Continuando a saga do guerreiro sedutor Sasuke da Macedônia:
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Capítulo 13
– Sim, Ino – Sakura disse ao telefone enquanto se vestia para o trabalho. – Faz uma semana. Estou bem.
– Você não está soando bem – Ino comentou com ceticismo. – Ainda parece abalada.
Era verdade. Mas, graças a Sasuke, estava ilesa e não vira o pobre Rodney após o que acontecera. Depois de a polícia ter tomado seus depoimentos, Sasuke a levara para casa e ela tinha feito o máximo para não se estender no assunto.
– Estou bem mesmo.
Sasuke entrou no quarto. – Você está se atrasando. – Ele pegou o fone de sua mão e entregou-lhe um pedaço de torta doce.
– Termine de se vestir – ele falou antes de voltar a atenção para Ino.
Sakura franziu o cenho ao vê-lo sair do quarto. Não conseguia mais escutar o que ele dizia. Enquanto se aprontava, deu-se conta de como se sentia confortável com Sasuke. Amava tê-lo por perto. Adorava tomar conta dele, e amava que ele fizesse o mesmo por ela. A reciprocidade do relacionamento era maravilhosa.
– Sakura – disse ele, enfiando a cabeça de volta no quarto –, você ainda está se atrasando.
Ela riu ao colocar os sapatos de salto alto. – Estou indo, estou indo.
Quando chegaram à porta da frente, ela percebeu que Sasuke estava descalço.
– Você não vai comigo hoje?
– Você precisa que eu vá?
Sakura hesitou. Ela apreciava poder contar com a companhia de Sasuke para o almoço e passar o tempo entre as sessões ao lado dele. Porém, para ele era entediante ficar sentado no consultório durante horas, esperando-a. – Não.
Ele lhe deu um beijo ardente. – Vejo você à noite.
Com relutância, ela se afastou e caminhou até o carro. Foi um dos dias mais longos da história. Sakura ficou sentada à mesa, contando os segundos para poder dispensar os pacientes. Às cinco horas, ela acompanhou a pobre Rachel até a porta, juntou rapidamente suas coisas e foi para casa.
Chegou logo, e estranhou ao ver Ino esperando-a na varanda.
– Algo errado? – ela indagou ao se aproximar da amiga.
– Não. Mas vou lhe dar um conselho. Quebre a maldição. Sasuke é um homem valioso.
Sakura estranhou ainda mais quando Ino virou-se e caminhou até o jipe.
Confusa, abriu a porta de casa. – Sasuke? – chamou.
– Estou no quarto.
Ela subiu as escadas. Encontrou-o deitado na cama, com a cabeça apoiada em um dos braços e uma rosa vermelha no colchão diante dele. Estava tão incrivelmente deslumbrante e sedutor... Especialmente com aquelas covinhas iluminando seu rosto e o brilho travesso nos olhos negros.
– Você está parecendo o gato que comeu o canário – ela comentou. – O que vocês dois fizeram hoje?
– Nada.
– Nada – ela repetiu em tom de dúvida.
Por que não acreditava naquilo? Porque ele parece travesso demais. Olhou para a rosa.
– É para mim?
– Sim.
Sorrindo diante das respostas breves, ela deixou os sapatos ao lado da cama antes de retirar a meia-calça. Olhando para cima, notou o olhar interessado de Sasuke quando ele estendeu o pescoço para observá-la.
Ele sorriu de novo. Sakura pegou a rosa e aspirou a agradável fragrância.
– É uma surpresa boa – ela disse, beijando-o no rosto.
– Obrigada.
– Fico feliz que tenha gostado – ele sussurrou, passando a mão por seu rosto.
Com relutância, Sakura afastou-se e atravessou o quarto. Pôs a rosa sobre a cômoda e abriu a primeira gaveta.
Ficou paralisada. Em cima das suas roupas, havia um volume de capa dura de Peter Pan, envolto em uma grande fita vermelha. Ofegando, ela o pegou e retirou o laço. Ao abri-lo, sentiu o coração falhar uma batida.
