Naruto não me pertence, nem a história!
Hinata afastou-se de Naruto sem olhar para trás, com o pensamento voltado para Sasuke. Caminhou para o escritório com passos firmes. Não sabia os detalhes do que Sasuke ouvira da ex-esposa, mas tinha certeza de que provocara marcas profundas.
As atitudes de Sasuke não eram movidas por vingança, concluiu para si. Apertou o passo, agradecendo secretamente pelo encontro que acabara de ter com Naruto. Graças a ele, conseguira compreender a razão pela qual seu chefe agia com tanta hostilidade. Não era para menos que Sasuke abominasse a idéia de ter um relacionamento amoroso com sua assistente pessoal! Seria como reviver o passado, encenando sua própria história ao colocá-lo como protagonista de seu drama pessoal.
O que ele menos precisava naquele momento era ser abandonado mais uma vez, decidiu ao entrar no saguão do edifício. Sasuke não tinha mais nada além do trabalho, do ego machucado e do coração partido. Precisava de amizade e compreensão.
Suas mãos estavam trêmulas quando bateu à porta da sala dele. Como não obteve resposta, entrou com cuidado, mas encontrou-a vazia. Desapontada, estava a ponto de sair quando ouviu um ruído em uma das salas adjacentes. Antes que sua coragem desaparecesse, foi para lá e abriu a porta.
Sasuke quase derrubou o copo que estava segurando. Não esperava ver Hinata novamente. Depois que ela partira, tentara mergulhar no trabalho, mas não conseguia se concentrar.
— O que está fazendo? — ela quase gritou ao ver que ele segurava um copo com uma dose de uísque.
O tom crítico e a aparição inesperada o tomaram de surpresa.
— Estou tomando um drinque para relaxar.
— Mas você nunca bebe durante o dia!
— Você está enganada. Sempre bebo durante o dia. Aliás, de hoje em diante, vou substituir o café por uísque.
— Não faça isso! — ela disse em tom de súplica, aproximando-se para retirar o copo das mãos dele.
— Por que deveria se importar? Você não é minha babá. Não é nem mesmo minha secretária, já que pediu demissão...
— Voltei para lhe dizer que não quero mais me demitir. Quero continuar trabalhando para você.
— E acha que é uma boa notícia? — Sasuke soltou uma risada nervosa e aflita. — E se lhe dissesse que não quero mais que trabalhe para mim? E se lhe confessar que sua demissão é exatamente o que eu queria?
— Não acredito.
— Ela não acredita... — ecoou ele para si mesmo. — O que tenho de fazer para que acredite?
— Nada.
O olhar de desafio o fez baixar os olhos. Sasuke apanhou o copo e sorveu um grande gole, buscando coragem para falar.
— E se eu lhe disser que, desde sábado à noite, não consigo olhar para você sem imaginá-la nua? E se revelar que minha fantasia secreta favorita é imaginar que você não está usando roupas íntimas sob o tailleur? E se, quando me acusa de tê-la seduzido, lhe disser que você tem razão?
Hinata o fitava, impassível. Nada do que ele dissesse poderia abalar a firme decisão que já havia tomado.
— E isso não é tudo — ele continuou depois de outro gole da bebida. — Quando você trouxe meu café hoje de manhã, eu só conseguia pensar em fazer sexo com você. Queria pedir para que trancasse as portas e esquecesse o mundo lá fora.
Hinata arregalou os olhos, mas continuou sem dizer uma palavra. Não sabia quantas doses de uísque ele já havia tomado, mas atribuiu as revelações impensadas ao efeito do álcool. O problema foi que tais confissões provocaram um inevitável efeito em seu corpo, despertando os desejos latentes que se espalhavam por todos os seus poros.
— E então? — exigiu ele, em tom imperativo.
— Eu... Eu não sei — ela balbuciou, abalada.
— Não sabe? — Sasuke deu um passo à frente e a encarou. — Como é possível?
— Simplesmente não sei! Estava furiosa com você hoje de manhã.
Um silêncio pesado caiu sobre eles, até que Hinata o rompeu, com voz rouca:
— Por que não pede novamente, agora?
Chocada com que acabara de dizer, ela levou a mão à boca, mas já era tarde. As palavras pareciam ter ganhado vida própria. Observou-o esvaziar o copo de um só gole, para então fitá-la como olhar profundo.
