Continuando a saga do guerreiro sedutor Sasuke da Macedônia:

OOO

Capítulo 6

– Seu imprestável pedaço de... – Sasuke soltou uma série de imprecações que fariam um marinheiro corar.

Os olhos de Sakura se arregalaram. Não sabia o que a surpreendia mais: Sasuke agredindo um motociclista desconhecido ou o linguajar que usava.

Enquanto ele o esmurrava, o motociclista reagia, mas suas habilidades de luta nem se aproximavam das de Sasuke. Esquecendo-se de Ino, Sakura correu até eles, com o coração acelerado, tentando pensar no que deveria fazer. Não havia possibilidade de se enfiar entre os dois. Não diante da forma como tentavam se matar.

– Sasuke, pare antes que você o machuque! – a mulher gritou.

Sakura assombrou-se ao escutar aquilo. Como ela sabia o nome de Sasuke? A mulher circundava os dois, como se tentasse ajudar o homem a lutar contra Sasuke.

– Querido, cuidado, ele vai... Ai, isso doeu! – Ela se encolheu em uma dor solidária, após Sasuke atingir o nariz do motociclista.

– Sasuke, pare de bater nele! Você vai fazer o nariz dele inchar. Ei, querido, abaixe-se!

O motociclista não se abaixou, e Sasuke atingiu-o no queixo com um soco forte, que o fez cambalear.

Atordoada, Sakura alternava o olhar entre a mulher e Sasuke. Como eles podiam se conhecer?

– Eros, querido. Não! – a mulher gritou outra vez, balançando as mãos ao lado do rosto, como um pássaro prestes a alçar voo.

Ino aproximou-se de Sakura. – Esse é o Eros que Sasuke estava tentando evocar? – Sakura perguntou.

A amiga deu de ombros. – Talvez, mas nunca pensei no Cupido como um motociclista.

– Onde está Príapo? – Sasuke exigiu saber, agarrando Eros e forçando-o de encontro às grades de madeira sobre a água.

– Eu não sei. Eros lutou para soltar as mãos de Sasuke de sua camiseta preta.

– Não ouse mentir para mim – Sasuke rosnou.

– Eu não sei! Sasuke imprimiu mais força ao aperto, enquanto dois mil anos de dor e raiva o assolavam. Suas mãos tremiam ao segurar Eros. Porém, pior do que o seu desejo de matar eram as perguntas incessantes que gritavam em sua mente. Por que ninguém nunca respondera às suas evocações antes? Por que Eros o traíra? E como eles podiam ter feito isso com ele e depois irem embora, deixando-o sozinho com seu sofrimento?

– Onde ele está? – Sasuke perguntou outra vez.

– Comendo, arrotando, inferno, eu não sei! Eu não o vejo faz uma eternidade. Sasuke puxou Eros para longe da grade. Toda a fúria do inferno estava refletida em seu rosto, quando ele o soltou.

– Preciso encontrá-lo – Sasuke disse por entre os dentes. – Agora.

Um músculo na mandíbula de Eros contraiu-se enquanto ele passava as mãos pela camiseta, ajeitando-a.

– Bom, com certeza, me arrebentar não vai chamar a atenção dele.

– Então, quem sabe matando você eu consiga isso. – Sasuke agarrou-o de novo. De repente, os outros homens começaram a avançar. Conforme eles os cercavam, Eros desviou-se do golpe de Sasuke e virou-se para deter os amigos.

– Não mexam com ele – Eros disse, agarrando o que estava mais próximo pelos braços e empurrando-o. – Acreditem em mim, vocês não vão querer enfrentá-lo. Ele poderia arrancar seus corações e enfiá-los em suas bocas antes de chegarem mortos ao chão.

Sasuke fitou os motociclistas de uma forma que os desafiava a se aproximarem. O olhar frio e letal aterrorizou Sakura, e ela não duvidou de que ele poderia mesmo fazer aquilo.

– Você está louco? – o mais alto indagou, olhando com descrença para Sasuke. – Ele não parece grande coisa.

Eros passou a mão pelo canto da boca e deu um meio sorriso ao avistar o sangue no polegar.

– Sim, bem, é melhor acreditarem em mim. O homem tem punhos que parecem uma marreta e uma habilidade de se mover com muito mais rapidez do que vocês conseguiriam se esquivar.

A despeito das calças negras de couro empoeiradas e da camiseta rasgada, Eros era incrivelmente atraente e não tinha a aparência abatida de seus companheiros. A face juvenil teria um tipo mais delicado de beleza, se não fosse pelo cavanhaque, pelo bigode de três dias e pelo corte em estilo militar dos cabelos.

– Além disso, é apenas uma briguinha familiar – Eros acrescentou, com um estranho brilho nos olhos. Dando um tapinha no braço do motociclista, ele riu e disse: – Meu irmãozinho sempre teve um temperamento ruim.

