Mais algumas semanas agitadas se passaram desde a revelação da gravidez miraculosa do cavaleio de Áries, o qual não tivera sossego, já que tornara-se o centro das atenções do Santuário de Atena.
A algazarra em torno de Mu era tamanha que Saga chegou a lhe oferecer dispensa do trabalho, porém o lemuriano recusou de pronto, visto que tinha a necessidade de manter a mente ocupada, já que abrira mão de todas as atividades físicas devido sua condição. Além disso, Áries queria pegar o máximo de licença "paternidade" que pudesse após o nascimento da filha e por isso estava decidido a deixar o trabalho apenas nos últimos dias de sua gravidez.
Assim, mesmo com todo o assédio, o lemuriano tentava manter sua rotina.
O que já não era tão fácil, pois a cada dia que passava seu peso só aumentava e também seu desconforto, uma vez que seus órgãos internos não foram projetados para uma gestação, e nem seu quadril possuía um bom encaixe para o bebê, por isso a distensão dos músculos e da pele lhe causavam dores e falta de ar.
Todavia, passado o alvoroço inicial, e mesmo com toda a euforia dos colegas, Mu estava aliviado em finalmente ter revelado sua gravides a todos. Não pesava mais sobre seus ombros o fato de estar escondendo algo tão importante, quanto inusitado, de seus amigos, principalmente de Camus, que era muito próximo a si.
O francês, por sinal, que apesar de sempre muito solicito e prestativo desde a revelação, às vezes deixava escapar algum sinal de desconforto que não passava despercebido pelo ariano, o qual se perguntava intimamente por que Camus o olhava com tanta seriedade, algumas das vezes até franzindo as sobrancelhas resmungando baixinho alguma coisa inaudível.
Aquário lhe parecia bem irritado, nos últimos dias, mas Mu achou melhor não lhe incomodar com perguntas.
No começo pensou até que o aquariano pudesse estar chateado consigo, mas logo descartou a ideia quando Camus lhe trouxera uma diversidade de petiscos tão deliciosos quanto saudáveis, o alertando que em sua condição deveria se alimentar bem. Por diversas vezes o francês também lhe ajudava a se ajeitar melhor, para que se sentisse mais confortável, até trazendo almofadas de seu Templo para colocar sobre suas pernas inchadas.
Sim, aqueles pequenos momentos de zanga do aquariano tinham certamente outra fonte e já até suspeitava qual seria.
Era pensando nisso, no mau humor de Camus desde sua revelação, que Mu descia as escadas do décimo terceiro Templo ao final da tarde a passos lentos e calmos para não se cansar.
Havia deixado o expediente mais cedo, pois estava com uma incomoda dor nas costas e pernas, e como evitava usar o teleporte teria muito a caminhar até a sexta casa.
Ao passar por Peixes sentiu um delicioso aroma de bolo quente e imediatamente sua filhotinha chutou sua barriga exigindo do pai que a satisfizesse.
Com um sorriso maroto e segurando a barriga com as mãos a fim de acalmar sua pequena, Mu adentrou os aposentos da casa do amigo já se anunciando.
—DIDO! Estou entrando, não sei o que você está fazendo... Mas minha filhotinha exige um pedaço
Da cozinha, Áries ouviu o grito do pisciano em resposta.
— Estou na cozinha! Venha até aqui, Mu!
Cruzando um corredor longo e amplo, sempre muito bem decorado com rosas de um perfume sem igual dispostas em graciosos vasos suecos de porcelana, o ariano chegou ao local em tempo de ver Afrodite, que usava enormes luvas acolchoadas em formato de peixinhos, colocar a assadeira do bolo sobre a bancada de mármore que compunha sua cozinha.
— Oi, barrigudo! Chegaram na hora certa! — disse o pisciano sorridente, satisfeito com sua receita que havia dado certo — Vai comer quentinho! Senta ai. Vou desinformar e cortar um pedaço para você.
— Hum! É bolo de que? — perguntou Mu puxando uma das cadeiras.
