*** Cap 3 Testando a mercadoria***

Saga estava satisfeito. A reforma do Templo de Baco estava completa e finalmente iria poder dar início a seus planos e abrir seu negócio.

No final de uma tarde de Quarta-Feira, o grego recebeu a encomenda que tanto aguardava. Um belíssimo vestido feito sob medida para Geisty, o qual fora enviado para a moça logo em seguida por intermédio de um dos servos do Grande Mestre.

Ao seu porta voz Saga ordenou que entregasse um comunicado a Afrodite de Peixes, no qual o convocava para uma reunião no antigo Templo de Baco em algumas horas.

Desde que fora liberta do Cabo Sunion, Geisty agora vivia em uma das suítes do Templo de Baco, a qual Saga ordenara que reformassem antes de qualquer outro cômodo.

Assim sendo, a moça apenas foi removida de uma prisão xexelenta para uma de luxo, pois era vigiada vinte e quatro horas.

Era nessa prisão confortável que Geisty estava quando recebeu o pacote que o servo de Gêmeos viera lhe entregar. Curiosa, o pegou nas mãos observando o bilhete que vinha anexado a ele onde leu:

"Vista-o. Quero que esteja deslumbrante como naquele dia no Cassino. - Saga."

— Mas que merda! — disse a amazona, e então ergueu o olhar para o servo — O que significa isso?

— Mestre Saga disse para seguir as ordens do bilhete e mais nada. Com sua licença. — respondeu o homem franzino logo em seguida se retirando.

Geisty ainda o observou seguir pelo longo corredor de várias portas antes de dar dois passos para dentro do quarto e fechar a porta. Não tendo alternativa, deixou a caixa com o presente sobre a cama e foi tomar uma ducha, já que o mais sábio era cumprir a ordem do Grande Mestre.

Vestida com a lingerie que usava no dia em que fora presa no Cassino, a qual tinha lavado com alguns dos poucos produtos que Saga mandara deixar no quarto, desanimada Geisty sentou-se em frente à penteadeira para se arrumar.

Tudo que não queria era ter de olhar para o rosto severo do cavaleiro de Gêmeos novamente, porém não havia escapatória.

Prendeu os cabelos em um coque frouxo no alto da cabeça deixando alguns fios caírem pela nuca. Passou um batom muito vermelho nos lábios e destacou os cílios com máscara, nada mais.

Levantou-se e foi até a cama colocar o vestido, mas ao abrir a caixa tomou um susto.

O vestido que Saga mandara era exatamente igual ao vestido que a amazona usava no dia em que foi presa no Cassino. Um Chanel longo, preto, com uma grande fenda lateral em uma das pernas.

— Humpf! Maluco! — resmungou a moça enquanto pensava qual teria sido o propósito de Saga ao lhe fazer usar um vestido idêntico ao do dia em que foi capturada.

Mesmo desconfiada, Geisty vestiu a peça e perfumou-se com sua fragrância preferida, J´adore, que Gêmeos havia providenciado para ela.

Terminado, a amazona desceu as escadas e se encaminhou para o salão principal do Templo de Baco, que estava todo reformado, esbanjando luxo e sofisticação até mesmo nos pequenos detalhes, como as taças de drinks organizadas sobre as prateleiras de vidro fumê do bar.

Observando a tudo com olhos atentos, Geisty se sentou em um dos sofás de veludo vermelho para aguardar a chegada de Saga.

Enquanto isso, no Templo de Peixes Afrodite olhava desconfiado para o porta voz do Grande Mestre que fora lhe entregar o comunicado solicitando sua presença no Templo de Baco em duas horas.

— O que aquele maluco do miolo mole está tramando dessa vez? — resmungou enquanto lia a convocação, depois dispensou o servo com um gesto de desdém e entrou em sua casa, não antes de dar uma olhada saliente para as nádegas do rapaz antes de este sumir de sua visão.

Algumas escadas acima, no Templo do Grande Mestre, Saga estava pronto.

Pelos seus cálculos, Geisty já o esperava. Vestido com um terno azul escuro, propositalmente parecido com o modelo que seu irmão usava no dia da emboscada no Cassino, ele perfumou-se com uma fragrância amadeirada e seguiu para o Templo de Baco, ou como aquele lugar ficaria conhecido futuramente: O Templo das Bacantes!

Quando entrou na construção logo viu Geisty sentada em um dos sofás o aguardando.

Ficou deslumbrado!

Aquela amazona era uma das mais lindas mulheres que já havia visto na vida, e agora arrumada daquele jeito despertava ainda mais seus desejos.

Caminhou até ela lhe encarando nos olhos.

— Boa noite, amazona! Está linda! — disse o geminiano em tom cordial enquanto estendia a mão a ela.

Geisty por sua vez, olhava para aquele homem com olhos curiosos e um tanto assustados.

Na mente da amazona uma confusão se instaurou. Tudo que conseguia pensar ao ver aquela figura diante de si era no motivo de Saga estar vestido como Kanon.

Sua parte racional lhe alertava de que aquele homem de olhar ansioso e cabelos de azul intenso não era seu ex-namorado. Contudo a semelhança era assustadora!

E o perfume? Ou estava tendo um delírio olfativo ou Saga usava exatamente o mesmo perfume do irmão gêmeo. Aquele maldito só podia estar querendo testar sua sanidade.

— Creio que esteja se perguntando o que faço aqui. — continuou Gêmeos recolhendo a mão que não fora aceita a colocando no bolso do blazer — Pois bem, eu vim lhe inteirar de sua função no negócio que pretendo abrir e com a qual irá pagar a dívida que meu irmão contraiu em seu nome. Por favor, me acompanhe ao andar de cima.

Saga então deu dois passos à frente esperando que ela o seguisse.

Geisty estava tão chocada que não contestou de imediato, apenas se levantou e o seguiu escadaria a cima sem esboçar reação, se limitando a analisar a figura a sua frente.

