto se referia apenas ao fato de ter trabalhado fora do horário normal.
— Você quer dizer que mereço ter uma folga como pagamento pelos meus serviços?
A fúria crescente que fazia os belos olhos brilharem ainda mais assustou Sasuke.
— Não! Claro que não — ele quase gritou. — Ouça, se você interpretar as coisas desta forma, não haverá mais ambiente para trabalharmos juntos.
Ele não precisava ter estudado linguagem corporal para perceber a reação imediata que suas palavras provocaram. O corpo todo de Hinata se enrijeceu, e os olhos... Eles refletiam o coração, carregado de emoções intensas.
— É bom saber que as coisas estão nesse ponto. Você terá minha carta de demissão em sua mesa antes que eu saia para o almoço. E aceito a oferta de ter a tarde livre, obrigada.
Girando nos calcanhares, ela saiu do escritório com passos firmes, batendo a porta atrás de si.
Sasuke afundou-se na cadeira com um gemido, sentindo-se o pior homem do mundo.
Hinata não conseguiu sentar-se à escrivaninha e voltar ao trabalho. Caminhou pela sala de recepção por alguns mimitos, tentando se acalmar, e então dirigiu-se à copa para preparar um chá.
Tenten tinha razão quando se referia a romances entre patrões e secretárias, pensou com amargura. Eles conseguiam o que queriam, e elas perdiam o emprego...
A raiva crescente a impelia a voltar à sala dele e falar tudo que lhe vinha à cabeça, mas o orgulho a impediu. Além disso, pediria sua demissão, e precisaria de uma carta de referência para o próximo emprego. Seria melhor não fazer uma cena. Simplesmente entregaria a carta, iria embora e mandaria Sasuke Uchiha para o inferno!
Com passos decididos, sentou-se diante do computador e escreveu a carta de demissão. Assim que acabou de imprimi-la, entrou no escritório de Sasuke sem bater à porta. Encontrou-o concentrado na tela do computador.
— Aqui está minha demissão — anunciou, estendendo a folha diante dele. — Gostaria que me desse uma carta de recomendação, embora não possa explicar por que deixei minha presente posição depois de um tempo tão curto. Mas isso é problema meu. Ah, e obrigada mais uma vez por me dar o dia de folga, que começa a partir de agora.
— Hinata, não...
— Não o quê?
— Não peça demissão — ele disse em tom de súplica.
— Tarde demais. E, por favor, não precisa fingir que não é o que quer. Você anseia por este momento desde que acordou ontem de manhã e me encontrou em sua cama. Imagino que o mesmo tenha acontecido com a última assistente pessoal que trabalhou para você... Depois de usá-la, pressionou-a para se demitir.
— Hinata, por favor, não quis pressioná-la.
— Sim, você quis! — ela disse por entre os dentes, tentando não alterar o tom da voz. —Você me pressionou, mas vou sobreviver. Sou uma sobrevivente, Sasuke Uchiha.
Sasuke observou-a caminhar com dignidade para fora da sala, e nunca a admirou mais que naquele momento. Mas não podia chamá-la de volta. Ela estava certa. Ele havia se aproveitado de sua fragilidade... e o que mais o assustava era que a desejava mais do que nunca. Seria melhor que ela partisse antes que a magoasse ainda mais.
O mais razoável a fazer era voltar à sua caverna e afundar-se no trabalho.
Hinata sentiu as lágrimas rolando por seu rosto enquanto descia ao piso térreo. A amargura dera lugar a uma solidão maior do que jamais imaginara ser possível. A verdade era que gostava de Sasuke, e trabalhar para ele fora a melhor coisa que lhe acontecera em muitos anos. Mais que isso, a noite de amor que haviam compartilhado não saía de sua lembrança.
Ao sair à rua, percebeu que não tinha a menor disposição para fazer compras. Afinal, qual o sentido de comprar roupas novas, se não trabalharia mais para Sasuke?
Ajeitando a alça da bolsa no ombro, ficou parada por alguns minutos, indecisa sobre o que fazer.
— Hinata! — uma voz masculina ecoou bem atrás de si.
Voltou-se com o coração aos pulos, na expectativa de encontrar Sasuke, mas deparou-se com a última pessoa que pensara encontrar.
— Naruto! O que... o que está fazendo aqui?
— Estava à sua procura — ele explicou. — Descobri o andar do escritório de seu chefe através do porteiro, e estava esperando o elevador quando você passou por mim como um furacão.
— Desculpe, eu estava distraída — ela comentou em tom frio. — Por que estava me procurando?
— Estou preocupado com você.
Ela não ficaria mais surpresa se ele lhe propusesse casamento.
— Por quê?
— Podemos ir a algum lugar para conversar com mais privacidade? Há um café no próximo quarteirão. Vamos até lá?
— Bem, se insiste...
Seguiram em silêncio até se acomodarem a uma mesa em um canto reservado.
— Você não apareceu no jantar de sábado — ele começou, revelando ansiedade.
— Não havia necessidade, depois do encontro de meu chefe com seu cliente.
— O sr. Wong decidiu comprar o Sunshine Gardens?
— Honestamente, você espera que eu discuta negócios com você? Se veio me procurar para arrancar informações úteis à sua namorada, está perdendo tempo.
— Não, não foi por isso que eu a procurei. Vim lhe alertar sobre seu chefe.
Hinata arregalou os olhos, perplexa.
— Alertar-me? Sobre Sasuke?
