Obrigada mais uma vez a May Higurashe, por ser linda e aguentar meu erros.
Capitulo 3 - Rattus Norvegicus
Era a prova de poções hoje e Peter estava muito animado com a perspectiva do zero. Se estudando ele já era ruim, imagine agora, sem pegar nos livros a anos... Estava se dirigindo ao seu lugar costumeiro quando alguém lhe empurrou bruscamente para uma das mesas.
- Ai! Mas o que- - Deu de cara com Snape, que lhe forçou a sentar na cadeira. - … O que você tá fazendo?
- Fica quieto. - Ele não parecia querer olhá-lo diretamente. - Você vai fazer prova comigo hoje.
Ficou boquiaberto por alguns segundos.
- Ahm? - Ok, agora as coisas estavam surreais demais e ele com certeza estava delirando.
Snape se sentou no lugar ao seu lado, parecendo compenetrado na tarefa de olhar para o nada e o ignorar completamente.
- … Não era para você fazer dupla com a Lily ou algo do gênero? Espera... - De repente tudo fez sentido para ele. - Você não quer falar com ela não é isso? Não depois de- Ah, espera você gosta dela! Quer dizer ainda gosta dela.
A cara de azedo que o sonserino fazia era com certeza uma visão imperdível.
- Cala a boca. - Falou entre dentes ainda sem olhar para ele.
Peter ainda teve que rir mais um pouco, satisfeito com a nova informação.
- Agora me diz, que desculpa eu vou dar se me perguntarem porque eu fiz dupla com você hoje?
- Seja criativo. Diga que faz parte da detenção ou algo assim. - Disse sem paciência. - Devia me agradecer. Você não tem dupla também.
Olhou mais para frente e viu que Lily e Remus estavam conversando animadamente mais a frente.
- Eles não estão sentados juntos.
- Vão sentar. Slughorn vai entrar logo e por acaso está vendo alguma outra opção para eles?
Peter decidiu não comentar. Pelos menos ia tirar o primeiro dez na vida... Não que fosse contar a Snape, ele com certeza não precisava dessa informação para aumentar seu ego.
Slughorn logo entrou – e como dito, Remus e Lily sentaram juntos. A prova começou e os dois não trocaram mais nenhuma palavra (e Severus não deixou que Peter fizesse absolutamente nada, o que era, na verdade, bom para ele).
Quando acabaram, Severus praticamente evaporou do lugar e Peter foi se juntar aos outros.
- Aí, sua namorada estava te procurando. - Disse James assim que ele se aproximou. - Melhor não deixá-la esperando.
- Não se preocupe, James, é só a sua namorada que é uma fera. - Sirius brincou, se apoiando em James.
Peter tentou não fazer careta com a menção dela.
- Vou ver o que ela quer então...
Encontrou Greta perto das estufas com algumas amigas. Quando ela o viu, se separou das outras e foi correndo lhe abraçar.
- Peeeeeter! - Ela envolveu seu pescoço num abraço, que ele correspondeu desajeitadamente. - Estou tããão feliz em te ver.
- É, estou feliz em te ver também... Será que podemos conversar? - Perguntou, feliz por conseguir se soltar do abraço dela.
- Claro! - Ela parecia saltitante demais para o seu gosto.
Peter a tomou pela mão, tentando levá-la para um lugar mais reservado enquanto ela acenava freneticamente para as amigas.
Quando chegaram num corredor vazio, Peter parou, de repente sem saber bem o que fazer. Greta o olhou curiosa.
- Algum problema, Pete? - Ela piscou aqueles grandes olhos azuis.
Peter teve de se forçar a lembrar que não tinha dezessete anos e que tinha sim que ser sincero com ela.
- É, é só que... Não dá Greta. - Ele olhava para todos os lugares menos para ela.
- Não dá o que?
- Nós. Isso... Isso não era para ser.
- C-Como assim Peter? - Ela pegou nas mãos dele, tentando forçá-lo a olhá-la nos olhos. - V-Você está mesmo falando serio... ?
Droga. As coisas não podiam acontecer como na primeira vez. Não queria fazê-la chorar, era por isso que queria acabar com isso logo.
- Sim, Greta. Você merece coisa melhor, acredite.
- M-Mas eu... Eu fiz alguma coisa de errado?
- Não... ! - Se afastou dela um tanto bruscamente. - Não tem nada a ver com você, o problema sou eu... É sempre minha culpa.
