Olá Bacantes! Mais um capítulo sendo respostado.
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Beijo das bacantes ;*
*********************** Cap 6 Reunião de ouro **********************
Assim que o dia amanheceu, Saga decidiu que não esperaria as garotas que Milo iria trazer chegarem para então anunciar aos outros cavaleiros sobre a abertura do Templo das Bacantes.
Os três elementos fundamentais para o sucesso de seu negócio, e os quais achava que lhe dariam mais trabalho para dobrar, no fundo não lhe foram tão complicados como imaginava.
Geisty não tinha outra escolha, afinal ela sabia que com uma dívida imensa como a sua a máfia russa não deixaria sua cabeça em cima do pescoço em hipótese alguma, e não lhe restava alternativa a não ser cumprir as ordens do Grande Mestre.
Já para Afrodite e Milo, aquilo não seria um trabalho, mas sim pura diversão!
Sendo assim, Saga já se preparava para comunicar aos outros cavaleiros acerca de suas respectivas funções em seu novo empreendimento.
Todos já ocupavam cargos de confiança dentro da máfia grega, o que fariam no Templo das Bacantes seria considerado como um auxílio ao negócio que traria lucro a todos.
Gêmeos então, após se vestir com o manto do Grande Mestre para iniciar sua rotina de compromissos como Patriarca do Santuário, antes chamou um de seus porta-vozes e lhe ordenou que enviasse um comunicado a cada Cavaleiro de Ouro, os convocando para uma reunião extraordinária logo no início da noite.
Em Jamiel...
Mu estava do lado de fora da Torre. Preparava-se para uma leve sessão de exercícios físicos antes de começar o trabalho pesado na forja, quando subitamente sentiu o chamado de Saga através do Cosmo.
O Grande Mestre o contatava exigindo sua presença em uma reunião em caráter oficial.
Áries ficou incomodado e estava resoluto em não comparecer. Pensava nas palavras de Shion, ditas pouco antes de o antigo Grande Mestre morrer, as quais o alertavam acerca dos perigos do Santuário!
Shion muitas vezes dissera a Mu que o Santuário não era mais o mesmo, e que estava contaminado por uma força maligna!
O antigo Patriarca lhe dissera também que se um dia perecesse Mu deveria permanecer em reclusão e jamais voltar à Grécia, mantendo a armadura de Áries segura para quando chegasse a hora da Guerra Santa.
Obediente, Mu voltara para o Santuário apenas para assistir, choroso e de longe, à cerimônia fúnebre do seu amado Mestre, e logo regressou à Jamiel. Desde então nunca mais colocara os pés na Grécia, mesmo com Saga o contatando por diversas vezes lhe pedindo para que voltasse.
Todavia, aquela era uma convocação oficial e o não comparecimento poderia ser encarado como deserção, sob pena de exoneração ou morte!
Resignado, Mu passou a manhã toda pensativo e com um conflito se desenhando em sua mente.
Ir ou não ir?
Até o presente momento não havia afrontado o Santuário oficialmente. Era um exilado, não um traidor.
Porém, não fora o temor em ser julgado como traidor ou rebelde que o fez tomar uma decisão e sim outro fator deveras importante: Mu sentia saudades!
Saudades do convívio com as pessoas e saudades de seu melhor amigo, o qual não via há muitos anos e de quem jamais se esquecera.
Essa seria uma boa oportunidade para revê-lo, mesmo que de longe, e quem sabe até trocar algumas palavras.
Decidido, Áries regressou à sua Torre, retirou as vestes de ferreiro e tomou um banho. Próximo ao horário da convocação vestiu-se com as roupas típicas tibetanas que costumava usar, colocou a Caixa de Pandora nas costas e com um suspiro que denotava ansiedade teleportou-se para os arredores do Santuário.
Não entrou na primeira casa, pois não queria que sentissem seu cosmo ali. Sendo assim, apenas depositou a caixa da armadura embaixo da sombra de uma árvore, sentou-se sobre ela, encostando as costas no tronco e ficou olhando de longe as escadarias e os antiguíssimos templos em mármore e rochas erguidos há milênios. Perdia-se em suas lembranças aguardando o horário marcado.
Em Touro...
Aos berros o mensageiro do Patriarca chamava o guardião da Segunda Casa Zodiacal. O volume altíssimo da música que vinha de dentro do Templo obrigava o pobre homem a usar toda sua potência vocal, que não era muita, e só mesmo depois do quarto grito foi que Aldebaran enfim apareceu na frente do Templo de Touro.
Animado pelo pagode que tocava no último volume de sua vitrola, o grandalhão vinha todo sorridente vestido com uma camisa oficial do Flamengo, seu time de futebol do coração, bermuda e chinelos. Tinha uma latinha de cerveja em uma das mãos, enquanto cumprimentava o mensageiro com a outra que estava livre, lhe dando um aperto de mãos que quase esmagou os metacarpos do pobre servo.
— Fala amigo, beleza? — disse Aldebaran com seu sorrisão característico — Quer passar? — perguntou solícito.
— Não, senhor Aldebaran, trago uma mensagem do Grande Mestre. — respondeu o homem lhe entregando o comunicado.
— Ih, rapaz, deu merda, é? — perguntou Touro pegando o papel e lendo em seguida — Convocação oficial! Humm...
O homem o olhou intrigado, sem saber o que responder, apenas esperava ser dispensado para poder voltar a seus afazeres diários.
— Pô, valeu amigo. Pode ir! Estarei lá.
Assim que o homem virou as costas, Touro deu um gole na cerveja e fazendo um passinho para acompanhar a música entrou em seu Templo.
— Maravilha... Nossas vidas, você eu... Que bom amar... — cantarolava enquanto desaparecia entre as colunas.
Tinha apenas começado a preparar o seu almoço, mas como mais bebia e dançava do que cozinhava ainda estaria longe de terminar!
Em Câncer...
Máscara da Morte apagou o cigarro com as pontas dos próprios dedos e jogou a bituca entre os pés do soldado, que havia acabado de lhe entregar a convocação de Saga.
— Ma che cazzo... Justo oggi! — ralhou lendo o papel — Diga aquele carcamano que io vou me atrasar! Ele que espere, va benne? — disse ao mensageiro e então deu as costas ao homem, guardou o papel no bolso frontal do avental de couro que estava usando e entrou no Templo de Câncer.
Lá dentro, pegou um saco de estopa todo sujo de sangue e de dentro dele retirou a cabeça de um homem de uns vinte e poucos anos.
Deu um beijo na testa do troféu e com um sorriso sádico nos lábios a mergulhou numa tina de formol que jazia em cima da mesa da pequena sala que ficava nos fundos do quarto Templo e a qual usava como "ateliê".
— Saga, você é um grande pé no meu saco! — dizia acendendo um cigarro e fechando a tampa da tina — Você também era, signore! — sorriu olhando para a cabeça no formol dentro do vidro, onde deu duas batidinhas com as pontas das unhas — Agora é um enfeite para minha parede... E mais uma peça de minha coleção! — dizia tragando o cigarro e rindo de forma cínica.
Andou até a vitrola que tocava em alto e bom tom uma canção de Luciano Pavarotti, seu cantor favorito, e a desligou.
Levaria tempo no banho até conseguir mandar todo aquele cheiro de morte ralo abaixo e estar apresentável.
Era melhor começar logo!
Em Leão...
Aiolia havia acabado de desligar o telefone quando ouviu o soldado lhe chamar.
Cobranças, confirmação de pagamentos de propina, novos acertos e demais problemas teriam que esperar, pois um mensageiro do Grande Mestre na porta de sua casa significava problema na certa.
Desceu as escadarias e apanhou o papel da mão do homem. Leu e soltou um suspiro profundo.
