***estou postando os primeiros capítulos todos de uma vez pra adiantar***
*** Cap 8 Noite de Estréia***
E finalmente é chegada a noite da tão esperada estreia do Templo das Bacantes.
Situado na parte setentrional das ruínas onde se escondia o Santuário de Atena, o suntuoso templo dedicado ao deus do vinho era agora uma junção elegantíssima do clássico com o moderno.
Construído no século II A.C., assinala o apogeu da arquitetura grega, sendo o edifício mais carismático e esbelto da cidade de Atenas. No entanto, seu realizador, o escultor Fídias, ficaria embasbacado com a reforma que o cavaleiro de Gêmeos engendrara no local, a qual só foi possível graças ao apoio do corrupto prefeito local.
Composto por oito colunas, nas fachadas de entrada e posterior, e dezessete colunas nas fachadas laterais, sua estrutura fora praticamente toda mantida, porém luzes coloridas davam o tom do que antes era composto apenas de mármore branco e ouro. A cobertura do templo era feita por um telhado de duas águas, que formava os frontões triangulares preenchidos por relevos em cores vivas, tais como o vermelho, o laranja e o dourado. Porém seu interior fora totalmente mudado, dando espaço ao que de mais moderno existia no ramo das casas de entretenimento europeias da época, mas mantendo um ambiente aconchegante e erótico ao mesmo tempo, com muitos sofás de tecido de veludo, mesas em madeira estilo vitoriano, espelhos, velas, luzes a meio tom e rosas, muitas rosas!
Na entrada uma grande estátua em mármore do deus do vinho era banhada por luzes em tons de dourado e dava as boas vindas aos visitantes, que já encostavam seus luxuosos carros entregando as chaves aos manobristas.
Máscara da Morte e Shura já estavam devidamente colocados em seus postos, em paralelo em frente à grande porta de entrada. Elegantemente vestidos com ternos negros, faziam a segurança do local rastreando um por um que chegava ali com seus olhos aguçados e muito bem treinados. Porém naquela noite não teriam muito trabalho, já que a estreia era restrita apenas a convidados de Saga e alguns figurões que compunham a máfia grega, além dos próprios cavaleiros de ouro.
Assim que o prefeito de Atenas entrou, dando as costas aos dois seguranças, o canceriano deu um cutucão na costela de Shura, que se encolheu fazendo uma careta.
— É amico, a noite promete! Io qui non vou ficar aqui fora o tempo todo, va benne! — resmungou, enquanto crescia os olhos para dentro do estabelecimento vendo Aldebaran preparar alguns drinks no bar — Deixa só os bacanas entrarem e se ajeitarem que io vou cair para dentro.
— Te aquiete, cabrón! Pero... até que não é uma má ideia. — respondeu Shura dando um risinho malicioso.
Nessa hora, Mu de Áries chegava ao Templo. Passou pela porta, cumprimentou os dois colegas com apertos de mãos e adentrou o salão.
Depois de uma conversa longa com Saga ainda naquela tarde, entendeu finalmente qual seria sua função no negócio. Seria o responsável por organizar as finanças do local, como também despesas, pagamentos e outros detalhes. No começo ficou preocupado, pois concordava com Shaka e não achava correto os cavaleiros se envolverem com negócios desse tipo, porém Gêmeos lhe garantiu que sua função não teria envolvimento algum com as atividades "escusas" do local. Ele apenas lidaria com contas e cálculos. Inclusive trabalharia durante o dia e não à noite.
Porém, Saga fez questão de sua presença no dia da estreia. E lá estava ele, tímido, no meio de toda aquela gente garbosa e falante. Vestia uma túnica simples, porém muito bonita e meio sem jeito procurou uma mesa mais afastada para se sentar. Decidiu que ficaria apenas um pouco, cumprimentaria Saga e logo iria embora.
No entanto os deuses tinham outros planos para o carneiro naquela noite e um de seus instrumentos para o destino se cumprisse acabava de chegar ao salão, descendo as escadarias que levavam ao andar de cima esbanjando luxo, glamour e muita beleza!
Afrodite naquela noite estava deslumbrante! Para ele tudo era uma enorme brincadeira e como gostava de causar polêmica, vestiu-se propositalmente de modo a exaltar ainda mais sua aparência andrógina e provocar os russos homofóbicos, sabendo que estariam ali naquela noite acompanhando Camus de Aquário. Com um espartilho de cetim pérola por cima de uma camisa branca de tule com poás, meias de seda, cinta liga da mesma cor e uma calcinha de rendas, além de muitas joias, saltos altíssimos e maquiagem impecável, Afrodite desfilava pelo salão tal qual uma top model desliza pela passarela, chamando atenção de todos os presentes e inundando o local com seu perfume único de rosas. Tinha um boá de plumas brancas jogados nos ombros, o qual jogava de um lado para o outro enquanto caminhava languidamente.
De repente Peixes parou e mudou seu percurso que o levaria até o bar, pois avistou Mu sentado sozinho em uma das mesas e mais que depressa foi a seu encontro todo sorridente.
— Áries! Seja bem vindo! — disse o pisciano se curvando e dando um abraço no ariano, que foi pego de surpresa, pois nunca imaginou ver o colega vestido daquele jeito — Posso me sentar aqui com você? — perguntou, mas já puxando uma cadeira para se sentar — É hoje que vai perder esse cabaço, heim, colega! É hoje!
— Oi, Peixes! — disse Mu corando na hora — Ah... Não, sinto que esteja enganado. — riu sem graça — Estou aqui apenas para prestigiar Saga na noite da estreia. Ele disse que queria todos os funcionários reunidos. E eu queria aproveitar e conhecer o local, já que sou eu quem vai cuidar do dinheiro de vocês! — falou, dando um sorriso simples, mais por educação mesmo.
Mu olhava para Afrodite, para aquelas roupas que ele vestia e só conseguia pensar nas palavras de Virgem.
Na mesma hora ficou roxo de vergonha, pois se surpreendeu pensando nas coisas que Afrodite deveria fazer, como se deitar com outro homem. Piscou algumas vezes e agradeceu pelo sueco não parar de tagarelar, assim pelo menos se concentrava nas palavras dele e divagava menos.
— E então, você aceita? — perguntava Afrodite com um sorriso.
— Aceito? O que?
— Uma bebida! Perguntei se aceita uma bebida.
— Ah, não, obrigado. Eu não sou de beber muito. — respondeu enfim resoluto, pois de fato não tinha esse costume.
— Ah, mas nem por isso precisa trabalhar de garganta seca! — disse o sueco, que logo em seguida se levantou e caminhou até o bar, onde pegou uma garrafa de Martini, despejou uma dose generosa em uma taça, jogou uma azeitona dentro, pegou uma dose de whisky para si mesmo para acompanhar o amigo e voltou à mesa.
— Toma. – disse Afrodite entregando a bebida a Mu — Pode beber sem medo. É uma bebida bem fraquinha e doce. Vamos fazer um brinde, afinal não nos vemos desde que éramos crianças! — falou encostando seu copo ao dele.
— Está bem, Dido! Posso te chamar assim ainda? Depois de tantos anos? — respondeu Áries sorrindo de volta e então ergueu também seu copo para brindarem. Provara álcool uma ou duas vezes na vida, porém, depois da vergonha que passara na reunião dourada, não queria que os colegas o achassem um completo idiota que não sabia de nada. Resolveu então que beberia só um pouquinho, só aquele drink que Afrodite lhe dera — Nós dois brindaremos a que?
— Nós brindamos ao sucesso, Mu! — disse Saga de Gêmeos, que se aproximou por trás deles, se colocando no meio e juntando seu copo de absinto ao brinde que os colegas faziam — Não me digam que iam me deixar fora dessa? — deu um sorriso para Afrodite e depois para Mu.
— Mas é claro que não, chefinho! Você é o centro desse universo e tudo aqui gira em sua órbita! — disse Afrodite lhe devolvendo o sorriso.
— Então, ao sucesso! — falou Mu por fim, encostando sua taça à deles, produzindo um leve tilintar.
Os três bebericaram suas bebidas, cúmplices, mas Afrodite quase se engasgou com sua dose quando viu Camus de Aquário entrar no salão com sua típica figura carrancuda, acompanhado por cinco de seus homens, que por sinal também não traziam semblantes mais agradáveis em suas faces. Na mesma hora que bateu os olhos no aquariano se lembrou da dor de ter o braço quase congelado e teve raiva dele.
Saga, que não tirava os olhos do sueco, seguiu a direção por onde ele olhava e então viu o ruivo cumprimentando Aldebaran no bar.
— Afrodite, tente não fazer o Camus querer te matar de novo. Não quero ter problemas logo na estreia. Deixe Aquário em paz, você entendeu? — disse em tom firme então sorriu novamente para Mu — Que bom que veio, Mu. Aproveite a nossa casa.
Dito isso, Gêmeos se afastou da mesa e foi em direção ao balcão onde ficava toda a parafernália de som. Pediu ao DJ que colocasse uma música mais animada e então voltou a fazer sua social entre os seus convidados escolhidos a dedo.
Na mesa onde estavam Mu e Afrodite, o sueco soltou uma bufada enquanto novamente olhava para o cavaleiro de Aquário no bar.
— Humpf. Ele que me congela vivo e eu é que procuro encrenca? Tá de truque! — disse chacoalhando as plumas que tinha em torno dos ombros — Mas, vamos ao que interessa! Primeiro: claro que pode me chamar de Dido, meu bem. Aliás, se bem me lembro, foi você quem me deu esse apelido quando éramos mini cavaleiros. Segundo: já escolheu quem vai ser?
— Quem vai ser o que? — perguntou o lemuriano distraído.
— Quem vai ser a sortuda, ou o sortudo, que vai tirar o seu cabaço! Olha, eu me candidato! — disse rindo descontraído e fazendo Mu quase cair da cadeira, engasgado com a azeitona engolida sem querer devido ao susto da proposta indecorosa feita pelo pisciano.
— Ah… *cof* *cof*… Dido… eu... é… *cof*... Eu não vim aqui para, fazer essas coisas... *cof* *cof* *cof* — riu Áries sem graça e quando olhou para a escadaria viu que algumas meninas desciam, se misturando às pessoas no salão — Bem e… pelo que o Saga disse, a estreia é das meninas, não minha, não é? Não vamos… nos desviar do foco, Dido! — sorriu sem graça.
