***estou postando os primeiros capítulos todos de uma vez pra adiantar***
*** Cap 9 Ma Belle Rose***
********AVISO MUITO IMPORTANTE:********
ATENÇÃO +60
A leitura desse capítulo não é recomendada para pessoas sensíveis, pudicas, ou que se ofendem com linguagem chula e pesada dita no idioma francês. Recomenda-se a leitura com moderação por pessoas que prezam pela moral e os bons costumes e, no que concerne esse quesito, aconselhamos a não leitura das traduções ao final do capitulo.
*Esta ação se passa simultaneamente aos acontecimentos descritos no capitulo anterior.*.
Logo após Saga dar o leilão por encerrado, Camus, sem mais delongas, pegou no braço de Geisty com certa rudeza e a conduziu pelo salão até os pés da escadaria que levava ao segundo andar do Templo de Baco, onde ficavam os quartos das bacantes.
Enquanto subiam a escada, a amazona ditava o caminho pelo qual deveriam seguir, e sem trocarem olhares, chegaram a uma porta grande de madeira escura que ficava no meio de um corredor luxuoso cheio de portas, iluminado apenas por luminárias em estilo provençal, as quais deixavam o ambiente à meia luz e eram dispostas nos intervalos de cada porta.
— Com licença? — disse Geisty olhando para Camus e em seguida para seu braço, que ainda era seguro pelo aquariano.
Sem dizer nada o francês soltou a moça, que abriu a porta tomando a frente. Ele então, em silêncio absoluto, deu uns poucos passos para dentro e fechou a porta atrás de si.
Caminhou meio trôpego em direção à enorme cama de lençóis púrpura, já desabotoando os punhos de sua camisa. Em nenhum momento olhou para Geisty, tampouco para o quarto. Se lhe perguntassem qual era a cor predominante do ambiente, provavelmente Camus não saberia responder.
Assim que terminou com os botões do punho começou a desabotoar os primeiros botões da camisa, para poder respirar melhor e então disse em um tom seco e grosseiro:
— Tire a roupa, vire de costas, ponha as duas mãos sobre o colchão e abra as pernas.
Normalmente não seria tão rude, mas a embriagues excessiva, somada ao mau humor pela noite mal dormida por conta do berreiro do vizinho, mandavam toda sua educação francesa para o espaço.
Parada ali na frente, Geisty não podia crer no que acabara de ouvir. Seus sentidos confusos pela tensão do momento só poderiam estar lhe pregando uma peça. E de muito mau gosto.
— Hã? Como é que é? — perguntou a amazona.
Camus suspirou. Definitivamente não estava com paciência para lidar com frescuras de prostituta e sem mais delongas, se aproximou de Geisty e a agarrou pelos cabelos, olhando fixamente em seus olhos com um semblante frio e repleto de arrogância.
— Além de burra você também é surda, por acaso? — praguejou, começando a resfriar o ambiente com seu cosmo, ainda mantendo o contato visual com ela. Seus olhos avelãs faiscavam um brilho azul intenso e ameaçador — Faça o que eu mandei e faça calada! Detesto berreiro, escândalo e frescura! Se der mais um pio que seja, enfio você dentro de um esquife de gelo. Para sempre!
Dito isso, Camus empurrou Geisty para a cama, que caiu de bruços, meio desajeitada. O francês olhava para ela com olhos duros e ameaçadores. Em seus pensamentos, Camus sabia que seria um pouco mais tolerante com esse tipinho de vadia, mas o álcool e o mau humor deturpavam seus sentidos e ele estava mesmo a ponto de matar a vagabunda com um estalar de dedos.
Geisty calmamente se levantou da cama, ajeitou os cabelos, respirou fundo e se colocou na frente de Camus. Olhou firme nos olhos dele e enquanto baixava as alças do vestido, disse com voz branda, porém trêmula de raiva:
— Eu não sou burra… nem surda. Só não pude acreditar no que acabei de ouvir! — abriu o zíper lateral do vestido e deixou a peça deslizar por seu corpo até o chão. Resignada, deu um passo para o lado e perguntou apática — Vai ser em qual posição?
Camus soltou uma bufada de raiva! Sim, ela era surda!
— Isso eu já disse. Vire de costas, pernas abertas e mãos na cama! — disse novamente, já descendo o zíper da calça e colocando o pênis para fora.
Nem se dignou a tirar a roupa, apenas abriu bem a braguilha, abaixou um pouco a cueca e começou a se estimular com movimentos rápidos, esperando que a infeliz se posicionasse de uma vez na posição que ordenara. Olhou em volta e viu um pacote de camisinhas sobre o criado mudo ao lado da cama. Apanhou uma, rasgou a embalagem e a colocou sem mais cerimonias.
Geisty ainda ficou alguns segundos o observando e tentando organizar toda aquela cena em sua mente. Notou a dificuldade que ele tinha em conseguir ao menos parar em pé sem cambalear. Porém o pulha que se virasse sozinho!
Irritada, virou de costas para ele, inclinou o corpo para frente, apoiou as mãos no colchão e olhou para trás, para os olhos de Camus, que assim que viu a amazona se colocar na posição, se aproximou e com um puxão para baixo, desceu a calcinha dela até os joelhos. Em seguida se posicionou e a penetrou de uma vez, sem qualquer aviso, preparação ou preliminar. Foi seco, rude. Começou então a estocá-la como se fosse um animal em cópula, mecanicamente, rápido e forte.
Geisty por sua vez, reclamou dos modos extremamente rudes do francês com um resmungo, enquanto remexia o corpo tentando se erguer, mas Camus segurou em sua cintura a fazendo voltar à posição que mandara de início e então apertou sua nádega com as unhas.
— Shiii… cala a boca! E non se mexa! — vociferou o aquariano. Não queria os grunhidos irritantes daquela vadia atrapalhando sua concentração. Fechou os olhos e aumentou a velocidade dos movimentos.
Foi nesse momento que a mente do francês viajou para longe daquele quarto e lhe pregou uma peça que ele jamais esperava!
Enquanto transava com aquela piranha, Camus de súbito se surpreendeu lembrando-se dos gemidos de Afrodite de Peixes, os quais ecoavam em sua mente!
— Merde! — gemeu baixinho, pois estava ainda mais excitado com aquela lembrança que o acometia em um momento tão inoportuno.
Sentia seu membro ainda mais rijo, até começar, ele mesmo, a gemer baixinho. Não podia acreditar que sua mente lhe pregava uma peça daquelas, de tamanho mau gosto! Porém, a cada grito do sueco que se recordava, tão vívido em seu pensamento, sentia mais e mais fisgadas de prazer em seu baixo ventre.
Aquário sentia sua sanidade deixa-lo aos poucos, e quando não podia mais suportar a excitação que aquele delírio maluco lhe infringia, fora impelido por uma ideia a qual enlouqueceria se não executasse.
Sem aviso algum, Camus saiu de dentro de Geisty, e então espalmou ambas as mãos em suas nádegas, expondo a intimidade da amazona a seu bel prazer e se deliciando com a visão. Em seguida, cuspiu em seu ânus e imediatamente a penetrou de novo com força, de uma só vez, sem preparo, soltando finalmente um gemido alto, forte e rouco, de puro prazer.
Não esperou sequer um segundo para começar a estocá-la novamente, mas dessa vez usava uma das mãos para tapar a boca da amazona, a fim de não ouvir seus grunhidos, e assim a voz de Peixes poder reinar absoluta em seus pensamentos, para que ele, em êxtase, pudesse desfrutar daquele momento como queria, de modo selvagem e violento.
