Naruto não me pertence, nem a história!
Ainda não consigo acreditar! — Tenten comentou em voz baixa quando ficou a sós com o marido.
Haviam terminado o jantar e estavam na cozinha preparando o café, enquanto Hinata e Sasuke esperavam na sala.
— Por quê, querida? Deveria ficar contente ao voltar para casa e encontrar sua melhor amiga transformada em uma nova mulher, especialmente ao vê-la com um namorado novo. — Lee ligou a cafeteira elétrica e sentou-se à mesa, enquanto esperava que o café ficasse pronto. — Ele é simpático, inteligente e parece ser um ótimo sujeito, não acha?
— Francamente, não sei mais o que pensar. Se não conhecesse a história de Sasuke Uchiha, diria até que está apaixonado. E quanto a Hinata, tenho de abandonar qualquer esperança desesperada de que esteja apenas se divertindo. Ela está perdidamente apaixonada.
— Então, por que está tão preocupada?
— Apenas não quero que ela se machuque mais uma vez. Se há alguém que merece ser feliz, esta pessoa é Hinata.
— Eu sei, querida. Mas ela é uma mulher adulta, capaz de fazer as próprias escolhas e tomar as decisões que julgar mais apropriadas. Você não pode fazê-las por ela. Mesmo que pudesse, o que faria? Deixaria Sasuke antes que ele a deixasse? Você viu por si mesma a transformação física que ela sofreu. Qualquer coisa que possa acontecer não será tão má assim. Este relacionamento está fazendo bem a ela, você não pode negar.
— Acho que tem razão. A paixão fez muito bem a Hinata. É difícil acreditar que ela seja a mesma garota que relutou em aceitar minha sugestão para tingir os cabelos, algumas semanas atrás! Imagino o que Mikoto está achando disso tudo.
— Mikoto? — Lee a fitou com curiosidade.
— Sim, a mãe de Sasuke. Foi ela quem indicou Hinata para o trabalho.
— Ah, agora me lembro. Bem, talvez ela ainda não saiba.
— Você contou à sua mãe logo que nos conhecemos, lembra-se?
— Mas nosso romance foi diferente, meu bem. Decidimos nos casar antes de descobrirmos que estávamos apaixonados.
Tenten riu com vontade e beijou de leve os lábios do marido.
— Lee, eu estava pensando... — Ela sentou-se à frente dele e arregalou os olhos, como se tivesse feito uma grande descoberta. — Sim, é isso! Tudo faz sentido!
— Alô! — Ele gesticulou diante dos olhos da esposa. — Planeta Terra chamando! Que tal me deixar participar?
Ela fez um gesto impaciente com as mãos.
— Lee, pense comigo: Mikoto era a melhor cliente de Hinata, quando ela costurava. Chegou até a propor-lhe sociedade em uma oficina de costura. Mesmo assim, insistiu para que se candidatasse ao cargo de assistente pessoal do filho. Que interesse ela teria em perder a costureira?
— Tenten, aonde você está querendo chegar?
— Ora, é óbvio! — Ela sorriu diante da ingenuidade masculina. — Ela queria que Hina se aproximasse do filho, prevendo que pudessem se apaixonar! Acho que vou convidar Mikoto para um café, e...
— Tenten, não se intrometa! Talvez você tenha razão, é possível que ela tenha planejado jogá-los um nos braços do outro, mas não é problema seu.
— Mas eu só queria...
— Deixe Hinata viver a própria vida.
— Hinata não é sua melhor amiga!
— Não, não é. E isso faz de mim um juiz melhor do que você. Posso analisar a situação com mais neutralidade. Agora, vamos levar o café para nossos convidados e aproveitar a noite agradável que estamos tendo com assuntos amenos.
— Que assuntos?
— Que tal sobre a nova aparência de Hinata? Vocês duas poderiam falar sobre isso a noite toda, se bem a conheço.
— Muito engraçado.
