Olá Bacantes! Mais um capítulo sendo respostado.

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Beijo das bacantes ;*

*********************** Cap 5 Balaio de gatos **********************

No dia seguinte, logo pela manhã, um mensageiro do Santuário adentrava o Templo do Grande Mestre a passos silenciosos trazendo consigo um comunicado de Afrodite de Peixes para Saga.

Gêmeos, que já estava de pé há muito o recebeu no salão principal sem muito entusiasmo, apenas apanhando o papel das mãos do homem para logo em seguida o dispensar, fechando as grandes portas do suntuoso recinto onde ficava seu trono. Ali Saga se sentou e leu a mensagem calmamente.

Nela Afrodite lhe avisava que havia conversado com Milo e que Escorpião apareceria no Templo de Baco para acertar os detalhes da entrega das garotas que trabalhariam no bordel.

Ao final da leitura, Saga amassou o papel e soltou um sorriso malicioso.

Agora faltava pouco para seu negócio deslanchar!

Levantou do trono e se dirigiu ao seu escritório, onde ficou ocupado com seus compromissos oficiais do Santuário até a hora do almoço.

Sua rotina era estressante, e na maioria das vezes lhe deixava como resultado dores de cabeça inconvenientes no fim de sua jornada de tarefas, o que acabava por minar o pouco do bom humor que lhe restava. Porém, seus compromissos não haviam terminado, então tirou a tarde livre para tentar resolvê-los.

Vestiu-se num impecável terno tão negro quanto sua alma e rumou para o Templo de Baco.

Ao chegar, Saga cruzou o salão principal e se dirigiu ao quarto de Geisty, dispensando os guardas que mantinham a vigilância na porta, e assim que eles saíram deu duas batidas sonoras na madeira.

— Geisty, abra a porta. — pediu em tom firme.

A amazona escutou ao longe o chamado. Havia cochilado enquanto lia um livro qualquer dos tantos que Gêmeos deixara no quarto para ela.

— Já vou! — disse abrindo os olhos com certa dificuldade, então se levantou da cama e meio trôpega caminhou até a porta. Não queria ver o geminiano tão cedo, mas assim que girou a maçaneta deu de cara com ele, surpreendentemente sorrindo, muito bem vestido e extremamente perfumado — O que você quer à uma hora dessas? Eu estava dormindo... — falou coçando os olhos, mas sem deixar de reparar na elegância do cavaleiro.

Saga arqueou as sobrancelhas ao olhar para ela. De repente se surpreendeu com uma pergunta que fazia a si mesmo em pensamento. Afinal, por que raios aquela amazona parecia tão bonita mesmo descabelada e mal humorada daquele jeito?

— E você acha que é hora de dormir, amazona? — disse Gêmeos adentrando o aposento enquanto analisava tudo em volta. Viu sobre a penteadeira uma caixa branca com muitos produtos de beleza e imaginou ser obra de Afrodite — Você usou alguma dessas coisas? Porque você continua com a mesma cara de antes. — alfinetou — Eu mandei trazerem algumas coisas para você.

— Ah, sim. Estão ali. — disse a amazona sem muito entusiasmo apontando para o divã onde havia algumas sacolas dispostas umas sobre as outras.

— Você nem abriu para ver o que era? — perguntou Gêmeos.

— Hum... Não tive interesse. — respondeu Geisty dando de ombros — Por quê? Deveria? Não me diga que é minha carta de alforria? — debochou soltando um riso irônico.

— Engraçadinha. Você não é escrava, amazona. Você é uma mulher com uma dívida imensa a ser paga, com grana ou com a vida. Eu te dei a chance de trabalhar para não ter que pagar com sua vida, que nem vale tanto assim, não é? — falou Gêmeos em tom sério — Vai ganhar muito dinheiro, pena que terá que quitar sua dívida antes de usufruir dele. Bom... isso são suas roupas de trabalho. — apontou para as sacolas — Alguns vestidos, sapatos, lingeries e fantasias.

— Fantasias? — Geisty falou num sobressalto.

— Sim, fantasias. — continuou o geminiano — Quero que se arrume e que vista todas as peças, uma a uma, para que eu aprove. Alguma pergunta?

Geisty baixou os olhos e riu.

Saga às vezes era óbvio demais e nem se dava ao trabalho de disfarçar. Deu de ombros, ergueu a cabeça e olhou para ele.

— Não... Não tenho nenhuma pergunta, mas tenho uma observação. — disse a amazona — Você é muito chato, sabia Saga? Aliás, essa é uma das diferenças gritantes entre você e seu irmão. Kanon nunca foi inconveniente! Nos dois anos que estivemos juntos, mesmo eu morando muito longe, todas as vezes que ele foi me visitar de surpresa nunca apareceu em horários que me incomodassem. Mas você vive aqui ao lado e faz questão de me encher o saco todos os dias. Por isso que você é sozinho... Você é um mala! E respondendo a sua pergunta: Não, eu não usei os cremes daquele viado. Ainda! A única coisa que eu usei foi aquela garrafa de vinho. — apontou para a garrafa sobre a mesa redonda que ficava no centro do aposento — Se quiser, ponha na minha conta, que é enorme mesmo e que nunca vou conseguir quitar! E se não tem mais nada a falar pode ir embora!

— Como você é tola, amazona. Pensa que me ofende enaltecendo o idiota do Kanon? Eu o conheço desde o dia em que nasci, infelizmente. Você não sabe de nada! — pegou a caixa branca com os cosméticos e praticamente a jogou no colo da garota — Trate de passar essas porcarias na sua cara para ver se melhora essas olheiras. — esbravejou — E outra coisa, minha cara... — disse ao se aproximar dela, que se encolhia à medida que ele chegava mais perto — Eu não sou meu irmão.

Geisty olhou bem dentro dos olhos do geminiano, que cintilavam um brilho sutil de vermelho, e disse em tom sério:

— Mas isso eu já sei, Saga... Kanon era um cavalheiro... Você é só um demente!

