Continuando a saga do guerreiro sedutor Sasuke da Macedônia:

OOO

Capítulo 8

Sasuke e Sakura ajudaram Ino a fechar o estande e a entrar no jipe, antes de se dirigirem para casa no trânsito de sexta-feira à noite.

– Você está quieto – ela comentou ao parar em um farol vermelho.

Observou a forma como Sasuke olhava para os outros carros na rodovia. Ele parecia perdido, como alguém preso entre o sonho e a realidade.

– Não sei o que dizer – ele respondeu após uma breve pausa.

– Diga-me como se sente.

– A respeito de quê?

Sakura riu. – Você, definitivamente, é um homem. Sabe, os homens são muito difíceis durante as consultas. Eles vão até lá e gastam 125 dólares por hora para, basicamente, não dizer nada. Nunca vou entender.

O olhar dele voltou-se para seu colo, e Sakura viu-o esfregar distraidamente o anel de general. – Você disse que era terapeuta sexual. O que exatamente é isso? Ela pôs de novo o carro em movimento. – Você e eu de alguma forma estamos no mesmo ramo. Eu ajudo pessoas que têm problemas de relacionamento. Mulheres que temem relacionar-se intimamente com homens, ou que amam com um entusiasmo exagerado.

– Ninfomaníacas?

Ela anuiu.

– Eu conheci algumas dessas – disse ele, com um suspiro.

– Aposto que sim.

– E os homens?

– Eles não são tão fáceis. Como eu disse, não falam muito. Tenho alguns casos de homens que têm ansiedade em relação ao desempenho...

– O que é isso?

– Algo que certamente você nunca terá – ela respondeu, pensando no modo arrogante como ele a perseguia constantemente. Pigarreando, explicou: – São homens que temem que as parceiras riam deles quando estiverem na cama.

– Oh.

– Também atendo alguns que têm comportamento verbalmente abusivo com as esposas e namoradas. Alguns que querem trocar de sexo...

– Podem fazer isso? – Sasuke indagou, chocado.

– Ah, sim – respondeu, com um aceno da mão. – Você ficaria surpreso com o que os médicos podem fazer hoje em dia. Sakura virou na direção de casa. Sasuke ficou em silêncio por tanto tempo que ela estava prestes a mostrar-lhe o rádio, quando ele perguntou de repente:

– Por que você quer ajudar essas pessoas?

– Não sei – ela respondeu de forma honesta. – Acho que é algo que remete à minha infância, quando eu era muito insegura. Meus pais me amavam, mas eu não sabia me relacionar com as outras crianças. Meu pai era professor de história e minha mãe era dona de casa...

– Dona de casa?

– Sim, ela ficava em casa e fazia coisas de mãe. Na verdade, eles nunca me trataram como criança. Então, quando eu me aproximava das outras crianças, não sabia o que fazer, o que dizer. Eu ficava tão assustada que tremia. Por fim, meu pai começou a me levar a um psicólogo e, depois de um tempo, eu melhorei muito.

– Exceto perto de homens.

– Essa é outra história. – Ela suspirou. – Eu era uma adolescente desajeitada e os garotos da minha escola nunca se aproximavam muito, a menos que quisessem zombar de mim.

– Zombar como?

Sakura deu de ombros com indiferença. Pelo menos agora, as antigas lembranças haviam deixado de incomodá-la. Aceitara aquilo muito tempo atrás. – Porque eu sou uma tábua, minhas orelhas se sobressaem e tenho uma testa enorme.

– É uma tábua?

– Não tenho seios.

Ela jurava que podia sentir o olhar prolongado e quente em seu peito. Virando o rosto para o lado, confirmou a sensação. De fato, ele a fitava como se ela estivesse sem camisa e no meio de...

– Você tem seios muito bonitos.

– Obrigada – disse desajeitadamente. De alguma forma, o elogio incomum agradou-a. – E você?

– Eu não tenho seios.

Sasuke disse aquilo em um tom tão sério que ela começou a gargalhar.

– Sabe que não foi isso o que eu quis dizer. Como você era quando adolescente?

– Eu já disse. Ela lhe lançou um olhar ameaçador.

– Sem brincadeira.

– Sem brincadeira. Eu lutava, comia, bebia, fazia sexo e tomava banho. Normalmente nessa ordem.

– Nós ainda estamos lidando com essa questão da intimidade, não é? – ela perguntou retoricamente. Então, assumindo seu papel de psicóloga, passou para um assunto sobre o qual talvez ele falasse com mais facilidade. – Por que não me conta como se sentiu na primeira vez que participou de uma batalha?

– Não senti nada.

– Não teve medo?

– Do quê?

– De ser morto ou mutilado?

– Não.

A sinceridade daquela única palavra desconcertou-a.

– Como é possível que não tivesse medo?

– Você não pode temer a morte quando não tem motivo para viver.

Assombrada com a resposta, Sakura avançou pela entrada para veículos de sua casa. Decidindo que era melhor desistir de discutir um assunto sério como aquele no momento, ela parou o carro e abriu o porta-malas. Sasuke pegou as sacolas e seguiu-a para dentro de casa. Subiram as escadas e Sakura pegou seu jeans confortável na primeira gaveta da cômoda. Depois, abriu algum espaço no móvel para as roupas dele.