— Uma convocação geral... Na certa é alguma bomba. Obrigado, pode ir! — disse ao mensageiro, que deu dois passos para trás e seguiu descendo as escadas.
Ao entrar em casa novamente, o Cavaleiro de Leão se jogou no sofá cruzando as pernas sobre uma grande almofada vermelha pensando se a tal reunião teria alguma ligação com os burburinhos que ouvira após a passagem saltitante de Afrodite pelas Doze Casas, ou se finalmente Saga abriria o jogo quanto a real situação do Santuário com a máfia.
Em Virgem...
Shaka tinha acabado de pegar o balde de pipocas, primorosamente temperadas com açúcar, cravo e canela, e partido apressadamente da cozinha de volta para o quarto, onde se jogou bem no meio da enorme cama cheia de belas almofadas de seda indiana.
Passou a mão no controle remoto e deu play no videocassete.
Finalmente assistiria pela milionésima vez à cena de amor de Himmatwala, um dos filmes indianos que mais gostava.
Já ia jogando três ou quatro pipocas na boca quando ouviu o mensageiro do Santuário gritar seu nome a plenos pulmões na entrada do Templo de Virgem.
— Por todas as divindades do Ganges! Logo agora! — ralhou desanimado dando pausa novamente no filme.
Muito a contragosto Shaka se levantou da cama, ajeitou sua túnica laranja no corpo, pegou seu rosário, fechou os olhos, reassumiu a pose austera de sempre e foi para a frente do Sexto Templo, caminhando devagar.
Antes que o soldado pudesse proferir qualquer palavra o cavaleiro de Virgem já o repreendia severamente por ter tido sua meditação interrompida, dizendo ainda que esperava que não fosse por um motivo torpe.
Sua figura era tão imponente que o mensageiro abaixou a cabeça e apenas transmitiu o recado em voz baixa, esquecendo-se até de entregar o papel, tamanho seu nervosismo.
— Convocação geral? Hum... Não me parece nada auspicioso. Já deixei bem claro que não irei me envolver com aqueles mundanos. Diga ao Grande Mestre que eu não... — dizia o indiano quando de repente calou-se.
Pensativo, Shaka ficou alguns segundos imóvel, chamando a atenção do homem à sua frente que agora só pensava em como daria o recado da negativa do cavaleiro da Sexta Casa para o Patriarca, que certamente descontaria a raiva da desobediência do cavaleiro de Virgem em si. Mas, de súbito a voz de Shaka aliviou a tensão do pobre mensageiro.
— Se bem que, pensando bem, se é uma convocação oficial, todos os cavaleiros devem ir... Mu deve ir!
Virgem então olhou para o homem e o dispensou com um aceno de mão, para o bem e alívio do pobre que já sentia seus joelhos tremerem.
De volta para o interior do Templo, Shaka voltou para o quarto e finalmente pode assistir ao filme, mas mesmo sendo uma das superproduções Bollywoodianas que mais gostava, sua mente não estava focada na tela da TV e sim na reunião de logo mais.
Após o filme, Virgem tomaria um banho especial com essências de sândalo, se purificaria com incensos especiais e faria um mantra em sua flor de lótus para lhe trazer sorte e calmaria...
Nada que saísse muito de sua rotina, porém agora o poderoso guardião da Sexta Casa faria tudo com um sorrisinho maroto no belo rosto.
Em Capricórnio...
Shura estava relativamente surpreso com a convocação.
Há tempos não havia uma reunião geral e isso significava algo muito bom ou muito ruim.
Deu de ombros e dispensou o mensageiro com um gesto com a mão, o qual fez o servente se encolher todo, pois não havia um só ser humano naquele lugar que não conhecesse o quão letal era a mão daquele cavaleiro.
Alheio ao mini enfarto do pobre homem, Shura entrou na Décima Casa apertando as têmporas. Sua cabeça já começava a doer só de imaginar o conteúdo da reunião.
Seja lá o que fosse uma coisa era certa: Ia haver barraco. Sempre havia!
Em Moscou, na Rússia...
Trancado em seu escritório, em meio pastas, fichários, arquivos fotográficos e muitos relatórios, Camus ouviu dois pequenos toques na porta.
— Mozhno vvesti! — disse em voz baixa, mandando a secretária entrar.
A mulher entrou calada entregou uma folha de fax nas mãos do ruivo e deixou a sala em seguida.
Já havia comunicado ao patrão pelo interfone que se tratava de uma mensagem vinda da Grécia, e assim que Camus a leu suas suspeitas apenas ganharam forma.
— Hum... Uma convocação oficial! — disse para si mesmo afrouxando a gravata.
Jogou o papel sobre a escrivaninha e soltando o peso do corpo contra o encosto da cadeira deu um suspiro.
— O que Saga pode estar querendo? Já resolvi tudo que tinha para resolver com ele semana passada! Merde! Non poderia sair hoje!... Ainda tenho que colocar ordem nesse pardieiro dos Scherbítsky! — reclamou voltando à postura anterior e remexendo nos relatórios.
Aquário estava organizando uma grande operação que precisaria ser liderada por ele mesmo naquela noite.
Coisas da máfia!
Contudo, devido ao chamado inesperado do Santuário teria que adiá-la, e não estava nada contente com isso. Era um homem extremamente organizado e contratempos realmente não eram de seu agrado.
A negociação das armas israelenses teria que ficar para depois, pois não poderia deixar uma transação tão delicada nas mãos de seus subalternos.
Sendo assim, o cavaleiro de Aquário, e segundo líder da poderosa Vory v Zakone, contatou Ivan Ivanovenko, seu braço direito e melhor amigo, e lhe deu ordens claras para que nada fosse feito até sua volta da Grécia.
Após tudo acertado, Camus deixou o prédio onde ficava seu escritório e rumou para sua mansão em Moscou, que ficava em uma área bem isolada.
Passou o resto do dia em casa resolvendo alguns pepinos pessoais, e próximo à hora marcada pelo Patriarca partiu para a Grécia usando a velocidade da luz.
No Templo de Aquário, Camus tomou um banho, vestiu-se costumeiramente e colocou sua armadura, ajeitando a capa de forma impecável. Imaginava que o motivo da reunião provavelmente seria algo estúpido, mas já que tivera que interromper sua rotina e seus negócios iria cumprir o chamado com rigor.
Ainda faltava meia hora para o horário estipulado por Saga, mas, pontual como era, e porque odiava atrasos, o francês resolveu subir as escadarias e aguardar os colegas e o Grande Mestre em seu salão.
Seria o primeiro a chegar!
Quando Camus se aproximava da Décima Segunda Casa, diminuiu os passos.
Ia se anunciar a seu morador e pedir permissão para passar, mas ao ouvir alguns ruídos, como de sussurros e gemidos, resolveu fazer silêncio e passar ocultando seu Cosmo, ignorando o que acontecia ali.
Porém era humanamente impossível ignorar Afrodite de Peixes.
O pisciano parecia gritar e gemer tão alto que nem se Camus tampasse os ouvidos com gelo eterno conseguiria deixar de ouvi-lo
Seguido dos gemidos de prazer, ouvia-se também sons de tapas e outros arquejos roucos, os quais fizeram o rosto do francês corar involuntariamente.
Camus franziu o cenho e apertou o passo.
Era só o que faltava, ficar ali ouvindo o vizinho fazer sexo àquela hora da tarde!
— Humpf! Mas que degradante! — ralhou para si mesmo – Largo meus negócios importantes para vir para cá e ter que me rebaixar ouvindo essa gritaria!... Viado escandaloso! Parece até um porco sendo abatido à facadas! Esse Santuário está decadente!
Nervoso e incomodado o ruivo seguiu escadaria acima pisando forte, até que finalmente entrou no Templo do Grande Mestre e chegou ao salão principal, onde seria a reunião.