— Ah, mas você também precisa ser estreado, Mu. Ou quer morrer virgem igual o Shaka? — disse Afrodite — Olha, Shaka é legal, mas é um ocó estranho. Não vá na onda daquele fanático. Você é jovem e é um homem lindo. Tem que aproveitar a vida! Já está mais que na hora de descabelar o palhaço, colega!
Mu se espantou! Porém não com os conselhos de vida de Afrodite, mas pelo fato de saber que Shaka também era virgem. Se bem que o ariano já suspeitava, devido à religião e aos hábitos tão reclusos do outro, mas não tinha certeza, afinal o amigo parecia saber tanto dessas coisas que envolviam sexo!
Novamente Mu se pegava pensando em Shaka. Divagou por longos minutos imaginando como seria experimentar os tais encaixes alternativos com ele, quando foi desperto por uma nova dose de bebida que lhe era servida por Afrodite, o qual já requisitava um novo brinde. Agora celebrando a castidade do virginiano.
— Vamos tomar uma dose por ele! — disse o pisciano jogando um pouquinho de seu whisky no chão — Para o santo! Não! Para o Buda! — caiu na risada virando a bebida, enquanto Mu apenas ria do jeito espalhafatoso dele e agora dava um gole em um coquetel de frutas à base de vodca que o garçom deixara ali.
Na casa de Virgem...
Alheio a tudo aquilo, o celebrado do brinde da vez estava sentado em sua cama, olhando para uma parede vazia enquanto roía as unhas.
Shaka estava sem televisão.
Durante anos ele meditou, estudou, leu, traduziu escritos e mais escritos budistas e alcançara, com apenas dezoito anos de idade, a sabedoria que muitos anciãos em quase um século de vida não alcançariam... mas nada, nenhum pergaminho, nenhuma escritura, nenhum mantra ou meditação lhe prepara o espírito para lidar com a falta de sua televisão.
Quando se aproximou do horário da novela, Virgem tentou meditar para esquecer que não a veria, mas tudo que conseguia ver em sua mente quando entrava em sintonia plena com o cosmos, era o rosto de Mu, com os cabelos bagunçados depois de ter tomado uma rajada de cosmo quando abriu os olhos sem querer, em Áries. Desde lá, Virgem andava confuso e conflitante com alguns de seus pensamentos. Afinal, como Mu podia ser tão inocente daquela maneira? No fundo achava bom! Isso significava que não era um pervertido como os outros. Mas, por que achar isso bom?
— Ora, eu quero o bem dele... é meu amigo. — dizia para si mesmo, enquanto sentado em sua lótus... — Por Buda!
Desistiu da meditação e foi à cozinha, mas estava inquieto demais para cozinhar e não queria passar seu desalento aos alimentos. Foi então ao jardim, regou as plantas, podou alguns galhos das Salas Gêmeas, recolheu a roupa estendida no varal, arrumou os pedregulhos desalinhados da jardineira e desistindo de lutar contra si mesmo, se teleportou para a Casa de Touro, mais precisamente para o telhado do Templo de Aldebaran.
Certificou-se de que o brasileiro já havia saído para trabalhar naquela espelunca, então deu um salto do telhado para a janela mais próxima e pulou para dentro da casa. Com passadas leves como as de um larápio cuidadoso, andou até a sala, onde achou o que procurava: A televisão.
— Graças a Buda! Tinha certeza que ele tinha uma! Aquele lá é louco por futebol! — disse, e mais que depressa ligou o aparelho sintonizando a parabólica no canal indiano de sua querida novela. Sentou em frente à TV abraçando os joelhos e cantarolou junto a música de abertura do folhetim das nove horas. Por sorte tinha chegado a tempo!
No Templo de Baco...
Camus de Aquário seguia para uma mesa ao fundo do salão acompanhado por seus homens. Não queria se sentar com ninguém do Santuário, pois havia tido uma noite péssima e estava com um humor terrível, que não por acaso piorou quando avistou o cavaleiro de Peixes em uma mesa mais à frente, sentado junto a Mu de Áries.
— Viado desgraçado. — resmungou, dando um gole em seu licor de anis, o qual o garçom havia acabado de lhe servir.
Na noite anterior, Afrodite resolvera novamente receber "visitas" em seu Templo e parece que apenas para provoca-lo, o sueco fizera questão de fazer muito barulho! Para piorar, aquele escândalo perdurou madrugada adentro, lhe tirando o sono completamente. Acordou horrível, pois mal havia conseguido pregar os olhos com todo aquele inferno auditivo acontecendo bem ali no seu quintal.
Como não podia declinar do convite de Saga, e porque alguns de seus homens vieram à Grécia apenas para acompanha-lo na inauguração, não viu como fugir do compromisso, então vestiu seu melhor terno, um Armani grafite, e apostou suas fichas nas doses de licor de anis e vodca para se animar.
Notou que nenhuma das amazonas estava por ali ainda e estranhou. Saga na certa estava escondendo o ouro por algum motivo, mas achou irrelevante se preocupar com isso. Com seus olhos analíticos, percorria todo o local com discrição, até que olhou para a porta de entrada e viu Aiolia de Leão que acabava de chegar. Não que isso tivesse alguma importância, mas tudo que lhe fazia desviar o olhar do cavaleiro de Peixes, para não sentir ganas em socar sua cara, ainda mais vestido daquele jeito ridículo, era relevante.
Leão por sua vez, cruzara a grande porta de entrada lançando apenas um aceno de cabeça para Máscara da Morte e Shura, que lhe devolveram o cumprimento com a mesma frieza e antipatia.
Enquanto caminhava lentamente pelo salão, Leão pensava em como Saga tivera a coragem de fazer as amazonas se sujeitarem aquilo. Como ele podia fazer isso com Marin! Logo ela, uma mulher tão séria, correta, ponderada e… interessante! Contudo, como a própria Marin pôde aceitar participar daquilo? Como todas elas puderam aceitar, aliás. Na certa, Saga as chantageou e sem outra alternativa elas tiveram que acatar às ordens do Grande Mestre.
Confuso e irritado, percorreu o salão com os olhos à procura da amazona de Águia. Nunca tivera coragem de falar o que sentia por ela, mas desde adolescente nutria um sentimento especial pela ruiva e saber que ela estava metida naquele negócio escuso lhe deixava com os brios arruinados.
Não vendo nem a ruiva nem as outras amazonas por ali, se aproximou da mesa onde estavam Mu e Afrodite, o último por sinal vestido de forma bem esquisita, mas ainda assim muito bonito como sempre. De todos ali, talvez aqueles dois fossem os únicos com que conseguia trocar algumas palavras e por isso pediu para se juntar a eles na mesa.
— Boa noite, Mu, olá Afrodite, posso me sentar aqui? — disse o Leão.
— Oi, Olia! Pode sim amigo! — respondeu Mu, puxando uma cadeira para o leonino, todo alegrinho por sinal, efeito dos drinks que tomara.
— Isso, leãozinho, junte-se a nós! — disse Afrodite, já erguendo o braço e fazendo um sinal para o garçom, que logo atendeu indo para à mesa deles rapidamente.
— Querido, mais um whisky para mim... E você, Leão, vai beber o que?
— Ah... whisky também.
— Certo, então dois whiskys e mais um coquetel de frutas para o carneirinho aqui. — disse o sueco olhando para um Mu sorridente e de rosto já bem corado pelo álcool.
Poucos minutos depois, o garçom apareceu com os pedidos e mais uma vez houve um brinde, porém quando Aiolia dava o primeiro gole em sua bebida, a visão de uma figura bem conhecida o fez engasgar, cuspindo o líquido na mesa, fazendo Mu e Afrodite se assustarem por alguns segundos. Porém quando seguiram o ângulo de visão do leonino, logo perceberam o motivo de tanto susto.
Era do conhecimento de todos ali que Aiolia arrastava uma asinha para Marin desde quando eram adolescentes. Leão nunca admitira, mas todos percebiam nos olhares que ele dava para a amazona. Ali não era diferente.
Assim que viu Marin descer as escadarias e entrar no salão, o coração do Leão bateu mais forte, pois nunca a tinha visto sem máscara e, pelos deuses, como era linda! Até sentiu um aperto no peito, o qual não sabia definir se era resultado da emoção que sentira ao vê-la ou pelo fato de a amazona estar justamente ali, naquele lugar decadente!
Marin caminhava entre as mesas a passos lentos, olhando para tudo e para todos com um olhar meio constrangido. Também pudera, uma guerreira acostumada a ser vista apenas de armadura e máscara, agora exibia uma figura extremamente feminina e delicada, com as unhas muito bem feitas, num tom vermelho forte e maquiagem bem carregada, por ordem de Afrodite. Usava meia calça branca e kimono vermelho bem curto, com detalhes de flores de cerejeira. Nunca havia usado saltos antes e admirava como o cavaleiro de Peixes conseguia usar acessórios femininos com tanta facilidade e habilidade, já que para ela era uma tarefa árdua se manter equilibrada sobre eles.
Em seu interior, Aiolia começava a matutar algum jeito de se aproximar da amazona de Águia, e então ficou a observando, de longe, perdido em seu dilema pessoal, enquanto bufava de raiva cada vez que Marin recebia um olhar cobiçoso de alguns dos clientes presentes no local.
— "Por Atena! O que eu faço?" — pensava, quase entrando em desespero.
E Marin estava realmente tão bonita que não passou despercebida nem do lado de fora do salão!
Na porta de entrada do Templo das Bacantes, Máscara da Morte e Shura davam umas espiadelas vez ou outra para dentro do ambiente. O espanhol então bateu os olhos na bela ruiva que tinha acabado de se sentar em uma mesa qualquer no fundo do salão e deu um cutucão no amigo canceriano a seu lado.
— Crees que aquella és una de las putas? — disse o espanhol.
Máscara da Morte espichou os olhos azuis para o ponto em que Shura indicava com o dedo e ergueu uma sobrancelha.
— Ma que? Aquela é a Marin, pazzo! Só está sem a máscara. Gostosa ela, non acha? — respondeu Câncer, comendo a moça com os olhos.
Shura ficou admirado. Marin era bem diferente arrumada e toda feminina daquele jeito. Parecia uma delicada flor! Foi quando o espanhol teve uma ideia.
— Saga disse que hoy vai leiloar las amazonas, no es?