— De limão siciliano com framboesas. O preferido do Camus. — respondeu Afrodite enquanto retirava as luvas de peixinho e apanhava um prato para servir o amigo — Eu fiz para ver se um pouco de açúcar, e amor, é claro, adoça aquela cara azeda dele, porque vou te contar viu... Desde o dia em que você revelou sua gravidez na Arena que ele não fala direito comigo. Dorme de bunda virada e ainda gela meu pé... Tenho que colocar bolsa de água quente debaixo do cobertor, acredita?
— Acredito! — Mu deu uma gostosa risada enquanto, com a ponta dos dedos, afanava um pedacinho do bolo — O Camus anda bem estranho mesmo. No começo achei que era comigo, mas não. A aura dele é sempre pacifica quando está perto de mim, e ele se mostra sempre preocupado em me ajudar em tudo. — Mu interrompeu a fala para pegar o pratinho com bolo que Afrodite lhe servia e já comer um pedaço, continuando a falar de boca cheia — Humm, está delicioso!... Bem, como eu dizia ele me ajuda muito, sabe, mas eu reparo que as vezes ele me olha, resmunga alguma coisa e se irrita. Dido o que você aprontou?
— Eu? — Peixes arregalou os olhos num misto de surpresa e indignação, e exasperado com o teor da conversa tratou logo de engolir o bolo que tinha na boca para retrucar — Eu não fiz nada! Pode acreditar. Dessa vez, até porque eu já sei bem que de Camus de Aquário a gente nunca consegue esconder nada, eu deixei tudo às claras, Mu.
— Didoo! Você contou! — Mu se demonstrou surpreso e indignado.
— Ah, querido, não teve como, né. Eu disse que você estava esperando um bebê e que eu queria muito também ter um filho com ele, afinal, já que você conseguiu né, vai que... Bem, seria uma puta prova de amor, não acha? Pois bem, sabe o que ele fez? Ele concordou, meu amor!
— Tá brincando!... O Camus?
— O próprio! Ele concordou! Ele aceitou... Então começamos a tentar fazer o nosso bebê, quer dizer, eu tentei muito mais que ele né, ali, toda noite, sem dar descanso para ele, porque Mu, me perdoa, mas esse barrigão ai, esses pés que não cabem nem tamanca de feira, essa cara de prato, não é para mim não, querido.
O sueco imediatamente percebeu que havia falado bobagem, pois o amigo, que estava achando graça de sua história até o momento, pareceu ficar encabulado, pois agora o olhava sem jeito, e um tanto desconfortável lhe perguntou:
— Dido... Você... Você acha mesmo que eu estou tão gordo assim? O Shaka diz que não engordei muito, mas, sei lá... Eu estou feio, não é?
— Não! Que isso, Mu! —Afrodite tratou logo de consertar a besteira, pois o lemuriano agora o encarava tal qual um filhote de labrador, perdido e inconsolável — Você sabe que eu sou exagerado, né Mu. Você está lindo, meu querido. Não foi isso que quis dizer, mas sim que tenho... Medo. Afinal, gerar uma vida dentro de nós é maravilhoso, mas sendo um homem também é assustador! — dizia rápido, já servindo outra fatia de bolo ao amigo para distrai-lo — Te admiro muito, Mu, você é um guerreiro mesmo... Mas o negócio é que o Camus aceitou e agora a bicha tá virada comigo porque eu tentei engravidá-lo! Vê se pode! Você entende os homens... Nós... Ah, você entende o Camus?
— Ai Dido! O Camus gravido? Que ideia! Acredite, não sei se desejaria mesmo isso a outro homem, meu amigo. Não é fácil! Realmente as mulheres é que são as verdadeiras guerreiras!... Estar grávido é muito estranho. Ainda mais no meu caso, que em minha relação com Shaka pouquíssimas vezes fui passivo e não curto muito, sabe?
— Hum... Imagino!
— Muda tudo! TUDO! — enfatizou o ariano — O Shaka não quis mais transar. Bem, pelo menos não do modo convencional. Mas, enquanto eu estiver gravido ele já disse que nada de sexo, que não vai ser passivo, então nos viramos usando a criatividade... Mas, sabe que mesmo que eu sinta falta de transar com ele do modo convencional, com essa barrigona acho que nem conseguiria. — concluiu meio sem graça, passando a mão na barriga a sentindo se mexer.