– Oh, meu Deus... É uma primeira edição autografada!
– Você gostou?
– Se eu gostei? – Os olhos dela se encheram de lágrimas. – Oh, Sasuke! – Atirou-se sobre ele, beijando-o por todo o rosto. – Você é maravilhoso! Obrigada!
Pela primeira vez, ele pareceu embaraçado.
– Isto é...
A voz de Sakura sumiu quando ela relanceou os olhos para o closet. A porta estava entreaberta, e a luz, acesa. Com certeza ele não tinha... Lentamente, ela foi até lá. Abriu totalmente a porta e olhou para dentro. Lágrimas de alegria se formaram em seus olhos e uma deliciosa sensação de calor espalhou-se por todo o seu corpo.
Suas prateleiras estavam repletas outra vez. Com a mão trêmula, tocou as lombadas dos livros de sua nova coleção.
– Estou sonhando? – ela sussurrou.
Sentiu Sasuke atrás de si. Mesmo que ele não a tocasse, podia senti-lo com cada poro de seu corpo. Não era algo físico. Era uma sensação perturbadora que a deixou sem fôlego.
– Não conseguimos encontrar todos, especialmente aqueles em brochura, mas Ino garantiu que achamos os mais importantes.
Uma única lágrima correu por sua face, quando Sakura viu cópias dos livros de seu pai. Como eles haviam conseguido encontrá-las? Seu coração acelerou-se ao avistar todas as suas obras favoritas: Os Três Mosqueteiros, Beowulf, A Letra Escarlate, O Lobo e a Pomba, Mestre do Desejo, além dos diversos romances e suspenses, e de todos os outros livros...
Encantada e um pouco tonta, ela deixou as lágrimas escorrerem por seu rosto. Virando-se, lançou os braços ao redor de Sasuke.
– Obrigada – disse, chorando. – Mas como? Como você fez isto?
Ele deu de ombros e estendeu a mão para enxugar seu rosto. Foi então que Sakura reparou nos dedos dele. E no que estava faltando ali.
– Seu anel – ela sussurrou, vendo a marca na mão direita, onde ele costumava usá-lo. – Diga-me que você não fez isso...
– Era só um anel, Sakura.
Não, não era. Lembrava-se da expressão de Sasuke quando o Dr. Lewis quisera comprá-lo. Nunca, Sasuke havia dito. Você não tem ideia do que eu enfrentei para consegui-lo. Contudo, após ouvir as histórias do passado dele, Sakura tinha uma boa ideia. E Sasuke o vendera por ela.
Tremendo, ergueu-se nas pontas dos pés e beijou-o ardentemente. Sasuke ficou imobilizado, em choque, quando sentiu os lábios de Sakura. Ela nunca o tocara daquela forma.
Fechando os olhos, segurou-lhe os cabelos, deixando-os se espalhar por seu antebraço enquanto gemia junto à boca suave. O sabor de Sakura o inebriava, assim como a sensação de tê-la entre os braços e a forma como ela o beijava, como jamais fora beijado... Com todo o coração.
Essa percepção abalou sua alma amaldiçoada. Naquele momento, realmente desejou que o tempo parasse. Não queria viver outro segundo sem ela. Não podia imaginar um dia em que não a tivesse ao seu lado.
Sasuke sentiu que perdia o controle. A dor da loucura percorria sua cabeça e sua virilha ao mesmo tempo. Ainda não!, sua mente gritava. Não queria que o momento terminasse. Não agora. Não quando estava tão perto. Tão perto... Mas não tinha escolha.
Com relutância, afastou-se dela.
– Presumo que você tenha gostado disso também, não?
Ela riu. – Claro que sim, seu maluco.
Sakura passou os braços por sua cintura, apoiando a cabeça em seu peito. Sasuke estremeceu quando emoções desconhecidas o percorreram. Envolveu-a nos braços, sentindo o coração descompassado junto ao seu. Se pudesse, ficaria daquele jeito, abraçando-a, para sempre.
Mas não podia. Afastou-se.
