Capitulo não betado.


Capitulo 4 – Diaemus youngi

Era irônico que não houvesse se lembrado o que tinha acontecido naquela data antes, mas com tudo o que acontecera nos últimos dias era até compreensível. Porém, ao ser chamado naquela manhã em especial, todas a suas lembranças vieram à tona.

Hoje era o dia em que Tobias Snape morreria.

Severus recebeu a noticia do acidente e recebeu permissão para ir visitá-lo, embora nunca tivesse pedido por nada disso e nem ao menos tivesse esboçado uma reação com a novidade, assim como na primeira vez. Deixou que as coisas fluíssem quase que mecanicamente, aparentemente esquecendo que controlava aquele corpo. Lógico que nunca tinha visto aquele dia como ruim, muito pelo contrário.

O que Tobias – seu pai – tinha feito além de tornar a vida já miserável dele e da mãe ainda piores? O que tinha feito se não beber e gastar todo o dinheiro que tinham para alimentar aquele maldito vicio, que o fazia gritar, quebrar as poucas coisas que tinham e esmurrar a mulher e o filho quando tudo mais falhasse? Ao menos tinha conseguido ficar sua adolescência fora de casa e não havia período que odiasse mais do que as férias. Para quê voltar para casa? Para encontrar com aquele trouxa imundo e com aquela mulher deplorável que um dia fora herdeira de uma rica família puro-sangue e que agora mal parecia lembrar-se que era uma bruxa? Sempre vira Hogwarts como um lugar muito mais saudável e acolhedor, seu verdadeiro lar.

Em algum lugar naquilo tudo, Snape despertou de seu torpor. Estava sentado, naquele hospital público trouxa, numa enfermaria imunda, cercada de outros internos gemendo e suas mulheres e crianças. Apenas uma cortina surrada e amarelada os separava dos outros. Eileen - Sua mãe, a figura pálida, magra e fraca que mal passava de uma sombra, estava curvada numa cadeira, perto da cama. Tobias – na cama, ainda com um resto de sangue mal limpo no rosto e conectado a maquinas, embora as enfermeiras tivessem dito, quando acharam que Eileen não escutaria, que não esperavam que o homem sobrevivesse. Tinha sido atropelado por um carro, mas na verdade, já estava inconsciente pelo álcool antes disso. Snape imaginava a cena do homem que mais parecia um mendigo jogado numa rua qualquer e um motorista desatento o acertando. Ao menos o motorista fora inteligente e percebera que não fazia sentido se preocupar com o homem e fugiu logo em seguida.

Sua mãe e ele eram os únicos em completo silêncio ali. Mas não tinha sido nada disso que fizera Snape sair do automático, longe disso. Lhe passaram pela cabeça todos aqueles velhos questionamentos que sempre fizera a si mesmo. Por que? O que levara aquela bruxa brilhante a destruir sua vida dessa forma? O que a levara a permanecer mesmo depois da primeira vez em que apanhara daquele homem?

Olhava a mãe de perfil. Parecia cansada e muito mais velha do que era. Em algum lugar, porém, ainda via algo de uma mulher de cabelos e olhos negros que deveria ter sido razoavelmente bonita um dia. Sabia ainda o que estava por vir na vida dela: suicídio, dentro de poucos dias. Severus ainda estava em Hogwarts quando acontecera. Aparentemente, ela vira que nada mais lhe segurava naquele mundo e não adiantava mais lutar. Talvez tivesse sido apenas covarde. Não sabia bem o que se passava pela cabeça dela.

- Por que... ? - Deixou escapar, quase sem perceber.

Eileen se virou lentamente, como se tivesse em dúvida de quem tinha falado.

- O que... ? - Sua voz era fraca.

- Por que... Por que você se casou com ele? - Perguntou, indicando Tobias.

A mulher parecia despreparada para a pergunta.

- Eu... Eu o amo.

- E ele por acaso te amou algum dia? - Percebeu que carregara no desprezo da voz, mas era difícil se controlar. Era impossível que aquela mulher ainda acreditasse em amor, depois de tudo.

- Ele... Ele me ama.

- Ele nunca te amou.

- Não diga isso do seu pai!

- Pai? Ele nunca foi nem próximo de um pai para mim.

- Não fale do seu pai como se ele já tivesse morrido. - Ela desviou o olhar, ríspida.