— Ah, não mesmo! — meneou a cabeça o pisciano.
— Isso, digo, a gravidez, mexe com a cabeça da gente. Mas, voltando ao Camus, me perdoa, Dido, mas eu não consigo acreditar que Camus aceitou assim na boa vontade engravidar não. O que ele te falou depois que eu me revelei? Eu me lembro de ele sair da Arena arrastando você e quando fui te procurar já tinham sumido. Vocês brigaram não foi?
— Se brigamos? Querido, foi "O" barraco! Pega mais um pedaço que eu vou te contar, quem sabe assim você acredite em mim e me ajuda a entender o que deu nele.
*Início do flashback*
— Non... Eu non... Mas, você sim! Você quer me matar do coração! — Camus dizia bufando pela boca — ENTÃO VOCÊ ESTAVA TENTANDO ME ENGRAVIDAR DE VERDADE, AFRODITE DE PEIXES? QUE MERDE DE IDEIA FOI ESSA, SEU CABEÇA DE BAGRE!
Afrodite olhava para Camus, aturdido e até um pouco confuso, então levantou-se da poltrona e encarou os olhos avelãs raivosos do amado.
— Por que você está gritando? — perguntou de maneira firme.
— Ah, por que? POR QUE VOCÊ ACHA? — o ruivo respondeu dando um risinho debochado, mas logo voltando ao semblante colérico de antes.
— Ora, eu não sei! — Afrodite deu de ombros — Eu não estou entendendo esse chilique todo seu não, e abaixa o tom de voz que você não está na boate. — suspirou fatigado — Sou eu quem não está entendendo nada. É claro que eu estava tentando te engravidar de verdade, Camus de Aquário.
— Ah! Então você confessa!
— Alôca! Mas é claro! Eu te disse que queria ter um bebê com você e o senhor CONCORDOU!
— C'est incroyable! (É inacreditável!) — murmurou o aquariano com os olhos tão injetados no rosto do cavaleiro de Peixes que nem piscava — Vous êtes incroyable, Aphrodite!(Você é inacreditável, Afrodite!) — os lábios chegavam a tremer enquanto falava.
— Está me xingando? — perguntou o pisciano, que agora também começava a sentir-se nervoso — Se está me xingando fala isso na minha cara, para eu entender!... O que foi, Camus? Não quer mais ter um bebê comigo, é isso? Mudou de ideia? Não me ama mais?
— Dieu! — o francês esfregou o rosto nervosamente e distanciou-se alguns passos do pisciano — Non! Eu non posso acreditar que estamos tendo esse tipo de conversa! Você... — voltou a olhar para ele apontando-lhe o dedo indicador — Você, Afrodite de Peixes, ainda via me enlouquecer!
— Por queee? Se não queria engravidar era só ter dito!
— CHEGA! BASTA DESSA LOUCURA!
— Se vai continuar gritando para falar comigo eu vou por uma música em volume bem alto para deixar o ambiente adequado! — ironizou, encarando os olhos do amado que cintilavam em fúria.
— Percebe? Afrodite. O quão insana é essa discussão? O quanto você me conduz a fazer coisas insanas?
— Ah, então ter um filho comigo é insano, Camus de Aquário? É?
— NON! Mas você acreditar que podia... Podia me engravidar é sim, é insano! E... Eu... Eu estar aqui, agora, brigando com você por... Por medo de que por ventura você tivesse conseguido é ainda mais insano... Dieu! — esfregou os olhos deixando-se cair sentado no sofá, soltando todo o peso do corpo —...Eu preciso de uma dose forte de qualquer coisa!
— Então você não quer mesmo ter um filho comigo. — Peixes baixou a cabeça chateado — Se está dizendo que teve medo de que eu conseguisse te engravidar, então você não queria de verdade.