Sakura trocou um olhar atordoado e descrente com Ino. – Eu escutei isso? – ela perguntou para a amiga. – Eros certamente não pode ser irmão de Sasuke, pode?

– Como eu vou saber? Sasuke disse algo em grego antigo para Eros.

Os olhos de Ino se arregalaram, e o sorriso sumiu de imediato do rosto de Eros. – Se você não fosse meu irmão, eu o mataria por isso.

Sasuke lançou-lhe um olhar zangado. – Se eu não precisasse de você, já o teria matado.

Em vez de ficar bravo, Eros riu. – Não ouse rir – a mulher repreendeu-o, irritada. – É melhor lembrar-se de que ele é uma das poucas pessoas capazes de cumprir essa ameaça.

Eros assentiu antes de virar-se para os outros quatro motociclistas. – Podem ir – falou para os amigos. – Encontro vocês depois.

– Tem certeza? – perguntou o mais alto, olhando para Sasuke com nervosismo.

– Podemos ficar por aqui, se precisar de nós.

– Não, está tudo bem – ele recusou, gesticulando. – Lembra que eu disse que precisava encontrar alguém aqui? Então, meu irmão está apenas bravo comigo, mas vai superar isso.

Sakura recuou quando os motociclistas passaram por ela.

Todos, exceto a linda mulher. Ela cruzou os braços sobre o peito farto e coberto de couro e olhou para os dois homens com cautela.

Alheio às presenças dela, de Ino e da mulher, Eros andou ao redor de Sasuke, avaliando-o dos pés à cabeça.

– Andando na companhia de mortais? – Sasuke indagou, deslizando um olhar de escárnio igualmente frio por Eros.

– Nossa! Cupido, o Tártaro congelou enquanto eu estive fora? Eros desconsiderou as palavras raivosas.

– Diabos, garoto! – ele exclamou, descrente. – Você não mudou nada. Achei que você fosse mortal.

– Era para eu ser, seu... – Sasuke voltou a soltar uma torrente de imprecações. Os olhos de Eros brilharam.

– Com uma boca como essa, você deveria andar com Ares. Céus, irmãozinho, não achei que você conhecesse o significado de tudo isso!

Sasuke agarrou de novo o irmão pela camisa. Porém, antes que pudesse fazer algo mais com Eros, a mulher estendeu o braço e ergueu a mão. Sasuke imobilizou-se. Pelo seu olhar, Sakura sabia que ele não estava nada satisfeito.

– Solte-me, Psiquê – ele resmungou.

O queixo de Sakura caiu. Psiquê? Seria possível?

– Só se você prometer não bater mais nele – Psiquê respondeu. – Sei que vocês dois não têm se dado bem, mas respeite o fato de eu gostar do rosto dele como está e de não tolerar que você o estrague ainda mais.

– Sol... te... me – Sasuke repetiu, enfatizando cada sílaba.

– É melhor soltá-lo, Psiquê – Eros interferiu. – Ele está sendo amável com você agora, mas pode romper seu controle ainda mais facilmente que eu, graças à mamãe. E, se ele fizer isso, você sairá ferida.

Psiquê abaixou a mão.

Sasuke soltou Eros. – Eu não o acho divertido, Cupido. Aliás, não acho nada disso engraçado. Agora, onde está Príapo?

– Inferno, eu não sei! Da última vez que soube algo, ele estava se divertindo no sul da França.

A cabeça de Sakura girava com as novas descobertas.

Ela olhava do Cupido para Psiquê. Podia ser? Eles podiam mesmo ser Cupido e Psiquê? E seriam parentes de Sasuke? Algo assim seria possível? Supôs, então, que aquilo era tão provável quanto duas mulheres bêbadas evocarem um escravo sexual grego de um livro antigo.

Viu o olhar encantado e ávido de Ino.

– Quem é Príapo? – Sakura perguntou para a amiga.

– Um deus fálico da fertilidade, que sempre foi retratado andando por aí com uma ereção – ela sussurrou.

– Por que Sasuke precisa dele? Ino encolheu os ombros. – Talvez tenha sido ele quem o amaldiçoou. Mas eis o fato engraçado: Príapo é irmão de Eros, portanto, se Sasuke é parente de um, há uma boa chance de ele ser parente do outro.

Amaldiçoado a uma eternidade de escravidão pelo próprio irmão? O pensamento deixava Sakura enjoada.

– Evoque-o – Sasuke ordenou a Eros de forma sombria.

– Faça isso você. Ele está pê da vida comigo.

– Pê da vida? Cupido respondeu em grego.

Confusa com tudo aquilo, Sakura decidiu interrompê-los e obter algumas respostas. – Desculpe-me, mas o que está acontecendo aqui? – perguntou a Sasuke. – Por que você bateu nele?

Sasuke lançou-lhe um olhar jocoso. – Porque me deu um enorme prazer.