— É vero. E o que tem isso, caspita? Você não tem dinheiro.
— No, pero... nós dois juntos temos. Vamos comprar a Marin no tal leilão para o Mu, que é o único virgem aqui. Qué tal? — sorriu malicioso para o amigo italiano.
— Ma io também sono virgem! Vou adorar que esta bela donna tire meu cabaço! — respondeu o canceriano dando uma risadinha cínica.
— Cállate hombre! Estou falando sério. Está vendo a cara do Aiolia? — disse apontando o leonino com o olhar — Ele é gamado nela, todo mundo sabe.
Máscara da Morte então olhou para Shura com certo espanto.
— Porca madonna, cabrito! Você está se saindo pior que io! — falou sério o italiano, depois olhou novamente para Mu que conversava sorridente com Aiolia e Afrodite e, mais uma vez olhou para Marin.
— Mataremos dois coelhos com uma cajadada só! Damos a Águia para o carneiro, porque somos bons amigos, e queremos a felicidade dele... — riu da própria piada —... e Leão ficará possesso, mas não poderá fazer nada!
Câncer ergueu a mão até próximo ao rosto de Shura.
— Toca aqui, amico! Ah… com a mão que não corta, vá bene? — disse o italiano selando o acordo por fim. Comprariam Marin para Mu, só pelo prazer de ver Aiolia sofrer.
Enquanto isso, no andar de cima do Templo das Bacantes, alheia a tudo que acontecia lá embaixo, às conversas constrangedoras de Afrodite, ao dilema de Aiolia, às tramoias de Máscara da Morte e Shura... Em seu quarto Geisty terminava de dar os últimos retoques em sua produção de noite de estreia.
Não que já não tivesse sido "estreada" por Milo, mas agora teria um maldito leilão no qual ela seria a atração principal.
Em frente ao espelho a amazona se olhava da cabeça aos pés. Podia perceber o medo e a ansiedade estampados em seu belo rosto. Os cabelos soltos caiam em cascatas pelo meio de suas costas. Bem maquiada, batom vermelho e com um perfume delicioso, ela vestiu-se com um longo roxo de renda, bordado com paetês, que mostrava mais de seu corpo do que escondia. Calçou às pressas uma sandália de salto agulha, respirou fundo e abriu a porta, caminhando resignada pelo corredor em direção às escadas. Desceu devagar, olhando para o salão que já estava lotado!
Assim que pisou ali e começou a transitar entre as pessoas, logo fora avistada por Camus e seus capangas, que estavam ali somente para ver se ela estava de fato cumprindo as ordens da Vory.
Era bom saber que Saga não estava blefando e de fato colocou a vagabunda para trabalhar no negócio. Camus então deu um gole em sua bebida e desviou os olhos para as outras garotas que circulavam pelo salão. Já havia se decidido. Naquela noite compraria a puta mais cara da casa! Não que estivesse a fim de alguma, mas depois da noite mal dormida e daquele circo na casa de cima, talvez sexo o ajudasse a relaxar. Além de que, Dimitri, o líder da Vory a quem respondia, o havia instruído pessoalmente para testar a mercadoria dos gregos, e assim também ganhava respeito de seus capangas, que consideravam a façanha uma demonstração e tanto de virilidade! Depois, seria bom que Saga soubesse que se quisesse podia bancar aquele bordel todo, além de mostrar a um certo viado que podia fazer o barulho que fosse que isso não o afetava em nada. Resignado, Camus terminou sua dose de licor de anis com uma golada generosa e já pediu outra dose para o garçom, porém agora de vodca!
Não demorou muito para que as outras bacantes dessem o ar da graça por ali.
Shina desceu as escadarias pouco depois de Geisty. Muito sensual, vestia corpete, minissaia, ligas e luvas, todos em couro negro e com detalhes em renda. Calçava uma bota de salto altíssimo que ia até acima dos joelhos. De gargantilha, brincos longos e maquiagem pesada, ela chamava atenção não apenas por seu visual erótico, mas por seu olhar sedutor e felino.
Quando chegou ao salão, Shina deu uma conferida panorâmica no ambiente. Reconheceu alguns rostos, outros não. Para Saga, apenas acenou com um gesto discreto e quando passou pela mesa onde estavam Mu, Aiolia e Afrodite, a amazona notou que Peixes tentava embebedar o pobre lemuriano, o qual já estava mais corado que o normal, além de bem alegrinho. Riu baixinho e continuou desfilando pelo salão.
No entanto não fora apenas Shina quem notara as intenções do pisciano para cima de Áries. Do fundo do salão, Camus, que acompanhava a amazona de cabelos verdes com os olhos apenas por curiosidade, teve sua atenção novamente capturada para a mesa em que estavam os irmãos de armas e viu Afrodite pedir ao garçom que servisse mais uma dose ao ariano. — "Aquele viado afetado do Peixes! Humpf! Parece que já arranjou sua próxima vítima! Bicha nojenta!" — pensava o francês, enquanto bebia a terceira dose de vodca.
Aparentemente o ruivo ainda estava completamente sóbrio, mas sua mão já começava formigar um pouco devido ao álcool. — "Eu vou ajudar esse viado!" — decidiu deixando escapar um sorrisinho sacana.
Camus então chamou um garçom, apontou Mu e lhe pediu para servir uma dose de licor de anis por sua conta. Ordenou sigilo absoluto, pois queria que fosse um "presente" anônimo. Aquário naquele dia estava de muito mau humor e ver o circo pegar fogo o iria divertir!
Enquanto Camus ria sozinho de sua travessura, Misty era outro que também dera o ar da graça naquela hora no salão. Como sabia que seria o último a ser leiloado, não teve nenhuma pressa em se arrumar, descendo depois de todas as bacantes.
Lagarto queria causar uma boa impressão, mas sem muitos exageros, por isso optou por um tubinho preto de couro, para ressaltar sua androgenia, luvas e botas de salto. Cobriu-se com um casaco de peles branco bem felpudo e finalizou a produção com o melhor e mais caro de seus perfumes.
Enquanto cruzava o salão indo em direção ao bar, Lagarto reparava nos olhares devassos sobre si. Qualquer um ali facilmente o confundiria com uma mulher e isso o divertia mais que tudo.
Passou por Saga e lhe cumprimentou formalmente, vendo que Gêmeos seguiu até uma mesa onde cochichou algo com um Afrodite todo trabalhado nas plumas. Perdeu seu olhar na figura exuberante do pisciano por alguns segundos, depois fez uma careta e seguiu seu caminho.
Na mesa onde Peixes, Leão e Áries estavam, Saga havia puxado uma cadeira e se sentado ao lado de Afrodite. Disfarçadamente, o puxou pelo braço e disse em tom bem baixo, próximo a seu rosto.
— Não pense que não estou vendo você querendo embebedar o meu tesoureiro, Peixes. O que pretende com isso?
— Eu? Pretendo tirar o cabaço dele. Um pecado o Mu ainda ser virgem, não acha? O Shion era muito severo com esse menino.
— Justo você dizendo isso, Afrodite? Shion era severo com todos nós. — falou o geminiano dando um gole na bebida — Mas... é você quem vai se encarregar de inaugurar o meu tesoureiro?
— Isso é ele quem vai decidir, colega. Que seja com quem ele quiser, mas de hoje o carneiro não escapa! — o pisciano deu um risinho sacana para o geminiano.
— Você às vezes é maquiavélico! — Saga riu, mas de certo modo concordava com ele. Mu tinha tanto direito de se divertir quanto qualquer um ali e como era muito tímido, nada como algumas doses de álcool para ajuda-lo a se soltar — Bem, acho que posso dar a minha contribuição para resolver o problema do nosso amigo lemuriano. Enquanto isso, quero que avise as meninas e as reúna em uma mesa. Logo vou começar o leilão.
— Você quem manda, chefinho. — disse Afrodite, dando o último gole em sua bebida e se levantando da mesa — Com licença, meninos. Vou trabalhar um pouquinho! — falou olhando para Mu e Aiolia e deixou a mesa todo sorridente.
Saga então, como prometido, também se levantou e foi até o bar, onde pediu um coquetel de frutas sem álcool a Aldebaran. Depois tirou do bolso do blazer uma pequena cartela, de onde destacou um comprimido colorido e jogou dentro do suco. Balançou o copo algumas vezes e voltou à mesa todo sorridente, colocando o copo na frente de Mu de Áries.
— Experimente esse, Mu, é delicioso! É apenas suco. — afirmou o geminiano, dando uma piscadinha para Afrodite que andava pelo salão cumprimentando os presentes e chamando as amazonas para se sentarem em uma mesa. Depois, Saga pediu licença pra Mu e Aiolia, cruzando o salão, caminhou em direção à mesa onde as bacantes estavam se sentando.
Gêmeos parou em frente à Geisty lhe lançando um olhar felino dos pés à cabeça. Parecendo alheio a tudo que estava à sua volta, lhe estendeu a mão e disse com um sorriso cínico nos lábios:
— Está muito bonita esta noite, Geisty! Venha, vamos dar uma volta pelo salão. — comentou, enquanto a puxava pela mão delicadamente, e como se exibisse um troféu, deslizava com ela por entre as mesas e pessoas atraindo olhares e buchichos.
Shina e Marin, que ficaram na mesa, observavam a tudo. Águia muito constrangida e Ofiúco parecendo muito à vontade.
— E ai, Marin? Nervosa? — perguntou Shina chamando o garçom.
— M-Muito! Esse kimono é tão vergonhoso! — disse a ruiva puxando a saia do kimono — Me sinto horrível nele!
— Que nada. Você está linda. Peça uma bebida. Vai ajudar a relaxar. — disse Shina sorrindo, enquanto fazia o pedido ao garçom. Não esperou Marin se decidir e já pediu duas dozes de Martini no capricho.
A música no salão era alta e a batida empolgante! Cada um se divertia à sua maneira. Uns preocupados em resolver o problema do colega virgem, outros em encontrar um meio de conversar com a paixão de infância e outros ainda apenas querendo ver o circo pegar fogo. Saga fazia a social, passeando com sua joia pelo salão!
Ali, se encontravam vários líderes que comandavam todo tipo de negócios escusos, além dos figurões mais influentes e ricos da Grécia, políticos, diplomatas, empresários e membros da máfia grega.