Gêmeos sorriu debochado e com um tom áspero e raivoso na voz disse:

— E você, minha cara amazona, pelo que vejo não passa de uma estúpida, pois nem com todos os fatos sendo jogados na sua cara você consegue aceitar que Kanon apenas a usou e que se os planos dele não tivessem caído por terra, essa hora você certamente estaria a sete palmos do chão, enterrada em um vala imunda. Então... — inclinou o tronco para trás, se afastando minimamente da moça — Se tem algum demente aqui esse é você, pois eu duvido que esteja se fazendo de cega. Esse não é seu feitio. — deu um passo para trás ainda dirigindo seu olhar duro à morena, que não desviou em momento algum dos olhos dele — Se arrume rápido. Tenho muitos compromissos para serem resolvidos hoje ainda. Estarei a aguardando no meu escritório. — ordenou, dando as costas a ela e se dirigindo à porta.

Geisty o acompanhou com um olhar carregado em ódio. Nada disse esperando ele fechar a porta atrás de si e então soltou um suspiro resignado. Não era demente, nem idiota. Sabia que Kanon poderia sim, tê-la enganado o tempo todo, tê-la usado, mas em seu delírio ideal preferia acreditar que aquele homem, a quem fora apaixonada outrora, pelo menos em algum momento tinha feito o que fez para viver em paz consigo. Sentiu uma tristeza imensa tomar seu peito, pois sabia, no fundo de seu coração, que Kanon não amaria a ninguém além de si mesmo.

Esfregou o rosto com as palmas das mãos e dirigiu-se ao banheiro. Abriu a ducha, encostou-se à parede e foi escorregando até se sentar no piso azul e tons de lilás, abraçando as pernas e se permitindo chorar de ódio. Ódio de Saga, de Kanon e de si mesma, por ter se deixado levar por eles.

Ficou quase uma hora debaixo do chuveiro. Enrolou o mais que pode para adiar o "desfile" particular que Saga lhe ordenara, até que não vendo saída terminou o banho e se dirigiu ao quarto.

Muito a contragosto se pôs a analisar os produtos de beleza que Afrodite lhe deixara. Admirou o bom gosto e sofisticação de cada item, mas de súbito soltou uma gargalhada.

— Mas que viado fresco! Olha isso! — falou consigo mesma analisando um pequeno potinho de vidro transparente — Hidratante para cutícula! Quem usa isso? — resmungou, jogando o vidrinho de volta na caixa.

Ateve-se apenas a usar o básico. Penteou os cabelos, colocou uma lingerie sensual de rendas na cor púrpura e abriu uma das sacolas para apanhar uma peça, quando arregalou os olhos em espanto e surpresa.

— Eu não estou vendo isso! — disse pausadamente enquanto erguia a peça, um minúsculo vestido de couro preto frente única, à altura de seus olhos, segurando pelas alças — Que vestido de vadia! — esbravejou e rapidamente foi verificar outras peças, constatando que eram quase todas no mesmo estilo, ou ainda pior — Mas que merda. Só tem roupa de piranha. Filho da Puta! — afirmou veementemente.

Vestiu contrariada o infame vestido de couro preto, que por sinal mal cobria seus seios e coxas, calçou um scarpin salto agulha na mesma cor e se dirigiu ao escritório de Saga pisando firme.

Minutos antes, Milo de Escorpião adentrava o Templo de Baco para tratar com Saga sobre a vinda das garotas que traria para o bordel.

Fora de fato tratar de negócios, mas em seu íntimo estava mesmo curioso para finalmente olhar para o rosto de Geisty, a quem sempre viu apenas usando máscara. Conhecia a amazona de Serpente há muito tempo, mas nunca sequer vira a cor de seus olhos, o que instigava ainda mais sua curiosidade.

Sendo assim, caprichou um pouco mais no visual, vestindo uma calça jeans folgada, camiseta branca e casaco esportivo Adidas. Usava tênis, pois não abria mão do conforto, e na cabeça seu inseparável boné aba reta. Compunha seu estilo peculiar alguns anéis e correntes de ouro no pescoço, e todo confiante circulou pelo salão vazio prestando atenção em cada detalhe. Até que viu Saga ao pé da escadaria e caminhou até ele.

— E ai, patrão? Resolvi descer mais cedo porque dei adiantamento no trampo. — disse indo cumprimentar o geminiano com um aperto de mãos — Fiz uns contatos e acho que consegui exatamente o que você queria, cara!

— Olá, Milo! Que bom saber disso! — disse Saga sem muita empolgação — Venha. Vamos conversar no meu escritório.

Gêmeos seguiu para sua sala que ficava no andar debaixo mesmo, entrando em um dos corredores e sendo seguido por Milo. Ao chegarem ao escritório, Saga serviu uma dose de whisky ao cavaleiro e pegou outra para si. Sentou-se atrás de sua mesa enquanto Milo puxou uma das poltronas em frente.

— Mas, me diga, Milo, para quando acha que as consegue? — perguntou indo direto ao ponto. Não queria prolongar sua conversa com o loiro.

— Em uma semana tá todo mundo aqui. Talvez mais, talvez menos... — disse Escorpião girando as pedras de gelo dentro do copo com a ponta do dedo indicador — Sabe como é, não é tão fácil assim trazer as meninas para cá. É trafico de gente, né. Dá uma cana feia! — ergueu uma sobrancelha enquanto encarava o outro a sua frente — Tenho que ter cuidado. Mas é garantido! Olha que de bisca eu entendo! — lançou um sorriso dos mais safados.

— Está bem. Não duvido do seu... controle de qualidade! — disse Saga pousando o copo sobre a mesa, mantendo o semblante sério e firme — Mas que fique bem claro que não quero ter problema com imigração ilegal, heim Milo. Isso aqui não é um cativeiro e essas meninas que vai trazer vão circular pela cidade, e se algum agente da imigração me...

— Ei, ei, patrão, está duvidando do meu profissionalismo? Elas já virão com toda a papelada pronta. Serão gregas, assim como nós. Pra geral elas nunca estiveram em outro lugar do mundo. — disse Escorpião dando uma piscadinha marota para o geminiano.

— E como vou ter certeza de que elas são confiáveis? Que não vão nos denunciar? — questionou Saga.

