Olá Bacantes! Mais um capítulo sendo respostado.
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Beijo das bacantes ;***
*********************** Cap 4 A propaganda é a alma do negócio **********************
No dia seguinte, Saga de Gêmeos convocou novamente Afrodite e Geisty para uma reunião no Templo de Baco. Dessa vez o intuito do geminiano era mesmo apenas conversar com seus "funcionários" mais ilustres!
Sendo assim, Gêmeos levantou cedo, tomou uma ducha demorada e já recomposto da noite passada e muito bem disposto, vestiu-se com um terno azul marinho e desceu à sede de seu novo empreendimento.
Quando chegou Geisty já o aguardava no salão principal. A amazona acompanhou a entrada do cavalheiro com o olhar, sentindo uma mistura de raiva e asco.
Geisty mal havia dormido. Sua nova realidade a assombrara a noite toda, e quando finalmente conseguiu pregar os olhos um dos guardas que mantinham sua porta vigiada a despertou. Vestiu um dos vestidos que Saga havia lhe providenciado provisoriamente e desceu para o salão.
— Bom dia, Geisty. Dormiu bem? — perguntou o geminiano em voz alta, enquanto se servia de uma dose de Absinto.
— ...Não. — Geisty respondeu em tom ríspido, depois de ter ficado alguns segundos processando a pergunta.
Saga apenas deu um sorriso. Ia lhe responder algo, mas na mesma hora Afrodite entrava no salão trazendo consigo sua disposição ímpar.
— Bom dia, chefe! — disse o pisciano com um sorriso, então chegou perto do grego e lhe colocou uma rosa vermelha na lapela do blazer — Dormiu bem?
— Bom dia, Afrodite. Sim. Muito bem. — respondeu Saga mantendo a postura firme, depois pegou seu copo e caminhou até o sofá vermelho onde Geisty estava sentada — Por favor, sente-se. Eu preciso conversar com os dois.
Peixes olhou para a amazona com certo desdém e se sentou ao lado de Saga cruzando as pernas enquanto pousava as duas mãos sobre o joelho.
— Bom, meus caros funcionários, vamos organizar essa zona... Ou melhor, essa casa de tolerância. — disse o geminiano — O que acham que devemos fazer para abrir em grande estilo?
— Primeiro de tudo é dar um tapa na decoração, né Saga. Isso aqui está horrível! Espelhos em todas as paredes? Sofás vermelhos e... Por Dadá! Para que todo esse dourado? Hã-hã! Muito clichê! — disse Peixes balançando a cabeça negativamente — Quer uma casa noturna que cause impacto e atraia uma clientela fina ou uma zona de quinta?
— Bom... A questão da decoração pode ficar a seu encargo, Afrodite. Fique a vontade. Confio no seu bom gosto. — disse Gêmeos — Mas... Por enquanto só vocês dois são a atração da casa, então pensei em...
Geisty, que permaneceu calada até o momento, finalmente se manifestou interrompendo o geminiano.
— Pois é, Saga. Acho melhor contratar mais funcionárias, afinal não é todo mundo que gosta de viado.
— Aquenda* a vadia! — disse Afrodite rindo enquanto fazia uma careta para a moça — Lamento, chefe, mas com essa ai isso nunca que vai dar certo! Puta matim* não dá dinheiro.
— Será que eu posso falar? — disse Gêmeos em tom alto e severo, fazendo os dois se calarem de imediato — É óbvio que teremos muitas meninas. Estão insultando minha inteligência! Bem... Afrodite, quero que ensine algumas coisa para a Geisty e...
— O que? — interrompeu novamente a amazona, desencostando do encosto do sofá — Eu? Ter aulas com a bicha de Ouro? Você agora ultrapassou todos os limites da insanidade Saga!
— Alôca! Era só o que me faltava! — retrucou Peixes encarando a amazona — O que se supõe que eu deva ensinar para essa aí? Ela precisa nascer de novo para ser interessante a ponto de alguém querer pagar para trepar com ela!
Furiosa, Geisty se levantou do sofá bruscamente soltando ar pelas ventas.
No mesmo instante Afrodite fez o mesmo, já encarando os olhos da garota em fúria, quando Saga pegou no pulso de cada um e deu um puxão para baixo os fazendo se sentarem no sofá novamente.
— Parem com essa porra de discussão! — gritou Gêmeos — Caralho do Hades! Será possível que não posso ter uma conversa decente com vocês dois!