Ela olhou para cima, com a testa franzida. Sasuke desfez o franzir de sua testa com um carinho.
– Não a estou rejeitando, querida – ele sussurrou. – Só não estou me sentindo eu mesmo no momento.
– A maldição?
Ele anuiu.
– Há alguma coisa que eu possa fazer?
– Apenas me dê um minuto para que eu a combata.
Sakura mordeu o lábio ao vê-lo dirigir-se à cama rigidamente. Pela primeira vez, os movimentos dele não eram completamente graciosos e elegantes.
Ele aparentava mal conseguir respirar, como se sentisse uma dor horrível na boca do estômago. Agarrou a coluna da cama com tanta força que os nós dos dedos se destacaram.
A visão deixou-a triste. Sakura desejava confortá-lo. Mais do que nunca, desejava ajudá-lo. Na realidade, desejava... Ela o desejava.
Era isso. Ficou boquiaberta ao se conscientizar plenamente do que estava acontecendo.
Ela o amava. Amava-o profundamente. E como poderia ser diferente?
Com o coração martelando, ela correu os olhos pelos livros no closet e foi assaltada pelas lembranças.
Sasuke surgindo e se oferecendo para ela; Sasuke amando-a no chuveiro; Sasuke confortando-a e fazendo-a rir; Sasuke chegando ao teto do elevador para resgatá-la; Sasuke deitado na cama com a rosa enquanto a observava achar os presentes que lhe comprara. Ino tinha razão.
Ele era valioso e não queria deixá-lo ir.
Estava prestes a revelar seus sentimentos, quando decidiu conter-se. Aquele não era o momento. Não quando ele enfrentava tamanha agonia; não quando estava tão vulnerável.
Ele desejaria saber. Será?
Sakura considerou a repercussão de contar-lhe. Sasuke não gostava da época em que ela vivia e queria voltar para casa. Se lhe dissesse como se sentia, ele poderia ficar por essa razão. E, caso ele não tivesse um motivo próprio para permanecer ali, poderia ressentir-se dela por distanciá-lo de tudo o que conhecera. De tudo o que ele fora. Pior ainda, e se não desse certo?
Como psicóloga, ela conhecia melhor do que ninguém todos os problemas que podiam surgir em um relacionamento e destruí-lo. Um dos maiores motivos de rompimentos era a falta de uma base comum construída entre duas pessoas que não compartilhavam nada além de atração física. Ela e Sasuke eram muito diferentes. Ela era uma psicóloga comum do século XXI, e ele era um lindo general macedônio do segundo século antes de Cristo.
Eram como um peixe e um pássaro tentando encontrar um lugar onde pudessem viver juntos! Nunca houvera um encontro entre duas pessoas tão diferentes. No momento, estavam ambos desfrutando a novidade da relação. Mas não se conheciam tão bem. E se, dentro de um ano, descobrissem que não estavam realmente apaixonados? Além disso, e se ele mudasse assim que a maldição fosse rompida? Sasuke lhe dissera que fora um homem diferente na Macedônia. E se parte do encanto atual dele ou da atração por ela decorresse da maldição?
De acordo com Cupido, a maldição o impelia a ela. E se a maldição fosse rompida e ele se tornasse alguém totalmente diferente? Alguém que não a desejasse mais? E então? Assim que desistisse da oportunidade de ir para casa, certamente nunca mais teria outra. Sakura esforçou-se para respirar ao perceber que nem poderia dizer-lhe: "Vamos tentar e ver o que acontece".
Porque, quando ele se decidisse, não haveria uma segunda chance. Engoliu em seco, desejando poder ver o futuro, como Ino fazia. Porém, mesmo a amiga errava às vezes.
Pelo bem de Sasuke, Sakura não poderia errar. Não. Haveria apenas um motivo aceitável para que Sasuke ficasse. Ele teria que amá-la tanto quanto ela o amava. E isso era tão provável quanto o céu desabar em sua cabeça dentro de dez minutos.
