No consultório do Dr. Adônis, Mu, Shaka e Kiki acertavam o dia da cesariana.
— O Kiki qué amanhã! — disse um animadíssimo lemurianinho retirando da boca o pirulito que havia ganho ainda há pouco do médico.
— Não! Daqui uma semana. — retrucou o cavaleiro de Virgem — O senhor disse que temos ainda alguns dias, não é?
— Bem... Sim. Nas minhas contas não mais que dez dias, mas eu temo que... — disse o pediatra.
— Nem vai ser preciso tudo isso. — continuou Shaka com propriedade — Uma semana já é o suficiente para o sol reger Virgem. Eu não quero que minha filha nasça leonina sendo que ela pode nascer virginiana! Não vou deixar cometerem essa atrocidade com minha princesa.
— Senhor Shaka... O bebê não pode esperar para escolher o signo! — respondeu Dra. Helena que acabava de entrar na sala com os últimos exames feitos por Mu.
— Claro que pode! — continuava categórico o indiano — Minha filha é virginiana, eu sei. Não se preocupe doutora, pode marcar para a semana que vem! E Mu... Segura ela ai!
— Pelos deuses Shaka! — Mu resmungou visivelmente cansado, tanto pela falta de ar quanto pela compressão dos órgãos internos, espremidos pelo bebê — Eu não sei se consigo aguentar, Luz da minha vida.
— Claro que consegue amor, eu te ajudo. — o virginiano dizia confiante, enquanto pegava nas mãos do marido — Não vai precisar fazer absolutamente nada! Nesses seis dias o Kiki e eu cuidaremos de você. Só vai precisar relaxar e esperar.
— Mas o Kiki qué amanhã, Bába! — reclamou o pequeno emburrado, já exibindo um bico enorme.
— E eu queria mês passado. — Mu suspirou baixinho.
— O Kiki não tem que querer. Vai ou não ajudar o Bába a cuidar do papai? —Shaka intimou o pequeno a parar com a birra.
Kiki então olhou para o pai loiro, depois para os médicos que esperavam uma resposta definitiva, e em seguida para Mu.
— Tá bem, o Kiki ajuda. — disse por fim. Estava louco para conhecer a irmãzinha, mas se o papai e o Bába mandaram esperar ele esperaria.
Mu ao ouvir a resposta do filho soltou um suspiro cansado. Pelo visto ainda teria que carregar o peso de seu corpo rechonchudo por mais uma semana. Estava muito gordo, e até andar lhe era difícil.
Havia engordado impressionantes vinte e nove quilos. O rosto redondo reluzia, inchado e corado. Inchados também estavam seus pés, tornozelos e todos os seus vinte dedos. Exibia uma exuberante barriga, além de fartos seios cheios de leite.
Já havia discutido com Shaka sobre o dia da cesariana em casa e sabia que o marido estava irredutível. Se a menina nascesse leonina por causa de poucos dias, sendo que havia a possibilidade de tentar esperar que o sol entrasse em Virgem, Mu sabia que Shaka ficaria muito decepcionado.
Por isso tomou de vez a decisão.
— Doutor Adônis, Doutora Helena... Vamos tentar esperar uma semana. Pelas contas ainda temos alguns dias, não é? Então marca para exatamente daqui a sete dias, o primeiro dia de Virgem. — falou resignado.
— Obrigado amor. — sorrindo, Shaka segurou o rosto gorducho do ariano com ambas as mãos e lhe deu um beijo na bochecha, depois um selinho nos lábios.
Ao lado deles Kiki enfiou o pirulito na boca e cruzou os bracinhos chateado.
— Está bem, senhor Mu. — disse Dra. Helena depois de trocar olhares com Adônis — Sim, nós temos alguns dias, mas quero que nesses dias então faça repouso absoluto. Continue a comer alimentos leves, se hidrate e daqui uma semana então faremos a laparotomia exploratória para podermos realizar a cesariana. E por favor, monitore o bebê. Qualquer alteração não pense duas vezes em me ligar. — frisou a última recomendação encarando Shaka nos olhos — Não vamos correr riscos à toa, não é mesmo?
Todos de acordo a consulta se deu por encerrada.
Shaka ajudou Mu a levantar-se da cadeira e juntos os três seguiram para o automóvel, o qual os aguardava na entrada do hospital.