Bem sabia o geminiano do que alguns daqueles ricaços realmente gostavam, por isso já tinha planejado um leilão de Misty de Lagarto. Porém, em um local mais discreto do bordel, já que Camus e os componentes da máfia russa eram homofóbicos ao extremo e seria melhor mesmo não afrontá-los.
Quando procurou Afrodite com os olhos pelo salão e viu o pisciano indo para o bar, percebeu que já era a hora de começar o leilão. Peixes já deveria ter organizado tudo e avisado os presentes, então se dirigiu ao centro do salão, levando Geisty consigo e sem largar da mão dela, fez um gesto para o DJ e pediu para que abaixasse o som. Assim que o volume foi reduzido, Saga começou a falar, chamando a atenção de todos.
— Senhores, meus caros amigos aqui presentes, um minuto de sua atenção, por favor! Vamos dar início ao leilão de inauguração do Templo das Bacantes. Quem estará disposto a pagar o valor da primeira noite oficial com as nossas belíssimas amazonas? — perguntou, olhando em volta com um sorriso e então conduziu Geisty, que permanecia o tempo todo calada e com uma expressão séria, até a mesa onde estavam Marin e Shina.
Chegando lá, puxou uma cadeira para a morena se sentar e em seguida esticou o braço para Marin, que olhou para ele em assombro.
— Vamos, minha cara. Você será a primeira! — disse Gêmeos curvando o corpo para pegar na mão dela.
Marin se levantou como num gesto mecânico e quando deu por si, já estava quase no centro do salão, conduzida pelo geminiano.
— Senhores, aqui temos uma linda ruiva oriental! Marin, Boquinha de Veludo! — afirmou ele sorrindo, enquanto deslizava as mãos pelos braços da moça — Vamos começar com os lances em 1000 Dracmas!
A amazona estava extremamente envergonhada com aquela situação. Achava que era um sonho ruim e que logo acordaria, mas quando ouviu o primeiro lance ser gritado se deu conta de que era sua triste realidade.
Ali ao lado, na mesa em que estavam Mu e Aiolia, Leão fuzilava Gêmeos com o olhar. O grego tinha a respiração acelerada, suava e tremia de raiva. Que diabo de nome, afinal era aquele? Marin Boquinha de Veludo? Gêmeos estava pedindo para morrer, só podia! Fechou o punho e bateu a mão com força na mesa, derrubando alguns copos e chamando atenção de alguns presentes que estavam ao lado, mas não de todos!
Uma pessoa, no entanto, parecia pairar por outra órbita, totalmente alheia a tudo que acontecia ali.
Depois de todos os drinks que bebera, em sua cabeça Mu ainda estava bem, apesar de já estar sentado torto na cadeira. Havia tomado o licor de anis quase em um gole só e agora, enquanto ouvia as pessoas gritando valores em dinheiro sem entender o motivo, olhava para o copo de suco que Saga havia deixado sobre a mesa. Com a visão já meio turva, pegou o copo e cheirou o conteúdo, e após constatar que se tratava apenas de uma bebida sem álcool não viu problema nenhum em dar alguns goles.
Após alguns minutos, Mu então se levantou pensando em ir embora, mas assim que se viu de pé tomou um baita susto, pois parecia ter sido colocado dentro de uma centrífuga!
— Wow! — disse ele, arregalando os olhos, e assustado, rapidamente jogou-se novamente na cadeira, espalmando ambas as mãos na mesa para se apoiar — "Pelos deuses! Será que tô bêbado?" — pensou, e então olhou para o copo de suco sobre a mesa e resolveu beber o resto do conteúdo que havia deixado. Era apenas suco e talvez isso o ajudasse a se hidratar, mandando embora aquele efeito de confusão que o álcool lhe provocava.
Confuso, Mu ficou ali quieto esperando aquela sensação estranha passar, enquanto Aiolia, a seu lado, estava mergulhado em outro dilema.
Teria que "comprar" Marin para impedir que algum daqueles sujeitos nojentos o fizesse, mas quando pensou em dar seu lance, uma voz conhecida, proferida em alto e bom tom, e que vinha do fundo do salão, o fez sentir um frio na espinha.
— 7000! 7000 Dracmas! — gritou Shura divertido, se deliciando com a cara de espanto com que Aiolia olhou para a porta de entrada quando ouviu sua voz.
— O que? Seu desgraçado! — gritou Aiolia, se levantando da mesa e num impulso encontrou a única maneira de impedir que Marin fosse vendida a Shura — 9000! Dou 9000 Dracmas! — gritou o Leão e imediatamente todo o salão olhou para ele, inclusive Marin, que ficou indignada!
Na mesma hora, ali no bar, Misty de Lagarto observava o leilão com um sorrisinho falso no rosto. Na verdade estava adorando ver a cara de choro de Marin, a expressão de fúria de Aiolia e a cara de desaforo de Shura. Dando um risada mais proeminente, virou-se de frente para o balcão quando Touro enfim chegou com sua dose de vodca.
— Aqui está sua dose, boneca. Posso ajudá-la em mais alguma coisa? — disse o grandão todo solícito.
Misty riu para ele e quando abriu a boca para lhe dizer algo, foi abruptamente interrompido por uma figura belíssima de longos cabelos azuis piscina que se encostava no balcão no bar, de costas para Aldebaran e de frente para si, enquanto apoiava os cotovelos na peça.
— Olha lá, heim, Debby... — disse Afrodite, encarando Misty —... Essa Barbie é Ken, querido. Não se engane! — deu um sorriso para o colega de trabalho.
Aldebaran deu uma gargalhada sonora, tombando a cabeça para trás e fechando os olhos. Depois, mais recuperado, reconheceu o cavaleiro de Lagarto, então debruçou o tronco no balcão e disse em tom mais baixo:
— Opa! Vai querer beber algo além da vodca, amigo? E não venha me pedir leite de minhapica! — disse o grandão dando uma piscada para Afrodite que caiu na risada.
Distraído enquanto ria, Peixes olhou para o lado e seu olhar cruzou com o de Camus mais uma vez, que ainda estava sentado na mesma mesa, porém agora sozinho, já que os russos que o acompanhavam tinham se levantado para ver o leilão de perto. Afrodite saldou o aquariano levantando seu copo de whisky no ar e depois dando um gole na bebida.
Aquário, que já estava extremamente alcoolizado, olhava para um desfocado Afrodite acenar pra si e sentia ganas em arrebentar a cara daquele viado de porradas e ensiná-lo a virar homem, mas apenas virou o rosto para o lado, quebrando o contato visual e ignorando o pisciano para voltar sua atenção ao leilão.
— Bicha! — resmungou baixinho dando um gole em sua vodca.
Afrodite por sua vez, abaixou a cabeça e riu de Camus. Aquele lá não tinha mesmo jeito — "É mesmo um poste sem luz esse ai!" — pensou e então olhou novamente para Misty o esnobando, enquanto virava o rosto para acompanhar o leilão.
Contudo, Lagarto, que era um exímio observador, olhou para a direção em que Afrodite estava olhando pouco antes para ver para quem aquela bicha estaria arrastando asa dessa vez, quando viu o francês na mesa. — "Hum, até que esse viado tem bom gosto! Então é você a bola da vez, Camus de Aquário?" — pensou o loiro dando um gole em sua vodca, mas logo teve a atenção chamada pelo sueco a seu lado.
— E você, Lagartixa, vê se não some. Depois do leilão da Geissssty, é a sua vez. É bom que esteja na sala que te indiquei na hora certa. — disse Afrodite evitando olhar para ele.
— Já entendi, escamosa, não sou burra como você. Agora, vou sair daqui, porque esse seu cheiro enjoado de rosas faz mal para a minha rinite e me embrulha o estomago! — retrucou o loiro deixando o bar a passos lentos e gingados.
Enquanto cruzava o salão, Misty esticava os olhos novamente para a mesa onde Camus estava sentado. Não conseguia parar de olhar para aquele ruivo, que de repente se tornara o homem mais interessante do mundo — "Hum, Aquário... Como nunca reparei em você antes, seu lindo? Que tamanho deve ser essa sua piroca ruiva, hein?" — viajava no leve torpor que a bebida causava em si.
Afrodite observava Lagarto de longe, usando toda a força de vontade que tinha para se conter e não ir atrás dele arranhar toda aquela cara maquiada, quando algo mais irritante que Misty lhe fez coçar a nuca num gesto de inquietação.
— Ai pelas filas intermináveis do Yomotsu! E esse leilão da Águia que não acaba nunca? Agora o Aiolia e o Shura vão ficar disputando essa amapôa até quando? — disse irritado.
— Eu quero é ver como eles vão pagar! — falou Aldebaran detrás do balcão, enquanto batia uma caipirinha em uma coqueteleira – Porque nenhum dos dois tem essa grana que estão dando os lances.
E de fato não tinham, mas Shura tinha seu Ás na manga!
Marin por sua vez, não conseguia acreditar no que acontecia bem ali, diante de seus olhos.
— Malditos... — resmungou baixinho, num misto de indignação e fúria, então soltou-se de Saga, olhou para Aiolia e botou sua raiva para fora, pois se tinha alguém ali em que ela achava que pudesse confiar e depositar qualquer tipo de sentimento que fosse, era o cavaleiro de Leão. Achava que pelo menos ele era diferente daquela corja, mas estava muito enganada pelo visto — Seu desgraçado! Como pode querer me comprar? Achei que éramos amigos!
Saga, que estava a ponto de mandar Marin, Aiolia e Shura para outra dimensão, conseguiu controlar a moça, ameaçando a vida do irmão dela caso ela não calasse a boca definitivamente. Depois deu continuidade ao leilão.
— Cavalheiros, não vou tolerar nenhum tipo de exaltação nesse estabelecimento. Vamos logo ao que interessa. Ultimo lance! Quem dá mais pela nossa Boquinha de Veludo? — dessa vez gritou para ser ouvido por aqueles que realmente tinham o dinheiro dos lances dados, enquanto era fuzilado pelo olhar de um Leão em fúria.
Mas novamente todos foram pegos de surpresa por uma voz grave e estridente que veio do fundo do salão.
— Io! — gritou Máscara da Morte, o Ás na manga de Shura.
Câncer vinha correndo para o meio do salão, driblando as mesas e pessoas até chegar bem perto de Saga e Marin.
— Ma io pago 12.000 por questa puttana! — disse, enquanto segurava um charuto entre os dentes afiados.
