Continuando a saga do guerreiro sedutor Sasuke da Macedônia:

OOO

Capítulo 11

Ino observou Sasuke andar de um lado para o outro diante de sua banca, enquanto ela lia as cartas para um turista. Oh, Deus, ela seria capaz de admirar aquele homem andando o dia inteiro! Ele tinha um porte tão maravilhoso que lhe provocava o desejo de ir para casa e fazer coisas pecaminosas com o marido.

Repetidas vezes, as mulheres se aproximavam e Sasuke as afastava. Era até engraçado assistir às mulheres pavoneando-se ao redor dele enquanto ele permanecia alheio às suas tramas. Nunca soubera que um homem assim existia. No entanto, até mesmo ela podia enjoar-se de chocolate se comesse em demasia. E, a julgar pela forma como as mulheres reagiam a Sasuke, tinha certeza de que ele tivera cólicas por causa do abuso. E o pior era que ele parecia terrivelmente atormentado.

Ino sentia-se péssima pelo que fizera com os dois. A princípio, sua ideia parecera impecável. Se tivesse pensado um pouco melhor... Como ela poderia saber quem fora Sasuke? Se pelo menos tivesse reconhecido o nome dele... Contudo, sua especialidade era a Grécia da Idade do Bronze, o que era história antiga até mesmo na época de Sasuke.

Além disso, ela realmente não pensara no homem no livro como uma pessoa real. Imaginara que ele fosse algum tipo de gênio da lâmpada, sem um passado ou sentimentos. Minha nossa, quando ela se atrapalhava, era em grande estilo! Meneando a cabeça, observou-o recusar outra oferta de uma atraente ruiva. O homem era um ímã de estrógeno.

Ela terminou a leitura de cartas e Sasuke aguardou alguns instantes, antes de ir até sua mesa.

– Leve-me até Sakura.

Não era um pedido. Ele dissera aquilo em um tom de voz que ela tinha certeza de que ele já usara para ordenar que as tropas se preparassem para a batalha.

– Ela disse...

– Não me importa o que ela disse. Preciso vê-la.

Ino embrulhou as cartas no lenço de seda negro. Que diabos! Ela não precisava mesmo de uma melhor amiga.

– Será o seu enterro.

– Quem me dera – ele falou em um tom tão baixo que ela não teve certeza de ter escutado corretamente.

Sasuke ajudou-a a fechar a banca e a levar seu carrinho até o abrigo que ela alugava para guardá-lo. Logo, dirigiam-se à casa de Sakura. Eles encostaram o veículo na calçada, ao mesmo tempo em que Sakura levava uma mala até o carro.

– Ei, Testuda – Ino chamou-a.

– Aonde está indo?

Sakura encarou Sasuke.

– Ficarei fora por alguns dias.

– Onde? – Ino perguntou.

Ela não respondeu. Sasuke desceu do carro e foi até ela. Iria ajeitar as coisas, não importando o quanto custasse. Atirando a bagagem no porta-malas, Sakura afastou-se dele, mas Sasuke agarrou-lhe o braço.

– Você não respondeu à pergunta dela.

Ela se livrou de suas mãos e apertou os olhos.

– O que você vai fazer? Vai me agredir se eu não responder?

Retraindo-se ante tanto rancor, ele disse: – E você ainda se pergunta por que eu quero partir.

E então Sasuke viu, nos olhos brilhantes, as lágrimas que ela se esforçava em ocultar.

– Sinto muito, Sakura – ele sussurrou, tocando-a no rosto. – Eu não pretendi magoá-la.

Sakura viu o arrependimento e o anseio guerrearem no rosto dele. O toque era caloroso e gentil. Por um instante, ela quase acreditou que Sasuke se importava com ela.

– Eu também sinto muito – ela murmurou. – Sei que não é culpa sua.

Ele riu com amargura. – Na verdade, tudo isso é culpa minha.

– Ei! Vocês dois estão bem? – Ino perguntou.

O olhar de Sasuke parecia queimar Sakura, fazendo-a tremer com tamanha intensidade. – Quer que eu vá embora? – ele perguntou.

Não, ela não queria. Todo o problema era esse. Não queria que ele a deixasse de novo. Nunca mais. Tomando as mãos dele entre as suas, ela as baixou de sua face.

– Está tudo bem, Ino.

– Nesse caso, vou para casa. Até mais.

Sakura mal a escutou se afastar, pois toda a sua atenção estava concentrada em Sasuke.

– Aonde você estava indo? – ele quis saber.

Pela primeira vez desde que a polícia saíra de lá, ela pôde respirar tranquilamente. Com a presença de Sasuke, todo o seu medo evaporou como a névoa sob a luz do sol. Sentia-se verdadeiramente segura.

– Lembra que lhe contei a respeito de Rodney Carmichael?

Ele assentiu. – Ele veio até aqui. Ele... ele me preocupa.

A fúria fria e inflexível no rosto dele a deixou atordoada. – Onde ele está agora?

– Não sei. A polícia chegou e ele sumiu. Por isso eu estava indo embora. Ia ficar em um hotel.

– Você ainda quer ir embora?

Ela meneou a cabeça. Com Sasuke ali, sentia-se protegida. – Vou pegar a sua mala – disse.

Pegando-a no carro, fechou o porta-malas. Sakura voltou para dentro de casa, seguida por Sasuke.

Eles passaram o restante do dia em uma agradável tranquilidade. Naquela noite, estavam acomodados no chão diante do sofá, apoiados nas almofadas. Sakura deitava-se com a cabeça no ventre firme de Sasuke, enquanto lia o restante de Peter Pan e fazia o máximo possível para não reparar em como ele cheirava bem. E em como era bom senti-lo tão perto. Precisou de toda a força de vontade para não se virar e explorar aquele peito musculoso com os lábios.

Ele passava a mão lentamente por seus cabelos enquanto a observava. Oh, como aquele toque a incendiava, fazendo-a desejar tirar-lhe as roupas e provar cada pedacinho dele!

– Fim – ela anunciou, fechando o livro.

