Capítulo 2
Sakura piscou, a visão noturna voltando lentamente. Até hoje ao final de todos estes anos, ela ainda se surpreendia que passasse incólume por situações assim. Ela reconheceu o potente e baixo carro da noite anterior, tão notadamente diferente dos caminhões que normalmente passavam na velha estrada do município. Que significa... que significa...
Ele voltou! O homem de olhos sérios que veio ontem à noite!
O papel esquecido, ela se materializou nas terras de Elancourt , negligenciando a entrada dianteira. Ela se moveu como se apertasse os lados da janela, com os braços estendidos, flutuantes. E lá estava o carro dele na estrada.
Você não se mudará? Ela tinha querido implorar ontem à noite para o homem que tinha examinado o solar. Ele tinha testado as colunas, foram tiradas fora algumas das mobílias restantes e até mesmo arrancou o aquecedor brilhante de dentro do salão principal. Parecendo satisfeito de que estava inteiro, ele tinha seguido os canos debaixo do piso, pisando nos azulejos marmóreos.
O aquecedor trabalhará, ela tinha chorado intimamente. Dez anos atrás, o solar tinha sido modernizado por um jovem casal que ficou durante um tempo.
Ainda que não pudesse relatar os méritos de Elancourt para este estranho misterioso. Porque ela era um fantasma. O ato de falar, ou falar de certo modo pelo menos que outros pudessem ouvir, se provou impossível para ela, como se fazer visível para outros.
O que provavelmente era melhor. O reflexo dela estava assombrando até mesmo a ela. Embora a aparência de Sakura fosse um reflexo íntimo de quando ela tinha se olhado na noite que morreu com o mesmo vestido e jóias, agora a pele dela e os lábios estavam tão pálidos quanto papel de arroz. Os cabelos dela fluíram de modo selvagem com pétalas de rosa enroscadas e a pele debaixo de seus olhos era escura, fazendo suas íris parecerem assustadoramente verdes musgo.
Ela se focou no carro novamente. Vozes masculinas profundas soaram de dentro do carro. Estavam lá mais do que um homem? Talvez tivesse dois mais, solteiros confirmados, como o par bonito que tinha vivido aqui durante um tempo!
Quem estava dentro do carro precisava se apressar. As chuvas de outono tinham sido provocativas caindo durante toda a noite e raios tinham começado a chamejar em um ritmo assustador. Ela esperava que os homens não vissem a fachada dianteira iluminada pelos brilhos de raios. Com seus arcos e pendentes de vidro colorido, o solar poderia parecer... Proibido. As características muito góticas que ela tinha admirado pareciam afugentar aos outros. O veículo começou a balançar de lado em suas rodas largas, e as vozes cresceram mais altas. Então veio o berro de um homem. Os lábios dela se separaram quando duas botas grandes chutaram pela janela da parte de trás, quebrando-a, espalhando vidro pelos cascalhos.
Alguém que não se podia ver puxou o homem calçando as botas para dentro, de novo, mas então uma porta traseira começou a adquirir uma protuberância.
Carros eram tão fracos nesta idade que um homem poderia chutar dessa forma? Não, não, ela lia com submissão os relatórios de teste de batidas, e eles diziam...
A porta puxou suas dobradiças, a toda velocidade para a varanda dianteira. Ela ofegou quando um homem de olhos selvagens, louco era lançado fora do veículo. Ele foi algemado aos pulsos e tornozelos e estava coberto de sangue. Ele imediatamente caiu escorregando na lama, para imediatamente ser agarrado por três homens. Um deles era o inquilino da noite anterior.
Ela viu então que todos eles estavam cobertos de sangue, porque o algemado estava cuspindo neles como uma trilha.
─Não... não! ─ ele gritou, enquanto lutava para não entrar na casa. Poderia sentir que havia mais aqui do que poderia ser visto? Ninguém tinha podido antes.
─Sasuke, deixa de lutar com a gente!─ o inquilino disse entre dentes friccionados. O acento dele soou russo. ─Nós não queremos te ferir.
Mas o louco chamado Sasuke não diminuiu nenhuma mordida. ─Maldição, Naruto! O que você quer comigo?
─Nós vamos te libertar desta loucura, derrotar sua sede por sangue.
─Vocês são tolos! ─ Ele riu mecanicamente. ─Ninguém volta!