Fechando os olhos, estremeceu, dando-se conta da verdade. Sasuke nunca seria seu. De uma forma ou de outra, precisaria deixá-lo ir. E isso a mataria.
Sasuke inspirou profundamente e soltou a coluna da cama, mostrando-lhe um sorriso débil.
– Isso doeu – ele disse.
– Eu vi. – Sakura estendeu a mão para tocá-lo, mas ele deu um passo para trás, como se estivesse prestes a ter contato com uma cobra.
Ela baixou a mão. – Vou preparar o jantar.
Sasuke observou-a sair do quarto. Queria tanto ir atrás dela que mal conseguiu controlar-se. Mas não ousou. Precisava de um pouco mais de tempo para se recompor. Mais tempo para dominar o fogo que ameaçava dominá-lo. Balançou a cabeça. Como o toque de Sakura podia dar-lhe tanta força e, ao mesmo tempo, torná-lo tão incrivelmente frágil?
Sakura acabara de preparar uma sopa enlatada e sanduíches, quando Sasuke juntou-se a ela na cozinha.
– Está se sentindo melhor?
– Sim – ele respondeu, sentando-se à mesa.
Ela girava a colher no prato, observando-o comer. A fraca luz do sol incidia nos cabelos negros, realçando-os. Ele se sentava de forma ereta na cadeira e, a cada vez que se movia, Sakura era percorrida por uma onda de desejo. Seria capaz de olhar para ele o dia inteiro sem se cansar. Desejava levantar-se, ir até ele e sentar-se em seu colo.
Depois, correr a mão pelas mechas negras enquanto o beijava até que ambos ficassem sem fôlego. Pare com isso! Se não se controlasse, sucumbiria àquela ânsia!
– Sabe – ela começou a falar, hesitante –, eu estive pensando... E se você ficasse aqui? Seria tão ruim viver no meu tempo?
O olhar que ele lhe lançou subjugou-a.
– Já tivemos essa discussão. Eu não pertenço a este lugar. Não entendo o seu mundo, seus costumes. Eu me sinto deslocado, e odeio isso.
Sakura pigarreou. Certo, não mencionaria aquilo outra vez. Suspirando, comeu o sanduíche, mesmo que, na verdade, quisesse discutir o assunto. Após terminarem de jantar, Sasuke ajudou-a a limpar a cozinha.
– Quer que eu leia para você? – ela indagou.
– Claro – ele respondeu, mas Sakura sentia que havia algo errado.
Sasuke estava distante, quase frio. Não o via daquela forma desde que ele aparecera pela primeira vez. Ela foi até o andar de cima e pegou sua nova cópia de Peter Pan, antes de voltar para baixo.
Sasuke já estava no chão, empilhando as almofadas. Sakura deitou-se perpendicularmente a ele, apoiando a cabeça em seu abdômen. Então, abriu o livro e começou a ler. Sasuke escutava a voz suave e ritmada, observando os belos olhos dançarem pela página enquanto ela lia.
Prometera a si mesmo que não a tocaria, mas, contra a própria vontade, percebeu que acariciava-lhe os cabelos. O contato dos fios sedosos em sua pele deixou-o em chamas, e sua virilha contraiu-se com o desejo de possuí-la.
Enquanto as mechas macias acariciavam seus dedos, ele permitiu que a voz doce o transportasse para longe. Para um lugar tão reconfortante que quase parecia o lar ilusório que ele passara a eternidade procurando. Um lugar onde apenas os dois existiam. Sem deuses, sem maldições. Apenas eles. E era maravilhoso.
Sakura arqueou a sobrancelha ao sentir a mão de Sasuke deixar seus cabelos e tatear o botão superior de sua camisa.
Prendeu o fôlego, em expectativa, mas ainda assim hesitou.
– O que você está...
– Continue lendo – ele disse, abrindo o primeiro botão.
Com o corpo se aquecendo, ela leu o parágrafo seguinte.
Sasuke abriu o segundo botão.
– Sasuke...
– Leia.