— É claro que não, porra! — berrou Geisty — É preciso ser decente para isso, coisa que você não é, Saga. Você quer que esse viado me ensine como devo trepar? Ah vá se foder! — gritava as palavras diante do rosto do geminiano enquanto gesticulava e apontava o indicador na direção de Afrodite.
— Ah, mas nem que eu te desse um curso intensivo você não ia... — rebateu o pisciano, quando a voz de Saga novamente tomou o salão.
— Calem a boca, caralho! — gritou Gêmeos, ao mesmo tempo em que deu um tapa seco na própria perna com uma expressão furiosa na face, e o silêncio finalmente se seguiu, enquanto Geisty e Afrodite o olhavam assustados — Eu quis dizer que quero que Afrodite dê algumas dicas práticas para você, e também para as meninas que vou trazer para cá. Essa vai ser uma casa de luxo, frequentada pelos membros da máfia russa e grega, e também por figuras influentes da política e do mundo dos negócios, o que se supõe que deverão sempre estar muito bem vestidas, alinhadas, maquiadas... Afrodite será uma espécie de supervisor aqui. Tudo que precisar, como por exemplo, reclamação de algum cliente, é a ele quem deverá procurar! Estou comunicando isso a você, não é uma escolha sua, Geisty.
A amazona olhou para o grego o fuzilando com os olhos.
Se pudesse teria voado em sua garganta, mas como não podia apenas permaneceu calada, cruzando os braços.
— Eu não vou expor vocês a todo tipo de clientela. Essa casa será muito seletiva, até porque, clientes VIPs pagam mais! — disse Saga se levantando do sofá — Bem, eu espero ter sido bem claro. Agora quero que você, Afrodite, vá até a oitava casa e diga ao Milo o que combinamos.
— Está falando das amapôas*? — perguntou o pisciano com naturalidade ímpar.
— De quê? — Saga perguntou confuso.
— Das garotas. — respondeu Peixes.
— Ah! Sim, de quê mais? Mande-o agilizar que quero esse negócio funcionando para ontem! Agora tenho que voltar ao meu Templo. Tenho umas convocações para fazer e aumentar a nossa grade de funcionários! — falou o geminiano já caminhando para o meio do salão, quando parou e olhou para trás — Ah... e eu quero as paredes de pé a hora que eu voltar! Não se matem! — deixou o recinto logo em seguida.
No sofá Geisty dobrava o tronco para frente, enquanto apoiava os cotovelos nos joelhos esfregando o rosto com ambas as mãos num tom de nervosismo.
— Não é verdade... Isso... só pode ser uma piada de mau gosto... Um pesadelo! — disse balançando a cabeça em sinal de negação — Isso não pode estar acontecendo comigo.
Em desespero a amazona agarrou os próprios cabelos e puxou com força em um claro sinal de descontrole emocional.
A seu lado Afrodite a olhava com um ar de desdém, arqueando uma sobrancelha e cruzando os braços.
— Hum... Não arranca o picumã* não, meu bem. Vão pagar pouco por puta careca.
— Vai à merda você!
— Bom... — esticou o braço e tocou nos cabelos negros de Geisty, levando um tapa na mão imediatamente — Até que você tem certa teatralidade. Podemos tentar explorar essa sua veia dramática! Acho que se me esforçar posso até dar um jeito em você. — disse observando a amazona dos pés à cabeça — Credo, olha esse cabelo! Está mais seco que o Saara! E essa pele! Pela deusa, você nunca ouviu falar em hidratante?
— Você não está nem um pouco ofendido, Afrodite? — perguntou a amazona olhando para ele.
— O que vem de você não me atinge. — respondeu o pisciano tão somente.
— Não falo de mim, idiota... Não está abalado em ter que se prostituir? — disse, questionando a naturalidade com que o sueco lidava com aquela situação.
— E por que deveria? Eu vou transar com quem eu quiser, porque vou escolher meus clientes, tá boa? E depois, sexo é sexo! É tudo igual, eu adoro e ainda vou ganhar dinheiro com isso! — disse dando de ombros.
— Não estou acreditando! – disse pasma.