Severus engoliu a raiva. Não adiantava de nada se alterar com ela. Já era tarde demais para que ela entendesse, não adiantava se tivesse uma segunda chance para tentar e-

Uma segunda chance. De repente se pegou perguntando o que ela teria feito se tivesse uma segunda chance. Se casaria com outro? Continuaria nessa vida? Faria sentido perguntar? Suspirou. Ainda lembrava de quando era bem pequeno, quando Tobias não bebia tanto e sua mãe lhe contava histórias sobre Hogwarts... Tinha sido quase feliz naquela época, mas hoje mal se lembrava de mais do que algumas cenas. Com o tempo, Eileen parou de viver e o que sobrou fora uma casca, que se deixava levar pelos acontecimentos a sua volta.

Quando tinha sido a última vez que conversaram? Que conversaram de verdade e não aquele tipo de conversa vazia, em que ninguém se escuta e só se mantem as aparências?

- Você parece com seu pai. Quando ele era mais novo. - A mãe disse, parecendo que sorria de leve.

Snape encarou-a. Não havia nada que odiasse mais do que ser comparado a ele, mas o jeito que sua mãe falava, quase parecia como se ela se lembrasse de algo bom.

Passaram se vários minutos em silêncio. O único barulho era das demais visitas, seus doentes e as enfermeiras que vinham checar se tudo estava bem.

- Você... Tem razão. - Ouviu a voz fraca de Eileen mais uma vez, ainda mais fraca que da primeira vez, de forma que Snape teve de se inclinar para ouvi-la. - Ele... Talvez não me amasse...

Teve que se impedir de falara algo grosseiro. Ela ainda achava?

- Você... É feliz? - Ela perguntou olhando para ele preocupada.

Foi pego de surpresa. O que era aquela pergunta? O que se passava na cabeça dela?

Ia dizer que não, mas encará-la, sabendo a decisão que ela tomaria dentro de alguns dias, fez com que mudasse de ideia:

- … Estou trabalhando para isso.

Eileen pareceu satisfeita e voltou a olhar Tobias na cama.

- Perdoe seu pai. Guardar amarguras não vai adiantar de nada.

- Eu... Não sei se consigo. - Foi sincero.

- Faça por mim. - Ela ergueu a mão, levando seus dedos até os cabelos dele, acariciando-o. - Faça por mim... Meu filho.

Nunca tinha ouvido-a falar daquela maneira. Com sentimento, como se realmente o enxergasse ali e não estivessem apenas vivendo uma fachada estranha de uma família. Parte de si achava ridículo que conseguisse ser tocado por besteiras daquela, por Merlin, já estava muito velho para isso! Mas ainda sim, tinha que admitir o quanto sempre sentira falta de um acolhimento, de uma relação familiar verdadeira.

- Vamos tentar de novo. - Ele começou, para a sua própria surpresa. Não pensava muito no que dizia, ao contrário do que sempre fazia e deixava aquele estranho sentimento de "fazer a coisa certa" lhe guiar. - Vamos ser uma família.

Ela parecia tão surpresa quanto ele mas assentiu.

- Espere até eu voltar de Hogwarts. – Parecia de certa forma egoísta pedir isso. O que ele podia proporcionar aquela mulher depois de todo o trajeto de vida que ela mesmo trilhara? Nem ele mesmo sabia como fazer sua própria proposta funcionar mas se deixou levar pela vontade de ao menos fazer algo ser diferente. – Podemos... Tentar mais uma vez.

Eileen olhou para frente, para o horizonte e sorriu, suspirando. A mão que ainda não tinha saído de seus cabelos o afagou novamente. De repente, Severus teve a certeza de que não havia o que fazer para mudar o destino dela.

- Você vai fazer as coisas diferentes, não vai, meu filho? – Ela o olhou e por um momento, Severus quase acreditou de que ela pudesse de alguma forma saber de tudo, tudo pelo que passara, que estava ali aparentemente tendo uma segunda chance.

- Vou. – As palavras escaparam com facilidade de seus lábios.

O sorriso de Eileen aumentou e pareceu iluminar um pouco seus olhos.

- Eu tenho orgulho de você.

Severus não soube o que dizer. Sabia que aquilo era de certa forma algo que ele queria ouvir. Queria ter ouvido a vida inteira. E agora... Parecia meio tarde, mas assentiu, meio sem jeito, para aquela mulher que não sabia de nada sobre ele. Nem sobre o tempo em que passara com ela e nem sobre todas as coisas horríveis que ele sabia que era capaz de fazer. E que agora poderia escolher não fazer. Talvez um dia ele pudesse ser digno das palavras de Eileen.

