Um mês havia se passado desde o nascimento milagroso da pequena Lakshmi.
Como não podia deixar de ser, Afrodite e Camus foram os escolhidos para apadrinhar a pequena, mas isso não interferia em nada na maneira como os outros cavaleiros adulavam a bebê.
A filha de Áries e Virgem tornou-se o centro das atenções daquele Santuário repleto de homens. Como uma flor de lótus em meio às pedras que encantava quem a visse.
Praticamente não dava trabalho algum aos pais, e Mu agradecia, pois ainda encontrava-se em resguardo por conta da cirurgia.
O corpo do ariano ainda se recuperava gradativamente daquela gestação inusitada. Os pontos cirúrgicos já haviam sido retirados e também perdera uma quantia considerável de peso, embora ainda não tivesse recuperado totalmente o físico atlético de antes. No entanto, o que mais incomodava o Santo de Áries, sem a menor sombra de dúvidas, eram os bicos dos seios pequenos, pois ainda estava amamentando a filha diariamente. Esses haviam rachado ao ponto de sangrar, tornando o ato de amamentar extremamente dolorido e penoso.
Era nesses momentos que o amor e dedicação devota de Shaka tanto lhe ajudavam, uma vez que o virginiano sempre tinha alguma receita natural milagrosa para aliviar o desconforto do amado e ajudar no processo de regeneração, tanto dos seios machucados, quanto do físico como um todo.
A semelhança de Lakshmi com Shaka também se tornava cada dia mais visível.
Mesmo ainda muito pequena, era como olhar para uma versão lemuriana do indiano, já que os pontos raciais muvianos e os imensos olhos verdes não deixavam qualquer duvida de quem era o outro pai da menina.
Era exatamente essa mistura perfeita que Mu analisava enquanto embalava sua preciosa Lakshmi para dormir.
Após amamenta-la e coloca-la para arrotar, o ariano embalava delicadamente a menina em seus braços, acariciando com a mão livre seu rostinho sonolento.
— Minha filhotinha... — disse soltando um suspiro.
— Nossa filhotinha. — a voz de Shaka se fez surpreendentemente próxima ao ouvido de Mu, e logo em seguida os braços acolhedores de Virgem cercaram o lemuriano por traz enlaçando a ambos — Já coloquei Kiki para dormir. E a nossa Lakshmi? Dando muito trabalho como nosso ruivinho espoleta?
— Não. — Mu sorriu — Graças aos deuses ela é muito serena, mal acabei de alimentá-la e já está dormindo. — disse encostando seu rosto ao do marido.
Ficaram ambos assim algum tempo, abraçados, embalando e velando o sono da pequena, curtindo aquele momento único, até que Mu levasse a filha ao berço que mantinha próximo à cama do casal.
E foi no trajeto de volta, enquanto se dirigia ao banheiro para que pudesse escovar os dentes e dormir que Shaka o surpreendeu com uma abordagem ousada e um tanto direta.
— Mu! Até quando vai mesmo o seu resguardo? — Shaka sussurrou aos ouvidos de Mu na maior cara de pau, logo após tê-lo empurrado delicadamente contra a parede e atacado seu pescoço com beijos lascivos. Sabia que Mu ainda estava nos últimos dias de recuperação, mas a saudade dos toques do amado, e sabendo que agora nada mais existia entre eles que pudesse atrapalhar ao fazerem amor, mexia com o juízo do loiro.
— Hmm Shaka... Espere... — Mu gemeu arfante.
— O que? — sussurrou Shaka correndo as mãos pelos ombros do ariano.
— Espere... Ainda não. — Mu tentava acalmar os ânimos, mas seu corpo já se acendia com os avanços instigantes do virginiano — Faltam quinze dias ainda, Shaka! Sossegue! — gentilmente empurrou o amado afastando seus corpos — Aguentou até agora, vai aguentar mais um pouco.
Frustrado, excitado e ofegante, Shaka deixou escapar um suspiro longo de resignação, enquanto acompanhava com os olhos Mu caminhar até o banheiro, com um sorriso traquinas lhe escapando dos lábios.
Áries sabia que já estava recuperado, mas fazia questão de cumprir os dias do resguardo rigorosamente. Primeiro porque queria vingar-se de Shaka pelo jejum sexual forçado a que ele lhe submetera, e segundo que ainda não se sentia muito a vontade de fazer amor com seu corpo ainda tão modificado.
Assim, enquanto o lemuriano já se deitava para dormir, Shaka conformou-se em tomar uma ducha fria para refrear todo aquele fogo que o consumia por dentro.