Depois um tempo se arremetendo naquele corpo deliciosamente apertado, Camus se viu próximo ao orgasmo, então saiu de dentro dela, não se importando com os gritos abafados. A virou de frente para si e a fez se ajoelhar, segurando em seus cabelos para mantê-la no lugar. Retirou a camisinha, a jogando no chão, e se masturbou até atingir o clímax de seu prazer, inundando o rosto de Geisty, que de olhos fechados apenas ansiava pelo fim de tudo aquilo.
Depois que sentiu o ultimo espasmo chacoalhar seu corpo, Aquário soltou os cabelos da amazona, segurou em seu braço e a levantou do chão, jogando a moça em seguida sobre a cama de maneira rude. Afastou-se ainda ofegante, guardou o membro, agora já meio flácido, dentro da cueca e fechou a calça.
— É… pelo valor que paguei, até que deu para o gasto! — disse tão somente, enquanto abotoava os botões da camisa ainda cambaleante.
Deitada sobre a cama, Geisty não podia acreditar no que acabara de acontecer ali. Estava atônita!
Seu corpo doía muito e sua cabeça parecia que ia estourar. Sua única reação foi passar a mão no rosto para se limpar daquele sêmen nojento e olhar furiosa para Camus.
— Aquário… vá tomar no seu cu! — disse com um olhar assassino. Não iria mais atender ninguém naquela noite. Saga que a matasse ou a trancasse no Cabo Sunion para o resto da vida. Só queria descer para o bar e encher a cara para tentar apagar aquele absurdo de sua mente.
Camus riu apenas. Ou melhor, soltou uma sonora gargalhada! Olhou para ela e em tom de deboche respondeu:
— Quem tomou foi você, vadia!
O ruivo caminhou trôpego até a porta do quarto, abriu e simplesmente saiu. Precisava de um banho, pois se sentia imundo. Seu corpo, agora tomado pela letargia pós-orgasmo, parecia ainda mais dominado pelo álcool. Sentia-se tonto, confuso e finalmente se deixando arrebatar pela embriagues. Não havia mais ninguém por perto, não precisava mais fingir estar sóbrio, era só ir embora, deitar em sua cama e esquecer essa maldita noite. Já cumprira seu papel ali.
Camus então seguiu aos tropeços pelo grande corredor de carpetes vermelhos cheio de portas até chegar a uma que julgou ser a porta de saída daquele maldito lugar. Abriu, passou por ela já a fechando logo em seguida e então se apoiou na madeira, deslizando lentamente até o chão, de olhos fechados e cabeça baixa. Em sua mente tudo girava em uma espiral frenética que o fazia sentir ânsia de vomito.
Repentinamente sentiu vontade de gritar. Havia experimentado bons minutos de prazer, mas que agora lhe faziam sentir nojo de si mesmo.
Nunca fizera sexo anal antes. Julgava ser coisa de bichas, de viados nojentos como Peixes. Achava sujo, repugnante. — "Merde, o que está acontecendo comigo?" — pensava, um tanto quanto perturbado. Por que, afinal, transou com a mulher se lembrando dos gemidos escandalosos de Afrodite? Por que se rebaixou a tanto?
Enquanto estava perdido em seus pensamentos, se julgando a escória da humanidade, Camus de Aquário ouviu o som de uma porta se abrindo. Não se mexeu. Apenas ergueu a cabeça e tentou enxergar alguma coisa no meio da penumbra densa daquele lugar, o qual julgava ser o lado de fora do Templo de Baco.
De repente, ouviu uma voz suave, doce e muito conhecida, que cantarolava uma melodia em sua língua materna.
— Quand il me prend dans ses bras, Il me parle tout bas, je vois la vie en rooooooooseeee...
— "Inferno! Nem quando quero ficar sozinho tenho paz? Quem é o infeliz que está aqui fora a essa hora?" — pensava o aquariano.
A voz era de ninguém menos que Afrodite de Peixes, que após sair da sala particular onde Misty fora leiloado, subiu para sua suíte máster usando o corredor dos fundos do Templo.
Não queria passar pelo corredor principal e correr o risco de trombar com algum casal, ou algum bêbado, então usou a passagem dos fundos, entrou em seu quarto, caminhou no escuro até a belíssima penteadeira em estilo vitoriano e acendeu apenas um abajur que deixava o quarto mergulhado em uma penumbra de tom rosa coral.
Sentou-se em uma banquetinha de frente para a penteadeira e jogou sobre a cama o boá de plumas que usava em torno do pescoço. Deu um gole no whisky que trouxera consigo do bar e colocou o copo sobre a penteadeira. Debruçou o corpo um pouco para frente e olhou-se no espelho, analisando a maquiagem dos olhos meio borrada, quando de repente viu refletido nele uma figura acocorada no fundo da suíte.
Levou um susto e seu coração disparou, mas não gritou. Ficou calado, estreitando os olhos na tentativa de definir a imagem que via, e quando sua mente lhe desenhou a resposta pensou estar delirando.
Atônito, Afrodite se levantou da banqueta devagar, deu uns poucos passos para frente e quando teve certeza de quem era aquela silhueta no escuro, disse sussurrando, num tom de incredulidade:
— Pela muleta de Hefésto! Camus de Aquário! — arregalou os belos olhos azuis e abafou uma risada, colocando as duas mãos sobre a boca.
Com certa dificuldade, Camus tentava focar aquela imagem a sua frente. Os olhos minimamente abertos enxergavam uma figura embaçada, de cabelos azuis piscina muito longos.
Aquário conhecia muito bem aqueles cabelos! Só não podia acreditar que quem estava ali diante de si era aquela bicha infeliz do cavaleiro de Peixes!
— Non consegue ficar longe de mim… esse viado. Deve ser um castigo divino! — balbuciou, numa fala embolada e quase inaudível. Então apoiou a bochecha em um dos joelhos que mantinha dobrados e ordenou, agora em um tom mais alto, enquanto chacoalhava a mão no ar — Vai embora daqui… Some daqui, sua ambulância… Volta lá para dentro... Ambulância...
Afrodite riu e se agachou, ficando de cócoras abraçado aos joelhos. Olhou para Aquário e notou que além da fala embolada ele estava muito corado e o cheiro de álcool que exalava dele poderia ser sentido até do pico de Star Hill!
— Minha deusa! Você enfiou o pé na jaca, cabeça de fósforo aceso! Onde você acha que está?
— Ambulânciaaaa... uóóóóóóóó… Olha, você… é uma ambulância… uóóóóóóóóóóó… — começou a rir baixinho.
— O que? Quer que eu chame uma ambulância para você? É isso?
Camus então levantou o rosto e olhou muito sério para Afrodite, bem dentro dos olhos dele.
Peixes chegou a pensar que Camus lhe faria alguma grosseira, como era de costume, ou que até mesmo fosse o congelar ali. Estava bêbado e não falava coisa com coisa. Porém, quando o aquariano abriu a boca Afrodite começou a rir.
— Am-bu-lâm-ci-a… você é uma! É só alguém entrar atrás de você que já liga a sirene... UÓÓÓUOÓÓÓUÓÓÓUOÓÓÓUÓÓÓUOÓÓÓ… — gritava Camus. O hálito de vodca indo direto às narinas aguçadas de Afrodite, enquanto abria os braços e gesticulava, ao mesmo tempo em que tentava se levantar, cambaleante e trôpego — Bicha! Você… é uma bicha nojenta! É isso mesmo… Non pode ver um macho de verdade que UÓÓÓUOÓÓÓUÓÓÓUOÓÓÓUÓÓÓUOÓÓÓ… Argh!... Viados nojentos! Odeio seu barulho!
