O Templo de Virgem se encontrava agitado naquela manhã de quinta-feira.
Com três meses e duas semanas de gestação, Mu preparava-se para retornar ao hospital para seu primeiro pré-natal.
Durante todo esse tempo, a gravidez do lemuriano era acompanhada por Dr. Adônis à distância, o qual procurava sempre manter contato com seu paciente mais que especial, fosse através de telefonemas ou mensagens. Todavia, mesmo com a assistência tão dedicada do médico, Mu nunca deixava de monitorar por si mesmo o desenvolvimento do feto através de seus dons.
Esse período prolongado até o primeiro retorno ao hospital fora necessário para que os médicos tivessem tempo de estudar minuciosamente os exames de Mu, não apenas os que o lemuriano fizera quando dera entrada no hospital há dois meses, e os quais comprovaram sua gravidez, mas também os exames mais antigos, da época da doença de Kiki, que ficaram arquivados. Tudo isso para que pudessem levantar uma intensa pesquisa anatômica.
Agora, com tudo devidamente preparado pela equipe médica, Mu finalmente poderia fazer um acompanhamento pré-natal adequado.
Encontrava-se ansioso naquela manhã, e sem paciência alguma tentava calçar a sandália de ovelhinha nos pés de Kiki, que simplesmente não parava de pular em cima da cama.
— Kiki! Filho! Colabora! Vem, deixa o pai por logo essa sandália ou vamos nos atrasar. — pedia o ariano, com um dos pés do calçado na mão, ao mesmo tempo em que rodava ao redor da cama atrás do menino, o qual não parava de correr e pular.
— O Kiki vai vê o imãozinho! Vai vê eli! É Hoje! — empolgado dizia aos risos o ruivinho.
— Vai, o Kiki vai ver. Mas, se continuar dando trabalho assim e não deixar seu pai te calçar, vou ter que te deixar para trás e iremos só eu e ele. — disse Shaka, com um semblante sério, enquanto adentrava o quarto já se incomodando com aquela bagunça. Estava preparando a bolsa com as coisas de Kiki, e também alguns alimentos para Mu.
— Nãooooo, Bába! O Kiki quer ir!
— Então me dá esse pé, seu carneirinho espoleta, e me deixa por a sandália. — Mu disse serio, já puxando o garotinho pelas pernas o derrubando na cama para finalmente conseguir terminar de vesti-lo.
***
Quase uma hora depois os três adentravam as portas do hospital, e assim que se apresentaram já foram encaminhados para onde Dr. Adônis os aguardava, em seu consultório.
Ao entrarem na sala, notaram que além do médico amigo, mais uma jovem mulher estava presente.
— Por favor, entrem e se acomodem. — os recebia o simpático homem com um sorriso amigável no rosto e um aperto de mãos em cada um. Quando viu Kiki ali, abriu um sorrisão e o pegou no colo dando um forte abraço — E você, amigão, como está?
— O Kiki tá bem! — respondeu o menininho todo sorridente retribuindo o abraço.
Adônis então entregou o pequeno lemuriano para Shaka, que logo acomodou o filho em seu colo.
— Bába, o Kiki qué pilulito. — falou quase num cochicho, enquanto seus olhos saltavam para os pirulitos na mesa do médico.
— Mas mal chegamos! Apressado você, heim.
— Apressado não, esperto! — disse Adônis, abrindo o pote de vidro onde guardava os doces e apanhando de dentro um pirulito de morango, o qual entregou para Kiki na mesma hora — Toma rapazinho. Todo seu.
— Obigado.
— De nada. — respondeu o médico alegrando-se com a satisfação da criança, depois sentou-se atrás de sua mesa e finalmente iniciou a consulta — Mu, Shaka, essa é a Doutora Helena. — apontou a médica, que assim que viu os rostos voltarem-se para si sorriu gentil para o casal — Ela é obstetra e também cirurgiã. Como seu caso é extremamente incomum, Mu, e porque não dizer único, ela vai me auxiliar no acompanhamento de sua gestação. Podem confiar nela. É uma excelente pessoa e também uma profissional super competente.
O lemuriano conseguia sentir as emanações de confiança, curiosidade e bondade que vinham da aura da mulher, por isso sorriu e esticou a mão para cumprimenta-la.
— Prazer em conhecê-la, doutora. Deve ser muito curioso acompanhar um caso como o meu, não?