— Você poderia trancar a porta, Hinata? — disse por fim em tom grave. — Não estou me referindo à porta de minha sala. Quero que tranque a porta que separa meu escritório do mundo lá fora.
A noite, enquanto voltava para casa, Hinata ainda sentia as emoções vividas daquela tarde. Haviam feito amor com uma urgência quase selvagem.
Porém, uma dor aguda oprimia seu peito.
Preciso deixar claro que não amo você. As palavras de Sasuke ainda ecoavam em sua cabeça. Embora chocada, conseguira dizer que não esperava que a amasse. Não demonstrara a menor emoção nem mesmo quando ele havia admitido que nunca se apaixonaria por ela. Relutara entre fugir e se atirar nos braços dele. Mas como resistir ao fascínio que aquele homem lhe despertava?
Ao abrir a porta do apartamento, ouviu a campainha do telefone e se apressou em atendê-lo. Com o coração aos pulos, imaginou que pudesse ser Sasuke.
— Alô?
— Hina? Ainda bem que atendeu! Estava a ponto de desligar!
— Tenten! O que aconteceu para me ligar em plena lua-de-mel?
— Ora, não fazemos sexo o tempo todo — foi a resposta divertida. — Lee está tirando uma soneca e aproveitei a oportunidade para telefonar. Estou curiosa para saber como estão as coisas com seu trabalho.
— Estão bem.
— Seu chefe continua chato?
— Sasuke não é chato. Ele é apenas sério — corrigiu, tentando não pensar sobre a tarde que haviam passado juntos.
— Nesse caso, a hipótese de que seja gay está descartada. Gays nunca são sérios e taciturnos.
— Oh, definitivamente, Sasuke não é gay.
— É mesmo? Como pode ter tanta certeza? — Tenten perguntou em tom de suspeita.
Hinata decidiu que não era o melhor momento para contar à amiga o que estava acontecendo entre ela e seu chefe. Precisava de tempo para explicar todos os detalhes, para que Tenten não ficasse escandalizada ao saber que aceitara um relacionamento baseado apenas em sexo. Afinal, ela própria estava escandalizada com seu comportamento!
Decidiu que seria melhor tratar o assunto com bom humor em vez de ficar se defendendo. Assim, correria menos risco de se trair.
— Como sei? — repetiu, assumindo um tom afetado. — Ele não consegue manter as mãos longe de mim! Vive me seguindo por toda parte. Fazemos amor todos os dias, em todos os lugares possíveis e imagináveis!
— Está bem, você não quer falar no assunto. Já entendi. Não, não entendeu, Hinata pensou com prazer. Esta é a mais pura verdade!
— Chega de falar de mim. Como está a lua-de-mel? Onde você está agora?
— Em Hong Kong. Hina, estamos adorando! Fizemos compras fantásticas. Estava na hora de renovar meu guarda-roupa. Minhas roupas já não estão servindo. Devo ter engordado uns cem quilos!
— Não exagere, Tenten. É natural engordar um pouco na gestação.
— É sério! Estou enorme! Sabe, estava pensando em lhe oferecer as roupas que estão no apartamento. Não vou mais precisar delas. Mesmo depois que o bebê nascer, meu corpo não será mais o mesmo.
— O quê? Quer que eu fique com suas roupas? Todas elas?
— Tudo que deixei em casa. Fique com todas que lhe servirem. Está na hora de abandonar os hábitos de freira, não acha? Seu chefe vai entender. E fique também com os sapatos. Meus pés estão começando a inchar, e desconfio que terei de comprar sapatos também. Ao menos nesse item, nós usamos o mesmo número.
— Tem certeza, Tenten? — insistiu, impressionada com a generosidade da amiga.
— Absoluta. Lee achou ótima minha decisão. Ele quer que eu comece uma vida nova em todos os sentidos. Fique também com as bolsas, malas, bijuterias, maquiagem... tudo que puder encontrar. Quero que os armários estejam vazios quando voltarmos.
— Não pode fazer isso, Tenten! Você gastou uma fortuna em cosméticos! Os dois banheiros estão repletos de...
