Naruto não me pertence, nem a história!
Hinata acordou no meio da manhã com o sol invadindo a janela do quarto e um delicioso aroma de café fresco no ar. Levou alguns segundos para reconhecer onde estava, até ouvir a voz de Sasuke. Ele cantarolava na cozinha, o que explicava o aroma de café.
Espreguiçando-se, ela deixou-se ficar na cama, lembrando-se dos acontecimentos da noite anterior, sorrindo ao se lembrar de como fora fácil convencê-la a esticar o programa. Estava tão encantada com a idéia de estar namorando que faria qualquer coisa que ele pedisse!
Claro, não podia se esquecer de que era um relacionamento sem futuro. Sasuke insistia em denominar o que estavam vivendo como "uma amizade especial".
Namoro, amizade... Não importava, desde que pudesse estar com ele.
Sasuke a levara a um aconchegante bar com música ao vivo. Enquanto dançavam, envolvera-se pelo calor viril, embalada pelas melodias lentas e românticas.
Ignorando que estavam em um lugar público, ele a envolvera pela cintura, apertando-a contra si. Cada parte do corpo viril a tocava, despertando-lhe um desejo cada vez mais intenso. Seus seios se comprimiam contra o peito musculoso, fazendo com que os mamilos intumescidos ardessem com o contato.
O ritmo da música os envolvera em um clima romântico, fazendo com que se esquecessem dos outros casais que ocupavam a pista repleta.
Com um ímpeto incontido, Hinata colara-se a ele, deslizando as mãos pelas costas largas até deterem-se na nuca, para acariciá-lo com suavidade, enquanto seus lábios mordiscavam o lóbulo da orelha.
A resposta fora imediata. Sasuke a deixara a ponto de enlouquecer quando deslizara as mãos para a curva do quadril e o pressionara, aumentando o contato com sua ereção evidente.
Perdida na sensualidade daquele momento, Hinata deixara de lado todas as suas inibições. Com os olhos fechados, entregara-se à chama do desejo, deixando-se consumir no fogo que ardia dentro de si. Consciente do que estava fazendo, ela inclinara a cabeça para trás, num gesto provocante, enquanto encaixava as coxas entre as pernas dele.
— Se continuar assim, não poderei me responsabilizar pelos meus atos... — ouvira-o murmurar com voz rouca.
Hinata abraçou o travesseiro e riu ao se lembrar que, se Sasuke não a tivesse interrompido naquele momento, ela não se responsabilizaria pelos próprios atos.
Virou-se na cama e acariciou o lugar vazio a seu lado, que ainda guardava o calor do corpo viril. As lembranças lhe provocaram uma deliciosa sensação, nova e desconhecida. Sabia apenas que era bom viver, e melhor ainda, ser mulher!
Quando Sasuke a convidara para passar a noite com ele, ficara tão feliz que não pensara em mais nada, a não ser concordar. Mal conseguira observar a decoração da casa dele na noite anterior. Logo que chegaram, Sasuke a tomara nos braços para conduzi-la ao quarto.
Nunca haviam feito amor com tanta ternura. Ele a envolvera em um abraço depois de chegarem juntos ao clímax e mergulhara o rosto em seus cabelos, num gesto doce e íntimo. Curiosamente, ela sentira vontade de chorar como uma criança, pouco habituada a receber tanto carinho e atenção.
Esticando-se na cama, Hinata olhou ao redor. A decoração simples e moderna do quarto a agradou. Além da cama, dois criados-mudos e uma cômoda de pau-marfim, havia duas poltronas a um canto, sob uma arandela com um desenho moderno e arrojado.
— Surpresa!
A voz de Sasuke tirou-a de seus devaneios.
— Café da manhã na cama! — exclamou com alegria ao vê-lo entrar com uma bandeja.
Sentou-se e ajeitou os cabelos atrás da orelha, puxando o lençol para cobrir a nudez.
Sasuke colocou a bandeja ao lado dela e sentou-se, estendendo as pernas sobre a cama. Com um gesto amplo, indicou que se servisse.