─Shisui, agarre os braços dele!─ o loiro latiu a um dos outros. ─Itachi, pega as malditas pernas dele!
Quando Itachi e Shisui se apressaram à ação, ela percebeu que eles ambos se assemelhavam a Naruto. Todos os três tinham a mesma expressão severa, os mesmos corpos altos, poderosos.
Irmãos. A motivação deles deve ser boa.
Eles levaram um sangrento e agitado Sasuke para as duplas portas dianteiras. Sangue na casa dela. Ela estremeceu. Ela detestava sangue, odiou a visão daquilo, o cheiro de sangue. Ela nunca esqueceria como tinha sido ser banhada pelo próprio sangue e o ter engrossando e esfriando ao redor de seu corpo agonizante.
Elancourt não tinha visto o bastante disto? Em pânico, ela desceu as escadas correndo. E jogou os braços para cima, exercendo uma força invisível contra as portas. Ela estava usando toda sua força para mantê-las fechadas. Ninguém poderia estourar aquele laço.
As portas voaram escancaradas. Os homens emparelharam diante dela fazendo tremer como se andasse em uma teia de aranha. Uma rajada de vento correu para dentro, seguindo-os, balançando as folhas e arrastando-as contra o chão.
Simplesmente quão forte eles eram? Sim, eles eram enormes, mas ela tinha estado prendendo as portas com o que deve ter sido equivalente à força de vinte homens.
Uma vez dentro do quarto escurecido, Naruto lançou uma cadeira pelo chão sem cuidado pelo mármore italiano dela. O lunático se libertou mais uma vez, ficando de pé. Ele estava exaltado! Ele correu para a porta, mas seus tornozelos amarrados fizeram com que ele tombasse em um armário antigo coberto de folhas. O armário desmoronou ante ao impacto. Esmagado.
Ela tinha tido que dançar duas apresentações para conseguir aquela peça e se lembrava de polir carinhosamente a peça sozinha. Era uma das poucas mobílias originais que permaneciam.
Depois que Itachi e Shisui o içaram para fora dos destroços, Naruto passou seu grosso braço ao redor do pescoço de Sasuke, segurando a parte de trás da cabeça de Sasuke com sua mão livre. Ela podia ver que Itachi estava apertando com toda sua força, a face dele estava puxada com o esforço, os músculos de seu pescoço se salientando, com a tensão.
De algum jeito Sasuke não foi afetado por um longo tempo.
Depois de um tempo, a tensão dele aliviou e ele ficou flácido. Enquanto Itachi o colocava no chão, Naruto anexou a cadeira apressadamente ao mesmo aquecedor que ele tinha testado na noite anterior, então prendeu na outra ponta a algema de Sasuke.
Para isso é que Naruto tinha estado inspecionando o aquecedor? Porque ele pretendia prender este lunático aqui?
Por que aqui?
─Você poderia ter achado um lugar mais decadente para mantê-lo? ─ Shisui disse entre respirações, enquanto todos estavam de pé. Naquele momento, um raio crepitou lá fora. As altas janelas de vidros manchados estavam quebradas em vários lugares e a luz as atingiu, torcendo as sombras dentro do cômodo. ─Por que não usamos o moinho velho?
─Alguém poderia encontrá-lo lá.─ Itachi respondeu. ─ E Fugaku sabe sobre o moinho. Se ele ou os homens dele descobrem o que nós estamos planejando...
Quem é Fugaku? O que estão planejando eles?
Naruto adicionou:
─Além disso, Elancourt foi recomendado para mim.
─Quem alguma vez recomendaria isto?─ Itachi acenou uma mão ao redor. ─ Isso parece ter vindo direto de um filme de terror.─ Ela desejou que ele estivesse errado, mas então um parafuso rolou, sombras coloridas pareciam escorregar e se lançar sobre o cômodo. Shisui elevou as sobrancelhas como se seu ponto de vista tivesse sido confirmado.
Naruto fixou o olhar no rosto do irmão, estudando sua reação enquanto respondia ─ Kakashi recomendou. ─ Ele hesitou, parecendo não saber se eles ririam ou consentiriam.
Itachi deu de ombros e Shisui concordou com a cabeça severamente.
Quem é Kakashi?
Shisui olhou ao redor. ─ Arrepia meus pêlos da nuca, ─ outra luz brilhante ─ quase como se isto fosse...assombrado.
