Olá Bacantes! Mais um capítulo sendo respostado.
Agradecemos pelo apoio, e aos novos leitores que sejam muito bem vindos ;)

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Beijo das bacantes ;***

*********************** Cap 2 Cabo Sunion **********************

Saga andava pensativo em direção às celas do Cabo Sunion.

O manto escuro das vestes do Grande Mestre do Santuário já tinha a barra toda molhada de caminhar naquele lugar que tantas lembranças ruins lhe traziam. No entanto, havia assuntos bem mais urgentes em que pensar agora, e remoer o passado que lhe assombrava não estava entre suas prioridades. Pelo menos, não agora.

Chegando lá, acenou com a cabeça para o guarda que fazia a sentinela em frente à entrada da gruta onde se localizavam as celas.

— Ela disse algo? — perguntou com voz seca.

— Não senhor. Ficou calada esses cinco dias. — afirmou o guarda com um pouco de receio.

Saga conclui então que os cinco dias em que passara trancada e presa às correntes não foram o suficiente para refrescar a memória de Geisty de Serpente.

Gêmeos queria, e precisava, descobrir mais detalhes acerca dos planos que Kanon tramara contra si. Por que afinal das contas o irmão traíra sua confiança?

— Idiota. — balbuciou para si mesmo enquanto andava pelo estreito corredor de rochas úmidas — Achou que poderia ludibriar a Vory e passar a perna em mim.

Perdido em seus pensamentos, o grego logo chegou à frente da cela onde a amazona cúmplice do irmão estava presa.

Ao olhar para dentro viu a prisioneira deitada sobre o frio chão de pedra, que encostada na parede ressoando baixinho.

Geisty trajava um vestido longo, preto, todo puído e que nem de longe se parecia com o encantador Chanel em tecido nobre que usava no Cassino no dia de sua prisão, na elegante festa de Réveillon que comemorava o início do ano de 1994.

Os cabelos estavam oleosos e amarrados ainda em um penteado que se desfazia. No rosto uma sujeira borrosa marcava o que um dia foi uma maquiagem muito bem feita.

Saga fez sinal para o guarda abrir a cela e depois deixá-los a sós. Caminhou até a prisioneira e a cutucou apoiando um dos pés em sua coxa.

— Geisty, levante-se daí. — ordenou em tom ríspido — Nem parece uma amazona jogada no chão e suja desse jeito.

De sobressalto a jovem despertou desorientada, olhando nervosamente ao seu redor.

— Saga! — afirmou assustada ao olhar para o rosto dele.

Uma aura nefasta parecia encobrir o novo Grande Mestre.

E de fato estava. Mesmo naquela cela de iluminação precária era possível notar que os cabelos de Saga, que antes exibiam um tom azul intenso, agora pareciam se mesclar com densas mechas negras.

— Os guardas me disseram que não abriu a boca em todos esses dias. Pretende ficar muda? Ou vai colaborar e dizer como ajudou o Kanon a me trair? Responda amazona! — bradou a pegando pelo braço e a fazendo se sentar à força.

— Saga, por que está fazendo isso comigo? — disse ela assustada, numa ínfima tentativa de diálogo. Estava cansada, machucada e muito fraca. Tudo que não queria era enfrentar um interrogatório daquele homem naquele momento — Eu não sei de nada! Já disse. Tire-me daqui! Onde... onde está o Kanon? — arregalou os olhos e o encarou com severidade — O que você fez com ele? — perguntou em desespero.

— Você ainda tem coragem de me perguntar isso? Fui obrigado a mandar aquele infeliz para a morte! Meu próprio irmão! E você tem culpa nisso, Geisty e vai me pagar muito caro! — afirmou fechando a mão em seus cabelos e a puxando com força para que se levantasse do chão.