– Ótimo! – Cupido prosseguiu falando com Sasuke, sem olhar na direção de Sakura. – Você não me vê há, quanto tempo, dois mil anos? Então, em vez ganhar um abraço amigável e fraternal, eu levo uma surra. – Ele sorriu com malícia para Psiquê. – E mamãe tenta entender por que eu não sou mais próximo dos meus irmãos.

– Não estou com disposição para o seu sarcasmo, Cupido – disse Sasuke por entre os dentes.

Cupido bufou. – Você pode parar de me chamar desse nome horrível? Nunca o suportei, e não posso acreditar que você o esteja usando, uma vez que odiava os romanos.

Sasuke sorriu friamente. – Eu só uso porque sei que você o despreza, Cupido.

Cupido cerrou os dentes, e Sakura percebeu que ele mal conteve o impulso de golpear o irmão.

– Agora, me diga uma coisa, você me evocou apenas para poder me espancar? Ou há uma razão mais produtiva para eu estar aqui?

– Honestamente, eu não achei que você se incomodaria em vir, já que me ignorou nas últimas três mil vezes que eu chamei.

– Isso porque eu sabia que você ia me bater. – Ele apontou para o rosto inchado. – O que você realmente fez.

– Então, por que veio agora? – Sasuke perguntou.

– Honestamente – disse ele, repetindo o termo usado por Sasuke –, eu achei que, a esta altura, você já estivesse morto e que eu estava sendo chamado por algum outro mortal parecido com você.

Sakura viu todas as emoções abandonarem Sasuke. Era quase como se as palavras perniciosas do Cupido tivessem matado algo dentro dele. As palavras pareceram ter amenizado os ânimos do Cupido também.

– Veja bem – continuou –, eu sei que você me responsabiliza, mas o que aconteceu com Penélope não foi culpa minha. Eu não tinha como saber o que Príapo faria quando descobrisse.

Sasuke estremeceu como se tivesse sido socado. Um sofrimento violento se refletiu nos olhos atormentados e no rosto contraído. Sakura não tinha ideia de quem era Penélope, mas ela obviamente havia significado muito para ele. – Não sabia? – ele indagou, com voz rouca.

– Juro a você, irmãozinho – Cupido falou suavemente. Olhou para Psiquê e de novo para Sasuke. – Nunca quis que ela se machucasse, e nunca quis trair você.

– Certo – Sasuke sorriu desdenhosamente. – E você espera que eu acredite nisso? Conheço você bem demais, Cupido. Você se delicia devastando vidas humanas.

– Mas ele não fez isso com você, Sasuke – disse Psiquê, em tom suplicante. – Se não acredita nele, acredite em mim. Ninguém nunca pretendeu que Penélope morresse daquela forma. Sua mãe ainda pranteia as mortes deles.

O olhar de Sasuke se endureceu. – Como você consegue mencioná-la? Afrodite tinha tanto ciúme de você que primeiro tentou casá-la com um homem horrendo e, depois, tentou matá-la para evitar que se casasse com Cupido. Para a deusa do amor, ela certamente tem muito pouco desse sentimento por qualquer um além de si mesma.

Psiquê desviou o olhar. – Não fale assim dela – Cupido repreendeu-o. – Ela é nossa mãe, e merece o seu respeito.

A raiva inflexível no rosto de Sasuke teria assustado o próprio demônio, e fez Cupido encolherse. – Nunca a defenda para mim.

Foi apenas nesse momento que Cupido reparou em Sakura e Ino.

Ele as olhou como se elas tivessem acabado de surgir ali. – Quem são elas?

– Amigas – Sasuke respondeu, para surpresa de Sakura.

A face do Cupido tornou-se dura e fria. – Você não tem amigos.

Sasuke não respondeu, mas a expressão cansada em seu rosto tocou Sakura de um modo profundo. Aparentemente inconsciente de como as palavras tinham sido cáusticas, Cupido moveu-se de um jeito despreocupado para o lado de Psiquê.

– Você ainda não me disse por que é tão importante encontrar Príapo.

A mandíbula de Sasuke se contraiu. – Porque ele me amaldiçoou a uma eternidade de escravidão, da qual eu não consigo me libertar. Quero Príapo aqui apenas por tempo suficiente para começar a arrancar dele partes que não crescem de novo.

Cupido empalideceu. – Céus, ele teve coragem de fazer isso! Mamãe o teria matado se soubesse.

– Você espera mesmo que eu acredite que ele fez isso sem o conhecimento dela? Não sou tão estúpido, Eros. Aquela mulher não poderia se importar menos com o que acontece comigo.

O irmão meneou a cabeça. – Não comece com isso. Quando eu lhe ofereci os dons dela, você me mandou enfiá-los no meu orifício traseiro. Lembra?

