Capítulo 11

Dois malditos dias. A mulher não tinha voltado para o quarto dele durante dois dias. Durante aquele tempo, Sasuke alternava entre um desejo ardente para se pôr livre e uma necessidade de descobrir o que ela era para ele.

Durante as noites, seus irmãos voltavam e tentavam alcançá-lo, mas ele não tinha nenhum tempo para eles. Mesmo se ele estivesse melhorando, uma parte dele poderia ser responsável pela morte de sua família.

Além disso, a mente dele estava consumida por pensamentos de Sakura.

Agora ele cerrava os dentes, lutando para permanecer tranquilo. Ele estava capturado, incapaz de ver uma saída. Se ele entrasse em outra crise de raiva, seus irmãos poderiam o forçar a deixar este lugar, o encarcerando em outro lugar qualquer.

E ele não tinha terminado por aqui, não ainda, não até ele descobrir se ela estava afetando sua mente. Embora ele continuasse tendo episódios de violência incontrolável, a agressão e a raiva estavam se tornando mais manejáveis. Somente o fato de que ele tinha voltado atrás e se controlado no banheiro já provava isso.

Talvez não fosse ela, talvez fosse alguma coisa relacionada com a casa. Afinal de contas, ele estava lúcido agora, e ela não estava ali.

Não, isso não importava. Ele ainda podia senti-la constantemente. Ontem, tinha chuviscado todo o dia e ele poderia jurar, que sentiu que ela estava ... triste. Ele a ouviu habitualmente tarde da noite, vagando nos corredores da casa. Ele podia entender o sussurro fantasmagórico das saias ou até mesmo um suspiro ocasional. Quando ela passou pela porta do quarto dele, ele percebeu a mudança no ar e tinha aprendido a procurar aquele cheiro lânguido de rosas.

Ele tinha chamado por ela, mas era sempre Naruto quem se apressava para o quarto. ─Com quem você está falando? ─ ele tinha perguntado em um tom ansioso.

Agora Sasuke sentia como se ele sofresse um tipo diferente de loucura. Precisava encontrá-la. A queira ali. Perguntas sobre ela o inundaram. Ela usava jóias, brincos, uma gargantilha, uma faixa larga no quarto dedo, mas ela não tinha nenhuma aliança de casamento. Se esta tinha sido a propriedade dela, então ela tinha sido rica, mas, aparentemente, ela não era casada. E ele não pensou que ela tinha nascido rica, tinha alguma coisa sobre o comportamento dela que mostrava um passado sem nada a perder.

Uma dançarina teria ganhado o bastante para dispor deste lugar?

Inferno, com a sensualidade dela e falta completa de inibições, ela poderia ter sido uma cortesã.

Ela teria feito uma fortuna.

O que quer que Sakura foi em vida, ela estava morta agora. Ele estava doente por desejar uma mulher fantasma tanto assim? Durante os últimos dois dias, ele tinha relembrado a forma nua dela de novo e de novo. Ele poderia não ter estado duro para ela antes, mas ele tinha querido estar.

Ele estava doente. Não só maluco, mas doente.

Se Sasuke fosse sábio, ele esmagaria esta obsessão crescente com o fantasma e seguiria com seus negócios, com sua fuga.

Ele esta seguindo, ele não podia sair da trilha porque ele não podia deixar de recordar, como ela tinha arqueado seus, pálidos, seios direto para as mãos dele.

No crepúsculo, o último dos raios de sol pintou a baía pantanosa em cores nebulosas. Ao longo dos bancos de ciprestes atravancados, musgo gotejava de galhos. Uma loucura raquítica persistia perto da beirada da água.

Décadas atrás, esta pequena enseada de Elancourt tinha sido navegável, mas com os anos, escombros e gramas tinham sufocado a angra até que a área se parecesse mais com um pântano.