O olhar ardente no rosto de Sasuke roubou-lhe o fôlego. Sakura esticou-se, arqueando as costas de leve contra ele. – Quer que eu leia mais alguma coisa?

– Por favor. Sua voz me acalma.

Ela o encarou por um instante, e então sorriu. Não se lembrava do último elogio que a tocara tão profundamente quanto aquele.

– Eu guardo a maioria dos livros no meu quarto. – Ela se levantou. – Venha. Vou lhe mostrar meu tesouro especial e, em seguida, vamos encontrar mais alguma coisa.

Ele a seguiu até o andar de cima. Sakura não deixou de notar o olhar desejoso que ele lançou à cama, e depois a ela. Preferindo ignorar o fato, ela abriu a porta do closet. Acendendo a luz, passou a mão com carinho nas prateleiras que seu pai construíra anos atrás. Fora muito engraçado vê-lo montar as prateleiras junto com o melhor amigo. Ambos estudiosos, tinham feito uma bagunça terrível, e seu pai ficou com duas unhas pretas antes que o projeto fosse concluído.

Sua mãe o provocara o tempo todo, chamando-o de "meu marceneiro profissional". Porém, ele não se importara, e o olhar que ostentava no rosto quando orgulhosamente terminara a tarefa e colocara seus livros nas prateleiras estava indelevelmente gravado em seu coração. Ela adorava esse quarto. Era ali que realmente sentia o amor dos pais. Era para lá que ia ao fugir de qualquer problema ou aflição. Cada livro no closet era uma lembrança especial, e eles significavam o mundo para Sakura. À esquerda, olhou para Shanna, que dera início ao seu vício por romances. The Wolfling , que a apresentara à ficção científica. E o estimado Bimbos of the Death Sun, que fora seu primeiro livro de mistério. Os romances antigos de seus pais também estavam ali, assim como três cópias dos livros didáticos que seu pai escrevera antes de ela nascer.

Aquele era seu santuário especial, e Sasuke era a primeira pessoa, além de seus pais, que ela deixava entrar ali.

– Você tem colecionado livros por um bom tempo – ele comentou, olhando as prateleiras repletas.

Ela anuiu. – Eles eram meus melhores amigos enquanto eu crescia. Acho que o amor pela leitura é provavelmente o maior presente que meus pais me deram. – Ela ergueu Peter Pan. – Este era do meu pai quando ele era criança. É meu bem mais apreciado. – Colocou-o na prateleira e pegou uma cópia de Beleza Negra. – Este aqui, minha mãe leu várias vezes para mim. – Sakura mostrou-lhe rapidamente alguns títulos. – Vidas Sem Rumo – sussurrou com reverência – era meu livro favorito na escola. Oh, e este, Can You Sue Your Parents for Malpractice?

Sasuke riu. – Vejo o quanto eles significavam para você. Seu rosto inteiro está brilhando.

Algo nos olhos de Sasuke a levou a considerar que ele estava pensando em uma forma de fazê- la brilhar também. Engolindo em seco ante o pensamento, ela se virou e procurou um livro na prateleira à sua direita, onde mantinha os clássicos, enquanto Sasuke olhava à esquerda. – Que tal este aqui? – ele perguntou, estendendo-lhe um dos romances históricos.

Sakura riu com nervosismo diante do casal seminu abraçado na capa. – Oh, acho que não.

Ele olhou para a capa com a sobrancelha arqueada.

– Certo – ela falou, tomando o livro da mão dele. – Você descobriu meu segredo. Sou uma terrível viciada em romances históricos, mas a última coisa de que você precisa é que eu leia em voz alta uma excitante cena de amor.

Ele fitou seus lábios. – Eu preferiria criar uma excitante cena de amor – ele sussurrou, movendo-se até parar diante dela.

Sakura tremia. Com as costas junto à prateleira, não podia recuar. Ele pôs um braço sobre sua cabeça ao pressionar o corpo contra o dela, antes de tomar-lhe os lábios.

Fechando os olhos, tudo o que podia sentir ou cheirar era Sasuke. Ele a envolvia de uma forma perturbadora. Desta vez, ele manteve as mãos longe dela, tocando apenas seus lábios com os dele.

Não importava, pois, mesmo assim, ficou zonza. Como a esposa dele podia ter escolhido outro homem no lugar de Sasuke? Como qualquer mulher em sã consciência podia não desejar este homem? Ele era o paraíso.

Sasuke aprofundou o beijo, explorando sua boca. Ela sentia o coração dele batendo com força conforme os músculos flexionavam-se ao seu redor. Nunca tivera tamanha consciência de outro ser humano. Ele a levava ao limite, fazendo-a experimentar sensações que não sabia existirem.

Afastando-se um pouco, ele pressionou a face contra a dela. O hálito morno agitava seus cabelos e provocava arrepios por seu corpo. – Desejo-a tanto, Sakura... – ele sussurrou. – Quero sentir suas pernas ao meu redor, seus seios contra o meu peito, escutá-la gemer enquanto eu faço amor lento e doce com você. Quero seu cheiro no meu corpo, sua respiração na minha pele... – Tenso, ele se afastou. – Porém, estou acostumado a desejar o que eu não posso ter.

Ela o tocou no braço.

Sasuke capturou sua mão e ergueu-a até os lábios, beijando-a com gentileza. O desejo no belo rosto afetou-a.

– Encontre um livro e eu vou me comportar.

Sakura engoliu em seco de novo quando ele a deixou. Foi então que avistou sua antiga cópia da Ilíada. Sorriu. Tinha certeza de que ele apreciaria aquilo. Pegando-a, desceu as escadas e o encontrou sentado em frente ao sofá. – Adivinhe o que eu achei! – ela exclamou com entusiasmo.

– Não tenho ideia.

Sakura estendeu o livro, sorrindo. – A Ilíada!

Ele se animou de imediato, revelando as covinhas encantadoras ao sorrir. – "Canta-me, ó deusa."