Hinata levou alguns segundos para registrar as opções. Havia pão integral, manteiga, frios, geléia, biscoitos, bolo de chocolate, frutas, suco de laranja e ovos com bacon.
— Puxa, você preparou tudo isso sozinho?
— Confesso que, com exceção dos ovos com bacon, tudo o mais é industrializado. Só tive o trabalho de ir ao supermercado e encher o carrinho. Mas juro que eu mesmo espremi as laranjas!
— Oh, Sasuke, não precisava se preocupar!
— Vamos, coma antes que esfrie.
— E você? — Ela cobriu a torrada com uma generosa porção de geléia de framboesa. — Não vai se servir?
— Comi enquanto preparava seu desjejum, mas vou comer uma maçã para lhe fazer companhia.
Hinata fitou-o com ternura. Ele estava magnífico naquela manhã, e ficava ainda mais charmoso com a sombra negra da barba por fazer. Os olhos negros, vividos e transparentes, refletiam serenidade e paz.
— Sasuke, sua casa é linda — elogiou ela, enquanto comia.
— Você acha? — Ele olhou ao redor com indiferença. — Para mim, esta casa é temporária. Pretendo comprar um terreno em algum bairro afastado do centro, para montar meu escritório e trabalhar em casa.
— Há condomínios maravilhosos em Kirribilli — informou ela, espetando uma fatia de presunto com o garfo.
— Visitei a maioria deles, mas nenhuma das casas que estavam à venda me agradou. Para falar a verdade, estou à procura de um terreno grande o bastante para construir um edifício de três andares, com um pequeno estacionamento para os clientes, e usar apenas a cobertura para morar.
— Ele falava como se estivesse pensando em voz alta. — Não preciso de nada além de uma suíte, uma sala e cozinha. De que mais um homem solteiro precisaria?
O coração de Hinata se apertou no peito. Definitivamente, ela não estava incluída nos planos de Sasuke!
— E se, um dia, você resolver se casar e ter filhos? — arriscou perguntar.
— Isso está fora de questão!
Sorvendo um gole do suco de laranja, ela engoliu as lágrimas que insistiam em brotar de seus olhos. Estava consciente de todas as condições de Sasuke e, ao aceitá-las, havia subestimado a extensão da mágoa que ele carregara e a escuridão que havia invadido sua alma.
Se Naruto a magoara, Sasuke poderia destruí-la! O problema era que já não tinha mais forças para resistir aos apelos de seu próprio coração. Amava aquele homem, e não havia nada que pudesse fazer com que o esquecesse.
Uma emoção profunda tocou-a ao pensar na mulher em que se transformava quando estava nos braços de Sasuke. Mesmo que não houvesse esperança de que ele se libertasse de Sakura e pudesse amá-la sem medo e sem reservas, os momentos que compartilhavam valiam por uma vida!
Hinata olhou de relance para Sasuke, que mordiscava uma fatia de queijo, alheio às suas reflexões. Sim, concluiu para si. Viveria todos os segundos que pudesse ao lado do amor de sua vida, como se fosse a primeira e última vez, e deixaria para cuidar do coração partido quando chegasse a hora.
Colocando a tristeza de lado, resolveu colocar em prática o que acabara de decidir e se esforçou para sorrir.
— Puxa, nunca tive um café da manhã tão maravilhoso! — ela murmurou, cruzando os talheres.
— Mas você não comeu nada! — censurou ele, enchendo o garfo com uma porção de ovos mexidos.
— Sasuke, estou satisfeita! Costumo comer apenas duas torradas de manhã.
— Você precisa se alimentar bem.
Com o garfo suspenso no ar, ele fez um gesto imperativo para que ela abrisse a boca.
— Coma mais um pouco.
— Você acha que estou muito magra? — ela perguntou depois de se esforçar para engolir.
— Você está perfeita! Mas precisa repor as reservas de energia.
— Se eu engordar, perderei meu novo guarda-roupa. — Ela afastou a bandeja e se recostou na cabeceira da cama.
— Eu não lhe contei que ganhei uma coleção completa de Tenten, não é? Ela está grávida, e comprou roupas novas durante a viagem de lua-de-mel. Fiquei com tudo que ela deixou em casa.