– Eu me pergunto o motivo – Sasuke falou com sarcasmo. – Zeus me expulsou do Olimpo horas após o meu nascimento, e Afrodite nunca se preocupou em argumentar com ele. Sempre que algum de vocês se aproximou de mim, impingiam alguma forma de tortura. – Ele lançou-lhe um olhar mortal. – Antes que um cachorro se torne mau, ele precisa ser chutado muitas vezes.

– Certo, tem razão, poderíamos ter sido um pouco mais agradáveis com você, mas...

– "Mas" nada, Cupido. Nenhum de vocês nunca deu a mínima para mim. Especialmente ela.

– Não é verdade. Mamãe nunca superou o fato de você ter virado as costas para ela. Você era o favorito.

Sasuke zombou. – E isso é o motivo de eu estar preso em um livro nos últimos dois mil anos?

Sakura sofria por ele. Como Cupido podia ficar ali, escutando aquilo e não fazer tudo ao seu alcance para salvar o irmão de um destino pior do que a morte? Não era de surpreender que Sasuke os maldissesse. De repente, Sasuke agarrou a faca do cinto de Cupido e cortou o próprio pulso. Sakura arquejou, horrorizada, mas antes que terminasse de emitir um som a ferida de Sasuke curou-se por completo, sem deixar uma única gota de sangue.

Cupido arregalou os olhos. – Diabos! – ele sussurrou. – Essa é uma das adagas de Hefesto.

– Eu sei – Sasuke devolveu-lhe a adaga.

– Até mesmo você pode ser morto por uma dessas, mas eu não posso. Fui completamente condenado por Príapo.

Sakura viu o terror nos olhos de Cupido, quando ele se deu conta da gravidade da sentença do irmão.

– Sabia que ele odiava você, mas nunca achei que se rebaixaria tanto. Céus, no que ele estava pensando?

– Não me importo com o que ele estava pensando. Quero apenas me libertar.

Cupido assentiu. Pela primeira vez, Sakura identificou solidariedade e preocupação no rosto dele. – Certo, irmãozinho. Uma coisa de cada vez. Aguente firme aqui e deixe-me ir encontrar mamãe e ver o que ela tem a dizer. – Se ela me ama tanto quanto você diz, por que não evocá-la aqui para que eu fale diretamente com ela?

Cupido fitou-o com enfado. – Porque da última vez em que eu mencionei o seu nome, ela chorou por um século. Você realmente a magoou.

Embora a postura e o rosto de Sasuke estivessem rígidos e frios, Sakura sentia que ele sofrera tanto quanto a mãe. Se não mais. – Vou conversar com ela e voltarei para encontrá-lo em breve – Cupido falou, passando um braço pelos ombros de Psiquê. – Certo?

De súbito, Sasuke agarrou o colar no pescoço do Cupido e o arrancou com um puxão. – Ei! – gritou Cupido. – Cuidado com isso.

Sasuke enrolou a corrente no pulso e deixou o pequeno arco balançar.

– Desta forma, eu sei que vai voltar.

Parecendo bastante irritado, Cupido esfregou o pescoço. – Tome conta disso. Esse arco é perigoso nas mãos erradas.

– Não tema. Eu me lembro bem da ferroada dele.

Os dois trocaram um olhar de entendimento precavido. – Vejo você mais tarde.

Cupido bateu palmas, e ele e Psiquê sumiram em uma lufada de fumaça dourada.

Sakura recuou um passo, com a mente em um turbilhão. Não conseguia acreditar no que acabara de ouvir e ver. – Devo estar sonhando – ela sussurrou. – Ou assisti a episódios demais de Xena, a princesa guerreira.

– Ela ficou imóvel enquanto se esforçava para digerir tudo aquilo.

– Isso não pode ter sido real. Deve ter sido algum tipo de alucinação.

Sasuke deu um suspiro cansado. – Gostaria de ter a opção de acreditar nisso.

– Meu Deus, aquele era Cupido! – Ino exclamou excitadamente. – Cupido! O verdadeiro. O pequeno e gracioso querubim que parte corações.

Sasuke zombou dessas palavras. – Cupido é qualquer coisa, exceto gracioso. Quanto aos corações, é mais provável que ele os arranque.

– Mas ele pode fazer as pessoas se apaixonarem.

– Não – Sasuke apertou o colar com mais força. – O que ele oferece é uma ilusão. Nenhum poder do além pode fazer um humano amar outro. O amor vem de dentro do coração. – Havia um tom assombrado na voz dele. Sakura encarou-o. – Você diz isso como se soubesse.

– Eu sei.

Ela sentia a dor de Sasuke como se fosse a sua.

Tocou-o de leve no braço. – Foi isso o que aconteceu com Penélope? – perguntou baixinho.

Com uma expressão torturada, ele desviou o olhar. – Há algum lugar onde eu possa cortar o meu cabelo? – ele indagou inesperadamente.

– O quê? – Sakura perguntou, sabendo que ele mudava de assunto para evitar responder sua pergunta. – Por quê?

– Não quero nada que me lembre deles.