— Enquanto isso, Sasuke e eu podemos discutir assuntos interessantes, como dinheiro, futebol e sexo.
— Você é um grande machista, Lee St. Rock!
Hinata sabia era o assunto da conversa de Lee e Tenten, na cozinha. Percebera a formalidade exagerada com que tratara Sasuke, embora não fosse indelicada em momento algum, e mantivera-se fiel à promessa de não fazer comentários indiscretos.
Porém, nada do que a amiga pudesse pensar a afastaria do amor de sua vida. Quanto mais tempo passava ao lado de Sasuke, mais profundamente se apaixonava. Para ela, não se tratava apenas de sexo. Aquele era o homem de sua vida. Era tudo que Naruto jamais fora.
Sasuke era gentil, atencioso, terno... e divertido, para sua grande surpresa. Estava impressionada com a naturalidade com que se comportara diante de seus amigos. Lee simpatizara com ele desde o primeiro instante, e Tenten também teria gostado dele, se colocasse de lado o preconceito.
— Gostei de seus amigos — Sasuke disse, tirando-a de suas reflexões. — E a casa deles é muito agradável.
— Eles planejam comprar uma casa maior depois que o bebê nascer.
— Eles estão esperando um bebê?
— Sim, Tenten estava grávida antes de se casarem. Mas não foi esta a razão do casamento. Tenten não queria se casar, mas queria um bebê. Acho que não estou explicando direito... E um pouco complicado.
— Parece que sim.
— Deixe-me tentar novamente. Alguns meses atrás, Tenten resolveu ter um bebê através de inseminação artificial, porque estava cansada de se apaixonar pelo homem errado.
A última desilusão amorosa foi quando seu noivo rompeu o relacionamento duas semanas antes do casamento, quando já haviam inclusive enviado os convites. Foi nessa ocasião que Tenten conheceu Lee. Ele seria o fotógrafo do casamento. Depois do primeiro encontro, ela sentiu-se muito atraída por ele. Na verdade, foi amor à primeira vista. Quando descobriu que ele era solteiro, convidou-o para sair e propôs que aproveitasse a festa do casamento e a lua-de-mel, que já estavam pagas... Para a surpresa de todos, ele concordou.
— Puxa, que história! — Sasuke arregalou os olhos, espantado e divertido.
— Que homem não aceitaria? — continuou ela, orgulhosa da amiga. — Tenten é linda, inteligente, e a melhor pessoa que conheço. Bem, para encurtar a história, Lee se apaixonou por ela e não permitiu que tivesse o bebê por inseminação artificial. Então, tratou de engravidá-la sem que ela soubesse.
— E como conseguiu isso?
— Não sei. Acho que ele furou os preservativos antes de usá-los.
Sasuke soltou uma gostosa gargalhada.
— Estou simpatizando cada vez mais com esse rapaz!
— Ela teve muita sorte em encontrá-lo. — Hinata refletiu sobre o que acabara de dizer, e meneou a cabeça em negativa. — Pensando melhor, não creio que a felicidade possa ser atribuída ao acaso. Tenten não deixou passar a oportunidade que a vida lhe deu, e agarrou-a sem pestanejar.
Sasuke a fitava sem vê-la, como se estivesse perdido em um lugar distante.
— Você nunca desejou ter filhos quando era casado?
— O quê? — Ele pestanejou, dando mostras que não fazia idéia do que ela estava falando, e então seus olhos se clarearam. — Sim, já pensei em ter filhos. Sakura também queria, até que ela... — Ele interrompeu a frase abruptamente. — Podemos falar de outro assunto?
Naquele momento, Tenten e Lee retornaram com o café e ele soltou um suspiro aliviado.
— Você ainda não me mostrou as compras maravilhosas que fez em Hong Kong — Hinata sugeriu em tom de cumplicidade, depois de tomarem o café.