De frente para o trono Camus tentou mandar para longe os gemidos de Afrodite que ainda ecoavam em sua mente, ficando em uma posição de descanso, com as mãos atrás das costas e olhos fechados.
O semblante do aquariano era sério e frio, porém sem que notasse ainda resmungava baixinho impropérios contra seu vizinho escandaloso.
— Onde já se viu! Uma bichinha nojenta e afetada como Afrodite com a patente de Cavaleiro de Ouro!... Non bastasse isso, ser um viado imundo, precisava se portar feito uma ambulância? Mon dieu, é só alguém entrar pela porta de traz que ele já liga a sirene e começa a gritar! — o francês quase riu do próprio trocadilho infame que fizera. Quase!
Enquanto isso, no Templo de Peixes...
Os gemidos de Afrodite eram abafados pela mão forte e cheia de calos do soldado Héracles, um dos muitos homens que compunham a guarda do Santuário, e um dos que frequentavam a cama do pisciano esporadicamente.
Héracles o penetrava com tanta força que era preciso tapar a boca do sueco se não quisesse que ele chamasse atenção de todo o Santuário.
Como já sabia da convocação, Afrodite tirara a tarde livre para fazer sua própria reunião particular com o soldado grego de um metro e noventa de altura, corpo forte e sarado e mãos extremamente habilidosas.
Aliás, habilidosas e pesadas! Cada tapa que tomava dele sentia seu rosto arder, tanto pelo peso da mão, quanto pelo tesão do ato.
Depois de longos e demorados minutos de um sexo intenso e deliciosamente selvagem, Héracles deixou o Templo de Peixes abotoando a túnica do uniforme.
Enquanto descia as escadas o rapaz esfregava os olhos e coçava o nariz. Nunca era muito fácil transar com o Santo de Peixes, por causa das toxinas naturais que exalavam de seu corpo, mas eram essas mesmas, aliadas à sua beleza divina e ao perfume inebriante de rosas que ele possuía, que o tornava irresistível!
Dentro do quarto, Afrodite ainda respirava acelerado e ofegante enquanto desamarrava seus pés, presos aos pés da cama por cordas de couro vermelho.
Tinha levado tanta bofetada no rosto que suas bochechas estavam vermelhas, ardidas e inchadas e quando entrou no banheiro para se lavar e se arrumar para a reunião deu um grito ao se olhar no espelho.
— PELA DEUSA! Vou ter que botar a cara no gelo! Mas valeu a pena! — disse, analisando o estrago e rindo de si mesmo — Ah... Nada que uma boa make não resolva!
Ligou a ducha e enquanto cantarolava uma canção qualquer tomou seu banho para se aprontar para a reunião.
No salão do Grande Mestre...
Camus se mantinha na mesma posição, de pé com as mãos atrás das costas, balançando levemente o corpo para frente e para trás, quando de repente na entrada da porta do salão surgira Mu de Áries, que havia se teleportado diretamente do primeiro Templo para lá.
Apesar de não ver o colega aquariano há muitos anos, Mu o cumprimentou educadamente de longe mesmo.
— Olá, Camus de Aquário. — disse em tom baixo.
— Olá, Áries! — respondeu Camus também com um aceno rápido de cabeça, e logo em seguida voltou a olhar para a frente, desviando o olhar de Mu, que sem ter o que fazer ali ficou onde estava, perto da enorme porta, esperando os outros chegarem.
Um após outro os cavaleiros vinham se aproximando subindo as escadas.
Shura de Capricórnio foi o terceiro a chegar. Subia as escadas devagar, esperando não ter que ver ninguém antes da reunião, afinal era amante do silêncio e não aguentaria nem os chiliques de Afrodite, nem as reclamações de Camus, por mais que já estivesse acostumado.
Quando viu Mu na porta baixou a cabeça, o cumprimentando silenciosamente e seguiu para dentro do salão sem nem esperar Áries lhe devolver a saudação.
Ao ver Camus, lhe direcionou o mesmo gesto e seguiu até o fundo do salão, onde ficou encostado em um dos pilares de mármore.
Mu e Camus mal tiveram tempo de maldizer em pensamento a quietude grosseira do espanhol, pois quase ao mesmo tempo Máscara da Morte chegava ao salão com toda sua exuberância italiana, dando um último trago no cigarro que fumava e jogando a bituca escada a baixo.
— Buonanotte, Mu! Come está, amico? — disse o canceriano ao passar pela porta e dar de cara com o lemuriano. Então se esticou todo para apertar as mãos do colega, chacoalhando os braços de Mu como se manuseasse maracas cubanas — Ma quanto tempo qui no te vejo por aqui!
— Boa noite, Máscara da Morte. — disse Mu meio ressabiado, porém sorrindo descontraído. Não tinha muita familiaridade com os colegas e ainda havia as palavras de Shion, de que não deveria confiar em ninguém do Santuário — Vou bem, obrigado!
— Va benne! — respondeu sorrindo, enquanto largava as mãos de Áries e de pronto já pegava uma caixinha de balas de menta da cintura de sua armadura. Jogou uma bala na boca e se aproximando de Camus lhe estendeu a mão para um aperto bem menos enfático.
— Olá, Aquário.
— Olá, Câncer. — respondeu Camus retribuindo o cumprimento.
Não tinham o que conversar, como o esperado, então o canceriano foi até Shura no fundo do salão, pois com ele mantinha uma amizade firme desde quando eram crianças.
— E ai, cabrito? Será que atrasa? — disse com um sorriso cínico no rosto.
— Sempre atrasa! — respondeu Shura sem mudar o semblante, enquanto esfregava as têmporas meio irritado — Mas que milagre o fez chegar antes da hora?
— Ma io estou veramente com ódio do troféu que peguei oggi, capisce? Se ficasse olhando para a cara dele por mais um minuto que fosse, ia arrancar os olhos do stronzo e dar para os canes! Ma ia ficar um buraco em minha parede... Resolvi vir e lidar com isso depois!
Shura apenas olhava para o amigo sentindo uma leve vontade de rir, porém o cavaleiro que adentrava o salão naquele momento o fez esquecer o riso imediatamente, já que ninguém ali ia muito com sua cara.
Shaka entrava pela porta com certa ansiedade. Nem ele mesmo sabia interpretar essa sensação.
Seria por ter passando anos isolado em seu Templo e agora veria a todos novamente? Já que quase nunca ia às convocações de Saga. Ou seria porque veria Mu, seu único amigo ali e o único ser digno de sua atenção.
— "Por Buda! Mas que sensação estranha!" — pensava quando finalmente encontrou a quem procurava.
O cavaleiro de Áries estava encostado em um dos pilares que ficavam na lateral do salão, um pouco mais afastado do grupo. Shaka sorriu ao vê-lo e imediatamente usou seu poder telepático para se comunicar com ele.
— "Mu! Mu de Áries! Há quanto tempo!"
Calado enquanto olhava para os companheiros que já haviam chegado, Mu perdia-se em seus próprios pensamentos imaginando qual era o propósito daquela convocação quando de repente sentiu o chamado telepático de Shaka e imediatamente se virou para a direção de onde sentia o Cosmo dele, abrindo um sorriso instantâneo assim que reconheceu sua figura imponente.
Mu estivera tão preocupado desde que recebera a convocação que tinha até se esquecido de que iria reencontrar seu melhor amigo de infância.
Sentira tantas saudades dele lá em Jamiel...
Desencostou do pilar e enquanto caminhava na direção de Shaka reparava no quanto o amigo havia crescido.
Não era mais o garotinho franzino de anos atrás, pelo contrário, tinha ficado mais alto que si! Os cabelos loiros, que já eram compridos quando criança, agora estavam longuíssimos assim como os seus, e não que costumasse reparar nisso, mas Shaka tinha se tornado um homem extremamente bonito!