– Bem – disse ela, pegando as sacolas vazias e jogando-as no cesto de lixo de vime perto do closet –, é sexta-feira à noite. O que gostaria de fazer? Quer sair ou prefere passar uma noite tranquila em casa?

O olhar desejoso percorreu seu corpo, aquecendo-a de imediato. – Você sabe a resposta.

– Certo. Um voto a favor de sexo e um voto contra. Posso escutar outra opção?

– Que tal uma noite agradável e tranquila em casa, então?

– Está bem.– Ela foi até o telefone no criado-mudo. – Vou verificar meus recados e depois podemos começar a fazer o jantar.

Sasuke guardou suas roupas enquanto ela entrava em contato com o serviço de mensagens. Acabara de ajeitar a última peça, quando percebeu o tom alarmado na voz de Sakura.

– Ele disse o que queria?

Virou-se para ela. Os olhos de Sakura estavam levemente dilatados, e ela agarrava o fone com força. – Por que você deu este número a ele? – ela indagou, zangada. – Meus pacientes nunca devem ter acesso ao meu telefone residencial. Você tem um supervisor com quem eu possa falar?

Sasuke foi até ela. – Há algo errado?

Sakura ergueu a mão, sinalizando para que ele aguardasse enquanto ela escutava a pessoa do outro lado da linha.

– Certo – disse após uma longa pausa. – Precisarei trocar o número de novo. Obrigada. Ela desligou o telefone e colocou-o no lugar, com a expressão preocupada.

– O que aconteceu? – ele indagou. Suspirando, irritada, ela esfregou o pescoço.

– O serviço de mensagens contratou essa garota nova que se enganou e deu o número do meu telefone de casa para um dos meus pacientes hoje.

Ela falava tão depressa que Sasuke mal conseguia acompanhá-la.

– Bem, ele não é realmente um dos meus pacientes. Eu nunca teria aceitado um homem como ele como paciente, mas Luanne, a Dra. Jenkins, não é tão exigente. E ela teve de sair às pressas da cidade semana passada, por causa de alguma emergência pessoal. Então, Beth e eu fomos obrigadas a dividir os pacientes com consulta marcada enquanto ela estivesse fora. Eu não queria esse sujeito assustador, mas Beth não trabalha às sextas-feiras e ele precisa de consultas às quartas e sextas, por causa do programa de liberdade.

Ela o fitou, com pânico nos olhos verdes.

– Mesmo assim, eu não queria atendê-lo, mas o assistente social jurou que não haveria problemas. Ele disse que o homem não era uma ameaça para ninguém.

Sasuke sentia a cabeça doer com toda aquela informação que ela despejava, e as palavras que Sakura usava não faziam sentido. – Isso é um problema?

– É um pouco assustador – ela falou, com a mão trêmula. – Ele é um perseguidor que foi solto do hospital psiquiátrico.

– Perseguidor de um hospital psiquiátrico? O que é isso?

Ao ouvir a explicação, Sasuke ficou pasmo. – Vocês deixam essas pessoas soltas na sua sociedade?

– Bem, sim. A ideia é ajudá-las.

Sasuke estava horrorizado. Que tipo de mundo era esse em que os homens se recusavam a proteger suas mulheres e crianças de algo assim?

– De onde eu venho, nós não deixávamos essas pessoas perto de nossas famílias. E, com certeza, não permitíamos que ficassem soltas em nossas ruas.

– Bem-vindo ao século XXI – disse Sakura, amargamente. – Aqui, fazemos as coisas de um jeito um pouco diferente.

Sasuke meneou a cabeça ao pensar a respeito de todas as coisas nesta época que lhe eram estranhas. Não conseguia compreender aquelas pessoas e a forma como viviam.

– Eu realmente não pertenço a este lugar – ele murmurou.

– Sasuke...

Ele se afastou quando Sakura estendeu a mão para tocá-lo. – Sakura, você sabe que é verdade. Vamos dizer que nós consigamos romper a maldição. Que bem isso me fará? O que eu vou fazer aqui? Não sei ler sua língua, não sei dirigir seu carro, nem trabalhar. Há tantas coisas que eu não entendo. Estou perdido aqui.

Sakura encolheu-se ante a angústia que ele se esforçava em ocultar. – É coisa demais. Mas nós vamos dar um passo pequeno de cada vez. Eu posso ensiná-lo a dirigir e a ler. Quanto ao trabalho... Sei que existem coisas que você pode fazer.

– Tais como?

– Não sei. Além de ser um soldado, o que mais você fazia na Macedônia?

– Eu era um comandante, Sakura. Tudo o que eu sei fazer é conduzir um exército da Antiguidade para a batalha. É isso.

Ela lhe envolveu o rosto com as mãos, fitando-o com firmeza.

– Não ouse desistir. Você disse que não tinha medo da batalha. Então, como pode ter medo disso?

– Eu apenas tenho.

Algo estranho aconteceu, quando Sakura percebeu que ele se abrira um pouco. Não muito, mas ela sabia, pela expressão de Sasuke, que ele ficara vulnerável ao admitir aquilo. Sabia, em seu coração, que ele não era o tipo de homem que admitia tais coisas com frequência.

– Eu vou ajudá-lo.