– Muito bom! – Ela sentou-se ao lado dele. – E você vai gostar ainda mais deste livro, pois tem a versão original em grego e a tradução. Ela entregou-lhe o volume. Ele parecia ter recebido o tesouro de um rei. Abriu o livro. De imediato, seus olhos percorreram as páginas enquanto passava a mão com reverência sobre a antiga escrita grega. Sasuke não conseguia acreditar que estivesse vendo seu idioma de novo. Fazia muito tempo que vira qualquer escrita pela última vez, à exceção do que estava marcado em seu braço. Sempre amara a Ilíada e a Odisseia. Quando criança, ele passara horas escondido atrás do alojamento lendo pergaminhos ou se esgueirando para ouvir os bardos na praça da aldeia. Compreendia bem como Sakura se sentia em relação aos livros. Ele fora assim na juventude. A cada chance que tivera, escapara para o mundo da fantasia, onde heróis sempre triunfavam. Onde demônios e vilões eram aniquilados. Onde mães e pais amavam os filhos. Nas histórias, não havia fome ou dor. Havia liberdade e esperança. Fora por meio dessas histórias que ele conhecera compaixão e bondade. Honra e integridade. Sakura ajoelhou-se ao seu lado.

– Você sente falta de sua casa, não é?

Sasuke desviou o olhar. Sentia saudades apenas dos filhos. Ao contrário de Ky rian, ele nunca apreciara a batalha. O mau cheiro da morte e do sangue, os gemidos dos agonizantes. Lutara apenas porque era o que se esperava dele. E liderara porque, como dizia Platão, todos tinham, por natureza, habilidade para uma atividade em particular, que idealmente procurariam. Por sua natureza, Sasuke era um líder, e não alguém que seguisse os demais. Não, na verdade, ele não sentia falta de casa, mas...

– Foi tudo o que eu conheci.

Ela o tocou no ombro, mas foi a preocupação nos olhos cinza-claros que o afetou. – Você queria que seu filho fosse um soldado?

Sasuke meneou a cabeça. – Nunca quis que a juventude dele fosse abreviada, como aconteceu com tantos dos meus soldados – disse ele, com voz rouca. – Irônico, não é? Eu nem mesmo permiti que ele ficasse com a espada de brinquedo que Kyrian lhe deu de presente de aniversário, nem deixava que ele tocasse a minha quando eu estava em casa.

Ela pôs a mão em seu pescoço e puxou-o para perto. O toque de Sakura era incrivelmente reconfortante. Tão terno. E provocava nele uma dolorosa sensação de solidão.

– Qual era o nome dele?

Sasuke engoliu em seco. Não falava em voz alta o nome de seus filhos desde o dia em que haviam morrido. Não ousara fazer isso e, ainda assim, queria compartilhar aquilo com Sakura.

– Atolycus. Minha filha era Callista.

O sorriso de Sakura revelava tristeza, como se ela compartilhasse a dor de sua perda. – Eles tinham nomes lindos.

– Eram crianças lindas.

– Se eram como você, eu tenho certeza disso.

Aquela era a coisa mais amável que alguém já lhe dissera. Sasuke passou a mão pelos cabelos dela, deixando que os fios sedosos preenchessem sua palma. Fechando os olhos, desejou permanecer daquele jeito para sempre. Foi oprimido pelo medo de perdê-la. Nunca gostara da ideia de ser sugado para dentro daquele inferno vazio, mas agora o pensamento de nunca mais vê-la, ou de nunca mais sentir o aroma daquela pele macia, de pôr sua palma na face corada... Era mais do que podia suportar. Pelos deuses! E ele havia pensado que estivera amaldiçoado antes!

Sakura afastou-se e beijou-lhe de leve nos lábios, antes de pegar o livro.

Sasuke engoliu em seco outra vez. Ela queria salvá-lo e, pela primeira vez em séculos, ele queria ser salvo. Deslizou um pouco mais no chão, para que ela voltasse a deitar a cabeça em seu abdômen. Adorava senti-la ali, com os cabelos esparramando-se sobre seus braços e peito.

Ficaram deitados no chão até as primeiras horas da manhã, enquanto ele a escutava ler sobre Odisseu e Aquiles. Observou-a ficar cansada, mas ela prosseguiu lendo. O relógio no andar de cima soou três horas, quando ela bocejou e virou a página. Sakura tentou manter os olhos abertos, mas estava exausta e, por fim, adormeceu.

Sorrindo, ele tirou o livro das mãos dela e colocou-o de lado. Tocou-a no rosto enquanto a observava. Ele não estava com sono. Não queria perder um único segundo ao lado de Sakura.

Fitando-a, tocando-a, absorvendo-a. Apreciaria aqueles momentos para sempre. Nunca passara uma noite como aquela, apenas deitado confortavelmente com uma mulher, sem que ela o apalpasse, exigindo seu toque. Em sua época, homens e mulheres não passavam muito tempo juntos. Durante os períodos em que estava em casa, Penélope raramente falava com ele. Na verdade, nunca demonstrara muito interesse nele. Quando a procurava à noite, ela não o rejeitava. Porém, tampouco ansiava por seu toque. Sempre conseguira extrair uma reação acalorada do corpo da esposa, mas nunca do coração. Afagou os cabelos de Sakura, deliciando-se com a forma como envolviam sua mão.

Seu olhar recaiu sobre o anel, que brilhava debilmente sob a luz. Conseguia visualizá-lo coberto de sangue, sentindo o modo como se comprimia ao seu dedo quando brandia a espada em batalha. Aquele anel significara tudo para ele, e não o obtivera facilmente. Ele o conquistara com o suor de seu corpo e com as feridas infligidas à sua carne. Custara muito, mas valera a pena. Por um tempo, se não amado, tinha sido respeitado. Em sua vida mortal, aquilo significara tudo para ele. Suspirando, encostou a cabeça na almofada do sofá atrás de si e fechou os olhos.

