Mu estava agora com sete meses e três semanas de gestação.
Como temia, havia engordado ainda mais.
Seu organismo retinha tanto líquido que até os braços e coxas, sempre musculosos, agora apresentavam aparência mais roliça e textura mais macia, para seu completo desespero, uma vez que ainda faltavam pelo menos cinco semanas para o nascimento de sua filha.
Na última consulta médica, após realizar inúmeros exames, havia até questionado os médicos se dentro de sua barriga tinha mesmo apenas um bebê, já que estava tão grande que até podia jurar estar gerando gêmeos!
Doutor Adônis e Dra. Helena, atenciosos como sempre, trataram logo de acalmá-lo explicando que, além de ser normal o fato de que algumas gestantes engordassem muito mais que outras, parte do motivo do ganho de peso exagerado era devido a uma reação natural de seu corpo, masculino, aos hormônios femininos agora por ele produzidos.
Por isso, os médicos se atinham a apenas receitar vitaminas e repouso, além da recomendação de não mais subir e descer as escadas.
Não tendo mais como adiar então, o lemuriano enfim aceitou pedir licença do trabalho.
De fato estava cada vez mais difícil se locomover até o décimo terceiro Templo, no alto da montanha.
A compressão dos órgãos internos era tanta que logo ficava ofegante até mesmo quando dava poucos passos dentro de sua própria casa, e o peso da barriga incomodava tanto que aceitou também usar, por baixo das roupas, as cintas para gestantes que Shaka comprara e adaptara retirando o fundo, já que, como "papai", o volume extra ficaria esmagado.
Nessas férias forçadas, para se distrair Áries costumava sentar-se em um pufe confortável no pátio de Virgem que tinha uma ampla vista para as escadarias das Doze Casas. Ficava ali, horas, lendo ou apenas observando Kiki brincar, já que o menininho estava adorando ter o pai mais tempo em casa.
Também era ali no pátio que Shaka se acomodava a seu lado e recebiam as visitas dos amigos.
Esses chegavam ao início da tarde. Traziam guloseimas e presentes, depois conversavam por horas, tomavam chai, e quando Virgem notava o cansaço do marido no final da tarde tratava logo de despachar todos para suas casas para finalmente se recolher com o amado.
Aquele dia não foi diferente.
Ao entardecer Mu se despediu de Aldebaran, Aiolia e Afrodite, que vieram visita-lo e ficaram um pouco mais para jogar cartas. Quando foram embora, enquanto Shaka recolhia os brinquedos espalhados pelo chão e colocava Kiki pra dormir, que já havia desmaiado há tempos, esgotado pelas brincadeiras, o Santo de Áries caminhava devagar para seu quarto.
Estava quente e necessitava de um bom banho para se refrescar.
Aproveitaria que Shaka estava distraído para ter alguma privacidade.
Normalmente o virginiano o ajudava, mas nos últimos dias Mu evitava ao máximo que o marido o visse nu. Por isso, pegou um roupão, entrou no banheiro e com certa dificuldade conseguiu se despir.
Inconscientemente parou alguns instantes em frente ao espelho e ficou olhando para seu corpo.
Estava tão mudado!
O que o intrigava dessa vez, era que nos últimos dias pequenos seios pareciam começar a se desenvolver. Poderia ser apenas excesso de gordura, mas podia senti-los pesados, doloridos, o que o deixava até um pouco perturbado.
Tentou aceitar o fato convencendo-se de que ter seios poderia ser ótimo para o bebê, poderia alimentá-lo e assim ele estaria livre de enfermidades comuns aos lemurianos, como a que acometeu Kiki quase o levando à morte, mas ainda assim sentia-se extremamente envergonhado.
Sempre fora um guerreiro másculo e viril, com um corpo esculpido em treinamentos árduos, e agora não bastava estar gestante e inchado também teria seios!
Sinceramente não sabia lidar com mais aquele golpe.
Foi por isso que Mu, assim que ouviu a porta do banheiro se abrindo e viu Shaka entrando com uma toalha na mão para acompanha-lo no banho, tratou logo de se enfiar dentro do roupão às pressas para esconder os pequenos seios.
Além da toalha Virgem trazia consigo dois bombons para presentear o amado.
Mu desenvolvera um gosto peculiar por chocolates.
Todos os dias, enquanto assistiam à novela, Shaka comia pipoca e Mu devorava os doces.
Áries estava muito gordo por causa dos hormônios sim, mas seu apetite voraz por açúcar também contribuía muito para seu ganho de peso.
O que não era problema nenhum para Virgem, uma vez que o indiano estava cada dia mais fascinado com aquela gravidez e com as transformações milagrosas que ocorriam no corpo do amado.