Shisui pegou um biscoito.
─E você sabe que isso é algo difícil para eu dizer. Isso assusta o Pitt também.
Sim, porque caso contrário ele estaria claramente bem.
─O clima faz isto parecer pior. ─ Naruto correu a mão pelo seu cabelo molhado, então esfregou sua face com sua camisa. ─E se há espíritos aqui qual o problema? Você esqueceu o que nós somos, qualquer fantasma faria bem em nos temer.
Os temer? Nenhuma coisa viva poderia tocá-la.
─É realmente ideal porque o lugar espanta as pessoas. ─ Naruto continuou acima de outro estrondo de trovão. ─E a casa das Brandons não está longe daqui, não são muitos que conhecem a respeito do Lore se aventurarão em qualquer lugar que se aproxime da casa delas.
Brandons? Lore? Ela se lembrou de um artigo de jornal de alguns anos atrás sobre gírias de gangues. ─ Estes homens falavam muito como gangues. Tinha que ser isso.
Itachi disse:─Talvez as Brandons não apreciem vampiros assim tão perto de Val Hall.
Vampiros? Não Gangue? Eles estão todos loucos. Mon Dieu, eu preciso de um uísque.
─É pelo menos habitável? ─ Shisui perguntou em uma voz ridicularizando.
Naruto assentiu com a cabeça.
─A estrutura e o telhado são sólidos.
Como pedra.
─E uma vez que nós fizermos algumas modificações, será satisfatório para nossos propósitos. Nós vamos ajeitar só o que precisamos: um par de quartos, um banheiro, a cozinha. Eu já tenho as bruxas, vindo hoje, para fazer um feitiço ao longo do perímetro da propriedade. Contanto que Sasuke esteja usando essas correntes, ele não pode escapar dos limites.
Bruxas? Oh, essa agora! Sakura se moveu para esfregar seu corpo, não sentia nada, mas foi acalmada um pouco pelo ato familiar.
Na calmaria, Itachi andou pelo salão principal, arrancando a teias de aranha. ─ Sasuke sabia que nós íamos estar na taverna.
─Nenhuma dúvida nisto. ─ Naruto respondeu, enquanto cruzava um caco sujo da janela para olhar para fora. ─Ele estava nos esperando. Para nos matar.
─Obviamente ele ficou bom nisto. ─ Shisui bateu levemente em suas costelas de uma maneira avaliando e estremeceu. Olhando mais de perto, ela poderia ver que todos eles pareciam feridos de algum modo. Até mesmo Sasuke parecia que tinha sido arranhado no tórax por alguma besta. ─Ele gosta disso.
Gosta de matar? Um assassino em minha casa. De novo. Era ele o mesmo tipo de homem que apunhala uma mulher indefesa no coração? Engula isso, Sakura... Apanhe vento. Controle sua emoção.
Itachi disse:─Eu suponho que era o que ele fazia, se o que dizem sobre a ocupação dele for verdade.
Um assassino profissional?
─Achá-lo agora... não poderia ser em um momento pior.─ Shisui disse. ─Como é que nós vamos administrar isto?
─Nós lutamos na guerra, enganamos nosso rei, tentamos não nos preocupar com Hinata e Ino, enquanto tentamos o tempo todo salvar a sanidade dele. ─ Naruto respondeu uniformemente.
O outro ergueu uma sobrancelha. ─E eu aqui pensando que nós estaríamos ocupados.
Os irmãos começaram a explorar os quartos mais perto, testando madeiras apodrecendo e tirando folhas das mobílias, examinando os ambientes.
No passado, ela tinha sido afortunada com os que ocuparam Elancourt . Famílias agradáveis tinham vindo e ido, alguns vagabundos inofensivos. Nada sobre estes homens diziam que eram agradáveis e inofensivos!
Especialmente não o assassino algemado. Ele estava deitado no chão, com sangue acumulado no canto dos seus lábios separados, gotejando. Goteira... goteira... Uma piscina carmim estava formada contra o mármore dela. Da mesma maneira que antes. Engula isso. Se controle.