Contudo, o semblante sério e até meio emburrado de quando era um menino ainda permanecia forte, apesar do sorriso tímido que lhe dava.
Quando ficou de frente para ele sentiu vontade de lhe dar um abraço, porém não teve coragem, então apenas estendeu a mão para uma saudação formal.
— Shaka, quanto tempo! — disse todo sorridente.
Virgem por sua vez, quando se viu frente a frente com Mu sentiu seus joelhos tremerem e suas pernas perderam a força.
Por alguns segundos ficou assustado, mas recobrara a concentração, focando nas palavras do lemuriano.
Fazia tanto tempo que não o via que só se lembrava de suas feições infantis, porém agora Mu estava muito diferente.
Mesmo que ainda com traços delicados, seu porte era forte, másculo e firme, que contrastavam com seu semblante doce e sereno.
Sorriu de volta para ele timidamente e agradeceu a Buda quando Mu tomou a iniciativa e estendeu a mão para cumprimentá-lo.
— Ah, Mu... Sim, muito tempo! Tudo bem com você? Que bom que veio!
Nesse mesmo instante, Aiolia entrava no salão.
Enquanto Leão subia as escadarias das Doze Casas não conseguia pensar em outra coisa que não na pouca vergonha que ouvira se espalhando pela Vila de Rodório.
Ao passar por Shaka e Mu, notou que ambos estavam tão entretidos num aperto de mão prolongado e no que quer que fosse que estivessem conversando que nem sequer o notaram ali. Seguiu em frente e cumprimentou Camus com um aceno apenas. Não fez questão de cumprimentar Capricórnio, que evitava olhar para si, e quando viu Máscara da Morte acender um cigarro ali dentro do salão já imaginou que talvez, só talvez, aquela reunião não fosse acabar muito bem.
Aiolia então se colocou próximo a Camus, no meio do salão e distraído ficou observando Mu e Shaka de longe, que pareciam mesmo ser os únicos que ainda mantinham algum sentimento de amizade.
Quando Mu percebeu que Aiolia os observava, soltou rapidamente a mão de Shaka e cumprimentou o Leão com um aceno de cabeça. Shaka não fez questão de cumprimentar o vizinho e continuou olhando para Mu da mesma maneira, aguardando uma resposta, que logo veio.
— Não tive opção. — disse Mu finalmente, se referindo ao fato de estar de volta ao Santuário — Foi uma convocação oficial. Me preocupa muito o assunto que será tratado aqui hoje, porém não achei nada ruim voltar. Pelo contrário, foi muito bom poder te reencontrar finalmente! — falou, ficando ligeiramente corado pelo que dissera, por isso rapidamente mudou de assunto — Mas, respondendo à sua pergunta, eu estou bem! Jamiel é muito quieta, solitária, mas eu gosto de lá. É tranquilo e quando estou precisando conversar, sempre tem a Vila. Mas e você, como tem passado? Ainda medita muito? Lembro que ficava horas falando com Buda quando éramos crianças.
— Sim, Mu, ainda medito! Todos os dias, aliás. — afirmou Shaka sussurrando — Bem fez você de se afastar daqui. Não fosse pela minha meditação esse Santuário decadente já tinha me feito cair em desgraça! Mas, essa Vila de que você falou, em Jamiel, você tem amigos lá?
Mu estranhava o fato de o amigo estar de olhos fechados mesmo ali, conversando consigo. Sabia que Shaka quando criança fechava os olhos para meditar, mas quando não estava meditando os tinha abertos normalmente. Porém agora, desde que chegara ali e começaram a conversar, Virgem não abrira os olhos em nenhum momento. Mu se perguntava o porquê.
Resolveu não ser inconveniente, afinal depois de tanto tempo admitia para si, com certo pesar, que sabia pouco sobre a atual vida do amigo indiano.
Vai que era alguma mania dele, ou simplesmente um hábito, ou até um problema de saúde! Atena queira que não! Pois nas recordações de Mu não havia olhos azuis mais belos que os dele.
— Bom... — prosseguiu o ariano — Há uma taverna aonde eu vou de vez em quando. Não sou muito chegado a bebidas, como deve imaginar, Sha, por isso o taverneiro me serve sempre algum suco ou coisa do tipo, sem álcool. O mestre me instruiu sobre os males que ele causa ao homem. Bem, ai acabo batendo um papo com ele, ou com os outros moradores da Vila que frequentam lá... Mas, sinto que eles têm um certo receio em se aproximar de mim. Sabe como é, minha aparência e as lendas populares do "ferreiro da Torre" acabam espantando as pessoas. — riu meio tímido, ainda mais quando se dera conta de que chamara o amigo pelo apelido infantil.
Shaka no entanto já nem se lembrava mais do apelido, mas quando o ouviu foi como vivenciar em segundos os anos dourados da infância, principalmente aqueles em que vivera ao lado de Mu, o único ali que o chamava daquela forma.
— Ei... Shaka? — Áries chamou, percebendo que o amigo parecia ter desligado de repente. E como estava de olhos fechados, não sabia ler muito bem ainda seu rosto e suas intenções — Está tudo bem?
— Ah! Sim! — respondeu o virginiano meio exasperado — Meu... apelido de criança! Você lembrou! — deu um sorriso suave — Nem eu mesmo me lembrava dele direito! Mas... que bom que você tem com quem conversar lá em Jamiel, Mu. Assim não deve se sentir tão sozinho... Quero dizer... Você só encontra as pessoas na Taverna, ou alguém vai ficar com você lá... na sua... Torre? — disse, imediatamente se arrependendo da pergunta — "Por Buda! Por que perguntei isso? Que absurdo, Shaka!" — pensou envergonhado.
Porém, Mu mal tivera tempo de responder à pergunta, que por acaso julgou um tanto quanto estranha, que nesse momento entrava no salão uma figura tão bela quando espalhafatosa.
Afrodite adentrou o recinto segurando as laterais da capa branca da armadura com ambas as mãos, a balançando conforme andava, como se estivesse prestes a levantar voo.
Sorridente, o pisciano havia passado tanto corretivo no rosto para esconder as marcas das bofetadas que levara minutos antes na transa com Héracles, que parecia mais pálido que o normal.
Passou por Mu e Shaka e os cumprimentou com toda a descontração que cabia em seu ser.
— Oi, Buda, oi Mu! Quanto tempo! Só assim para ver vocês dois, heim! — disse sorrindo, mas passou direto, apenas vendo os dois cavaleiros lhes devolver a saudação, só que de maneira bem mais formal.
Caminhou em direção ao centro do salão onde ficava o trono do Grande Mestre.
Sabia que Saga logo chegaria, pois já havia passado dez minutos do tempo marcado, então viu que Camus de Aquário estava ali sozinho, longe dos demais cavaleiros que estavam dispersos no salão ou conversando entre si.
Peixes então, com a maior naturalidade do mundo, parou na frente de Camus, jogou a capa para trás, juntamente com as mechas longas de seu cabelo que caiam sobre o peito da armadura, e abrindo um sorriso enorme cumprimentou o colega que há muito não via.
— Vizinho! Nossa quanto tempo não dá essa cara linda por aqui! Como vai, Camus?
Camus por sua vez, olhava para ele, mas não acreditava no tamanho disparate e audácia daquela bicha atrevida em vir falar consigo daquela maneira.
Respirando fundo enquanto encarava o pisciano com olhos severos, Aquário pensava na vergonha que era ter ele, um viado nojento, compondo o alto escalão do exército de Atena. Ainda mais se portanto daquele jeito!
Seu olhar gelado deixava claro que não queria proximidade nenhuma com ele, já que a fama de Peixes era muito bem conhecida na máfia russa e até uma amizade poderia acabar por manchar sua impecável reputação.