Aquário então tentou buscar apoio em uma poltrona vermelha que estava ao lado, mas se desequilibrou e caiu de joelhos no chão.
Afrodite, num gesto instintivo, tentou segurá-lo pelo braço, mas foi prontamente repelido com um tapa na mão.
— Vai embora daqui, ambulância… Sua sirene non me deixa dormir… Xô! — gritou o francês.
Boquiaberto, Peixes olhava para ele num misto de espanto e deboche. Era muito seguro de sua sexualidade, logo nada que fizesse menção a isso o ofendia.
— Ah, está bem… deixa ver se entendi. Você odeia barulho e está ai apitando feito uma chaleira! Venha, levanta dai, picolé azedo de vodca. Só estou tentando te ajudar a ficar de pé. — e novamente tentou pegar no braço de Aquário para puxá-lo para cima.
Ao sentir o contato do pisciano consigo, Camus enrijeceu o corpo todo na hora. Imediatamente começou a empurrar Afrodite de forma desajeitada e até desesperada, tentando se livrar dele a todo custo.
— NON! Saia! Saia daqui, seu viado, non me toque! Saaai! — gritava em desespero, se debatendo contra o pisciano — Non quero contratar seus serviços. Non encosta em mim! Já paguei para trepar com uma mulher… Non quero viado encostando em mim! Non paguei por você, non gosto disso!
Camus procurava com os olhos, mesmo que em meio aquela penumbra, por alguém ou alguma ajuda que pudesse tirá-lo da presença daquela criatura indesejável, porém tudo estava embaçado demais, confuso demais. Não sabia em que parte do Templo de Baco estava de fato e parecia não ter forças o suficiente para se livrar do pisciano. Em desespero começou a gritar.
— Seguranças! Socorro! Esse travesti está me agarrando… Argh, que nojo!
— Cala a boca, idiota! — dessa vez quem gritou foi Afrodite e bem na cara de Camus.
Peixes perdera de vez a paciência com aquele bêbado grosseiro e tentando se livrar logo dele o agarrou com força por debaixo dos dois braços e o levantou do chão com um só tranco, jogando Camus contra a poltrona vermelha ali do lado.
Enquanto dentro do quarto de Peixes os dois cavaleiros discutiam, ali no corredor, do lado de fora, uma figura loira muito bonita e toda sorridente caminhava a passos lentos. Era Misty de Lagarto, que havia acabado de sair de seu quarto, onde atendera ao homem que o comprara no leilão.
Tivera uma transa maravilhosa com o empresário grego e depois que ele saíra, Lagarto tomou um banho rápido e se vestira novamente para voltar ao salão.
Porém, quando passava em frente ao quarto de Afrodite ouviu gritos por socorro e parou olhando para a porta.
— Alguém chamando pelos seguranças? O quê está havendo aqui? — sussurrou para si mesmo e então, curioso que era, encostou o rosto na madeira e se espantou quando notou que a porta estava aberta.
Camus quando entrou no quarto não fechara a porta como deveria, mas apenas a encostou no batente. Misty então só precisou segurar na maçaneta para que ela não se abrisse totalmente e por uma frestinha espiou lá dentro, arregalando os olhos com o que viu.
— O bafão tinha que vir do seu quarto, né escamosa? Humm... Camus de Aquário! O que está fazendo ai, seu ruivo delícia? — sussurrou com a mão na boca. Estava tão surpreso quanto curioso.
Dentro do quarto, Afrodite começava a ficar muito irritado com aquele bêbado grosseiro.
— Senta ai e cala essa boca, Camus de Aquário. Você está descompensado, bêbado e chiliquento! — dizia nervoso — Eu não estou te agarrando coisa nenhuma, seu idiota. Eu estou tentando te ajudar! Quando você vai parar com essa mania de achar que eu estou dando em cima de você? Me poupe, picolé de vinagre! Ah, tá boa? Se enxerga! Você está bêbado e entrou no meu quarto!
— Pois saiba que non quero ajuda nenhuma de afrescalhado... Non preciso de ajuda. Eu sou macho. Homem! Non preciso de ajuda de gay! — cruzou os braços — E o único picolé aqui é você, Peixes… Fresco e com um pau enfiado na bunda! — soltou uma risada sonora, mas logo em seguida ficou sério novamente e encarou Afrodite nos olhos. Tinha uma expressão de nojo no rosto — Você non tem vergonha de usar essas roupas? Isso non são roupas de homem!
Inconformado, Afrodite revirou os olhos e deu as costas a ele, voltando até sua penteadeira, enquanto caminhava lentamente.
— Sabia que fica ridículo assim, Peixes? Nunca te falaram que você é ridículo? — continuava o francês.
Em silêncio, o sueco parou em frente à cama e puxou a tal cordinha do espartilho que tanto dera trabalho a Saga, retirando a peça despreocupado e a jogando sobre os lençóis de seda vermelha. Ficou apenas de calcinha de rendas, meias de seda e salto.
— Non posso entender como um homem pode gostar de ver uma bicha travestida assim, como você, quando pode pegar uma mulher de verdade! Você ouviu? Mulher de ver-da-de! — disse Aquário reparando na peça intima infame que o outro usava.
Afrodite então curvou-se para frente e apanhou o copo de whisky de cima da penteadeira e deu um gole generoso.
— Você é uma vergonha, Peixes! Um Cavaleiro de Ouro, vestido assim!... Non suporto nem ser visto perto de você! Você joga a imagem dos Santos de Atena na lama! Bicha nojenta.
Calmamente, Peixes pousou o copo na penteadeira e usando seu cosmo, criou uma Rosa Sangrenta entre seus dedos e num movimento muito rápido, virou-se de frente para o intruso e a lançou contra ele na velocidade da luz.
A rosa cortou o quarto e se cravou no estofado da poltrona, ficando presa bem logo abaixo do braço direito do francês. O caule da flor chegou a rasgar o tecido da camisa de Camus e as pétalas tocavam a pele de sua axila.
— Drogaaa! Errei! Mas que mira ruim eu tenho! — gritou Peixes em protesto, cruzando os braços e batendo um dos pés no chão.
— Mas o que? — gritou Camus arregalando os olhos assustado, pois vira a morte passar bem perto.
— Camus, ouça bem. Eu estou no meu quarto! Portanto, não vou a lugar algum! Quem tem que sair daqui é você! — caminhou até o francês na poltrona e ficou parado de pé na frente dele.
— Você está louco? Eu non vim para o seu quarto, seu viado. Você! Foi você quem me trouxe aqui, non é? Desista, já disse que non vou te comer. — vociferou e fazendo uma careta, se levantou da poltrona, ficando cara a cara com o sueco e cuspiu em seu rosto, que desviou por pouco — Eu tenho nojo de você!
— Cala essa sua boca, Aquário, que você já está me irritando! Quem disse que eu tenho algum interesse em você, seu pudim de cachaça! Já te disse que prefiro chupar um cano de chuveiro! — falou debochado e então começou a andar em volta de Camus, o olhando da cabeça aos pés, enquanto Aquário tentava a todo custo se manter de pé, tentando se equilibrar em seu próprio eixo — Sabe, Aquário… Estou começando a ficar desconfiado de que é você quem está me perseguindo. Primeiro você ficou debaixo da minha janela, ouvindo meus gemidos. Depois você disse que eu estava te agarrando no Salão do Grande Mestre, quando eu só estava de dando bom dia!