Quando finalmente adormeceu, não foram as faces do passado que assombraram seus sonhos, mas sim a visão de olhos cinza-claros rindo com ele, e de cabelos escuros espalhando-se sobre seu peito, enquanto uma voz terna e suave lia palavras que lhe eram familiares e, de alguma forma, estranhas. Sakura espreguiçou-se languidamente ao despertar. Abrindo os olhos, surpreendeu-se ao perceber que sua cabeça estava sobre o ventre de Sasuke e que a mão direita dele estava enterrada em seus cabelos. Pela respiração profunda, sabia que ele ainda estava dormindo. Fitou-o. Com o rosto relaxado, ele parecia quase pueril. E foi então que percebeu que ele não fora atormentado pelo pesadelo.

Sasuke dormira a noite inteira. Sorrindo, ela se levantou devagar tentando não despertá-lo. Não funcionou. Assim que se afastou, os olhos dele se abriram e a encararam ardentemente.

– Sakura – ele sussurrou.

– Não queria acordá-lo.

– Não tem problema.

Sakura apontou para as escadas com o polegar. – Eu ia subir para tomar um banho. Preciso trancar a porta?

Ele a percorreu com os olhos. – Não. Acho que consigo me comportar.

Ela sorriu. – Acho que já ouvi isso antes.

Sasuke não respondeu. Ela subiu e tomou uma ducha rápida. Quando acabou, foi ao quarto e encontrou Sasuke deitado na cama, folheando o exemplar da Ilíada. Ao olhar para ela, Sasuke a viu usando apenas a toalha. Aquelas covinhas se revelaram e a luxúria refletiu-se no belo rosto, propagando ondas de calor por todo o seu corpo.

– Vou só pegar as minhas roupas e...

– Não – disse Sasuke em um tom autoritário.

– Não? – ela indagou, descrente.

A face de Sasuke suavizou-se. – Prefiro que se vista aqui.

– Sasuke...

– Por favor.

Sakura mexeu-se desconfortavelmente. Nunca fizera algo daquele tipo na vida.

– Por favor... – ele pediu de novo, com um leve sorriso.

Que mulher seria capaz de recusar algo a um olhar como aquele? Ela o fitou de viés.

– Não ouse rir – avisou, abrindo a toalha de forma hesitante.

Sasuke encarou-a com um olhar faminto. – Pode ter certeza de que a última coisa em que estou pensando é em rir.

Ele saiu da cama. Movendo-se como um gracioso predador, abriu a gaveta na qual ela guardava a lingerie.

Um estranho tremor a percorreu ao vê-lo mover a mão por suas calcinhas, até encontrar a de seda negra que Ino lhe dera de presente, como uma brincadeira.

Tirando-a da gaveta, ele se ajoelhou diante dela.

Ofegante e quente, Sakura olhou para o topo da cabeça negra e ergueu o pé, permitindo que ele a vestisse.

Conforme as mãos fortes deslizavam a seda por sua perna, os lábios trilhavam um caminho logo atrás, devastando seus sentidos. E, assim que terminou de vesti-la, acariciou-a de leve nas coxas antes de afastar-se.

Em seguida, ele pegou o sutiã negro do conjunto.

Como uma boneca sem vontade própria, Sakura permitiu que ele o colocasse. As mãos roçaram seus mamilos ao prenderem o fecho à frente. Então, ele deslizou os dedos sob o tecido, fazendo uma breve e quente carícia que a arrepiou por inteiro.

Sasuke beijou-a, percorrido por um desejo que exigia satisfação. Sakura gemeu quando o beijo se aprofundou. Ele a ergueu e a carregou até perto da cama, onde a posicionou diante dele.

Por instinto, envolveu-lhe a cintura com as pernas, murmurando de prazer ao sentir o abdômen musculoso pressionar seu corpo. Sasuke acariciou-a nas costas. Tinha a imagem do corpo molhado e despido gravada em sua mente.

Estava a ponto de perder o controle, quando uma luz brilhou no quarto. Com os olhos doendo, afastou-se de Sakura.

– Foi você? – ela indagou sem fôlego, fitando-o.

Divertido, ele meneou a cabeça. – Gostaria de levar o crédito por isso, mas tenho certeza de que teve outra fonte.

Olhando ao redor, viu a cama e piscou. Não podia ser...

– O que foi? – Sakura indagou, virando-se para a cama.

– É meu escudo – ele murmurou, incapaz de crer em seus olhos. Não via seu escudo fazia séculos. Atordoado, continuou olhando para o objeto que reluzia no meio do colchão. Conhecia cada saliência, cada arranhão, e se lembrava dos golpes que tinham provocado cada uma das marcas.

Temendo estar sonhando, estendeu a mão para tocar o relevo em bronze de Atena e sua coruja.

– E sua espada também?

Ele agarrou a mão de Sakura antes que ela a tocasse.

– Essa é a Espada de Cronos. Nunca a toque. Se alguém que não tem o sangue dele a manuseia, tem a pele queimada para sempre.

– É mesmo?

Ela se afastou da espada.

– Sim.

Sakura olhou para a cama, franzindo o cenho com severidade.

– Por que estão aqui?

– Não sei.

– Quem os enviou?

– Não sei.

– Bem, isso não é muito útil.

Sasuke não pareceu notar o sarcasmo. Ele passou a mão pelo objeto como um pai carinhoso que encontra um filho perdido há muito tempo. Então, ele pegou a espada e colocou-a sob a cama.

– Não se esqueça de que está aqui embaixo – disse com firmeza. – Assegure-se de nunca tocá- la.

– Com a testa franzida, voltou a olhar para o escudo. – Minha mãe deve tê-la enviado. Só ela ou um de seus filhos poderia ter feito isso.

– E por que ela faria isso?

Sasuke estreitou os olhos ao lembrar-se do restante da lenda da espada. – Tenho certeza de que ela a enviou para o caso de eu ter de enfrentar Príapo. A Espada de Cronos também é chamada de Espada da Justiça. Não vai matá-lo, mas vai fazê-lo ocupar o meu lugar no livro.

– Está falando sério?

Ele anuiu.

– Posso tocar o escudo?

– Claro.

Sakura passou a mão pelo trabalho incrustado em negro e dourado que formava a imagem de Atena e sua coruja.