— Non é da sua conta! — respondeu de má vontade para não alongar a conversa.
— Credo, mas que picolé de amargura você é, Camus. Azedo, azedo! — disse Afrodite cruzando os braços, de frente ainda para o francês, enquanto o analisava dos pés à cabeça — Faz quanto tempo que você não transa? Tá com um bico tão grande na cara que já já o seu pinto vai migrar de baixo e nascer ai, na cabeça. — afirmou apontando com o dedo indicador para a parte da anatomia de Camus que correspondia ao órgão citado.
Camus semicerrou dos dentes sem tirar os olhos dos de Afrodite.
Não estava acreditando nos disparates que estava ouvindo daquele viado. Quem era ele pra fazer insinuações sobre quando fazia sexo ou não? Teve ganas de congelá-lo ali mesmo.
— Peixes... — disse pausadamente franzindo as sobrancelhas.
— Diga, querido. — respondeu o sueco sorrindo para ele.
— Eu poderia lhe dar um bom tabefe nessa sua cara para você aprender a non falar asneiras. Mas, pelo tanto de reboco que vejo em seu rosto, e pela barulheira que escutei ao passar pelo seu Templo, você já levou muitos hoje, e no fim é bem capaz que iria gostar de apanhar... Então, por favor, vá azucrinar outro, que non tenho paciência com um bicha estúpida como você.
— Nossa! — disse descruzando os braços, levemente irritado — Então você fica debaixo da minha janela me escutando, Aquário? — deu uma gargalhada sonora que ecoou pelo salão chamando a atenção imediata de todos ali, que voltaram os olhos para os dois em atenção.
— O... que? — exclamou o ruivo, chocado com o que ouviu.
Afrodite então apoiou uma mão em um dos ombros de Aquário e encarou os olhos dele com vigor.
— Camus, vou te confessar uma coisa: Eu já percebi há muito tempo que você era estranho, mas confesso que me surpreendeu ainda mais. Não imaginei que era tanto! Mas olha, se você gosta de ouvir a foda alheia, não que eu esteja te julgando, longe de mim... Cada um com seu fetiche... Pois bem, se você gosta de ouvir os outros transando eu marquei hoje às vinte e duas horas com dois soldados lá no meu Templo. — disse naturalmente, para espanto do francês, que arregalou os olhos — Para o caso de você querer ouvir, pode ir lá debaixo da minha janela que eu posso até gritar um pouquinho mais alto para você me ouvir melhor! Você quer? Posso gritar o seu nome também! Você quer? – disse o sueco, sem nenhuma noção do perigo que corria, enquanto se aproximava cada vez mais do francês que parecia estar numa espécie de transe, tamanho era seu estado de incredulidade.
Ali do lado, no mesmo momento, Máscara da Morte e Shura observavam Peixes e Aquário com olhos atentos.
— Guardare Afrodite! Pode passar cinquenta anos quello viado está sempre igual! Sempre muito belo e procurando encrenca! — riu analisando de longe que pelos rostos dos dois colegas a conversa ganhava proporções perigosas.
Shura não respondeu, pois estava distraído trocando olhares ameaçadores com Aiolia. Todos ali sabiam que os dois não se bicavam e não faziam questão nenhuma de esconder.
Aiolia divagava entre passado e presente quando uma cena preocupante lhe chamou a atenção, assim como a de todos ali.
Camus agarrou o braço de Afrodite dando um apertão com muita força, fazendo o pisciano se curvar para frente e imediatamente acender seu Cosmo.
Porém, diferente de Peixes, que se mantinha na defensiva, Aquário elevou seu Cosmo formando uma camada fina de gelo em torno do braço do sueco, começando a congelá-lo aos poucos à medida que dizia:
— Nunca, você está me ouvindo? Nunca mais ponha suas mãos imundas em mim, Peixes. — disse enquanto encarava Afrodite nos olhos de maneira ameaçadora — Ou vai perder o braço, a mão, o que for que me tocar! Vous avons compris? Você passou de todos os limites! Non vou dar conversa para afrescalhado. Eu juro que mato você!
— Ah é? — disse o sueco, que só não sentia uma dor maior na área que era congelada porque estava protegido por sua armadura — Pois eu acho que você não dá conta de me matar, nem de me congelar, Camus, sabe por quê? — falou dando um passo à frente até ficar com o rosto bem perto ao do francês, ao ponto dele poder sentir o hálito doce e tóxico do pisciano — Porque eu tenho um fogo muito grande para o seu picolézinho dar conta! — arrematou com um sorriso cínico, e na mesma hora Aquário elevou ainda mais seu Cosmo.
— Fodeu! — gritou Máscara da Morte dando um cutucão em Shura e já saindo correndo em direção aos dois cavaleiros que se engalfinhavam.
Na mesma hora, Mu também percebeu o que estava acontecendo ali e quando desviou os olhos de Shaka, viu Câncer correndo em direção a Camus e Afrodite, notando que o francês estava congelando o braço do pisciano.
— Shaka, depois conversamos! Acho que temos problemas! — disse, já correndo em direção a eles.
Virgem se virou de frente para a cena, mas não foi até lá, apenas colocou seu elmo e soltou um suspiro.
De longe Shaka viu quando Shura num salto se colocou atrás de Aquário e encostou a mão que guardava a temível Excallibur no pescoço do francês, cortando alguns fios do cabelo ruivo no processo.
— Saia devagar de perto dele, compañero. — disse ameaçador o espanhol — Se arrancar el braço dele, su cabeza se va junto.
Máscara da Morte então se colocou no meio dos dois brigões, de costas para Peixes e de frente para Aquário.
Olhou nos olhos de Camus e disse sorrindo de maneira sádica:
— Io posso ficar com a cabeça, Shura?
A resposta do espanhol foi um olhar bravio para o amigo.
— No leve isso para el pessoal, Aquário. Apenas estoy cumprindo o regulamento. Devo manter a ordem nessa pocilga! — disse, deixando todos ainda mais apreensivos.
Porém, não fora a ameaça de Shura, nem o semblante ameaçador de Máscara da Morte, tampouco o olhar bravio de Aiolia que acabaram de vez com aquele furdunço, mas sim a entrada eloquente e decisiva do Mestre do Santuário, que na velocidade da Luz abriu a porta da lateral do Templo e quando todos ainda se assustavam com o estrondo, passava no meio deles jogando os brigões com uma rajada de Cosmo, um em cada canto do salão.
— Maldição! Não acredito que não conseguem mesmo ficar perto um do outro sem tentarem se matar! — Saga gritou indo para seu trono, então se virou de frente, encarou um por um e se sentou — Alguém pode me explicar que merda está acontecendo no meu Templo?
Camus em fim se pronunciou.
Já estava de pé, enquanto os outros ainda levantavam do chão.
— Vocês deviam manter a cadela no cio de vocês presa na coleira! — concluiu ríspido, fulminando o pisciano com o olhar .
Afrodite, que terminava de se levantar, nem esperou todos se aprumarem e usando a velocidade da Luz surgiu atrás de Camus e lhe deu um belo pontapé no traseiro, fazendo todos arregalarem os olhos em apreensão.
— Seu cafuçu* grosseirão! Machuda* do fosso lamacento do Hades! — gritou Peixes vendo o aquariano se curvar para frente com o empurrão enquanto segurava o elmo da armadura na cabeça, que quase caiu com golpe — Eu só quis ser gentil com você, afinal você é meu vizinho e vive debaixo da minha janela! Seu equêzeiro*, cabeça de fósforo aceso! Olha para mim, Camus, vê se eu tenho cara de quem dá ideia numa alma sebosa quinem você! Pelo amor de Dadá! Prefiro chupar um cano de chuveiro enferrujado do que o...