Camus tentava olhar para ele, mas tinha mesmo muita dificuldade em se manter ereto. Além da embriagues, a proximidade com Afrodite parecia lhe entorpecer ainda mais os sentidos. Seu nariz coçava e o francês tossia algumas vezes, sentindo-se meio que inebriado por aquele perfume de rosas tão intenso.
— Agora, Camus de Aquário, você aparece aqui, na minha suíte, como se fosse uma oferenda ruim rejeitada pelo mar e me ofende de todas as maneiras possíveis. Há alguma coisa nessa história muito mal contada! Era para você estar no quarto da Geisty e não aqui. —- parou bem em frente a Camus e lhe encarou novamente — Não me diga que errou o caminho de propósito!
— Que merda de cheiro é esse, Peixes? — perguntava, enquanto tossia algumas vezes — Eu non fiquei escutando nada na sua janela... Foi... você quem ficou berrando tão alto que me deixou acordado a noite toda... ontem. Tive dores de cabeça com aquela barulheira. Inferno! Por que toda bicha tem que gritar? É uma regra? — questionou Camus, encarando Afrodite.
— Se é uma regra eu não sei! Quer descobrir? — respondeu o sueco em tom provocativo.
Camus então fechou os olhos tentando se acalmar. Peixes tinha mesmo o dom de o deixar irritado.
— Vá a merda, Peixes! Só quero que me deixe em paz, que... — tossiu mais algumas vezes —... que ignore minha presença, que non chegue perto de mim! Vá dar a bunda para quem você quiser e me esqueça! Eu quero distância de você… e… isso non é coisa natural! É nojento e… degradante!
Afrodite não aguentava mais ouvir aquela ladainha homofóbica. Deixou Camus falando sozinho e foi até sua penteadeira novamente. Se olhou no espelho, ajeitou os longos cabelos azuis piscina os jogando para trás em suas costas, pegou uma presilha dourada, puxou a franja para trás e prendeu o cabelo.
Através do reflexo do espelho via Camus ainda resmungando algumas palavras. Então, pegou outra presilha, dessa vez com pedras vermelhas, puxou o cabelo para o lado e a prendeu num rabo de cavalo lateral.
Pegou então um batom vermelho da gaveta e passou nos lábios, mandando um beijo a seu próprio reflexo no espelho. Com o batom na mão, caminhou até Camus, cruzando o quarto lentamente.
O francês ficou meio incomodado, mas se calou subitamente ao notar Afrodite desfilando lânguido pelo cômodo — "Non adianta ficar ai tentando me seduzir, seu afrescalhado!" — pensava irritado.
— Então você odeia tanto assim os homossexuais, bichas, viados, como você diz, Aquário? — perguntou o sueco parando frente a Camus — Por quê? Quer dizer que, na sua cabecinha ruiva, se um homem usar calcinha, como esta aqui... — deslizou os dedos por baixo do elástico da lingerie que estava usando — ...ele deixa de ser uma pessoa honrada imediatamente? Só porque é uma peça feminina? E mulher por acaso não tem honra, Aquário? Se parecer com uma mulher é degradante por quê?
— ... — não houve resposta.
— Quanta bobagem, Camus de Aquário! Ora essa você é um homem, não é? Quer dizer que, se eu fizer isso… — Afrodite então retirou a presilha com pedras vermelhas de seu cabelo e bem devagar ergueu os braços na altura da cabeça de Camus, ajeitou a franja dele meio de lado e a prendeu com a presilha — Oh, veja, só! Combinou com seu cabelo! Me diga, agora. Sente-se menos homem, Camus de Aquário? Você deixou de ser homem porque está usando um acessório feminino?
— ...
Não houve resposta. Camus apenas olhava para ele em estado de choque. Pensou em tirar aquele objeto ridículo de seu cabelo imediatamente, mas por algum motivo inexplicável sentia-se incapaz de o fazer. Não tinha controle de suas funções. Sentia-se paralisado.
Como viu que Camus não regia, Afrodite foi mais além. Abriu o batom que trazia consigo, segurou no queixo do aquariano com uma das mãos, e encostou o cosmético nos lábios trêmulos, deslizando o batom lentamente, enquanto alternava o olhar entre a boca tingida de vermelho e o olhar hipnótico de Camus sobre si, que já estava prestes a tirar aquele enfeite ridículo de seu cabelo quando sentiu o toque arrebatador do batom em contato com sua boca. Suas pupilas chegaram a dilatar e ele não ouvia mais o que Peixes dizia. Estava completamente absorto pelo vai e vem do cosmético em seus lábios.
— Ah, olha só! E agora? — dizia Afrodite, enquanto ainda corria o batom de um lado para o outro — Não é que ficou uma graça! E não se preocupe. Eu não te droguei, não te envenenei, nem estou usando meu cosmo! É apenas batom! O mesmo que estou usando! — deu uma piscadinha para o ruivo e uma risadinha sapeca.
Ao lado de onde estavam havia uma enorme porta de espelhos, onde ficava o closet de Afrodite. Foi para onde Camus olhou quando o sueco terminou de passar o batom em seus lábios. Quando viu sua imagem refletida seu coração disparou!
Camus sentiu-se ridículo — "Mon dieu! Isso… isso é muita humilhação! Eu aqui no quarto desse… desse viado… e ele… me maquiando! Isso non está certo, non está! Vou congelar esse infeliz! Isso! Isso mesmo! Mas… por que… por que non consigo me mexer? Non consigo impedi-lo? Por quê? Por quê?" — pensava, num conflito angustiante que se desenrolava em sua mente.
Perplexo, Camus desviou o olhar de seu reflexo e olhou para Afrodite. Em seguida, baixou um pouco o rosto e desceu o olhar para a calcinha que ele usava, fixando naquele ponto sem nem ao menos piscar! Seu coração parecia sufocar sua garganta!
Do lado de fora do quarto, enquanto isso, Misty espiava a tudo pela fresta na porta.
— Até que para uma bicha esnobe e burra o Afrodite sabe dar uma boa lição! Vai lá machão, dê o seu chilique de hétero de batonzinho e fivelinha no cabelo agora! Hihihihihihihi! — sussurrou Lagarto, dando seu risinho tão peculiar e característico, depois mordeu o lábio inferior e continuou espiando.
Do lado de dentro, Afrodite não podia acreditar no que estava acontecendo. Em sua cabeça, Camus iria lhe dar uma bela surra, ou o iria humilhar como sempre fizera. Mas não! O francês não esboçava nenhuma reação.
Peixes ficou alguns segundos estático, olhando perplexo para o aquariano que parecia vidrado em sua calcinha. — "Aquenda o adé! Será que está olhando pro meu pau?" — pensava o sueco segurando o riso, porém, apesar de confuso, Afrodite era um garoto muito experiente, e já havia se deitado com todo tipo de homem nesse mundo, e aquele olhar de Camus lhe deu uma ideia ousada e ao mesmo tempo instigante.
— Você gosta dela? Da minha calcinha, Camus? — perguntou, passando os dedos por debaixo do elástico rendado.
Quando ouviu aquela pergunta, Aquário quase respondeu de supetão com um mecânico e instintivo "sim!", dito em alto e bom tom, e que somente não foi proferido porque a garganta do francês estava travada.
Ao mesmo tempo, em pensamento, Camus se questionava em desespero por que raios haveria de dizer que sim, que gostava da calcinha de Peixes. Olhou obcecado para os dedos de Afrodite correndo pelo elástico e naquele momento, junto com uma sensação angustiante de excitação, em algum lugar de seu cérebro lhe vinha à lembrança dos gemidos de prazer daquele cavaleiro que lhe tiraram o sono na noite anterior.
Gemidos altos, cheios de luxuria e arrebatamento.