Gêmeos cruzou um corredor grande, carpetado de vermelho escuro e à meia luz até uma ala oposta à que ficava o quarto da amazona. Depois de passarem por várias portas, terminaram por entrar em uma que já se encontrava entreaberta.

— Entre. — disse Saga dando passagem à mulher, que assim que entrou correu os olhos pela decoração exagerada — Fique à vontade. Quer algo para beber?

— Não, obrigada. Vá direto ao assunto, Saga. — respondeu a amazona que franzia a testa ao olhar para a enorme cama de detalhes em ferro dourado e lençóis vermelhos. Achou tudo muito brega. — "Por todos os deuses do Olimpo, que mau gosto!" — pensou contendo sua expressão de desagrado, porém de súbito um pensamento se formou a deixando amedrontada — "Por que raios ele me trouxe pra cá? Para esse lugar tão... pitoresco! Ah, não! Não pode ser o que estou pensando!"

Imediatamente a cabeça de Geisty começou a latejar e o coração a acelerar, fazendo a adrenalina correr por cada fibra de seu corpo fremente. Mas, antes mesmo de se virar e poder dizer algo, a mão de Saga foi mais rápida e lhe circundou a cintura a trazendo para mais próximo dele.

— Creio que já deva imaginar que tipo de função eu lhe designei para trabalhar para mim. — disse Gêmeos encostando seu rosto ao dela, então continuou em tom bem baixo, quase num sussurro rouco — Eu vou abrir um bordel, Geisty, e você vai ser a joia desse lugar! Mas... Para me certificar de que estou oferecendo um bom produto aos meus clientes devo primeiramente testá-lo! — falou, aspirando o perfume dos cabelos negros dela, enquanto roçava os lábios propositalmente na têmpora da amazona, que parecia em choque — Agora... eu quero que você tire sua roupa lentamente, que dance para mim e depois deite-se na cama.

Desperta pelo despautério que acabara de ouvir, Geisty estreitou seus olhos violetas encarando os de Saga, os quais a divisava com volúpia, e com um gesto brusco espalmou as mãos no peito dele afastando seus corpos.

— Você por acaso é louco? — disse ela em tom raivoso — Isso... Isso não pode estar acontecendo! Isso é... é algum tipo de brincadeira?

A resposta veio cínica, beirando o jocoso.

— Não, estamos falando muito sério, minha cara.

— Eu sou uma amazona! Uma guerreira em defesa da causa nobre da deusa Atena, e não uma vadia que está aqui para satisfazer a um capricho sórdido de um lunático feito você, Saga de Gêmeos! — dava passos receosos para trás na tentativa de criar a maior distância possível do cavaleiro.

— E Grande Mestre. Não diminua meus títulos, minha cara. Mas você deveria ter se lembrado dessa sua nobre tarefa antes de se unir ao canalha do Kanon e juntos roubarem algo que não lhes pertencia, não é mesmo, ou estou enganado?

— Eu não roubei nada. — respondeu com voz pausada e carregada de ódio.

— Ah! Roubou, roubou sim! E os russos estão me cobrando, mas é você quem irá pagar.

— Não bastou me deixar à míngua por cinco miseráveis dias naquela prisão podre, agora quer que eu me prostitua? — falava exasperada a plenos pulmões — Vá se foder! Eu vou embora dessa merda.

Determinada, Geisty elevou seu Cosmo rapidamente enquanto era observada por Saga, e já traçando a rota de fuga daquele quarto saltou na velocidade do Som em direção à porta, porém Gêmeos sem a menor dificuldade a interceptou, e a agarrando pelo braço a jogou de bruços sobre a cama.

Usando o peso de seu corpo, Saga deitou-se sobre ela para contê-la, em seguida segurou em seu queixo e virando o rosto moreno para o lado a fez olhar para si, então encarou os olhos violetas de forma severa.

Geisty, porém, se surpreendeu ao notar uma intensa faísca vermelha cintilar nas íris cor de jade do geminiano as tornando escarlates.

— Pense bem, minha cara. Qualquer tentativa de fuga a levará à morte. Seja pelas minhas mãos, ou pelas mãos da Vory v Zakone, a quem você roubou... Sua dívida tem que ser paga, Geisty. — disse com a voz ameaçadora — Pretendia o que com essa evasiva ridícula? Que eu a matasse? Pois não vou fazer isso. Achou ruim os cinco dias no Cabo Sunion? Saiba que se eu lhe entregasse às pessoas que me pediram sua cabeça seriam cinco anos de torturas... Um longo tempo de agonia até à sua lenta morte. — como resposta tinha a expressão acuada da jovem em completo terror — Acha mesmo que pode sair impune? Você ajudou meu irmão a passar a perna na Vory v Zakone e em mim, e vai pagar o preço por essa dupla traição! — afirmou agarrando a alça do vestindo dando um puxão.

— Seu louco! — gritou rouca — Eu já disse que não roubei nada! — se debatia em vão sob o corpo do cavaleiro, assustada com aquele olhar feroz.

Além dos olhos que exibiam um estranho e fantasmagórico brilho vermelho, Geisty notou que os cabelos de Saga estranhamente pareciam bem mais escuros do que momentos antes, quando entraram no quarto. Mechas negras intensas se mesclavam às azuis e a amazona pensou estar perdendo a sanidade devido àquela constatação.

Deveria estar delirando por causa do medo!

Contudo, apesar do pavor a mente de Geisty lhe pregava uma peça de mau gosto.

Mesmo sabendo que aquele homem era Saga, o cheiro dele, a voz, e até mesmo alguns gestos eram de Kanon, tornando a situação da amazona ainda mais conflitante.

— Ah, Geisty, acha mesmo que vai escapar de mim e do seu dever? — Saga sussurrou voluptuoso ao ouvido dela enquanto percorria com os lábios as costas da garota distribuindo beijos na pele arrepiada.