Mas ela nunca saberia, de qualquer modo.


- Peter?

A voz suave feminina lhe pegou de surpresa. Não que fosse anormal ouvi-la (bem, na verdade, considerando que ele não era daquele tempo e que ela deveria estar morta, era sim) mas por mais que a garota fosse simpática com ele, poucas vezes tinham se falado sem a presença dos outros.

- Lily? - Se virou para ela, tentando bloquear a imagem da garota, dali a uns poucos anos, sem vida, caída no chão. - O que houve?

- Nada. Só pensei que a gente pudesse conversar um pouquinho, se não estiver ocupado... - Ela sorriu docemente.

Franziu o cenho, mas não tinha porque negar.

- Claro.

Andaram juntos, falando sobre trivialidades. Deixou que Lily guiasse o caminho apenas tomando ciência de que ela o levava para uma parte mais afastada. Finalmente, ela se sentou nos degraus de uma escada mais escondida e ele a acompanhou. Pararam um pouco, em silêncio. Lily suspirou enquanto Wormtail se perguntava sobre o que seria aquilo.

- Eu... Sei que não devia me meter mas... Greta me contou sobre você.

- Ah. - Não sabia bem o que responder. O que ela poderia querer? Um amigo gay? Dar uma conselheira? Estaria preocupada com uma possível competição? Fofoca? O que raios se passava na cabeça de garotas adolescentes? - Eu não sou atraído por nenhum dos Marotos, antes que pergunte.

Ela riu suavemente.

- Não, eu nem achei isso... Sei que eles são quase seus irmãos, não esperava que você fosse gostar de um deles.

Sorriu, achando graça de si mesmo por ficar tão na defensiva.

- Mas... Você deveria mesmo contar para eles. - Lily continuou, mais séria e encarando-o com aquela expressão que sempre indicara uma maturidade superior a idade, mas que agora não causava exatamente o mesmo efeito. Wormtail continuava vendo uma garota por volta de 18, um pouco mais esperta do que a média, mas que ainda precisava de muita experiência de vida.

Sacudiu a cabeça.

- Não, Lily... É melhor deixar as coisas como estão.

- Mas Peter... Você não está cansado de se esconder? Não está cansado de mentir?

- E como... - Respondeu distraído, cada mentira que já contara vindo em sua mente.

- Então, o que está esperando?

- Você não entende.

- Do que você tem medo?

A pergunta dela ressoou eu sua mente. Medo. Essa era a palavra. Do que ele tinha medo, afinal?

- De viver. - Respondeu, com todo o peso que um homem que sobreviveu a guerra no lado errado poderia ter, mas essa profundidade passou despercebida pela Lily adolescente.

- Peter. - Botou a mão sobre o braço dele, tentando fazer com que ele a olhasse. - Eu entendo que você tenha problemas na sua família mas... Eles são seus amigos. É dever deles te ajudar e apoiar. Essa é a única forma de passar por cima de todas a dificuldades.

Algo no discurso dela o fez olha-la e prestar atenção em suas palavras.

- … E se eles não entenderem, é porque não eram seus amigos de verdade. E seja como for, prometo que pelo menos eu estarei do seu lado. - Ela sorriu. - Sei que talvez você nunca tenha me considerado assim mas... Você é meu amigo.

- Sim... Somos amigos... - Disse em voz baixa enquanto a ruiva lhe abraçava. Sentiu vontade de chorar, mas era como se nem tivesse mais lágrimas. Pelo menos não tangivelmente. Porque por dentro, ele chorava desde que se entendia por gente. Abraçou-a de volta, aproveitando a oportunidade de ter alguém em quem se apoiar. Não soube precisar quanto tempo ficaram daquele jeito. Peter realmente precisava daquilo e Lily não parecia se importar com isso.

- Peter... - Ela começou, suavemente. - Você devia procurar ajuda profissional...

- O que? - Perguntou sem entender, se afastando dela.

- Bom... Você sempre me pareceu uma pessoa muito fechada e eu me preocupo com você... Talvez você precisasse de mais do que apoio dos amigos, mas de um psicólogo.