Ela leu mais um parágrafo enquanto a mão dele deslizava para o terceiro botão. As ações de Sasuke a estavam enlouquecendo. Sua respiração estava acelerada, seu coração batia com força. Ao fitá-lo, viu o olhar ardente no belo rosto.
– O que é isso? Uma espécie de leitura com striptease? Eu leio um parágrafo, você abre um botão?
A resposta à pergunta foi o correr da mão quente sobre o sutiã.
Ele tomou seu seio com gentileza na palma, fazendo-a gemer ao massageá-lo sobre o cetim. O calor da mão forte em sua pele provocava arrepios em seus braços.
– Leia – ele ordenou outra vez.
– Oh, sim, como se eu conseguisse fazer isso enquanto você está...
Ele abriu o fecho frontal do sutiã, envolvendo delicadamente o seio.
– Sasuke!
– Leia para mim, Sakura. Por favor.
Como se aquilo fosse possível! Porém, o apelo na voz atingiu-lhe o coração. Ela se obrigou a voltar a atenção para o livro enquanto Sasuke deslizava a mão por sua pele nua. O toque era suave, gentil. Sublime. Não era a carícia ardente que ele usava para seduzi-la e inflamá-la. Era algo totalmente diferente e que ultrapassava os limites da pele, chegando ao coração. Após algum tempo, Sakura acostumou-se aos pequenos círculos que ele desenhava ao redor de seus seios e por seu ventre.
Deixou-se envolver completamente por aquele momento, pela sensação de proximidade que compartilhava com Sasuke.
Quando terminou o livro, eram quase dez horas. Ele a afagou uma vez mais enquanto ela punha o livro de lado.
– Você tem seios lindos.
– Fico feliz que pense assim. – Escutou o estômago de Sasuke roncar sob seu ouvido. – Parece que você está faminto.
– A comida não vai saciar o tipo de fome que estou sentindo.
Sakura ruborizou. Sasuke passou a mão por seu umbigo e depois a deslizou até o pescoço, o rosto e os cabelos. Traçou o contorno de seus lábios com o polegar.
– É estranho – ele comentou. – É o seu beijo que me empurra para o precipício.
– O quê?
Ele pôs a mão de novo em seu ventre.
– Eu adoro a sensação da sua pele, do seu corpo macio sob as minhas mãos – disse em voz baixa. – Mas é apenas quando nossos lábios se tocam que eu sinto minha sanidade se esvaindo. Por que acha que isso acontece?
– Não sei.
O telefone tocou, arrancando impropérios de Sasuke.
– Eu realmente odeio essa coisa.
– Eu também estou começando a odiar.
Ele afastou a mão para que Sakura pudesse levantar-se. Pegando-lhe a mão, ela a levou de volta ao seu corpo.
– Deixe tocar.
Sasuke sorriu e abaixou a cabeça em direção à dela. Seus lábios estavam tão próximos que ela podia sentir o hálito quente em seu rosto. De repente, ele recuou bruscamente. A angústia e o desejo se refletiram nos belos olhos, um instante antes de ele fechá-los e cerrar os dentes, como se estivesse lutando para se controlar.
– Vá atender seu telefone – ele sussurrou, soltando-a.
Com as pernas trêmulas, Sakura levantou-se e atravessou a sala para pegar o telefone sem fio, enquanto fechava a blusa.
– Oi, Ino.
Sasuke escutou-a conversar com a amiga com o coração pesado, enquanto combatia o fogo que o dilacerava. A última coisa que desejava era abandonar aquele refúgio. Até conhecer Sakura, nunca apreciara muito qualquer coisa. Agora, cobiçava cada segundo do tempo dela.
– Espere um pouco, vou perguntar para ele. – Sakura retornou para o seu lado. – Ino e Shikamaru querem saber se queremos sair com eles no sábado.
– Você é quem sabe – ele respondeu, esperando que ela recusasse.
Sakura sorriu e voltou a falar ao telefone. – Parece ótimo, Ino. Vamos nos divertir... Certo, nos vemos então. – Ela desligou. – Vou tomar um banho rápido antes de dormir, certo?