— CHEGA! — a voz de Saga dessa vez saiu forte e violenta como um trovão. Levantou-se do trono e agora usava toda a força de seus pulmões — Afrodite de Peixes, venha agora para cá! Saia já de perto do Aquário! E Camus, posso saber por que caralho do Hades você atacou Peixes dessa forma covarde?
Enquanto o pisciano cumpria a ordem do Mestre e seguia até perto do trono, fulminando o aquariano com os olhos, Camus espumava por dentro de raiva!
Como aquele afrescalhado tivera a coragem de lhe chutar o traseiro?
Cerrou os punhos com força e enquanto se imaginava socando aquela cara cheia de maquiagem contou até dez, tentando se acalmar.
Aos poucos seu semblante de fúria ia se amenizando. Não que a raiva que sentia daquela boneca escandalosa houvesse passado. Porém, não iria permitir que Peixes o tirasse do sério na frente do Grande Mestre e dos colegas, uma vez que parecia ser justamente isso que ele queria. Era disso que ele gostava! De chamar atenção! E não seria Camus quem ia dar esse gostinho àquela bicha desclassificada.
Aquário então respirou fundo, ajeitou o elmo na cabeça e se dirigindo a Saga disse pausadamente, em tom baixo e cordial:
— Saga, non houve, em absoluto, nenhum ataque covarde ao cavaleiro de Peixes por minha parte. Sequer houve um ataque! Como Grande Mestre, deve conhecer bem a índole deste seu cavaleiro. Eu apenas o adverti para que se afastasse de mim e se portasse dignamente. Ele, no entanto, non me deu ouvidos e extrapolando todos os limites do aceitável se jogou em cima de mim. Dei apenas um aviso. Se ele souber se comportar, non teremos mais problemas.
— Me joguei em cima de você? — gritou Afrodite se virando de frente novamente para o aquariano enquanto retirava umas mechas de cabelo grudadas no rosto. Com a mão ainda meio congelada, abria e fechava os dedos tentando fazer o sangue voltar a circular — Se toca, Aquário, já que ninguém faz isso por você! Eu apenas te cumprimentei, porque sou muito educado, e você já fantasiou alguma coisa comigo, tá boa? Você precisa de tratamento!
— Peixes, cale a boca se não quiser que te arranque a língua! — disse Saga em tom ameaçador.
— Hum... Faça isso e vai secar de tanta falta que vai sentir dela. — retrucou o pisciano em tom bem baixinho.
— Não vou nem perguntar o que você resmungou ai! — disse Saga novamente se sentando no trono — E sim, Aquário, eu conheço a índole de todos aqui e sei bem como são as coisas quando estão reunidos. Agora quero que todos se comportem, pois tenho um comunicado a fazer. Será que posso finalmente começar essa reunião? Espera! Cadê o Touro? — disse o Grande Mestre olhando para todos ali.
De repente passos apressados e que causavam um ruído estrondoso foram ouvidos irrompendo salão adentro.
O som era tão alto que chamou a atenção de todos os fazendo olhar ao mesmo tempo para a porta, apreensivos com o que estaria a caminho.
O piso trepidava e era como se uma manada de touros estivesse invadido o Santuário e rumando para o Templo do Grande Mestre como num estouro, mas um único Touro fora visto, enfim, entrando pela porta botando os bofes para fora.
— Desculpa ae, gente... Cheguei! — disse um Aldebaran ofegante e de rosto suado — Eu tava terminando de cozinhar o feijão, senão ele ficava cascudo!
— Será que um dia você vai chegar na hora marcada, Touro? — disse Gêmeos — Bom, creio que já estão todos aqui. — olhou para o rosto de cada um ali, vendo Shura, Aiolia e Máscara da Morte com os braços cruzados e o mesmo semblante invocado de sempre, Mu um pouco atrás de Shaka, que o olhava com olhos curiosos, ao passo que Virgem se mantinha indiferente como sempre, e Camus e Afrodite que se entreolhavam como se pudessem estrangular um ao outro só com o olhar — Bem, acho que posso começar a reunião, presumo!
Shaka, que detestava Gêmeos e não fazia questão nenhuma de esconder isso de ninguém, foi o único que se pronunciou.
— Já deveria ter começado! Vamos, Grande Mestre, diga logo o propósito dessa convocação antes que mais cavaleiros queiram se matar. Já tomou demais o nosso tempo. — disse com propriedade, mas em seu interior estava mesmo era preocupado com o capítulo da novela que logo começaria. E hoje um acontecimento essencial para o futuro da trama era previsto nas chamadas que apareciam entre um bloco e outro do telejornal.
Alheio ao verdadeiro motivo que apressava o cavaleiro de Virgem, Saga abriu ainda mais o sorriso. Ali estava um que iria surtar com a novidade!
— Bem... Quem atrasou o concílio foram vocês mesmos e não eu, Virgem! Enfim... Todos sabem, ou desconfiam pelo menos, que a situação financeira do Santuário anda bem precária. Muitos já perceberam que o soldo de vocês há tempos não é mais o mesmo, e que o que o Santuário pode lhes pagar é proveniente da máfia. Por esse motivo, e para alavancar fundos, decidi abrir um negócio, onde conto com a participação de todos!... Comunico a vocês, meus cavaleiros e caros irmãos de armas, que dentro de duas noites será inaugurada a minha casa de tolerância! O Templo das Bacantes! — soltou a bomba olhando nos rostos de cada um as reações diversas que o aguardava.
Shaka então abriu os olhos.
Imediatamente uma lufada de ar sacudiu o salão fazendo tremer as colunas e balançar as capas e cabelos dos cavaleiros, que sentiram o impacto como se fosse um pequeno tremor de terra.
Virgem simplesmente não podia acreditar no que acabara de ouvir e, perplexo, olhava para Gêmeos com os olhos azuis enormes arregalados, sem conseguir esboçar uma reação que fosse.
Mu, que estava a seu lado, tocou no braço do amigo meio confuso com o rosto quase colado em seu ombro:
— Shaka, o que é uma casa de tolerância?
No entanto Shaka estava absorto demais para processar a pergunta do amigo no mesmo instante e quando ia dizer algo, Camus falou em sua frente.
— Eu já imaginava.
O francês de início ficara espantado, mas como era um dos líderes da máfia russa há muitos anos, já sabia o quão rentável prostíbulos poderiam ser. Era ele, inclusive, quem supervisionava o faturamento e o giro de muitas das casas mantidas pela Vory v Zakone. Estava mais que familiarizado com o negócio, por isso achou uma jogada de mestre por parte de Saga.
Quanto ao Santuário, que explodisse! Cruzou os braços mostrando sua indiferença.
Ao lado de Camus, Aldebaran deu uma gargalhada sonora:
— Maluco! Mas essa é de cair o cu da bunda! — arregalou os olhos cruzando os braços.
Mu, que estava ao lado dele, até se assustou com o riso espalhafatoso do taurino. Meio confuso ia dizer algo, mas sentiu quando Máscara da Morte lhe pousou a mão no ombro, também rindo da novidade.
— Ma que? Una zona? — bradava o canceriano dando um cutucão no braço de Shura que parecia catatônico, com os olhos esbugalhados mirando Saga.
Aiolia, que estava um pouco mais atrás, esfregou o rosto pensativo — "Então era isso mesmo! Uma zona!" Era o fim, mas pelo menos levantaria uma verba para pagar as dívidas.
Enquanto Aiolia pensava, Shaka enfim conseguiu sair do transe provocado pela notícia impactante e finalmente se manifestara.
— Eu não posso acreditar em um sacrilégio desse! — disse o cavaleiro de Virgem visivelmente transtornado.
Soltou-se cuidadosamente de Mu, que segurava em seu braço, e caminhou a duros passos até chegar diante do trono de Saga, onde parou o encarando nos olhos com uma expressão de pura indignação.