— Era o que eu estava para dizer a Tenten — Lee incentivou. — Por que não vão para o quarto? Sasuke e eu temos muitos assuntos masculinos para conversar.
— Nesse caso, fiquem à vontade, seus machistas! — Tenten se levantou e tomou a amiga pela mão. — Venha, Hinata, vamos deixar os homens à vontade.
As duas trancaram-se no quarto, e Tenten a encarou, ansiosa.
— O que aconteceu? Vocês dois estavam muito sérios quando voltamos da cozinha.
— Contei a Sasuke sobre você e Lee, e fui estúpida a ponto de perguntar se ele já havia desejado ter filhos quando era casado.
— Ah, pobrezinho! — Tenten ironizou. — Hina, o que há de errado em fazer uma pergunta tão comum? Não tenha medo de perguntar qualquer coisa a respeito do passado ou do futuro de seu namorado. Eu só não perguntei quais são as intenções dele a seu respeito porque você me fez prometer que não abriria a boca!
Hinata teve que sorrir. Querida Tenten... Ela era uma boa amiga, mesmo quando assumia o papel de mãe super-protetora.
— Ele quer que eu seja apenas sua amante, sua amiga e sua assistente pessoal — ela resumiu com simplicidade. — Mas não necessariamente nesta ordem de prioridade. Sasuke apenas não quer se casar, nem quer que eu seja a mãe de seus filhos. Ele não me ama, e não pretende se envolver emocionalmente.
— E você me diz tudo isso com essa calma?
— Você não acha ótimo que ele tenha sido honesto a ponto de não me iludir nem me dar falsas esperanças?
— Não sei. Para mim, parece loucura. É o mesmo que saltar de um avião sem pára-quedas!
— Não, não é. E melhor que eu saiba o que ele pretende. Há muitos homens que pensam exatamente assim, mas não revelam as verdadeiras intenções.
— E você vai levar adiante o relacionamento, sabendo que ele quer apenas sua amizade, sua companhia e seu corpo?
— Não sei... é o que estou tentando descobrir — desabafou, sentindo-se aliviada por poder falar com franqueza. — Não estou disposta a me sacrificar só para estar ao lado dele. Amo Sasuke mais do que jamais amei alguém em minha vida, mas também tenho amor-próprio.
— Apoiado, garota! — Tenten abraçou a amiga, satisfeita. — Esta é a Hinata que conheço! E o que vai fazer? Ficar grávida acidentalmente para obrigá-lo a se casar?
— Você ficou louca?! Essa estratégia nunca funcionaria com Sasuke.
— Como sabe?
— Ele ainda não esqueceu a esposa. Espero que um dia esqueça, assim como esqueci Naruto. O tempo é o melhor remédio para apagar uma antiga paixão.
— Nem sempre, querida. Você corre o risco de estar velha demais para ter filhos quando, e se ele decidir ficar com você. Não espere. Aproveite a oportunidade e engravide para ver o que acontece.
— Tenten, não acredito no que estou ouvindo! Isso funcionou com você e Lee porque vocês se amam. Sasuke não me ama... ainda. Ele não se casaria comigo, e não quero criar um filho sozinha.
Tenten franziu o cenho e a fitou.
— Você tem certeza de que ele não a ama?
— O que está pretendendo agora, Tenten?
— Estou apenas olhando a situação de um ângulo diferente. Para ser honesta, se não soubesse da história pessoal de Sasuke, diria que ele está caído por você.
— Você acha mesmo? — Hinata sentiu o coração transbordar de esperança.
— É possível que ele esteja apaixonado, e talvez ele próprio ainda não saiba. Diga-me, ele já contou a Mikoto a respeito de vocês dois?
— É curioso que pergunte... Falamos sobre isso ainda ontem, e achei que ele optaria por manter segredo sobre nosso romance. Mas quando falou com Mikoto, hoje à tarde, comunicou-lhe que me levaria para almoçar com ela amanhã. Parece que almoça na casa dela aos domingos.