- Não! Você não fez nada de errado! E-Eu entendo se eu tiver feito algo que não tenha te agradado, quer dizer, você é mais velho... Mas você sempre foi maravilhoso comigo. - Ela parecia completamente disposta a fazê-lo não se sentir mal por terminar com ela e estava surtindo o efeito contrário.
Se encostou na parede e se deixou escorregar até o chão.
- Você não entende, Greta... Eu... Eu te usei.
- … Ahm? - Agora sim ela parecia afetada com a informação. - Como... Como assim?
- Não era nem para a gente estar namorado, pra dizer a verdade... - Disse olhando diretamente para ela. - Eu sou gay, Greta.
Ela ergueu as sobrancelhas, surpresa.
Sim, era verdade. E ele sabia disso há muito tempo, só nunca tinha falado pra ninguém. Se sentia de certa forma imensamente aliviado por dizer isso, mas ainda temia a reação dela.
- … Você gosta de algum dos outros Marotos?
Tentou não fazer uma expressão sarcástica.
- Não, isso não tem nada a ver com eles. Só comigo. Nunca tive interesse em nenhum deles, se quer saber.
Ela ficou um tempo parada até que finalmente se sentou ao lado dele.
- Você contou isso para alguém?
- Não, isso é um segredo.
- Nem para sua família?
- Muito menos para eles. - Deu um riso seco. - Meu pai nunca se orgulhou de eu ser o único filho dele, se eu dissesse que sou gay ele me expulsava de casa na mesma hora.
Alguma parte dele se perguntava porque estava sendo tão sincero com uma garota de 15 anos que até alguns segundos atrás era sua namorada, mas a parte dele que queria botar aquilo tudo para fora era maior.
- Ah... Mas e os seus amigos? Eles não ajudariam?
Pensou um pouco.
- Eu tinha- tenho medo. Medo de que eles não me aceitem mais. - Como se eles algum dia tivessem me aceitado de verdade. - Eles vão achar a mesma coisa que você, que tem algo a ver com eles e eu não quero isso. Não quero ser tratado diferente. - Não quero que a distância entre nós aumente mais ainda.
- Mas Peter, você não pode guardar isso pra você! Faz mal!
- Eu convivi muito bem com isso por trin- dezessete anos. - Disse dando de ombros.
- Bom... Estou feliz que tenha se aberto para mim pelo menos. - Ela sorriu, colocando uma mão no ombro dele.
- Por que está sendo gentil? - Finalmente olhou para ela, tentando ver algo nos seus olhos azuis. - Eu te enganei. Eu menti. Eu só fiquei com você para manter as aparências.
- Eu sei. E isso dói sim, se quer saber... - Pode ver o brilho das lágrimas nos olhos dela, mas que ela lutava para segurar. - Mas... Eu sempre quis que você se abrisse comigo. Que fosse sincero. - Ela sorriu, com certa tristeza. - Você vai achar besteira, mas eu me apaixonei por você justamente por causa disso. Eu queria entender... Entender porque você nunca era você mesmo perto das pessoas. Porque nunca falava o que pensava... Então estou feliz que tenha dito isso. Eu realmente gosto de você... E por isso quero ajudar. Nem que seja só... como amiga.
Se sentiu completamente sem palavras.
- E-Eu... C-Como... ? - Sua voz foi apenas um sussurro.
- Bem, você nem deve se lembrar... - Ela parecia estar falando consigo mesma, um sorriso triste e perdido, de alguém que se lembra de algo bom. - Eu estava no terceiro ano. Tinha um grupo de garotos discutindo sobre política e coisas do gênero. Eu nem ligava muito pro assunto, então não estava participando. Aí você apareceu... E disse coisas brilhantes! Eu nunca nem tinha pensado por aquele lado... Aí eu fiquei ouvindo... E me perguntava como ninguém sabia que você era tão inteligente assim...
Peter não conseguia fazer mais do que encará-la. Quase queria rir do que ela estava dizendo, mas uma parte dele queria tanto que tudo que ela estava falando fosse verdade... Que ele não fosse um inútil no final das contas, que as opiniões dele contavam para alguma coisa... Mas o amor era cego, não era isso que diziam? Isso tudo não devia passar de paixonite adolescente, era normal que ela inventasse motivos para admirá-lo.
- Eu... Obrigado. - Foi tudo o que conseguiu dizer no final.