Sasuke anuiu. Vendo-a subir as escadas, desejou mais do que nunca ser mortal outra vez. Daria qualquer coisa para segui-la até o quarto, deitá-la na cama e perder-se no corpo tentador. Fechando os olhos, quase pôde sentir o calor de Sakura envolvendo-o. Cerrou o punho. Quantos dias mais suportaria a tortura? Estava mais do que disposto a combatê-la. Recusava-se a entregar sua sanidade um segundo antes de as Parcas a exigirem.
Sakura sentiu a presença de Sasuke. Virando-se, ela o viu do lado de fora do chuveiro, nu. Seu olhar deleitou-se com cada centímetro do corpo dele, mas foi o sorriso caloroso e encantador que roubou seu coração, deixando-a sem fôlego.
Sem dizer nada, Sasuke uniu-se a ela.
– Sabe – ele disse de uma forma casual que a surpreendeu –, eu descobri algo interessante hoje de manhã.
A água corria sobre ele, alisando os cabelos para trás, até que caíssem em madeixas curtas e molhadas ao redor do rosto.
– É mesmo? – ela indagou, resistindo ao impulso de tomar um dos cachos entre os dedos.
– Hum... – Ele estendeu a mão até o chuveiro, retirando-o do suporte e ajustando o jato para uma suave massagem. – Vire-se.
Sakura hesitou antes de obedecer.
Sasuke deslizou o olhar pelas costas molhadas. Em toda a sua vida, nunca vira uma mulher mais convidativa. Ela era tudo o que ele almejara ter e, ainda assim, não ousava ter esperança. Não se atrevia a sonhar.
Abaixou o olhar para as curvas voluptuosas dela. As pernas levemente afastadas geravam imagens eróticas em sua mente. Respirando com dificuldade, ele voltou o jato para os ombros de Sakura.
– Isso é tão gostoso – ela sussurrou.
Sasuke não conseguia falar. Contraiu a mandíbula, recusando-se a ceder à exigência voraz de seu corpo pelo do dela. Sua necessidade de tocá-la era tão intensa que zombava daquela que sentia por comida e água enquanto estava preso no livro.
Sakura virou-se para ele, com o rosto brilhando, e ensaboou a toalhinha que usava para tomar banho. Sasuke permaneceu imóvel enquanto ela o banhava. As mãos delicadas deslizaram por seu peito e abdômen, incitando-o ainda mais.
Prendeu o fôlego, ansioso, conforme as mãos de Sakura se moviam para baixo. Ela mordeu o lábio ao tocar os músculos firmes do abdômen.
Olhando para cima, viu que Sasuke a observava. Com os olhos semicerrados, ele parecia estar saboreando seu toque. Desejando agradá-lo, ela passou a toalhinha pelos caracóis cor de café no centro do corpo de Sasuke e sorriu ao vê-lo arrepiar-se.
A expressão de prazer no rosto másculo deliciou-a. Com o coração acelerado, continuou banhando-o. Ela escutou a ducha chocar-se contra a lateral da banheira um segundo antes de Sasuke envolvê-la nos braços e mergulhar os lábios em seu pescoço.
Sakura tremia com a intensidade das sensações provocadas pelos corpos molhados entrelaçados. O amor que sentia por ele preenchia seu peito, implorando que um milagre lhes permitisse construir uma vida juntos. Naquele instante, ela desejou senti-lo intimamente.
Desejou que Sasuke tomasse posse do seu corpo, como fizera com seu coração. Enquanto a torturava com os lábios, ele inseriu a coxa entre suas pernas, provocando-a de uma forma que dissolvia sua vontade. Febrilmente, Sakura pressionou-se ao corpo dele, apreciando o contato com os músculos fortes, enquanto Sasuke continuava beijando seu pescoço.
Oh, como ela amava esse homem! Como desejava escutá-lo dizer que ela significava o mesmo para ele!
Sasuke passou as mãos por suas costas e, incendiando-a com o olhar, abaixou-a e deitou-a na banheira.
– O que você...