Aproximando-se distraído de Áries, Shaka colocou a toalha e os bombons sobre a pia e abraçou o lemuriano pelas costas, apertando seu corpo roliço contra o seu, como sempre fazia.
Notou que Mu parecia um pouco desconfortável, cruzando os braços sobre o peito, não aproveitando o abraço que o loiro lhe dava em sua total plenitude.
— Mu... Está se sentindo bem? Parece meio tenso. — com um beijo em seu pescoço, perguntou por precaução.
— Tenso? Não, só estou cansado. Sabe, o peso extra... — tentou disfarçar — Eu ia tomar banho, mas pode ir você na frente. Vou deitar um pouco e descaçar, depois eu tomo.
Mu falava meio agitado, enquanto tentava amarrar o cinto do roupão, notando que esse era curto demais.
A agitação do marido, no entanto, não passou despercebida pelo virginiano, que há dias notava o comportamento alterado do lemuriano, o qual parecia evita-lo, fosse recusando os deliciosos banhos de banheira que lhe oferecia como de costume, ou dormindo todo paramentado, com camiseta e calça, até mesmo nas noites mais quentes. Shaka notou também que Mu não se trocava mais em sua frente, mesmo que encontrasse dificuldade para conseguir tirar e colocar as próprias roupas.
Virgem então decidiu agir.
Segurando nos ombros de Mu o virou delicadamente de frente para si e tocou seu rosto com ambas as mãos, com muita ternura.
— Mu... Amor, o que está acontecendo? — perguntou o encarando nos olhos — Há dias tenho notado você meio tenso... Você não toma mais banho comigo, dorme todo cheio de roupa... Está com vergonha por ter engordado? É isso? Porque se for você é um bobo! É normal, Mu. E eu estou achando você tão bonito com esse barrigão ai! — sorriu quando disse isso — Você nem me deixa mais te abraçar direito. Se soubesse o quanto está bonito... Acredite em mim!
Mu não respondeu, mas era possível ver a face corada e envergonhada com a sua situação.
Shaka então se afastou uns poucos passos e pegou em sua mão, dando um beijo para logo em seguida fazer um carinho nos cabelos lavanda.
— Se quer tomar banho sozinho vou te respeitar, mas não precisa ter vergonha de mim. Esse barrigão só te deixou ainda mais lindo e admirável. Sei que não está sendo fácil para você, mas estou aqui. Não está sozinho!
O lemuriano ficou sério e sua testa se enrugou, com os pontinhos quase se unindo demonstrando a angustia que sentia.
Sentia tanta falta dos toques e carinhos do marido que seria melhor contar de uma vez, pois não era como se pudesse esconder o que ocorria para sempre.
Extremamente constrangido, o ariano se aproximou de Shaka, que ainda esperava pacientemente por uma resposta, e abraçou-o com cuidado.
— Sei que está comigo. — falou em tom baixo, em um fio de voz — Mas, luz da minha vida, as mudanças que estou sofrendo, elas... Elas são muito maiores do que esperávamos. Eu não consigo evitar me sentir assustado, perturbado e até envergonhado. Você sempre me achou tão atraente...
— E ainda acho! — Shaka sorriu.
— Você... Sussurrava aos meus ouvidos elogios à minha aparência... E agora...
— Agora o que, Mu? Você continua lindo.
— Pelos deuses! Eu nem sei como dizer isso...
— Dizer o que? — outro sorriso, pois já imaginava ouvir mais uma reclamação quanto ao peso extra que ganhava a cada dia.
— Agora, além de gordo, inchado e barrigudo... Eu... — tomou coragem — Eu estou começando a ter seios, Shaka. Seios! Como os de uma mulher.
Conforme Mu foi falando a voz foi abaixando até não ser mais que um sussurro, então ele se separou do marido e resolveu mostrar a Shaka a razão de seu desconforto.
Virgem então ficou sério.
Será possível que tinha ouvido mesmo Mu dizer que tinha seios?
Foi quando o lemuriano abriu totalmente o roupão e exibiu o corpo nu sem mais rodeios que o virginiano se deu conta de que não estava ficando louco ou ouvindo coisas!
À sua frente via Áries com um lindo par de seios!
Ainda que pequenos, tinham um formato perfeitamente arredondado, cheios e com mamilos bem proeminentes. A curvatura quase tocava no início da barrigona.
Virgem ficou espantado! Em uma primeira instância por ver o corpo do marido, o qual estava tão familiarizado por anos, tão transformado e diferente. Depois porque foi o primeiro par de seios, ao vivo, que viu na vida!
E, Buda, eram lindos!