Geisty sentiu sua nuca arder, e numa resposta imediata, frente ao desespero e a dor que a tomava, gritou levando as mãos acorrentadas para trás da cabeça em uma tentativa débil de livrar-se da mão que a retinha, sem poder evitar que lágrimas já brotassem de seus olhos violetas.

— EU NÃO SEI DE NADA, SAGA! ME SOLTA!

— Você não sabe de nada? — questionou o grego dando um tranco em seu corpo debilitado, a trazendo para perto de si — Tem certeza disso Geisty? Ainda posso ser bom para você se confessar seus crimes. Posso, por exemplo, pensar em uma punição que lhe cause menos dor e sofrimento, porque você foi condenada à morte minha cara. Apenas meu bom coração e minha vontade a estão mantendo viva até agora.

Ao ouvir aquilo, Geisty tremeu dos pés à cabeça.

Mal conseguiu manter-se em pé. Seus joelhos falhavam, sua pele se arrepiava toda com aqueles toques agressivos, e seus olhos fitavam os dele marejados, e imersos em pânico. Não fazia simplesmente ideia do que responder, já que não sabia de nada, e no estado de desespero em que se encontrava nem organizar os próprios pensamentos era capaz.

Geisty de fato não fazia ideia do que Kanon havia feito.

Ao pensar nele um misto de dor e raiva tomava seu peito e deixava sua mente ainda mais confusa.

Por que afinal ela estava envolvida naquilo?

Ficava a cada pensamento mais e mais desnorteada. Estava totalmente envolvida em uma confusão dos gêmeos, mas sequer fazia ideia de como ou do por quê.

Esses pensamentos a fizeram soluçar de pavor diante da figura macabra que Saga exibia ali.

— Ah, então você não vai dizer nada? Acho que mais alguns dias sem comida fariam bem a você, não acha? Talvez eu saia por essas grades e simplesmente esqueça que está aqui. Por outro lado, se me disser tudo que sabe sobre o Kanon e o roubo aos Cassinos eu talvez pense em aliviar seu sofrimento. — disse Gêmeos em voz baixa e controlada, porém intimidante, amparando o corpo da amazona pela cintura enquanto a outra mão continuava segurando seus cabelos com força.

Geisty fechou os olhos e mais uma lágrima escorreu por seu rosto. Sem olhar para ele respondeu com a voz trêmula e fraca:

— Saga, a única coisa que Kanon me dizia todos os dias era que nossa vida iria mudar...

— Então nisto ele acertou não é? A vida dele acabou e a sua está em minhas mãos! Tem certeza de que não sabe de nada Geisty? Então não é o seu nome que está nas várias contas espalhadas por toda a Europa? Responda, sua cretina! — ordenou esbravejando entre perdigotos, enquanto sacudindo seu corpo fragilizado e torcendo seus cabelos a forçava a olhar para seus olhos, os quais possuíam um brilho vermelho opressor.

No mesmo instante, Geisty abriu os olhos em pânico já encontrando os de Saga sobre si.

— Que contas? Não tenho conta bancária nenhuma em meu nome! Por que eu abriria uma conta se não tenho dinheiro? O que o idiota do Kanon fez? — perguntava aos soluços, tremendo os ombros e com o rosto sendo lavado em lágrimas, tanto de desespero quanto de raiva.

— Em primeiro lugar, engula essas lágrimas, pois vai precisar delas para o lugar para onde vou te mandar. — afirmou raivoso — Então, você não tinha contas... Dissimulada! Pois saiba que tinha sim! E todo o dinheiro que havia nessas contas em seu nome, Geisty, e o qual eu recuperei, vai ser usado para pagar a sua dívida e a de Kanon... Mas ainda falta muito, minha cara! Então me diz, como acha que vai pagar essa dívida, Geisty? — perguntou com um tom de riso na voz.

Desesperada. Essa era a atual condição de Geisty. Sua cabeça parecia que explodiria a qualquer momento.