— Puxa, nunca tive um amigo assim! — comentou ele, admirado.
— Tenten é minha melhor amiga. Ela já deve estar a caminho de Sidney — refletiu, relanceando os olhos para o relógio de Sasuke. — Vou jantar com ela e o marido hoje à noite. Lee é fotógrafo, e tem uma casa maravilhosa em Paddington.
— Entendo.
Sasuke tentou esconder o desapontamento. Esperava ficar com Hinata até o dia seguinte.
— Você pode ir comigo, se quiser — ela convidou sem muito entusiasmo, certa de que ele diria não.
— Você fala a sério?
— Claro! Mais cedo ou mais tarde, Tenten ficará sabendo que nós estamos... — ela hesitou, como se a palavra queimasse seus lábios — saindo juntos.
— Não me importa que sua amiga saiba de nossa amizade, mas ela não espera nenhum convidado extra para jantar.
— Conheço Tenten. Ela é exagerada, pode ter certeza de que terá comida para um batalhão!
— E não estará muito cansada para receber alguém hoje? — ele ainda tentou, torcendo para que Hinata desistisse.
— Eu disse a mesma coisa, mas ela insistiu para que eu fosse. Eles viajaram na primeira classe e devem ter dormido durante o vôo. Mas perguntarei novamente quando ela me ligar.
— Ótimo! Se ela mantiver o convite, vou com você.
— Oh, Sasuke, que bom!
Ela o abraçou, cobrindo-o de beijos.
— Hinata, eu estive pensando... — começou ele, afastando-se ligeiramente. — Já que não vamos mais fazer amor no escritório, acho que seria melhor se nos encontrássemos todas as noites... Quero dizer, assim poderemos ter mais controle enquanto trabalhamos.
— Todas as noites? — ela arregalou os olhos, surpresa.
— E muito para você?
Ela queria gritar que desejava ficar com ele vinte e quatro horas por dia, mas não pretendia revelar que estava tão disponível.
— Receio que sim. Tenho alguns compromissos, você sabe. E isso me faz lembrar que tenho de ir para casa. Tenten prometeu me ligar assim que chegasse.
— Vou levá-la — ele ofereceu.
Hinata aceitou, e não teve como recusar quando ele convidou-se para conhecer a casa. Sabia como iria terminar... e estava certa.
Uma hora depois, deitados na cama de Hinata, descansavam com a respiração ainda ofegante, exaustos e satisfeitos, quando o telefone tocou.
— Alô?
— Hinata, é você? — Tenten perguntou sem reconhecer a voz da amiga.
— Claro que sou eu! — Tampou o bocal do telefone e virou-se para o lado. — Sasuke, pare com isso! Tenho de conversar com Tenten.
— A televisão está ligada, ou há alguém com você? Hinata hesitou, mas estava tão feliz que queria que o mundo inteiro soubesse.
— Há alguém comigo.
— É mesmo?! Quem?
Hinata beijou de leve os lábios de Sasuke. Ele riu e se levantou, seguindo para o banheiro enquanto ela observava as marcas vermelhas que suas unhas haviam deixado nas costas largas.
— Parece que é um homem... — Tenten comentou, cada vez mais curiosa.
— Acertou!
— Oh, meu Deus! Você está namorando!
— Acertou mais uma vez.
— Lee, Hinata está namorando! — ela gritou antes de voltar a atenção para a amiga. — Onde você o conheceu? Como ele é? Vocês já foram para a cama?
Hinata sorriu. Sentira falta da amiga, e havia muito para lhe contar.
— Eu o conheci no trabalho, ele é maravilhoso, e sim, já fomos para a cama.
— Hina, estas notícias são maravilhosas! Quantos anos ele tem?
— Por volta de trinta.
— E como ele é?
— Alto, moreno... É o homem mais atraente que já conheci!
— Quero saber como ele é na cama — ela sussurrou, em tom de cumplicidade.
— Ah, você não faz idéia!
— É solteiro ou divorciado?
— Divorciado.
— E este príncipe encantado tem nome?
O estômago de Hinata se contorceu. Aquela seria a pior parte...