- Um psicólogo?! - Perguntou, mas não porque não soubesse mas pela surpresa da sugestão.

- É... É um médico trouxa que trata do nosso psicológico, sabe, ele conversa com a gente e nos ajuda a melhorar... - Ela confundiu sua surpresa com desconhecimento, mas ele não se importou. - Eu poderia te ajudar a arrumar um... Se você quiser, é claro.

Ele começou a rir, um tanto histericamente, deixando ela sem entender.

- Peter? O que-

- Você é um gênio, Lily! Um gênio! - Disse abraçando-a com força. Já tinha ouvido algumas vezes sobre esse tipo de médico e até chegou a pensar que seria bom conversar com alguém totalmente neutro. Imaginava com teria sido bom se tivesse aprendido a controlar suas inseguranças... Talvez isso fosse o ajudar a não cometer os mesmos erros dessa vez.

- Que bom que gostou da ideia. - Lily riu, ainda um pouco sem entender a reação dele. - Mas não pense que isso dispensaria falar com os Marotos.

Peter a soltou, voltando a seu estado defensivo.

- Não sei como eu falaria isso pra eles...

Ela colocou as mãos acima da dele.

- Bom, eu estarei pronta para te ajudar no que precisar. Não se esqueça. - Sorriu.

Peter sorriu de volta, sentindo-se estranhamente esperançoso, como não se sentia a muito tempo. Talvez tivesse sim tempo para consertar as coisas. Talvez aquele tempo que ele e Snape tinham disponível não fosse uma punição... E talvez... Ele pudesse fazer mais...

- Ahm, Lily... Sei que não é da minha conta, mas posso te perguntar uma coisa?

- Claro. - Ela parecia curiosa.

- Você não sente falta da amizade do Snape?

Ela se surpreendeu com a pergunta – e ele também, tinha que admitir. Ele ia mesmo fazer isso? Ajudar Snape? Depois de tudo? É, talvez ele estivesse fazendo isso mesmo...

- Ah, eu... Nossa, essa pergunta é difícil, Peter... - Ela suspirou, enrolando os dedos no cabelo, como que para se distrair. - Eu... Claro que sinto. Quer dizer, ele era meu melhor amigo. Meu amigo de infância... Nós passamos por muita coisa juntos. Mas, você sabe o que ele fez.

- Já pensou em dar uma segunda chance para ele?

Agora ela que lhe olhava um tanto exasperada.

- Uma segunda chance? Chances foram o que eu mais dei para ele... Não foi só o fato dele ter me machucado dizendo aquela coisa horrível mas... Eu estava cansada. Cansada de tentar justificar, de dar sempre um novo voto de confiança e ele me decepcionar... Eu percebi que não tinha mais jeito. Achei que talvez se eu cortasse relações com ele- mas também não deu certo. Ele continua com aquela obsessão estranha com as artes das trevas.

- Se interessar pelas artes das trevas não é um problema. - Murmurou.

- Como? Agora você está soando como ele. - Ela franziu o cenho.

Peter coçou a cabeça. Tinha esquecido de como Lily era certinha. E os Marotos também, de certa forma. Agora quase entendia porque todo sonserino criticava os grifinórios por serem "certinhos"... O problema era que muitos deles encaravam o mundo como preto e branco e não se tocavam que a vida era bem mais complexa que isso. Mas esse é o tipo de aprendizado que o tempo traria.

- O que eu quero dizer é só que- Ele não quer mais nada a ver com o Lor- Com os comensais e coisas do gênero. Eu andei conversando com ele e... Só digo que, se você quiser dar uma última chance... Dessa vez pode valer a pena.

- Tem certeza? Muitas vezes me pareceu que ele ia largar aqueles amiguinho detestáveis dele, mas era só eu virar as costas e ele voltava a se comportar como um deles... Não quero mais brigas...

- Eu sei mas... Eu tenho certeza absoluta do que estou dizendo. Só... Pensa nisso, ok?

Ela sacudiu a cabeça afirmativamente e deu uma leve risada.

- Você defendendo um sonserino... Essa é nova pra mim.

Ele deu de ombros.

- Acho que a gente devia tentar entendê-los mais vezes. É só uma outra casa, não é?

Os olhos dela brilharam.

- Concordo! Que bom saber que você também pensa como eu!

Ele sorriu de volta. Bom, sua parte já estava feita. Agora, o que Snape ia fazer com isso, isso já era outra questão.