— Será possível que você tenha enlouquecido de vez? Isso aqui é um Santuário! Já não basta vocês serem uns prevaricadores ébrios, promíscuos, corruptos e pederastas... Espíritos mundanos entregues a vícios, ainda querem macular o santo nome de Atena com um... uma... um antro de perversão? — olhou para todos ali presentes com um olhar reprovador — Vocês não têm vergonha?... Esse é um solo SAGRADO! — então Shaka encontrou os olhos inocentes de Mu, que o fitavam angustiados — Mu... meu amigo, uma casa de tolerância, é... é... é aonde as pessoas indecentes e perdidas vão para praticar... atos obscenos... e pagam para fornicar com outras! — percebeu que pela cara que Mu fazia ele já havia entendido então o poupou de maiores detalhes.
— Mas... mas... Shaka isso não pode! Shion me ensinou que intimidades não podem ser feitas assim com qualquer um. Deveríamos nos manter puros! Somos cavaleiros! Como assim abrir um local desses aqui em solo sagrado? Atena não aprovaria, Shion também não!
— Madonna mia! — disse Máscara da Morte se enfiando no meio deles, olhando ora para Virgem, ora para Áries — Ma de que planeta vocês dois vieram, porca miséria? Nunca me foram numa zona? O Buda eu já imaginava, mas você Mu! — perguntou surpreso.
Envergonhado, Mu que já estava quase roxo baixou a cabeça evitando olhar para o canceriano e quando Shaka viu o desconforto do amigo ficou ainda mais irritado com tudo aquilo.
— Nunca fui. — disse Mu em tom baixo — Eu... eu fui criado em Jamiel e mestre Shion nunca me permitiu sair da Torre para ir nesses... lugares. No vilarejo onde moro não deve ter essas casas, bem... se tiver, eu não sabia que era para isso que elas serviam. — falou e buscou Shaka com os olhos, meio desconsertado, como se pedisse socorro.
Se pudesse se teleportaria dali para não ter de passar tamanho vexame e exposição.
Tudo piorou ainda mais quando Afrodite chegou por trás de Mu e Máscara da Morte e praticamente se pendurou nos ombros de ambos, se enfiando no meio todo afogueado.
— Um virgem! — gritou eufórico — Ai, que fofo, gente! Mu, vou garantir que sua primeira vez seja espetacular e inesquecível! Vou arrumar a rachuda*, ou o bófe, o que você preferir, mais experiente do puteiro para você, meu carneirinho imaculado! — dizia dando um beijo na bochecha do ariano, que ficou ainda mais vermelho de vergonha.
— Sossega, Afrodite! — disse Gêmeos — Meus caros irmãos de armas, para que tanto estardalhaço? Shaka, meu caro, a casa está instalada no antigo Templo em honra a Baco, do lado de fora do Santuário, portanto não estou desrespeitando nem denegrindo a nossa adorada deusa. Agora ouçam com atenção. Todos estão incumbidos a trazer clientes para cá. Principalmente você, Camus de Aquário. Use sua influência internacional para trazer gente de peso, de preferência que não se importe em gastar muito dinheiro aqui.
— Oui. Posso trazer homens da alta sociedade russa. Pessoas com quem eu sei que você gostará de fazer negócios. Chefões do crime organizado que adorariam visitar a Grécia. E é certeza de que darão um bom lucro. Eles pagam bem por belas mulheres. Mas, desde já aviso: apenas mulheres! Na Vory v Zakone non aturamos bichas, está claro? — disse lançando um olhar frio para Afrodite, que apenas o ignorou enrolando uma mecha do cabelo de Mu em seus dedos — Desde que tenha uma porcentagem creio que podemos ter uma ótima parceria.
— Perfeito, Aquário. — respondeu Saga — Depois tratamos dessa porcentagem. Shura de Capricórnio, você continuará sendo nosso segurança, mas agora terá a ajuda de Máscara da Morte. — afirmou o geminiano ao encarar os dois cavaleiros — A casa será frequentada por pessoas muito influentes e não posso arriscar quaisquer incidentes envolvendo diplomacia. Aldebaran de Touro, trabalhará como barman. Mu de Áries, você será meu tesoureiro.
— Tesoureiro? — perguntou Mu confuso, pois Shion o havia alertado sobre Gêmeos e um possível atentado contra si, mas Saga o estava dando outro emprego, o que significava que talvez não estivesse pensando em matá-lo — Mas... Saga eu moro em Jamiel. Não me sinto confortável em me envolver nesse tipo de negócio... eu...
— Ora, Áries, você vai se mudar para cá novamente. Seu lugar é aqui no Santuário. Agora que Shion não está mais entre nós, eu quero que reassuma seu posto. — disse Gêmeos decidido — No mais, as amazonas de prata serão as encarregadas da diversão, se é que me entendem. Já acertei tudo com Geisty e amanhã falarei com Marin, Shina e também com Misty, pois minha casa é aberta a todos os públicos. Está claro, Camus de Aquário? Os russos que escolham as mulheres, e que não se enganem. — falou com propriedade, vendo o aquariano apenas dar de ombros e resmungar algo.
A confusão que tomava conta dos pensamentos do cavaleiro de Áries, de súbito juntou-se à surpresa que ele sentiu ao ouvir o nome da amazona de Serpente ser dito por Saga, e naquelas circunstâncias tão estranhas! — "O que? A Geisty? Será que é a Geisty que..." — pensava o ariano completamente confuso quando a voz estrondosa de Aldebaran entrou por seus ouvidos ruidosa e forte, embaralhando as peças do quebra-cabeças que ele tentava montar em sua mente.
— Peraí, ô Saga. Deixa eu ver se entendi. — disse Aldebaran coçando a cabeça — As amazonas vão ser as quengas e entre elas está sua cunhada, a namorada do seu falecido irmão? É isso mesmo que entendi cara?
— É, Touro, é isso mesmo que entendeu.
— Francamente, quem tem um irmão como você não precisa de inimigo! Fura olho! — Aldebaran afirmou boquiaberto.
— Menos, Touro! Não se pode furar olho de um homem morto! — disse conclusivo.
Mu olhava para os dois, Touro e Gêmeos, tentando encontrar alguma lógica no que eles diziam, enquanto ao lado dele Aiolia já se preparava para questionar o Grande Mestre quanto ao envolvimento de Marin naquele negócio sujo, quando foi literalmente atropelado por um furacão de cabelos azuis piscina.
— O QUE? O MISTY? — gritou o pisciano ao se debruçar no trono do Patriarca apoiando ambas as mãos nos braços de mármore da peça — Não me diga, por todas as serpentes da cabeça da Medusa, que eu ouvi você dizer o nome daquela Lagartixa cascuda! Você não pode chamar aquela cria do Aqueronte, Saga! Você tá de truque* comigo?
— Deixa de drama, Afrodite! Você não vai dar conta de atender a todas as bichas enrustidas que frequentarão o Templo. Ainda mais com a regalia de escolher os clientes. Te conheço, sei que é exigente! Preciso de um homem que atenda aqueles que você se recusar, oras!
— Não! Não! Não! Mas tem que ser ele? Tem que ser justo a cascuda de ventosas? Você melhor que ninguém deveria saber que odeio ela! E que ela me odeia!
— Veja pelo lado bom! Você vai poder fazer gato e sapato dele, já que as meninas são a sua responsabilidade. Agora acalme-se e volte para seu posto. Meus caros é claro que também teremos muitas outras garotas, as quais Milo está agora providenciando em sua viagem ao leste europeu até a Turquia.