Aiolia olhou para Máscara da Morte com tanta raiva que suas pálpebras até pulavam. Aquele lance era absurdamente alto para ele poder cobrir, mas não podia sequer imaginar a ruiva que povoava seus pensamentos mais íntimos nas mãos insanas daquele psicopata!
— Você... seu desgraçado! VOCÊ NÃO TEM ESSE DINHEIRO TODO, SEU MALDITO! — gritou o grego fuzilando o canceriano com o olhar.
Foi quando Máscara da Morte lhe lançou um sorriso sarcástico, tirou o charuto da boca e disse em tom baixo, encarando os olhos do leonino:
— Io solo non tenho mesmo, ma nos dois temos! — olhou para Shura, que agora estava ao seu lado no centro do salão.
De imediato, Leão fora tomado por um sentimento de ódio impossível de ser contido e praticamente voou por cima da mesa na direção dos dois cavaleiros, surpreendendo a todos e derrubando quem estivesse em sua frente no chão. Estava armado o barraco!
O que se seguiu, foi uma série de reações em cadeia quase à velocidade da luz.
Do bar, assim que viu aquela muvuca armada pelos dois seguranças da casa, Aldebaran pulou rapidamente o balcão feito um touro e já se enfiou no meio dos brigões, puxando Aiolia pelas costas e lhe dando um mata leão, enquanto os convidados corriam pelo salão tentando fugir da briga.
Afrodite já corria pelo outro lado das mesas para puxar Máscara da Morte para longe de Aiolia, enquanto Saga tentava conter Shura.
Enquanto a confusão rolava solta, na mesa ao lado Mu começava a se sentir estranho. De repente, o ambiente parecia ter ficado mais quente, o fazendo suar e procurar alívio afrouxando a gola da túnica.
Além do calor repentino, as luzes do salão também pareciam diferentes e combinadas ao ritmo da música, lhe faziam ter uma vontade súbita de dançar, se mexer, sorrir, abraçar... Eram os primeiros sintomas da euforia que a droga que Saga colocara no coquetel para ele beber provocava.
Seu peito estava em chamas e seu corpo muito excitado. Áries sentia desejo em tocar as pessoas, parecia precisar de contato, e olhando para o lado, via Touro segurando Aiolia e sentia vontade de lamber a bochecha dele.
— "Será que ele deixa? Não, melhor não." — pensava Mu, rindo de si mesmo, enquanto a briga rolava solta, mas quando menos esperava foi jogado ao chão de supetão, caindo contra algumas cadeiras que se quebraram sob suas costas e com um peso grande lhe comprimindo o peito.
Gemeu baixinho e dentro da pouca lucides que ainda lhe restava, enquanto ria apalpou o que lhe atingira e percebeu se tratar de alguém. Sem pensar nem duas vezes, Mu abriu a boca e colocou a língua para fora, dando uma lambida generosa e lenta no rosto de Máscara da Morte.
— MA CHE CAZZO? — gritou o italiano, já se debatendo no chão entre as cadeiras, copos quebrados e arianos lambedores.
— Hummm… salgado! Lamber é bom! Acho que estou de arma dura! — falou caindo na risada, imerso em um mundo de cores, luzes, cheiros e texturas novas.
— Ma que pensa que está fazendo, Áries? Io sono uomo, pazzo! Não me diga que me fez gastar grana à toa comprando una puttana para um pazzo de um marica! — dizia, encarando o lemuriano que tinha dificuldades para se levantar, já se preparando para desviar o motivo da briga pra ele, quando Afrodite puxou o italiano brabo novamente pelo braço.
— Ah-hã! Nem pense em encostar um dedinho só que for nele, carcamano! Se fizer isso, vai levar um coió é de mim! — dizia, puxando o italiano para o meio do salão, onde Saga conversava com um Shura, que bufava de raiva, e com Marin, que mais parecia uma estátua de cera — Mas que desgraça! Olha só! Me fez quebrar uma unha! — esbravejou o pisciano, desferindo uma série de tapas na cabeça, costas e ombros do italiano, que tudo que fazia era encolher a cabeça e se defender com os antebraços — Logo os dois seguranças dessa zona é que causam o bafão da estreia! Isso é uma piada.
Chegando lá, Peixes pegou no braço de Marin e apontou Mu para ela.
— Queridinha, sobe logo com o cliente e acaba de vez com essa merda. Vai lá levantar ele do chão e cuide dele como um príncipe!
Marin olhava para Afrodite e depois para Mu sem saber o que fazer, já que ouvia os gritos de Aiolia do bar chamando seu nome e excomungando a todos naquele salão, mas o grito que a tirou de vez do transe foi o do cavaleiro de Peixes.
— MARIN, ACORDA, ALICE! — disse batendo palmas na frente do rosto da moça — Sobe logo com o Mu e suma daqui antes que o Leão bote essa merda de zona à baixo. Vai!
— Sim!... Já estou indo. — disse a amazona piscando algumas vezes e correndo até onde Mu, enfim, havia conseguido se levantar.
Águia então pegou no braço dele e entrelaçou com o seu. Pelo menos estava aliviada em saber que seria Mu seu primeiro cliente e não um daqueles dois monstros, pois, até onde se lembrava, Áries sempre fora um garoto muito educado e gentil, bem diferente de Máscara da Morte e Shura.
— Vamos? Mu-sama? Me acompanhe. — disse a moça tentando disfarçar o nervosismo.
Confuso, Mu olhava para ela tentando firmar a visão turva. Sentiu Marin o abraçando pelas costas e gostou daquela sensação.
— Aonde nós vamos? — perguntou o lemuriano sorridente, olhando para o rosto da ruiva parecendo hipnotizado — Achei você muito bonita hoje, sabia? Nossa, e que cheiro bom! — resmungou acompanhando a moça meio cambaleante, que o conduzia para as escadas às pressas, já que Afrodite lhe lançava um olhar repreendedor.
Peixes a acompanhou com os olhos até que a voz de Saga lhe chamou a atenção novamente.
— Imbecís! Eu deveria mandar os dois... Não! Deveria mandar os três, o desgraçado do Leão também, para outra dimensão! Acabem com isso agora mesmo, ou não vai haver mais Excallibur e nem cabeças pra colecionar! Vocês são pagos para fazer exatamente o contrário do que fizeram! Eu deveria... — Gêmeos se calou quando sentiu Afrodite pegar em seu braço.
— Calma, chefe! Se acalme... eles vão voltar ao posto deles e vão ficar pianinho, né! — disse olhando para Shura e Máscara da Morte, que tinham as faces rubras de raiva e as expressões firmes — Pode continuar o leilão. E vocês dois desaquendem daqui! XÔ! Lá pra fora! — dizia, enquanto empurrava a ambos os brigões para longe de Saga.
— Ótimo trabalho, Peixes. Agora dê um jeito naquele cretino do Leão antes que eu mesmo resolva dar! — disse em tom baixo, ajeitando a gola do terno e indo retomar seu posto no meio do salão, tranquilizando os convidados de que a briga havia sido contida e que iria retomar o leilão.
Afrodite então caminhou até o bar onde Aldebaran ainda tentava conter Aiolia.
— Calma amigo. Toma essa aqui. É forte e vai ajudar a segurar a onda! — dizia o taurino de maneira branda, enquanto lhe servia uma dose de cachaça brasileira.
Mesmo a contragosto, Aiolia aceitou a bebida, virando a dose em um só gole e fazendo uma careta. Estava arrasado pelo fato de Marin estar aceitando aquele absurdo de ser protituta em um puteiro dirigido por Saga e pior: aceitando ser leiloada como um objeto!
Para completar sua desgraça, justamente aqueles dois cretinos a haviam comprado! Porém ficou minimamente aliviado ao saber que não seriam aqueles dois desgraçados a passar a noite com Marin, mas sim Mu. Não que isso fosse um motivo de consolo, ao contrário, era tão irritante quanto, mas o lemuriano era virgem, talvez nem chegassem às vias de fato. Preferia pensar assim.
De repente foi puxado por Aldebaran para se sentar ao balcão e sossegar de vez, quando viu Afrodite se aproximar e se sentar a seu lado.
Outro que chegava ali àquela hora era Camus de Aquário.
Há tempos o francês já tinha perdido a conta do quanto havia bebido naquela noite, porém tinha plena consciência de que estava completamente embriagado e por isso fazia de tudo para não deixar transparecer seu estado.
Havia passado o tempo todo no fundo do salão, sentado em sua mesa apenas vendo a confusão armada pelos colegas. Ria baixinho e discretamente. Sabia que boa parte da graça que achava naquela situação patética era resultado de quase duas garrafas de vodca que bebera.
Quando tudo pareceu se acalmar e viu Marin subir com Áries para o andar de cima, resolveu se aproximar do colega que era contido no bar e dar seu "apoio" moral.
— Touro... – disse Camus ao se encostar no balcão -... Sirva uma dose dupla de whisky para o Leão, s'ilvous plait. Por minha conta!
Aiolia olhou para ele desconfiado, mas, dado seu estado de nervos, não rejeitaria nada que lhe fosse oferecido. Agradeceu ao francês e quando Aldebaran lhe entregou a bebida virou o drink de uma vez, batendo o copo no balcão.
Afrodite curvou um pouco o corpo para frente e olhou para o aquariano. Com Aiolia no meio ainda encarando Saga, Peixes e Aquário trocaram algumas farpas quando seus olhares se cruzaram e ambos saíram dali em direções opostas. Pareciam não suportar respirar o mesmo ar!
Enquanto isso, no meio do salão, Saga suspirava aliviado. Uma já tinha ido! Mas ainda faltavam três. Foi até a mesa onde Marin estava a princípio e dessa vez puxou Shina pela mão, a fazendo dar uma voltinha enquanto caminhava para o centro do salão.
— Atenção, senhores! Agora temos essa bela mulher de lindos cabelos verdes! A nossa Shina, a Dama Devassa! — anunciou em voz alta, fazendo Shina deixar escapar um riso baixo quando ouviu Gêmeos ditar seu "nome de guerra". De onde Saga tirava aquelas coisas? Pensou ela. — Quem da mais por ela? Abrindo os lances em 1.000 Dracmas!
Do bar se ouviu um grito estrondoso:
— Eu dou 2.000! — gritou Aldebaran.