— Eu que não estou acreditando! Que outra escolha você tem, Alice? Me diga? Enquanto isso aqui não funcionar, pelo que entendi sua dívida só aumenta, e a sua foto no paredão de fuzilamento dos russos fica cada vez mais brilhante! Agora mesmo ela deve estar na mesa do picolé de ferrugem... — esticou os braços à frente em paralelo e olhou para cima como se vislumbrasse um letreiro luminoso Geissssty, a caloteira! — disse, então baixou os braços e apontou o dedo indicador para ela — Reza para essa zona dar certo e começar a dar lucro para o Saga ou a gente está na merda.
— E até lá? Até essa merda começar a dar lucro? Nós fazemos o quê, Afrodite? Precisamos ter algum miserável movimento de caixa! E se não der certo? Se não... — falava Geisty desolada.
— Quer que eu te fale? Quero mais é que você se dane! — levantou-se do sofá num gesto súbito e olhou nos olhos da amazona — Minha função aqui é fazer vocês foderem direito e satisfazer os clientes, só isso... E espero que você faça seu trabalho com primor e sem frescura, senão terei que dizer ao Saga que você não serve para esse negócio e teremos que cortá-la. Se é que me entende. Ou seja, de qualquer forma, conformada ou não, você não tem outra saída. E agora vou voltar para a minha casa, porque tenho que cuidar das minhas rosas. Você pode ir para a sua, está dispensada!... Ah, me esqueci! Você não tem casa. Vai morar aqui... Mas muita gente mora no emprego, você se acostuma. Bom, antes de ir, eu pedi para um servo deixar uma caixa no seu quarto com alguns cremes e óleos corporais que separei para você. Use-os e dê um jeito nesse seu casco de dragão que os clientes não merecem pagar caro por mercadoria sem qualidade. — falou enquanto caminhava em direção à porta.
Geisty por sua vez, escutava tudo como se levasse um tapa na cara.
— Ok, Afrodite, vamos ver quem vai se sair melhor nesse negócio, eu ou você. — falou a amazona se levantando do sofá. Então caminhou em direção à escadaria que levava ao segundo andar do Tempo e parou ao pé do primeiro degrau — Ah, Afrodite! — chamou, esperando que ele olhasse para trás — Antes que eu me esqueça, vá para o inferno, bicha escrota! — virou de costas e subiu as escadas indo para seu quarto.
Peixes nem se abalou com aquilo e aos risos deixou o Templo de Baco retornando ao Santuário para transmitir a ordem de Saga a Milo de Escorpião, que era o encarregado do tráfico humano e era quem traria as garotas para o negócio do geminiano.
Afrodite então subia as escadarias de rochas milenares, enrolando uma mecha de seu cabelo entre os dedos.
Passou direto por Áries, e em Touro mandou um beijo para Aldebaran. O brasileiro retribuiu o gesto e ainda mandou aquele sorrisão de costume, enquanto adentrava o Templo às pressas para assistir seu futebol e acompanhar o time do coração no campeonato carioca que passava no replay do canal de esportes.
Em Câncer deu um abraço apertado em Máscara da Morte, que girou com ele no ar, correspondendo ao melhor estilo italiano, com muitos risos, gestos exagerados e tapinhas nas costas. Os dois cavaleiros eram muito amigos desde a infância no Santuário.
Na Casa de Leão, Aiolia estava muito ocupado no celular e apenas deixou Afrodite passar com um aceno da janela da parte superior de seu Templo.
Em Virgem, Shaka obrigou o pisciano a tirar os sapatos, pois havia acabado de encerar o chão. Virgem dispensou os serviços dos servos há uns anos, alegando que não faziam nada direito, e agora ele mesmo cuidava de seu templo.
Só depois de defumar o sueco com incensos purificadores é que o virginiano o deixou passar. Afrodite fez um muxoxo, e quase na saída da Sexta Casa deu um tapinha na bunda de Virgem e subiu as escadas na velocidade da Luz.
Não queria morrer ali, nem perder seus seis sentidos.
Atravessou Libra e parou em frente ao Templo de Escorpião.
O silêncio era estranho.
Geralmente Milo estaria ouvindo aquelas músicas barulhentas e irritantes de que tanto gostava em volume bem alto.
— Ô Miloooooooooooooo! Tá ai? — chamou com um grito aguardando um sinal de vida, que demorou um pouco a vir, visto que ele estava um tanto quanto ocupado no momento.
De dentro da casa de Escorpião, Milo resmungou ao pé do ouvido da mulher, uma serva do Santuário que estava consigo na cama:
— Hum... Esse aroma de rosas! — deu um sorriso safado, mas não podia parar o que estava fazendo para atender ao amigo. Peixes que esperasse.