Apesar da frustração, o loiro compreendia muito bem a postura do marido e não iria de forma alguma forçar a barra. Estava louco de saudades de Mu sim, mas como o próprio disse, podia esperar mais um pouco, já que era compreensível o desconforto do ariano. Assim como ele mesmo tinha ficado desconfortável em transar com Mu grávido da filha, Áries também deveria estar por seu corpo não ter voltado totalmente ao normal ainda.
Sendo assim, Shaka deixou o marido em paz. Não que fosse fácil conter sua libido, mas tantos anos de treinamento e meditação afinal tinham que servir para alguma coisa a mais que não apenas transcender espiritualmente.
Aliviando-se como podia no banho, Shaka retornou ao quarto e se deitou ao lado de Mu, que já dormia profundamente. Fez um carinho no rosto do lemuriano e um cafuné nos cabelos lavanda, depois se aconchegou no conforto caloroso de seu corpo e também adormeceu logo em seguida.
Foram penosos os últimos dias do resguardo de Mu, principalmente para Shaka!
Áries mantinha-se irredutível em sua decisão de esperar até o último dia do aconselhamento médico, mesmo que seu corpo já estivesse totalmente recuperado do parto.
O virginiano já havia, inclusive, percebido que toda aquela disciplina se tratava muito mais de uma pequena vingança, mas isso não o magoou, tampouco o deixou irritado, porém não o impediu de tentar fazer Mu mudar de ideia.
Foram quinze dias em que Shaka fizera de tudo para instigar e provocar Mu, tentando convence-lo a desistir de esperar. Mas Virgem descobriu que Áries poderia ser mais teimoso do que parecia, pois Mu resistiu.
Não que havia sido fácil para o lemuriano ver Shaka desfilar nu em sua frente a todo instante, nem resistir tão bravamente aos beijos e carícias ousadas sempre que era pego desprevenido, entre outras tentativas ainda mais ousadas do indiano em fazê-lo desistir da vingança.
Desse modo, quando os dias de resguardo enfim terminaram, não foi surpresa que ambos se rendessem, já que estavam no limite de suas libidos.
Kiki havia saído com Aldebaran, e Lakshmi dormia profundamente.
Virgem então viu a oportunidade perfeita para agir, e quando Áries passava pela sala, caminhando em direção ao quarto do casal, súbito as luzes do ambiente se apagaram e os abajures, cobertos por finos tecidos indianos em tons de vermelho e laranja, se acenderam. Uma melodia sensual tocada em flauta, cítara e com a batida do oriente abraçou todo o cômodo dando o ar erótico que faltava.
Áries interrompeu a caminhada de imediato, e baixando a cabeça deixou escapar um sorriso. Sabia que estava preso num golpe do cavaleiro de Virgem do qual ele não tinha como se defender, até porque não queria se defender.
Erguendo a cabeça, Mu correu os olhos pelo cômodo à procura de Shaka, mas não fora preciso já que no mesmo instante sentiu o calor do corpo do virginiano colado às suas costas, enquanto mãos fortes adornadas por muitas pulseiras douradas deslizavam por seus ombros produzindo um tilintar gracioso, até darem um mergulho em direção ao peito e ali darem uma firme apalpada.
Mu contraiu minimamente os músculos, pois ainda tinha a região um pouco dolorida, mas nada que lhe incomodasse, uma vez que estava completamente arrebatado por aquela abordagem irresistivelmente sedutora.
Fechou os olhos deixando escapar um suspiro cálido da boca arfante quando sentiu os dedos de Shaka embrenharem-se em seus cabelos massageando o couro cabeludo, para em seguida puxarem sua cabeça suavemente para trás.
Virgem evidenciava sua excitação remexendo-se e imprimindo força ao contato de seus corpos, enquanto distribuía beijos pelo pescoço eriçado do lemuriano, que respirava pesadamente, em completo deleite.
Como se fosse guiado pela batida erótica da música, pelo perfume instigante do incenso, mas principalmente pelos toques lascivos e a aura em brasa do virginiano, de olhos fechados e coração aos pulos Mu lentamente retirava o lenço vermelho que trazia jogado sobre os ombros, despindo-se sem pressa. Enquanto Shaka lhe mordiscava o queixo, jogou o lenço sobre o sofá e levando os braços para trás apalpou com força as nádegas nuas do indiano, deixando livre um gemido rouco.
Súbito, Virgem agarrou os ombros de Áries e num movimento brusco o virou de frente para si. Os olhos verdes então encontraram os azuis, ambos cintilantes de desejo e saudade, e depois de trocarem o olhar cúmplice, apaixonado e profundo dos amantes, beijaram-se intensamente até quase perderem o fôlego.