— Sim, senhor Mu. Sinto-me lisonjeada. — respondeu sorridente a mulher de aparência calma, cabelos negros pelos ombros e profundos olhos verdes — O prazer é todo meu em conhecê-los.
Aproximando-se do casal, de maneira cordial e receptiva doutora Helena cumprimentou primeiro Mu, correndo os olhos pelo rosto delicado e sereno com uma admiração ímpar, já que estava diante de um caso completamente novo na história da medicina, e em seguida estendeu a mão à Shaka, o cumprimentando com o mesmo olhar de admiração. Fez um cafuné nos cabelinhos espetados de Kiki e puxou uma cadeira para sentar-se junto a eles.
— Como doutor Adônis disse, meu nome é Helena e irei acompanhar sua gestação até o final, senhor Mu. Fiz pós doutorado em gestações extra uterinas e me especializei na ária da obstetrícia, mas em anos de medicina deve imaginar que jamais tenha visto um caso como o seu, de gravidez masculina, e que é o primeiro na história. Passei as últimas semanas analisando seus exames e fazendo alguns estudos junto com doutor Adônis, e creio que estaremos preparados para o que der e vier.
Helena sorriu gentilmente e foi retribuída por Kiki, que com o pirulito na boca só queria mesmo saber de ver o neném dentro do vasinho de seu pai. Já Shaka olhava para ela analisando até que tipo de sapato ela usava, já que não permitiria que uma médica qualquer cuidasse de seu marido e fizesse o parto de seu filho. Porém, excepcionalmente, Virgem foi com a cara dela e agradeceu silenciosamente a Buda tê-la colocado ao lado de doutor Adônis para acompanhar a gestação de Mu.
— Bem, então vamos parar de enrolação e vamos começar o exame? – disse a mulher levantando-se da cadeira — Senhor Mu, por gentileza, pode ir até o banheiro se trocar e colocar o pijama hospitalar que daremos inicio a seu pré-natal.
Conforme fora instruído, Mu levantou-se logo depois dela, caminhou até o banheiro que ficava ali mesmo, no consultório, e poucos minutos depois retornou vestido com a calça e a camisa hospitalar.
Após responder a uma lista interminável de perguntas, o ariano foi caminhado mesmo para os exames laboratoriais, onde foram coletados sangue, urina e saliva.
Kiki e Shaka o acompanhavam o tempo todo, sempre muito atentos.
Terminadas as primeiras baterias, retornaram ao consultório de doutor Adônis onde agora doutora Helena fazia alguns exames físicos e clínicos, a fim de verificar como estava a saúde do futuro papai.
Só então ao final da consulta e coletas dos materiais para exame é que chegara a hora do tão aguardado ultrassom.
Deitado sobre a maca, com a camisa aberta e o cós da calça levemente abaixado, Mu exibia sua barriga, já visivelmente proeminente e abaulada, enquanto sentia o gel gelado tocar sua pele. Seu nervosismo se fazia visível, e nessa hora ele procurava a mão de Shaka para sentir-se seguro.
Shaka por sua vez, segurava na mão do amado com firmeza, enquanto aguardava ansioso as imagens que iriam surgir na tela do monitor do ultrassom. Com a outra mão, Virgem tentava segurar a euforia de um agitado lemurianinho.
Tirando a tranquilidade ansiosa de Kiki, Mu e Shaka estavam ambos uma pilha de nervos.
O cavaleiro de Virgem havia lido alguns artigos que alertavam sobre o perigo dos exames de Raio-X para gestantes, uma vez que eles poderiam causar deformações e anomalias aos fetos. Não havia contato esse detalhe ao marido para não assustá-lo, pois quando ainda não sabiam da gravidez e Mu achava estar com alguma doença greve, Áries fizera não apenas muitas radiografias, mas também tomografias e até uma ressonância.
Por esse motivo era que Shaka aguardava extremamente preocupado e ansioso doutor Adônis analisar as imagens que dariam um primeiro parecer acerca da saúde e desenvolvimento do seu bebezinho.
Já para Mu, a preocupação era completamente diferente, porém não menos angustiante.