— Seu babaca! Você pode se parecer com ele, estar vestido como ele e até cheirando como ele, mas você não é ele! Você não é o Kanon... Pode até conseguir me foder agora, mas acredite, não vai chegar nem perto de como ele me tinha! — disse Geisty com asco entredentes e um tanto quanto resignada.

— Geisty, Geisty... Acha mesmo que estou imitando meu irmão? Eu me visto assim, eu cheiro assim... Kanon é que era apenas uma sombra minha. Eu sou o original, minha cara! Eu sou o mais velho. Ele me copiava em tudo o que fazia, sua tola.

Você vai ser a primeira deste Templo! — dizia enquanto arrebentava a calcinha que ela usava e a virava de frente para si — Agora, você vai saber que o original é sempre muito melhor que qualquer cópia!

Ao ser virada de frente e encarar a face contorcida de Saga, Geisty pode notar que agora ele não se assemelhava tanto mais a Kanon, mas parecia mesmo outro ser, completamente desconhecido, e ainda mais assustador do que o anterior. Ficou observando, confusa e curiosa, aquela figura sombria afastar-se minimamente, se pondo de joelhos sobre a cama para se despir enquanto a comia com olhos felinos.

Contudo, Geisty era uma amazona de sangue quente. Mesmo se vendo em uma situação onde não teria escapatória não deixou seu orgulho vacilar.

— Original? — disse soltando uma lufada — Não mesmo! Você nunca... Está me ouvindo bem? Nunca vai chegar aos pés do Kanon. Pode ser igual a ele, mas te falta muita coisa! Para começar te falta sanidade mental, seu verme!

Saga soltou uma gargalhada sonora, depois, já nu, tombou o corpo para o lado e esticou o braço até a pequena gaveta do criado mudo de onde retirou uma embalagem de camisinha. Sem pressa alguma desembalou o preservativo e o colocou, sob o olhar incrédulo e analítico de Geisty que parecia perdida em perplexidade frente à forma prática com que ele tratava do assunto.

Saga então olhou novamente para a mulher sobre a cama e com um sorriso vitorioso no rosto lhe acariciou as coxas grossas já se debruçando sobre ela.

— Eu sou melhor! E você vai ver! E vai pedir mais! — afirmou convencido.

Gêmeos mergulhou naquele corpo quente, macio e perfumado com o mesmo prazer e ansiedade de quem mata a sede em uma fonte de água cristalina. Afoito, febril e urgente!

Colocou-se entre as pernas dela se encaixando como podia, já que Geisty não fazia questão nenhuma em tornar as coisas aprazíveis para ele. Não reagiria, e estava resignada a não lhe corresponder em nada.

Saga, porém pouco se importava. Naquele momento ele desejava aquela mulher com ânsia e nada mais lhe importava. Por isso, não demorou em saciar seus desejos e logo já a estava estimulando com os dedos, delicadamente, procurando fazer com que ela mudasse de ideia e aproveitasse tanto quanto ele, enquanto serpenteava a língua no pescoço quente e perfumado.

No entanto, a amazona se mantinha impassível mesmo diante de toques e investidas tão dedicadas e prazerosas.

Gêmeos a testava, e a cada nova investida olhava para o rosto dela sentindo sua respiração se alterar levemente. Não sabia se aquela reação era motivada por excitação ou por medo, mas também pouco lhe importava.

Finalmente tinha aquela mulher em suas mãos e era somente nisso que pensava.

Tentou beijá-la, mas a amazona virou o rosto encarando um quadro pendurado na parede, o qual exibia uma moldura para lá de exagerada. Aliás, o quadro se tornara o foco de atenção de Geisty durante todo o ato.

— Está pronta pra mim, Geisty? — disse o geminiano roçando os lábios no pescoço dela.

Como esperado nenhuma resposta foi dada, e apesar de seus sentidos e de sua mente a confundirem, fazendo todos os pelos de seu corpo se eriçar com aquela cópia fiel de Kanon sobre si, com o cheiro tão saudoso e a voz tão conhecia, Geisty se mantinha imóvel, apenas torcendo para que ele acabasse antes de ela não resistir às vivencias e ceder, pois sua mente começava a lhe pregar peças bem desagradáveis.

Enquanto isso, no Templo de Peixes Afrodite esperou o horário marcado gastando todo seu tempo se arrumando. Mas será que poderia o cavaleiro cuja beleza resplandece entre o céu e a terra ficar ainda mais belo do que já era?

Claro que sim!

Peixes tomou um banho demorado, escovou os longos cabelos e vestiu-se com uma calça preta bem justa ao corpo, uma camiseta branca com uma rosa negra estampada na frente e uma jaqueta de couro azul marinho com tachinhas douradas.

Não usava perfume, pois já era perfumado por natureza! Dádiva que adquiriu depois de anos mexendo com as toxinas de suas rosas letais que alteraram sua fisiologia.

— Tanta produção para atender ao chamado do pino frouxo do Saga! Que perda de tempo! — dizia para si mesmo enquanto ria para seu reflexo no espelho.

Quando ainda faltava meia hora para o horário estipulado por Gêmeos, partiu para o Templo de Baco, e chegando lá entrou no salão principal meio desconfiado.

Há anos não pisava naquele lugar.

Quando criança costumava explorar seus arredores e ruinas com Milo, Máscara da Morte, Shura e outro amigo ingrato de quem preferia se esquecer, mas desde que Shion os proibira de sair do Santuário nunca mais pisou ali.

Agora o Templo dedicado ao deus do vinho e dos excessos estava completamente mudado, todo reformado e com uma decoração bem excêntrica. Havia muitas mesas no grande hall de entrada, muitos espelhos, um palco grande, sofás vermelhos e um enorme bar com muitas bebidas.

— Por Dadá! — disse Peixes enquanto cruzava o salão olhando para tudo com olhos arregalados — Os sacerdotes de Baco hoje são decoradores de boate gay? Que babado é esse aqui?

O silêncio tomava completamente o lugar, e os passos do pisciano ecoavam pelos corredores.