— Sasuke Uchiha.
O silêncio mortal do outro lado da linha pareceu durar uma eternidade. Ouvir Sasuke cantarolando do banheiro era uma bênção. Ao menos, ele levaria algum tempo para voltar, o que lhe daria chance de se explicar a Tenten.
— Sasuke Uchiha! — ela repetiu, incrédula. — Seu chefe! Você está dormindo com seu chefe! Ao menos, isso esclarece nossa dúvida: ele não é gay.
— Tenho certeza absoluta de que não!
— Mas por quê? Por que tinha de ser exatamente ele?
— Não há como explicar, Tenten. Simplesmente aconteceu.
Hinata fez o melhor que pôde para explicar as circunstâncias, mas só conseguiu parecer desesperada. Contou à amiga sobre o encontro com Naruto, e como fora importante para fazê-la refletir sobre as atitudes de Sasuke. Porém, tudo que dizia parecia reforçar a idéia de que ele estava interessado apenas em sexo.
— Querida, acho que você sairá machucada desta história — Hinata advertiu-a.
— Talvez. Em todo caso, vou correr o risco. Ele é um homem maravilhoso. Se você permitir, vou levá-la comigo para o jantar desta noite. Assim, você poderá tirar suas próprias conclusões.
— Ótima idéia! — ela disse em um tom que preocupou Hinata.
— Prometa que não dirá nada sarcástico.
— Quem? Eu?
— Sim, você mesma. Nós duas sabemos que, às vezes, você fala demais.
— Prometo que farei o possível para não falar além da conta. E onde está o Príncipe Encantado?
— No chuveiro.
— Ótimo, porque preciso lhe falar o que estou sentindo. Hinata olhou para o teto, à espera de mais uma recriminação.
— Não adianta ficar brava —- Tenten advertiu ao ouvir o suspiro profundo do outro lado da linha. — Alguém tem de cuidar de você, e ninguém melhor do que eu, que só quero seu bem. Hina, você provavelmente acha que está apaixonada por esse homem, mas quero que reflita com cuidado.
— Não se preocupe comigo, Tenten. Sei cuidar de mim.
— Não tenho a menor dúvida de que sabe, querida. O problema é que, além de cuidar de você, quer cuidar também de todos os carentes e necessitados do mundo! Além disso, você está muito solitária, e a solidão não é boa conselheira. Pelo que me contou, seu chefe também está muito sozinho, sem mencionar o que viveu com a ex-esposa. Nenhum homem pode passar por uma experiência como aquela sem sair ferido. Como sabe que não quer apenas se vingar de toda a mágoa que sofreu? Ou que queira usá-la para provocar ciúme na ex-esposa e atingir Kakashi Hatake?
— Já pensei nisso tudo, mas não é do feitio de Sasuke. Ele é muito decente para ter uma atitude como essa.
— Decente! Leia as entrelinhas, Hina! Ele a assediou durante o trabalho. Quando liguei para você de Hong Kong e fez aquela brincadeira sobre estarem tendo um caso, você disse a verdade, não é?
— Não exatamente... — mentiu, ciente de que era a melhor opção. — Mas as coisas mudaram, Tenten.
— Mudou apenas a cena do crime, esta é a verdade. Provavelmente ele receia que você o acuse de assédio sexual, se continuar a seduzi-la no escritório.
— Não seja ridícula! Sasuke jamais seria tão premeditado!
— Oh, meu Deus! Você está apaixonada.
— Sim, estou.
— Garota, você está perdida!
— Ouça, Tenten, você está enganada. Espere até conhecê-lo, e então me diga o que achou.
— Está bem, vou fazer como pede.
Sasuke ouvia Hinata falando ao telefone, embora não pudesse distinguir o que dizia. Decidiu prolongar o banho para lhe dar privacidade ao conversar com a amiga.
Deixou que o jato forte de água massageasse suas costas, enquanto refletia sobre os últimos acontecimentos.