— Ué, isso é simples, truta. Vamos dar pra essas mina uma vida muito melhor do que elas jamais tiveram. A maioria são refugiadas de zonas de conflito lá daqueles fim de mundo, como a Karina, que é sérvia, e fugiu de casa porque o pai pirou. E a Rebeca que é angolana, e tu sabe que lá eles roubam as mulheres, estupram, faz o diabo... Ai ela deu no pé e tá loca por um lugar seguro. Tá topando qualquer parada!

— Hum... imagino... — grunhiu Saga, dando um gole na bebida enquanto ouvia Milo.

— Algumas delas foram vendidas, tipo escrava, sabe? Outras foram abandonadas pelas famílias. Ai eu fiz contato com elas e disse que tinha um trampo firmeza... Toparam na hora! Outras estão no ramo já há algum tempo, mas numas espeluncas que não merecem a beleza e competência dessas teteias. Confia em mim, patrão. Sabendo tratar com respeito, pagando bem e dando um teto limpo e seguro, elas serão fiéis a você. Sem contar que todas têm uma gratidão imensa por mim, pois já estariam mortas se não fosse o Miluxo aqui. Quanto à documentação, não tem erro. Não há polícia no mundo que descubra as fraudes do Miluxo. Sô profissa, cê sabe.

— Assim espero. — disse Saga franzindo as sobrancelhas — Mas, desde já lhe aviso que só vou poder te dar algum dinheiro depois que abrirmos a casa.

Escorpião na hora franziu o cenho.

— O que? Ah, não, mano! Aí tu já tá é de zueragem com a minha pessoa. — fez uma careta e projetou o corpo para frente, enquanto virava o boné para trás e encarava Saga nos olhos — Cê acha o quê? Tenho que subornar um monte de gente... Dá caô nas mina tudo... Vô bancá isso do meu bolso? E se tu não me pagá depois?

— Escorpião... — disse Saga irritado — Nós não abrimos ainda! Como eu vou te pagar se não entrou nenhum dinheiro? Se eu estou te dizendo que vou pagar, você pode confiar.

— Olha, Saga, né por nada não... Sabe que eu confio em você para GM, sabe que minha armadura é tua, na luta é nós, mas aqui o bagulho é outro, tá ligado? Pô, eu preciso comê, cara. Preciso comprá presente pras mina... Pra tu ver, eu ia sair com uma cocota hoje. E aí? Se eu bancá as mina, fico liso? Nada feito, patrão! Eu trabalho pra tu, na moral, cê sabe disso, mas assim, fiado? Não vai rolá.

— Milo... eu... — Saga sentia a raiva tomar as rédeas do seu juízo e estava a ponto de esganar o outro cavaleiro quando Geisty deu três toques na porta e entrou na sala.

Gêmeos olhou para ela sem reação. Estava linda! Aquele micro tubinho preto sem vergonha, daqueles que se puxa em cima mostra em baixo, a deixava ainda mais desejável, além de exibir todas as curvas daquele corpo perfeito e escultural.

Milo, que de lerdo não tinha nada, logo viu Saga hipnotizado por algo e seguindo o olhar do chefe, virou o pescoço para trás, dando de cara com aquela visão divina!

O coração do escorpiano acelerou na mesma hora, como há muito não sentia acontecer consigo — "Mano! Então essa é a gostosa do Kanon? Cara que gata! Tá explicado! E esse rostinho de anjo!" — pensava o Escorpião meio abobalhado, enquanto comia a garota com seus olhos analíticos e vorazes.

Saga foi tirado de sua contemplação ao notar o escorpiano perdido nas curvas da amazona. Deu um sorriso, pois sua mente trabalhou rápido lhe dando a solução para o problema. Com a voz mais calma e capciosa, resolveu aproveitar a magia do momento e propor uma negociação, um escambo.

— Milo... — chamou a atenção do escorpiano — Como ia dizendo... Que tal se resolvermos nosso dilema financeiro de outra forma? Não gostaria de ser o primeiro cliente da casa?

— Como assim? É o que tô pensando? — disse o loiro sorrindo maliciosamente.

— Pode ser. Não sei! Mas, se você aceitar Geisty será o seu pagamento. Ela será nossa "joia da casa". Então, o que acha de tê-la como pagamento pela primeira leva de garotas? O que me diz? — disse Gêmeos, para o choque de todos na sala.

Geisty, que já estava extremamente envergonhada naquela roupa, não esperava ainda dar de cara com o cavaleiro de Escorpião ali e muito menos ser negociada daquela forma. Arregalou os olhos violetas em susto e soltou um ruído em exclamação, mas mal teve tempo de dizer algo, pois Milo foi muito mais rápido.

— Fechado! — respondeu o grego sem pestanejar.

Gêmeos desenhou um sorriso discreto nos lábios, vitorioso, enquanto apertava a mão do escorpiano apenas se debruçando um pouco para frente, sem se levantar — "Dois coelhos com uma cajadada!" — pensou ao soltar a mão do outro. Apontou para a amazona que estava de pé ainda próxima à porta.

— Perfeito! Então pode ir Milo. Pode pegar seu pagamento! — disse em tom irônico enquanto encarava Geisty com um olhar prepotente, demonstrando nitidamente que ele ali dava as ordens e ela apenas obedecia.

A italiana em contra partida, olhava indignada toda aquela cena. Tinha sido vendida como uma cabra!

Ainda tentou dizer qualquer coisa, mas parecia que até as palavras haviam lhe fugido da mente. Então ficou parada ali, estática, fitando o escorpiano com os olhos abertos em espanto, enquanto o via olhando para si com olhos felinos, plenos de satisfação. Franziu o cenho e lançou um olhar de puro ódio para Saga, que a mirava com ar de deboche enquanto dava mais um gole em sua bebida.

— Vamos, Geisty, faça sua parte. Seja profissional. Ele é nosso primeiro cliente! — disse Gêmeos.

Como se pudesse esganar o geminiano apenas com o olhar, Geisty o encarou e mexendo os lábios carmins pronunciou de forma muda:

— Seu porco asqueroso! — desviou o olhar do cavaleiro no instante em que Milo se aproximou de si e então observou o cavaleiro dos pés à cabeça, de forma rápida. Suspirou fundo criando coragem e enfim falou com ele:

— Olá Milo! — disse entre dentes, de forma baixa.

