Capítulo 7

Shisui abaixou a voz para dizer:

─Você não gostaria de levar uma mulher para a cama novamente? Não que você seja um homem cheio de experiência, saturado de mulheres, Sasuke. Se você for um pouco parecido comigo, você pode contar o número de vezes nas mãos.

Sasuke não negou as palavras do irmão, cerrou seus dentes e sua mandíbula inchou.

O número de vezes em uma mão? Que terrível, Sakura pensou, flutuando ao pé da cama dele para pairar lá em uma posição sentada.

Embora ela não tivesse tido tantos amantes quanto ela teria gostado, o fantasma da gravidez para uma bailarina profissional era muito assustador os que ela havia tido, a tinham feito desfrutar completamente.

Até mesmo com a sujeira cobrindo a face de Sasuke e as cicatrizes de seu corpo, ela poderia dizer que ele tinha agradáveis características. Mulheres o achariam atraente. Pelo menos o suficiente para levar para cama uma mulher quando quisesse. E Shisui era bonito, contudo ele tinha dito que eles tinham sido forçados a seguir sozinhos. Ela tinha os ouvido falando sobre o pequeno país deles ter sido dizimado pela peste, em apuros por décadas não havia mulheres lá para serem socorridas?

─ Lê Dément...não é um homem experiente?─ ela murmurou em sua estranha voz fantasmagórica. ─Interessante.

Embora ainda fosse difícil falar, ela se maravilhou de quanto mais prontamente as palavras dela vinham com cada mais ela falava, mais fácil ficava, como quando ela treinava correr em águas na altura do pena que ninguém responderia, justamente quando ela estava ficando boa nisso.

Ainda que ninguém respondesse, falar a fazia se sentir mais... real. Às vezes ela se sentia como o provérbio "Árvore caindo na floresta". Isso poderia ser dito por que ninguém tinha a visto ou tinha a ouvido desde que ela havia morrido, ela não existia.

Ela suspirou e levou as pernas até o tórax. Quando a fenda no vestido dela subiu, ela teve o estranho impulso de cobrir as pernas dela em frente ao vampiro. Mas por quê? Ela não podia ser vista e ela certamente nunca tinha sido modesta quando viva. Na verdade, ela era o oposto.

Qualquer inibição tinha sido jogada para fora dela quando ela tinha sido jovem. Ela tinha passado por alojamentos minúsculos em bares burlescos, com a sua querida mãe se tornando eventualmente sua melhor companheira.

Desde novinha, Sakura tinha estado entrando e saindo de vestiários de artistas, fascinada com as sedas, maquiagens e perfumes exóticos, escravizadas pelas tensões sensuais da música que a compelia a se balançar, para eles...

Ainda que ela pudesse jurar haver um aspecto luxurioso no olhar do vampiro.

Não. Estava na hora de enfrentar os fatos. Ou ele achou sua bela aparência espectral bonita, tinha dominado seu reflexo de piscar, e simplesmente se recusou a reconhecê-la ou ele era somente como a todas as outras pessoas que passaram por essa casa na últimas oito décadas.

Ela deu uma risada sem humor. ─Se eu achasse que você pudesse me ver, ─ ela começou lentamente ─ eu mostraria muito mais do que uma liga.

Além disso, Sasuke não se interessaria por ela desse jeito. Nem por uma vez na última semana ele tinha crescido duro. Isso era impossível para ele? Seria esse o fogo que seria iluminado por sua noiva?

De todos os assuntos que discutiram os homens, este conceito de Noiva foi o que mais a intrigou.

Mais cedo, ela tinha escutado Shisui no telefone com a sua, a assegurando seriamente de que ela não precisava estar aqui, que deveria continuar trabalhando com as irmãs e que ele estaria logo em casa. Até mesmo a mera conversação telefônica com essa Karin parecia consumi-lo.

Naruto também tinha telefonado para a Noiva dele, outra Valquíria chamada Ino e estava igualmente atencioso. Mas com ela, ele parecia menos confiante sobre a recuperação de Sasuke do que com seus irmãos. Em um tom mais baixo ele tinha dito. ─Nós talvez tenhamos que usar o presente de Tenten.