A dúvida nos olhos ónix a fez sentir um aperto no peito. – Por quê?

– Nós somos amigos – ela falou suavemente, tocando-o no rosto. – Não foi o que você disse a Cupido?

– E você escutou a resposta. Não tenho amigos.

– Agora, você tem.

Ele se inclinou e a beijou na testa, antes de puxá-la para um abraço apertado.

Sakura sentiu o aroma de sândalo e escutou o coração dele batendo com força sob sua face, enquanto os bíceps flexionavam-se perto de seu rosto. O abraço terno teve um alcance muito maior do que o de um gesto físico momentâneo; tocou-a profundamente.

– Está bem, Sakura – ele concordou baixinho. – Tentaremos fazer isso. Mas prometa que não vai me deixar machucá-la.

Ela o encarou com o cenho franzido.

– Estou falando sério. Quando eu estiver algemado, não me solte por nenhum motivo. Prometa.

– Mas...

– Prometa! – ele insistiu severamente.

– Está bem. Se você não conseguir se controlar, eu não vou soltá-lo. Mas quero que me prometa uma coisa...

Ele se afastou e fitou-a com ceticismo, mas deixou os braços confortadores ao seu redor.

– O quê?

Sakura apoiou as mãos nos braços fortes e sentiu os arrepios que se espalharam pelo corpo de Sasuke com seu toque. Ele olhou para as mãos dela com uma das expressões mais ternas que já vira. – Prometa que você não vai desistir de libertar-se – ela pediu. – Quero que você tente enfrentar essa maldição.

Ele deu um meio sorriso estranho. – Muito bem. Eu vou tentar.

– E vai conseguir.

Ele riu. – Você tem o otimismo de uma criança.

Ela retornou o sorriso. – Totalmente Peter Pan.

– Peter quem?

Com relutância, Sakura afastou-se dos braços dele e, pegando-lhe a mão, levou-o na direção do quarto.

– Venha comigo, meu escravo sexual da Macedônia, e eu vou lhe falar a respeito de Peter Pan e os Garotos Perdidos.

– Então, esse menino nunca cresceu? – Sasuke indagou enquanto eles faziam o jantar. Sakura estava espantada com o fato de ele não ter reclamado quando lhe pedira para preparar uma salada.

Ele parecia gostar de usar facas na comida. Sem vontade de investigar aquela pequena idiossincrasia, ela se concentrou no molho do espaguete.

– Não. Ele voltou para a ilha com Sininho.

– Interessante.

Ela pegou um pouco de molho com a colher. Pondo a mão sob o talher, soprou para esfriar e levou até Sasuke. – Me diga o que você acha.

Ele se inclinou e abriu a boca. Sakura levou a colher à boca de Sasuke e observou o modo como ele saboreava a comida.

– Está delicioso.

– Não está salgado?

– Está perfeito.

Ela sorriu. – Aqui – disse Sasuke, estendendo um pedaço de queijo para ela.

Sakura abriu a boca, mas ele não lhe deu o queijo. Em vez disso, aproveitou-se da boca entreaberta para dar-lhe um beijo inebriante. Deus! Ele movia a língua de uma forma incrível. E aqueles lábios... Hum, ela não queria nem pensar naqueles lábios deliciosos e no que eles eram capazes de fazer.

Ele pôs os dedos na base de suas costas e pressionou-a contra seu corpo. Misericórdia, o homem era viril! Estremeceu ao pensar em ser alvo de todo aquele vigor sexual. Conseguiria sobreviver a isso? O corpo de Sasuke se enrijeceu, e a respiração mudou. Ele estava se envolvendo, e Sakura começou a temer que, se ela não interrompesse o contato, nenhum dos dois seria capaz de se afastar. Por mais que detestasse deixar o abraço quente, ela deu um passo para trás.

– Sasuke, comporte-se.

Ofegante, ele lutou consigo mesmo, arrastando um olhar faminto pelo corpo dela.

– Seria muito fácil me comportar, se você não parecesse tão deliciosa.

As palavras a chocaram tanto que ela chegou a rir.

– Sinto muito – disse ao ver o olhar irritado. – Precisa se lembrar de que, ao contrário de você, eu não estou acostumada a ouvir esse tipo de coisa. O maior elogio que já ouvi de um homem foi quando Rock Lee veio me pegar para o baile de formatura. Ele me olhou e disse: "Diabos, você se ajeitou melhor do que eu esperava".

Sasuke fez uma carranca. – Eu me preocupo com os homens da sua época, Sakura. Todos parecem ser grande tolos.

Rindo de novo, ela o beijou de leve no rosto e foi tirar o macarrão do fogo. Ao colocar a massa no escorredor, lembrou-se do pão.

– Você pode checar os pãezinhos?

Sasuke foi até o forno e inclinou-se, presenteando-a com uma deliciosa visão do traseiro firme.

Sakura mordeu o lábio inferior, contendo-se para não ir até lá e acariciá-lo.

– Estão quase queimando.

– Oh, droga! Você pode tirá-los? – ela perguntou, tentando não derrubar a água fervente.

– Claro. Sasuke pegou o pano de prato no balcão e começou a retirá-los do forno. De repente, ele soltou uma imprecação. Virando-se, Sakura viu que o tecido pegara fogo.

– Aqui! – disse, saindo do caminho.