Hinata entrara em sua vida como um raio de luz que invadira seu coração e iluminara sua existência. Desde a viagem a Coolangatta, o trabalho deixara de ser a prioridade de sua vida. Nunca ansiara tanto para que o dia amanhecesse, mas sabia que a pressa em ir para o escritório não se resumia ao desejo de mergulhar no trabalho. A razão era simples e óbvia: Hinata estava lá.
Abaixando a cabeça para receber o jato forte na nuca, refletiu que fazia muito tempo que não pensava em Sakura...
Não podia negar que ela era a mulher mais bonita que conhecia. O corpo escultural, os olhos verdes, os cabelos tingidos de rosa, longos e lisos... Sim, podia compreender por que fora tão apaixonado. Mas o curioso era que, quando estavam casados, nunca se dedicara a ela com a mesma paixão com que se entregava ao trabalho. Refletiu para si que Sakura tinha o estranho poder de fazê-lo se sentir inferior, como se nunca tivesse o bastante para satisfazê-la. O trabalho, além de representar a fuga mais conveniente para suas angústias, transformara-se em uma batalha desesperada para alcançar o sucesso.
Sasuke acreditava que o dinheiro lhe traria poder e compensaria a falha em sua auto-estima diante de Sakura. Costumava levantar-se com os primeiros raios de sol e só voltava para casa tarde da noite. Na maioria das vezes, encontrava a esposa dormindo, e passava dias inteiros sem falar com ela.
Como resultado do excesso de trabalho e da vida sedentária que levava, chegara a engordar dez quilos, e justificava o pouco cuidado com a aparência pela falta de tempo para se cuidar.
Sasuke desligou o chuveiro e passou as mãos pelo corpo molhado, eliminando o excesso de água antes de se enrolar na toalha. Olhou seu reflexo no espelho, agradecendo à própria perseverança por ter enfrentado as entediantes sessões de ginástica na academia. Além de perder os quilos extras, estava em plena forma e sentia-se bem-disposto e saudável.
Com um rasgo de arrependimento, censurou-se por não ter tomado aquela atitude quando estava casado. Talvez, se tivesse se preocupado um pouco mais com sua aparência, Sakura não tivesse se interessado por outro homem.
Secou os cabelos com movimentos pesados, como se com isso pudesse afastar os pensamentos angustiantes. Nunca seria capaz de superar a mágoa que Sakura plantara em seu coração, concluiu com amargura.
Talvez conseguisse superar a traição, mas estava marcado para sempre pelas palavras cruéis com que fora atacado. Era como se tivessem sido talhadas a ferro em sua alma, deixando uma ferida aberta que não cicatrizava.
A voz de Hinata, vinda do quarto, trouxe-o de volta para a realidade. O timbre suave e harmonioso o aqueceu, e concluiu para si que ela era a mulher mais doce e sensível que conhecera.
Possuía uma beleza discreta e original, e ficava linda quando sorria. Mas quando faziam amor, a expressão enlevada de seu rosto o levava à loucura. Quando estava com Hinata, Sasuke sentia-se o homem mais poderoso do mundo e liberava suas fantasias mais secretas sem o menor constrangimento.
Sorriu com prazer ao se lembrar da forma como ela o fitava, com os olhos cheios de desejo. Hinata não escondia a atração que sentia, sem imaginar o bem-estar que lhe proporcionava.
Enquanto se vestia, Sasuke sentiu o coração se apertar no peito. Por mais que soubesse que Hinata concordava com suas restrições ao relacionamento, sentia-se mal por não poder lhe oferecer mais.
E se ela estivesse apaixonada?, refletiu.
Com um sorriso irônico, riu de si mesmo. Claro que ela não estava apaixonada!, disse para si. Sakura o fizera acreditar que nenhuma mulher seria capaz de se interessar por ele.
Tal pensamento o fez somar mais um ressentimento atribuído à ex-esposa. Se não estivesse tão destruído pelo trauma que ela causara, poderia amar Hinata e lutar para conquistá-la. Se pudesse sonhar em ter uma família, ela seria a escolha perfeita.
Com um último olhar ao espelho, amaldiçoou mais uma vez a existência de Kakashi Hatake. Afinal, fora ele quem levara Sakura e, com ela, se fora também sua capacidade de acreditar no amor...