- De nada... - O sorriso triste dela ainda estava lá. - Mas sério, você devia se abrir com seus amigos. Devia falar com outras pessoas... Mas se precisar de mim, sabe onde me encontrar, ok?
Ela se levantou e o deixou sozinho, encarando o horizonte como se a resposta para os seus problemas fosse lhe surgir do nada. Mas não surgiu.
Ainda estava meio cabisbaixo quando entrou no dormitório. Os outros três marotos estavam lá, reunidos em círculo – sinal de que iam ter uma reunião.
- Ah, que bom que chegou Peter! - Remus cumprimentou.
- É, bom mesmo, o Remus não ia deixar a gente começar sem- - Sirius mordeu os lábios, claramente tentando não fazer um comentário doloroso. Peter estava surpreso de que o Black estivesse realmente tentando, embora visse a chateação na expressão dele.
- Bom, já que estamos todos aqui podemos começar. - Iniciou James.
Peter se sentou e ouviu os três discutirem (e brigarem e implicarem como sempre) sobre a última pegadinha que fariam. Peter apenas ficava calado. Era sempre assim. Seu dever era simplesmente concordar com tudo o que James dissesse e parecer feliz e entusiasmado. Lembrava-se que das primeiras vezes até tinha tentado colaborar com alguma coisa, mas acabava sendo ignorado. Passou a ficar calado, certo de que suas ideias eram horríveis de qualquer forma.
E o pior é que daquela vez não tinha surpresa nenhuma – sabia qual seria o produto final daquela reunião.
... Aliás, o quão irônico seria se ele, o maroto inútil, sugerisse o trote dessa vez? Não há nada de mal em usar o seu conhecimento prévio das situações a seu favor, certo?
- Na verdade... - Não conseguiu conter um sorriso um tanto malicioso. - … Eu tenho uma ideia.
A confusão que se formara na frente dele parou subitamente, todos voltando sua atenção a Peter. Dessa vez até Remus pareia chocado em ouvir a voz dele.
Severus já estava na porta esperando a algum tempo que Peter aparecesse. Só o que lhe faltava, o imbecil ainda tinha a audácia de estar atrasado.
Não conseguiu esconder o olhar atravessado quando Peter finalmente chegou.
- Ah, enfim decidiu aparecer.
Peter girou os olhos, preferindo não responder.
Os dois entraram na sala de troféus, se empenhando na tarefa de polir as diversas taças do local... E em pensar que na verdade eram bruxos temidos em seu tempo. Aquilo era realmente ridículo e Severus não podia estar mais irritado por não poder usar magia.
Ficaram um longo tempo em silêncio até que Severus ouviu Peter exclamar alguma coisa em voz baixa e colocar a mão na cabeça, parecendo atordoado.
- O que aconteceu? - Perguntou, embora já soubesse.
- Não sei... - Ele ainda parecia estar preocupado que a sensação pudesse voltar. - Foi como se-
– Se você não estivesse no controle.
Peter apenas assentiu. Severus fez menção de voltar a polir os troféus e Peter se adiantou em falar outra vez:
- Você também sentiu isso então?
- Sim. Algumas vezes. - Colocou a taça que tinha em mãos de lado, sabendo que o loiro não ia se calar tão cedo agora. - E você?
- Também... E aí?
- "E aí" o que?
- O que você acha disso? É obvio que pensou alguma coisa!
Severus voltou o olhar aos troféus, desinteressado.
- Talvez.
Peter estava perdendo a paciência.
- Olha, querendo ou não estamos na mesma situação, o mínimo que você podia fazer era dividir a informação!
- Não é uma informação, é apenas uma suspeita. Não tem nada confirmado.
Peter cruzou os braços, esperando.
- Eu acho que temos um tempo limitado. - Falou Snape
A expressão de Peter mudou de irritação para preocupação e medo.
- Como assim?
Severus deu um meio sorriso sarcástico.
- Nunca se perguntou o que teria acontecido com nós mesmos dessa época já que estamos aqui? - Severus não podia negar que estava fazendo questão de enrolar para contar sua teoria. - Nós não simplesmente voltamos no tempo. O que quer que tenha nos mandado de volta não vai nos manter aqui para sempre. Nossos "eus" desse tempo vão acabar assumindo o controle, mais cedo ou mais tarde.
Peter engoliu em seco.