Quem é Tenten? Outro mistério.

A devoção dos dois homens para com suas esposas havia provocado o desejo em Sakura, porque nada era mais sensual para ela do que um macho completamente louco por você.

Ela chamou isso de desejo porque era diferente dos sintomas físicos da luxúria que ela sentia quando era viva. Ela sofria com o que ela se lembrava do desejo, sentido fome de tocar e ser tocada, mas agora a necessidade era mais como uma excitação elétrica, uma carga que crescia e crescia. Era como se tivesse coceira e alfinetadas por todo seu corpo, mas não de um jeito que a arranhasse.

Sakura teve oitenta anos desses desejos retidos. Como era impossível para ela aliviá-los, às vezes ela se sentia como uma bomba, fazendo tique-taque, pronta para explodir. Uma dolorosa e faminta bomba, Sakurabomba.

Em frente a sua frustração sem fim, ela tendia a se comportar... mal.

E quando todos os irmãos voltavam para casa, a tentação era muito grande para resistir.

Quando ela levantou da cama, ele esperou um momento, então lançou outro olhar. E quase engasgou. O clipe de dinheiro de Shisui estava flutuando do bolso do casaco dele para a palma da mão estendida dela.

Então ela colocou... uma pedrinha no lugar? Shisui não percebeu, nem quando ela levou o clip embora.

Telecinesia? Sim, e bem controlada.

Depois de um olhar desconfiado para ele, rapidamente pôs seus olhos em branco e ela olhou para outra direção. Ela manobrava coisas ao redor deles, contudo até mesmo com a velocidade dela, às vezes passavam uma mão ou um cotovelo por ela. Cada vez ela continuava crescendo e tendo tremores.

Naruto estava próximo. Com um balanço da mão dela, seu telefone flutuou fora de sua jaqueta. Novamente a entidade deixou uma pedrinha antes de levar o telefone flutuando para um canto. Este jogo de gato e rato o entreteu, ele queria vê-la ao invés dos bastardos. Ela era muito mais interessante que Shisui falando sobre a família e honra e perdão.

Ele desejava saber onde o pequeno ser colocava seus bens adquiridos. Por que ela os levava? Ela estava brincando agora? Ou isso era uma compulsão, como a necessidade dele para matar?

Na vez de Itachi, ela arrancou um pente com jóias de enfeitar cabelos femininos, diretamente do bolso dele. Para quem será que Itachi estava comprando presentes?

Ela sorriu deliciada com seu prêmio. Aquele sorriso... os olhos dela brilhavam, o lábios curvavam. Ela poderia muito bem ser uma arma carregada.

Enquanto ela flutuava para seu canto, ela levantava os braços esbeltos, descobertos, acima dela, enquanto dava uma pirueta. E mais uma. A saia dela flameja e ele a ouviu sussurrando. Uma única pétala de rosa flutua do cabelo selvagem dela para a cama, pousando como uma folha ao lado dele.

O corpo flexível dela, o modo que ela se movia, com esses sapatos ela deve ter sido uma dançarina. Uma bailarina. É claro.

Quando ela deu outra pirueta, ela de repente riu. O som era assombrado. Mas por alguma razão, os lábios dele curvaram em resposta àquilo. O sorriso virou uma carranca quando percebeu como Shisui o via. Um sorriso vago de um homem louco.

Porque ele é louco, não existe nenhum espírito cabeludo que quer lhe mostrar mais do que as ligas dela.

Mas mesmo assim ele não conseguia tirar os olhos dela enquanto Shisui começava tudo de novo. Ele escutava pedaços das palavras do irmão. Como ele tendia a fazer quando estava cansado e querendo ficar só, ele se repetia, murmurando em diferentes idiomas. ─A culpa está corroendo a Naruto... eles têm lutado na Horda dos Vampiros por três séculos... Nós podemos nos alistar no exército deles... matá-los... Nem todos os vampiros são maus.