— Qual é o seu problema? — Camus olhou para o sueco, indignado — Por Dieu, eu jamais achei que estivesse falando sério... Quem leva a sério um absurdo desses? Homens não engravidam!... Pensei que era algum fetiche seu, você é sempre cheio deles, ou uma nova maneira de me convencer a ser passivo. Mas non! Era verdade! Você me enganou... Me enganou? Ou eu mesmo me enganei?
Camus estava tão nervoso que mal conseguia coibir seu Cosmo, baixando a temperatura do local rapidamente sem se dar conta.
— Não! Eu nunca te enganei e não é absurdo, Camus. Veja o Mu! Mu é homem e está esperando um bebê... Sei lá, vai ver é um dom dos cavaleiros... Não custava tentar, né? Quem me enganou foi você, que disse que queria ter um filho comigo e agora não quer mais.
— Jamais aceitaria um absurdo desses em sã consciência, Afrodite. E você sabe que homem nenhum no MUNDO aceitaria... Você, por exemplo. Você quis me engravidar, mas em momento nenhum pensou em ser você a gerar um filho nosso, estou errado?... Dieu, ainda non me conformo com o teor dessa discussão!
O Santo de Peixes olhou para o amado extremamente arrependido. Lentamente caminhou até ele e sentou-se a seu lado, no sofá. Sabia que no fundo Camus tinha razão.
Enquanto olhava pesaroso para o rosto colérico do aquariano, Afrodite pensava que ele mesmo, como homem, jamais sonhara em ficar grávido, em gerar uma vida dentro de si, carrega-la por nove meses, engordar, inchar, ter náuseas, depois sofrer as dores do parto, amamentar... — "Cruzes! Será que daria leite e teria seios?" — arregalou os olhos diante desse pensamento e levou ambas as mãos ao peito, apalpando os mamilos por baixo da camiseta.
Somente aquela ideia de ter seios lhe causou uma estranheza tamanha que sentiu um arrepio forte lhe fremir todo o corpo.
— Me desculpa, mon amour. — disse em baixo tom — Você tem razão. Eu não deveria ter tentado engravidar você sem que estivesse plenamente consciente de que era isso que você queria, mesmo que eu tenha deixado tudo às claras desde o começo, né, vamos combinar.
Camus olhou incrédulo para o amado.
— Afrodite, só de pensar no que poderia ter acontecido, levando em consideração que o Mu é homem e está gravido de verdade, eu tenho vontade de... De te esganar até a morte! — rosnou fechando as mãos e apertando os dedos contra as palmas, segurando-se para não voar no pescoço do marido.
— É que... Eu queria tanto ter uma família grande com você... — falou o sueco com a voz já embargada —... Eu sei que um homem gerar um bebê é algo impossível... Mas, vendo o Mu e considerando que o Cosmo é uma dádiva tão pouco ainda compreendida, e capaz de operar milagres, pensei que talvez...
— Talvez pudesse me engravidar com seu Cosmo. — concluiu o francês conforme meneava a cabeça negativamente — Non posso acreditar nisso.
— Sei lá... Vai que o Cosmo, além de ser nossa fonte de poder, também tenha o dom de realizar nossos sonhos! Não custava tentar... — completou cabisbaixo, em seguida encarou novamente o rosto zangado do aquariano — Mas não fiz nada contra sua vontade, Camus de Aquário. Você concordou o tempo todo... Disse até que queria ter doze filhinhos comigo, um de cada signo, tá boa, Santa?— completou cabisbaixo.
— C'est incroyable! (É inacreditável!) — resmungou o francês ao se levantar do sofá — Non repita isso nem por brincadeira! Entendeu? Merde! — cruzou a sala a passos firmes em direção à porta, mas antes de deixar o local virou-se para a direção do pisciano e o encarou mais uma vez — Afrodite, eu estou falando muitíssimo sério. Se eu começar a enjoar, a tiver tonturas e náuseas, e se... E se eu estiver gravido... A criança vai ser órfã, porque eu te mato!... Vou dormir em Aquário hoje.