Ao ouvir o primeiro lance vindo de Aldebaran, Shina achou graça. Deu uma gargalhada bem a seu modo escrachado de ser e brincou com o querido brasileiro:
— Poxa, só isso Deba? Tira a mão desse bolso, amigo! Aumenta esse lance que vai valer a pena!
Aldebaran soltou uma gargalhada alta, mas mais alto ainda foi o grito de Shura que veio novamente do fundo do salão, próximo à porta de saída:
— Eu dou 3.000!
Máscara da Morte olhou para o amigo fazendo uma careta e quase que simultaneamente gritou também a plenos pulmões:
— Io dou 4.500 por questa ragazza bela! — jogou um beijo no ar para Shina, com metade do corpo para dentro do Templo e a outra metade para fora, só observando o desenrolar dos lances.
Saga soltou um suspiro resignado. Aqueles dois não tinham jeito. Mas, enquanto estivessem dando lucro, tudo bem, pensava, por isso não os impediu.
Shina mal teve tempo de olhar para o capricorniano e já escutou o lance dado por Máscara da Morte. Riu alto e se virou para Shura, o provocando com um olhar sedutor.
— Aumente esse lance, Shura! Não seja avarento! — deu uma piscadinha para o espanhol.
— Eu dou 5.000! — ouviu-se um grito no salão, porém não fora de Shura e sim de Aldebaran novamente.
Os lances se seguiam. Muitos dos convidados disputavam com os cavaleiros e de um dos sofás de veludo vermelho onde estava sentado agora, perto do palco, Camus observava a tudo com olhos turvos, até que viu alguém se sentar ali perto de si. Estreitou o olhar para focar melhor a figura loira ali a seu lado e ficou o observando por um tempo sem saber definir se era homem ou mulher — "Deve ser mais uma bicha!" — pensou irritado.
Misty por sua vez, fitava o francês há tempos ali naquele salão, até que o viu se sentar e aproveitou para se aproximar dele. Sentia o delicioso perfume amadeirado do cavaleiro, enquanto se perdia nos traços fortes e bem desenhados de seu rosto. Tinha minúsculas sardas que só o deixavam ainda mais lindo — "Ai bem que podia ser esse ruivo gostoso aí a me comprar! Me leva, vai, Camus, seu ruivo delícia!" — pensava Lagarto, enquanto dava um gole na bebida e praticamente devorava Camus com os olhos.
Já Aquário o ignorava com maestria. Só queria acompanhar o leilão, aguardando sua vez de entrar no jogo, pois estava decidido a comprar a prostituta de lance inicial maior da noite.
— E chegamos a 7.500 Dracmas! Último lance, quem dá mais?
— YO! 8.000 nesta hermosa mujer! — gritou novamente Shura e em seguida lançou uma piscadinha para a Shina.
Gêmeos suspirou fechando os olhos, depois balançou a cabeça resignado. Pelo menos eles estavam dando lucro para o negócio e se não tivessem o dinheiro para pagar os lances poderia descontar do salário deles.
— Está certo. 8.000! Quem dá mais? Dou-lhe uma… Dou-lhe duas... — gritou Saga dando uma bufada — Vendida! — berrou o geminiano, aliviado por ter encerrado esse leilão sem nenhuma briga — Vendida por 8.000 Dracmas para o cavaleiro de Capricórnio! Venha pegar sua dama, Shura!
Shura arrumou a gola do blazer e deu uma risadinha maliciosa para Máscara da Morte, que mastigou com raiva o toco de charuto que tinha entre os dentes. Porém não se sentia derrotado. Já conhecia bem as habilidades daquela amazona e nem precisou pagar para isso.
Quando o espanhol chegou perto de Shina, pegou a moça no colo e com voz sedutora disse:
— Vamo-nos, serpiente!
Subiram as escadarias às gargalhadas, enquanto no salão Saga anunciava o principal leilão da noite.
— E agora, senhores, vamos ao leilão principal da noite! — disse o geminiano enquanto ia buscar Geisty na mesa. Já no centro do salão, ergueu o braço da amazona acima da cabeça e a fez dar algumas voltinhas em torno de si mesma, para que os clientes pudessem admirar a mercadoria. Gêmeos então sorriu para ela e deu início ao leilão mais esperado — Essa é a nossa linda joia! Geisty, a Gata Manhosa! — falou o grego dando um sorriso irônico para a amazona. Não iria perder a oportunidade de tripudiar sobre ela acerca daquela porcaria de gritaria e miados escandalosos com Milo de Escorpião.
— Mas eu não acredito o quanto você é babaca! — falou ela entre os dentes para que somente ele ouvisse.
— Quem vai ser o felizardo que passará essa noite com a nossa Gata Manhosa? Iniciando os lances em 10.000 Dracmas! — prosseguiu Saga dando uma risadinha para ela.
Já iniciou o leilão com um valor altíssimo, pois não queria que ninguém desse nenhum lance. Não queria que fosse comprada, pois ansiava que ela ficasse ali para satisfazê-lo.
Porém, o geminiano levou um susto quando um dos ricaços presentes gritou o valor de 10.500 Dracmas. Um pouco irritado, além de surpreso, Saga seguiu o leilão já disposto a encerrar os lances. Daria um jeito naquele abelhudo depois.
— Último lance valendo! Quem dá mais de 10.500 Dracmas pela nossa linda Gata Manhosa? Dou-lhe uma... dou-lhe duas... — disse o grego apressado e então ouviu um lance que o fez pensar estar delirando.
— 35.000 Dracmas! — disse o dono de uma voz fria e severa.
Quando ouviu aquele lance, Geisty arregalou os olhos em espanto! O tempo todo a moça permanecia impassível, sem esboçar a mínima reação, mas diante daquele valor todo seu autocontrole caiu por terra, principalmente quando olhara para o rosto do dono da voz e seu comprador! Camus de Aquário. Simplesmente o homem que pediu sua cabeça a prêmio.
Na cabeça de Geisty apenas uma pergunta se formava. Por que afinal o homem que a queria ver morta estava disposto a pagar um valor tão alto como aquele para tê-la na cama? Certamente para humilha-la, ou então... Não. Camus não seria burro ao ponto de mata-la ali, bem diante do nariz de Saga. A amazona respirou fundo algumas vezes encarando o francês, até que desviou o olhar e fechou os olhos. Odiava Camus com toda a sua força de vontade e alma ,e não seria nada fácil se deitar com ele.
Saga por sua vez, não sabia se ria ou se mandava tudo aquilo pra outra dimensão! Quando iria imaginar que Aquário fosse comprar justamente Geisty? O que ele não sabia era que Camus queria apenas a prostituta mais cara. Pouco se importava quem ela fosse.
Muito a contragosto, Gêmeos deu o leilão por encerrado. Tinha tudo planejado nos mínimos detalhes. Não iria deixar que Geisty se deitasse com ninguém naquela noite, porém Camus lhe quebrara as pernas, e diante do segundo líder da Vory v Zakone, Saga se viu num beco sem saída, e sem escolha não viu alternativa a não ser ceder.
— Vendida! — anunciou em um tom duas vezes mais baixo.
Ao ouvir sua sentença final, Geisty respirou fundo, sentindo seu coração bater mais forte em apreensão. Resignada, ela simplesmente se soltou das mãos de Saga com certa aspereza e andou em direção a Camus, lhe oferecendo a mão para que subissem ao quarto.
Camus não demonstrou reação alguma. Estava muito bêbado, mas segurava as pontas. Meio a contragosto, pegou na mão dela e seguiu seus passos até a escadaria. Queria logo fazer o que tinha de fazer e ir embora dali o quanto antes.
Enquanto os observava subindo as escadas com uma expressão nada agradável, Saga sentiu alguém lhe abraçar pela cintura. Era Afrodite, que ainda mantinha uma expressão de espanto no belíssimo rosto.
— Tô nude, sabia? — disse Peixes também observando o casal que seguia para o corredor — Acha mesmo que o picolé de vinagre tem tanto acué assim? Duvido! — disse o pisciano.
— Mas é claro que deve ter, Afrodite. O Camus é praticamente um dos líderes daquela maldita Vory... E ele deve ter muito mais! Mas, vamos acabar logo com essa porcaria de leilão que essa noite já deu o que tinha que dar.
Cada qual com seu pensamento, Saga e Afrodite chamaram os clientes figurões que se mostraram interessados em participar do leilão de Misty de Lagarto.
Gêmeos fez um sinal para que Misty o seguisse e enquanto atravessavam o salão indo em direção a uma saleta, onde Afrodite já acomodava os convidados em torno de uma enorme mesa de mármore com cadeiras em estofado de couro negro, não trocaram nenhuma palavra.
No interior da sala, executivos gregos, políticos e alguns dos homens mais ricos e excêntricos da Grécia. Tipos bem diferentes, mas que partilhavam um fetiche em comum: todos loucos para foder um cavaleiro de Atena!
Gêmeos por sua vez, estava cansado daquilo, mas aquele era o último leilão da noite e terminado enfim teria seu merecido descanso. Por isso, caminhou até a cadeira que ficava na ponta da mesa, se sentou, apoiou os braços, cruzou os dedos e enfim se pronunciou.
— Bom, senhores... — disse em tom ameno — Tenho aqui um belíssimo perfil de androgenia, como podem ver com seus próprios olhos! Misty é um cavaleiro de prata também, portanto o valor é alto! Vamos começar esse leilão exclusivo em 4.000 Dracmas! Quem da mais por Misty Bumbum Guloso? — deu um sorriso irônico, inventando aquele codinome infame na hora e dando uma piscadinha debochada para Afrodite, que estava sentado no fundo da sala em uma das poltronas de veludo vermelho, e quase perdeu a compostura caindo na gargalhada, quase!
Misty, porém, riu sem se importar. Para Lagarto tudo era uma grande diversão e era para isso que estava ali, se divertir! Sorriu para Gêmeos e depois para cada um dos homens que o olhavam com olhos carregados em luxúria!
Os lances foram rápidos. Todos ali sabiam bem o que queriam e logo Misty fora vendido por 15.500 Dracmas, para um empresário grego do ramo turístico.
Misty ficara bem satisfeito, pois o homem era jovem, forte e muito bonito. Rapidamente pegou na mão dele e lançando um olhar de desdém e deboche para Afrodite, quando passou por ele, deixou a sala conduzindo o empresário até seu quarto.