Já quase no clímax, acelerou o ritmo das investidas na mulher abaixo de si segurando forte em sua cintura. O suor escorria pelo seu corpo bronzeado e viril, enquanto os cabelos loiros e ondulados balançavam, fazendo com que algumas mechas colassem em seus ombros largos. Logo atingiu o orgasmo.
Fora um sexo casual, mecânico e sem muita importância. Por isso, logo que terminou, deu um beijo caloroso em sua acompanhante, rolou para o lado, apanhou um short que estava jogado aos pés da cama, colocou seu quase inseparável boné na cabeça e caminhou até a janela de seu quarto para finalmente atender ao visitante.
— Que é, Afrodite? Não se pode mais nem dar uma sapecada em paz? — disse, olhando para o pisciano lá em baixo.
— Isso é jeito de me receber quando te venho por a par de um babado forte? Depois, se eu for esperar um momento para falar com você em que esteja disponivel vou ficar mais velho que o Mestre Ancião te esperando. — disse Afrodite — Agora desce que preciso te contar o babado! Estou te esperando na sala.
— Sobe você, mano. Anda, quero te ver, seu bambi! Faz mó tempão que não te vejo. — remexeu o boné para ajeitá-lo.
Afrodite cruzou os braços fazendo certo charminho.
— O que? Subir ai nesse seu quarto alofento*? Nem pensar, santa! Estou sentindo o cheiro de biscate barata daqui, Milo! Ah, tá boa!... Se estiver interessado em provar um artigo de primeira qualidade desce que te digo onde encontrar!
— Nem vem que eu não vô te sapecar, Frofrô!
— Alôca! Cher é mais! E quem disse que eu vim aqui para isso, ocó* de despacho? Anda que já está cansando minha beleza!
Peixes então entrou no Templo de Escorpião e como havia dito à Milo o aguardava na sala.
Escorpião não se demorou em aparecer, logo adentrava o recinto ajeitando o boné na cabeça e arrastando os chinelos. A bermuda jeans meio folgada e rasgada completava o estilo desleixado do grego.
— Ei, fala aí, em qual rolo cê tá metido dessa vez? Não cansa de arranjar encrenca não? — perguntou — Já tomou café? Quer um rango?
— Dispenso. Sua higiene é peculiar demais para mim. Prefiro tomar café na minha casa mesmo. — respondeu o pisciano já sentindo o cheiro forte do descolorante que Milo passava nos cabelos, já que teimava em querer ser loiro.
Para recuperar os fios meio ressecados pelo blondor, que era um produto químico bem agressivo, o grego usava um hidratante capilar que conheceu no Brasil com as irmãs de Aldebaran, chamado Neutrox, e sua fragrância sempre incomodou o sueco, que tinha um olfato muito aguçado.
— Ei, qual é Frô! Cê tá falando que meu cafofo é sujo, véio? As serva limpam sabia? — disse Milo rindo para o pisciano e então seguiu até a cozinha.
— Vou usar meu direito de ficar calado. Prefiro não comentar. — falou Afrodite rindo e acompanhando o escorpiano.
Chegando lá, Peixes puxou um dos bancos que ficavam sob um grande balcão de madeira e se sentou, enquanto observava o grego caminhar até a geladeira e pegar uma caixinha de Toddynho. Chacoalhou, furou com o canudinho e começou a beber.
— Desistiu do café? Não acredito que você está bebendo isso. — perguntou o sueco.
— Hummm... Qual é? Queria que eu bebesse whisky a essa hora da matina? — respondeu Escorpião rindo e fazendo barulho com o canudinho — Sabe, Frô, eu gosto de você, mas é que cê é muito gazela. Não posso fazê nada se eu tenho cheiro de macho e não de florzinha. Minha casa tem meu cheiro... Cheiro de testosterona! Você devia é gostar, já que é chegado na fruta. — disse, enquanto se esgueirava pelo recinto se aproximando do pisciano lentamente, sem tirar os olhos dos seus. Então, passou a mão no boné que tinha na cabeça, o retirou e o colocou na cabeça de Afrodite de maneira descontraída. Gostava muito do pisciano, apesar de seu jeito fresco.
— Argh! Você e essas suas casqueiras* alofentas! — retrucou o sueco, mas deixou o boné na cabeça sem implicar mais — Presta atenção, tenho um recado do Saga para você.
