Capítulo 3
O amanhecer chegou e se foi e Sakura ainda estava pensando. Porque aparentemente Elancourt estava cheia de vampiros de verdade.
Qualquer dúvida prolongada tinha evaporado quando ela tinha visto os irmãos desaparecerem e reaparecer da forma como tinham sumido, nos lugares para consertar a casa.
E isto nem tinha sido o acontecimento mais surpreendente da noite. Quando o Sasuke tinha dito: ─Mulher... bonita. ─ podia ele possivelmente estar falando sobre ela?
Agora ela só poderia esperar impacientemente por ele recuperar a consciência para que assim ela pudesse descobrir.
Ele permaneceu como os irmãos tinham lhe deixado na noite anterior, dormindo no colchão novo que eles tinham trazido para ele, com os pulsos acorrentados atrás, removeram suas botas barrentas e as amarras do tornozelo. Sua roupa rasgada estava seca, um trapo com sujeira. O vermelho intenso do corte em seu tórax tinha curado dentro de meras horas.
Ela flutuou em uma posição sentada sobre o pé da cama imaginando, quanto tempo mais, ele demoraria a acordar. Ela tinha pensado que todos os vampiros ficavam em coma durante o dia, mas os irmãos dele estavam entrando e saindo por baixo da escada, se tele-transportando no solar.
Esta espera era insuportável. Porque ele possivelmente... a viu. Sim, ninguém jamais antes a tinha visto, e esse pensamento era somente baseado na idéia que ele a tinha julgado bonita. Talvez se ele não fosse um daqueles para discutir sobre bochechas rosadas e o aparecimento de saúde florescente...?
Sakura necessariamente não buscou um reconhecimento da presença dela. Ela poderia flutuar como uma folha solta , sem se fazer notar, a não ser que ela quisesse atenção ruim ou um possível exorcismo. Não, ela queria ser vista. Ela ansiava por conversar.
A possibilidade disto significava que todos os seus planos iniciais para despejá-los tinham evaporado, seu rancor em relação ao dano em Elancourt acalmou temporariamente. Agora ela queria os manter perto, especialmente Sasuke.
A curiosidade a comandava. Por que depois de oitenta anos de inquilinos esporádicos esse vampiro cuspidor de sangue tinha sido capaz de vê-la? Por que não os irmãos dele? Quando eles tinham algemando Sasuke durante o dia, ela tinha segurado as mãos deles, gritando tão alto quanto pôde. Ela até se lançou pelos seus torsos, sem nenhum efeito.
Sasuke tinha podido vê-la porque somente ele tinha aqueles olhos vermelhos?
Ela se levantou flutuando de uma parede azul descascada para outra. Os irmãos tinham escolhido para Sasuke o Quarto Azul, o mais masculino de todos os quartos de hóspedes. As cortinas pesadas eram de um azul marinho profundo e as peças remanescentes de mobílias, a cama, a mesa de cabeceira e uma cadeira alto apoiada na lareira eram escuras e robustas.
Embora ela tivesse esperado que eles dormissem em caixões, eles colocaram Sasuke na cama arrumada. Ela também acreditava que até mesmo o sol indiretamente os queimaria, mas o quarto era incandescente com luz solar bastante pálida para iluminar os montes de pó. E quando as cortinas oscilavam na casa, a luz invadia diretamente na direção de seus pés.
Então ele se virou, a lembrando do quão grande era, os ombros largos pareciam atravessar a cama, os pés dele pendurados na beirada. Ele deve ter mais de dois metros de altura.
Ela flutuou sobre ele, inclinando a cabeça enquanto investigava abaixo. Ele parecia ter menos de trinta anos, mas isto era difícil de dizer com a lama e o sangue cobrindo a face dele. Com nervosismo, ela se concentrou e usou telecinesia para puxar o lábio superior dele para trás, espetando o nariz dele antes de acertar o alvo.
Ela viu uma fatia de dentes brancos contra a face suja dele e ...inconfundíveis presas. Exatamente como ao romance que ela tinha lido há muito tempo. Exatamente como os filmes de vampiro que o último casal jovem amava assistir.