– É lindo – ela murmurou com admiração.

– Kyrian mandou fazê-lo e me deu de presente, quando me tornei comandante.

Ela tocou a inscrição sob Atena.

– O que diz aqui?

– "A morte antes da desonra" – ele respondeu, com as palavras prendendo-se em sua garganta.

Sorriu com melancolia ao lembrar-se de Ky rian em pé ao seu lado durante as batalhas. – No escudo de Kyrian estava escrito: "O espólio ao vencedor". Ele costumava encarar-me antes da luta e dizer: "Você fica com a honra, adelphos, e pode deixar as recompensas para mim".

Sakura reparou no tom estranho da voz de Sasuke. Tentando imaginar a aparência dele ao segurar o escudo, ela o puxou para mais perto.

– Kyrian? O homem que foi crucificado?

– Sim.

– Você gostava muito dele, não é?

Ele deu um sorriso triste. – Levou algum tempo para isso acontecer. Quando eu tinha vinte e três anos, o tio dele o designou para servir sob o meu comando, com um aviso preciso do que aconteceria comigo se eu deixasse Sua Alteza ser ferido.

– Ele era um príncipe?

Sasuke assentiu. – E ele era realmente destemido. Mal completara vinte anos e lançava-se impulsivamente em batalhas ou lutas, desafiando qualquer um a feri-lo. Parecia que, a cada vez em que eu me virava, eu o arrancava de algum percalço bizarro. Mas era difícil odiá-lo. Apesar do jeito impetuoso, ele tinha um grande senso de humor e era extremamente leal. – Ele passou a mão pelo escudo. – Eu só gostaria de ter estado lá para salvá-lo dos romanos.

Sakura esfregou-lhe o braço solidariamente.

– Tenho certeza de que vocês dois poderiam ter enfrentado qualquer coisa juntos.

As palavras provocaram um brilho no olhar de Sasuke.

– Quando nossos exércitos marchavam juntos, éramos invencíveis. – Sua mandíbula flexionouse ao olhar para ela. – Era uma questão de tempo até Roma ser nossa.

– Por que vocês dois queriam tanto Roma?

– Eu jurei destruir Roma depois que os romanos tomaram Prymaria. Kyrian e eu tínhamos sido chamados, mas, quando chegamos lá, era tarde demais. Eles haviam friamente arrebanhado mulheres e crianças na cidade e matado cada uma delas. Eu nunca tinha visto tamanho massacre. – Seus olhos se escureceram. – Enquanto tentávamos enterrar os mortos, os romanos nos emboscaram.

Sakura gelou ao ouvir aquilo. – O que aconteceu?

– Eu havia derrotado Lívio e estava prestes a matá-lo, quando Príapo interferiu. Ele lançou um raio em meu cavalo e eu fui atirado até os romanos. Eu tive certeza de que era um homem morto. Então, do nada, Ky rian apareceu. Ele afastou Lívio até que eu conseguisse me reerguer. Lívio bateu em retirada e sumiu antes que conseguíssemos matá-lo.

Sasuke estava atrás dela, tão próximo que podia sentir o calor do corpo forte. Ele apoiou um braço de cada lado seu no colchão e pressionou o peito contra as costas dela. Sakura cerrou os dentes diante da ferocidade do desejo que sentiu. Mesmo sem abraçá-la, ele perturbava todos os seus sentidos. Inclinando a cabeça, Sasuke tocou-a no pescoço com os lábios, disparando os hormônios em seu organismo. Ela arqueou as costas. Se não o interrompesse...

– Sasuke – sussurrou, mas sua voz não continha o tom de aviso que ela pretendera.

– Eu sei – ele murmurou. – Estou indo tomar um banho frio.

Ao sair do quarto, ela o ouviu resmungar, zangado: – Sozinho.

Após tomarem o café da manhã, Sakura decidiu ensiná-lo a dirigir.

– Isso é ridículo – disse Sasuke, enquanto ela entrava com o carro no estacionamento da escola.

– Ora, vamos lá! – ela o provocou. – Você não está curioso?

– Não.

– Não? Ele suspirou. – Certo. Um pouco.

– Bem, então imagine as histórias que vai poder contar aos seus homens, quando voltar para a Macedônia, a respeito da grande besta de aço que você dirigiu... dentro de um estacionamento. Ele lhe lançou um olhar confuso.

– Isso significa que você está lidando bem com a minha partida?

Não, ela queria gritar. Em vez disso, suspirou. Em seu coração, sabia que nunca poderia pedirlhe que desistisse de tudo em seu passado para ficar ao seu lado. Sasuke da Macedônia era um herói. Uma lenda. Nunca seria um homem de modos comedidos do século XXI.

– Sei que não posso ficar com você. Afinal, você não é um filhote perdido que me seguiu até em casa.

Sasuke ficou tenso ao ouvi-la. As palavras refletiam a forma de Sakura agir. E era isso o que tornava tão difícil abandoná-la. Como poderia abrir mão da única pessoa que já o enxergara como um homem? Não sabia por que ela queria ensiná-lo a dirigir, mas compartilhar seu mundo com ele parecia agradá-la. E, por algum motivo no qual não tolerava pensar, ele gostava de fazê-la feliz.

– Certo, então me mostre como domar esta besta.

Sakura estacionou o carro e eles trocaram de lugar. Assim que Sasuke entrou, ela se encolheu ante a visão de um homem de um metro e noventa de altura espremido em um espaço para acomodar uma mulher de um metro e cinquenta e sete

– Eu me esqueci de empurrar o banco para trás. Desculpe.

– Não consigo respirar ou me mexer, mas está tudo bem. Ela riu.

– Há uma alavanca sob o assento. Se puxá-la, vai conseguir empurrar o banco.

Ele tentou, mas estava imobilizado no espaço apertado e não conseguia alcançar a alavanca.

– Espere – disse Sakura. – Eu faço isso.