— Muito bom! — Tenten meneou a cabeça e sorriu. — São boas novas. Muito boas novas, realmente.
— Eu também achei.
— Há muitas razões para ter esperança, não é mesmo? — Tenten disse, sentindo-se mais otimista a respeito daquele relacionamento.
— Sim, Tenten — Hinata concordou e sorriu para sua melhor amiga. — Agora, chega de falar sobre Sasuke! Quero ver todas as coisas maravilhosas que você trouxe de Hong Kong.
— No que está pensando?
Estavam deitados na cama de Sasuke depois do jantar com Tenten e Lee.
Ele não respondeu de imediato, pois a verdade estava fora de questão. Como poderia lhe perguntar se ela estava tomando pílulas anticoncepcionais... e lhe dizer que preferia que não tomasse?
Desde que ela lhe contara que Lee deliberadamente engravidara Tenten para se casar, os mais incríveis pensamentos povoaram sua imaginação. Sabia que não amava Hinata. Como poderia, se ainda amava Sakura?
Mas o mais espantoso era conviver com desejos tão contraditórios: não amava Hinata, mas desejava que ela fosse a mãe de seu filho! Desejava que ela fosse sua esposa!
Estaria perdendo o juízo? Quando ela lhe perguntara se desejava ter filhos com Sakura, começara a pensar pela primeira vez naquele assunto e percebera que sim, desejava filhos... Perder a mulher que amava para outro homem não significava que também perdera a chance de ter uma família.
— Sasuke?
Ele fechou os olhos e fingiu que estava dormindo. Seria melhor não responder naquele momento. As mentiras poderiam esperar até o momento certo.
Manteve-se imóvel até ouvir a respiração suave de Hinata, e então se virou para tentar dormir, mas não conseguiu.
Estava muito ocupado planejando as estratégias para fazer com que Hinata se apaixonasse por ele.
Pensou que seria bom levá-la à casa de sua mãe para o almoço de domingo. Aquela seria uma ótima estratégia. Mas seria apenas o primeiro de muitos. Sasuke não havia percebido até aquele momento todas as loucuras que seria capaz de fazer quando estava apaixonado...
— Hinata, minha querida! — Mikoto exclamou ao abrir a porta e se deparar com o casal. — Espero que não se ofenda, mas você está simplesmente maravilhosa!
Ela riu, sem se sentir ofendida. Ao contrário, considerou o comentário um grande elogio.
— Mudei muito desta última vez que nos vimos. Abandonei para sempre aquelas roupas escuras e sóbrias!
Em deferência à antiga sugestão de Mikoto, estava usando um vestido azul, mais umas das relíquias do guarda-roupa de Tenten. Perdera alguns minutos cuidando dos cabelos e da maquiagem naquela manhã, mas valera a pena.
— E Sasuke, querido, você parece dez anos mais jovem! O que quer que estejam fazendo, continuem!
— Mamãe, por favor!
— Oh, não seja tão puritano! Sabe que não posso aguentar quando se comporta assim. Você me lembra seu pai e, devo acrescentar, não havia nada de puritano nele quando estávamos entre quatro paredes. Entrem! Vamos para o jardim dos fundos. Preparei uma refeição fria, acompanhada de um bom vinho branco gelado.
— Tal pai, tal filho — Hinata comentou enquanto seguiam Mikoto para o interior da casa.
— Comporte-se — ele sussurrou, contendo o riso. — Estamos na casa de minha mãe!
— O que estão cochichando? — Mikoto perguntou por sobre o ombro.
— Estava dizendo a Sasuke que adorei sua casa — Hinata mentiu, sentindo uma ponta de constrangimento.
— Adoro esta casa, mas terei de vendê-la. — Mikoto deu um suspiro profundo. — É grande demais para uma pessoa sozinha como eu. Se ao menos eu tivesse muitos netos...
— Mamãe! — Sasuke censurou-a em tom severo.