Há algumas semanas Shaka vinha tratando o bebê pelo gênero feminino. Era filhotinha para cá, bebezinha para lá, filinha do papai... Agora, toda essa certeza de Shaka angustiava Mu, uma vez que ele temia o marido sofrer uma decepção ao descobrir, por acaso, que sua menininha era um garotão. Não que Mu, tivesse alguma preferência, ou achasse que Shaka fosse rejeitar o filho caso tivesse se enganado quanto ao sexo da criança, absolutamente não, já amava seu filhote sendo ele menino ou menina e sabia que Shaka também, porém o virginiano parecia tão feliz com a ideia de terem uma mocinha que era impossível não sentir-se temeroso.
Enquanto divagavam, cada um em suas preocupações, doutor Adônis deslizava o transdutor pelo abdome do gravidinho, quando a sala foi inundada de repente pelo som pulsante, acelerado e constante dos batimentos cardíacos do feto.
— O que é isso Bába? — Kiki perguntou curioso, olhando para o pai loiro que tinha os olhões azuis arregalados e fixos no monitor do aparelho de ultrassom.
— Isso, meu jovenzinho, é o som do coração do seu futuro irmãozinho batendo firme e forte dentro da barriga do seu pai.
Respondeu sorridente e encantada doutora Helena, enquanto observava a tela negra do aparelho, esperando doutor Adônis encontrar um ângulo melhor para observação do feto ao passo que ia deslizando o transdutor sobre a barriga de Mu.
— E isso é bom, não é? — perguntou Shaka visivelmente aflito — Digo, os batimentos estão no ritmo correto? Não há arritmia? Não há nada de errado? É normal estar rápido assim... Já achou o bebê? Ele está perfeito?
— Sha! — Mu ralhou com o marido, apertando sua mão e lhe chamando a atenção — Pelos deuses, calma! Deixa o doutor examinar direito. — também não desgrudava os olhos nem por um segundo da tela na esperança de ver finalmente seu filhotinho.
— Acalmem-se os dois. — pediu Adônis por fim — Estamos usando o melhor aparelho de ultrassom tridimensional de Atenas e veremos tudo o que está ocorrendo aqui dentro... Leva tempo até achar a posição correta... Mas... Vai ser agora! Acho que consegui!
O médico sorriu, então apertou um botão e a imagem na tela se expandiu, exibindo a nítida silhueta tridimensional de um pequeno bebezinho completamente formado e aconchegado por uma membrana em torno dele.
— Aqui está ele, senhores! Um bebê de quatorze semanas aparentemente perfeito e muito bem acomodado dentro da bolsa orgânica aderida a sua parede abdominal, senhor Mu.
— É o nenê? — Kiki perguntou sorridente se esticando pra ver melhor, mas não teve resposta pois os pais, de mãos dadas, olhavam emocionados para o milagre na tela do aparelho, alheios a tudo à sua volta — É o nenê, pai? É tão piquininho. — insistia o menino.
— Sim filhote, é o seu irmãozinho... — Mu respondeu por fim, meio embargado pela emoção de poder ver finalmente com os olhos aquela criaturinha se mexendo e se desenvolvendo dentro de si — É tão bonitinho... Olha, Sha, já está todo formadinho, os dedinhos...
—... — Shaka não respondia. Olhava para a tela do monitor sem nem piscar.
— Shaka? — chamou Mu, chacoalhando a mão do amado — Ei, Sha, estou falando com você. Tá tudo bem?
— Ah... Sim, Mu... Eu... Eu estava contando.
— Contando?
— Os dedinhos... Se estão todos os vinte ai... E... Mu, ela é... Ela é tão linda! — sorriu, sentindo seus olhos marejarem — Está mesmo tudo bem, doutor?
— Sim, senhor Shaka. Nós vamos conferir tudo, mas por enquanto temos um belo feto, totalmente saudável e normal. — Adônis sorria satisfeito, enquanto voltava a deslizar o transdutor para poderem ver o pequeno ser em outros ângulos — Olhem aqui, a coluna já está formada, a cabeça possui o tamanho correto, os membros também estão bem posicionados e simétricos... O coração está forte e aparentemente, senhor Mu, você desenvolveu um órgão extra, semelhante a um útero... Fascinante! Veja, Helena, bem aqui! — chamou a colega para aproximar-se e poder olhar de perto para as imagens tridimensionais.
— Incrível! — exclamou a obstetra — Parece perfeitamente isolado! Veja os vasos calibrosos!
— Isso é inexplicável e totalmente fascinante!
— O que é inexplicável? — perguntou Mu curioso.