Como estes homens tinham se tornado vampiros? Eles foram transformados? Ou nasceram daquele modo?
Naquele momento um estrondo alto soou no andar de baixo. Embora ela quisesse investigar o que eles estavam fazendo na casa dela, ela temeu que Sasuke despertasse na ausência dela.
Os irmãos já haviam fechado muitas das janelas que não tinham cortinas pesadas e tinham trazido cadeiras dobráveis, colchões e até mesmo um refrigerador moderno. O encanamento tinha sido consertado no banheiro principal. Mais cedo, a eletricidade tinha surgido tão abruptamente a vida que a lâmpada incandescente tinha estourado, chovendo vidros.
Ela tinha flutuado os fragmentos para longe do prisioneiro, um bom ato porque ele agora começava a se retorcer.
Quando a camisa rasgada dele subiu algumas polegadas, ela por pouco não notou um começo de uma pequena cicatriz anterior a cintura de sua calça solta. Quanto tempo tinha aquilo? Ela mexeu a mão para arrastar a camisa mais para cima do torso dele. A cicatriz continuava. Mordiscando o lábio, ela meticulosamente manipulou os botões até que pudesse afastá-los de lado.
A cicatriz quase alcançava o coração dele. Parecia como se uma lâmina de navalha afiada tivesse entrado no estômago dele e cortado para cima.
Quando ela pode afastar o olhar dela da marca, ela inspecionou o tórax descoberto dele. Era largo e generosamente forrado com músculos. Com as mãos dele para trás, esses músculos ondulados pareciam dobrar até mesmo em repouso. O torso inteiro dele parecia duro como pedra.
Ela desejou saber como sentiria a pele dele. Ela nunca saberia...
A cintura da calça dele estava tão baixa que ela podia ver a linha de cabelo encaracolado, negro que descia de seu umbigo. Esse rastro a tentou à baixar as calças dele, mas ela resistiu fracamente.
Os homens pelos quais Sakura se sentiu atraída, no passado, tinham sido mais velhos e bonitos de um modo suave, culto. Em contraste, este macho tinha todas as bordas duras e afiadas.
Assim, por que ela achou esse corpo cicatrizado de batalha tão atraente?
─Oh, acorde Sasuke. ─ ela disse com dificuldade. Falar era um empreendimento árduo para ela, que freqüentemente se sentia como se estivesse tentando empurrar sons do tamanho de elefantes por uma flauta. Para ela, as palavras saíram ecoando e estendidas. ─Somente... acorde. ─ Ela quis saltar na cama ou gritar na orelha dele. Se ela tivesse um balde de água
Os olhos de Sasuke se abriram de uma vez.
Ele acordou. A luz era assassina nos olhos sensíveis dele. A dor passava por ele. Ele apertou os dentes contra estas ondas de dor.
Fique livre. Ele lutou contra as amarras. Seus membros estavam pesados. Drogado. A raiva o apunhalava, a necessidade de matar o estrangulava como mãos apertadas ao redor de seu pescoço.
Quanto tempo estive fora? Ele se lembrava de onde estava. O solar, tão proibido como ele tinha sentido que seria. Quando ele tinha estado no carro, a visão do solar o tinha feito suar.
Aqui a sensação de ser vigiado era multiplicada, o formigamento na parte de trás do pescoço dele inflexível.
Ele enrijeceu. Ele tinha visto... teria ele visto o balanço de um cabelo rosa vistoso girando em volta de alguma mulher? Não podia determinar o que era real e o que era ilusão. Antes de ela desaparecer, ele tinha pensado que tinha visto brevemente olhos verdes arregalados de surpresa. Ele tinha cheirado rosas e tinha visto um ombro descoberto, magro e impossivelmente pálido. Ainda que ninguém mais tenha reagido a ela.
O que significa que ela não podia ser real.