— Eu não posso acreditar nisso! — disse Shaka de repente, chamando a atenção de todos — Não é possível que vocês estejam coniventes com uma sandice dessa! Obrigar as amazonas, guerreiras poderosas e honradas a se prostituir... — Virgem então olhou para os rostos de seus colegas dourados. Todos pareciam bem decididos e conformados em acatar tanto as ordens quando aos desplantes do Grande Mestre. Ver Gêmeos definir as funções medíocres de cada um naquele negócio escuso era aberração demais para ele — Vocês são homens escolhidos pelos deuses para cumprir um propósito maior. Receberam dádivas, são especiais! E jogam esse dom no lixo se comportando como porcos imundos! Me enoja olhar para a cara de vocês!... O exército de elite de Atena! Que piada!
— Shaka, meu caro... — disse Saga com um risinho irônico no rosto — Que estresse todo é esse? Isso só pode ser falta de sexo. Aconselho você a abandonar seu voto de castidade e ir visitar nossas garotas no Templo das Bacantes. Vai te fazer bem.
Virgem então encarou Gêmeos nos olhos, franziu o nariz e deu uma cusparada no chão, quase acertando os pés do geminiano.
— Eu nunca vou colocar os pés naquele lugar imundo, Gêmeos. Você é um fracasso. Eu só tenho a lamentar.
— Ah, que coisa feia! Cuspindo no chão do Templo de Atena! Maculando esse solo sagrado! Olha que posso delegar uma função para você também no meu negócio, heim! Não me provoque e não seja intransigente! — disse Gêmeos rindo maliciosamente.
— Eu só vejo aqui uma pessoa cuja alma é suja o suficiente para macular esse Templo: Você, Cavaleiro de Gêmeos! Assim como não tomo parte dos seus negócios com a máfia, também não serei conivente com esse negócio mundano. E tente me obrigar para você ver o que faço com você! Só estou aqui nesse Santuário por Atena! Tenho uma missão com a deusa e não será você quem vai me desviar dela! — deu alguns passos para trás até ficar ao lado de Mu, sem quebrar o contato visual com Saga — Venha, Mu, o ambiente aqui infelizmente não está propício à nossa presença e essa reunião medíocre já disse a que veio.
Áries, confuso e assustado, olhou para o Grande Mestre esperando que ele o liberasse, pois não sairia dali sem a permissão de Saga.
As palavras de Shion alertando Mu acerca da periculosidade de Saga eram lei na mente no lemuriano e ele ficaria atento, analisando Gêmeos, mesmo que não sentisse ameaça alguma contra si.
— Pode ir, Mu. — disse o Grande Mestre finalmente — Regresse o quanto antes à Casa de Áries. Já precisarei dos seus serviços na inauguração! Tenha uma boa noite!
— Com licença, Grande Mestre. Trarei meus pertences ainda hoje de Jamiel. Tenha uma boa noite. — disse Mu de maneira muito cordial, fazendo uma leve reverência e por fim acompanhando Shaka, que antes de deixar o salão, parou em frente à Afrodite e encarou os olhos azuis do pisciano com firmeza.
— E você... — disse o virginiano em tom baixo e ameaçador — Se não quiser perder seus sentidos deixe o Mu em paz! — aviso dado os dois cavaleiros deixaram o Templo sem nem olhar para trás.
Virgem indignado e furioso, Áries confuso.
— Eu heim! — disse Afrodite — O Buda ficou mesmo abalado com o babado forte! — se aproximou do trono e enquanto todos ainda se recuperavam, fosse puxando o ar pelas bocas, suspirando, ou enxugando o suor das testas devido ao momento tenso que acabaram de presenciar, afinal, se Gêmeos e Virgem resolvessem se pegar ali numa discussão mais acalorada, certamente o teto do Templo viria a baixo, Peixes se inclinou e disse baixinho próximo ao ouvido do geminiano — Por que você chamou a cascuda baixa patente? Eu não sou suficiente para você?
— Afrodite... se afaste. — disse Saga esfregando os olhos com dois dedos da mão esquerda.
— Por quê? — continuou o pisciano — Você sabe que isso não vai dar certo. Aquele maldito quer tudo que é meu! Ele é vil, é dissimulado! Não me diga que você vai testar a Lagartixa também? EU TE MATO! — gritou chamando a atenção de todos, que olharam para os dois espantados, esperando um novo barraco.
— Justo você dizendo que vai me matar, Afrodite? — disse Saga, que agora aproximava o rosto do ouvido do pisciano para falar em tom mais baixo — Eu só testo material de qualidade! Agora, se afaste. — ordenou ajeitando sua postura, coçando o nariz que parecia formigar devido à proximidade do pisciano, enquanto olhava para os demais à sua frente — Declaro a reunião encerrada! Dentro de dois dias, no final de semana, os esperarei no Templo das Bacantes para trabalharem e por que não, também se divertirem. — comentou sorrindo malicioso.
Camus, que ficou só observando o jeito de Peixes e Gêmeos a seu modo, calado e de longe, pensava incomodado — "Mon dieu. Ai tem!... E vai ter briga de plumas naquele pardieiro. Ridículo! Por mim podiam se bater até morrerem engasgadas na maquiagem! Humpf! Eu só espero que fiquem bem longe dos meus homens e dos clientes que trarei, ou terei que tomar medidas drásticas com essas bichas nojentas."
O francês então querendo sair dali o quanto antes para não ter mais que olhar para a cara do cavaleiro de Peixes, deu um passo a frente e fez uma reverência, indicando que iria embora.
— Negócio fechado, Saga. Ficarei no Santuário para ir à inauguração para avaliar pessoalmente a mercadoria e as instalações do local. Preciso me assegurar do que será oferecido aos clientes que pretendo trazer no futuro. No mais, vejo você em dois dias.
— Até lá, Camus. — respondeu Gêmeos.
— Éco! — disse Câncer já tirando um maço de cigarros da caneleira da armadura. Estava eufórico com tudo aquilo! Iria poder transar, beber, fumar e se tivesse sorte, de quebra até arrancar algumas cabeças, já que era o segurança do local. E tudo no ambiente de trabalho. Seria o paraíso! — Io também já vou descer! Foram emoções demais para um dia, va benne! Guardar um pouco para a tal inauguração! — fez uma reverência e deu as costas, sendo seguido por Shura que nada disse, apenas olhou para Saga e acenou com a cabeça, deixando o salão logo em seguida.
Aiolia se aproximou de Gêmeos e depois da reverência olhou para ele com o semblante muito sério.
— Estarei lá na inauguração também, Grande Mestre, mas...
— Mas? — perguntou Saga cruzando as pernas e se recostando no encosto do trono.
— Concordo com Virgem. Não deveria obrigar as amazonas de prata a se prostituirem. — disse pensando em Marin. Nutria um sentimento forte pela amazona de Águia e não lhe agradava em nada a ideia de vê-la se vendendo em uma casa de tolerância.
— Eu não obrigo ninguém, Aiolia. Eu sou um homem misericordioso. Sou o Grande Mestre! Vocês às vezes parecem se esquecer disso! — disse Saga na maior tranquilidade — Eu apenas dou o caminho e ofereço escolhas alternativas. Quem irá decidir que caminho seguir serão elas, meu caro. Ninguém será obrigado a nada no meu bordel! Shaka de Virgem já me aborreceu o suficiente por hoje. Aquele lá é um peso morto nesse Santuário, não me obedece em nada. Não me venha com puritanismo você também! Boa noite, Aiolia. — falou com propriedade já se levantando do trono e seguindo para o interior do Templo, nem dando chance de resposta ao leonino.
Aiolia respirou fundo. Não queria ter de ver Marin naquele lugar, mas pelo jeito não teria alternativa!
Dicionário Afroditesco
Cafuçu – sujeito grosseiro, selvagem, primitivo, sem modos
Equêzeiro – arranjador de encrencas, trambiqueiro, mentiroso
Machuda – gay que força uma masculinidade que lhe falta
Rachuda – mulher
Truque – mentira, enganação, armação