Ele piscou quando Shisui se calou.

Com um olhar estreitado, Shisui disse:

─Você não tem falado sozinho. Você está repetindo tudo que nós falamos. Dessa vez em grego! Você não estava alucinando você estava escutando. ─ Shisui acenou com a cabeça, como se tivesse sido encorajado por isso. ─Eu gostaria de saber o que mais você pode fazer, que não sabemos?

Eu posso ver fantasmas. Em estoniano, ele perguntou para Shisui: ─Para saber, você não vê nada estranho? Nenhuma mulher no quarto?

Shisui olhou ao redor. No mesmo idioma, respondeu lentamente: ─Há somente nós quatro aqui dentro do quarto, Sasuke.─ o tom dele era o que se usa para explicar a um aluno com dificuldade de compreensão: ─De fato, irmão, o céu não é verde. É azul.

A mulher parecia ter concluído seus furtos e se mostrava mais lenta, mais lânguida. Ela estava cansada?

─Sasuke, você vê mais alguém?─ Shisui perguntou. ─É suposto que seu tipo sofre de severas ilusões...

A ilusão dele estava agora escutando Itachi e Naruto conversando no canto do quarto.

─Ele cheira a sangue e lama. ─ Naruto disse. ─Ele pode estar melhorando, mas para os outros não vai parecer assim. Se alguma vez a gente tiver que defender nosso plano...

Sem avisar, ela estava na cama ao lado dele. Bem perto de seu ouvido, ela perguntou: ─Isso é verdade vampiro? ─As palavras dela saíram muito mais depressa, quase normalmente. Ele pode discernir que ela tinha um leve acento francês.

─Você cheira dément? Eu não posso cheirar. Mas faz sentido... considerando como você está sujo.

Ele se deu conta, intensamente, de que sua face estava coberta de sangue e lama e seu cabelo estava duro com isso. Dément. É somente assim que ela o vê? Um louco para ser ignorado? Ou pior para ter piedade? Isso é como ela o via.

Um lunático imundo, sexualmente inexperiente.

Ela o viu cuspindo sangue. Ela tinha o testemunhado enlouquecer e bater a cabeça contra a parede? Droga, ele estava começando a odiar esta lucidez! Novamente, ele almejava o esquecimento das recordações. É mais fácil ser inundado por elas para odiar, para machucar...

Essa mulher ao lado dele atracava sua mente ao presente como uma âncora.

─Eles deveriam lhe dar um banho. ─ ela disse em sua voz sussurrante, justo quando Shisui disse: ─Descanse um pouco,Sasuke . As alucinações desaparecerão antes que você perceba.

─Me deixe!─ ele estalou e quase disse: "nos deixe".

O fantasma virou para fora, se ajeitando para sair. Não, não você! Quando ela e os artigos roubados desapareceram, tudo o que restou dela foi a pétala de rosa. Ele avançou lentamente, querendo tocar. Mas a pétala começou a sumir. Então se foi.

Ele rolou na cama, inquieto e se esfolando nas correntes. Queria que ela estivesse ali.

Shisui levantou. ─Muito bem, nós iremos. Chame se você precisar de alguma coisa ou se você tiver vontade de beber.

Eles o deixaram no quarto escurecido. ─Você viu meu telefone?─ Naruto perguntou saindo.

Antes que ele tivesse tempo para analisar por que a ausência dela o desapontava daquele jeito, outras recordações borbulhavam para cima na mente dele como se viessem de uma fonte.

Durante os anos, ele não matou homens honrados, de fato, eliminou alguns que eram até mesmo mais monstruosos que ele. E as recordações deles, agora suas recordações, congelavam seus ossos.

Ele via cenas de torturas que ele não infligiu, assassinatos horríveis de mulheres e crianças que ele nunca havia cometido. Olhos vítreos, cegos o encaravam mas não eram os dele.

Estas recordações exigiam serem reconhecidas, serem experimentadas. Antes de serem acalmadas, elas deveriam ser revividas, levando embora sua sanidade.

E ele não tinha mais nada a perder.

OOO

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