– Coloque na pia.

Ele fez isso, mas não antes que parte da forma tocasse na mão dela.

Sakura emitiu um ruído de dor. – Eu machuquei você? – ele perguntou.

– Só um pouquinho.

Sasuke fez uma careta ao pegar sua mão e examinar a queimadura.

– Desculpe. – Ele pôs a ponta do dedo dela na boca. Atordoada, ela não conseguiu se mexer enquanto ele passava a língua ao redor da pele sensível de seu dedo. Apesar da sensação de ardor, era bom. Muito bom.

– Você não está ajudando minha queimadura – ela sussurrou.

Com o dedo de Sakura ainda na boca, ele sorriu com malícia e estendeu a mão atrás das costas para abrir a torneira. Passou a língua mais uma vez pelo dedo, antes de mover a mão dela para baixo da corrente fria. Mantendo-a sob a água, pegou um pedaço de babosa no vasinho que estava no parapeito.

– Como você sabe sobre a planta? – ela perguntou.

– Seus poderes curativos eram conhecidos antes mesmo de eu nascer.

Arrepios percorreram sua espinha enquanto ele esfregava o gel pegajoso em seu dedo.

– Melhor?

Ela assentiu.

Com um olhar intenso, ele fitou desejosamente seus lábios, como se pudesse sentir-lhes o gosto.

– Acho que vou deixar você lidar com o forno de agora em diante – ele falou. – Provavelmente, será melhor.

Passando por ele, Sakura retirou os pães da forma antes que queimassem. Ela preparou dois pratos antes de levar Sasuke até a sala de estar para comerem sentados no chão ao lado do sofá enquanto assistiam Matrix.

– Eu adoro esse filme – ela comentou.

Sasuke colocou o prato na mesinha de centro e sentou-se ao lado dela. – Você sempre come no chão? – ele indagou antes de levar à boca um pedaço de pão.

Fascinada com a harmonia dos movimentos de Sasuke, ela observou o modo como a mandíbula se flexionava enquanto ele mastigava. Havia alguma parte daquele corpo másculo que não fosse apetitosamente linda? Estava começando a compreender por que as outras mulheres que o evocaram o tinham tratado daquela forma. A ideia de mantê-lo trancado em um quarto por um mês estava começando a atraí-la seriamente. E eles ainda tinham aquelas algemas...

– Bem – ela começou a dizer, forçando-se a desviar os pensamentos da imagem da gloriosa pele nua em seu colchão –, eu tenho uma mesa de jantar, mas como sou apenas eu na maioria das noites, costumo tomar uma sopa no sofá.

Com habilidade, ele girou o garfo na concavidade da colher até enrolar o macarrão. – Você precisa de alguém para cuidar de você – disse e levou o talher à boca.

Sakura deu de ombros. – Eu mesma faço isso.

– Não é a mesma coisa.

Ela franziu as sobrancelhas. Algo no tom de Sasuke revelou que ele não estava se referindo ao fato de ela ser mulher. As palavras provinham do coração e da experiência.

– Acho que todos precisamos de alguém que cuide de nós, não é? – ela sussurrou.

Sasuke voltou o olhar para a TV, mas não antes que ela avistasse o brilho saudoso nos olhos negros. Sakura observou-o assistir ao filme por diversos minutos. Mesmo distraído, ele tinha os modos mais impecáveis que já vira.

Ela espalhava molho de espaguete por todo o lado, e ele nunca deixava uma gota sequer salpicar.

– Mostre-me como faz isso – ela pediu.

Ele a fitou com curiosidade. – Faço o quê?

– Essa coisa com a colher. Está me deixando louca. Nunca consigo fazer os fios do macarrão pararem nos dentes do garfo. Eles se espalham de um modo desajeitado e fazem uma bagunça.

– E nós, com certeza, não podemos ter grandes fios de macarrão se espalhando e fazendo uma bagunça, não é?

Sakura riu, sabendo que ele não se referia ao espaguete.

– De qualquer forma, como faz isso?

Ele tomou um gole de vinho e pôs a taça de lado.

– Vai ser mais fácil que eu mostre dessa forma. – Espremeu-se entre ela e o sofá.

– Sasuke... – ela o alertou.

– Estou apenas mostrando o que você quer saber.

– Hum... – ela murmurou em dúvida.

Ainda assim, não conseguiu evitar senti-lo por inteiro. Ele parecia tocar-lhe a alma. O calor do peito forte espalhou-se por suas costas, enquanto ele a envolvia com os braços maravilhosos.

Sasuke flexionou as pernas ao lado dela. E, quando ele se inclinou para a frente, Sakura sentiulhe o corpo excitado. Pela primeira vez, não se chocou. Estranhamente, estava se acostumando com aquilo.

Quando o corpo ágil e delgado moveu-se ao seu redor, a força e o vigor que dele emanavam a deixaram ofegante e insegura. Sentimentos desconhecidos a atingiram com uma intensidade que nunca experimentara. O que havia em Sasuke que a fazia sentir-se tão feliz e segura? Se essa era a maldição, devia ser renomeada, pois não havia nada de malévolo nas sensações passeando por ela.