Afrodite tropeçou em algumas coisas espalhadas pelo chão perto da escadaria que levava ao segundo andar. Parecia uma aparelhagem de som e algumas caixas aleatórias.

— Aquenda toda essa tralha!... E esse cheiro de perfume de quenga? ARGH! — falou tapando o nariz com uma das mãos enquanto subia a escadaria, sentindo o Cosmo de Saga ativo no segundo piso do Templo — Ô Sagaaaa! Você está aí, santa? Estou subindo!... Se estiver pelado continue assim! — falou deixando escapar um riso.

No quarto em que Saga havia levado Geisty, Gêmeos se levantava da cama de lençóis vermelhos ainda ofegante e meio letárgico. Apesar da apatia previsível da amazona, tinha conseguido um orgasmo delicioso e ainda se recuperava enquanto caminhava até o banheiro para tomar uma ducha. Aquela mulher realmente mexia muito consigo.

Geisty por sua vez, puxou os lençóis cobrindo sua nudez. Em seus pensamentos não havia nada. Nem Kanon, nem Saga, nem lembrança que pudesse apagar o que acabara de acontecer e o que estaria por vir. Teria que fazer uso dos anos de treinamento no campo das amazonas para se adaptar a sua nova realidade.

Enquanto refletia encolhida na cama, ouvindo o som da ducha ligada ela olhava fixamente para a porta. Em sua mente uma cena se desenhava onde ela se via atravessando aquele pórtico de madeira escura para a liberdade. Se pudesse era o que faria naquela hora, mas logo seu devaneio libertário fora quebrado quando pensou ter visto a maçaneta da porta girar.

Estreitou os olhos e ergueu o pescoço para olhar melhor. Estava tão concentrada que se estremeceu em um susto quando a porta se abriu de supetão e uma figura exuberante de cabelos azuis piscina e voz alta adentrou o quarto como uma tsunami barulhenta.

— AH-HÁÁÁ!... Saga, seu safado. Já começou sozinho? — bradou Afrodite ainda segurando na maçaneta. Tinha sentido o Cosmo de Saga ali e de mais alguém que não sabia de quem se tratava.

— AAAAAAAAAAAAAHHHH! — o grito de Geisty pode ser ouvindo ecoar pelo Templo. Imediatamente a moça puxou o lençol para se cobrir ainda mais, deixando só a cabeça para fora enquanto olhava para o intruso com espanto e rubor — Eeeei, como vai entrando assim?

Nesse mesmo instante o cavaleiro de Gêmeos saía do banheiro ainda com os ombros meio molhados, uma toalha branca enrolada na cintura enquanto massageava as têmporas nervosamente.

— Isso é jeito de entrar no quarto dos outros, Afrodite? — disse o grego piscando os olhos.

— Quem é a piranha ai? — perguntou o pisciano arqueando uma sobrancelha —Esperava mais de você, miolo mole! Essa daí não é aquela amazona que o seu irmão pegava? Tá com síndrome de vira-latas? Vai ficar catando o resto do Kanon?

Geisty franziu o cenho em desagrado.

Então aquele garoto tão bonito que mais parecia uma garota era o cavaleiro de Peixes!

Quando Saga disse seu nome, a amazona se lembrou dele da época em que treinava no campo das amazonas e os aspirantes a cavaleiro de Ouro, ainda um bando de moleques, circulavam por ali por perto.

E que sujeitinho mal educado Afrodite, pelo jeito, tinha se tornado!

Geisty ficou calada para evitar dar início a uma discussão. Tudo que queria era sumir dali o quanto antes.

— Olha como fala comigo. — disse Saga caminhando até um cabideiro de onde apanhou um roupão de seda preto, o oferecendo à Geisty — Não havia marcado com você daqui a algumas horas, Afrodite de Peixes? Geisty vai ser uma peça importante no negócio eu quero tratar com você. Por isso o chamei aqui. — afirmou, observando a amazona apanhar o roupão e o vestir às pressas — Por hoje é só, minha cara! Você foi ótima! Os meus servos irão lhe servir o jantar em seu quarto. Tenha uma ótima noite.

Geisty levantou-se da cama sem esboçar reação. De pé, vestiu o roupão e buscou o olhar de Saga o encarando com firmeza e espanto por alguns segundos. Os cabelos dele pareciam agora mais claros e completamente azuis, como na hora em que encontrara com ele no salão. Seus olhos também já não tinham mais o brilho escarlate de momentos antes. Achou bem estranho, mas logo deu as costas ao grego, apanhou o vestido rasgado do chão e caminhou em silêncio até a porta deixando o quarto.

Do lado de fora dois guardas do Santuário já esperavam a amazona para escoltá-la de volta a seus aposentos.

Fez todo o percurso de cabeça baixa, pisando firme. Estava indignada.

Ao chegar finalmente em seu quarto, Geisty fechou a porta atrás de si e ficou encostada se olhando no espelho que havia logo em frente. Estava horrível!

O batom vermelho todo borrado, os cabelos desgrenhados agarrados em sua pele suada, o rímel escorrendo pelo canto dos olhos... Levou as mãos ao rosto e saiu da frente do espelho. Não queria olhar para si daquele jeito. Nem de longe parecia a amazona que um dia fora. Teria sido essa vida deprimente que Kanon deixou para si como promessa? Odiava-o por isso.

Foi até o banheiro e ao se despir do roupão ergueu o vestido diante de seus olhos o analisando. Nessa hora um pensamento banal lhe veio à cabeça:

— "É o segundo vestido desse que eu perco. Não nasci mesmo para usar um." — Malditos gêmeos! — concluiu em voz alta.

No outro quarto, na extremidade oposta do corredor, Saga se sentava na beirada da cama enquanto Afrodite permanecia de pé perto da porta.

— Feche a porta, por favor. — pediu o geminiano.

Peixes dobrou o joelho, encostou o pé na madeira e empurrou a porta a fechando com um tranco.