O pesar e o ódio naquele rosto eram tangíveis. Com relutância, ela assentiu.

– Há um lugar no shopping.

– Por favor, me leve até lá.

Sakura conduziu Sasuke e Ino até o salão de beleza no Jackson Brewery. Ninguém falou mais nada até que a cabeleireira o acomodou na cadeira.

– Tem certeza de que quer que eu corte isto? – a mulher perguntou, passando as mãos com adoração pelos longos fios negros. – São deslumbrantes. A maioria dos homens fica horrível com cabelos compridos, mas eles caem muito bem em você e são tão bonitos e macios! Eu adoraria saber o que usa para condicioná-los.

A face de Sasuke permaneceu impassível. – Corte-os.

A delicada morena olhou para Sakura por sobre o ombro. – Sabe, se eu pudesse passar a minha mão nestes cabelos, ficaria um pouco aborrecida por ele querer decepá-los.

Sakura sorriu para si mesma. Se a mulher soubesse...

– Os cabelos são dele.

– Está bem – ela concordou com um suspiro melancólico e os cortou até os ombros.

– Mais curtos – disse Sasuke, quando ela se afastou.

– Tem certeza?

Ele anuiu.

Sakura observou em silêncio enquanto a cabeleireira cortava-lhe os cabelos em um estilo bonito, ao redor do rosto,. Como se fosse possível, ele estava ainda mais deslumbrante do que antes.

– Como ficou? – a mulher perguntou-lhe ao terminar.

– Está bom – Sasuke respondeu. – Obrigado.

Sakura deu uma gorjeta para ela antes de ir pagar pelo corte.

Olhando para Sasuke, ela sorriu. – Agora você parece pertencer a este lugar.

Ele virou a cabeça para a esquerda de repente, como se ela o tivesse esbofeteado.

– Isso ofendeu você? – ela indagou, preocupada que o tivesse magoado de alguma forma. S

abia que essa era a última coisa de que ele precisava.

– Não. Porém, em seu íntimo, ela sabia que algo a respeito de seu comentário inocente o magoara. Profundamente.

– Então – disse Ino, enquanto se misturavam à multidão no shopping –, você é o filho de Afrodite?

Ele a olhou de lado. – Não sou filho de ninguém. Minha mãe me abandonou, meu pai me rejeitou e eu fui criado em um campo de batalha espartano sob o punho de quem estivesse por perto.

Aquelas palavras partiram o coração de Sakura. Não era de surpreender que ele fosse tão duro. Tão forte. Imaginou se alguém já o abraçara com carinho. Apenas uma vez, sem exigir que ele a agradasse antes. Sasuke andou à frente delas, e Sakura observou a forma sinuosa como ele se movia.

Como um predador esplendoroso e mortal. Ele tinha os polegares enfiados nos bolsos dianteiros do jeans e parecia alheio às mulheres que o olhavam embasbacadas, suspirando quando ele passava.

Ela podia apenas imaginar como ele teria sido em sua época, usando uma armadura de batalha. Dada a arrogância e os movimentos, Sasuke devia ter sido um lutador feroz.

– Ino, eu não li na faculdade que os espartanos espancavam os filhos todos os dias apenas para verem quanta dor eles podiam suportar? – Sakura indagou.

Sasuke respondeu por ela. – Eles faziam isso. E, uma vez por ano, promoviam competições para ver quem conseguia suportar o espancamento mais cruel antes de gritar.

– Muitos deles morriam nessas competições – Ino acrescentou. – Ou durante o espancamento, ou mais tarde, em decorrência das feridas.

Tudo se encaixou para Sakura. As palavras que ele dissera anteriormente a respeito de ser treinado em Esparta, e seu ódio pelos gregos.

Ino lançou um olhar triste para Sakura, antes de virar-se para Sasuke e dizer: – Sendo o filho de uma deusa, imagino que você consiga suportar muito.

– Sim, eu consigo – ele se limitou a responder, a voz desprovida de emoções.

Sakura nunca quisera tanto abraçar alguém como queria abraçar Sasuke naquele instante. Mas ela sabia que sua atitude não seria bem recebida.

– Sabem – Ino começou a falar e, pela expressão da amiga, Sakura entendeu que ela tentava elevar os ânimos –, estou com um pouco de fome. Por que não comemos um hambúrguer no Hard Rock?

Sasuke ergueu as sobrancelhas. – Por que eu constantemente sinto que vocês estão falando uma língua estrangeira? O que "comer um hambúrguer no Hard Rock" significa?

Sakura riu. – O Hard RockCafé é um restaurante.

Ele pareceu espantado. – Vocês comem em um lugar que anuncia que a comida é dura como pedra? Ela riu ainda mais. Como sempre associara o nome do lugar à música rock, nunca imaginara uma interpretação como aquela!

– É muito bom. Venha, vou lhe mostrar.

Eles saíram do shopping e atravessaram o estacionamento rumo ao Hard RockCafé. Por sorte, não precisaram esperar muito até que a recepcionista os chamasse para uma mesa.