– Vamos lá – ele sussurrou em seu ouvido, provocando-lhe arrepios. Tomando suas mãos entre as dele, seguraram juntos os talheres. Sasuke fechou os olhos ao aspirar o doce e agradável aroma floral que se desprendia dos cabelos sedosos. Precisou de toda a sua força de vontade para concentrar-se na tarefa que desempenhava, desviando os pensamentos do desejo ardente de fazer amor com ela.

Os dedos de Sakura deslizavam de forma provocante entre os seus, amplificando sua consciência da pele quente e macia. Um novo tipo de desespero apoderou-se dele. Era algo que não conseguia nomear. Sabia o que desejava dela, e não era apenas o corpo. No entanto, não ousava pensar naquilo. Não ousava ter esperanças. Ela estava além de seu alcance. Sabia disso, em seu coração e em sua alma. E nem todo o anseio do mundo mudaria o fato básico de que ele não era digno de uma mulher como ela. Nunca fora digno...

Abrindo os olhos, Sasuke ensinou-lhe a usar a colher como apoio para que os fios se enrolassem no garfo.

– Vê? – ele sussurrou, levando o talher aos lábios dela. – É simples.

Sakura abriu a boca e Sasuke colocou delicadamente o espaguete em sua língua. Ao deslizar lentamente o garfo para fora, ele sentiu como se estivesse esticado em um instrumento de tortura.

Seu coração batia em um ritmo violento e frenético, enquanto o bom-senso lhe dizia para afastar-se de Sakura. Mas ele não conseguiu. Estivera por tanto tempo sem uma companhia. Tanto tempo sem uma amiga... Não podia afastar-se agora. Não sabia como. Portanto, continuou alimentando-a. Sakura inclinou-se para trás, acomodando-se no abrigo dos braços fortes. Soltou as mãos das dele e deixou-o assumir o controle.

Ao engolir a porção seguinte, pegou um pedaço de pão e levou-o à boca de Sasuke, que mordiscou seus dedos. Sorrindo, ela o afagou no rosto enquanto ele mastigava.

Admirou a forma como a mandíbula dele se flexionava sob sua mão. Adorava o jeito como o corpo dele se movia, como ondulava com todas as atividades, fossem pequenas ou grandes. Uma mulher nunca se cansaria de contemplar aquele homem. Enquanto ela tomava um gole de vinho, Sasuke roubou um pouco de seu espaguete.

– Ei – ela o provocou –, isso é meu.

Os ónix brilharam quando ele sorriu, antes de dar-lhe mais um pouco de macarrão. Mastigando, Sakura levou aos lábios dele um pouco de seu vinho. Infelizmente, ela calculou mal e tirou a taça cedo demais, derramando um pouco no queixo dele e na camisa.

– Desculpe! – Apressou-se em enxugar-lhe o queixo com os dedos, e as costeletas roçaram sua pele.

– Céus, eu sou péssima nisso!

Sasuke não pareceu se importar. Pegando a mão dela, sugou o vinho das pontas de seus dedos. Sakura gemeu. Fagulhas de prazer espalharam-se por seu corpo ao senti-lo deslizar a língua por seus dedos e mordiscá-los de leve.

Um por um, ele os limpou lentamente. E, ao terminar, capturou seus lábios. Não foi um beijo ardente, como aqueles aos quais estava acostumada e que ele usava para seduzi-la e devorá-la. Esse tinha um toque gentil e comedido. Os lábios eram leves e exploratórios. Ele se afastou.

– Ainda está com fome? – ele indagou.

– Sim – ela sussurrou em resposta, não se referindo exatamente à comida, mas à necessidade que sentia dele. Sasuke deu-lhe outra garfada de espaguete.

E, quando ela quis saciar-lhe a sede de novo, ele tomou sua mão entre a dele, provocando-a com os olhos. Ficaram daquele jeito, alimentando-se tranquilamente e deleitando-se com a companhia um do outro até o fim do filme, quando Sasuke de repente interessou-se pelas cenas de luta.

– Suas armas são fascinantes – ele comentou. – Acho que um general pensaria assim.

Ele desviou o olhar para ela e de volta para o filme. – Do que gosta mais nisso?

– Das alegorias.

Ele anuiu. – Vejo muito de Platão.

– Você conhece Platão? – ela indagou, surpresa.

– Eu o estudei quando era jovem.

– É mesmo?

Ele não pareceu divertido. – Eles conseguiam nos ensinar algumas coisas, enquanto estavam nos espancando.

– Você está sendo impertinente.

– Um pouco.

Após o término do filme, Sasuke ajudou-a a limpar a cozinha. Ela colocava a louça na máquina quando o telefone tocou.

– Volto em um segundo. Correu até a sala de estar para pegar o aparelho.

– Sakura, é você?

Ela se espantou ao ouvir a voz de Rodney Carmichael.

– Olá, Sr. Carmichael – atendeu friamente. Sentiu vontade de matar Luanne por ela ter saído da cidade. Atendera Rodney apenas uma vez, na quarta-feira anterior, mas fora suficiente para fazê-la desejar contratar um investigador para encontrar Luanne e trazê-la de volta. O homem lhe provocava arrepios.

– Onde você esteve hoje, Sakura? Não está doente, está? Eu poderia levar para você um...

– Lisa não remarcou sua consulta?

– Sim, mas eu estava pensando que poderíamos...