Shaka chegou a pensar, mesmo que por uma fração de segundos, que não era gay, pois tinha simplesmente achado muito sexy os seios do lemuriano, por fim concluiu que, sendo homem ou mulher, estava destinado a amar aquele lemuriano independente de seu gênero, uma vez que o que determinou sua orientação sexual fora Mu de Áries!
A verdade era que, sendo homem ou mulher, amaria Mu com a mesma intensidade e paixão, mas também adorava ser possuído por ele, sentia falta de ser tomado por Mu, isso não podia negar.
Foi desperto de seus pensamentos quando notou o marido fechando o roupão extremamente sem jeito e corado pela timidez.
Segurou em seus punhos o impedindo.
— Então... Era isso! Mu, tem ideia do quanto isso é incrível? Isso é uma dádiva, uma benção! Você vai poder amamentar nossa filha e ela não vai ter os problemas graves que o Kiki teve pela falta de colostro! Não tem nada de vergonhoso e humilhante. Isso é parte do nosso milagre! — dizia sorrindo.
Queria tocar nos seios dele, mas percebeu o desconforto do amado e então o puxou para um abraço.
— Me desculpe, amor! Eu posso imaginar o quanto deve estar sendo difícil para você... Assustador até. Eu não sei o que fazer para te deixar menos constrangido ou mais confortável. Se quiser tomar banho sozinho eu vou entender. Mas não tenha vergonha de mim. Eu amo tanto você e eu estou tão feliz com essa filhotinha que você vai me dar que tudo que vejo e sinto é amor e gratidão! Não se sinta mal!
Mu se surpreendeu com a aceitação do amado.
Não que duvidasse do amor de Shaka, mas se ele mesmo ainda não havia se acostumado, imagina o parceiro?
— Sério, Sha? Não é esquisito? Um homem barrigudo e... Com seios?
— Sim, é. Mas, você não é o primeiro homem com seios, amor. Se for ao centro de Athenas à noite vai ver um monte! — tentou descontrair o ariano e acabar com aquele clima tenso.
— SHAKA!
Mu arregalou os olhos e abriu a boca em espanto.
Deu um empurrão de leve no marido enquanto olhava para ele rindo descontraído.
— O que? Os seus ainda são verdadeiros!
A brincadeira pareceu ter dado certo, pois logo Mu começava a rir também, esquecendo-se até da vergonha que sentia momentos atrás.
— Você está certo. — disse o ariano dando as costas para o amado, abrindo o roupão e voltando a se olhar no espelho como fazia antes de Shaka ter entrado no banheiro — Saber que nossa bebê vai poder mamar me deixa aliviado, já que foi exatamente por não ter sido amamentado que Kiki adoeceu...
— Exatamente!
— Espero que eles não cresçam muito. — agora o lemuriano dizia enquanto analisava os seios, tocando, sentindo o peso, formato, textura — Quando aperta dói um pouco, está bem sensível por conta do crescimento.
Atrás de Mu, Shaka o observava, através do reflexo no espelho, atento e estranhamente excitado por ver o marido tocando-se daquela maneira.
Sentiu uma vontade visceral de também tocá-los.
Normalmente estaria muito envergonhado, mas estava tão fascinado e hipnotizado com aquilo que não sentiu constrangimento algum, ao contrário, se aproximou de Mu ainda mais, até colar seu peito nas costas dele, sem tirar os olhos do reflexo dele no espelho.
Tudo aquilo era tão fascinante!
A transformação do corpo de Mu, o milagre!
O homem másculo, viril e forte que tanto encantava Shaka estava mudado, mas tão bonito quanto antes, e essa nova versão exercia a mesma atração em Virgem, simplesmente pelo fato de ser Mu, o seu grande amor ali.
Colocou as mãos nos ombros dele e deslizou os dedos por seus braços.
Juntou coragem e fez um pedido.
— Mu... Eu posso... Tocá-los?
—... Pode!
Foi tudo o que o lemuriano conseguiu responder.
Estava ainda encabulado, e sentia-se estranho, mas confiava em Shaka.
Olhou para o marido através do espelho e reunindo um pouco mais de coragem, enquanto movia o braço devagar, segurou na mão de Virgem e a conduziu até o seio direito deixando que ele o tocasse, sentindo todo o corpo arrepiar em resposta.
Não era apenas em volume que o local aumentara, sua sensibilidade estava mais aflorada.
O indiano por sua vez, nunca havia tocado em um seio antes, e mesmo achando bonito e atraente nas mulheres que via na TV ou mesmo nas servas e amazonas do Santuário, jamais sentiu desejo em tocá-los.
Porém, quando apareceram em Mu a história era outra.