Por causa do avançado estagio da gestação, Áries não mais utilizava seus poderes psíquicos, e por isso a volta para o Santuário foi feita de carro.
Enquanto dirigia, Shaka era todo sorrisos e animação, mas Mu não queria conversa, por isso fizeram o caminho de volta em total silêncio, já que Kiki também continuava emburrado.
Ao chegarem ao pé das escadarias, o Santo de Virgem cuidadosamente pegou Mu no colo para subir até a sexta casa, e este não relutou, afinal não podia fazer esforço.
— Não posso te ajudar a carregar nossa bebê, Mu, mas posso carregar você. — dizia enquanto atravessava a casa de Áries — Vai dar tudo certo amor. Somos cavaleiros de Ouro, temos o Cosmo a nosso favor. E eu estarei ao seu lado o tempo todo.
— Que os deuses te ouçam, Shaka! — disse o lemuriano, que observava Kiki subir um pouco mais a frente.
Os dias passaram lentos, e eles foram terríveis para Mu.
O ariano sentia dores fortes nas costas por conta da torção da coluna, a qual era forçada para amparar a barriga enorme. Precisava usar tops esportivos para sustentar os seios cheios de leite. A bexiga comprimida o forçava a ir ao banheiro com uma frequência incômoda. Os pés inchados já não entravam mais em nenhum de seus sapatos. Sem contar a falta de ar!
— "Abençoadas sejam todas as mulheres! Elas sim, são verdadeiras guerreiras!" — pensava o ariano toda vez que, ao fazer o mínimo esforço, sentia o ar lhe faltar.
Aliás, Mu andava constantemente ofegante. O bebê lhe comprimia também os pulmões e já não conseguia mais deitar-se na cama para dormir, tendo que passar as noites sentado em meio a várias almofadas macias, alegrando-se quando conseguia cochilar por algumas poucas horas.
Shaka esforçou-se ao máximo para cumprir sua palavra de proporcionar conforto e segurança ao amado. Não deixava nada faltar a Mu, além de ajuda-lo a ir ao banheiro, tomar banho, se vestir e até comer.
Kiki manteve longos diálogos com a irmãzinha nesse dias. Estava ansiosíssimo, ainda mais quando a sentia responder aos seus estímulos através do elo que partilhavam com Mu.
A pequena por sua vez, lutava por mais espaço, remexia-se muito e chutava as costelas do pai lemuriano com tanta força que seus movimentos eram facilmente notados por quem os via de fora, assustando alguns dos visitantes.
Dentre todos, por sinal, o mais impressionado sem dúvida era Camus de Aquário, que no dia que viu o formato nítido da pequenina mãozinha da bebê sob a pele da barriga de Mu quase teve um desmaio.
Afrodite precisou acalmar o francês com um chá de camomila, mas naquele dia Camus botou o pisciano para dormir no sofá, pensando que por pouco não era ela a ter uma mão empurrando sua barriga de dentro para fora, mesmo que esse pensamento fosse completamente absurdo.
Num fim de tarde, muito quente e com poucas nuvens no céu, Mu estava sentado debaixo das Salas Gêmeas comendo uma fatia geladinha de melancia.
Usava uma samba canção bem larga e uma camiseta velha que Aldebaran lhe emprestara. Touro era um homem enorme e suas camisetas eram bem mais confortáveis que as batas que o ariano usava, pois até elas já lhes ficavam apertadas.
Sentado em uma cadeira de vime, o Santo de Áries mordia os pedaços da fruta com vontade, fazendo a água adocicada lhe escorrer pelo pescoço e mãos, molhando a barrigona.
— Hmm que delícia! — disse para Kiki, que ao seu lado também comia uma fatia.
— Sim papai, o Bába ta cotando mais lá na cozinha e pondo na geladela.
— Ah, que bom, porque eu acho que vou querer mais... Aiiiii... Ai... — Mu deu um de repente ao sentir uma dor forte lhe contrair o abdome, deixando cair o pedaço da fruta no chão.
— PAPAI, O QUE FOI? — Kiki perguntou com os olhos arregalados.
— Kiki... Chama o Bába... Argh... Chama AGORA! — rangendo os dentes e já sentindo brotar na testa gotículas de suor, Mu agarrou nos braços da cadeira quase os arrancando fora.