– Ei! – disse um sujeito quando eles se aproximaram da moça. – Chegamos aqui primeiro. Ela olhou para o homem de forma cortante.

– A sua mesa ainda não está pronta.

– Então, virou-se com um par de olhos melosos para Sasuke e abriu um enorme sorriso. – Se puder me seguir, por favor... A mulher balançava exageradamente os quadris ao andar.

Sakura lançou para Ino um olhar zombeteiro, enquanto indicava em silêncio as ações da garota.

– Não critique. Isso nos colocou na frente de dez outras pessoas.

A recepcionista os conduziu até um lugar nos fundos do restaurante. – Agora pode ficar aqui – disse ela, tocando Sasuke de leve no braço –, eu vou garantir que seu pedido chegue logo.

– O que nós somos, invisíveis? – Sakura indagou, quando a moça afastou-se.

– Estou começando a achar que sim – respondeu Ino ao acomodar-se no assento virado para a parede dos fundos.

Sakura deslizou no assento oposto.

Como esperado, Sasuke sentou-se ao seu lado. Ela lhe entregou o cardápio.

– Eu não consigo ler isto – disse ele, devolvendo-o.

– Oh! – Sakura ficou embaraçada por não ter pensado nisso. – Acho que eles não ensinavam soldados da Antiguidade a ler.

Ele passou a mão no queixo, parecendo um pouco aborrecido com o comentário. – Na verdade, ensinavam, sim. O problema é que me ensinaram a ler e a escrever em grego antigo, latim, sânscrito, hieróglifos egípcios e outras línguas mortas há muito tempo. Em suas próprias palavras, este cardápio é grego para mim.

Sakura encolheu-se. – Você não vai me deixar esquecer que escutou tudo o que eu disse a seu respeito antes que aparecesse, não é?

– Provavelmente não.

Quando ele colocou o braço sobre a mesa, Ino ofegou.

– Isso é o que eu penso que é? – indagou, tocando-lhe a mão.

Para surpresa de Sakura, Sasuke permitiu que Ino pegasse sua mão direita e olhasse o anel em seu dedo.

– Testuda, você viu isto?

Sakura inclinou-se para a frente, a fim de olhar o anel.

– Na verdade, não. Eu estive um pouco distraída. Um pouco distraída, sim! Isso seria como dizer que o Monte Everest era uma lombada.

Mesmo sob a luz fraca, o ouro reluzia. Na parte de cima, que era plana, estava gravada uma espada cercada por folhas de louro, incrustada com o que pareciam ser rubis e esmeraldas.

– É lindo – disse Sakura.

– É um anel de general, não é? – Ino indagou. – Você não era apenas um soldado comum. Você era um maldito general!

Sasuke assentiu severamente. – Sim.

Ino soltou um suspiro respeitoso. – Testuda, você não tem ideia! Para ter um anel desses, Sasuke era alguém muito importante em sua época. Eles não entregavam isso para todo mundo. – Meneou a cabeça. – Estou impressionada.

– Não fique – Sasuke falou.

Pela primeira vez na vida, Sakura invejou Ino pelo doutorado em história antiga. Porca conhecia muito mais a respeito de Sasuke e do mundo dele do que ela jamais esperaria saber. Porém, não precisava de um título para compreender como havia sido terrível para ele transformar-se de um comandante dos homens em um escravo das mulheres.

– Aposto que você era um general notável – disse Sakura.

Sasuke voltou sua atenção para ela, detectando sinceridade na voz de Sakura. Por alguma razão imperscrutável, o elogio causou-lhe satisfação.

– Eu me virava bem.

– Aposto que você detonou muita gente – ela falou.

Ele sorriu. Não pensava em suas vitórias há séculos. – Eu detonei alguns romanos.

Sakura riu ao ouvi-lo usar a mesma gíria que ela. – Você aprende rápido.

– Ei – Ino interrompeu-os –, posso ver o arco do Cupido?

– Ah, sim, podemos ver? – Sakura pediu.

Sasuke tirou-o do bolso e colocou-o sobre a mesa.

– Cuidado – ele avisou Ino, ao vê-la estender a mão para tocá-lo.

– A flecha dourada está armada. Uma ferroada e você vai se apaixonar pela próxima pessoa que vir.

Ela afastou a mão.

Sakura pegou o garfo e usou-o para puxar o arco em sua direção. – É assim mesmo tão pequeno?

Sasuke sorriu. – Você já ouviu dizer que "tamanho não é documento"?

Ela revirou os olhos. – Não quero escutar isso de um homem tão grande quanto você.

– Testuda! – Ino exclamou, ofegante. – Nunca escutei você falar assim antes.

– Isso foi extremamente suave, considerando o que vocês dois têm me dito nos últimos dias.

Sasuke estendeu a mão e afastou os cabelos de Sakura para trás do ombro dela.