— Oi Geisty! Nossa, você é linda, sabia? Eu estou até meio nervoso! — disse de modo sincero oferecendo a mão para ela, que de pronto a tomou.

Sentiu-se um pouco incomodado em pegar a ex-cunhada do chefe na frente dele, mas se Saga não ligava, ele é quem não ligaria. Contudo estava realmente um pouco nervoso.

A amazona então conduziu o cavaleiro pelo salão, subindo as escadas e entrando no corredor que levava ao seu quarto.

— Você já fez isso antes? — perguntou o escorpiano tentando descontrair aquele momento que para ele era tão comum, mas que inexplicavelmente o estava deixando tenso — Tipo, eu sei que já transou antes. Eu era brother do Kanon. Mas, assim, de primeira? Você não tá muito feliz, né?

Sentia o Cosmo da amazona exalando raiva. Ele podia ser um canalha às vezes, sim, mas definitivamente não era do tipo que obrigava uma mulher a transar sem vontade. Não mesmo! Jamais faria isso. Mesmo pagando pelo sexo, só ficaria com Geisty se ela também estivesse afim.

Esta por sua vez, respirava resignada. Caminhava a passos lentos lutando com a barra do vestido que puxava para baixo a cada passo, pois sentia o ar lhe batendo na polpa da bunda. Queria chorar, de raiva, de tristeza, de medo... Queria também dar um belo de um soco na cara de Milo, quebrar o pescoço de Saga, arrancar os cabelos de Afrodite, tacar fogo naquele bordel e voltar a nado para a Ilha Fantasma!

Porém esses desejos ficaram somente no campo das ideias, e a amazona apenas suspirou fundo.

Baixou a cabeça, deixando os cabelos negros encobrir seu rosto e envergonhada respondeu:

— Não. Saga quis me testar para o trabalho. — disse com amargura na voz quando se viu em frente à porta de seu quarto. Girou a maçaneta e a abriu — Entre. — deu passagem a Milo e assim que o escorpiano entrou cerrou o cômodo e o seguiu até o centro do quarto, onde havia uma enorme cama redonda de lençóis púrpuras — Do que você gosta? — perguntou seca, muito constrangida, fitando os lençóis sem encarar Milo nos olhos.

Não tinha o quê fazer contra, uma vez que descumprir a ordem de Saga era o mesmo que assinar sua sentença de morte. Ela era o pagamento pelo serviço que Milo faria, e sem outras garotas no bordel, e sem dinheiro, não haveria como pagar à Vory v Zacone.

Sem muito jeito já baixava uma das alças do vestido para retirá-lo.

Escorpião sentiu naquela hora algo que jamais experimentara antes em muitos dos anos que passara frequentando prostíbulos e camas de mulheres espetaculares.

Milo sentiu pena da garota!

Era fato que também sentia um tesão louco por ela. Era linda, charmosa, e estava louco para transar com ela, mas não naquele clima de enterro. Não era, porém, a primeira vez que pegava uma mulher inexperiente na vida, por isso suspirou e foi até ela pousando sua mão sobre a mão com que a amazona descia a alça do vestido e a impedindo de se despir.

— Ei, gatinha... Assim não. Qual a graça de dançar se minha parceira não está animada com a dança também? — disse e com delicadeza segurou no queixo dela, a fazendo erguer o olhar e encontrar o seu — Geistynha, o Saga é um manézão. Eu sei disso. Mas, que tal esquecer ele por enquanto e se divertir de verdade comigo? — dizia enquanto acariciava a nuca da moça com as pontas dos dedos.

Escorpião conhecia seu potencial. Se entendia de algo na vida era de mulher e sexo, e sabia direitinho como deixar as gatinhas louquinhas por ele — Você é tão linda e está tão tristinha... Deixa eu tentá te animá, gata? Humm... Vamos fazer uma brincadeira? Chama gato mia! Eu vou fazendo umas... coisinhas e se você não gostar, fica quietinha que eu paro na hora. Mas, se gostar... você mia pra mim, como a gata linda que você é, e eu contínuo. Que tal? — sussurrava ao pé do ouvido dela.

Nada que um carinho, uma palavra amorosa sussurrada no cangote e uma massagem não resolvessem!

E de fato a amazona se surpreendeu com a atitude do cavaleiro. Esperava que fosse como com Saga, que seria jogada na cama e seu corpo serviria apenas para satisfazer aos desejos do outro, porém o que acontecia ali era justamente o contrário!

Os toques do outro em seu corpo produziam uma reação inesperada em Geisty, sendo surpreendente até para ela. Sua pele se arrepiava e os pelos todos se eriçavam a cada sussurro e leve toque na nuca. Soltou um suspiro discreto e sem se dar conta já tinha sido tragada pela armadilha sedutora que era Milo de Escorpião!

Era difícil até de crer na atitude dele. Olhava naqueles olhos tão azuis e enxergava de fato o desejo dele em lhe deixar confortável, em lhe agradar. Sorriu discretamente, espantando um pouco do semblante tristonho que carregava no rosto maquiado.

— Isso. Assim mesmo! Olha ai, não é muito melhor sorrindo? — disse Milo ao ser presenteado com aquele sorriso. Notou que conseguira abaixar a guarda da amazona e sem pressa alguma retirou o boné, os anéis e o cordão de ouro, os colocando sobre a penteadeira. Retirou também os tênis e o casaco, então voltou para perto de Geisty, sempre a encarando com seu olhar matador — Agora, gatinha, eu vô fazê uma massagem bem gostosa nesse seu pezinho de Cinderela! O patrão não disse quanto tempo tínhamos, né não? Então pra que pressa? Tem um som ai? Põe uma fita com umas músicas bem gostosinhas que eu vou te dar um tratamento de princesa! — disse em voz grave, num sussurro no ouvido da garota.

Sem desviar o olhar, Geisty deu dois passos para trás e se virou para um móvel muito bem ornado, onde tinha um aparelho de som. Escolheu uma fita cassete com uma seleção de sucessos internacionais do ano de 1993, onde continham vários gêneros, dos mais animados aos mais românticos.