O menino não pensou duas vezes e saiu correndo em direção à cozinha, enquanto Áries cerrava os olhos e apertava os lábios com força.
Para seu completo desespero percebeu que estava tendo contrações abdominais e que elas só podiam significar uma coisa.
— A-Atena... Chegou a hora... Aiii... Me ajude...
Enquanto Mu rogava à Atena, Shaka já vinha até ele às pressas. Tinha um semblante assustado e um guardanapo branco nas mãos.
— Mu? O que foi? — ajoelhou-se à frente do ariano que se encolhia na cadeira — Kiki disse que mandou me chamar... O que... O que... Está tudo bem com você? Com nossa filha?
— Está tudo ótimo, Shaka de Virgem!... Não está vendo como... Como estou... ótimo? — grunhiu o lemuriano ao erguer o rosto extremamente corado, tanto de raiva quanto de dor, então soltou os braços da cadeira e agarrou com fúria a gola da camiseta que Shaka vestia — Devíamos ter feito a maldita cesariana há uma semana, Shaka de Virgem. UMA SEMANA! AHHH... ARGH... — rangeu os dentes encarando o marido nos olhos.
— Mu, por que está alterado desse jeito, amor? Não pode ficar assim, o que...
— Por quê? Por quê? PORQUE EU ESTOU ENTRANDO EM TRABALHO DE PARTO! E POR TODOS OS DEUSES, POR ONDE ESSA MENINA VAI SAIR, SHAKA DE VIRGEEEM AAAHHH!
Os gritos do ariano tinham tanta potência que estimulavam as contrações abdominais, fazendo tanto Mu quanto Shaka entrarem em desespero.
— Por... Buda! Ela está nascendo! Mas já? — balbuciou o virginiano, chocado.
— Papai! Ela vai sair como? — Kiki rodeava os pais eufórico.
— Puta que me pariu, puta que me pariu... Ahh... Atena... Não posso acreditar que isso... isso está me acontecendo... Argh... — o ariano soltou a camiseta do marido para novamente encolher-se na cadeira agora abraçando a própria barriga.
Outra contração veio, mais forte, e Mu sabia o que estava acontecendo. Era a bebê mandando seu corpo abrir passagem, mas seus quadris masculinos não se expandiam, já que não havia canal por onde a criança sair, então o que sofria eram espasmos musculares fortíssimos, além de uma dor profunda.
— TÁ EPERANDO O QUE, SHAKA? ESSA MENINA VAI NASCER AGORA PORRA! EM LEÃO MESMO! PEGA AS COISAS E ME LEVA PARA O HOSPITAL A-GO-RA!
Mais um grito de Mu e Virgem finalmente despertou do choque.
— Hospital? Leão?... Ah CLARO! O HOSPITAL! — levantou-se do chão num salto e correu para a cozinha — Buda, minha filha está nascendo! — disse, então deu meia volta e voltou para o jardim, completamente desorientado. Correu pra um lado, para outro, foi até a varanda, e não tendo o que fazer lá voltou, entrou na cozinha novamente, colocou as mãos na cabeça e voltou até onde Mu estava, sentado sob as Salas Gêmeas.
— Mu... Eu vou pegar as coisas. Já deixei tudo arrumado. A maletinha dela, a sua, a do Kiki, tudo! Calma amor... Faz a respiração do livro. Lembra? A do cachorrinho! — dizia olhando para Áries enquanto simulava a técnica da respiração cachorrinho, a qual consistia em fazer um biquinho e inspirar e expirar o ar em intervalos rápidos e compassados.
Contudo, ao em vez de acalmar o lemuriano Shaka ganhou um belo de um croque na cabeça, dado de mão fechada e com a fúria ariana.
— EU VOU MATAR VOCÊ, SHAKA! — gritou Mu — Que porra de respiração? Eu quero ir para o hospital Ahhhh...
Shaka então se levantou apressado e correu para o quarto, onde todas as maletas que arrumara há dias já estavam dispostas no armário.
Kiki vinha correndo a seu lado.
— Bába, Bába! A nenê qué saí?
— É. Ela quer! Buda segura essa menina, nunca te pedi nada!
— O papai ta bem?
— Está sim, filho, o papai está bem... Vai ficar tudo bem.
— O Kiki ta com medo, Bába.