*Fim do flashback*
— E foi isso! — disse, enquanto lambia os dedos sujos de calda de framboesa — Desde então meu picolé de rabuja está mais frio comigo que as geleiras siberianas. Ele voltou para casa no dia seguinte, mas deve estar com a língua congelada, porque mal fala comigo. Só que o que aquele lá tem de coração gelado ele tem de rabo quente, meu bem. Quis transar, mas só se fosse ativo, aí me deu um sacode, virou para o lado e dormiu, sem nem dar boa noite... Disse que agora se eu quiser inverter as posições só aceita com camisinha...
Mu até que tentava se conter, já que, ou bem ou mal, aquilo que Afrodite relatava era uma crise conjugal, mas não pode conter a risada ao fim da narrativa do pisciano.
— Também pudera, né? Eu não tiro a razão dele não. — segurava a barrigona com ambas as mãos enquanto ria copiosamente —Eu deveria ter exigido o mesmo do Shaka, que usasse camisinha!... Ai, Dido... Coitado do Camus. Não consigo nem imaginar ele "prenho". Tá explicado tanto resmungo lá no trabalho.
— Coitado do Camus? Amigo da onça! Coitado de mim! — ralhou Peixes — Eu achando que ele estava tão esperançoso quanto eu, que estava me dando uma puta prova de amor.
— Ele não precisa fazer isso. Você sabe o quanto ele te ama. Todo mundo sabe.
— Hum... Mas, tudo bem. — o sueco se levantou apenhando os pratinhos de sobremesa para depois leva-los até a pia — Já me conformei. Confesso que já estava fazendo um monte de planos caso um milagre acontecesse, como certamente foi com você, e o Camy engravidasse, mas eu entendo o pavor dele... Ele ficou mesmo chocado quando viu seu barrigão. Teve até pesadelo outra noite... Se não o acordo a tempo eu tinha morrido congelado.
— Logo vocês se acertam. — disse Mu por fim, levantando-se da cadeira com certa dificuldade — Eu bem que gostaria de ficar mais, Dido, mas tenho que descer para casa. Shaka já deve estar me esperando.
— Eu ajudo você.
— Não precisa. Você fez um bolo para esperar o seu marido e está delicioso. Tente não fazer mais nenhuma merda que logo a marra dele passa. Tenho certeza que com muitos beijinhos e agrados logo ele esquece a sua proposta indecente.
— Que Atena te ouça! — sorriu o pisciano enquanto acompanhava Mu até a porta de saída — Vou dar um jeito na rabugice do Camus é hoje!
Juntos e aos risos, caminharam até a parte de fora da décima segunda casa e se despediram com um forte abraço.
Ao chegar em casa, Mu seguiu direto para a varanda que ficava de frente ao jardim de Virgem, onde estavam plantadas as Salas Gêmeas de Shaka.
Estava tão gordinho que não conseguia mais se sentar na rede, pois encontrava dificuldades para se levantar depois, então ajeitou-se sobre uma esteira que o virginiano havia deixado ali para ele.
Não demorou muito para que Shaka e Kiki logo aparecessem ali para se juntarem a ele. O pequeno correndo em sua direção todo animado e saudoso do pai, o cavaleiro trazendo nos braços uma bandeja com fatias de melancia geladinhas e bem vermelhinhas.
— Oi amor. — disse o loiro ao sentar-se a seu lado — Chegou calado, nem avisou.
— Ah, as escadarias... — respondeu ainda meio ofegante —... Sentei aqui para retomar o fôlego antes de entrar. Hum! Que delícia, eu quero! — já crescia os olhos para as fatias de melancia — Mas antes, me ajuda a tirar as sandálias? Meus pés doem tanto!
— O Kiki ajuda, papai! — respondeu de pronto o ruivinho ao puxar as pernas do pai para lhe retirar as sandálias.
— Obrigado filhote... O que seria de mim sem meu filhote? — ria o ariano ao receber uma fatia de melancia do marido.
— Seus pés estão inchando demais, amor. — Shaka colocou a bandeja ao lado deles, cruzou as pernas e assim que Kiki retirou as sandálias do amado apanhou suas pernas, as ajeitando sobre seus joelhos, e começou a massagear — Eu li no livro que massagem e a ingestão de bastante líquido ajudam a diminuir o inchaço! Li também que dormir de lado acomoda melhor o bebê e a mãe... O pai, no seu caso! Com algumas adaptações você vai se sentir melhor!