— Shh... não quero mais falar nesse assunto. Já trouxe comigo tudo que precisava, e a lista inclui minhas bijuterias favoritas. Ficarei feliz se você puder usar o que deixei. Mudei radicalmente meu estilo, Hina. Encontrei muitas roupas maravilhosas para gestantes, e você precisa ver o enxoval do bebê! Vou lhe mostrar tudo quando chegar.
— E quando virá para casa?
— No próximo sábado. Devemos chegar por volta de meio-dia. Que tal se jantássemos juntos, na casa de Lee?
— Você não vai querer cozinhar no dia que chegar de viagem.
— Quem disse que vou cozinhar? Não se preocupe, apenas vá para lá.
— Está bem.
Não havia por que se preocupar. Não trabalharia no sábado, o que significava que não se encontraria com Sasuke. Aquela era uma das regras que ele impusera durante a tarde: não lhe oferecia um relacionamento sério. Propunha apenas que satisfizessem a necessidade sexual mútua, sem nenhum envolvimento amoroso. Jamais se encontrariam nos fins de semana ou em outro lugar que não fosse o escritório, e nunca depois do expediente.
Hinata concordara com todas as condições. Concordaria com tudo que ele pedisse, desde que pudesse viver os momentos maravilhosos que passavam juntos. Sabia, em seu íntimo, que violava seus próprios princípios em nome de uma paixão perigosa, mas estava acima de suas forças resistir.
— Preciso desligar agora, Hina. O homem de minha vida acabou de acordar... Não faça nada que eu não faria, está bem?
Ao colocar o aparelho no gancho, Hinata sorriu, imaginando que era exatamente o que estava fazendo com Sasuke.
Os momentos maravilhosos que haviam vivido naquela tarde repetiam-se como cenas de um filme em sua memória. Nos braços de Sasuke, transformava-se em uma mulher que nem mesmo ela conhecia. As memórias evocavam todas as sensações, ainda vividas em seu corpo.
Esforçando-se para ser racional, lembrou a si mesma que nunca, em tempo algum, se casaria com Sasuke. Seu coração se apertou diante de tal pensamento.
Depois de tomar um banho relaxante, vestiu uma camisola confortável e se pôs a avaliar os pertences de Tenten. Jamais poderia retribuir a generosidade da amiga, concluiu enquanto se surpreendia com as maravilhosas descobertas que fazia.
Encantada com a coleção de perfumes franceses, decidiu que nunca mais sairia de casa sem usá-los. Experimentaria um novo perfume a cada dia até descobrir o que mais agradava a Sasuke.
Ao abrir o guarda-roupa, não conteve uma exclamação admirada. Excitada, despiu-se e vestiu peça por peça, transbordando de alegria. Agradeceu à sorte por ter ganhado alguns quilos. A maioria das roupas caiu como uma luva.
Encontrou um vestido encantador, com recortes que delineavam as formas, alças finas e decote pronunciado. A estampa floral de cores suaves era perfeita para o clima quente de Sidney.
Não se lembrava de Tenten tê-lo usado antes. Ao vesti-lo, sorriu com satisfação ao sentir o tecido fino acariciar seu corpo. Nunca usara um modelo tão ousado antes.
Escolheu uma sandália bege, de finas tiras amarradas no tornozelo, e caminhou alguns passos. Ao mirar seu reflexo no espelho, surpreendeu-se com o que viu.
Uma nova mulher havia desabrochado, uma mulher que descobrira uma sensualidade que jamais julgara ter... e Sasuke era o único responsável por aquela transformação!
Sasuke lançou um olhar para o relógio na parede do escritório. Quase cinco horas... Seu pulso se acelerou ao pensar que, em breve, abandonaria qualquer pretensão de trabalhar para fazer amor com Hinata.
Naquela semana, ela fora trabalhar com uma roupa diferente a cada dia, e a mudança de estilo o agradara imensamente. Observara, também, a coleção de perfumes sofisticados que passara a usar, e a maquiagem leve e discreta que embelezava ainda mais os traços delicados do rosto.
Recostou-se na cadeira e fechou os olhos. Hinata era uma mulher admirável, pensou para si. Conseguia aliar classe e elegância à sensualidade que transbordava por todos os poros de seu corpo.