Depois que Lagarto saiu com o cliente, todos os outros homens deixaram a sala. Afrodite então olhou para Saga, que contava as notas de Dracmas pagas ali mesmo, em espécie, e resmungou cruzando os braços.
— Tomara que esse suíno tenha um pintinho bem pequenininho!
— Deixa de implicância, Afrodite. Misty só está aqui para nos dar lucro! E olha só... A noite foi mais rentável do que imaginei! — disse Gêmeos balançando as notas.
— Sim! Está contente? — perguntou o pisciano sorrindo para Gêmeos.
Saga então se levantou da cadeira, caminhou até Afrodite e se sentou na poltrona a seu lado. Apanhou uma das mechas do cabelo de Peixes e começou a enrolar aqueles fios azuis piscina em seus dedos, dando uma coçadinha na ponta de seu próprio nariz vez ou outra, já que o perfume natural do sueco lhe causava algumas reações físicas inesperadas. Mesmo contendo seu cosmo, como fazia agora, para não intoxicar os civis, ainda era praticamente impossível se manter indiferente à presença de Afrodite de Peixes.
— Ah sim, lucramos ainda mais com aquele imbecil do Camus. 35.000 dracmas? O que ele tem na cabeça? Eu não pagaria isso nem pra foder uma vagina premiada! — resmungou o grego, se recostando na poltrona e abandonando os cabelos do sueco para guardar o maço de notas no bolso do blazer.
— Pois é! Quem imaginava que o picolé de vinagre teria tanto acué! O safado tem que comer na nossa mão, Saga! — disse fazendo uma expressão séria, enquanto olhava para o lustre de cristais no centro da saleta com o olhar vago, como se matutasse algo engenhoso — Apesar de que, eu ainda acho que ele só está fazendo a rica! Vai é dar o calote na gente!
— Não. Conheço Camus muito bem. Ele é um homem de palavra. Se não tivesse essa grana, não teria dado o lance. Camus tem muito dinheiro!
Afrodite então olhou para Saga e se levantou da poltrona. Foi até a porta, passou as chaves trancando-a e caminhou lentamente até a mesa de mármore que havia no centro da sala.
De costas para Saga, o sueco retirou o boá de plumas que tinha em torno do pescoço e o colocou sobre a mesa, depois balançou levemente os cabelos exalando seu perfume inebriante de rosas, que logo tomou todo o ambiente.
Então Afrodite caminhou até Gêmeos na poltrona. Com um andar languido e arrebatadoramente sedutor, ele encarava o geminiano nos olhos durante todo percurso, e quando chegou até ele, abriu as pernas e, apoiando um joelho de cada lado no acento da poltrona, se sentou no colo de Saga, levando as mãos até sua camisa e abrindo lentamente os botões, um a um.
Saga de início estranhou aquela atitude ousada do cavaleiro, mas no exato momento em que Peixes abriu os primeiros botões e espalmou suas mãos quentes em seu peito, toda sua razão lhe dera adeus. Gêmeos na verdade tinha outros planos para sua noite de estreia, porém quis o destino que estivesse trancado em outro cômodo, que não em seu quarto e com outra pessoa, que não a que imaginou inicialmente, porém tão irresistível quanto!
Sentia as coxas roliças dele comprimirem as suas e novamente aquele perfume delicioso começava a deixa-lo com os sentidos confusos, atordoados. Deliciosamente atordoados, por sinal! Sua mente cansada começava a vagar num mar de rosas e seu corpo já dava sinais de que queria mergulhar nesse mar com urgência!
— O que pensa que está fazendo, seu safado? — disse Saga, sorrindo com o canto da boca ao mesmo tempo em que apertava as coxas do pisciano.
— Eu estive pensando, chefinho... Se não se importar de eu não trabalhar hoje, posso te fazer uma massagem. Você está tenso, mas eu sei perfeitamente como aliviar sua tensão! — disse manhoso, enquanto sorria para ele e abria a fivela do cinto que Gêmeos usava.
— Hum... tentando matar serviço, Afrodite? E logo no seu primeiro dia de trabalho? — disse o grego sorrindo — Não há nenhum cliente que você queira hoje? Porque estou extremamente tentado a aceitar a sua proposta! — afirmou o geminiano, deslizando seus lábios pelo pescoço dele.
— Sabe o que é, eu analisei e cheguei a uma conclusão óbvia. — disse Peixes, se deliciando com as carícias em seu pescoço — Você, Saga, é o homem mais bonito e desejável dessa casa! E não há ninguém nesse lugar que eu possa querer mais do que você! E... eu quero causar uma boa impressão ao chefe, no meu primeiro dia no emprego!
Afrodite curvou o tronco e lambeu um dos mamilos do geminiano, dando uma leve mordida e tirando um gemido rouco do outro. Em seguida, desceu o zíper da calça dele e enfiou a mão dentro da cueca, onde encontrou o que queria, o membro já bem rijo e molhado, no qual começou uma massagem cadenciada e habilidosa.
Saga já estava ficando enlouquecido com aqueles toques hábeis sobre seu corpo. Afrodite era fogo puro em seu colo! Rebolava, se remexia, gemia e o masturbava com uma perícia que jamais vira igual. Mordiscava de leve o pescoço do sueco, enquanto levava as mãos até suas nádegas e as apertava com força, deixando as marcas de seus dedos na pele muito clara.
— Então eu sou o melhor... E você me quer, é isso? — perguntou Gêmeos entre sussurros.
— Sim! Eu te quero! É você que escolho essa noite! Na minha noite de estreia! — respondeu Peixes com outra lambida, agora nos lábios, para em seguida toma-los num beijo quente e lascivo, correspondido por Saga com ansiedade.
— Hum... é mesmo? — dizia Gêmeos enquanto beijava e sugava os lábios de Peixes —... Então anda... Tire logo essa roupa doida que você está usando... Humm... que eu vou te dar o que você quer!
— Roupa doida? Não me diga que não gostou da minha superprodução de luxo e glamour! — ainda no colo dele, tombou o corpo, passou os braços para trás e apoiou as mãos nos joelhos de Saga. Em seguida, esticou uma das pernas, passando-a por cima do ombro direito do grego e apoiou o pé no encosto da poltrona, quase furando o tecido de veludo com o salto agulha que usava.
Começou então um rebolado provocativo no colo de Gêmeos, onde propositalmente friccionava seu membro muito excitado contra o dele, ao mesmo tempo em que acariciava o rosto de Saga esfregando a canela, coberta pela meia de seda muito macia, em sua bochecha. Em nenhum momento Afrodite desviava o olhar dos olhos jades do geminiano, usando de todo seu arsenal poderoso de sedução.
— Sim... eu gostei... mas... prefiro você sem nada! Tira logo! — dizia Saga delirante de excitação, então segurou na perna de Afrodite e começou a puxar a meia de seda lentamente para baixo.
— Você me ajuda a tirar, chefinho? Preciso de alguém forte e com dedos hábeis para me ajudar a desamarrar o espartilho! — disse sorrindo.
— Ajudo a tirar o que você quiser! — disse mais que depressa, pois não podia esperar nem mais um minuto para tomar aquele cavaleiro, mas quando tateou com os dedos as cordas do espartilho nas costas de Afrodite fez uma careta — É... só desamarrar... aqui, não é? — perguntou, enquanto mordiscava os ombros dele pelejando para manusear aquelas tiras — Porcaria de roupa sexy cheia de amarras... — resmungou nervoso, esfregando os dentes contra a pele do sueco.
Afrodite ria do nervosismo dele. Gêmeos era um homem explosivo e impaciente e era justamente esse seu charme. Adorava a maneira prática como Saga via e lidava com as coisas e já conhecendo bem seu gênio estourado, resolveu dar uma mãozinha. Levou as mãos para as próprias costas e segurou nas mãos de Saga puxando-as para frente.
— Calma, não quer estragar uma peça que custa o dobro do carro que você dirige, né chefinho. — levantou da poltrona, virou-se de costas para ele e puxou os cabelos para frente, deixando suas costas nuas. Usava uma calcinha de rendas, o que deixou Saga meio consternado, porém curioso e muito excitado. Olhou para ele por cima dos ombros — Só puxar essa tirinha do meio e, voilà! Terá um peixinho descamado todinho para você.
Saga riu da comparação que Afrodite fez da roupa dele com seu carro e resolveu deixá-lo lidar com aquela peça dos infernos. Nem esperou ele terminar de tirar a peça direito e já o puxou de volta para seu colo, agora o sentando de costas e o abraçando enquanto uma mão ia para o meio das pernas dele e a outra forçava o corpo menor para baixo.
— Você está me provocando demais! Por que faz isso? — sussurrou na orelha dele, agora deslizando os lábios pelos ombros macios do pisciano.
Afrodite, nada respondeu. Sentia a ereção de Saga pressionar suas nádegas e lhe subiu um calor pelo peito que culminou em um gemido manhoso e sensual. Desistiu de tirar o espartilho, fazendo uma nota mental de que deveria usar peças mais fáceis de serem retiradas. Estava tão excitado com as carícias do geminiano que não aguentava mais esperar para ser tomado por ele novamente.
Então virou o corpo meio de lado e o beijou com paixão, depois arrancou o blazer dele jogando longe, por cima poltrona. Com outro puxão forte na camisa também a retirou e jogou para os ares.
Levantou da poltrona novamente e puxou Saga pela mão, fazendo o grego ficar de pé. Em seguida, desceu as calças dele, as deixando deslizar pelas pernas fortes até chegarem ao chão.
Enquanto isso, Saga ria baixinho. Afrodite parecia ter muitas mãos, pois mal havia o beijado e já estava totalmente nu!
— Chefe... — disse o sueco se esfregando todo no outro — Você não quer se deitar naquela mesa e me deixar montar em você?
A pergunta soou tão direta e precisa quanto um tiro de escopeta, atingindo o alvo exatamente como desejara, pois ao ouvir aquilo, Saga sentiu sua nuca se arrepiar.
— Aaah... Quer cavalgar? Que peixinho danado você é! — disse Gêmeos ainda mais excitado.
Estava ficando viciado na boca daquele sueco delicioso e sentia sua mente um tanto quanto entorpecida. Não sabia se eram as toxinas de Peixes ou o tesão louco que lhe arrebatava.