— E então, Afrodite... O que o fez vir mais cedo? Era vontade de me ver? — perguntou sorrindo maliciosamente enquanto apoiava os cotovelos nos joelhos.

— Não seja tão convencido. Estou apenas trinta minutos adiantado, o que significa que não sou eu que sou ansioso, mas a sua brincadeira com a amazona que foi muito rápida. O que houve? Não está mais dando no couro? — riu o sueco.

— Está bastante saidinho hoje, heim? — disse Gêmeos encarando os olhos do cavaleiro — Eu tinha me programado para encontrá-lo no bar, ou em sua suíte... Você subiu aqui porque é curioso.

— Minha suíte? — perguntou o pisciano arqueando uma sobrancelha — Mas, foi você quem me mandou vir aqui, miolo mole.

Saga sorriu irônico, enquanto olhava nos olhos aquamarines curiosos do pisciano.

Claro que se referia a suíte que Afrodite ocuparia ali no Templo de Baco, só teria que inteirá-lo disso, além de convencê-lo.

No entanto, Saga estava certo de que Peixes não lhe daria problemas, já que desde moleque aquele ali tinha um fogo que ninguém conseguia apagar!

Só precisava dar a notícia com cautela, da forma correta.

— Tenho uma proposta para te fazer e creio que você não poderá declinar, ou já sabe as consequências pela desobediência às minhas ordens como Grande Mestre e líder da máfia grega.

Afrodite se aproximou de Gêmeos, agora olhando fixamente em seus olhos.

— Nossa! Isso foi uma ameaça? Por que não estou surpreso? Sabia que um dia ela viria. — disse o pisciano.

— É mais um aviso que uma ameaça. — respondeu Saga tranquilamente.

— Vamos lá. Diga, santa!

— Afrodite, eu vou abrir uma casa de tolerância. — falou Gêmeos com naturalidade, se levantando da cama lentamente.

— Como é que é? — disse o pisciano caindo na risada — Vai abrir uma zona?

— Sim! Você sabe que o Santuário está afundado em dívidas. Mal temos capital para manter os aprendizes, cavaleiros de prata, segurança, servos, guardas... E a nós mesmos.

— Ok, e a solução para a nossa crise é abrir uma zona e fazer o povo trepar para esquecer os problemas? — disse o pisciano ainda segurando a risada. Aquela ideia era tão estapafúrdia que parecia piada.

— Não brinque, estou falando muito sério, Peixes. — respondeu Gêmeos se colocando bem à frente do outro, cara a cara — Você sabe que os russos me cobram muito... Principalmente o Camus, e que estamos nas mãos deles, já que bancam praticamente sozinhos toda nossa despesa. Não adianta nada ter um poder de rasgar os céus quando isso não te traz dinheiro, Afrodite!

— Aonde você quer chegar, Saga? Fala de uma vez! — respondeu o pisciano encarando os olhos jade do outro.

— Os russos não aceitam um membro homossexual na organização e você sabe disso. Eles acham que se você não tem um cargo de confiança na família é peso morto.

— Hum... Um membro homossexual assumido, né? Sejamos francos! — estreitou os olhos e deu um sorrisinho irônico para Saga — Enfim, digamos que não queira ser um peso morto para eles. Eles me dariam um cargo de confiança "na família" conservadora e homofóbica deles? Não! — disse Peixes balançando os ombros — O que se suponha que eu deva fazer?

— Eles exigem que você trabalhe no bordel para pagar as dívidas do Santuário, assim como os outros cavaleiros. Cada um terá uma função aqui e o estabelecimento será usado para lavagem de dinheiro da Vory também.

— Hum... Sei... Eles exigem que eu trabalhe nesse negócio, mas imagino que minha função não será cuidar do caixa ou servir café, estou certo?

— Sim, está. — falou Saga — Eu preciso de alguém para supervisionar as meninas que irão trabalhar aqui... — levou uma das mãos até os cabelos de Afrodite fazendo uma caricia, depois segurou em seu queixo o fazendo olhar para seus olhos fixamente — Preciso de alguém de minha confiança que lhes de dicas, que supervisione o que estão fazendo e, principalmente, alguém que tenha certa experiência para lidar com homens influentes, porque pretendo conseguir outras parcerias usando o bordel como terreno neutro para quem sabe um dia nos emancipar da maldita Vory!

— Sei... — Afrodite estreitou os olhos — Trocando em miúdos, Saga, você quer que eu me prostitua nesse seu bordel. É isso? Por que se for isso desaquenda! Nada feito! — disse segurando no punho do geminiano.

— Não leve para esse lado Afrodite.

— Não? Devo entender isso como então, santa?

— Não estou te obrigando a se prostituir, não é isso. — Saga segurou nas mãos do pisciano — Presta atenção. Eu permito que você escolha com quem irá se deitar. Você já faz isso, Afrodite, não seja hipócrita. Você tem quem você quiser, a única diferença é que pode lucrar com suas conquistas e jogos de sedução, e lucrar muito! Pode ter muito além do que só uma boa trepada.

— Hum...

— Sem contar que você seria a rosa exuberante desse lugar. Sua beleza única seria o chamariz perfeito para atrairmos mais frequentadores... Em resumo, você irá se divertir e ainda me ajudará a lucrar para um dia colocarmos os malditos russos para correr daqui. — a mente do geminiano trabalhava rápido, e como quem não quer nada ele manipulava o pisciano a aceitar sua proposta absurda a maquiando na forma de diversão, já que a realidade era muito mais perigosa, pois o caminho da máfia era um caminho sem volta — E você sabe que não tem escolha, Afrodite. A menos que viva sem o apoio do Santuário ou que peça exoneração.

Peixes arregalou os olhos em espanto.

— Exoneração? Alôca! — disse acabrunhado — Eu fiz uma promessa quando recebi minha armadura, e não foi a você. Minha vida pertence à Atena e exoneração está fora de cogitação. — disse Peixes aproximando seu rosto ao de Gêmeos — Quer saber, Saga, isso está me cheirando a oportunismo!