— Eu também... — sussurrou baixinho, enquanto colocava as maletas nos ombros, mas ao voltar-se para Kiki agachou-se e segurou em seu rostinho com ambas as mãos, encarando os olhões lilases brilhantes — Não precisa ter medo, meu querido. Seu pai é forte, sua irmãzinha também. Ela... ela apenas quer vir para o lado de fora mais cedo do que esperávamos. Será que pode fazer um favor para o Bába?
— O Kiki faz.
— Use seu teleporte e vá até a casa de Peixes. Diga ao dindo Afrodite que a bebê vai nascer e que preciso dele e do Camus para levar o seu pai ao hospital. Pode fazer isso?
— Tá. — respondeu o pequeno antes de desaparecer diante dos olhos azuis celestes de Shaka.
Virgem então se levantou e deixou o quarto correndo.
Antes de voltar ao jardim, passou no escritório e apanhou um relógio de bolso dourado muito bonito.
Olhou para os ponteiros angustiado.
— Por Atena! Só falta não dar tempo! — murmurou — Falta ainda três horas para a posição dos astros mudarem e o sol entrar em Virgem!... Minha filha não pode nascer no signo exibido do Aiolia! Merda!
Amaldiçoava os astros quando ouviu um berro ecoar por todo o Templo de Virgem.
— SHAKAAAAAAAAA!
— Já estou indo amor! — respondeu para Mu colocando o relógio no bolso apressadamente.
Estava tão atrapalhado, além de nervoso, ansioso e assustado que por onde passava derrubava tudo.
No caminho do escritório à cozinha caiu duas vezes, tamanha sua afobação, até que finalmente chegou ao jardim.
— Pronto! Podemos ir! Já estou ligando para a Dra. Helena e o Dr. Adônis. — disse o loiro com o celular na mão enquanto discava — Afrodite e Camus estão descendo.
— Eu não sei por que dou ouvidos à você... — Mu contorcia-se na cadeira — Era para eu estar com minha filha, leonina mesmo, aqui do lado de fora... E não... E não... Ahhhh... Ai... minha...deusa... E não estaria morrendo de dor!
— Shiii... Ele atendeu... Alô?
— NÃO FAZ SHII PRA MIM, SHAKA DE VIRGEM!
— Alô, doutor é o Shaka está nascendo!... Sim a minha filha está nascendo... Contrações?... Sim, acho que sim...
— É CLARO QUE SIM! — Mu gritou a seu lado.
— Sei lá de quando em quando, o tempo todo? — Shaka olhou para o marido o questionando.
— A MERDA DO TEMPO TODO! ARGH! — a resposta veio com outro grito.
— Não, parece que não tem intervalos... Sim estou saindo de casa agora... COMO? — arregalou os olhos assustado.
— O QUE? O QUE ELE DISSE? NÃO VAI DAR TEMPO?
— Ah... S-sei... tudo bem... Vai dar tempo. Obrigado doutor. — desligou o telefone meio transtornado e ajudou Mu a se levantar da cadeira.
— E então? — Mu perguntou ofegante.
— Doutor Adônis já vai avisar a Dra. Helena que estamos indo... Ela está lá no hospital já... Que sorte, né? Vamos, amor! Aguenta firme e... falta só três horas para o sol reger Virgem!
Mu fuzilou Shaka com os olhos e falou entredentes de forma ameaçadora.
— Três horas vai ser o tempo que minha fúria ariana vai levar para esganar você com requintes de crueldade, Shaka de Virgem. Essa menina está querendo sair agora, igual o Alien!... Então é melhor me levar para fazer essa cesariana neste instante ou não respondo por mim!
Nesse exato momento Camus e Afrodite chegavam a Virgem botando os bofes para fora.
O pisciano vinha com Kiki no colo enquanto Camus demonstrava visível preocupação.
— Shaka, Kiki nos avisou, me diga o que está acontecendo? — inquiriu o ruivo.
— A bebê está nascendo Camus! — respondeu o loiro afoito — Afrodite, por favor, me ajude a pegar essas bolsas e fique com o Kiki. — praticamente jogou em cima do pisciano duas das quatro bolsas com roupas e alguns acessórios de extrema importância, segundo seu julgamento, enquanto já encaixava as outras em um de seus ombros — Eu vou carregar o Mu, enquanto você, Camus, dirige o carro.