Como novamente não houvera resposta, Afrodite então continuou com seu jogo perigoso. Levou as mãos para a parte de trás de seu pescoço e retirou a gargantilha de pérolas e diamantes que usava, esticando os braços lentamente e a colocando no pescoço de Camus, sem quebrar o contato visual com ele. Apertou o feixe e puxou os cabelos ruivos para trás.
Arrumou a joia e novamente analisou a fisionomia do aquariano.
Nenhuma reação novamente.
Afrodite seguiu retirando suas joias e as colocando em Camus. Anéis, pulseiras, até Aquário estar todo ornamentado com suas pedras preciosas.
Camus parecia tão perdido em seus devaneios que sentia seu corpo arrepiar a cada toque do pisciano com sua pele, enquanto lhe colocava as joias. Sentia um tremor que lhe acometia desde a nuca até a ultima vertebra da coluna e então quando Peixes dera um passo para trás, Camus novamente olhou-se no espelho ao lado e se assombrou com sua própria imagem.
Estava horrível!
Era um dos homens mais importantes e temidos da máfia russa e estava, ali, usando batom e adereços femininos!
— Agora sim! — disse Peixes com um sorriso — Está uma verdadeira princesa!
Camus estava prestes a arrancar toda aquela parafernália afrescalhada e socar aquela cara bonita de Afrodite até deixá-lo todo deformado, mas toda a vontade que tentava fazer emergir do âmago, caiu por terra quando ouviu Peixes o chamar de princesa.
A palavra, junto com seu reflexo no espelho lhe provocou um sentimento que para ele era muito difícil de lidar. Camus sentiu vergonha. Vergonha de sua imagem, e vergonha de estar excitado com ela.
Levou a mão com as pulseiras recém-colocadas ao próprios lábios, tentando escondê-los.
— O… o… o que você… está fazendo comigo? — disse num sussurro angustiado. Suas mãos tremiam e sua voz era quase inaudível.
No corredor, um Misty agachado na porta espiava.
— Ué? Não vai reagir, Camus? Parece até que está gostando de ser a bonequinha de luxo do Afrodite! Hum! Estou começando a duvidar da sua opção sexual, Camus de Aquário, o hétero irredutível! Hihihihihihihihihi! — sussurrava pra si mesmo como de costume.
Do lado de dentro do quarto, Afrodite não respondeu de imediato à pergunta do aquariano.
Se falasse algo poderia despertá-lo do transe em que ele próprio se metera e o sueco não queria isso. Estava achando divertida demais aquela situação.
Percebeu que em algum lugar da cabeça fria e calculista daquele francês, um pino talvez tivesse se afrouxando e não iria perder a oportunidade de usar isso a seu favor.
Cuidadosamente, pegou Camus pela mão e bem devagarinho conduziu o ruivo para frente do espelho de sua penteadeira. Fez o cavaleiro de gelo se sentar na banqueta e segurando em seus ombros ficou atrás dele.
Os dois agora se olhavam somente através de seus reflexos.
Hipnotizado por sua própria imagem, Camus só conseguia pensar no que aconteceria se alguém o visse daquela maneira. Caso saísse daquele quarto e encontrasse com algum conhecido estaria perdido! Morto, melhor dizendo.
Porém, o perfume inebriante de Peixes e o som dos gemidos dele ecoando em sua mente repetidamente, o deixavam ainda sem reação, como se o prendessem com elos invisíveis.
Olhava para o reflexo de Afrodite e imaginava o sueco gemendo daquela maneira escandalosa para si.
Peixes por sua vez, aproveitava o transe de Aquário para desabotoar sua camisa, enlaçando o ruivo com os braços. Delicadamente, puxou a peça pelas costas e a jogou no chão, se surpreendendo com as tatuagens em seu peito, símbolos exigidos por todos os membros da Vory v Zakone e que demarcava sua hierarquia na organização, como as rosas dos ventos, ou estrela de oito pontoas, nas extremidades do peito próximo aos ombros, e que indicavam seu alto cargo dentro da máfia.
No centro do peito do aquariano ainda havia um grande crucifixo, sem nenhuma imagem, porém com uma coroa de crânios na parte superior. Tatuagem essa, usada apenas pelos membros com maior influência. Na parte interna do bíceps direito, a cabeça de um jaguar com os dentes à mostra mostrava que Camus era um predador silencioso, ágil e hostil, e uma pequena rosa dos ventos no pulso indicava que ele entrara para a organização ainda muito jovem.
Camus fechou as mãos apertando as unhas contra a palma. Estava nervoso. Definitivamente Afrodite já estava passando dos limites. Respirou fundo e entreabriu a boca, mas emudeceu assim que sentiu o toque das mãos do pisciano descendo por seus ombros, o lançando mais uma vez naquele mar de sensações confusas.
Enquanto acariciava o francês, Afrodite esticou um dos braços e apanhou um babydoll rosa claro de tule e rendas que estava pendurado no cabideiro ao lado. Ergueu os braços de Camus, colocando suas mãos embaixo das axilas dele e começou a vestir a peça íntima no cavaleiro.
Os olhos de Aquário estavam praticamente colados no reflexo daquele babydoll no espelho. Uma corrente elétrica percorreu sua espinha, a saliva de sua boca secou imediatamente, seu coração disparou e suas mãos ficaram frias e trêmulas.
Foi então que seu conflito atingiu o ápice!
Nesse momento, a mente do francês fez uma viagem ao passado.
Em uma vivencia extremamente real, Aquário se via agora com cinco anos de idade, no que parecia ser um quarto de decoração simples e humilde. Tinha ambos os pés dentro de um sapato feminino de salto muito alto, o que fazia seus péizinhos pequenos escorregarem para a parte da frente, deixando um enorme espaço vazio no lugar dos calcanhares.
Estava vestindo um vestido branco simples, porém muito bonito, bordado com rendas e estava sentado em frente à uma penteadeira, onde olhava-se no espelho, enquanto brincava com um estojo de maquiagens.
Ria muito, se divertindo em passar todos aqueles produtos brilhantes e cheirosos em seu rostinho infantil, agora todo borrado. O cheirinho de morango do batom era delicioso e o pequeno ruivinho achava graça em dar beijinhos no espelho e deixar as marcas vermelhas borradas.
Falava sozinho e cantarolava uma canção em sua língua materna, enquanto escovava os cabelos ruivos que quase tocavam os ombros, quando de repente fora surpreendido por um homem enorme e muito forte que adentrara o quarto dando um tranco na porta, fazendo um tremendo estardalhaço e quase o matando de susto.
Quem era aquele homem? Era seu mestre? Seu pai? Não conseguia ver sua face, que nada mais era que um borrão, mas conseguia vivenciar com extremo realismo o momento em que ele, muito bravo, arrancou o vestido que usava com muita força, rasgando o tecido e depois esfregando o pano em seu rosto para limpar aquela maquiagem, enquanto vociferava ofensas, injurias e palavras de ódio contra si.
O homem só parou de ofendê-lo quando começou a lhe espancar, desferindo tapas, socos e chutes em todo seu corpo, até que não houve mais nenhuma lembrança. Devia ter desmaiado ou algo assim.
Alheio a todo aquele conflito interno do francês, Afrodite encostou a testa nas costas dele e respirou fundo para conter o riso. Depois, já mais calmo, deu um passo para o lado e pousou seu belo rosto no ombro direito de Aquário, o olhando novamente através da imagem refletida.