– Veja bem, Sr. Carmichael, eu não atendo pacientes em casa. Verei o senhor no horário da sua consulta. Certo?

A linha ficou muda. – Sakura?

Ela pulou e gritou ao ouvir a voz de Sasuke atrás de si. Ele a encarava com um olhar curioso, que teria sido engraçado se ela não estivesse apavorada.

– Você está bem? – ele perguntou.

– Sim. Sinto muito. – Ela pôs o fone no gancho. – Era apenas aquele paciente de quem lhe falei. Rodney Carmichael. Ele me estressa.

– O quê?

– Ele me deixa nervosa. – Pela primeira vez, estava mais do que grata pela presença de Sasuke. Caso ele não estivesse ali, teria ido para a casa de Ino e Shikamaru abusar da hospitalidade deles pelo resto do fim de semana.

– Venha. – Apagou a luz da cozinha. – Por que não subimos e eu começo a ensiná-lo a ler?

Ele meneou a cabeça. – Você não desiste mesmo, não é?

– Não.

– Está bem – ele concordou, seguindo-a. – Vou deixá-la me ensinar, mas apenas se colocar seu baby-doll vermelho...

– Não, não e não. – Ela parou na escada e voltou-se para fitá-lo. – Acho que não.

Ele estendeu a mão e afastou o cabelo de seu ombro. – Você não sabe que eu preciso de uma musa para me inspirar a aprender? E que musa melhor do que você em seu...

Ela colocou os dedos sobre os lábios de Sasuke, interrompendo-o.

– Se eu colocar aquilo, duvido que você vá aprender alguma coisa que já não saiba. Ele acariciou seus dedos com os dentes.

– Prometo que vou me comportar.

Mesmo sabendo que era uma péssima ideia, deixou que ele a persuadisse.

– É melhor você se comportar – ela avisou por sobre o ombro e continuou subindo a escada até seu quarto. Sakura entrou no closet grande, que seu pai transformara em uma pequena biblioteca anos atrás, e procurou entre os livros nas prateleiras até encontrar uma cópia antiga de Peter Pan.

Sasuke vasculhou as gavetas até achar o maldito traje. Eles trocaram os itens no centro do quarto. Sakura correu para o banheiro e mudou de roupa, mas, assim que se viu no baby-doll vermelho, imobilizou-se. Ai! Se Sasuke a visse naquilo, sairia correndo do quarto.

Incapaz de suportar a humilhação de vê-lo desapontado com seu corpo, ela tirou o baby-doll, pôs sua camiseta cor-de-rosa e enrolou-se no grosso robe antes de retornar para o quarto.

Sasuke meneou a cabeça ao avistá-la. – Por que você está usando isso?

– Veja, eu não sou uma idiota. Não tenho o tipo de corpo que faz os homens babarem.

– O que está tentando me dizer? Você é um homem?

Ela franziu o cenho ante aquela lógica. – Não.

– Então, como sabe o que os homens querem olhar?

– Porque eles nunca olham, certo? Os homens não me olham com cobiça como as mulheres fazem com você. Droga, eu tenho sorte se eles perceberem que sou mulher!

– Sakura – ele sussurrou, dirigindo-se aos pés da cama –, venha aqui.

Quando ela obedeceu, Sasuke posicionou-a diante do grande espelho.

– Diga-me o que você vê – ele pediu.

– Você.

Ele sorriu para o seu reflexo e, inclinando-se, apoiou o queixo no ombro dela.

– O que você vê quando olha para si mesma?

– Alguém que precisa perder de seis a nove quilos e comprar um estoque de creme clareador para as sardas e diminuir a testa. Ele não pareceu achar divertido.

Estendeu as mãos ao redor de sua cintura até a parte da frente do robe, onde a faixa o mantinha fechado.

– Deixe-me dizer para você o que eu vejo – ele murmurou em seu ouvido, colocando as mãos sobre a faixa, sem abri-la. – Eu vejo exuberantes cabelos róseos. Macios e espessos. Você tem o tipo de cabelo que um homem adora sentir cascateando sobre o abdômen nu. Cabelos nos quais um homem deseja enterrar o rosto para poder sentir seu aroma.

Ela estremeceu. – Você tem o rosto em formato de coração de uma menina travessa, com lábios carnudos e sensuais que imploram por beijos. Quanto às suas sardas, são encantadoras. Elas acrescentam um charme juvenil ao seu corpo, que é somente seu e totalmente irresistível e sua testa perfeita para beijar.

Não parecia tão ruim quando ele colocava daquela forma. Ele entreabriu o robe e fez uma careta ao avistar a camiseta cor-de-rosa. Depois, abriu-o por completo.

– O que temos aqui? – ele sussurrou, devorando-a com os olhos. Antes que ela pudesse pensar em protestar, ele retirou o robe e deixou-o cair aos seus pés. Voltou a apoiar o queixo em seu ombro e a capturar seu olhar pelo espelho. Então, ergueu a bainha da camiseta de dormir.

– Sasuke! – exclamou, segurando a mão dele. Os olhos de ambos se encontraram no espelho. Sakura viu-se incapaz de se mover, hipnotizada pelo olhar caloroso e gentil.

– Quero ver você, Sakura – disse ele, em um tom que não admitia recusa.