— Eu? — Camus disse com os olhos arregalados, pois a visão do lemuriano com aquela barriga enorme, gemendo de dor e agarrado ao virginiano lhe deixou tão perturbado a ponto de causar certa confusão — Mas... Não seria melhor chamar uma ambulância?
— Que ambulância, mon amour? Ele não está morrendo, só está parindo. — disse Afrodite, já com as bolsas encaixadas no ombro. Com o braço livre agarrou na manga da camisa do francês tratando logo de puxá-lo dali — Anda, vamos descer, até o Hospital de Atenas ainda tem chão.
— Pelos deuses!... Eu vou me teleportar. — disse Mu num grunhido em desespero.
— NÃO! — disseram os três cavaleiros em uníssono, num grito sincronizado e aflito, enquanto olhavam para o lemuriano encolhido em agonia.
— Não pode se teleportar, Mu. — Shaka completou, passando um dos braços por seus ombros — Tenta ficar calmo, logo estaremos lá.
— CALA A BOCA SHAKA DE VIRGEM! CALMO? CALMO? — Mu rangeu os dentes ao encarar o rosto nervoso do marido — E pensar que já era para eu estar com minha filha do lado de fora HÁ UMA SEMANA, SHAKA, UMA SEMANA! ARGH... ATENAAA.
Diante da aflição do amado, Shaka olhou rapidamente para Aquário e Peixes e fez sinal para seguirem na frente, voltando em seguida sua atenção para Áries.
— Vem, passa o braço pelo meu pescoço, vou te carregar até lá embaixo.
— Pelos... deuses... — resmungou enquanto seguia a ordem e se apoiava no corpo do virginiano, que sem demora o suspendeu do chão e o pegou no colo já seguindo para as escadarias o mais rápido que podia.
— Ahh... Não chacoalha tanto. Vai mais devagar, está matando nois dois com tanto sacolejo... Atena! — gritou o ariano atracado aos cabelos de Shaka.
— Me desculpa. — disse o indiano diminuindo os passos.
— AHH... Pelos... deuses... que dor... — gemeu ao sentir outra pontada forte de dor — VAI MAIS RAPIDO SHAKAAA! EU QUERO TANTO MATAR VOCÊ! AAHHH...
Ao passarem por Leão, os gritos do lemuriano chamaram a atenção de Aiolia, que logo saiu de sua casa para saber o que se sucedia.
— O que houve com ele, Shaka? Está tudo bem? — perguntou o Leão preocupado.
— Sim, está tudo bem. — respondeu Virgem sem se deter.
— NÃO, NÃO ESTÁ! AHHH. — gritou Áries ao sentir outra pontada aguda lhe pressionar o abdome.
Quando passaram por Câncer, Máscara da Morte já estava do lado de fora da casa em alerta, pois já havia ouvido os gritos ao longe.
— Madonna mia! Vai nascer? — perguntou assustado ao ver como Mu se contorcia no colo do virginiano.
— Sim, vai! — disse Shaka ao passar por ele, num misto de nervosismo e alegria.
Assim também fora quando passaram por Gêmeos e Touro, e entre gritos, sacolejadas, passos ora lentos ora acelerados, muitos puxões de cabelo e tropeços, Shaka e Mu enfim chegaram ao automóvel estacionado na frente da escadaria da casa de Áries, onde Afrodite terminava de colocar as bolsas no porta-malas, Camus já esperava no banco do motorista com a chave na ignição e Kiki corria de encontro aos pais que vinham descendo o ultimo degrau.
Atrás deles Aldebaran, Saga, Aiolia e Máscara da Morte vinham correndo, assustados e eufóricos, afinal muita gente ali, por que não dizer todos, se perguntava como seria o parto de um homem, além de estarem tremendamente chocados com a agonia do pobre lemuriano.
— Liga o carro, Camus. — sentenciou Shaka correndo em direção ao veículo, já retirando as bolsas do ombro e jogando para Afrodite guarda-las no porta-malas junto com as outras.
Virgem desceu Mu de seu colo com todo o cuidado e o ajudou a entrar no carro, enquanto Peixes pegava Kiki e se acomodava com o pequeno no banco da frente.
Kiki não tirava os olhos dos pais no banco de trás, estava assustado, ansioso e preocupado, e quando o carro começou a andar, aos trancos e barrancos, visto que o motorista estava tão nervoso que todo seu corpo tremia, perguntou categórico:
— Vai dá tempo, né dindo? Ou a nenê vai nascê aqui no carro?