Severus voltou tarde a Hogwarts naquele dia. Mas tinha sido um dia... Bom. De certa forma. Se sentia mais leve do que quando havia deixado a escola.

Encontrou com Peter na frente da sala de troféus, mas ao invés de parar ali, seguiu em frente.

- Vem. – Disse simplesmente.

- Oi? – Peter o acompanhou, confuso. Severus revirou os olhos.

- Falar com Dumbledore. Não era isso que você queria?

- Ah! – Peter sorriu e Severus focou o olhar apenas no caminho a sua frente para não ter que ver a cara irritante do loiro. – E onde esteve o dia todo? Eu não te vi.

- Que eu saiba, não temos acordo nenhum de ter que dar satisfação da vida um do outro. Não meta o nariz onde não é chamado, Wormtail, ainda não aprendeu?

Podia sentir a irritação do loiro, mas continuou o ignorando.

Finalmente estavam de pé a frente da entrada da sala de Dumbledore.

- E agora? Você sabe a senha?

Seveus pensou um pouco. E então, sussurrou a que achava mais provável, intencionalmente não deixando que Peter escutasse. Sabia que isso ia apenas irritá-lo mais, mas não se importava.

A escada surgiu e os dois seguiram, batendo na porta do diretor que dentro de poucos instante veio recepcioná-los.

- Senhores Snape e Pettigrew. – Ele cumprimentou com um meneio de cabeça. – Não esperava os dois tão cedo. Entrem, por favor.

Os dois tomaram as posições em que estiveram há uns dias atrás. Fez se um silêncio enquanto Snape ainda tentava não encarar o velho, que os fitava intensamente. No fim, como Severus previa, foi Peter quem abriu o bico primeiro.

- Nós queríamos te contar de uma coisa estranha que nos andou acontecendo.

Wormtail pois se a narrar a estranha sensação de perda de controle que os dois andaram sentindo, enquanto Snape continuava desviando o olhar. Não queria estar naquela sala, não queria ver nada dela. Mantinha o olhar baixo, no piso, e mesmo isso lhe dava raiva.

- Entendo. – Disse Dumbledore, por fim. – Então esses episódios estão ficando cada vez maiores e mais frequentes, desde ontem?

Peter deve ter balançado a cabeça.

- Ao que me parece, vocês devem ter um tempo limitado por aqui. E depois disso, seus eus mais novos devem assumir.

- Um tempo limitado?! De quanto tempo?

Severus deixou escapar um riso seco e solitário. Não era engraçado como todo mundo ainda esperava que Dumbledore detivesse todas as respostas do universo?

- Não tenho como precisar. Mas eu diria para se apressarem, se querem fazer com que as coisas sejam diferentes dessa vez.

- E depois deixar tudo nas mãos do meu eu mais novo?! Eu não confiaria em mim para isso!

- Somos dois. – Disse Severus, não muito baixo.

- É o jeito. – Dumbledore disse com finalidade. – Temos que torcer para que as mudanças que vocês fizerem sejam as suficientes. Sinto muito, mas não posso ajudar mais que isso.

Peter pareceu decepcionado enquanto se levantava e Severus finalmente parou de olhar o chão e também se levantou.

- Ah, Severus, será que eu poderia ter uma palavrinha com você, em particular? – Disse Dumbledore.

Severus suspirou, irritado, mas deixou que Peter saísse da sala e se virou para o diretor.

- O que quer?

- Não vai se sentar?

- Estou bem aqui.

Dumbledore assentiu.

- Eu posso sentir que houve alguma coisa entre mim e você no futuro. Ou melhor, no futuro de onde você vem.

Esse era Dumbledore. Enfiando no meio das frases a indireta de que esperava que ele e Wormtail mudassem tudo. Severus cruzou os braços.

- Sinto dizer, mas vai ficar sem saber. Não tenho a intenção nenhuma de abrir minha mente para você.

- Não esperava que o fizesse. Mas eu vi algumas coisas na mente de Wormtail. Não posso dizer que tenho compreensão de tudo, mas entendo que você era um espião. De que lado estava, afinal?

- Do seu. – Disse entredentes. Dumbledore parecia impassível, mas Snape o conhecia bem para saber que por trás daquilo estava satisfeito com a resposta. – Posso ir embora agora?

- Eu gostaria que você me dissesse o que eu fiz para que você se mostre tão negativo a minha presença, mas acho que ainda não é o momento, é?