Embriagado de desejo, Mu corria ávido as mãos pelo corpo nu do marido, até as mãos não bastarem mais para saciar a ânsia por aquele corpo e o ariano traçar um caminho de beijos e lambidas até o membro rijo de Shaka, para em seguida ajoelhar-se no chão e abocanha-lo, causando arrepios no indiano.
De pé, com os olhos azuis cravados no lemuriano, Shaka o observava tendo prazer em dobro, enquanto embrenhava seus dedos nos cabelos lavanda ditando o ritmo que gostava.
Os gemidos de angustia prazerosa do virginiano atiçavam ainda mais a libido do ariano, mas este fora novamente surpreendido quando Shaka segurou sua cabeça com ambas as mãos e interrompeu o ato empurrando Mu contra o chão ao pousar um dos pés em seu ombro, o fazendo se deitar de costas.
Shaka então se agachou e sem mais delongas abriu a calça do amado a retirando já junto com a cueca.
Ansiava por ser tomado pelo ariano há meses, desde que começara o maldito jejum imposto pela gravidez, quase enlouquecendo daquela privação toda de sexo, e agora que sua "armadilha" tinha surtido o efeito desejado e Mu já estava completamente enlouquecido de desejo, não precisava mais prolongar as preliminares, afinal em mais de nove meses era só isso que eles faziam. Estavam peritos em preliminares!
Por isso, ao despir Mu, Shaka apenas debruçou-se sobre ele para tomar sua boca num beijo pleno e voluptuoso, porém ligeiro, para em seguida posicionar-se em seu colo e ele mesmo conduzir a penetração, iniciando uma cavalgada ritmada e extasiante. E pelos deuses, como sentira falta do marido! De sentir-se conectado e preenchido por ele.
Montado no colo de Mu, Shaka enlouquecia pelo júbilo que somente fazer amor com o ariano lhe proporcionava.
Áries por sua vez, sentia-se tão arrebatado e instigado como jamais se lembrava de ter sentido antes. Apertava com as mãos fortes as coxas firmes do loiro enquanto arremetia-se contra o corpo dele com vigor. Em seus lábios febris o nome de Shaka escapava em meio a gemidos lânguidos e graves.
Em poucos minutos ambos redescobriram seu ritmo, entregando-se da forma mais intensa e apaixonada.
Certamente naquela hora, vendo o loiro movimentar-se para cima e para baixo numa cadência frenética e enlouquecedora, Mu arrependera-se de ter levado a tal "vingança" tão a sério.
O corpo todo do ariano fremia de prazer, experimentando o torpor delicioso das ondas orgásticas que lhe tomavam o fazendo perder a noção do tempo até explodir em gozo.
Pouco tempo depois, ambos estavam ofegantes e suados. Com seus corpos ainda conectados e Shaka debruçado sobre o corpo letárgico de Mu, seus rostos corados exibiam sorrisos bobos de satisfação.
— Isso foi... — Shaka tencionou dizer algo em meio a arquejos, mas foi interrompido por Mu.
— Pouco... Isso foi pouco! — disse o ariano respirando pesadamente — Eu... De novo, Shaka. Eu quero você de novo, e agora!
Segurando no queixo do virginiano, Mu o surpreendeu tomando novamente sua boca com um beijo quente, enquanto Shaka sentia o lemuriano, mesmo após o orgasmo, ainda vigorosamente firme dentro de si.
Uma só vez era pouco para matar a saudade de meses, para suprir toda a falta que sentiram um do outro.
Por isso, Áries se levantou do chão carregando Shaka consigo nos braços até o sofá, onde se amaram mais uma vez completamente entregues à paixão em seus corações.
Mu ainda tomou Shaka uma terceira vez naquela tarde, no banheiro, debaixo do chuveiro. Teriam continuado se amando por horas a fio como dois adolescentes se um choro de bebê não os tirasse do paraíso luxuriante em que estavam e os trouxesse novamente à terra firme.
Lakshmi havia acordado com as fraudas sujas, faminta e com cólicas.
Com os cabelos molhados e roupões vestidos às pressas, os pais corujas correram para o quarto da pequena. Foi o tempo de Mu troca-la e começar a amamenta-la novamente que mais um filhote exigia atenção e energia dos pais.
Kiki chegava em casa como um furacãozinho ruivo, completamente sujo de terra, sorvete e toda sorte de imundices que um parquinho infantil poderia carregar em si.
Mu e Shaka deram um suspiro cansado em sincronia. Tudo parecia ter voltado ao normal, finalmente, na sexta Casa Zodiacal.