Qualquer coisa que ele visse que outros não, era suspeito. Ela provavelmente é uma invenção de sua mente, de outra memória. Alguém que ele bebeu que a conhecia como uma esposa, uma amante... Ou uma de suas próprias vítimas. Ele puxou mais forte as correntes. Nada. Metal assim não deveria poder segurá-lo. A menos que... fosse misticamente reforçado.
Condenava seus irmãos ao inferno! Por que diabos eles o trariam aqui? Este lugar estava errado, o ameaçando. Ele não sabe como ou por que. Não se importa. Só sabia que tinha que se libertar.
De repente o cheiro de rosas o cercava. Eu não estou só neste quarto. Embora ele não visse nada, havia outra presença ali. Seria a mulher de antes? Havia uma mulher antes? Ele começava a suar.
Alguma coisa estava rastejando perto dele, chegando mais perto... ele poderia jurar estar sentindo quentes respirações contra seu ouvido.
Ele se contorceu, descobrindo suas presas em advertência. A necessidade de matar ferveu dentro dele.
Mais perto... mais perto...
Diretamente ao lado de sua orelha ele ouviu uma voz, escassamente. Ele não pode entender as palavras hesitantes.
Mas ele sentiu expectativa um anseio que o acertou em ondas. Sua cabeça parecia a ponto de explodir. Ele deveria fazer alguma coisa. ─ O que? O que?─ Ele não sabia... não sabia o que, supostamente, deveria fazer...
Ele odiava esta necessidade que ele sentia.
─Meeeeeee Vêêê? ─ a voz lânguida disse. Ele virou a cabeça de um lado para outro. Não via nada.
Ele se lançou verticalmente, sentindo um choque de alguma coisa, como eletricidade estática.
O corpo de Sasuke vagueou em direção ao seu, fazendo ela ofegar e ele tremer.
Ele tropeçou em seus pés. A confusão parecia se amontoar dentro dele. ─Alguém está aqui. De verdade?─ a voz dele soou mais rouca que na noite passada.
─Sasuke, fique calmo. ─ ela disse lentamente.
Os olhos dele arderam em um vermelho mais profundo. ─ Apareça!─ Poderia ele estar respondendo às palavras dela? Ou ele somente teve algum tipo de sensação vampiresca de que não estava só?
Com um baixo resmungo, ele apoiou contra a parede enquanto trabalhou na algema. Finalmente ele passou suas mãos por baixo dos pés as passando para frente. Parecendo apreciar a chance de lutar, ele atentamente esquadrinhou o quarto buscando um inimigo, para uma matança.
Como Sakura pairou sobre ele, acenando sua mão em frente o seu rosto, os olhos dele abriram de modo selvagem e sua cabeça balançou para a direita e para a esquerda Carrancuda, ela levantou o dedo indicador dela e apunhalou o olho dele, atravessando diretamente.
Ele não piscou.
Ela flutuou para trás como se tivesse sido empurrada. Ele não pode me ver. Uma decepção pesada caiu sobre ela.
Mulher bonita? Somente imaginação de um louco. Ela tinha se agarrado as palavras, não importando quão improváveis eram porque tinha estado desesperada.
A esperança da noite tinha aumentado a sua decepção. Ela jogou uma última onda frenética nos olhos dele.
Ele cerrou os dentes, o som parecia uma armadilha de urso fechando, ela reagiu com um grito assustado e elevou à cabeça, o empurrando longe, o enviando como uma bala de canhão na cadeira com o longo encosto. Quando a cadeira bateu na parede oposta, desmoronou com o impacto, explodindo em uma nuvem de lascas, tapetes e gesso.
Batalhando para sair do matadouro, ele gritou em um idioma estrangeiro, o que devia ser juramentos. Assim, ele parecia gostar de violência ou ao menos estar acostumado a isto.
─Sasuke... espere! ─ ela conseguiu sair da linha. Onde estariam os irmãos? Com as seringas? Sim, os três homens estiveram entrando e saindo, mas eles nunca ficaram muito tempo.
Uma vez que ele ficou de pé, ele começou a andar pelo quarto, batendo nas paredes com as mãos presas, gerando buracos no gesso frágil.
─Para de machucar... Minha casa!