— Olha só! Virou o que, mano? Mensageiro?
— E se fosse? O que você tem a ver com isso?
— Eu? Nada! Anda logo, Frô, desembucha. Para que veio aqui na toca do Escorpião? — falou virando uma cadeira ao contrário e se sentando nela com os braços apoiados no encosto.
Afrodite então contou para Milo tudo que conversara no dia anterior com Saga acerca da abertura do Templo das Bacantes. A reação do escorpiano não poderia ter sido outra.
— UMA ZONA? — disse em alto e bom tom, rindo e arregalando os olhos para o sueco sentado a sua frente — Saga vai abrir um puteiro? Mano eu não acredito! Aí que a múmia do Shion deve tá dançando um pancadão lá no Star Hill essa hora! Eu vivi pra ver isso! — deu outro riso alto se levantando e indo até a geladeira, onde pegou uma lata de cerveja bem gelada e abriu dando um gole generoso.
— Sim! Quem diria! Eu pagava pra ver a cara do velho! — falou Afrodite às gargalhadas.
Os olhos de Milo chegaram a brilhar!
Uma zona tão próximo ao Santuário facilitaria sua vida em proporções enormes.
Não precisaria mais sair para "caçar" e depois de escolher a presa ainda ter de seguir o ritual tedioso de amansá-la, conquistá-la até conseguir enfim levá-la para a cama. Além do mais, as servas do Santuário também já estavam por demais repetitivas. Uma zona ali, com meninas lindas e experientes seria uma mão na roda!
— Isso vai facilitar demais a minha vida, Frô!
— Sim, meu caro, eu sei! E se te interessa saber, já há até uma vadia lá. — disse Afrodite passando a mão na latinha de cerveja do escorpiano e dando um gole.
— Eita parece que o trampo então é firmeza! E ai, quem é? Conheço? É gostosinha?
— Ah-hã, pode parar! — Afrodite então se levantou e se colocou de frente para Milo apontando o dedo para ele — Aposto que nessa sua cabecinha oxigenada, que serve apenas para colocar boné aba reta, já está se passando um filme pornô à lá Milo e suas duzentas putas! Não senhora! Você vai ter que pagar pelas vadias, tá boa? E pagar muito bem! E para isso você vai ter que trabalhar mais. E é essa a ordem do Saga que eu vim te trazer. Ele quer que você traga as meninas para trabalhar no puteiro dele. Use seus contatos e traga só carne de primeira. Quanto à puta que já está no catálogo, trata-se daquela amazona da Ilha Fantasma que tinha um caso com o Kanon, que Hades o tenha! Eu sei que não é lá grandes coisas, que ela é meio casqueira, sem máscara ainda pufff... Não sei o que o Saga viu nela... Mas, enfim, para vocês que gostam dá pro gasto.
— Ah, pera! Eu conheço essa mina aí... Pô, Frô, você não manja mesmo das paradas, né? Essa mina ai é mó filé! Tem que vê o rabão! — disse Milo com um sorrisinho sacana no rosto, matando a cerveja e já pegando outra, rindo da expressão de nojo que Afrodite fazia — Ah, e tem outra! Eu trampo pra caraio aqui no santuba. Eu mereço um desconto, né não? Daqueles generoso, só pros parça! A grana deve tá em falta e a coisa deve tá preta pro patrão, ou ele não ia tá apelando pra puteiro. Mas, se bem que é uma boa! Ideia de gênio! Biscate sempre dá grana!
Afrodite suspirou, olhando para aquele Escorpião deslumbrado divagando na ideia do puteiro.
— Humpf, o que o faz pensar que é especial para ter desconto? Conhecendo você como te conheço, sei bem que vai praticamente se mudar para lá! Por isso vai pagar igual a todo mundo, meu querido. — afirmou Peixes.
— Aff, sacanagem!
— Mas não se preocupe, Miluxo, você vai ganhar muita grana para gastar com puta. Se é disso que vocês gostam o que posso fazer, né! Mexa esse seu pauzinho matim* e traga as garotas para o chefe.
— Ah, agora entendi. Deixa que esse trampo é comigo mesmo! Eu trago as puta! Mas, seguinte, para agora, tipo, agoooooora, não vai dar.
— Como assim, não vai dar? Que merda de traficante é você?