De volta à cama, Geisty se sentou na beirada, apoiando as mãos um pouco mais atrás e cruzando as longas pernas bem torneadas pelos anos de treinamentos árduos. Encarando Milo, ergueu as sobrancelhas e disse com voz calma:

— Pronto, cavaleiro de Escorpião. Pode começar minha massagem nos pés! — dando um sorriso e balançando o pé no ar, mantendo as pernas cruzadas.

— Massagem de princesa não é sentada, gata! — respondeu o grego a tomando nos braços para surpresa dela, que sem estar esperando, foi deitada sobre a cama gentilmente entre os travesseiros. Milo então sentou-se mais para baixo, cruzou as pernas, pegou ambos os pés da amazona e os colocou sobre seu colo, iniciando uma massagem deliciosa, com extrema perícia, mexendo em cada dedinho com delicadeza, mas também com força o suficiente para causar relaxamento instantâneo. Vez ou outra beijava com malícia o peito dos pés e os calcanhares dela — Humm, eu sabia que tinha patinhas de gatinha! — dizia sorrindo.

Geisty parecia hipnotizada com tudo aquilo.

Por mais estranho que pudesse parecer, ficou curiosa por àquela atitude, e se deixou ser tocada. Pouco a pouco, os toques, as palavras, o sorriso, foram aliviando a tensão que afligia a amazona momentos antes, tanto que conseguia agora até reparar na beleza incontestável daquele cavaleiro — "Até que, sem aquela parafernália toda, ele é bem bonito!" — pensava, dando um sorriso malicioso, enquanto passava o pé que estava livre pela coxa do escorpiano, subia até o abdômen para pousá-lo no meio do tórax dele, podendo sentir os músculos bem trabalhados de seu corpo. Com a voz rouca, instigou o grego:

— Eu tenho outra patinha! — erguendo uma das sobrancelhas com um ar convidativo.

— Humm é mesmo, gatinha? Vou cuidar dela também! — respondeu Milo, que já sentia a cueca apertar, pois de onde estava, de maneira bem discreta, podia ver a calcinha da amazona. A visão do tecido de renda escondido pelo vestido e pelas coxas mexiam e atiçavam a libido do Escorpião, que não era pouca.

Como sugerido por ela, o grego começou a massagear o outro pé novamente com habilidade, mas agora felinamente se colocava entre as pernas dela e distribuía beijos e mordiscadas por sua panturrilha.

— Hummmm, que gatinha cheirosa e manhosa! Mia pra mim, mia? — pediu, colocando uma mão em cada coxa dela, massageando e subindo bem devagar. Depois ergueu uma perna para dar uma lambida na parte de trás do joelho da amazona de forma sensual e erótica, sem pressa, tentando fazer com que Geisty se esquecesse de que fazia aquilo por obrigação.

E de fato a moça não apresentava indício nenhum de que estava sendo obrigada aquilo. Pelo contrário! Mordia os próprios lábios e gemia baixinho sentindo o contado da língua quente e dos lábios macios de Milo com sua pele arrepiada. Quando ouviu o pedido do cavaleiro, Geisty lançou um olhar malicioso para ele e soltou um miado baixo, com voz suave e risonha:

— Miaaaau! — se remexeu na cama toda insinuante, em um convite claro para que o cavaleiro prosseguisse.

Ao ouvir aquilo Milo constatou que havia ganhado o jogo.

No entanto, nem por isso abriria mão da diversão.

Insinuante, fez uma trilha de beijos pelas coxas da moça até chegar à barra do vestido, mas não a subiu e sim contornou com a boca enquanto sentia o cheiro delicioso da intimidade de Geisty. Por cima do tecido, continuou a trilha de beijos até à barriga, passando pelos seios, onde beijava mais demoradamente de forma provocante, até estar quase totalmente deitado sobre ela.

Então ele a surpreendeu mais uma vez, erguendo o tronco e a virando de costas delicadamente. Com a ponta do nariz afastou os cabelos dela e voltou a distribuir beijos, agora pela nuca e atrás da orelha, respirando pesado e arfante, enquanto descia o zíper traseiro do vestido e desabotoava o sutiã, porém sem remover as peças.

— Humm, que gatinha linda e manhosa! Mia mais pra mim. Para eu saber se tá gostando... Mia, que agora eu vou cuidar dos seus ombros e das suas costas. Você tá muito tensa! Quero que você aproveite tanto quanto eu! Deixa que o Miluxo sirva você hoje...

Milo falava cheio de malícia. Sabia que Kanon sempre fora meio grosseiro no sexo com a namorada. O próprio lhe dissera isso, inclusive. Contudo, havia aprendido uma coisa com Shina: Uma única mulher relaxada e entregue ao prazer vale por dez na cama!

Sabia que Geisty teria muitos clientes dali para frente, mas faria de tudo para que ela jamais se esquecesse da noite que tivera com Milo de Escorpião!

— Você é muito linda! Cheirosa... Essa pele morena do sol... Humm, o cheiro de mar! Merece tratamento real! — dizia em meio a sussurros e beijos que distribuía no pescoço da garota, enquanto se sentava sobre as nádegas dela e massageava suas costas com dedos hábeis, permitindo propositalmente que seu membro rijo roçasse a instigando.

E Geisty de fato não se esqueceria fácil daquele tratamento VIP. Nunca imaginara que aquele cavaleiro tão caricato pudesse se importar com seu bem estar. Realmente, nem mesmo Kanon se importava, pois nunca havia recebido um cuidado daquele nível. Sentia seu corpo responder a tudo aquilo e percebia seu desejo aumentar em níveis já incontroláveis, deixando suspiros escaparem a cada toque das mãos fortes, mas extremamente gentis do loiro. Era torturante também sentir o membro dele lhe pressionando as nádegas, então, sem conseguir mais se conter e se rendendo aos encantos do grego, Geisty segurou com as duas mãos no travesseiro e empinou o quadril, se remexendo toda sob o loiro, apoiando o rosto corado no travesseiro e girando a cabeça para o lado, na tentativa de enxergar o escorpiano, o chamando com uma voz tomada de luxúria:

— Ahh... Milo... Humm... Miaau!

Aquele "miado" manhoso soou como música aos ouvidos do grego, que não se aguentando mais de excitação, ergueu o tronco e retirou a camisa.