Desta vez, ela não se encolheu.

Ele estava fazendo progressos.

– Então, como o Cupido usa esta coisa? – Sakura quis saber.

Sasuke deslizou suavemente os dedos pelos fios sedosos do cabelo dela. Mesmo sob a fraca luz, eles brilhavam. Desejava que cobrissem seu peito nu. Queria enterrar o rosto neles e senti-los acariciar sua face.

Fechando os olhos, imaginou a sensação de ser envolvido por aquele corpo feminino, de escutar o som da respiração de Sakura no ouvido.

– Sasuke? – ela o chamou, tirando-o de seu devaneio. – Como o Cupido usa isto?

– Ele pode encolher até ficar do tamanho desse arco ou pode aumentar o arco para adaptar-se aos seus propósitos.

– É mesmo? – Ino indagou. – Eu não sabia disso.

A garçonete apressou-se até eles, pegando o bloquinho enquanto olhava para Sasuke com cobiça, como se ele fosse o prato do dia.

De forma imperceptível, ele deslizou o arco sobre a mesa e colocou-o de volta no bolso.

– Desculpe ter feito você esperar. Se eu soubesse que não tinha sido atendido, eu teria vindo até aqui no minuto em que se sentou.

Sakura franziu o cenho para a moça. Diabos, Sasuke não podia ficar cinco segundos sem que alguma mulher se atirasse nele? Isso inclui você? O pensamento a fez refletir. Ela era como todas as outras. Admirando o traseiro firme, babando ante o corpo perfeito. Era um milagre que Sasuke suportasse permanecer perto dela.

Afundando-se no assento, Sakura prometeu a si mesma que não o trataria daquela forma. Ele não era um pedaço de carne. Era uma pessoa e merecia ser tratado com respeito e dignidade.

Ela fez os pedidos dos três e, quando a garçonete voltou com as bebidas, serviu-lhes uma porção de asinhas de frango fritas.

– Não pedimos isso – disse Ino. – Eu sei – a garota respondeu e sorriu para Sasuke. – Estamos muito ocupados na cozinha, e a comida vai demorar alguns minutos a mais para ficar pronta. Achei que podia estar com fome e trouxe isto. Se não gostar, posso pegar outra coisa. Mas não se preocupe, é por conta da casa. Então, você prefere outra coisa?

Oh, o duplo sentido era óbvio e fez Sakura querer agarrar os cabelos e arrancá-los pela raiz.

– Está ótimo, obrigado – Sasuke respondeu.

– Oh, meu Deus, você poderia falar algo mais para mim? – a garota pediu, praticamente desfalecendo. – Oh, diga o meu nome! É Mary .

– Obrigado, Mary.

– Oh... – a garota murmurou. – Isso me dá arrepios.

Com um último olhar desejoso para Sasuke, ela se afastou.

– Não acredito nisso – disse Sakura. – As mulheres sempre fazem isso com você?

– Sim – respondeu Sasuke, em tom raivoso. – É por isso que odeio ir a lugares públicos.

– Não reclamem. – Ino pegou uma asinha de frango. – Isso é bem conveniente. Na verdade, acho que deveríamos levá-lo para sair com mais frequência.

Sakura emitiu um ruído de escárnio. – Sim, bem, se aquela criatura rabiscar o nome e o telefone na conta antes de entregá-la, eu serei obrigada a machucá-la.

Ino gargalhou.

Antes que Sakura pudesse dizer algo, o Cupido entrou no restaurante e se aproximou da mesa. O lado esquerdo de seu rosto revelava uma clara contusão onde Sasuke o acertara.

Ele tentava parecer despreocupado, mas Sakura sentia a tensão, como se ele estivesse preparado para fugir a qualquer momento. Ele franziu o cenho ao avistar os cabelos curtos de Sasuke, mas, sem dizer nada, sentou-se ao lado de Ino.

– E então? – Sasuke indagou.

Cupido suspirou. – Você quer as notícias más ou as piores?

– Oh, vamos ver... o que me diz de alegrar o meu dia e começar com o pior, para então ir melhorando?

Cupido assentiu. – Certo. No pior cenário, a maldição provavelmente nunca será desfeita.

Sasuke encarou a notícia melhor do que ela, apenas assentindo em aceitação.

Sakura apertou os olhos. – Como você pode fazer isso com ele? Meu Deus! Meus pais teriam movido céus e terra para me ajudar, e aí está você sem nem mesmo um sinto muito para ele. Que tipo de irmão é você?

– Sakura – Sasuke alertou-a –, não o desafie. Não há como saber as consequências disso.

– É isso mesmo, mort...

– Se você a tocar – Sasuke interrompeu-o –, eu vou pegar essa adaga em sua cintura e arrancar seu coração com ela.

Cupido afastou-se de Sasuke.

– A propósito, você deixou de fora alguns detalhes realmente importantes.