Ele não parou. Ao invés disso, ele pegou as ferramentas da lareira e os balançou em círculo, enquanto as atirava com tanta força que a ela se embutiu no tijolo da lareira, boiando lá. Quando seu olhar frenético pousou na mesa de cabeceira indefesa, ela disse: ─Não se aproxime.
Sasuke pediu por isso. Sem pensar, ela o varreu até o teto. Ele fechou os olhos apertados e então os abriu, parecendo surpreendido por ainda estar fora do chão.
Ele se debateu e lutou com o agarre dela. Ele era forte e logo ela foi forçada a derrubá-lo, mais apressadamente do que pretendia ele caiu de rosto no chão. Quando ele levantou, ela viu que a testa dele estava esguichando sangue em seus olhos e ao lado do nariz.
Ela não tinha pretendido o ferir! ─Deus, me perdoe!
─Sasuke!─ Naruto gritou escada abaixo, aparecendo na fresta da porta um segundo depois. Ele visualizou de relance a confusa cena caótica. ─O que o inferno você estava...
Naruto não terminou a pergunta por que Sasuke lançou os braços algemados para cima dele. Como se tivesse atingido por um martelo, Sasuke voou para fora do quarto e aterrissou no primeiro piso.
Sasuke seguiu logo porta afora com uma Sakura e olhos arregalados bem atrás dele. Embora a velocidade dele continuasse sobre humana, ele estava mais lento do que tinha sido na última noite mesmo com os tornozelos livres. Eles já o tinham enfraquecido drasticamente.
Quando Naruto caiu aos pés dele, Shisui se levantou nos degraus, braços estendidos. Mas Sasuke colocou as mãos algemadas na grade e saltou para baixo, evadindo qualquer contato. Quando ele se dirigiu em direção à entrada da frente, ele encontrou Itachi bloqueando a saída.
Naruto gritou: ─ Sasuke, é impossível você partir! Maldição, o sol!
O que aconteceria a Sasuke na luz direta do sol? Ela ofegou quando ele carregou Itachi, o agarrando nas portas da frente. Eles arrancaram completamente suas dobradiças, caindo sobre a varanda dianteira.
Logo ante eles surgiu o sol matutino, Itachi voltou para a cobertura protetora da varanda, Sasuke continuou. Ela deveria tentar pará-lo?
Naruto começou a segui-lo, mas Shisui arrebatou a camisa dele e o puxou de volta para a sombra. ─Ele não vai chegar longe, Naruto.
Sakura estava ao lado dos irmãos. Força do hábito, ela obscureceu os olhos enquanto os quatro assistiam Sasuke correr descendo a estrada. Eu não pretendia derrubá-lo daquele jeito. Ele deve estar tão desnorteado.
─Ele vai queimar. ─ Naruto disse, parecendo estar em dor.
Da mesma maneira que Sakura fez, Itachi pôs a mão dele em sua testa. ─E então ele vai aprender.
O sol queimou os olhos dele como se eles estivessem mergulhados em ácido. Lute. A baía pantanosa está logo abaixo na estrada, então atravesse a estrada. Ele podia cheirar a água escura.
A pele dele começou a queimar. Ele apertou os dentes contra a dor.
Baía pantanosa logo abaixo da estrada. Ele podia fazer isto, poderia sobreviver na sombra. Chamas crescendo.
Ele esta perto dos limites da propriedade. Ganhando distância de qualquer entidade que parecia inclinada a atormentá-lo. Um ser que ele não podia ver para lutar, sem garganta para selvageria. Uma voz sem corpo que tinha ecoado ao redor dele.
Quase lá... Queimando... queimando...
De repente a visão dele ficou preta, uma força derrubou-o em cima de seu traseiro. Uma vez que sua visão clareou, os olhos dele se alargam. Paredes azuis deteriorando-se o cercaram. Ele gritou em descrença, confuso.
O mesmo quarto! Ele estava dentro... Do mesmo maldito quarto.
Agachado no chão, ele bateu a cabeça contra a parede uma e outra vez até que uma agulha perfurou o seu braço.
OOO
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