— Está vendo a bolsa que envolve o feto? — disse Adônis.
— Sim.
— Não sei dizer exatamente como ela surgiu ai, mas essa bolsa é um órgão independente, um órgão extra, que está executando a função uterina, mas que não se comunica com nenhum outro órgão do seu corpo. Está vendo aqui? Essa membrana é uma espécie de útero isolado e está sendo nutrido por diversos vasos calibrosos aderidos a ele e que se enraizaram pela superfície interna muscular do seu abdome. Doutora Helena, por favor anote no relatório que a vascularização tem fisiologia semelhante às vistas em tumores.
— Tumor? Como assim? — Shaka interveio preocupado. Não gostou nada de ouvir aquela comparação.
— Calma, senhor Shaka, foi apenas uma comparação a nível médico para poder exemplificar à doutora Helena. — disse Adônis, tranquilizando o papai aturdido — Os tumores, principalmente os agressivos, possuem uma grande capacidade de estimular o desenvolvimento de tecidos e vasos novos. É por isso que crescem tanto. É esse mesmo processo que está ocorrendo com seu marido. O feto está estimulando o organismo do senhor Mu a gerar novos vasos sanguíneos, e também tecidos, ligaduras e tudo o mais que for necessário para sua nutrição e segurança.
— O Kiki acha qui intendeu. — o ruivinho se pronunciou sorridente, pegando a todos de surpresa, uma vez que não esperavam que ele estivesse prestando atenção naquela conversa plena de termos técnicos — O nenê ta fazendo o papai constui um vasinho pá eli que vai clescê junto com eli!
As sábias palavras do pequeno lemuriano divertiu a todos, e mais que isso, fez Shaka e Mu relaxarem e esquecerem a tensão que se fez presente naquele momento. Áries então desviou os olhos da tela por um instante para acariciar os cabelos de fogo do pequeno.
— Sim filhote, parece que agora o papai também tem um vasinho, meio diferente, mas tem.
Após cessarem as risadas, o exame prosseguiu, agora de forma mais minuciosa, uma vez que os dois médicos queriam mapear juntos tudo que pudessem daquele milagre da Natureza.
Dessa forma, depois de muitas capturas de imagens com o paciente deitado, Adônis pediu para que Mu se levantasse e caminhasse alguns passos, em seguida pediu que se alongasse e voltasse a se deitar na maca para que reiniciassem o exame. Tudo para que o feto se movesse e eles conseguissem registrá-lo em outros ângulos.
— Opa! Olha só! — disse o médico com um sorriso no rosto e uma expressão eufórica.
— O que? O que foi doutor? — perguntou Shaka apreensivo.
— Parece que minha estratégia funcionou, senhores, o nosso bebê mudou de posição, e eu tenho uma revelação para lhes fazer, isso caso queiram saber. — disse, capturando imediatamente atenção de todos, principalmente do grávido, o qual tinha uma intuição sobre do que se tratava a tal revelação. Por isso, temeroso Mu buscou mais uma vez a mão do marido e a apertou com força.
— Do que se trata, doutor, não faça suspense desse jeito. Está me deixando nervoso. — falou Shaka apertando a mão de Mu de volta.
— Bem, normalmente esperamos até a décima sexta semana para ver o sexo do bebê, mas os órgãos sexuais já começam a se formar desde a décima segunda semana. Como nosso aparelho possui uma excelente qualidade de imagem, consegui ver o sexo do bebê que está esperando, senhor Mu. E ai? Vão querer saber?
— Não! — Mu disse de supetão, quase num grito.
— Como não, amor? — disse Shaka, olhando para ele surpreso, depois voltou a olhar para Adônis, tranquilo — Claro que vamos, doutor, até porque eu já sei, é uma menina.
— Sha, e se não for, amor? Como pode ter c+9erteza? Vai ficar decepcionado se não for. — disse Mu meio angustiado.
— Mu, mas que bobagem. Decepcionado? Jamais ficaria decepcionado! — respondeu Shaka sorrindo para o amado — Nem que desse a luz a um elefante, amor. É nosso filho e vou amar independente de sexo... E, apesar de já saber que é uma menina, vamos lá, doutor, diga. Estou certo ou estou errado?
— Bom, é com uma imensa satisfação que eu anuncio aos papais que você está certo, senhor Shaka. Terão uma menina linda e saudável. — disse girando a tela do aparelho e mostrando a imagem capturada, onde supostamente dava para ver a confirmação da intuição de Shaka, através das perninhas semiabertas da bebezinha.