A vida selvagem abundou. Cobras, jacarés fizeram suas casas ali. Grandes roedores aquáticos se escondiam entre as folhas de lírio d'água, brilhando seus dentes laranjas.

Este era um dos locais favoritos de Sakura na propriedade. Ela tinha passado o dia inteiro no banco, abaixou na beirada da água, assistindo membros crescendo nos girinos.

Era o melhor que ela podia pensar para ocupar sua mente assim ela não voltaria ao quarto do vampiro.

─Fique longe de mim. ─ ele tinha advertido. Boa idéia, Sakura tinha decidido.

Porque ela estava atraída por ele. Impressionada pelo conhecimento do heroísmo dele no passado e reverente pela imagem de seu corpo nu. Ela começava a sentir uma forte força que a empurrava para ele. A interação deles tinha sido inebriante e viciadora para Sakura. Nem sequer os espantosos berros dele tinham apagado isto.

E isso só piorava.

Assim o que aconteceria quando ele partisse? Novamente, ela estaria só em sua casa vazia, suportando sua existência vazia. Sem um louco, mas sexy vampiro para distraí-la de sua existência.

Para alguém tão sociável quanto Sakura, se acostumar à solidão e aos dias intermináveis, depois de sua morte tinha sido esgotante, era ainda mais devastador quando os inquilinos partiam.

Eles sempre partiam.

Sasuke Uchiha iria, também.

A idéia a deprimiu muito, ela tinha jurado ficar longe de todos eles. É melhor não se acostumar com eles por perto.

A batalha para se afastar por aquele tempo tinha levado todas as suas forças de vontade, mas ela não previu uma para esta noite. Logo a lua cheia subiria, como um rasgo pálido no tecido do céu, e ela estava se sentindo vulnerável, como ela sempre se sentia.

Sakura tinha falado para Sasukeque ela não sentia nada, o que não era completamente verdade. Quando ela dançasse à meia noite,ela sentiria a dor de sua morte, aquela agonia revivida.

Eu não quero estar só. Não hoje à noite...

No crepúsculo, ela se encontrou fazendo seu caminho em direção a ele como se fosse puxada por um fio invisível. Quando ela hesitou bem em frente à porta dele, ele disse:

─Venha para mim, fantasma!

Desfrutando a interação, ela disse para si mesma. Só não se acostume com isso!

─Eu sei que você está ai. ─ a voz dele soou cansada. ─ Você está com medo de mim agora?

Ela nunca esqueceria do som terrível que ele tinha emitido, o resmungo agressivo que ameaçava dor, uma afiada lembrança do que ele era. Mas ela não tinha medo dele.

Ela mordeu o lábio. Quando entrar, eu não o acharei tão bonito quanto eu tenho pensado. Ela flutuou pela porta fechada e imediatamente luziu. Não, ele estava mais bonito. Muito bonito.

Por que ela estava tão atraída por ele? Ela sempre tinha preferido os homens mais velhos, estabilizados na vida, com alguns de seus fogos já subjugados pelas tentativas da vida.

Sasukeera todo fogo... Um lindo louco.

─Onde diabos você tem estado? ─ ele soltou imediatamente. Os olhos vermelhos dele chamejaram sobre seu rosto, seus seios, abaixo por seu corpo e para cima novamente com um olhar ganancioso, a inspecionando, como homens faziam antes dela morrer.

Como ela iria passar outros oitenta anos sem esses abrasadores olhares?

Não afetada pelo tom dele, ela disse:

─Você sentiu minha falta?─ o comportamento dela era arejado. Ele nunca saberia sobre a luta dela para permanecer longe. ─Eu deveria ter estado aqui ao invés de onde estava?

─Você aparecia todos os dias. ─ ele disse rispidamente.

─Você me alertou para me afastar, se lembra? E então você berrou como algum urso raivoso.

─Urso raivoso? Eu não queria que meus irmãos a vissem despida.

─Sasuke, eles não podem me ver.