— Ora, Sasuke, não seja rabugento! Você sabe como sou louca por crianças! — Ela fez um gesto amplo que abrangeu a sala. — O pior é ter de me desfazer de toda a mobília e me separar das minhas relíquias...
— O que me faz lembrar, mamãe... Queria que mostrasse sua coleção de porcelanas a Hinata, mais tarde.
— Claro, com prazer.
Chegaram ao jardim mais bem-cuidado Hinata já vira. Embora nunca tivesse visitado a Itália, ela sentiu-se em uma verdadeira villa. A mesa estava posta sob uma adorável pérgola, coberta por trepadeiras de primaveras repletas de flores.
Havia comida para um batalhão, com vários tipos de saladas, frutos do mar e duas garrafas de vinho branco dentro de um balde com gelo.
— Sasuke, abra os vinhos enquanto vou retirar o pão de ervas do forno — Mikoto pediu enquanto se retirava para a cozinha.
— Você deve ter tido uma infância feliz nesta casa — Hinata comentou, admirando a beleza do jardim. — Meus pais sempre moraram em apartamentos pequenos. Confesso que até gostei quando eles me matricularam em um colégio interno. Ao menos, lá havia muito espaço, Claro que fiquei triste quando morreram, mas só conheci o tipo de amor e atenção que uma criança precisa quando fui morar com Kurenai. Ela me amava, e sempre me dava apoio quando eu precisava. Nunca senti o mesmo com meus pais. Foi por isso que fiz questão de estar com ela até o fim.
Uma onda de tristeza escureceu seus olhos ao se lembrar da cruel doença que levara sua mãe adotiva. Para sua surpresa, Sasuke a envolveu em um abraço carinhoso e a confortou.
— Você nunca abandonaria uma pessoa que precisasse de seus cuidados — ele disse com ternura. —Você é especial, Hinata. Sou um homem de sorte por tê-la conhecido.
Um beijo afetuoso confirmou a ternura das palavras.
Foram interrompidos pela chegada de Mikoto, mas Hinata não se sentiu embaraçada. Estava feliz demais e queria que o mundo todo soubesse que estava apaixonada. Trocou um olhar cúmplice com a boa senhora e percebeu que ela compartilhava de sua felicidade.
Depois do delicioso almoço, Sasuke foi para a sala de televisão assistir à final de um campeonato de golfe e Mikoto levou Hinata à sala de estar para lhe mostrar a porcelana. Ambas sabiam que aquele era apenas um pretexto para conversarem sem a presença de Sasuke.
— Ele já lhe contou sobre Sakura? — Mikoto perguntou logo que ficaram a sós.
— Não. Sasuke não quer falar nesse assunto, nem sobre o casamento.
— É natural, meu bem. Ele é a cópia fiel do pai! Fugaku detestava falar sobre emoções ou mágoas. — Ela se aproximou e baixou a voz. — Então, você realmente ama meu filho?
— Oh, Mikoto, eu o amo com todo meu coração! — confessou, aliviada por poder falar abertamente sobre seus sentimentos. — Mas eu ainda não me declarei. Sasuke me disse que não quer meu amor, e sim minha companhia.
— Oh, é assim que os puritanos denominam o sexo hoje em dia? — Mikoto disse com uma gostosa risada.
Hinata baixou os olhos, encabulada.
— E quanto à ex-esposa dele... Na verdade, não perguntei a respeito de Sakura, mas sei que ela o abandonou para ficar com Kakashi Hatake. Não sei o que aconteceu entre eles para deixá-lo tão amargurado.
— Entendo. Bem, se ele não lhe contou o que aconteceu, eu contarei — Mikoto disse, determinada. — Você tem o direito de saber. Quem sabe possa ajudar a compreendê-lo melhor.
Mikoto respirou fundo, disposta a dizer tudo que sabia.