Mu arregalou os olhos marejados de emoção e também de alívio.
— Sha! Amor, uma menina... Luz da minha vida, é uma menininha... Como você sabia?
Apesar de não estar nem um pouco surpreso, Shaka estava sem palavras. Tinha uma intuição, porém nada além disso. Não fizera uso de seus poderes em nenhum momento. Está certo que era sensitivo, mas também não tinha feito uso de seus dons para descobrir o sexo do bebê. Shaka apenas queria muito ter uma filha.
Sua intuição era exclusivamente baseada em sua vontade.
Quando doutor Adônis confirmou o que mais queria ouvir, Virgem não conseguiu esboçar reação. Ficou parado, segurando a mão de Mu entre as suas, olhando naquela telinha confusa do aparelho de ultrassonografia e tentando enxergar alguma coisa em meio a todo aquele borrão.
—T-tem certeza? Uma menina? Mesmo? — perguntou gaguejando.
— Sim, Shaka! Uma menininha perfeita! — respondeu Adônis rindo.
— Ué, Bába, foi você que planto a nenê no vasinho do papai! O Bába já sabia que ela minina. — disse Kiki com toda a propriedade que lhe cabia.
Shaka ficou corado de imediato. Kiki sempre conseguia lhe matar de vergonha com sua indiscrição. Pigarreou, tossiu, coçou a cabeça e quando sentiu seu rosto menos quente se manifestou.
— Bem, eu não sabia, Mu, apenas queria muito que fosse. Puxa!... Isso... Isso é incrível! — disse emocionado, depois segurou o rosto do amado com ambas as mãos e eufórico lhe distribuiu um monte de beijos pela face sorridente — Eu sou o pai mais feliz do mundo!
Ao lado deles, Kiki, Helena e Adônis sorriam, até que Shaka largou de um de seus amados lemurianos para puxar outro para seu colo e lhe abraçar forte.
— Kiki, vai ter que cuidar muito bem da sua irmãzinha!
— Po que, Bába? Você não vai cuida da nenê?
— Claro que vou! — respondeu o loiro — Todos nós vamos. Ela será muito feliz, amada e vai ser a nossa princesinha!
Mu os observava radiante de alegria diante da felicidade do marido. Em uma casa onde viviam três homens, ter uma garotinha seria como um presente dos deuses — na verdade era um presente dos deuses, mais precisamente da bondosa Réia — mas, também um grande desafio.
Com esse pensamento em mente Mu não conseguia se sentir nada menos do que feliz e eufórico com a novidade.
Diante da felicidade dos pais Kiki não conseguiu ficar chateado por não ganhar um irmãozinho. Ao contrário, após o fim da consulta e no caminho de volta para casa, o ruivinho veio o trajeto todo dentro do carro pensando que nunca havia brincado com nenhuma menina antes, mas também não havia brincado com nenhum menino. Era uma criança em meio a muitos adultos e ter com quem brincar era sua maior alegria. Depois, ter uma menina por perto não deveria ser ruim, uma vez que adorava a companhia das aprendizes quando ia ao campo das amazonas, e também das servas, que sempre lhe davam doces e afagos carinhosos. Talvez ter uma irmãzinha fosse o melhor presentes que seus pais pudessem lhe dar.
Pensando nisso nem percebeu o trajeto de volta à casa e pegou no sono, tendo de ser carregado por Shaka até o Templo de Virgem. Acordou apenas para almoçar e tirou um cochilo logo após. Estava cansado da manhã emocionante que tivera.
Já Áries e Virgem aproveitaram a tarde de folga para ficarem juntos. Namoraram, praticando um pouquinho mais das deliciosas artes do tantra, na qual Shaka se especializara, ainda mais completos e felizes.
Mu retornaria agora ao consultório médico periodicamente para acompanhar a gravidez, orientado por Adônis e Helena. Em casa, Shaka já traçava um programa completo para o bem estar do amado e de sua aguardada filhotinha, com atividades que iam desde yoga gestacional, até meditação e alimentação saudável.
Quando não era orientado pelas dezenas de livros e revistas que comprava, Virgem seguia seu coração e acolhido por todo esse amor Mu conseguia agora curtir sua gestação com mais segurança e tranquilidade.