Porém, uma idéia desagradável atravessou seu pensamento como uma intrusa. Era sexta-feira. Nos próximos dois dias, não veria Hinata. Tentou se consolar, lembrando-se que aquela fora uma condição que ele próprio impusera.
E se pedisse a Hinata que quebrasse a regra, apenas uma vez? Queria estar com ela até mais tarde. Talvez ela aceitasse... Afinal, aceitara de pronto todas as condições que colocara até aquele momento. Ela parecia aceitar com naturalidade o envolvimento sem compromisso. Se o que estavam fazendo a magoasse, ele seria capaz de perceber.
Mas... conseguiria parar, se sua consciência ordenasse?
Impaciente, Sasuke não conseguiu responder. Sabia apenas que estar com Hinata era a melhor coisa que lhe acontecera, e era o que bastava.
Olhou para o relógio e seu coração perdeu um compasso. Cinco horas! Chegara enfim o momento mais esperado do dia!
Encontrou-a guardando alguns papéis no arquivo, aparentemente alheia ao tempo. Porém, o que Sasuke não sabia era que ela também ansiara por aquele momento durante o dia todo.
Os olhares se cruzaram, e de súbito, não havia mais nada no mundo além do desejo que os atraía como um ímã.
— Venha até minha sala, Hinata — ordenou ele, a impaciência ecoando por todos os músculos de seu corpo.
Hinata levantou-se com esforço e caminhou como um robô programado. Havia jurado para si mesma que aqueles encontros não passavam de pura atração física. Se quisesse sobreviver, teria de deixar as emoções trancafiadas no lugar mais seguro que pudesse encontrar.
— Que tal se saíssemos para comer alguma coisa? — Sasuke sugeriu duas horas mais tarde, com a respiração ofegante.
Um brilho de esperança se irradiou nos olhos de Hinata.
— Achei que você havia dito que não nos veríamos fora do escritório.
— Bem, decidi quebrar as regras. Estou faminto, e não vejo razão para não jantarmos juntos, como duas pessoas civilizadas. Uma boa refeição e um bom vinho sempre são bem-vindos, especialmente às sextas-feiras. — Ele falava enquanto recolhia roupas espalhadas no chão.
Hinata não protestou. Vestiu-se e o acompanhou a um charmoso restaurante nas proximidades. Depois de escolher uma mesa a um canto reservado, sentou-se e observou enquanto Sasuke conversava com o garçom sobre a carta de vinhos.
Por mais que tentasse, não conseguia disfarçar a angústia que lhe oprimia o peito. A razão era óbvia, concluiu no mesmo instante. Onde estava com a cabeça ao aceitar as condições que Sasuke impusera? Abominava a idéia de transformar-se em amante de seu próprio chefe e, mesmo assim, entregava-se a ele de corpo e alma. Pior que isso, ansiava pelo momento de estar nos braços de Sasuke!
Não conseguiria negar a realidade do que estavam fazendo por muito tempo. Sua dignidade não permitiria que se submetesse a um relacionamento como aquele.
Se ao menos ele lhe desse alguma esperança... Não havia dúvida de que se sentia atraído por ela. Mas quem poderia dizer em quem Sasuke pensava enquanto faziam amor? E se olhasse para ela e visse a imagem da ex-esposa?
Contendo o pranto, aprovou a escolha do vinho que ele fizera. Até quando suportaria aquela situação?
— O que o fez mudar de idéia? — perguntou de súbito ao ver o garçom se afastar.
— As coisas mudam, Hinata. Achei que seria bom se conversássemos.
O pânico crescente provocou uma reviravolta em seu estômago. Talvez ele já estivesse cansado, e tivesse intenção de terminar...
Contendo o turbilhão de emoções que a assaltava, manteve-se em silêncio e esperou que ele dissesse o que pretendia.
— Não podemos continuar assim.
— Por quê? — Surpresa por ter conseguido articular as palavras, ela o fitou com ansiedade.
— Quando fazemos amor, sinto-me realizado, Hinata. Você é uma mulher capaz de despertar as fantasias mais secretas de um homem. Mas acho que este relacionamento está se tornando perigoso e complicado.
— Complicado? Mas tenho feito tudo que você pede!
— Tenho certeza que sim. A verdade é que não quero continuar com o que estou fazendo. Quero tentar alguma coisa mais... normal.