— Que gatinha manhosa! Humm, eu vou fazer você miar muito mais! — sussurrou ao se debruçar novamente sobre ela, agora sim, descendo as alças do vestido junto já com as do sutiã, retirando a peça com suavidade e deixando a amazona apenas com a calcinha fio dental.

Milo distribuía lambidas e mordidinhas por toda as costas de Geisty, enquanto dava um jeito de retirar a calça que usava, ficando também apenas com a cueca boxer vinho. Mais uma vez virou a amazona sobre os lençóis púrpuras, agora a deixando de frente para si.

— Humm, você é uma delícia, gatinha! Tô louco por você! Mas, esse jogo pode ficar melhor ainda. — disse ele e mal deu tempo dela reagir, pois já tomava os lábios doces da amazona em um beijo profundo e avassalador.

Provava aquela boca em êxtase, degustava seu gosto, se deliciava com a textura, enquanto suas mãos pareciam tentáculos afoitos, que necessitavam tocar a tudo que alcançassem. Deixava seu corpo pesar sobre o dela, encaixando-se entre as pernas e já aproveitando para acariciar a intimidade da garota por cima do tecido da calcinha. Sentia seu membro latejar de desejo, enquanto sua mente acompanhava o mesmo anseio em torná-la sua o quanto antes.

— Ah! Assim quem vai miar sou eu! — gemia ele, cada vez mais alto, separando rapidamente as bocas para logo uni-las novamente. Abriu os olhos por um momento e olhou ao redor, na cômoda e no criado mudo, já procurando por preservativos, pois naquele ritmo em que estavam seria complicado esperar mais.

Geisty se arrepiava e se remexia entre os lençóis, rendida totalmente às lambidas, mordidas e aquele beijo quente e delicioso. Parecia mesmo que o loiro conhecia cada ponto estratégico de seu corpo, o qual tocava e lhe proporcionava um prazer indescritível. Milo era tão sensual e beijava tão bem que ela se via cada vez mais excitada, correspondendo a todos os estímulos com a mesma lascívia, serpenteando as mãos de unhas longas pelo corpo musculoso e bronzeado do grego.

— Aaah, mia pra mim também, Milo. Eu vou adorar te ouvir! — sussurrou de forma sensual junto à orelha do escorpiano e em seguida soltando mais um miado baixinho, antes de lhe provocar esfregando os lábios por todo seu rosto bronzeado, até tomar novamente a boca do cavaleiro, sugando o lábio inferior e mergulhando mais uma vez em um beijo ardente, quase sufocante.

Deslizou a mão ligeira por dentro da cueca do Escorpião apertando com vontade a nádega firme e cravando de leve as unhas na pele, enquanto elevava o quadril para poder sentir com maior intensidade o roçar delicioso do membro dele em sua intimidade.

— Humm... Durinha! Adoro! Ah, esqueci... Miaaau!

Milo deu um sorriso encantador e Geisty, percebendo que ele já procurava pelo único artefato que faltava para enfim se renderem um ao outro, a italiana lhe lançou um olhar devasso e com uma mordida em seu queixo disse em tom sensual:

— Deixa que eu pego! — girou o corpo ficando de costas para ele, de quatro sobre seu corpo, roçando as nádegas no loiro enquanto esticava o braço e abria a gaveta do criado mudo, de onde retirou uma tira de camisinhas, pois sabia que uma só não seria o suficiente para aplacar o fogo daquele Escorpião, e nem o seu.

Segurou os preservativos entre os dentes enquanto olhava por cima dos ombros, com uma expressão de pura malícia, rebolando e provocando o grego com o contato entre os corpos. Geisty então ficou de joelhos no colchão, de frente para o escorpiano, o encarando com seus exóticos olhos violetas, dos quais um brilho em tons de púrpura era emanado, denunciando a excitação em que se encontrava.

Devagar, ela engatinhou em sua direção como uma felina que espreita a presa, sem cortar o contato visual. Quando quase colou seu rosto com o dele, abriu a boca para soltar a tira, que caiu sobre o pescoço do grego. Sugou o lábio inferior de Milo mais uma vez, enquanto se perdia naquelas duas orbes azuis intensas que eram os olhos do Escorpião!

— Miiiiaaaau! — gemeu ela, fazendo sua respiração quente e pesada ser sentida de perto por ele.

— Humm... Miaaauuuu, gatinha... miaaauuu... — Milo respondia com seu sorriso mais safado, tomando sua boca novamente em um beijo quente e agora muito mais afoito.

Ignorou momentaneamente as camisinhas, mas apenas para se livrar da calcinha dela.

De modo sacana e para instiga-la, Milo levou uma mão até a intimidade da amazona e começou a massagear seu clitóris com os dedos, até que a percebeu bem excitada, então enquanto a beijava a penetrou com um dedo, massageando suavemente a região e delirando conforme a sentia cada vez mais entregue.

— Humm, assim que eu gosto... Humm, vamos dançar, Geistynha? Se prepara pra miar a noite toda, porque Miluxo vai te fazer ver uma constelação de estrelinhas!

Então, em um movimento rápido, Milo girou os corpos ficando novamente por cima. Sem perder tempo retirou a cueca.

— Deixa preparar você... Humm, gatinha, esse seu corpinho tá me deixando louco, sabia? — disse ele enquanto descia até a intimidade dela com a boca lhe presenteando com um delicioso sexo oral, sugando e contornando com a língua o clitóris da amazona sem pressa nenhuma.

— Hummm... — gemia Escorpião.

Não havia nada que Milo gostasse mais nesse mundo do que mulher! E aquela ali era maravilhosa. Enquanto a preparava se tocava de leve, já apanhando uma das camisinhas e a colocando em si. Pronto, parou o que fazia, arrumou a postura e trazendo as pernas dela para em torno de seu quadril, disse com um sorriso:

Let's dance!

Escorpião então a penetrou lentamente, com muito cuidado de início, sentindo o corpo dela envolver seu membro prazerosamente, indo ao delírio.

— Aaaaah... gatinha! Que deliciaaaa!... Miaaaauuuuuuu... — gemia alto dando início a um vai e vem cadenciado.