Sasuke inclinou a cabeça para trás enquanto ela se debruçava sobre sua coxa, pressionando os seios em sua perna e estendendo a mão entre seus joelhos. Sentiu o corpo reagir de imediato. Quando ela apoiou o rosto em sua virilha para se esforçar para empurrar o banco, ele achou que fosse morrer.

– Sabe, você está na posição perfeita para...

– Sasuke! – ela exclamou.

Afastou-se e, ao notar que ele estava excitado, ficou vermelha.

– Sinto muito.

– Eu também – ele sussurrou.

Infelizmente, ela ainda precisava mover o banco. Portanto, ele foi obrigado a resistir àquela posição uma vez mais. Cerrando os entes, Sasuke ergueu um braço e agarrou o apoio para a cabeça, apertando-o com força e lutando contra o ardente desejo que o dominava.

– Você está bem? – ela indagou, depois que conseguiu ajeitar o assento e se endireitar.

– Oh, sim – ele respondeu com sarcasmo. – Estou ótimo, considerando que andei sobre fogueiras que me provocaram um sofrimento menor do que este que minha virilha está causando no momento.

– Eu disse que sinto muito.

Ele apenas a fitou. Sakura deu-lhe um tapinha gentil no braço. – Certo, você consegue alcançar os pedais?

– Eu gostaria de alcançar os seus pedais... –

Sasuke! – ela o repreendeu.

O homem era realmente lascivo. – Você pode se concentrar?

– Está bem, estou me concentrando.

– Eu não quis dizer nos meus seios.

Ele desviou o olhar ardente para seu colo.

– Aí também não.

Para seu espanto, ele brincou fazendo um beicinho que lembrava o de uma criança contrariada. A expressão incomum levou-a a rir outra vez.

– Certo. O pedal à esquerda é a embreagem, o do meio é o freio e o da direita é o acelerador. Você se lembra do que eu disse a respeito deles?

– Sim.

– Ótimo. Agora, a primeira coisa que você faz é pressionar a embreagem e engatar a marcha. – Ela colocou a mão dele no câmbio e mostrou-lhe como movê-lo.

– Sabe, Sakura, você não deveria acariciar isso na minha frente. É cruel.

– Sasuke! Você pode se comportar? Estou só tentando mostrar como usar o câmbio.

Ele bufou. – Eu gostaria que você mexesse no meu câmbio dessa forma.

Sakura rosnou para ele. Com um brilho malicioso no olhar, Sasuke não pareceu nem um pouco arrependido. Então ele engatou a marcha, mas soltou a embreagem cedo demais, deixando o carro morrer.

– Isso não era para acontecer, certo? – ele perguntou.

– Não, a menos que queira bater o carro.

Ele suspirou e tentou outra vez. Uma hora mais tarde, quando Sasuke ainda não havia conseguido dirigir dentro do estacionamento sem bater na guia ou fazer o motor morrer, Sakura admitiu o fracasso.

– Ainda bem que você era melhor como general do que é como motorista.

– Ha, ha – riu com sarcasmo. Porém, o brilho em seus olhos revelava que ele não estava verdadeiramente ofendido. – Tudo o que posso dizer em minha defesa é que meu primeiro carro era um coche de guerra.

Sakura sorriu. – Bem, não estamos em guerra nessas ruas.

Parecendo cético, ele retrucou: – Eu não diria isso. Não se esqueça de que eu assisto aos noticiários da noite. – Ele desligou o motor. – Acho que vou deixá-la dirigir um pouco.

– É uma atitude sábia. Eu não tenho condições de comprar um carro novo no momento.

Ela saiu para que trocassem de lugar de novo. Ao se encontrarem atrás do carro, Sasuke agarrou-a e deu-lhe um beijo ardente que a deixou tonta. Pegou suas mãos e pressionou-as de encontro aos quadris delgados enquanto mordiscava seus lábios. Por Deus! Uma mulher podia acostumar-se com aquilo. Acostumar-se de verdade.

Sasuke afastou-se. – Quer me levar para casa e me deixar mordiscar outras coisas?

Sim, ela queria, e era por isso que não se atreveria. Na realidade, estava tão atordoada com aquele beijo que não conseguia nem falar. Sasuke sorriu ao ver o olhar confuso e desejoso nos belos olhos. Ela fitava seus lábios como se ainda os saboreasse. Naquele momento, ele a desejou ainda mais do que antes. Acima de tudo, queria desatar o rabo de cavalo e deixar os cabelos sedosos esparramarem-se sobre seu peito. Como queria que estivessem em casa, onde poderia despi-la e escutar os doces murmúrios de prazer enquanto ele...

– O carro – disse Sakura, piscando como se estivesse despertando de um sonho. – Estávamos entrando no carro.

Sasuke deu-lhe um beijo leve na bochecha. Após ambos entrarem e afivelarem os cintos de segurança, Sakura olhou-o de viés.

– Sabe, acho que há duas coisas em Nova Orleans que você ainda precisa experimentar.

– Primeiro, eu ainda tenho que tomá-la em um...

– Pare com isso! Ele pigarreou. – Certo, qual é a sua lista?

– Bourbon Street e música moderna. De um dos dois eu posso cuidar agora mesmo – Sakura ligou o rádio e riu ao reconhecer Hot Blooded 7, do Foreigner. Era bem apropriado, tendo em vista seu passageiro. Sasuke escutou, mas não pareceu impressionado. Sakura mudou de estação e ele franziu o cenho.

– O que você fez?

– Mudei de estação. Precisa apenas apertar esses botões. Ele brincou com aquilo por vários minutos até encontrar uma estação tocando Love Hurts 8, do Nazareth.

– Sua música é interessante.

– Faz você sentir falta da sua?

– Uma vez que a maioria das músicas que eu ouvia era dos gaiteiros e tocadores de tambores nos incitando à batalha, não. Acho que posso apreciar isso.

– Apreciar o quê? – ela perguntou com petulância. – A música ou o fato de que o amor machuca?

O humor abandonou o rosto dele. – Como eu nunca conheci o amor, não sei se machuca ou não. Mas não posso imaginar como ser amado poderia machucar tanto quanto não ser.