Ao ouvir aquilo, Mu arregalou os olhos e olhou para Kiki, logo em seguida franziu a testa suada e virando-se para Shaka, que se acomodava a seu lado no banco, então lhe deu uns pares de tapas mal dados em seus ombros, cabeça e onde pegasse.
— Se minha filha nascer nesse carro eu mato você Shaka de Virgem!
— Aii... Não vai... Não vai nascer aqui não. Por onde ela ia sair? Mu... Ai... Para com isso, você tem que ficar calmo. — dizia Virgem tentando desviar dos tapas — Lembra o que os livros diziam? Quanto mais nervosa mais dor a mãe sentiria?
— Eu não... Argh... Não acredito nisso! — grunhiu o lemuriano jogando a cabeça para trás e pousando ambas as mãos sobre a barriga.
— Faz a respiração amor... A de cachorrinho. Assim. — Shaka agora imitava a respiração novamente.
— FAZ VOCÊ! — Áries gritou, dando um croque na cabeça de Virgem e logo voltando a se encolher — AHHH MINHA... DEUSA! Não vai dar tempo, não vai dar tempo!
— Vai dar sim, amor. Ela ainda vai nascer sob a constelação de Virgem, você vai ver. É minha filha, eu sei o que tô falando.
Mu encarou os olhos do marido com fúria.
— Eu não posso usar o teleporte, mas nada me impede de usar telecinese e jogar você para fora dessa merda de carro, Shaka de Virgem. Se falar mais uma vez da porra do signo da nossa filha é isso que vou fazer... — ameaçou, começando a fazer a respiração que o marido lhe havia recordado.
No entanto, as contrações em seu abdome eram tão fortes e cada vez mais constantes, que para buscar certo alívio Mu agarrava-se à Shaka com força, como que procurando proteção e conforto, fosse lhe cravando as unhas nos braços e ombros ou atracando-se a seus cabelos dourados.
Ao chegarem ao hospital de Atenas Virgem tinha ambos os braços e o pescoço todo arranhado, além do longo cabelo desgrenhado, mais parecendo ter saído direto de uma briga de rua.
No desespero, não encontrando vaga para estacionar na entrada do hospital Camus subiu sobre a calçada e invadiu a área restrita para as ambulâncias. Mal o automóvel parou as portas já se abriram e Shaka, todo afobado, desceu primeiro, dando a volta às pressas para retirar Mu pelo outro lado.
Afrodite desceu com Kiki e correu até o porta-malas onde apanhou as bolsas, já seguindo os dois dourados que iam à frente.
Camus ficou ali para avisar os seguranças de que se tratava de uma emergência e retirar o carro.
Logo chegavam à recepção, com Mu no colo de Shaka mais uma vez.
— Moça, é uma emergência! Chame o doutor Adônis, avise que...
Nem foi preciso o virginiano completar a frase, pois logo viu Adônis que já vinha ao seu encontro acompanhando de alguns enfermeiros enquanto empurrava uma cadeira de rodas.
— Graças a Buda, doutor! — correu em direção ao médico.
— Eu já os estava esperando. — disse o pediatra com um sorriso sereno no rosto — Vem, senhor Shaka, coloque o Mu aqui. — posicionou a cadeira para que o ariano se sentasse — Terei que interna-lo num quarto de espera, porque infelizmente a doutora Helena acabou de entrar em uma cirurgia de emergência envolvendo um acidente com uma gravida de gêmeos e teremos que espera-la.
Todos ficaram em choque ao ouvir aquilo, menos Shaka, que já havia sido avisado quando ligou para o medido.
Mas nenhum deles estava mais em choque do que Mu.
— O QUE? — o ariano deu um grito de desespero, e imediatamente fechou os olhos e começou a estapear o cavaleiro de Virgem que o ajudava a sentar-se na cadeira — SHAKA DE VIRGEM A CULPA É SUA!
Adônis fez um sinal para um dos enfermeiros e quando ele se aproximou lhe disse baixinho:
— Prepare uma dose de calmante e deixe na mesa do meu consultório, por favor.
— Qual o peso do paciente?
— Não é para ele não. É para mim! Essa noite promete!