— Aquela mulher é uma desqualificada, não há outra palavra para ela! Ela disse a meu filho que a razão por deixá-lo para outro homem era que não se sentia mais atraída fisicamente, apenas porque ele havia ganhado alguns quilos. Naquela ocasião, ele trabalhava muitas horas seguidas, chegava a ficar noites sem dormir. Dedicava-se aos seus projetos todos os minutos do seu dia apenas para dar a ela o melhor. Você sabe, uma vida sedentária combinada a uma alimentação irregular... — Mikoto ergueu os ombros, num gesto significativo. — Imagine que ela disse que mulher alguma sentiria atração por um homem obeso e flácido como ele, e que ele lhe causava repugnância!
Hinata arregalou os olhos, chocada.
— Sim, foi exatamente o que ela disse!
— Pobre Sasuke — Hinata murmurou, penalizada.
— Por muito tempo, ele se refugiou no trabalho. Confesso que houve um lado bom, porque desde então ele pratica exercícios diariamente, o que é ótimo para sua saúde. Mas você não imagina como as palavras cruéis e destrutivas o marcaram! A princípio, ele se recusava a me dizer uma palavra sobre o que havia acontecido. Mas eu insisti, querida. Conheço meu filho, e sabia que havia alguma coisa além da traição de Sakura.
— Sasuke é um homem maravilhoso, Mikoto. E quanto a Sakura, acho que foi muito tola por não perceber o homem especial que ele é.
— O curioso é que ela parecia mais apaixonada que ele quando se casaram. Sempre dizia que teriam um bebê logo que conquistassem alguma segurança financeira. Francamente, quando ela fez o que fez, fiquei tão chocada quanto Sasuke.
— Ela era bonita? — Hinata perguntou com uma ponta de ciúme.
— Tenho de admitir que ela era linda. E muito cativante e charmosa também. Não me surpreende que Kakashi Hatake tenha ficado louco por ela. O que me surpreendeu foi o que ele fez para tê-la. Só há uma coisa que pesa a favor de Sakura: ela não quis um centavo de Sasuke quando o deixou.
— Talvez tenha se sentido culpada... — Hinata arriscou, mas Mikoto ergueu as mãos com um gesto irritado.
— Por que ela precisaria do dinheiro de Sasuke, se o amante milionário a cobria de jóias? — Mikoto a fitou com ternura. — Como vê, Sasuke teve razões suficientes para fugir de relacionamentos sérios. Até encontrar você, minha querida!
Não imagina como estou feliz por estarem juntos. Tenho certeza de que você vai conseguir fazê-lo esquecer o passado, e serão muito felizes juntos.
O coração de Hinata disparou no peito ao ouvir aquelas palavras.
— Oh, é tudo o que eu mais quero! — Ela franziu o cenho, intrigada. — Mas como pode ter tanta certeza de que ficaremos juntos?
— Porque ele é um homem magoado, querida, mas não é tolo! Espere e verá. Quer um conselho?
Hinata meneou a cabeça em afirmativa.
— Não diga que está apaixonada, pelo menos por enquanto. Os homens sentem-se pressionados diante de uma declaração de amor.
Naquele momento, ouviram os passos de Sasuke se aproximando e mudaram de assunto.
As palavras de Mikoto ainda ecoavam na mente de Hinata enquanto voltavam. Pediu a Sasuke que a levasse para casa depois do almoço e que fosse embora. Precisava se recolher para pensar em tudo que acabara de ouvir.
— Tenho algumas tarefas domésticas para fazer — desculpou-se quando ele insistiu em ficar. — Preciso me organizar para enfrentar a semana, e estou certa de que você também precisa de um pouco de privacidade.
Ele abriu a boca para argumentar, mas o tom firme e decidido o impediu.
Despediram-se com um longo beijo, e Hinata permaneceu na calçada até que o carro se perdesse de vista.
Valia a pena lutar por Sasuke, decidiu. As palavras de Mikoto alimentaram sua esperança e a convenceram de que ainda era cedo para desistir.