Sakura sentiu o peito se apertar. – Então – ela falou, querendo mudar de assunto –, o que você planeja fazer assim que chegar em casa?

– Não sei.

– Você provavelmente vai detonar Cipião, certo?

Ele riu. – Gostaria de fazer isso.

– Por quê? O que ele fez para você?

– Ele entrou no meu caminho.

Certo, não era o que ela esperava ouvir. – E você não gosta que ninguém entre no seu caminho?

– Você gosta?

Ela pensou naquilo. – Acho que não.

Quando chegaram à Bourbon Street naquela tarde de domingo, o lugar fervilhava de gente. Sakura abanou o rosto, tentando combater o calor opressivo. Olhou para Sasuke. Ele até transpirava de forma atraente. Os cabelos úmidos ao redor do rosto e, com aqueles óculos escuros... oh, céus! Claro que o visual era complementado pela camiseta branca que enfatizava a largura dos ombros e o abdômen definido.

Quando deslizou o olhar pelo jeans com botões, desejou ter optado por calças mais largas. Porém, considerando-se o andar sedutor e confiante, duvidava que um jeans largo poderia ocultar a evidente sensualidade. Sasuke se deteve diante de um clube de striptease. Para crédito dele, não ficou boquiaberto ante as mulheres de calcinha na vitrine, mas Sakura sentiu-lhe o choque.

Encarando-o como se quisesse devorá-lo, a dançarina exótica mordeu o lábio inferior e depois o lambeu sugestivamente enquanto apalpava os seios. Chamou-o com o dedo. Sasuke virou-se.

– Nunca viu nada assim, não é? – Sakura indagou, tentando disfarçar seu desconforto com as atitudes da mulher e seu alívio com a reação de Sasuke.

– Roma – ele falou simplesmente.

Ela riu. – Eles não eram tão decadentes, eram?

– Você ficaria surpresa. Pelo menos, ninguém está participando de uma orgia no... – Ele se interrompeu ao passarem por um casal fazendo sexo na esquina. – Deixa para lá.

Sakura riu.

– Oh, querido – uma prostituta chamou Sasuke, quando passaram diante de outro clube. – Entre e farei de graça com você.

Ele meneou a cabeça, sem interromper a caminhada.

Sakura pegou-o pela mão e o fez parar. – As mulheres agiam assim antes da maldição?

– Sim. Por isso Ky rian era meu único amigo. Os homens ao meu redor não suportavam a atenção que eu recebia, e as mulheres me seguiam para todos os lugares aonde eu ia, tentando enfiar as mãos embaixo da minha armadura.

Ela refletiu por um instante. – E você tem certeza de que nenhuma dessas mulheres amava você?

Ele lhe lançou um olhar zombeteiro. – Amor e luxúria não são a mesma coisa. Como você pode amar alguém que não conhece?

– Acho que tem razão.

Eles prosseguiram a caminhada.

– Então, me fale a respeito desse seu amigo. Por que ele não se importava com o modo como as mulheres olhavam para você?

Sasuke sorriu. – Ky rian estava profundamente apaixonado pela esposa e não se importava com nenhuma outra mulher. Ele nunca me viu como um rival.

– Você conheceu a esposa dele?

Ele meneou a cabeça. – Embora nunca tivéssemos discutido isso, acho que ambos sabíamos que não seria uma boa ideia.

Sakura observou a face de Sasuke mudar. Sabia que ele estava se lembrando de Kyrian.

– Você está se culpando pelo aconteceu com ele, não é?

Sasuke cerrou os dentes ao pensar no que o amigo devia ter sentido ao ser capturado. Considerando o quanto os romanos queriam os dois, imaginava o que tinham feito com Ky rian antes de matá-lo.

– Sim – ele falou baixinho. – Sei que é culpa minha. Se eu não tivesse provocado a raiva de Príapo, eu estaria lá para ajudar Ky rian a enfrentá-los. E quase não havia dúvida em sua mente de que parte do destino de Ky rian decorria do fato de ele ter sido tolo o suficiente para ser seu amigo. Sasuke suspirou. – É um desperdício de uma vida brilhante. Se tivesse aprendido a dominar o atrevimento, Kyrian teria sido um ótimo governante algum dia.

Ele segurou a mão de Sakura e apertou-a de leve. Caminharam em silêncio, enquanto ela tentava pensar em uma forma de animá-lo. Ao passarem pela Casa do Vodu de Marie Laveau, ela parou e arrastou-o para dentro. Explicou-lhe as origens do vodu enquanto passeavam pelo museu em miniatura.

– Oh... – Ela pegou um boneco vodu de uma prateleira.

– Quer vesti-lo como Príapo e espetá- lo com alfinetes?

Sasuke riu. – Quer fingir que ele é Rodney Carmichael? Ela conteve um sorriso.

– Isso seria bem inadequado profissionalmente, não é?

Mas, com certeza, é tentador. Sakura devolveu o boneco à prateleira e avistou o mostrador de vidro, dentro do qual havia talismãs diversos e joias. Viu um colar com linhas negra, azul e verde, trançadas tão intrincadamente que davam a impressão de ser um fino fio negro. – Traz sorte para quem o usa – disse a vendedora, notando seu interesse.

– Gostaria de ver?

Sakura assentiu.

– Funciona?

– Ah, sim. Esse tipo de trançado é magia forte.

Sakura não sabia se acreditava naquilo. Contudo, há uma semana nunca teria acreditado que duas mulheres embriagadas poderiam evocar um general macedônio. Ela pagou a mulher e virou-se para Sasuke.

– Incline-se – pediu-lhe. Ele pareceu espantado. – Vamos – ela provocou. – Divirta-me. A vendedora riu para eles enquanto Sakura prendia o adereço no pescoço de Sasuke. – Esse rapaz não precisa de um amuleto da sorte, chère, ele precisa é de um feitiço para afastar a atenção daquelas mulheres que olharam para o traseiro dele quando se inclinou para a frente.