Ele franziu o cenho. ─Eu não... pedi por aquilo! Não naquela ocasião. Às vezes, é difícil para mim... ─ Ele olhou para longe, adicionando ─Maldição, eu só tive uma descarga.

Um pesar indesejado brotou dentro dela para com ele de novo. Ela desejou saber o que de fato o abalaria para atraí-lo sem vacilar. ─Por que você se importaria se eles me vissem nua?

Ele olhou distante e murmurou: ─Eu gostaria de saber.

Sakura abafou um sorriso. Ele estava ficando tão atraído por ela como ela por ele.

─O que você estava fazendo mais cedo fora da casa?─ Ele soou acusatório.

─Como você soube que eu estava fora?

─Não te ouvi o dia todo.

Ela franziu o cenho. ─Você nunca dorme?

─Não se eu puder evitar.

Sakura tinha notado que ele só dormia aproximadamente três ou quatro horas em um período 24 horas. ─E você, nunca dorme em intervalos regulares. Eu não vejo um padrão.

─Então ninguém mais poderia ver. ─ ele disse, mas antes que ela pudesse questionar as palavras dele, ele disse, ─Agora, me fale o que você estava fazendo.

─Se você quer saber eu estava estudando girinos. Eu decidi determinar quanto tempo as pernas deles levam para crescer. Em minutos.

─Girinos. Por que você faria isto?

─Me dê uma alternativa, Sasuke. O que eu deveria fazer?

Ele estava claramente perdido.

─O único jornal que eu pude pegar na estrada já foi lido. A casa está vazia. Recém casados ou investigadores adolescentes com latas de spray, assim eu não tenho ninguém para cobiçar ou amedrontar. Mas eu estou aqui agora, então o que você quer?

Parecendo não saber o que dizer por alguns momentos, ele abriu e fechou a boca duas vezes.

─Nada?─ ela perguntou levianamente, enquanto saia. ─Muito bem, tenha uma boa...

─Fique!─ ele grunhiu. ─Eu quero que você fique.

─Por quê? Porque você me achou mais estimulante do que assistir a pintura descascando sobre a cama?

Ele balançou a cabeça dele.

─Quero falar com você.

Com o queixo dela para cima, ela desafiadoramente cruzou até o assento da janela e flutuou ali em cima. ─Talvez eu fique se você concordar em responder algumas de minhas perguntas.

─Como o que?

─Eu escuto seus irmãos falando, mas muitas vezes, eu não tenho nenhuma idéia do que eles querem dizer. Você poderia explicar algumas coisas.

Como se a incentivasse, ele deu um aceno curto.

─O que querem dizer eles sobre suas recordações?

─Se um vampiro tomar sangue diretamente da veia, isso é vida, carregado de memórias. As memórias se acumulam, até que eu não posso controlá-las. Eu não posso separá-las das minhas próprias memórias.

─Toda noite Itachi volta com mais informações sobre você. Ele disse que você tem todo tipo de pessoa que te quer morto.

─Verdade.

─Ele também disse que suspeita que você jogasse com suas vítimas antes de matá-los.

─Eu fiz somente o que eu fui pago para fazer.

─Você foi pago para decapitar as pessoas enquanto você os bebia até a morte?

Ele estreitou os olhos.

─Bebendo de outro lhe dá as recordações dele. Beber de outro enquanto você o mata também lhe dá a força dele, até mesmo algumas de suas habilidades místicas. E decapitar é um dos únicos modos para matar um imortal.

─Você já matou mulheres e crianças antes? Ou humanos?

─Por que eu me aborreceria com isso?─ Ele parecia genuinamente perplexo.

Um pouco reassegurada pela resposta dele, ela perguntou, ─Como você se tornou um vampiro?

A face dele foi pintada com raiva. ─Naruto decidiu gotejar o sangue estragado dele na minha garganta pouco antes de eu morrer.

─Ele não teve que te morder?