Sem que ela tivesse tempo para organizar seus pensamentos, ele removeu a camiseta e espalmou as mãos sobre a pele nua de seu ventre. – Seus seios não são pequenos – disse baixinho, endireitando o corpo. – Eles são do tamanho perfeito para as mãos de um homem. – Demonstrando o que dizia, envolveu-os com as mãos.

– Sasuke – ela praticamente gemeu, com o corpo em chamas –, lembre-se da sua promessa.

– Estou me comportando – ele respondeu com voz rouca.

Arfante, Sakura apoiou a cabeça nos peitorais fortes e observou-o retirar as mãos dos seios e deslizá-las por seu corpo, chegando aos quadris, antes de inseri-las sob o elástico da calcinha.

– Você tem um corpo lindo, Sakura – disse, afagando-a. Pela primeira vez na vida, ela acreditou naquilo.

– Sasuke – ela pediu de novo, sabendo que, se não o interrompesse naquele momento, não conseguiria mais detê-lo.

– Calma... – ele sussurrou, tocando com dedos gentis o centro de seu prazer.

Sakura gemeu conforme uma onda de calor a percorria. Então, Sasuke capturou seus lábios e beijou-a profundamente. Por instinto, ela se virou entre os braços dele para saboreá-lo melhor. Pegando-a no colo, sem abandonar seus lábios, carregou-a para a cama. De alguma forma, ele até conseguiu deitá-la no colchão sem interromper o beijo. O homem era realmente talentoso. Seu corpo estava quente. Incendiado pelo toque de Sasuke, pelo pecaminoso aroma erótico, pela sensação de tê-lo junto a si.

Ela tremia por inteiro ao senti-lo deitar-se sobre seu corpo. Sentir o peso de Sasuke era maravilhoso. O corpo viril a pressionava, e ela arqueou os quadris.

– Sim, Sakura – ele sussurrou de encontro aos seus lábios. – Sinta meu toque. Sinta meu desejo por você, e só por você. Não lute contra isso.

Gemeu de novo quando ele abandonou seus lábios e desenhou uma trilha de beijos quentes por seu pescoço e seus seios. Delirante de prazer, ela enterrou as mãos nos cabelos negros.

Sasuke tremia por inteiro devido ao enorme esforço que fazia para se manter vestido. Queria fundir-se àquele corpo feminino com tamanha intensidade que a sensação lentamente destruía sua sanidade. Com cada investida dos quadris de encontro aos dela, tinha ímpetos de gritar de agonia. Era a tortura mais doce que já experimentara.

Estremeceu ao senti-la acariciar suas costas e deslizar as mãos até seus bolsos traseiros, apertando-os. – Sim... Oh, sim – ela murmurou. Sasuke sentia-se zonzo com aquelas sensações. Precisava estar dentro dela. E, se não podia fazer isso de uma forma, então, por todos os templos de Atenas, faria de outra!

Afastando-se, ele se abaixou, deslizando os lábios pelo ventre macio enquanto terminava de despi-la. O corpo de Sakura tremia, subjugado pelo vigor masculino.

– Por favor – ela murmurou, incapaz de aguentar aquilo por mais tempo. Entreabrindo-lhe as pernas, ele colocou as mãos sob o quadril dela e o ergueu. Sakura arregalou os olhos ao sentir o toque da boca de Sasuke. Enterrando as mãos nos cabelos macios, ela inclinou a cabeça para trás e emitiu um ruído de prazer, enquanto ele a acariciava intimamente com os lábios.

Nunca sentira algo parecido. Ele a provocava e a atormentava, deixando-a sem fôlego. Fraca.

Sasuke fechou os olhos, rosnando baixinho ao saboreá-la pela primeira vez.

Deliciou-se com a experiência, deleitando-se com os murmúrios de prazer que ecoavam em seus ouvidos. Sentia o corpo feminino corresponder intensamente a cada afago cuidadoso e sensual. Desejava mostrar a Sakura exatamente o que ela estivera perdendo. Quando ela saísse do quarto aquela noite, nunca mais se encolheria com seu toque.

Escutou-a gemer outra vez quando, com as mãos, intensificou as sensações. – Sasuke! – ela arquejou, e seu corpo involuntariamente agitou-se e tremeu.

Ele apressou os movimentos, enlouquecendo-a com as carícias eróticas. E, quando Sakura imaginou que não aguentaria mais, atingiu o clímax. Gritou, lançando a cabeça para trás, sendo percorrida por profundas ondas de prazer. Ainda assim, ele prosseguiu, prolongando as sensações, até que ela alcançasse o êxtase de novo.

Na terceira vez, Sakura achou que poderia morrer.

Esgotada, virou a cabeça de um lado para o outro no travesseiro. – Por favor, Sasuke, por favor – ela implorou. – Não aguento mais.

Só então, ele se afastou.

Arfante, ela pulsava da cabeça aos pés. Nunca em sua vida conhecera um prazer tão intenso. Devagar, ele deixou uma trilha de beijos por seu corpo, até enterrar os lábios em seu pescoço.

– Diga-me a verdade, Sakura – ele sussurrou. – Você já sentiu isso antes?

– Não – ela respondeu honestamente, achando que poucas mulheres já tinham experimentado algo semelhante àquilo. – Eu não tinha ideia.