Olhando para trás de Sasuke, Sakura viu as três mulheres que o estavam cobiçando e, pela primeira vez, sentiu uma pontada de ciúme. A sensação evaporou quando Sasuke beijou-a carinhosamente no rosto, antes de se endireitar. Com um olhar malicioso, ele envolveu seus ombros de forma possessiva.

Quando passaram pelas mulheres, Sakura não conseguiu conter um impulso travesso. Parando diante delas, disse: – A propósito, ele fica ainda melhor sem roupas.

– E você certamente sabe disso, querida – Sasuke falou, colocando os óculos escuros antes de envolver de novo seus ombros.

Sakura deslizou a mão ao redor da cintura dele, colocando-a no bolso dianteiro enquanto ele a abraçava.

– Sabe – Sasuke sussurrou –, se quiser mover essa mão um pouco mais para baixo dentro do meu bolso, não vou me importar nem um pouco.

Ela o apertou de leve, mas manteve a mão onde estava. Os olhares invejosos das mulheres os acompanharam pela rua.

Para o jantar, Sakura levou-o ao Mike Anderson's Seafood, um restaurante especializado em frutos do mar. Ela se encolheu quando as ostras que Sasuke pedira foram colocadas sobre a mesa.

– Eca! – disse ao vê-lo comer uma.

Ofendido, ele fez uma carranca. – São deliciosas.

– Não acho.

– Apenas porque você não sabe comê-las.

– Claro que sei. Você abre a boca e deixa a coisa viscosa escorregar pela sua garganta.

Ele tomou um gole de cerveja. – Essa é uma forma de fazer isso.

– É como você acabou de fazer.

– É verdade. Mas você gostaria de tentar de outro jeito?

Ela mordeu o lábio, indecisa. Algo no comportamento de Sasuke a alertava de que poderia ser perigoso aceitar o desafio.

– Não sei.

– Confia em mim?

– Acho que não – zombou.

Ele deu de ombros e tomou outro gole de cerveja. – Não sabe o que está perdendo.

– Oh, está bem – ela cedeu, curiosa demais para continuar recusando. – Mas, se eu vomitar, lembre-se de que eu avisei.

Sasuke enganchou os calcanhares nos pés da cadeira dela e puxou-a para tão perto dele que suas coxas se pressionaram. Secou a mão no jeans e pegou a menor ostra no prato.

– Certo – ele murmurou em seu ouvido, passando o braço por seus ombros –, incline a cabeça para trás.

Ela obedeceu. Sasuke acariciou-lhe o pescoço com os dedos, provocando arrepios em todo o seu corpo. Sakura engoliu em seco, maravilhada com a ternura do toque e com o quanto era bom senti-lo ao seu lado.

– Abra a boca – ele sussurrou, afagando seu pescoço com o nariz. Quando ela voltou a obedecer, ele pôs a ostra em sua boca. Conforme o molusco deslizava por sua garganta, Sasuke passou a língua de baixo para cima em seu pescoço. Sakura estremeceu com as sensações inesperadas. Milhares de arrepios a percorreram. Era incrível! E, pela primeira vez, ela não se importou com o sabor da ostra.

Ruborizou-se ao lembrar onde estavam. Abrindo os olhos, sentiu-se imediatamente grata por estarem sentados em um canto escuro.

– Gostou? – ele indagou em tom brincalhão.

Ela não conteve o sorriso. – Você é incorrigível.

– Eu me esforço para ser.

– E consegue um êxito admirável.

Antes que ele pudesse responder, seu celular tocou.

– Ah!

Ela pegou o aparelho. Era melhor que aquilo fosse importante. Ela atendeu a ligação.

– Sakura?

Sobressaltou-se ao ouvir a voz de Rodney.

– Sr. Carmichael, como conseguiu este número?

– Estava em seu arquivo de contatos. Vim vê-la de novo, mas você não está em casa. – Ele suspirou. – Estava tão ansioso para ficar com você hoje. Ainda precisamos ter aquela conversa. Mas, tudo bem, eu posso ir até você. Está no bairro francês de novo, visitando sua amiga paranormal?

O medo a percorreu. – Como sabe a respeito da minha amiga?

– Eu sei de muitas coisas a seu respeito, Sakura. Hum – ele murmurou –, você perfuma sua lingerie com essência de rosas.

Sakura ficou paralisada, enquanto seu terror assumia proporções titânicas. Suas mãos começaram a tremer.

– Você está na minha casa?

Ela ouvia as gavetas fechando e abrindo do outro lado da linha. De repente, ele praguejou.

– Sua vagabunda! – ele rosnou. – Quem é ele? Com quem diabos você está dormindo? Agora, isso é...

A linha ficou muda.

Sakura tremia tanto que mal conseguiu desligar o telefone.

– O que aconteceu? – Sasuke indagou, franzindo o cenho, preocupado.

– Rodney está na minha casa – ela respondeu, com a voz trêmula.

Imediatamente, ligou para a polícia. – Encontramos você lá – disse o policial.

– Não entre na casa até chegarmos.

– Não se preocupe.

Sasuke segurou suas mãos. – Você está tremendo.

– É mesmo? Eu tenho um psicopata na minha casa cheirando a minha roupa íntima e me xingando. Por que eu deveria estar tremendo?

Os profundos olhos ónix a acalmaram, protetores.

Sasuke apertou suas mãos. – Você sabe que não vou permitir que ele a machuque.

– Eu aprecio o pensamento, Sasuke, mas esse homem é...

– Um homem morto, se chegar perto de você. Sabe que não vou abandoná-la.

– Não até a próxima lua cheia, pelo menos.

Ele desviou o olhar e Sakura deu-se conta daquela realidade.

– Está tudo bem – ela afirmou corajosamente. – Eu posso lidar com isso. Estou por conta própria há anos. Ele não é o primeiro paciente a me incomodar, e duvido que seja o último.

Os olhos de Sasuke emitiam uma chama ao encontrar os dela. – E exatamente quantas dessas pessoas a incomodam?

– Não é problema seu. Mas meu.

Ele pareceu querer estrangulá-la.

OOO

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