O coração de Hinata perdeu um compasso. O que ele estaria tentando dizer? O murmúrio de vozes que preenchia o ambiente ecoou em seus ouvidos como se viesse de um lugar muito distante.
— Sei que eu disse que não queria ter um relacionamento sério com você e, num certo sentido, continua sendo verdade. Amor e casamento não estão na minha agenda, e não vou iludi-la com falsas esperanças. Mas quero você em minha vida, Hinata, não apenas como minha secretária. Quero estar com você, sair juntos algumas vezes. Meus fins de semana são terrivelmente solitários.
— Os meus também — ela concordou de pronto, seu espírito se iluminando com o que acabara de ouvir.
— Estava pensando que, se você quiser, podemos tentar outro tipo de relacionamento. Lembre-se de que nunca seremos nada além de bons amigos.
Contendo-se para não gritar de alegria, ela o fitou com os olhos cheios de esperança.
— Eu gostaria muito!
— Prometo que não vamos mais fazer amor no escritório.
— Não deveria dizer isso, Sasuke. Você não é muito bom com negativas.
— Confesso que não é minha palavra favorita, principalmente quando você está envolvida. Mas fazer amor na minha escrivaninha está me deixando com uma terrível dor nas costas.
— Pobre Sasuke...
Com uma gostosa risada, ele finalmente relaxou. Havia ensaiado a melhor forma de fazer a proposta durante a tarde toda e não saberia como reagir se ela rejeitasse.
— A verdade é que estou me sentindo culpado pelo que estou fazendo com você — confessou ele, aliviado por tirar aquele peso dos ombros.
— Não tanto a ponto de parar — ela observou com um sorriso divertido.
Naquele momento, o garçom chegou com o vinho e os serviu. Sasuke molhou os lábios e meneou a cabeça em sinal de aprovação.
— Posso contar a Tenten sobre nós dois? — arriscou ela, ao ver o garçom se afastar. — Ela vai chegar amanhã da lua-de-mel.
— Pode, se você quiser. Mas acho melhor não dizer nada a respeito do que aconteceu no escritório.
— Meu Deus, claro que não vou dizer!
Hinata duvidava que Tenten ficasse chocada, mas ficaria furiosa com Sasuke por tratá-la daquela forma.
— Você se sentia bem com o tipo de relacionamento que estávamos tendo, Hinata?
A pergunta a surpreendeu. Seria tão transparente a ponto de deixar explícito o que escondia em seu coração?
— Por que pergunta? Você sabe que sim.
— Acho que não me enganei quando percebi que, algumas vezes, você parecia infeliz.
Ela fez um esforço sobre-humano para não dizer a verdade. Porém, não precisou dizer uma palavra para que ele percebesse como sua atitude egoísta a magoava.
— Hinata, o que fiz foi imperdoável. Eu não tinha o direito de me aproveitar de sua fragilidade. Mas recuso-me a assumir toda a culpa sozinho. Você é uma mulher irresistível!
Hinata enrubesceu intensamente. Não estava acostumada a ser elogiada, especialmente por um homem como Sasuke Uchiha.
— Você vai contar a Mikoto sobre nós? — perguntou, ansiosa por mudar de assunto.
— O que acha?
— Creio que seja melhor não dizer nada. Você sabe como são as mães... Ela poderá pensar que temos planos de nos casar.
— Não me preocupo com o que minha mãe poderá pensar. Ela me conhece bastante bem para saber que isso nunca vai acontecer. — Com um gesto impaciente, ele apanhou o cardápio. — Vamos pedir a comida? Estou faminto!
Hinata mal pôde se concentrar na imensa variedade de pratos. Estava tão feliz que nada mais importava.
Imaginou que Tenten a recriminaria quando soubesse. Já podia vê-la furiosa, advertindo-a para que não se deixasse iludir por um relacionamento sem futuro. Talvez estivesse sendo tola por aceitar a proposta de Sasuke. Mas como resistir àquele homem?
Com um sorriso secreto, acalentou a esperança de que, um dia, ele pudesse esquecer a ex-esposa e se apaixonar por ela. Talvez, numa bela manhã, ele acordasse e percebesse o que estava bem debaixo de seu nariz: uma mulher que o amava com toda sua alma, e que jamais o deixaria.