— Eu vou te dizer agora o que estou fazendo, Aquário. Eu estou te arrumando! Não entendeu ainda? — ajeitou o cabelo dele deixando uma mecha cair pelo lado da frente — Você gosta de me ouvir gritar, não gosta? Fica me chamando de ambulância, mas no fundo sei que você gosta! Você quer saber por que eu grito daquele jeito, Aquário?
Camus foi trazido de volta ao tempo presente quando ouviu a voz de Afrodite.
Conseguiu enxergar sua imagem no espelho e novamente era um homem adulto, vestido de calça social da cintura para baixo, mas usando o babydoll que havia visto nas mãos de Peixes. Nem tinha noção de como aquilo fora parar em seu corpo, mas sentia uma fisgada forte e prazerosa em seu baixo ventre ao vê-lo em si.
— Non... Non quero saber de nada! — falava com uma voz tão baixa que se Afrodite não estivesse colado nele não conseguiria ouvir — Non... non podem me ver assim. Non podem… — fechou os olhos quase sem fôlego. Aquela proximidade toda com o pisciano o estava enlouquecendo e para desespero total de Aquário, estava começando a ficar excitado.
Enquanto isso, ali no corredor, Misty observava a tudo com ambas as mãos sobre a boca.
— Oh! Por Hera, Zeus, o Olimpo todo... Eu conheço essa expressão! Céus! Ele tá excitado! Tenho certeza! Eu conheço esse olhar, seu safado!
Do lado de dentro, Afrodite terminava de ajeitar os lacinhos do babydoll de Camus, quando uma ideia maldosa se desenhou em sua mente.
— Não se preocupe, ninguém vai te ver assim, Camus! Somente eu. — disse manhoso, mas em sua mente perversa e vingativa o sueco pensava em vesti-lo da maneira mais ridícula que conseguisse e enxotá-lo a pontapés de sua suíte, o fazendo rolar escadaria a baixo de calcinha, babydoll e maquiagem, para que fosse humilhado na frente de seus capangas russos e também dos cavaleiros.
Camus sempre fora um homem arrogante e prepotente, sempre o tratara com grosserias e ofensas. Algumas vezes já até passara dos limites e partira para as vias de fato, lhe dando uma meia dúzia de socos na cara ou até mesmo usando seu poder contra si, como fez no Salão do Mestre. E tudo somente por não aceitar sua opção sexual.
Agora, Aquário estava ali, preso em uma rede invisível, sabe-se lá feita de quê, mas que com certeza Afrodite iria usar como sua principal arma.
Virou-se de frente para o francês, o puxou da banqueta e o conduziu até perto da cama. Sem mais delongas desabotoou suas calças e as puxou para baixo até os tornozelos. Viu que ele tinha mais duas tatuagens, uma em cada joelho, iguais as estrelas de oito pontas que exibia nas laterais do peito. Arqueou as sobrancelhas surpreso. Um lugar um tanto quanto peculiar para se tatuar, mas não tinha tempo a perder com isso.
Agachou aos pés dele e olhou para cima, para o rosto de Camus, que continuava inexpressivo e então esticou os braços e segurou em sua cintura, o puxando para baixo e o fazendo se sentar na beirada da cama.
Puxou uma perna, tirou o sapato e fez o mesmo com a outra perna e o outro sapato, até que por fim terminou de tirar as calças dele. Notou que Camus tinha pernas lindas, torneadas e muito fortes. Notou também que ele estava excitado. Gostou!
Deslizou as mãos pelas coxas dele com suavidade, fazendo uma carícia delicada, depois sentou-se no chão de frente para ele e retirou suas próprias meias de seda. Uma de cada vez. Sempre olhando para Camus e pronto para se defender de qualquer ataque repentino, porém o ruivo não esboçava a menor reação.
Depois de tirar as meias, Afrodite levantou uma das pernas de Camus e começou a vestir a peça nele, lentamente, até chegar ao meio da coxa, onde ficavam as rendas com um elástico bem fininho.
Vestiu a outra perna e então pegou o par de scarpins de salto agulha muito altos que estava usando e os calçou nos pés de Aquário com um pouco de dificuldade. Em seguida deu um pulo, se levantou do chão e puxou o francês pela mão, para que ficasse de pé também.
Camus já era mais alto que Afrodite e agora com os saltos o sueco batia em seus ombros, assim ficava fácil abaixar o rosto para esconder a risada.
E Peixes ria muito!
Estava quase tendo um colapso de tanto segurar uma gargalhada que estava prestes a sair. Mas respirou fundo, se controlou e olhou sério para Camus.
— Uau! Não fosse por um detalhezinho que ainda falta, estaria prontinho para me ouvir gritar! Diga, Camus, ainda quer me ouvir gritar? Vamos… vai ter que pedir!
Novamente aquela voz o despertara do transe. A cada toque de Afrodite, Camus travava uma batalha contra seu próprio organismo. Estava ficando muito excitado e muito envergonhado, mas o mais estranho era que um sentimento alimentava o outro!
Quando Peixes retirou suas calças, Camus não tinha mais como disfarçar o volume em sua cueca, o que causava nele um constrangimento sem tamanho, porém ao mesmo tempo sentia um tesão indescritível. Não sabia o motivo, mas ali, vestindo aquelas peças femininas, bêbado, na companhia de uma pessoa que repudiava e que lhe dava ordens, tinha vontade de… Do que tinha vontade, afinal?
Era essa justamente a questão! — "Oh, mon Dieu! Me ajude! Me ajude!" — clamava em pensamento, porém abriu a boca e dela saiu o pedido proferido em um tom rouco e aspirado:
— Oui, eu quero! Quero te ouvir gritar! — disse em sofrimento, nem se dando conta do que acabara de dizer.
Afrodite sorriu surpreso. Muito mais pela demonstração de submissão daquele cavaleiro, que sempre fora tão prepotente, do que pela satisfação de ouvi-lo dizer que sim.
Peixes levou a mão ao membro dele e olhando nos olhos de Aquário sorriu apenas com o canto da boca. — "Eu não acredito! O safado está de pau duro mesmo! Minha deusa! O que está acontecendo aqui?" — pensava incrédulo e quase caindo na risada, mas se segurou e continuou seu jogo.
Quando sentiu Afrodite apalpar seu pênis, Camus usou todas as forças que lhe eram cabíveis para não soltar um uivo de prazer e tesão. Quando ainda tentava se conter sentiu o pisciano lhe dar um puxão na cueca a deslizando para baixo até retirá-la e jogar para longe.
Imediatamente, tentou cobrir sua ereção com as mãos trêmulas, e ao ver, em seguida, Afrodite se ajoelhar à sua frente, Camus já esperava que ele fosse chupá-lo e aguardou ansioso, pois assim acabaria aquele tormento. Contudo Peixes se levantou logo depois, deu uns passos para trás, retirou a calcinha que usava, ajoelhou-se diante dele novamente e o fez dobrar uma perna de cada vez para vesti-la. Foi puxando a peça para cima até chegar no lugar onde deveria estar.
— "Mon Dieu, aie pitié de moi!" — (Meu Deus, tenha piedade de mim!) — rogou por ajuda quando sentiu Afrodite lhe vestir aquela calcinha infame e o tecido de renda se enterrar no meio de suas nádegas, lhe causando uma sensação deliciosamente torturante.
Perdido naquele mar de sensações confusas e desesperado, Aquário apenas fixou os olhos em Peixes, o vendo se afastar de si mais uma vez, com um sorriso no belo rosto.
Afrodite observava sua obra prima com olhos injetados em luxúria. Abriu os braços e bateu palmas três vezes, olhando Camus de cima a baixo!