─Isso é só nos filmes. ─ Sasuke disse. ─Sangue é o agente da transformação e a morte é o catalisador. É deste modo para qualquer espécie a ser transformada no Lore.

─É fácil assim se transformar em vampiro?

─Fácil? Isso nem sempre funciona. E se não funcionar, você morre.

─Quem fez isto a eles?

─Fugaku, um vampiro nascido natural e alguém sobre quem eu não tenho a menor intenção de falar. Pergunte alguma outra coisa.

─Muito bem. Você ainda pode comer comida?

─Sim, mas eu tenho tanto interesse em comer comida como você teria por beber sangue. ─ Quando ela fechou sua expressão com o desgosto, ele disse, ─Exatamente. Entretanto eu desfruto de um bom uísque.

Também o fazia ela. Ela tinha um escondido no estúdio dela. ─E sobre seu tele-transporte, seu riscar? Quão longe você pode ir?

─Nós podemos cruzar o mundo, não apenas a sala de estar de um solar assombrado. ─ Ela enrugou os lábios ao ouvir isso. ─Mas nós só podemos viajar para lugares onde nós previamente estivemos ou que nós podemos ver.

─E a Ascensão?

─Fenômeno no Lore, cada cinco séculos ou algo assim. São semeadas as famílias e são semeados imortais. Brigas começam e guerra entre as facções. Muitos imortais são mortos.

Sakura tinha ouvido estes homens misteriosos falarem do Lore, como se fosse uma esfera separada de seres. Ela os ouviu falarem sobre valquírias, bruxas gols e o nobre fey. Lá tinham lobisomens e fantasmas e aparentemente todos estes seres... interagiam.

─As sereias são reais?─ ela perguntou.

─Sim.

Ela deu um suspiro com olhos arregalados, incapaz de esconder a excitação. ─Você já viu alguma? Elas têm rabos grandes? Com escamas?

─Quantos anos você tinha quando morreu fantasma?─ ele interrompeu com um jeito protetor. ─Você alcançou qualquer nível de maturidade?

Ela endireitou os ombros. ─Eu tinha vinte e seis anos.

Sobrancelhas puxadas, ele murmurou, ─Como você morreu tão jovem?

Como responder? Ela não podia admitir que tinha sido assassinada sem entrar em detalhes. E os detalhes a faziam parecer fraca. Entretanto, ser assassinado era a última das fraquezas, não era? Só alguém que sucumbiu poderia entender.

Este macho entenderia, a mente dela sussurrou. Ele compreenderia como nenhum outro a dor que ela tinha suportado. ─Eu fui assassinada. ─ ela respondeu eventualmente.

─Como?

─O que você supõe?

─Uma esposa ciumenta atirou na linda amante do marido dela.

─Você me acha linda?─ Quando ele lhe deu um olhar impaciente, como se eles estivessem recauchutando chão velho, ela sentiu um rubor de prazer. ─Eu nunca estive com um homem casado.

─Um amante rejeitado empurrou você para um vôo escada abaixo.

─Por que você assume que isso foi um crime passional?─ ela perguntou.

─Pressentimento.

─Então você pressentiu certo. Meu ex-noivo... me apunhalou no coração. ─ Dizendo as palavras em voz alta ela sentiu um calafrio correr por ela. ─Ele fez isto aqui. E eu acordei presa na propriedade, incapaz de sair.

Os olhos vermelhos do vampiro... amoleceram. Com a voz como uma lima, perguntou: ─Por que ele faria isso a você?

─Ele não pôde aceitar quando eu rompi com ele. ─ Lee tinha lhe falado de novo e de novo que ele preferia morrer que viver sem ela, que nada poderia fazer com que ele a deixasse. ─Ele enfiou a faca em si mesmo depois de mim.

Sasuke enrijeceu, adquirindo aquela expressão violenta novamente. ─Ele está aqui?