— Me sinto tão pesado, Sha, e nem cheguei aos sete meses! Mas, já engordei 17 quilos, luz da minha vida.
— Mas isso é normal. — continuava Virgem otimista.
— Sei não. Se continuar engordando não vou aguentar chegar aos nove meses.
— Não fala bobagem, Mu. Você está ótimo! Talvez engorde mais um pouco... Mas bem pouco...
— Mais? Não tem como ficar maior que isso! — alisou a barriga dando um suspiro —Bebê, não precisa me deixar tão gordinho assim.
— Calma, amor, faltam só três meses praticamente. O doutor Adônis disse que é normal, que algumas gestantes ficam mais pesadas que outras, e lembra o que disse a doutora Helena na sua última consulta? Seu corpo está se adaptando. Você está retendo líquido para que sua musculatura e sua pele possam se expandir, criando espaço para a bebê se desenvolver. Tenha calma, logo nossa filhotinha estará do lado de cá e seu corpo voltara ao normal. — deu uma piscadinha para o amado e continuou a massagem — Hoje eu fiz um monte de almofadas bem macias para ver se você consegue dormir melhor, já que está sempre reclamando de dor nas costas! Kiki pega para o Bába na sala de meditação uma almofada das novas e traga para o seu pai?
— O Kiki pega, Bába. Deixa só ele teminá de comê. — respondeu o pequeno, que estava quietinho ao lado dos dois devorando a terceira fatia de melancia.
— Oba! Vou adorar almofadas fofinhas. Estou precisando. E Kiki, lava essas mãos antes de ir lá legar.
Mu disse minutos depois ao ver o filho correr para dentro do templo, só escutando um "tá" gritado como resposta.
O lemuriano aproveitou para retirar a camiseta e ficar apenas de calça, enquanto saboreava uma das fatias de melancia.
Shaka por sua vez, continuava com a massagem, agora no outro pé, voltando a conversar.
— Lavei todas as roupas novas que compramos pra você amor. Também terminei de adaptar a cinta para ajudar a sustentar a barria e por último preparei uns incensos de camomila para queimar na hora de dormir. Acalma! Fora essas coisas, não sei mais o que posso fazer para te ajudar. Mas, preciso que você também me fale do que você precisa. Só mais três meses, Mu! — disse dando um beijo no pé do marido e pegando os dois para acaricia-los — Não sabe o quanto estou ansioso para ver o rosto da nossa filha!
— Só três meses... Só três meses... Acha pouco porque não é com você. — Mu respondia de boca cheia, enquanto mexia os dedinhos dos pés.
Logo Kiki apareceu correndo rodeado por várias almofadas flutuantes.
— Aqui papai, o Kiki ajudo a faze! É pá você e pá nenê.
— Nossa que lindas! Adorei! Traga aqui que já vou usar agora. — colocou a casca de melancia de lado, enxugou as mãos e ajeitou algumas atrás de si.
Kiki e Shaka o ajudaram, aproveitando para bajular um pouco mais o gravido.
— E então, ficaram boas amor?
— Hmmm melhor impossível. — afirmou o ariano com um suspiro preguiçoso — Não tem muito mais o que fazer para me ajudarem, mais que isso só eu pondo nossa filhota na sua barriga Sha...
— Se tivesse como dividir, né? — Virgem riu da ideia do amado e de sua própria.
— Sim... Agora venham. Deita os dois aqui comigo um pouquinho. Fiquei o dia todo fora e estava morto de saudade das duas luzes da minha vida.
Os três ficaram mais um tempo ali se curtindo um ao outro.
A bebê nem havia nascido ainda e já se tornara o centro das atenções daquela casa.
O sexto Templo agora era como um pequeno sistema solar, com uma estrela pequenininha e três planetas "babões" orbitando ao redor dela.
Aguardavam ansiosos pelo dia em que finalmente a teriam nos braços.
Principalmente Mu, pois se continuasse a engordar naquele ritmo temia ser ele a gigante lilás que prenderia os planetas Shaka e Kiki em sua órbita!