— Voilà, monsieur, Camus! Agora sim! Está prontinho! — disse, em seguida apoiou uma das pernas sobre a banqueta da penteadeira e segurando em seu pênis, começou a se masturbar lentamente, ao mesmo tempo em que olhava para Camus — Agora venha aqui! Venha me agradar! Se você fizer direitinho e se eu ficar bem contentinho, eu grito para você!... Vamos, o que está esperando? Venha! Estou mandando!
Enquanto isso, ali no corredor, Misty já estava caído de bunda no chão há um tempo e nem sequer tinha notado.
— Que? Me chicoteiem que eu não ouvi isso! Mas... Que diabos está acontecendo com ele? — sussurrou por trás da fresta.
Estava eufórico, como uma criança na expectativa de andar na montanha russa.
— Está com vergonha, machão? Hihihihihihihi — ria divertido — Pela forja de Hefésto, olha o tamanho dessa ferramenta! Deuses! Vai lá, ruivinho, obedeça! — a boca de Misty chegava a salivar com aquela visão.
De volta ao interior do quarto de Afrodite, Camus olhava incrédulo para o sueco à sua frente se masturbando e lhe dando aquela ordem absurda. O ar parecia carregado e ele sentia-se sufocado.
— Afrodi… Afrodite… vous ne voulez pas… non… por favor… eu non… eu… — falou quase num sussurro.
Afrodite estreitou o olhar, o encarando com ar de superioridade, e fazendo um gesto com a mão lhe ordenou que se aproximasse. Nem estava mais tão espantado. Agora estava excitado e curioso para ver no que aquela papagaiada toda ia dar.
Olhava para Camus com um semblante severo, se é que conseguia demonstrar tanta rudeza sendo dono de um rosto tão delicado. Contudo, a postura que assumira de uma hora para outra o ajudou muito a cumprir o papel que desejava.
— Para de frescura e venha já aqui chupar o meu pau! Estou mandando! — disse em tom autoritário.
Camus sentiu suas pernas falharem de vez e então caiu de joelhos no chão.
Meio que engatinhando, com os olhos arregalados e arfante de medo pelo que estava prestes a fazer ali, o aquariano se aproximou lentamente dele. Não tinha noção do que estava fazendo, apenas sentia uma vontade inexplicável de tocar aquele homem à sua frente. Então, já frente à frente com Peixes, Camus ergueu as mãos tremulas e tocou em seu membro. Um toque nervoso, inseguro!
Tinha vontade de sair correndo dali, porém parecia estar pregado naquele chão, enraizado, até que desistiu de vez de enfrentar a si mesmo.
Sentindo-se humilhado, rebaixado, subjugado e sem forças para lutar contra sua própria vontade, ergueu o rosto, fitou com seus olhos avelãs os olhos azuis aquamarines de Afrodite, segurou no pênis dele com ambas as mãos e disse baixinho:
— Oui, papa! — colocou a língua para fora e deu uma lambida na glande, descobrindo aquele sabor novo e ficando ainda mais excitado.
— Oui, oui... je suis ton papa! — (Sim, sim, eu sou o seu papai!) — respondeu Peixes, que por ser amante das antigas divas da música francesas passou boa parte da vida ouvindo o idioma e por isso entendia e falava um francês até que fluente.
O sueco então passou as mãos pelos cabelos de Camus e arrumou a presilha que estava caindo, prendendo sua franja toda para cima, assim poderia ter uma visão mais privilegiada do rosto dele. Deslizou o dedo indicador pelo nariz de Aquário, dando leves batidinhas na ponta e disse com uma voz firme:
— E faça direitinho, senão papa vai ficar muito bravo com a princesa e vai castigá-la! N'est ce pas? — (Entendeu?) — segurou na nuca de Camus e forçou a cabeça dele contra seu pênis, o fazendo engoli-lo quase que por completo, enquanto ria em seu íntimo.
Do lado de fora, um certo francesinho loiro delirava com o que via.
— Oh meu Zeus! Taca um raio em mim agora! O que é isso que estou vendo? Camus, hétero é meu pau de saia, isso sim! Hihihihihihihi — sussurrava enquanto mordia os lábios. Desceu uma mão até o membro já latejando e começou a se tocar por cima do short de lycra que usava — Olha só... uma cadelinha ruiva! Que delícia, Camus, só falta uma coisa para ser perfeito! — deslizava a mão, agora por baixo do short, enquanto sua mente fez algo inesperado.
No lugar de Afrodite, Misty agora via a si mesmo, e se masturbava na mesma velocidade em que Afrodite impunha os movimentos da felação a Camus, imaginando o aquariano lhe dando prazer.
Dentro do quarto, Aquário já havia se entregado completamente. Era como se uma represa de sentimentos e sensações novas tivesse se rompido e ele agora se encontrava inundado de todas elas ao mesmo tempo!
Era tão humilhantemente prazeroso ouvir Afrodite falar consigo em francês e lhe dar ordens. E ainda tinha aquele cheiro arrebatador de rosas que exalava do corpo dele. De repente, sem se dar conta, já chupava o membro rijo do pisciano com avidez, enquanto ouvia os gemidos de Peixes, que para seus ouvidos eram como musica.
— Humm... assim mesmo, ma princesse... ma petite fille... — sussurrava o sueco.
— Je suis una petite princesse très mauvaise, mon papa! Je pense que je mérite la peine! — (Eu sou uma princesinha muito malcriada, papai! Acho que mereço um castigo!) — disse Camus, abandonando o membro de Afrodite apenas por uma fração de segundos, para logo abocanha-lo novamente, passando a língua devagar por toda a extensão, enquanto lançava um sorriso malicioso para o outro que o olhava de cima enfeitiçado.
— Shiii, não mandei você falar! Ferme la bouche! — (Cale a boca!) — Enquanto estiver com meu pau na sua boca não te autorizo a falar!
Camus fez que sim com a cabeça e continuou chupando. Com uma das mãos segurava a base do pênis de Afrodite e com a outra tocava a si mesmo por cima da lingerie.
Afrodite então segurou nos cabelos de Aquário com força, ditando o ritmo que queria, ao mesmo tempo em que movimentava os quadris para frente e para trás numa velocidade frenética, fodendo a boca do aquariano com ânsia, o fazendo engasgar por diversas vezes. Até que percebeu Camus se tocando e então parou. Tombou a cabeça para o lado e dirigiu um olhar frio e reprovador para o ruivo.
— Ah, que coisa feia! — disse e então retirou o pênis da boca dele e se afastou dois passos — Menina má! Menina feia! — lhe apontou o dedo indicador o repreendendo — Então você quer que te toquem ai? Venha cá, sua safada! — pegou no braço do aquariano o levantando do chão com certa violência e o jogou na cama de bruços.
Mal o francês caiu sobre os lençóis vermelhos, Afrodite levantou a saia do babydoll e imediatamente desferiu três tapas fortes nas nádegas grandes e redondas dele.
— Toma, toma, toma! Para aprender a fazer só o que eu mandar! Agora vire-se! Anda! — ditou autoritário a nova ordem.
Enquanto isso, Misty do lado de fora enlouquecia! Levou a outra mão até seu mamilo e apertou com força.
— Que maravilha deve ser bater nessa bundona redonda, heim... bate! Bate! Bate nele, bicha peixosa! Mostra quem manda! Ensine à essa cadelinha ruiva bons modos! — ordenava a Afrodite como se o sueco o pudesse ouvi-lo.
Estava delirando com o som dos tapas.