Geisty por sua vez, ria e gemia ao mesmo tempo. Achava aquele cavaleiro caricato, mas não podia negar a atração que ocorreu ali entre os dois e da qual não se lembrava de haver experimentado antes. Milo realmente se importava em dar prazer a ela e conseguia de forma assustadoramente competente, pois a amazona, durona como era, estava de fato toda derretida nos braços do hábil amante, gemendo sem pudores e se agarrando aos lençóis atrás de sua cabeça.

— Aaaaahh, Miiilo... Aaaaaah... miau... Aaaaaahhh...

Os gemidos eram altos e podiam ser ouvidos ecoar por todo o Templo, que vazio como estava propagava o som através das paredes e colunas, cômodo a cômodo, até o andar de baixo.

Entre gemidos Geisty pedia para que o loiro fosse mais rápido, e prontamente era atendida sentindo as investidas de Milo ganharem vigor conforme envolvia a cintura dele com suas pernas torneadas, elevando o quadril e se remexendo sob ele no mesmo ritmo, roçando todo seu corpo esguio ao dele, que parecia estar em chamas! O desejo parecia ser a única matéria prima dos dois amantes.

— Hum... que gostoso, Milo! — gemia ela enquanto erguia o corpo para arranhar de leve o abdômen do cavaleiro e se sentar em seu colo, sentindo-se ser preenchida por completo — Aaaaah, você é bem gostoso mesmo! — falava com a voz rouca, carregada em luxúria, rebolando de vagar, cavalgando o grego deliciosamente enquanto ouvia seus gemidos — Mia para mim... mia bem alto também, vai... geme aaaahhh... — jogava os cabelos para o lado, os quais caiam como uma cascata negra, enquanto subia e descia aumentando a velocidade e o atrito entre os corpos, fazendo seus seios fartos dançarem com aquele balanço e enlouquecerem ainda mais o Escorpião.

— Aaaaaaaah... Geistynha... miaaaaaauuu... Aaaaaahhh... Que delícia! Hummm... Miaaaaaauuuu, Miaaaauuuu! — observava aquele par de seios deliciosos subir e descer completamente hipnotizado, então ergueu o tronco até ficar sentado para alcançá-los com a boca e sugar os mamilos, enquanto apertava as nádegas dela com as pontas dos dedos a incentivando a aumentar o ritmo da cavalgada.

— Aaah, isso gatinhaaaa! Vai, miaaaauuu... Isso! Olha as estrelinhas chegando! Humm... Quero você derretida, molinha de prazer no colinho do Miluxo. Aaaah, vem gatinha... mia de prazer pro seu gatão, vai Aaaaahhhh... — dizia ele aumentando o ritmo da penetração ao mesmo tempo em que sugava e mordiscava os mamilos da garota. Sabia que logo gozaria, mas não se contentaria enquanto ela também não gozasse, pois Milo sempre adorou fazer uma mulher revirar os olhos de prazer. Esse era o seu êxtase!

— Aaaaaaahhhh Milo! Seu gatão gostoso, miaauuu... aaaaahhhh... — os gemidos da amazona perderam todo e qualquer pudor naquela hora. Geisty agora gritava de prazer. Com uma disposição além do normal ela cavalgava num ritmo alucinante, sentindo já arrepios por todo o corpo e pequenos espasmos involuntários em sua intimidade que a levavam ao delírio — Aaaaaaaaaaaaaahhhh, você me deixa louca... Miloooooo... Aaaaaahhh...

O orgasmo tomou o corpo da amazona como uma avalanche. Ela apertou os dedos nos longos cabelos loiros e arqueou as costas, jogando a cabeça para trás, oferecendo mais de seus seios que agora estavam rígidos pelo prazer. Geisty agora parava de se mexer, ao passo que sentia Milo aumentar o ritmo da penetração a tocando fundo. Arfava e gemia baixo, ficando mole no colo do escorpiano, e como ele mesmo prometera, vendo estrelinhas com seus olhos violetas sendo escondidos, ao se revirarem, pelas pálpebras pintadas de sombra marrom.

Quando sentiu a mulher se derretendo de prazer em seus braços, Milo a apertou forte contra o corpo e se deitou por cima dela. Agora sim, com sua missão cumprida, o escorpiano finalmente a penetrou com mais força e vigor. Não demorou em sentir os espasmos que precediam o orgasmo, pois ver a mulher arrebatada pelo prazer que conseguira dar a ela era o seu maior deleite! Após algumas estocadas mais fortes, foi a vez dele revirar os olhos, miar alto e ver estrelas!

— Aaaaaahhhh... gata... miaaauuuu! — Milo quase gritou, ao gozar.

Ainda trêmulo, arfante e suado, Escorpião se deixou cair ao lado dela. Com cuidado, retirou o preservativo, deu um nó e jogou em um lixo ao lado da cama. Ainda se recuperando a trouxe para um abraço e enquanto acariciava seu rosto disse com um sorriso sacana:

— Eu não falei? É muito mais gostoso quando a dança é a dois, Geistynha. Meu telhado estará sempre disponível pra uma gatinha manhosa assim, como você, poder miar quando quiser!

Com o coração ainda acelerado, Geisty sorriu e abraçou Milo, se aninhando em seu peito. Escondeu o rosto e deu uma gargalhada, esquecendo-se, por hora, de todos os problemas gigantescos que a soterravam ali, naquele bordel. Tentou ignorar o fato de que há minutos atrás havia sido negociada em um escambo, feito um animal, porque aquele cavaleiro caricato simplesmente preencheu com carinho o vazio que ela sentia desde que chegara ali.

— Ah, Milo. Você é uma peça rara! Sabia? — levantou a cabeça buscando os olhos dele e o encarando enquanto sorria de forma singela e verdadeira — Obrigada, por ter sido gentil comigo. Ninguém nunca foi assim antes. Nem o meu ex-namorado, muito menos o Saga! — disse com melancolia, mas ao lembrar-se do convite do escorpiano respondeu a altura — Humm... Acho que vou aproveitar esse telhado! Mas cuidado! Às vezes viro onça, bichano! — falou soltando outra gargalhada.

Milo riu e a puxou para mais perto, rolando entre os lençóis com ela às gargalhadas.