- Então quer dizer que uma dia nós-
- Vamos acordar e estaremos mortos de novo? Basicamente. - Deu de ombros. - Mas, como eu disse, não tem nada confirmado.
- Como não tem nada confirmado? É lógico que é isso! O que mais seria? - Peter já estava se descabelando com a informação. - Mas que inferno! Para que fomos mandados de volta se nem ao menos temos chances de mudar nada?
- O que? Você esperava mesmo que alguma coisa dessa situação fosse ser boa para nós? - Sorriu sarcástico. - O universo deve estar rindo da nossa desgraça agora, com certeza isso foi só uma forma criativa de nos punir.
Peter parecia inconformado, o que para Snape era uma grande estupidez. Quanto mais rápido aceitasse que não havia como eles mudarem seus futuros, melhor.
- Temos que contar isso para Dumbledore.
Severus não conseguiu esconder seu descontentamento com a sugestão.
- Ele não precisa saber de cada passo que nós damos.
- Agora é "nós"?
Lançou um olhar furioso ao loiro.
- Eu diria que preferia você quando você tinha medo demais para abrir a boca, mas isso seria mentira, desprezo você das duas maneiras.
Peter apenas girou os olhos.
- Olha, eu não sei qual o seu problema com o Dumbledore, mas nós temos que contar isso para alguém, já que não vamos ter tempo suficiente de ajeitarmos tudo por nós mesmos.
- Como se ele pudesse fazer alguma coisa.
- Desculpa se eu estou tentando garantir que a Lily fique viva dessa vez.
Severus tentou não dar a a satisfação para ele de mostrar que tinha o atingido em cheio, mas sem sucesso.
- Irônico isso vindo de você. - Falou, mais para não sair por baixo do que por qualquer outra coisa. - Tudo bem, vamos falar com ele. Mas não hoje. Tenho que pensar no que exatamente é necessário dizer.
- Como pensar? Temos que falar tudo! Da profecia, das horcruxes, só nós sabemos como derrotar o Lorde!
- Vocês, grifinórios, são mesmo uns simplórios. - Balançou a cabeça, voltando ao trabalho.
- E agora eu sou um grifinório de novo. - Peter comentou, com um pequeno sorriso discreto, antes de voltar ao trabalho também.
Ficaram mais um bom tempo em silêncio. Tinham conseguido polir metade e colocaram as coisas de volta no lugar. Ainda teriam mais um dia de detenção, mas pelo menos o trabalho estava indo rápido.
- … Naquele dia, na sala do Dumbledore. - Severus começou em tom baixo, um tanto desconfortável. - Foi a primeira vez que ele tentou legiminência com você?
Peter deu um sorriso amargo.
- Você quer saber se eu sei oclumência ou não, não é? Não, não sei. - Deu de ombros. - Nunca soube e provavelmente não devo ser capaz de aprender.
- Como-
Riu, sem humor.
- É fácil passar despercebido quando ninguém dá muita coisa por você.
Severus ficou surpreso.
- Então, no final, ele confiava mais em você do que em mim? - Falou para si mesmo, mas Peter acabou ouvindo.
- Você devia agradecer por ninguém suspeitar de mim. Eu já sabia que você era um espião, mas o Lorde nunca pensou em checar minha mente. Ele achava que eu tinha medo demais para mentir para ele, mas ele esqueceu que omitir não é mentir.
Os dois saíram da sala.
- Amanhã falamos com Dumbledore? - Insistiu Peter.
Severus suspirou.
- Como quiser.
- Ótimo.
Os dois deram as costas um para o outro e seguiram seu caminho.
Como deve ter dado para constatar, esse capitulo foi focado no Peter (por isso o nome do capitulo)... O que quer dizer que no próximo o foco será no Sev.
Eu... Estou nervosos quanto a esse capitulo porque esse e o próximo são meio que super importantes para o crescimento dos personagens... Espero que eu tenha me saído bem (?). E gente esses comentário lindos me fizeram chorar! Sério mesmo, fico muito feliz que tenham gostado do jeito que eu escrevo o Pete! Sinto muito por não ter sido consistente nas minhas atualizações, ainda não consegui encaixar um horário próprio para escrever na minha rotina... Mas darei um jeito. O próximo capitulo já está em andamento!
Continuem mandando criticas, sugestões e etc! Obrigada mesmo, gente!
(Ah, e Mara, essa questão Lily e Sev será abordada nos próximos capítulos.)