Sasuke lançou-lhe um olhar semicerrado. – Tais como?

– Tais como o pequeno fato de você ter feito sexo com uma das virgens de Príapo. Cara, no que estava pensando? Você nem mesmo se incomodou em remover o manto dele, que ela estava usando quando a possuiu. Sabia no que estava se metendo. Por que fez algo assim?

– Não sei se você se lembra, mas eu estava com muita raiva dele na época – ele respondeu amargamente. – Então você devia ter escolhido uma das seguidoras de mamãe. Era para isso que elas estavam lá.

– Não foi mamãe quem matou minha mulher. Foi Príapo.

Sakura sentiu os pulmões se apertarem ao ouvir aquilo. Ele estava falando sério?

Cupido ignorou a hostilidade. – Bem, Príapo ainda está com raiva. Ele parece enxergar isso como o derradeiro insulto, no que diz respeito a você.

– Oh, entendo – Sasuke resmungou. – O irmão mais velho está bravo comigo por ousar dormir com umas de suas virgens consagradas, enquanto eu devia ficar sentado e permitir que ele assassinasse minha família por capricho? – A fúria em seu tom dele fez um arrepio percorrer a espinha de Sakura. – Você se incomodou em perguntar a Príapo por que foi atrás deles?

Cupido esfregou os olhos, expirando profundamente. – Sim. Lembra quando você marchou e derrotou Lívio fora de Conjara? Lívio exigiu vingança contra você antes que o decapitasse.

– Era guerra.

– E sabe o quanto Príapo sempre o odiou.

Ele estava procurando uma brecha para ir atrás de você sem medo de desforra, e você proporcionou isso a ele. Sakura olhou para Sasuke, mas o rosto dele não revelava emoções. – Você disse a Príapo que eu queria vê-lo? – Sasuke perguntou.

– Você está louco? Inferno, não! Eu mencionei o seu nome e ele ficou furioso. Disse que você podia apodrecer no Tártaro para sempre. Acredite em mim, você não vai querer estar perto dele.

– Oh, acredite em mim, eu quero, sim.

Cupido assentiu. – É, mas se você matá-lo terá que lidar com Zeus, Tisífone e Nêmesis.

– Você acha que me assustam?

– Eu sei que não, mas eu realmente não quero vê-lo morrer daquele jeito. E se deixasse de ser obstinado por três segundos, perceberia isso. Vamos lá, você quer mesmo atrair a cólera do grande homem? Pelo olhar de Sasuke, Sakura diria que ele realmente não se importava. – Mas – Cupido prosseguiu – mamãe lembrou que há uma forma de romper a maldição.

Sakura prendeu o fôlego ao avistar a ponta de esperança que passou pelo rosto de Sasuke.

Ambos aguardaram que Cupido explicasse. Em vez disso, ele olhou ao redor pelo ambiente escuro do restaurante.

– Vocês acreditam que as pessoas comem essa porca... Sasuke estalou os dedos diante do rosto dele. – Como eu rompo a maldição?

Ele se recostou ao assento. – Você sabe que tudo no universo é cíclico. Isso deve terminar como começou. Uma vez que Alexandria provocou a maldição, você deve ser evocado por outra mulher de Alexander. Uma que também precise de você. Você deve fazer um sacrifício por ela e... – Cupido começou a rir.

Sasuke inclinou-se sobre a mesa e agarrou-o pelo colarinho. – E?

Ele se livrou da mão de Sasuke e controlou-se. – Bem... – Olhou Sakura e Ino. – Vocês nos dariam licença um instante?

– Sou uma terapeuta sexual – Sakura falou. – Nada que você diga vai me chocar.

– E eu não vou sair daqui até ouvir a notícia interessante! – disse Ino.

– Está bem. – Ele voltou o olhar para Sasuke. – Quando a mulher rosada evocar, você não pode pôr a sua colher no pote de geleia dela até o último dia de sua encarnação. Então, os dois devem se unir carnalmente antes da meia-noite, mantendo seus corpos unidos até o nascer do sol. Se sair do corpo dela em qualquer momento, por qualquer motivo, você imediatamente retornará ao livro e a maldição continuará.

Sasuke praguejou, desviando o olhar. – Exatamente – disse Cupido. – Você sabe como a maldição de Príapo é forte. De jeito nenhum você vai conseguir ficar trinta dias sem transar com a mulher que o evocou.

– Esse não é o problema – Sasuke afirmou por entre os dentes. – O problema é encontrar uma mulher cor de rosa para me evocar.

Nervosa e com o coração martelando no peito, Sakura inclinou-se para a frente. – O que isso significa uma mulher cor de rosa? Cupido encolheu os ombros. – Bem, ela precisa ter algo no corpo que seja róseo.

– Como por exemplo o cabelo? – ela indagou.

– Sim.

Sakura endireitou-se e viu o olhar torturado de Sasuke.

– Sasuke, meu cabelo é rosa.

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