Com um último beijo, Gêmeos se afastou de Afrodite e caminhou até a mesa, onde se sentou e depois se arrastou até o centro, esticando as costas no mármore gelado dando uma risada e fechando os olhos.
— Venha, Afrodite… — disse rouco, segurando em seu membro, enquanto se masturbava lentamente aos olhos atentos de Peixes — Monte! Cavalgue! Faça o que você quiser!
Sem tirar os olhos de Saga, Peixes subiu na mesa e ficou de pé por cima do corpo dele, com uma perna de cada lado na altura da cintura. Como estava de salto alto, as curvas de suas pernas ficavam ainda mais definidas, torneadas, dando uma visão absurdamente excitante para Saga, que parecia devorar o sueco com os olhos.
De maneira muito sensual, Afrodite retirou a calcinha que usava e a jogou no rosto de Saga, rindo divertido da cara que o cavaleiro fez, depois se ajoelhou sobre ele e se esgueirou em seu corpo feito um gato.
Pegou na mão do grego e a puxou até seu próprio rosto, beijando a palma. Depois colocou dois dedos de Saga dentro da boca os sugando de leve, sempre encarando os olhos do Grande Mestre de maneira libidinosa.
Gêmeos brincava com os dedos dentro da boca dele, até que não aguentando mais os retirou e levou a mão até suas nádegas, introduzindo os dedos devagar e se deliciando com a expressão de prazer que Peixes fazia.
— É assim que você gosta? — perguntou Saga, enquanto lhe beijava o pescoço perfumado.
— Sim... é assim mesmo que eu gosto! — respondeu o sueco sorrindo e arranhando o peito do geminiano.
Afrodite deixou Saga explorá-lo por mais alguns instantes e então enfiou a mão dentro do espartilho, de onde retirou uma camisinha. Rasgou a embalagem com os dentes e a colocou rapidamente em Gêmeos.
Saga também estava em seu limite, porém valeu à pena esperar, pois quando Peixes se posicionou, apoiando os joelhos na mesa e espalmando as mãos em seu peito forte, o sentiu descer o quadril lentamente até se sentar totalmente em seu membro, forçando seu próprio corpo para baixo até ser penetrado por completo.
— Aaaaaahhh... Saga... — Afrodite soltou um gemido languido.
Cravou as unhas longas no peito do geminiano e então começou a cavalgar, no início com movimentos cadenciados, se deliciando com as expressões extasiantes que Saga fazia, mas poucos minutos depois assumindo um ritmo frenético, subindo e descendo feito um louco, enquanto gemia e contraia as nádegas para enlouquecer o grego.
Saga estava perplexo! Em que cama Afrodite esteve antes que não na sua?
Vez ou outra o geminiano o puxava para seu peito e o prendia entre seus braços, aproveitando a deixa para assumir o controle e meter naquele cavaleiro fogoso com toda sua força, gemendo como um louco.
Depois de um beijo ardente, Peixes puxou a mão de Gêmeos para seu próprio membro e Saga começou a masturba-lo. Então o sueco tombou o corpo um pouco para trás e apoiou as mãos nas coxas de Saga, aproveitando o estimulo que o outro lhe fazia para intensificar a cavalgada ainda mais, pois sentia que logo atingiria o prazer máximo.
Passaram incansáveis minutos nesse ritmo frenético, até que Afrodite não pode mais segurar e se entregou a um orgasmo delicioso, soltando um gemido longo e sensual. Ainda sentia seu corpo sendo chacoalhado com força pelo geminiano e o percebendo intensificar ainda mais o ritmo, segurou com firmeza em sua cintura e disse resoluto:
— Espere!... Espere... Não ainda!
Saga não sabia o que fazer para se conter. Ele ainda não estava satisfeito? Com um esforço tremendo, diminuiu o ritmo das estocadas para algumas mais fundas e lentas.
— O que foi? Quer passar a noite toda cavalgando no meu pau, seu safado? — perguntou afundando as unhas nas coxas dele.
— Não seria má ideia! — disse Peixes, e apoiou novamente as mãos no tórax do grego e o cavalgou freneticamente por mais uns bons minutos, até que, sentindo que o parceiro já estava quase no clímax novamente, saiu de cima dele às pressas, porém com cuidado para não se machucar.
Escorregou de quatro para trás, engatinhando para fora da mesa e puxou Saga pelas mãos, o fazendo ficar sentado no mármore. Ajoelhou-se no meio das pernas dele e olhando em seus olhos disse:
— Agora pode! Vai, Grande Mestre, tira isso ai! — referia-se à camisinha, e então abriu a boca esperando Gêmeos atender seu pedido.
Saga por sua vez, quase gozou só de olhar para ele naquela posição e com a boca aberta. Afrodite realmente era surpreendente, devasso e absurdamente excitante! Rapidamente retirou o preservativo e começou a se masturbar alucinadamente, enquanto com a mão livre agarrou os cabelos azuis piscina do sueco e os puxou para manter a cabeça dele no lugar que queria. Arfava, gemia, grunhia, sem tirar os olhos daquele rosto belíssimo, até enfim inunda-lo com seu sêmen.
Após o orgasmo, Gêmeos se deixou cair de joelhos ao lado de Afrodite, então puxou Peixes para seus braços, lhe dando um abraço forte e caloroso. Em seguida, puxou seu blazer, que estava caído do lado no chão e retirou um lenço do bolso. Limpou o sêmen do rosto de Afrodite delicadamente, enquanto lhe dava beijos suaves nos lábios.
— E então? Causei boa impressão no meu primeiro dia de trabalho? — disse o pisciano — Ou ainda vai ralhar comigo?
— Não... Causou uma ótima impressão! — afirmou Saga, rindo para o pisciano — Vamos voltar para o salão agora?
— Sim, vamos sim, Saga. Já ficamos muito tempo aqui!
Afrodite se levantou do chão e apanhou as roupas espalhadas. Vestiu-se e ajudou Saga a se vestir também, enquanto olhava para ele com um risinho de canto de boca. Destrancou a porta e os dois saíram, indo cada um para um lado do salão.
Peixes passou no bar, pegou uma bebida com Aldebaran e subiu para seu quarto. Estava decidido a terminar sua noite ali mesmo, sozinho, pois já tinha conseguido o que queria.
No salão, pouco mais de uma hora havia se passado, desde que Saga encerrou o leilão de Misty. Enquanto caminhava entre as mesas, fazendo a social entre os clientes, Gêmeos avistou Geisty sentada no balcão do bar. Achou estranho o fato de a amazona já estar de volta ao salão depois de ter subido com Camus, porém o que chamou mesmo a atenção do geminiano fora o cosmo da amazona, que emanava muita raiva e rancor.
Saga andou até o bar, pediu um coquetel de frutas a Aldebaran e pediu para que Touro os deixasse sozinhos naquele canto. Queria conversar com ela.
Geisty, por sua vez, amaldiçoava em pensamento aquela proximidade do cavaleiro de Gêmeos. Tudo que queria era ficar sozinha. Estava com ódio, revoltada e extremamente nervosa — "Camus, seu filho de uma puta!" — pensava, enquanto escondia o rosto com umas mechas de cabelo. Tomou um gole do Gin Tônica que pedira a Aldebaran um pouco antes de Saga aparecer por ali quando ouviu a voz do geminiano próxima a seu ouvido.
— Foi ruim com o Camus? Ele é um cara um tanto quanto estranho... — disse Gêmeos em tom baixo.
— Foi péssimo! — respondeu ela, dando outro gole na bebida. Sentia-se um nada, menos que lixo. Queria poder apagar aquela noite da memória para sempre!
— Sei. E onde está aquele ruivo metido? — perguntou ironizando, dando uma risadinha, mas quando ela virou o rosto para ele, a expressão de Saga mudou de imediato. Ficou sério.
O rosto de Geisty estava todo marcado por vergões e marcas que pareciam ter sido feitas por dedos fortes, como se a amazona tivesse sido vítima de tentativa de sufocamento. Saga aproximou os dedos do rosto dela e mesmo quando ela recuou, tocou de leve nas marcas.
— O que... Aquele bastardo filho da puta fez com você, Geisty? — perguntou o geminiano sibilando de raiva.
Geisty até que tentou articular uma resposta, mas assim que abriu a boca, não saiu nenhum som, somente lágrimas desciam de seus olhos tristes. Ela tinha a sensação de que nunca se sentira tão triste e deprimida em toda sua vida. Nem quando estava trancafiada no Cabo Sunion. Somente fez um sinal negativo com a cabeça e baixou o olhar para seu drink, sentindo vontade de mergulhar nele e sumir dali.
Saga por sua vez, estava perplexo! Já achava estranho aquele absurdo de dinheiro que Camus havia pago por ela e agora isso? Além do mais, Aquário deixara bem claro que tinha colocado a cabeça de Geisty a prêmio na máfia russa e que, se ela não trabalhasse ali como prostituta, sua segunda opção seria a morte certa. Então, porque bater na mulher? Ela já não estava cumprindo o combinado?
— Venha comigo, Geisty. — falou em tom de comando enquanto pegava na mão da moça e a puxava daquele balcão — Já trabalhou o suficiente por hoje. — afirmou, depois a conduziu pelo salão escadaria acima, a levando para o quarto dela.
Geisty o acompanhou sem protestar, o que deixou Saga bem consternado, pois geralmente ela o iria xingar ou o repreender.
No quarto, Gêmeos a ajudou a tirar aquele vestido, depois ficou apenas observando a amazona desmanchar o resto da produção. Quando ela já estava pronta para dormir, o grego retirou seu blazer e os sapatos, sentou na cama e esperou Geisty entrar embaixo das cobertas, para se deitar ao lado dela. Em seguida, fez com que a moça pousasse a cabeça sobre seu peito forte e começou a acariciar os cabelos negros dela com as pontas dos dedos.
Geisty, um pouco mais calma, porém não menos triste, disse num fio de voz, ainda com algumas lágrimas escorrendo teimosas pelo rosto:
— Dorme essa noite comigo?
Agora Saga estava mesmo assustado! O que afinal aquele maldito bastardo gelado dos infernos havia feito com a sua amazona?
— Como quiser, Geisty. — prometeu Gêmeos, apagando as luzes e deixando ela se aninhar mais em seu corpo.
Sem dizer uma palavra, cada um entregue a seus próprios pensamentos, os dois adormeceram algum tempo depois, enquanto no salão a noite ainda rolava solta!