As palavras terminaram em um arfar, quando ele mordiscou o lóbulo de sua orelha. Sentiu o flexionar dos músculos de Sasuke conforme ele estendia o braço para pegar a ducha e levá-la até seu corpo, acariciando-a com o calor pulsante do jato de água. Ele a moveu em círculos lentos e sensuais sobre seus seios e ventre. Em chamas pelo estímulo simultâneo da água e do corpo masculino, ela se esforçou para recobrar o fôlego.
Sasuke tremia como resultado do desejo desesperado. Queria agradá-la como nunca quisera agradar ninguém. Desejava vê-la contorcendo-se sob ele, ouvi-la gritando de prazer. Afastando-lhe um pouco as coxas, ele moveu a ducha para seu ponto mais íntimo, fazendo-a ofegar com o indescritível prazer que a percorreu.
– Sasuke?
Ela estremeceu ao senti-lo acariciá-la com os dedos, em movimentos que eram intensificados pela água. Nunca experimentara algo semelhante. Ele prosseguiu com os carinhos até que ela não pudesse mais se conter. Instantes depois, gritou ao atingir o clímax.
Sasuke sorriu, mantendo o corpo rigidamente imóvel para dominar o ímpeto de possuí-la. Mesmo assim, não tinha terminado com ela. Sentia que nunca seria o suficiente.
Continuando com as carícias, levou-a ao êxtase mais cinco vezes.
– Por favor, Sasuke – ela implorou, por fim. – Tenha compaixão. Eu não consigo mais.
Decidindo que havia torturado a ambos o bastante, ele desligou a água. Sakura não conseguia se mexer. Qualquer mínima sensação a abalava. Observou-o levantar e encará-la com um leve sorriso no rosto.
– Você me matou – ela sussurrou. – Agora, precisa esconder o corpo.
Ele riu. Saindo da banheira, pegou-a no colo. Ela saboreou a sensação da pele nua contra a sua, enquanto Sasuke a carregava até a cama e a secava. Lentamente, com cuidado, ele deu um novo sentido ao uso da toalha. Deslizou-a com sensualidade por seus braços, seios e ventre, em movimentos vagarosos e atormentadores.
Ela gemeu ao sentir o tecido na pele sensível e pulsante entre suas coxas, antes que Sasuke o substituísse pelos dedos.
– Sasuke, por favor... Acho que não consigo fazer isso de novo.
Ele não escutou. Nem seu corpo.
Para seu espanto, ela atingiu o êxtase outra vez. Logo depois, ele se inclinou sobre ela e sussurrou em seu ouvido: – Eu poderia fazer isso a noite toda.
Fitando-o nos olhos, ela se deu conta da total extensão da maldição. O corpo de Sasuke ainda revelava excitação e a testa estava coberta de suor. Como ele suportava vê-la ter tanto prazer, sabendo que era incapaz de atingir o clímax? Pensando apenas no amor que sentia por ele, sentou-se e beijou-o.
Sasuke afastou-se violentamente. Caindo no chão, contorceu-se como se estivesse sendo espancado. Aterrorizada com o que fizera, Sakura saiu da cama.
– Desculpe. – Estendeu a mão até ele. – Eu esqueci.
Sasuke virou-se para ela, seus olhos apresentavam uma horrível e estranha cor escura. Ele tremia ao lutar contra a loucura. Foi o medo no rosto de Sakura que finalmente conseguiu acalmá-lo.
Distanciou-se dela, como se ela fosse venenosa. Sakura o observou apoiar-se na cama para se levantar.
– Está piorando – ele disse com a voz trêmula.
Ela não conseguiu falar. Não suportava vê-lo sofrendo. E odiava a si mesma por levá-lo ao limite. Sem fitá-la, Sasuke pegou as roupas e saiu do quarto.
Sakura precisou de alguns instantes para mover-se de novo. Quando, por fim, conseguiu ficar em pé, foi se vestir. Abriu a gaveta, e seus olhos recaíram sobre a caixa que continha as algemas.
Quantos dias mais eles teriam antes que ela o perdesse para sempre?
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