— Ouça, sei que a magoei, Hinata. Fui um tolo! Vejo pela forma como me olha que provavelmente me odeia, e posso compreender. Mas eu não a odeio. Na verdade, hoje sei que cometi o maior erro da minha vida ao romper o noivado. Você é especial, Hinata, e merece alguém melhor do que Sasuke Uchiha.
Ela abriu a boca para dizer que não havia nenhum envolvimento entre eles, mas seria difícil que Naruto acreditasse que não eram amantes. Além disso, não estava disposta a se justificar para ele.
— Não sei do que está falando. Sasuke é um chefe maravilhoso. Não vejo razão para que me alerte contra ele.
— Puxa, tenho de dar crédito a esse homem! Ele não perdeu tempo. Mas ele não a ama, Hinata. Está apenas usando-a.
— Creio que você não tem crédito para me dizer isso — ela disse, controlando se para não esbofeteá-lo. — Por que julga que ele não me ama? Por acaso, é porque olha para mim e vê uma mulher tola e patética, que ninguém poderia amar?
— Não há nada de patético ou tolo em você, Hinata. Você é tão bonita e atraente como sempre foi. Mas tem o péssimo hábito de se apaixonar por homens que não a merecem.
— Não estou apaixonada por meu chefe!
Porém, quando os olhares se cruzaram, ela sentiu o rosto corar.
— Espero que não, porque ele é um homem amargurado e vingativo. Claro que tem suas razões. Eu faria o mesmo se passasse pelo que ele passou.
— Do que está falando? — A curiosidade de saber mais a respeito de Sasuke a fez esquecer o rancor.
— Tenho certeza de que você não sabe sobre o passado de Sasuke. Não é o tipo de assunto que um homem gosta de comentar.
Ele chamou o garçom e pediu dois cafés antes de prosseguir.
— Shion ficou intrigada quando você o apresentou. Sasuke é um homem de prestígio e tem um nome conhecido no mercado financeiro. Depois de conversar com algumas pessoas, chegamos a algumas conclusões.
— Naruto, por favor, seja mais claro!
— Espere, logo você entenderá. Acontece que Sakura, a ex-esposa de seu chefe, foi assistente pessoal de Kakashi Hatake por alguns anos. E, diga-se de passagem, ela foi uma assistente muito pessoal! Para você ter uma idéia, ele mantém um apartamento para ela, e viajam juntos para onde quer que ele vá. O relacionamento é mantido em segredo, pois ele é casado. Enfim, esta foi a razão para que ela deixasse o marido e pudesse se tornar amante do poderoso chefe. Você o conhece, não é?
— Sim. Estive isolada por alguns anos, mas não estava morta. Todos conhecem Kakashi Hatake.
— Pois então, é ele o cliente de Shion, aquele que pretendia comprar o Sunshine Gardens. Através dos negócios, Shion se aproximou de Sakura, e você sabe como as mulheres gostam de conversar. A ex-senhora Uchiha confidenciou a Shion, depois de um almoço e alguma taças de vinho, que estava apaixonada por Hatake. Contou que amava o marido quando começou a se envolver com o chefe, e que simplesmente não conseguiu resistir às investidas dele.
Hinata ouvia sem dizer uma palavra. Estava muito ocupada absorvendo todas as ramificações das novidades que acabava de ouvir.
— Tudo que sei é que Sasuke Uchiha é um homem ferido, que se tornou amargo e descrente do amor. E tudo isso graças às terríveis e cruéis acusações da ex-esposa ao confessar que estava apaixonada por Hatake. Shion não soube exatamente as palavras que ela havia usado, mas disse que Sakura se corroia pelo remorso. — Naruto parou de falar, à espera que o garçom os servisse, e só prosseguiu quando o viu se afastar. — Conhecendo-a como conheço, Hinata, sei que acredita que ele está apaixonado por você. Você não é do tipo de garota que vai para a cama sem algum envolvimento afetivo. Mas não é amor que está motivando seu chefe a procurá-la. Ele a quer apenas por vingança.
— Você não sabe o que está falando, Naruto. Para começar, não estou apaixonada por Sasuke. E nunca me passou pela cabeça que ele estivesse apaixonado por mim.
— Nesse caso, o que está acontecendo entre vocês dois?
— Isto não é da sua conta, não acha?
— Mas não tente negar que está atraída por ele!
— Isso também não é da sua conta!
— Ouça, quero apenas que não se magoe. Preocupo-me com você, Hinata.
— Desde quando? — Ela não conteve uma risada de ironia. — Tem certeza de que não me procurou porque está entediado com Shion? Será que não quer apenas enaltecer seu ego, certificando-se de que ainda me interesso por você?
— Hinata, você está sendo injusta! Eu a amei à minha maneira, mas achei que nosso casamento não daria certo. Você estava abandonando seus próprios interesses e ambições ao se dedicar exclusivamente a Kurenai. As vezes, chego a pensar que foi uma espécie de estratégia para não se casar comigo.
— Diante disso, é curioso que tenha escolhido Shion — observou ela, recusando-se a refletir sobre a interpretação de Naruto a respeito de sua atitude. — A prioridade dela é a própria carreira e ela própria.
— Eu sempre soube. Por que acha que ainda não nos casamos? Você é a mulher que quero como esposa, Hinata. Eu ainda...
— Oh, por favor, pare com isso! E obrigada pelo café — disse, levantando-se sem ter tocado na xícara. — E obrigada pelas interessantes novidades. Você pode não saber, mas tudo que me disse foi muito importante. A partir de agora, o comportamento de Sasuke tornou-se muito mais compreensível para mim.