Os olhos do louco se abriram flamejando. Ela não pôde advertir aos outros! No espaço de tempo de um raio de luz, ele de alguma maneira se atirou sobre seus pés acorrentados, mancando adiante com velocidade sobrenatural. Antes que ela pudesse elevar os braços para exercer uma pressão contra ele, ele tinha estirado a corrente esticando... o aquecedor estava dobrando com a pressão.
Ele não poderia quebrar isto. Impossível.
Como um chicote, estalou arrebentando enquanto ele corria cruzando o quarto até a porta, a porta onde ela estava de pé. Enquanto ela o fitava com descrença, o aquecedor arrastava atrás dele, destruindo tudo dentro de seu extenso e selvagem caminho.
De repente, a rede interna de canos do aquecedor estourou para cima do chão, pé ante pé, arrastando o metal gemendo e explodindo o mármore e espalhando lascas pelo chão.
Os três homens mergulharam mais uma vez para cima dele, uma pilha de homens que deslizou diretamente na direção dela.
Ela engasgou. A casa dela, a amada casa dela. Em quinze minutos, o louco tinha forjado mais destruição para Elancourt do que a casa tinha sofrido nos últimos oitenta anos.
Suas mãos enrijeceram. Se controle. Mas seus cabelos já tinham começado a rodar sobre sua face, pétalas de rosas flutuavam, uma tempestade ao redor do corpo dela. Lá fora, o vento chutou para dentro, fluindo pelos altos buracos das janelas, varrendo e limpado a sujeira até que ela pôde ver toda a destruição.
O mármore! Quando os olhos dela se molharam com a frustração, a chuva caiu lá fora.
Engula isso.
Muito tarde. Um raio bombardeou a casa, iluminando a noite com grandes explosões sucessivas. Sobre a pilha de homens, Pitt acertou sua cabeça na dela.
Num instante, Sakura rodou , varrendo seu cabelo na face dele, enquanto ela se dissipava. Pousando no chão, ela caiu abaixo dele.
Sasuke continuou encarando a mancha onde ela tinha estado de pé, piscando e diminuindo sua luta como se estivesse confuso.
Tinha ele... tinha ele, possivelmente a visto?
Ninguém jamais o fez. Nunca. Ela tinha sido assim uniformemente ignorada desde quando ela tinha começado a desejar saber se ela, verdadeiramente, existia.
Olhando para cima, ela pode ver que os brancos dos olhos dele eram... vermelhos. Ela tinha pensado que ele tinha sido ferido, estourando vasos sanguíneos, mas na realidade, eles eram completamente vítreos com vermelho.
O que são estes seres? Eles verdadeiramente poderiam ser... vampiros? Até mesmo levando em conta o que ela se tornara, ela ainda lutava para acreditar em qualquer coisa sobrenatural.
Com um tremor de cabeça, Sasuke amigavelmente renovou seu vôo em direção a porta, ganhando polegadas, até mesmo, como o três brigando com ele.
─Eu não queria ter que fazer isto, Sasuke!─ Naruto disse, enquanto procurava no bolso de sua jaqueta. Com os outros encarando Sasuke, ele mordeu fora a ponta de algo que parecia ser uma seringa e injetou seu conteúdo no braço de Sasuke.
O que quer que fosse aquilo foi reduzindo a velocidade dele, o fazendo piscar os olhos vermelhos uma e outra vez.
─O que você deu a ele?─ Shisui perguntou.
─É uma mistura das bruxas, parte medicinal e parte mística. Devera nocauteá-lo.
Por quanto tempo manteria Sasuke abatido? Quanto tempo eles estavam esperando que ele ficasse aqui? Cuspindo pelo chão dela e rugindo dentro dos corredores dela? Ela seria condenada se ela permitisse outro da raça de Lee para manchar a casa dela mais uma vez! Este Sasuke era um animal. Ele deveria ser derrubado. Ou no mínimo, posto para fora.
Ela mostraria a estes transgressores poder como eles nunca tinham visto, os varrendo para fora como lixo! Ela os lançaria pelos pés para a baía pantanosa! Sakura demonstraria o que acontece quando um fantasma vira poltergeist.
─Onde... está ela?─ Sasuke rangeu entre respirações.
Sakura gelou. Ele não pode estar falando sobre ela, não a poderia ter visto.
─Quem, Sasuke?─ Naruto exigiu.
Justamente antes de a dose deixá-lo inconsciente, ele sibilou: ─Mulher... Bonita.
OOO
Continuem comentando!