— Oportunismo? — perguntou o grego enquanto fechava os olhos aspirando o perfume delicioso de rosas que os cabelos do sueco exalavam.

— Isso mesmo, Alice, oportunismo! — repetiu o pisciano.

Saga sentiu uma leve tontura, e seus sentidos por um momento lhe pareciam entorpecidos. O cheiro de Afrodite estava lhe instigando de uma forma estranha, nova, confusa. Esfregou o nariz e continuou:

— Por que você acha que é oportunismo?

— Porque é obvio que a Vory não está me exigindo nesse negócio apenas para ganhar dinheiro às minhas custas, né Saga! Ah, tá boa!... Eles querem me humilhar, e principalmente, eles querem me provar! Querem experimentar como é se deitar com um homem sem levantar suspeitas, estando bem longe daquela nação xexelenta deles... Esses suínos nunca me enganaram!

— E se for? — falou Gêmeos enlaçando a cintura do pisciano com ambos os braços o trazendo para junto de seu corpo, enquanto enfiava rosto entre as mechas azuis piscina — Não acho nada difícil todos quererem te provar.

Saga parecia precisar cada vez mais preencher todo seu ser com aquele perfume inebriante que exalava do Santo de Peixes.

— Bem... — disse o pisciano deixando escapar um risinho travesso — Se for... vai ser divertido! E ainda mais fácil acabar com eles!

— Eu sabia que você iria topar. — disse Gêmeos correndo as mãos por debaixo da camisa do sueco.

— Pela coroa de Dadá! Quem diria! Uma zona ao lado do Santuário!... O velho Shion deve estar se revirando no túmulo lá no topo do Star Hill! — ria o pisciano se apoiando nos ombros largos do grego.

Peixes de fato estava surpreso, porém não tanto pela proposta indecorosa, mas pelo o fato de não estar nem um pouco ofendido, sequer desconfortável, em aceitá-la!

Afrodite adorava sexo.

Desde muito jovem nunca tivera problema algum em admitir isso, também nunca escondeu de ninguém sua orientação sexual. Era muito bem resolvido consigo mesmo.

No entanto, nunca tinha imagino um dia se prostituir.

Todavia, não deveria ser algo tão difícil assim, afinal era só sexo. Além do mais, gostava de viver bem, seguia um alto padrão de vida, e o soldo que recebia como cavaleiro de Ouro há tempos não pagava mais seu luxo, mal dava para manter sua geladeira cheia. Fora as ameaças da máfia russa...

A Vory v Zakone praticamente estava lhe dando um ultimato! Se não aceitasse se prostituir, a máfia daria um jeito de tirá-lo do caminho, e Saga logicamente não iria se opor.

— E aquela amazona então vai ser também uma das atrações. — disse Afrodite um tanto quanto enciumado, surpreso com as caricias que Saga lhe fazia, mas já sabendo que suas toxinas deveriam estar mexendo com a libido dele, já que não as tinha sublimado como sempre fizera — E ela também terá privilégios?

— Não. Os privilégios são todos seus.

Afrodite não podia negar que estava ficando bem instigado com aquilo.

Apesar da relação quase fraterna entre eles, Peixes era um garoto cuja libido exalava dos poros e Gêmeos um homem lindíssimo, forte e imponente. Era difícil, portanto, para ambos manter a razão diante de tanta tentação.

— Eu sei que você pode fazer isso. — continuou o geminiano, depois puxou a jaqueta do outro para trás a retirando e jogando sobre a poltrona ao lado — Tem que entrar algum dinheiro nesse Santuário... E então, posso contar com você?

— Eu tenho uma condição! — respondeu Peixes segurando o rosto de Saga com ambas as mãos.

— Sou todo ouvidos!

— Eu aceito sua proposta se, e somente se, jamais for obrigado a trepar com quem eu não queira... E nada de me dar truque* com a velha história de que você é o cafetão e por isso fica com a maior parte do lucro. Quero exatamente a metade.

— É claro que uma porcentagem será sua, Afrodite. Não digo exatamente a metade...

— A metade ou nada feito, santa.

Saga imprimiu um semblante de zanga em sua face.

— Nossas despesas iniciais serão enormes, mas uma porcentagem bem alta será sua, eu lhe dou a minha palavra. — disse o grego desafivelando o cinto da calça do pisciano — Nossa casa será frequentada por homens influentes e ricos, o alto escalão!

— Ah é? Nossa! Estou começando a gostar! — falou o sueco enquanto metia os dedos nas mechas azuis dos cabelos de Gêmeos, e dando um puxão para trás o fez olhar para si — E eu quero ser o seu sócio, não apenas um puto do seu bordel.

— Desde que não me cause problemas e não recuse programas com homens importantes para meus negócios futuros, acho que tudo bem você ser meu sócio! — respondeu o grego com um sorriso de canto de boca, depois baixou a cabeça e levantando a barra da camisa de Afrodite lhe depositou um beijo no torso nu — Mas... antes tenho que saber se as "joias" da minha zona merecem mesmo esse título e o preço alto que vou cobrar por elas.

Peixes fechou os olhos ao contato da boca quente e arfante do geminiano com sua pele, deleitando-se com aquela sensação. Provavelmente o que levava Saga a deseja-lo naquele momento eram suas toxinas, as quais agiam como uma droga, e se Gêmeos o queria na cama ele que não iria negar.

— Truqueiro*! Então o que estava fazendo com sua ex-cunhada era um teste de controle de qualidade?

— Sim. — respondeu o grego, descendo o zíper da calça do outro.

— E ela passou no teste? — perguntou Afrodite deslizando as mãos pelo rosto de Gêmeos, se atendo a cada detalhe do semblante selvagem e viril.

— Passou! Com louvor! — respondeu o outro sorrindo.