— Saga... Eu não sabia de nada... — afirmou a amazona ofegante diante dos olhos de puro ódio do geminiano — Kanon só me dizia que nossa vida iria mudar para melhor... E... Então me pediu vários documentos... Me mandou tirar um passaporte dizendo que sairíamos do Santuário... Eu... Eu não sou louca de compactuar com uma coisa dessas! Eu jamais desafiaria a máfia! Talvez por isso ele não tenha me dito nada... — contou em desespero, se agarrando ao braço de Saga — Eu o amava, Saga... Mas você sabe tanto quanto eu que a ganância dele não tinha limites... Se ele tivesse me dito algo eu certamente o impediria!

— Então ele não lhe disse nada... Mas eu sim vou lhe dizer uma coisa, Geisty. É você quem vai pagar a dívida enorme que Kanon fez. O dinheiro que foi desviado para as contas de vocês dois será você quem vai levantar, moeda a moeda! Ou eu irei matá-la com as minhas próprias mãos, porque só assim os malditos russos vão me deixar em paz... Ou eu faço você fechar o rombo que Kanon fez nos cofres da máfia, ou entrego sua cabeça para o Camus. E então, o que me diz? — perguntou sem se importar com as unhas dela cravadas em seus braços. Sabia que se quisesse poderia matá-la naquele instante, mas não queria.

A respiração de Geisty era pesada.

Seu coração acelerou tanto que achava que iria enfartar tamanho era o medo que lhe tomava naquele momento.

Sabia que Saga era um homem cruel, que Kanon era ganancioso, porém nunca imaginou estar totalmente a mercê daqueles dois psicopatas. Porque era justamente isso que Saga lhe parecia naquele momento, um psicopata se divertindo com a sua vítima antes de lhe subtrair a vida.

— Saga... — disse por fim com a voz trêmula, quase inaudível — Eu não tenho dinheiro... Não tenho como pagar essa dívida e você sabe disso! Vocês estão jogando nas minhas costas uma culpa que não me pertence! Por favor, seja compreensivo... Eu... Eu te imploro... Por favor, não me torture mais com isso... Farei o que for preciso... Mas... Não pode colocar a culpa toda em mim! — Pedia ela entre lágrimas.

— Ah, você fará sim! Pode ter certeza disso! — disse Gêmeos soltando um riso sádico — E sua culpa começou a partir do momento em que se envolveu com Kanon, portanto ela é sua sim, e terá que assumi-la junto com a dívida dele... — Saga então a puxou para mais junto de si, colando seus corpos e aproximando seu rosto a milímetros do dela, enquanto sentia os punhos frágeis o empurrarem o peito em uma tentativa de manter distância. Olhou nos olhos violetas tão raros que lhe fitavam em assombro, e disse num tom de voz mais baixo, porém não menos ameaçador — Você irá para o antigo templo de Baco. Estou abrindo um estabelecimento lá e você irá pagar a dívida trabalhando para mim. — afirmou, logo em seguida a soltando com um empurrão que a fez cair sentada no chão.

O cavaleiro de Gêmeos então caminhou a passos rápidos até a entrada da cela e bradou em voz grave:

— GUARDAS! Quero que levem essa amazona para o Templo de Baco, lhe deem roupas, comida e bebida. Quero também que a vigiem de perto. Se tentar fugir ou se matar serão mortos junto com ela. — afirmou enquanto os via concordar rapidamente baixando a cabeça — Até logo amazona. — disse por fim, com a voz suave, antes de cruzar a saída da cela e deixá-la sozinha com os guardas.

Geisty por sua vez, estava sem amparo.

Sua situação não podia piorar! Ou será que podia? — "Era melhor ter morrido logo junto com o pulha do Kanon." — pensou, já que tudo indicava que aquele louco do irmão dele não a deixaria em paz nunca mais.

Diante da situação imposta, apenas resignou-se a levantar daquele chão sujo e cheio de lodo e acompanhar os guardas até o templo de Baco, como o Grande Mestre havia lhe ordenado.