- Não sei, me diga você. Não é você que decide quando é o momento certo ou não? Eu matei você. Não viu essa parte na mente do Pettigrew?

- Vi algo. Fui eu quem pedi para você fazer isso? – Não houve nem ao mesmo uma pausa. Parecia que o velho sabia muito bem de tudo, e que sua confirmação era algo praticamente desnecessário.

- Bom saber que sua mentalidade mais velho era a mesma de agora. – Snape se virou para ir embora.

- Severus. – Sua mão estava na porta, poderia seguir sem olhar para trás. Mas olhou. – Eu gostaria de termos outra oportunidade de conversar. Posso inferir de que eu confiava em você e que você confiava em mim. Não acho que dois bons amigos deveriam partir dessa maneira.

Severus balançou a cabeça.

- Não acho que eu algum dia fui um amigo para você, eu era apenas mais uma peça. E já é tarde demais. Você está morto para mim, Albus. E eu também.

Seguiu seu caminho, mas não negara uma conversa futura. Devia ter falado alguma coisa, mas mais uma vez, se deixara levar pela falácia do velho.


Quando Severus chegou a sala de troféus, Peter já estava trabalhando.

- Eu estava pensando e precisamos de uma senha. - Disse o animago.

Resistiu a tentação de fazer um comentário sarcástico e pegou um troféu.

- Uma senha?

- Para sabermos se ainda somos nós mesmos ou... Nossos outros eus.

Severus apenas assentiu.

- Tinha que ser uma coisa bem besta, que ninguém desconfiasse, mas que não desse pra adivinhar a resposta. Tipo, se pedisse para escolher um número...

- 1998.

- Oi? – Peter se virou confuso.

- 1998. É a data em que morremos e nossos eus mais novos não pensariam nesse número exato tão fácil.

- E a pergunta seria...

- Escolha um número de 0 a 10. Não há como sabermos que a resposta é exatamente fora desse intervalo. Vai forçar que nossos eus mais novos respondam errado sempre.

- Oh! Boa ideia! – Peter sorriu como se aquilo fosse realmente brilhante e Snape meramente sacudiu a cabeça.

Ficaram em silêncio por um tempo.

- Ah – Peter recomeçou. – eu falei com a Lily sobre você.

Snape deixou cair a taça que segurava.

- O quê? Porque fez isso? Nunca pedi que falasse com ela! O que você disse?

- Eu sei, eu sei! Eu só disse que ela deveria tentar te dar mais uma chance e que você tinha mudado. Olha, sei que você não gosta da ideia de falar com ela mas quer uma mudança maior do que você e a Lily, ainda amigos? Vamos, é algo que pode manter seu eu mais novo longe dos comensais! Pensa só!

- Nunca funcionou antes, Wormtail. Não vai funcionar agora.

Peter teve a ousadia de revirar os olhos.

- Diga o que quiser. Mas, se mudar de ideia, tente falar com ela. Já fiz minha parte.

Severus ainda estava irritado, mas preferiu não dizer nada. Rato idiota, pensou.


Não vou justificar exatamente minha demora na postagem, mas lá vai uma pseudo justificativa:

Você teve algum motivo para ter parado?

Sim, eu perdi o papel onde eu tinha feito os planos dessa fic e não lembrava mais como os capitulo deveriam se desenrolar. Fora isso, mudanças de fandom, faculudade, vida e etc.

Você pretende continuar?

Sim. Tenho interesse, mas como dito perdi os papeis para a fic e vou ter que improvisar um pouco. E já vou avisando que o final dessa fic talvez seja bizarro para muitos, mas eu vou seguir o que eu queria originalmente como final (já que eu tinha criado um fim alternativo quando vi que tinha gente interessada em ler, mas acho que vou ser fiel ao que eu queria, mesmo que acabe sendo algo que só eu goste, já que foi assim que a fic começou, como algo que eu estava escrevendo para mim). Não lembro se eu falei qual a duração dessa fic, mas faltam 3 capitulos para ela terminar.

Respondendo a ultima Review da Mara, não, eu não tenho interesse em escrever sobre The Cursed Child especificamente.

Não gostei do livro, gosto do Albus sonserino mas qualquer coisa que eu escrevesse sobre new gen seria descartando o plot do The Cursed Child porque ele é uma baita quebra de universo.