— E por que acha que eu preciso ser testado? Sabe muito bem que eu sou expert nesse assunto. — disse curvando o corpo para frente — A menos que haja algo em especial que você queira experimentar... — perguntou num sussurro.

Gêmeos retirou a toalha que usava enrolada na cintura a deixando deslizar até o chão, depois deitou-se de costas sobre os lençóis puxando o sueco consigo, o qual debruçou-se sobre o corpo maior quase colando seus lábios aos dele.

— Não, nada em especial. — disse Saga o despindo da camisa — Eu quero você por um todo. — beijou os ombros lânguidos com volúpia.

— E por que esse súbito desejo? — perguntou o pisciano — Não que eu esteja achando ruim...

— É de uma concordância geral e unânime que você faz as pessoas experimentarem a melhor foda de suas vidas... Eu ouço os bochichos que rolam pelo Santuário não é de hoje... Quero muito saber se o que falam de você é verdade. — afirmou Gêmeos enfim tomando a boca do pisciano num beijo urgente e intenso.

Completamente envolvido naquele jogo, Afrodite retribuía ao beijo com igual intensidade e desejo, fosse explorando com a língua a boca ávida e quente do outro ou sugando e mordiscando seu lábios.

Saga apertava com força o corpo menor sobre si fazendo o sueco gemer baixinho, enquanto afoito deslizava as mãos fortes pelas costas esguias dele até enfia-las dentro da calça jeans e empurrar o tecido para baixo, desnudando as nádegas do pisciano ao mesmo tempo em que se embriagava com o doce aroma de rosas que exalava dele.

Afrodite sentia os dedos firmes do outro lhe apertar com força as nádegas, e excitado como estava pressionava o quadril para baixo intensificando o contato de seu membro rijo com o de Saga.

Inflamado de desejo, instigado pelos beijos, os toques, o corpo do Santo de Gêmeos, Peixes terminou de livrar-se da calça e da cueca dobrando as pernas e as puxando para baixo para abandona-las aos pés da cama.

As bocas voluptuosas só se separavam quando ambos precisavam recuperar rapidamente o folego, mas logo voltavam a se provar novamente como se um magnetismo as forçasse a ficarem unidas.

Ao passo que provava o sabor dos lábios do pisciano, Saga sentia-se cada vez mais arrebatado por uma euforia libidinosa da qual jamais experimentara antes, pois Afrodite era tóxico, e fazer sexo com ele era como provar uma das mais poderosas drogas!

Tudo em Peixes era atordoante, inebriante, vertiginoso!

O coração de Gêmeos lhe golpeava o peito de forma até dolorosa. Sentia Peixes usar o próprio corpo para lhe massagear, fosse esfregando as coxas roliças em suas virilhas ou os braços fortes em seu tórax, enquanto usava as unhas longas para arranhar-lhe o peito deixando uma gostosa sensação de ardência em sua pele.

— Ah... Afrodite... — gemeu Saga sentindo uma leve tontura, enquanto sentia o outro cavaleiro lamber um de seus mamilos, fazendo círculos com a língua — O que... está fazendo comigo?

Afrodite escorregou pela beirada da cama e então se levantou. Colocando-se de frente para o geminiano encarou seus olhos felinos com suas duas gemas azuis aquamarines que faiscavam de luxuria.

— Você não queria saber como é? — disse, e então colocou a língua para fora e sem tirar os olhos de Saga a passou pelos dedos da própria mão, a qual deslizou em seguida pelo tórax até seu membro muito rijo começando a se masturbar lentamente.

— Sim, eu quero! — respondeu Gêmeos completamente entorpecido e enfeitiçado.

Olhava para aquele cavaleiro à sua frente se tocando e se dava conta de que a beleza dele ofuscava qualquer outro ideal que pudesse ter.

O rosto delicado, quase pueril, de Afrodite contrastava de maneira gritante com suas atitudes libertinas, fazendo daquele garoto a união perfeita do masculino e do feminino, do puro e do devasso!

Já para Afrodite, ver Saga completamente cativo de seus encantos era o que lhe dava mais prazer.

Deu uma piscadinha com um dos olhos para o geminiano, então esticou os braços e agarrou em seus tornozelos o puxando para a beirada da cama. Deixando as pernas de Saga pender para fora do leito, Afrodite se colocou entre elas ajoelhando-se no chão para em seguida segurar com firmeza no membro rijo e pulsante do cavaleiro lhe arrancando gemidos roucos.

Passou a língua pela glande algumas vezes e por fim abocanhou todo o volume até senti-lo tocar sua garganta, e então começou a chupa-lo com avidez, no começo lentamente, depois com maior intensidade.

Saga gemia sem pudor algum. Seus dedos das mãos formigavam, enquanto os dos pés se contraiam. Nunca havia recebido um boquete tão bom na vida!

Súbito, agarrou com força os cabelos do pisciano e como se sua vida dependesse daquilo passou ditar o ritmo da felação, fazendo Afrodite por muitas vezes se engasgar quando seu pênis lhe tocava a garganta.

— Afrodite... Aaah... — o grego gemeu em deliciosa agonia — Você não quer acabar com seu teste agora, quer? — puxou o pisciano para cima o segurando pelos ombros.

Sabia que se ele continuasse a chupa-lo daquele jeito acabaria com a brincadeira, e não era isso que queria. Queria mais!

— Saga... — sussurrou Peixes — Eu quero muito passar no teste! — brincou dando uma mordida no pescoço do grego — Me experimente da maneira que você quer. — sorriu enquanto deslizava as mãos pela lateral do corpo do geminiano, por fim lhe lascou um tapa bem forte na lateral da nádega.

Saga arregalou os olhos em espanto contraindo o quadril na mesma hora.

Quem Afrodite pensava que era para lhe dar um tapa?

No entanto, seu corpo e sua mente traíram seu ego, e seu membro pulsou de excitação devido aquele ato.