— Então vira! Vira onça e faz o Miluxo de gato e sapato! Quer saber? Acho que devíamos miar nesse telhado a noite toda, que tal? O mané do nosso chefe não disse que você era minha? Agora o Miluxo é teu também! Faz com ele o que você quiser, gatinha. — mal acabou de falar e já roubou outro beijo quente da amazona.

Aquela noite prometia e Saga se arrependeria amargamente de ter oferecido Geisty a Milo.

Horas antes...

Assim que Geisty subiu com Milo, Saga se enfurnou em seu escritório e focou toda sua atenção no trabalho.

Era uma burocracia infinita abrir uma casa de tolerância e agora tinha pilhas e mais pilhas de papéis para assinar e propinas a negociar com a prefeitura de Atenas, já que abrir um puteiro em um Templo milenar tombado como patrimônio da humanidade seria impossível se não fosse através de meios ilícitos e corruptos.

— Por que raios eu coloquei aparelho de som nos quartos? — resmungava, enquanto escutava uma música agitada vinda do quarto de Geisty. Tentou ignorar e se concentrar na papelada, se esquecendo momentaneamente dos dois. Ou quase, já que um tempo depois ouvia um barulho infernal novamente, que aumentava gradativamente.

— Esse maldito Escorpião podia ser menos escandaloso! Miados? Onde já se viu! Que completo idiota! — ralhou, sem saber se para o Escorpião ou para si mesmo.

Extremamente irritado e incomodado com os miados e gemidos, Gêmeos passou a mão em uma pilha de pastas de documentos, os meteu debaixo do braço e decidiu que iria trabalhar em seu próprio Templo morro acima, assim não teria que escutar nada, já que ali não iria conseguir trabalhar.

Ao abrir a porta, o som ficou ainda mais alto e podia também ouvir a voz da amazona misturada a daquela cria de Hades de cabelo amarelo. Cerrou os dentes e não ficou ali nem por mais um segundo, usando a velocidade da luz para subir as Doze Casas.

Quando entrou em seu Templo, jogou as pastas que trouxera consigo sobre uma mesa, pegou uma garrafa de absinto e andando de um lado para o outro enquanto resmungava nervosamente, dava goles generosos na bebida — "Por que caralhos concordei com essa merda? Aquele infeliz! Devia era se dar por satisfeito de não matá-lo ao invés de lhe impor um trabalho. Apesar de que, mais uma baixa no exército dourado seria extremamente preocupante! Mas seria gratificante poder expurgar esse desgraçado das minhas vistas!" — pensava e já um tanto mais calmo se sentou novamente e se pôs a trabalhar. Negociaria com Camus e a Vory v Zakone a verba necessária para subornar a prefeitura e conseguir o alvará para a abertura do Templo das Bacantes, o que não seria nada difícil, já que o prefeito de Atenas era um corrupto de marca maior e quando Saga se reuniu com ele para falar da abertura de sua casa de tolerância, e da promessa de lindas mulheres e noites plenas de luxúria, os olhos voluptuosos do homenzinho calvo, baixo e parrudo foram tomados por um brilho pleno de ansiedade. O sorrisinho de canto de boca do prefeito Praxedes era a cartada final para que o negócio de Saga deslanchasse. Ao final, era mais fácil abrir uma zona na Grécia em território tombado pela prefeitura do que tirar doce de criança!

Depois de alguns amassos e muitas piadas infames do escorpiano, que arrancavam gargalhadas descontraídas da amazona, ambos tomaram uma ducha e voltaram para o quarto com um apetite de leão! Atacaram sem dó nem piedade todas as guloseimas que havia no frigobar da suíte de Geisty. Conversaram, dançaram e como o loiro não dava ponto sem nó, já logo iniciavam uma nova sessão de sexo regada a gemidos altos, muita música e a reprodução de quase todas as posições sexuais de que se tem conhecimento. Pelo menos todas as que Milo conhecia!

Por fim, ambos caíram exaustos sobre os lençóis. Geisty, esparramada na cama com o Escorpião a seu lado, conversava de forma despreocupada e descontraída acerca de como fora parar ali e obrigada a trabalhar como prostituta.

Para tentar espantar a tristeza da moça e tentar distraí-la, o cavaleiro lhe convidou a driblar os guardas que faziam a segurança dentro do Templo e roubar alguns quitutes da geladeira da cozinha, e também algumas bebidas do bar.

Juntos lá foram eles garantir o lanche da madrugada e quando já estavam com as mãos e bolsos cheios voltaram para o quarto às gargalhadas.

Milo já estava levemente bêbado pelo vinho roubado e Geisty já completamente! Talvez só assim para a amazona aceitar tomar uma aula de funk em cima da cama, onde ambos executavam passos desengonçados sobre o colchão, tentando se equilibrar, cantar e dançar, tudo ao mesmo tempo.

Depois de rirem muito, Milo mais uma vez conseguiu ganhar a amazona, porém agora se entregaram um ao outro de forma calma, sem pressa, sem gritos e sem miados.

Exaustos, deitados de conchinha, assistiram a um filme pornô e riram do começo ao fim, pois achavam mais graça nas cenas do que sentiam tesão. Acabaram pegando no sono pouco depois de o filme começar.

Por volta de cinco da manhã, Milo despertou muito a contragosto. Não queria levantar, ainda mais quando sentia o cheiro gostoso da pele morena de Geisty entre seus braços, mas precisava. Ela era seu pagamento pelo serviço que estava indo realizar.

Sabia que Saga não daria outra bobeira como essa e que se quisesse aquela mulher fogosa e deliciosa novamente em seus braços teria que pagar por ela.

Tendo isso em mente, escorregou para fora da cama, ainda admirando o corpo nu estendido nos lençóis.

— Linda demais! Ah, gatinha... Quem quer subir nesse telhado agora sou eu! O Miluxo vai comprá muita noite sua pra gente miar bastante juntos! — disse em um sussurro para não acordá-la. Em seguida, depositou um beijo na boca e outro na bunda da amazona, antes de se vestir de qualquer jeito e deixar o quarto de fininho.

Milo voltou para o Templo de Escorpião e em pouco tempo tomou uma ducha, vestiu uma roupa limpa e mais formal e partiu para a Turquia, onde passaria alguns dias aliciando e ajeitando a documentação falsa das moças que trabalhariam no Templo das Bacantes.