Com os olhos desejosos, ele a fitou como se ainda quisesse devorá-la.

Sentindo-o próximo ao corpo, Sakura notou que ele ainda estava excitado. Sasuke mantivera a palavra, e não atingira o clímax. Queria ajudá-lo a sentir o mesmo que ela. Ou pelo menos algo próximo. Com o coração acelerado, fez menção de desabotoar-lhe a calça.

Ele a deteve. Segurando sua mão, levou-a aos lábios e beijou a palma com delicadeza.

– É uma ideia encantadora, mas não se incomode.

– Sasuke – disse em tom de censura –, eu sei que pode ser doloroso para os homens se não...

– Eu não posso – ele a interrompeu.

Ela franziu a testa. – Não pode o quê?

– Não posso ter um orgasmo.

Sakura ficou boquiaberta.

Com certeza, ele não estava falando sério. Certo? Porém, os olhos revelavam sinceridade. – Faz parte da maldição – ele explicou. – Posso lhe dar prazer, mas, se você me tocar agora, apenas vai me fazer sofrer mais.

Condoída, ela o tocou no rosto.

– Então, por que você fez...

– Porque eu quis.

Ela não acreditou naquilo nem por um instante. Afastando a mão, desviou o olhar.

– Você quer dizer que precisou. Faz parte da maldição também, não é?

Segurando-a pelo queixo, ele a forçou a fitá-lo.

– Não. Eu estou lutando contra a maldição. Caso contrário, eu estaria dentro de seu corpo agora.

– Eu não entendo.

– Nem eu – disse ele, e os olhos dela sondaram os seus, como se tivesse a resposta. – Apenas se deite comigo. Por favor.

Sakura estremeceu ao notar a dor por trás daquele simples pedido. Seu pobre Sasuke. O que tinham feito com ele? Como alguém era capaz de fazer algo assim a uma pessoa como ele?

Ele pegou o livro e colocou-o nas mãos dela. – Leia para mim.

Sakura abriu o livro enquanto Sasuke empilhava os travesseiros contra a cabeceira. Então, ele apoiou as costas e puxou-a para perto. Sem dizer uma palavra, ele aninhou-a carinhosamente entre os braços. O aroma de sândalo envolveu-a conforme ela começava a ler para ele a respeito de Wendy e Peter Pan. Passaram mais de uma hora daquela forma.

– Eu adoro o som da sua voz. A forma como você fala – ele comentou, quando ela parou para virar a página.

Sakura sorriu. – Tenho que dizer o mesmo a seu respeito. Você tem o sotaque mais letal que eu já escutei.

Retirando o livro de suas mãos, ele o colocou no criado-mudo. Sakura fitou-o. O desejo refletia nos belos olhos enquanto ele a encarava com um apetite que roubava seu fôlego.

Então, para seu espanto, ele a beijou de leve na ponta do nariz. Depois, pegou o controle remoto e regulou a iluminação para a claridade mais baixa.

Sakura não sabia o que dizer ao sentilo aconchegar-se de encontro às suas costas e abraçá-la. Ele afastou-lhe o cabelo do rosto e apoiou a cabeça acima da sua. – Adoro seu cheiro – ele sussurrou, abraçando-a com mais força.

– Obrigada – ela murmurou.

Ela não podia saber com certeza, mas achou que ele estivesse sorrindo. Aconchegou-se ainda mais ao calor de Sasuke, mas o jeans roçou suas pernas nuas.

– Você está confortável com essas roupas? Não deveria se trocar?

– Não – ele respondeu calmamente. – Desta forma, eu sei que minha colher vai ficar longe do seu pote de...

– Não diga isso! – ela exclamou, rindo. – Sem querer ofender, mas seu irmão é odioso.

– Sabia que eu gostava de você por alguma razão.

Sakura pegou o controle remoto das mãos dele.

– Boa-noite, Sasuke.

– Boa-noite, querida.

Ela apagou a luz.

De imediato, sentiu-o enrijecer-se. Respirando de forma rápida e superficial, ele se afastou. – Sasuke?

Ele não respondeu. Preocupada, Sakura acendeu as luzes e o viu apoiando-se nos braços retesados. A testa estava úmida de suor, e os olhos revelavam perturbação e pânico, enquanto ele se esforçava para respirar.

– Sasuke?

Ele olhou ao redor do aposento como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo horripilante. Ergueu uma das mãos e apoiou-a na parede acima da cabeceira. Parecia querer certificar-se de que era real, e não uma alucinação. Passando a língua pelos lábios, ele esfregou a mão no peito e engoliu com dificuldade. Foi então que ela soube. Era a escuridão. Era por isso que ele apenas diminuíra a luz.

– Desculpe-me, Sasuke. Eu não pensei...

Ele não disse nada.

Sakura puxou-o para seus braços, espantada com o modo como um homem forte como aquele se agarrava a ela, como se não pudesse soltá-la. Sasuke deitou a cabeça em seus seios.

Cerrando os dentes, ela sentiu lágrimas nos olhos. Nesse instante, soube que nunca poderia deixá-lo voltar para aquele livro. Nunca. De algum jeito, eles romperiam a maldição. E, quando tudo acabasse, esperava que Sasuke conseguisse se vingar dos responsáveis.

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