─Não. Eu não sei por que eu estou aqui e ele não, mas é a única coisa pelo qual eu sou grata.

Ele relaxou visivelmente. ─Quando isso aconteceu?

─Vinte e quatro de agosto de 1927. Na noite de minha festa que celebrava minha mudança para Elancourt. Eu tinha terminado de restaurar a casa. ─A propriedade tinha chamado sua alma. Ela amorosamente tinha acompanhado todo detalhe minúsculo de sua restauração, devolvendo o solar e jardins lentamente a vida.

Ela não tinha nem idéia de que seria sua casa eternamente...

─Chega disso. ─ ela disse, tremendo pelas lembranças de Lee. Agora que ela estava aqui com Sasuke, tinha decidido desfrutar da conversação.

A segunda de todas as suas conversas após a morte.

─Por que você acha que se tornou um fantasma?─ ele perguntou.

─Eu esperava que um, de vocês, soubessem.

─Eu não ouvi muito sobre o assunto no Lore, fantasmas são um fenômeno humano mas eu sei que o seu tipo é muito raro. Por todos os meus anos, eu nunca vi um antes de você.

─Oh. ─ Ela não tinha esperado que ele soubesse os segredos de todas as vidas fantasmagóricas, mas um pouquinho mais de trivialidades teria sido agradável.

─Você está... enterrada em Elancourt?

─Que estranho soa essa pergunta, não? Bem, a menos que algo tenha saído horrivelmente errado, eu fui enterrada na cidade, na tumba da velha Sociedade francesa. ─ Os restos ... de Sakura estavam em um caixão em uma abóbada. Havia trinta outros corpos, pelo menos, juntos lá dentro. ─Entretanto, os ladrões de cripta podem ter roubado meu corpo para rituais de vodu.

Ele fechou a rosto. ─Você está zombando sobre isto?

─Me diga Sasuke, o que é a etiqueta quando se está falando de seu próprio corpo morto? Nenhuma zombaria sobre os ossos? Eu sou desajeitada?

Ele lhe deu um olhar que disse que ele nunca a entenderia, e poderia não se aborrecer tentando. ─Como você veio para esta propriedade?

─Eu a comprei. Tudo pelo meu ego feminino.

─E como você dispôs disto?─ o tom dele foi tingido com descrença.

Típico.

─Eu trabalhei. ─ ela disse incapaz de disfarçar a satisfação. ─Eu era uma bailarina.

─Uma bailarina. E agora um fantasma.

─Um lorde da guerra e agora um vampiro. ─ Ela não podia fazer nada além de rir da disparidade. ─Que par nós fazemos.

Ele a estudou.

─Sua risada... parece fora de lugar.

─Por quê?

─Fantasmas não deveriam ser cercados de miséria?

─Nesse momento, eu estou me divertindo falando com você, então estou contente. Eu tenho bastante tempo para estar infeliz depois.

─Você está normalmente infeliz?─ ele perguntou.

─Não é minha natureza ficar infeliz, mas minhas circunstâncias presentes não são muito ideais.

─Então nós temos isso em comum. Sakura, quando meus irmãos voltarem, eu quero que você roube uma chave para minhas correntes.

Ela respirou:

─Roubar? Moi? Nunca.

─Eu já te vi levando coisas deles. ─ ele disse. Ela contemplou o teto, resistindo ao desejo de assobiar com culpa. ─Por que você trocou por pedrinhas por seus roubos?

─Bem, é uma coisa para pegar algo para vida e outro para dar. Eu queria ouvir alguém dizer: "Agora, de onde veio esta pedrinha?" bem, afinal de contas isto seria como um registro de minha existência. Eu acho que isso provaria que eu sou real.

─E agora, porque eu interajo com você, você sabe que você é real?─ Quando ela acenou com a cabeça, ele disse: ─Então você pensaria que você seria mais apreciada, mais inclinada a me ajudar. Sakura, eu fico louco só de ficar nesse quarto, hora depois de hora.