— Os truta tão dificultando a passagem das vadia pelas fronteira, sabe? Tão desconfiados do movimento e com medo de dar polícia, do jornal denunciar... Essas fita! Mas avisa ao patrão que eu trago as mina sim! Humm... Por sinal, tem uma novinha que eu conheci esses dias... Chama Karina... com K! Véio, novinha, delícia e safada. Fugiu de casa e tá precisando de trampo! Vou falar com ela é logico! — disse Milo empolgado, já indo olhar uma agenda de telefones velha e rabiscada.
— Aff, me poupe dos detalhes sórdidos de sua mercadoria, pode ser? — disse Afrodite retirando o boné da cabeça e o recolocando na de Milo — E não me apareça aqui com vadias casqueira, vê lá, Milo. A casa é de luxo, os clientes prezam pelo sigilo absoluto e são muito exigentes! Dá para se ter uma ideia olhando para o material aqui! — falou o pisciano jogando os cabelos para trás dos ombros e sorrindo.
Milo olhou para ele e sorriu de volta de forma safada.
— Humm... Deixa ver se entendi. Cê vai trabalhar nesse bordel também, Frô?
— Eu? Mas é claro! Eu vou ser o rei daquela pocilga! Tipo, dar uma de gerente e brincar de puto... Até porque os desgraçados dos russos do Camus é que estão financiando a parada, e eles nunca que aceitariam me dar outro cargo. Mas não estou nem ai. — riu divertido o pisciano — Tipo, vou continuar transando só com quem eu quiser, só que agora eu vou cobrar, e vou cobrar bem caro! Enfim, além de me divertir ainda vou juntar uma grana e enganar aqueles russos idiotas!
— Genial, mano! — disse Milo aos risos, enquanto foleava a agenda telefônica a procura dos contatos da máfia turca — Véio, você se deu bem. É isso aí. Dar de graça pra quê? Tem que cobrar mesmo! Ainda mais você que com essa cara bonita aí vai ganhar mó grana! Eu mesmo não me importava em pegar umas mina e cobrar não! Pô mano, a gente tem sempre que pagar tudo quando sai com as cocota! Não tem quem guenta! Não tô patrão não... Pelo menos com as puta a gente paga, mas sabe que vai transar! Foda mesmo é as fresquinha... Gastei um monte com uma serva ai esses dias e ó... Vou te falar minha frustração, Frô, nem rolô, sacanagem!
Sem muita paciência para aquele falatório, Afrodite ajeitava os cabelos num coque alto e se preparava para deixar a sala, enquanto revirava os olhos meio entediado.
— Ah, você sabe minha opinião, né, Milo. Se você já sai pensando em comer alguém, não perca tempo saindo com uma donzela que vai ficar na vontade mesmo! Ai, por Atena! Mas charufi* é charufi! Fazer o que... Bom, recado dado. Vou voltar para minhas rosas. O dia está muito quente hoje e elas precisam de muita água.
Afrodite caminhou até a porta com Milo o acompanhando já anotando alguns nomes em seu caderninho de notas enquanto ria das palavras do amigo. Escorpião estendeu a mão ao cavaleiro de Peixes e selaram a sociedade com um aperto amigável.
— Beleza então, mano. Pode ir avisar pro Saga que é firmeza. Mais tarde passo lá no Templo de Baco pra acertá com ele meu pagamento pelas mina.
— Negócio fechado, Escorpião. Tenho certeza de que será uma sociedade promissora e de que irá se divertir tanto quanto eu! — disse o pisciano, e logo em seguida deu uma piscadinha para Milo subindo as escadas em direção à Casa de Peixes.
Milo voltou para sala e a ansiedade já lhe corroía as entranhas.
Foi até sua escrivaninha e espalhou toda a sorte de agendas e cadernetas telefônicas com seus contatos, mais fichários com notas e fotos de garotas de toda a parte do mundo.
Selecionaria, como dizia em seu dialético tão peculiar, só "as filé"!
Dicionário Afroditesco
Alofe – mau cheiro, fedor. / Alofento – fedorento
Amapôa – mulher
Aquendar – palavra multiuso, mas mais usada para chamar atenção para algo ou alguém; paquerar, transar; Pode ser entendido ainda como pegar, esconder
Casqueiras – coisas sem valor, roupas velhas, objetos usados, coisas feias
Charufi – burro
Matim – mixuruca, simplório, pobre, mequetrefe
Ocó – homem heterossexual
Picumã – cabelo