Nunca sentiu tanto desejo de acariciar um seio como agora!
Aos poucos, Shaka ia aprofundando o toque, apertando mais e mais, até ter todo aquele pequeno volume quente e pesado em sua mão, a preenchendo por completo.
Olhava no reflexo do espelho sem ao menos piscar.
Estava hipnotizado pela imagem de sua mão apertando e acariciando o seio do lemuriano.
Mu suspirava baixinho. Mantinha os olhos fechados, pois aquele toque tão intimo, somado ao corpo do amado colado ao seu e à abstinência sexual de meses já estavam cobrando seu preço.
Sentia-se tão excitado que mal conseguia conter os suspiros que lhe escapavam.
Shaka então atreveu-se a levar a outra mão ao outro seio, e logo estava com as duas segurando aquelas gotas redondinhas.
— Mu... é... Tão gostoso! — disse com um sorriso.
Sentiu o rosto esquentar, estava corado, mas não deixava de apalpar suavemente aqueles pomos pesados. Deu um beijo na lateral do rosto do ariano.
Áries estava tão barrigudo que ficava difícil abraça-lo completamente, por isso Shaka manteve-se atrás dele o puxando para mais perto, sem deixar as caricias que fazia.
— Ah, Mu... Que esse mês passe logo... Não aguento mais de ansiedade para poder olhar para o rosto da nossa filha, e também para... Para poder fazer amor com você de novo! Sinto tanto sua falta, Mu! Tanto! — dizia beijando o pescoço do lemuriano, também os ombros, depois subindo para os lábios, enquanto suas mãos se atreviam em carícias íntimas pelo corpo do amado.
— Hmm... Sha... Eu também. — Mu dizia entregue, então buscou os lábios de Shaka com sofreguidão, enquanto tentava a todo custo ter o máximo de contato que podia com ele, por isso, de maneira automática, roçava as nádegas nuas contra o quadril de Virgem, soltando gemidos baixos.
A saudade e desejo eram tamanhos que o lemuriano já até cogitava em ceder mais uma vez ao marido.
Precisava dele, ter prazer com ele.
Shaka não estava em melhor situação.
Entregue, ele beijava o marido com tanto amor e paixão que sua pele toda se arrepiava, seu peito apertava e seu coração batia acelerado.
Era realmente muito difícil ficar tanto tempo sem fazer amor com seu carneirinho.
Sentia falta desse contato, mas sabia que era preciso se controlar.
Mu estava quase no último mês de gravidez, estava enorme, com os pés inchados e agora até seios ele tinha!
Seria desconfortável para os dois.
Mesmo sentindo uma atração avassaladora pelo ariano naquele momento, Shaka, se mostrando um pouco mais sensato, reuniu forças, sabe-se lá de onde, para se afastar dele.
— Mu... Me desculpa... Eu... Eu perdi a cabeça! Eu sinto tanta falta de você, mas falta tão pouco, amor! — disse, mesmo não sendo o que queria fazer, mas sua razão lhe mandava ter um pouco mais de paciência.
— Sha... Pelos deuses, a gente da um jeito! — Mu suplicava ofegante, excitadíssimo — Olha como eu estou. — Disse ao pegar a mão de Virgem e levar até o meio de suas pernas.
Shaka ofegou em resposta, voltando a beijar Mu enquanto o acariciava intimamente, mas novamente sua consciência não o deixava em paz, pois sabia que possuir Mu sempre era doloroso para ele, e fazer isso com o estágio avançado de gestação do amado, era no mínimo irresponsabilidade.
— Mu não. — relutante voltou a se afastar — Eu... Tenho medo de você se machucar... Por favor, só mais um mês. Nós aguentamos tanto! Vem, melhor a gente tomar um banho juntinhos apenas!
— Detesto quando você tem razão! — Mu respondeu com um suspiro desanimado e uma bufada.
Mas, o lemuriano ainda estava muito excitado e vendo que o marido também estava, decidiu tomar providências para resolver a situação.
Pegou Shaka pela mão e o puxou lentamente até a borda da banheira, onde abriu as torneiras e propôs:
— Não precisa ser um banho apenas. — Mu sorriu e se aproximando dos lábios de Shaka lhe roubou um beijo, completando baixinho — Sei que tem mãos muito habilidosas, amor... E eu também.
O sorriso sensual de Virgem selou proposta, e aquele banho se mostrou muito mais prazeroso do que ambos poderiam imaginar.
Entre dificuldades e novos arranjos, os dois pareciam encontrar uma maneira para superar todos os problemas.
Porém, agora faltava pouco, e somente os deuses sabiam as surpresas que os aguardava naquela reta final!