─Você já é louco.

Ele fez uma cara feia.

─Os do seu tipo não são territoriais? Me consiga aquela chave e então você pode ficar sozinha novamente.

─Eu nem sempre estou sozinha aqui. ─ ela disse. ─Famílias vivem aqui às vezes. E ao contrário da maioria das histórias de fantasmas, eu adoro ter pessoas aqui. Mesmo que eles não possam me ver ou me ouvir, eles pelo menos entretêm.

─Quando os últimos estiveram aqui?

─Dez anos atrás. Um casal jovem encantador se mudou. ─ O marido e a esposa tinham sido deslumbrados pela incrível pechincha que eles tinham conseguido em Elancourt sem nem idéia de que aqui foi a cena de um horrível assassinato/suicídio como os documentos tinham chamado.

Os dois tinham trabalhado para restabelecer e modernizar tanto quanto eles puderam. Quando o primeiro bebê chegou, Sakura tinha mimado a pequena menina, balançando o berço dela e fazendo shows de marionetes flutuantes, ajudando os pais exaustos tanto como possível. Ainda quando a criança tinha começado a chorar por marionetes invisíveis, os pais tinham conversado e tinham se mudado.

Sakura tinha ficado arrasada e sozinha durante os próximos dez anos... até que Sasuke e os irmãos dele chegaram.

─Você nunca amedrontou ninguém para fora?─ ele perguntou, como se isso fosse precisamente o que ele estaria fazendo em sua posição.

─Na verdade, eu me ponho muito territorial com vândalos. Eu os assusto e eles nunca voltam.─ ela disse orgulhosamente.

─Eu já fiz muito mais dano na sua casa que alguns vândalos. Ainda assim você não me ajudará a partir?

Se ela lhe desse uma chave, ele sairia antes que as correntes batessem no chão. E ela sabia que nunca o veria novamente.

Merde, isso machucava. Ela estremeceu intimamente. ─Até mesmo se eu pudesse conseguir isto, por que eu daria a você? Assim você poderia fazer valer suas ameaças contra seus irmãos?

─Você daria isto a mim porque, se você não fizer então, eu sou tanto seu prisioneiro como deles.

─Por que você é tão afiado em se afastar deles, Sasuke? Eles só estão tentando fazer o que é melhor para você.

─Você não sabe de nada.

─Então me fala por que você os odeia tanto. Porque eles o transformaram?

Ele deu uma risada amarga.

─Isso não é o bastante?

─Isso foi há muito tempo atrás e eles estão fazendo muito por você agora. Eles não estão dormindo. Eles se riscam através do oceano, lutando contra maus vampiros quando é noite lá e então voltam apressados para tentar o ajudar.

Com a expressão inescrutável, ele perguntou:

─Você odeia?

─Perdão? Como, odiar uma pessoa?

Ele acenou com a cabeça.

─Imagine a pessoa que você mais odeia nesse mundo.

─Isso é fácil Lee. O homem que me apunhalou.

─Imagine morrer e então despertar, só para estar ligado àquele porcaria miserável pelo resto da eternidade. Você não ficaria ressentida com quem a colocou nessa situação?

Oh, Deus, ele tem um ponto.

─Eles tiraram de mim minha missão, meus camaradas, minha vida como eu conhecia e queria.

─Você preferiria estar morto?

─Sem dúvida.

Ela podia ver que não havia nenhuma possibilidade de convencê-lo neste assunto.

─Você ouviu que eu tenho todos os tipos de facções concorrendo por minha cabeça. ─ ele disse. ─É só uma questão de tempo antes que eles me achem aqui. Eu preciso daquela chave, fantasma.

─Meu nome não é fantasma.

─O meu não dément.

Touché, dément. ─ ela disse brandamente.

─Maldição! Eu lhe disse para não me chamar assim.

De repente Itachi apareceu no quarto.

OOO

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