Não entendia o motivo. Definitivamente não gostava de tais coisas, mas sua mente inebriada nadava num imenso e ondulatório mar de rosas onde tudo era extremamente excitante e prazeroso... Tudo que sentia era o perfume de Afrodite, o gosto dele, o cheiro de seu sexo.

Sem mais esperar Saga colocou todos os seus desejos à prova.

Deitou o pisciano de costas na cama, lambeu um dos dedos da mão e o penetrou lentamente, ouvindo ele gemer baixinho enquanto se deleitava ao vê-lo se contorcer entre os lenções.

Esticou um braço até o criado mudo onde pegou um preservativo. Rasgou a embalagem com os dentes ao mesmo tempo em que introduzia um segundo dedo na intimidade do pisciano.

— Hummm... Saga... — Peixes gemeu, e logo em seguida foi virado de bruços.

Saga então retirou os dedos os substituindo por sua língua quente e úmida, lubrificando o pisciano com lambidas generosas, e quando achou que já bastava virou Afrodite de frente para si novamente e lhe entregou a camisinha.

— Toma. Coloca para mim.

A ordem de Gêmeos fora acatada mais que depressa.

Afrodite retirou o preservativo da embalagem e mandou que Saga se deitasse de costas na cama. Segurou a camisinha entre os lábios e devagar, e com muita habilidade, a colocou no pênis do grego deslizando até a base, aproveitando para dar mais algumas chupadas.

Peixes se posicionou sobre o membro do Grande Mestre e começou a se mover de forma languida, provocando o outro, se deixando ser penetrado aos poucos, ditando um ritmo lento.

— Aaaahh... Afrodite... Não me torture... — gemia Saga enlouquecido, arranhando as coxas roliças do sueco.

— Shiii... quieto! Vou te mostrar uma coisa que tenho certeza que vai adorar!

Peixes aumentou um pouco o ritmo, subindo e descendo numa cadencia mais acelerada, até que esperou o membro do geminiano estar totalmente dentro de si para iniciar uma massagem usando técnicas de pompoarismo.

Ao sentir seu pênis sendo massageado daquela forma tão deliciosa, Saga jogou a cabeça para trás se concentrando no que o sueco fazia. O sentia contraindo as nádegas e prendendo seu membro com força, para em seguida aliviar a pressão e começar de novo.

— Aaaaaaaaaahhh... — gemia delirante o grego.

O que Peixes fazia além de enlouquecedor o deixaria rico!

Ouvia o pisciano gemer, rebolar, sorrir e comandar plenamente aquele ato. Sentiu-se subjugado por ele.

Afrodite era quem parecia testar seu corpo e usá-lo para obter prazer e não o contrario.

Mas, quem ligava? A verdade era que estava intoxicado demais por aquela criatura ímpar e só queria aproveitar o máximo dela.

Após minutos de um pompoar delirante, Peixes começou a cavalgar de forma bem mais intensa, sem tirar os olhos de Saga nem por um minuto.

— Aaahh... Saga... que delicia... Como nunca trepei com você antes?... Aaaah... — gemia o sueco sem o mínimo pudor, e então, depois muito subir e descer saiu do colo do geminiano ouvindo uma queixa imediata, então se posicionou de quatro sobre a cama e olhou por cima dos ombros para o grego — Vem! O que está esperando?

— Não precisa nem chamar! — disse Gêmeos com um sorriso safado.

Saga posicionou-se atrás dele e espalmou a mão grande em suas nádegas, apertando a carne macia até deixar vergões vermelhos, depois o penetrou com fúria voluptuosa, enterrando-se nele o máximo que podia.

— Aaaaah... Saga... — Afrodite gemeu alto com o tranco que o corpo do outro dera no seu — Assim que eu gosto!

— Aaah... Uhn... Ah é? Humm... Que flor sem vergonha você é!... Vou te dar o que você quer!

Saga praticamente rosnava, tomado por uma luxuria insana. A cabeça girava, o corpo formigava, sofria pequenos espasmos e uma disposição fora do comum ainda o fizera estocar o pisciano por longos minutos num ritmo acelerado e alucinante.

As investidas de Gêmeos eram tão fortes que empurravam o sueco para frente o fazendo ter que apoiar os cotovelos no colchão e agarrar os lençóis com força para se manter no lugar, ao passo que o grego gemia alto, não se importando com mais nada.

Tudo que Saga tinha em mente naquela hora era foder Afrodite tão forte que o deixaria sem andar pelos próximos dias.

Debruçando-se sobre as costas do sueco, Gêmeos correu uma das mãos até o membro dele. Afrodite se masturbava no mesmo ritmo em que era penetrado, mas o grego agora retirava sua mão para substitui-lo no ato, e após sentir o prazer do pisciano molhar seus dedos ele mesmo não pode mais resistir.

Com o orgasmo o corpo de Peixes se contraiu todo estrangulando o membro de Saga, que com aquela sublime sensação também se entregou a um orgasmo arrebatador que o fez soltar um gemido longo e depois morder as costas de Afrodite.

Agora ambos se deixavam cair sobre os lençóis, suados, arfantes e trêmulos, permanecendo assim por alguns minutos até o pisciano rolar o grego para o lado e se aninhar em seu peito.

— Humm... e ai? Passei na entrevista de emprego? — perguntou com voz cansada e manhosa.

Saga respirou fundo de olhos fechados.

Não podia acreditar no deus da luxúria que tinha em seu poder.

Se Afrodite transasse daquela maneira com todos, certamente teria uma clientela cativa e que lhe daria muito lucro. Por isso, cobraria bem caro por ele.

— Está mais do que aprovado, Afrodite. — disse esfregando os olhos. Ainda se sentia tonto, como se tivesse mandado goela abaixo alguns litros de whisky.

— Então agora, Grande Mestre, eu sou um bacante? — disse com um sorriso no belo rosto, dando um selinho nos lábios do geminiano.

— Sim, você é. E dos mais caros! Você e Geisty serão as joias do Templo das Bacantes.

— Ótimo! Isso vai ser muito divertido! — riu Peixes.