Dentro do quarto, Camus estava em completo êxtase. A cada tapa que levava, sentia-se mais excitado. Zeus, como era deliciosa a sensação daquele ardor na pele! Por isso, quando Afrodite lhe deu a nova ordem, Aquário não obedeceu, ao contrário, sendo guiado apenas por seus desejos e instintos, engatinhou até o meio da cama ficando de quatro, com o rosto apoiado no colchão e a bunda empinada. Então olhou para trás e encarou Afrodite nos olhos, enquanto arranhava de leve seu membro por cima da renda.
— Papa… Je n`ai pas encore appris la leçon! — (Papai… eu ainda não aprendi a lição!) — disse entre gemidos arfantes.
Afrodite por sua vez, estava tão envolvido naquele jogo que se sentiu contrariado de verdade, e se havia uma coisa nesse mundo que o deixava nervoso, era ser contrariado!
— Eu mandei você se virar! — bufou com raiva, mas Camus novamente não obedeceu.
Decidido, Peixes foi até sua penteadeira, abriu a gaveta e de dentro dela retirou uma mordaça de couro. Não faria as vontades do francês, faria sim as suas próprias vontades!
Pegou também um chicote pequeno, composto por um bastão encapado de couro e algumas tiras finas de uns dez ou quinze centímetros cada uma. Apanhou um frasco de lubrificante e voltou apressado para a cama, onde apoiou um pé e com um movimento rápido e bruto, agarrou os cabelos de Camus e o puxou para trás, o forçando a ficar ajoelhado sobre os lençóis.
Por alguns instantes, Aquário sentiu medo. Talvez tivesse ido longe demais com aquela brincadeira e imaginou que Peixes pudesse fazer o que quisesse com ele naquele momento, uma vez que na situação em que estava não sabia se conseguiria reagir.
E de fato não reagiu. Deixou que o pisciano lhe colocasse a mordaça, o sentindo amarrar com força a fivela em sua nuca. Em seguida seus cabelos foram agarrados sem piedade e sua cabeça chacoalhada com violência.
— Não aprendeu a lição? Papa ensina! Vai aprender que só vai falar quando eu mandar! — disse Afrodite, empurrando Camus contra os lençóis e o fazendo voltar a ficar de quatro.
Camus nem teve tempo de se ajeitar melhor na cama que uma primeira chicotada, forte e precisa, o surpreendeu, o fazendo soltar um soluço abafado. Arregalou os olhos e apertou os lenções com força, com ambas as mãos. Logo vieram as outras.
Muito experiente, Afrodite sabia exatamente como dosar a força empregada aos golpes, de maneira a causar mais prazer do que dor. Em sua cabeça, queria castigar Camus, humilhá-lo, machucá-lo, em uma vingança doce pelos anos de ofensas sofridas da parte dele, porém Peixes estava igualmente imerso no universo excitante daquele jogo erótico.
Nem se lembrava mais de seu verdadeiro propósito, que era vestir Aquário de mulher e jogá-lo escada a baixo no salão. Agora, a única coisa que sentia era um tesão maluco e alucinante por aquele cavaleiro.
— Sua menina malcriada! Papa está muito bravo com você, porque você é uma princesinha muito desobediente. — dizia enquanto desferia as chicotadas contra as nádegas do francês, levantando vergões na pele.
Camus abafava os gemidos sentindo sua pele arder mais a cada golpe. Queria apenas pedir para que ele parasse. Já estava de vez arruinado e Peixes agora poderia inferniza-lo o quanto quisesse para o resto da eternidade. Já o tinha conseguido destruir por dentro e tivera sua vingança.
Porém não pediu, e as chicotadas não pararam e por mais que estivesse destroçado por dentro e com lagrimas nos olhos, o tesão que sentia não diminuía em absoluto. Muito pelo contrário, só aumentava, sendo alimentado justamente pela vergonha e humilhação que sentia.
Depois de muitas chicotadas, Peixes lançou o chicote ao chão e continuou batendo nas nádegas dele com palmadas.
— Toma… você tem que aprender a ser uma dama, a ser obediente… A princesinha do papa! — dizia Afrodite, agora acariciando a pele avermelhada com beijos delicados — Agora pede para o seu papa te comer, vai! Tira isso da boca e pede! — disse por fim, debruçando sobre Camus e lhe beijando as costas.
No corredor, Misty de Lagarto tinha até as pupilas dilatadas em excitação.
— Oh, deuses! — sussurrava. Estava louco de desejo por Camus. Zeus como aquele ruivo era sexy! Estava totalmente perdido em seu delírio, achando que estava realmente no lugar de Afrodite, chicoteando e dando tapas na bunda do aquariano.
Dentro do quarto, caso no mundo existisse situação mais humilhante do que aquela para um homem sério, chefe de máfia e cavaleiro honrado como Camus, ele não tinha conhecimento.
Em cima da cama, de quatro, usando roupas femininas, amordaçado e ainda levando chicotadas e tapas de uma boneca como Afrodite.
Quando Peixes deixou clara sua intenção de fazer sexo com ele, Camus entrou em um colapso emocional e físico, que culminou em um vexatório orgasmo.
Com a calcinha toda molhada, o aquariano em desespero tentava conter os espasmos involuntários. Talvez Afrodite não percebesse e sua humilhação seria menor.
De costas para Peixes, tremulo e com o rosto tão corado que chegava a confundir com os cabelos, puxou a mordaça para baixo e disse, num fiapo do que seria sua voz:
— Papa... baise-moi, se il vous plaît! — (Papai, me coma, por favor!)
— O que? Não ouvi! Fala mais alto! — gritou Peixes, lascando outro tapa nas nádegas de Aquário, e então forçou o cavaleiro a fazer o mesmo pedido mais duas ou três vezes de propósito, até que satisfeito deu um apertão na cintura dele.
Camus se retraiu um pouco, mas não o suficiente para impedir Afrodite de tocá-lo no meio das pernas e perceber que ele havia gozado, pois quando enfiou a mão por dentro da calcinha, sentiu o tecido todo molhado. Deu uma risada alta e sonora.
— Ora veja só! A princesa do papa ficou muito feliz com o castigo! — puxou Camus pelo ombro, o virou de frente para si e o deitou de costas na cama.
Abaixou a calcinha dele até os joelhos e passou a mão pelo membro meio flácido e todo melecado.
Aquilo foi o ápice da humilhação para o ruivo. Será possível que teria mais?
Foi quando Afrodite se levantou da cama e lhe deu outra ordem, e dessa vez fora um comando que soou extremamente familiar aos ouvidos do francês.
— Agora levanta, vire-se de costas, ponha as duas mãos sobre o colchão e abra bem as pernas. — pegou o frasco de lubrificante, já despejando um bom tanto em seus dedos. — Vamos princesa, o que está esperando? Eu não tenho a noite toda para você! Você é surda, por acaso?
Assim que ouviu aquela frase saindo da boca de Afrodite, Camus paralisou!
O sangue em suas veias parecia não circular direito. Seu coração falhava algumas batidas. Sentia as extremidades do corpo formigarem, ao passo que o ar simplesmente não entrava em seus pulmões.
Parecia ver Geisty diante de seus olhos executando a mesma ordem horas antes. Não sentiu remorso. Na verdade não conseguia sentir mais coisa alguma. Era como se ali não existisse mais o Camus que sempre fora. Morrera em algum momento sem sequer se dar conta, ou no exato momento quem que Peixes o encontrara caído no chão de seu quarto.
Humilhado e derrotado, Aquário se levantou e ficou na posição que Afrodite mandou. Nada mais importava para ele. Fechou os olhos e esperou pelo pior.
Peixes então deslizou as mãos pelas nádegas redondamente grandes, segurou firme na carne macia e as afastou. Depois, se ajoelhou no chão e lentamente, com muita delicadeza, iniciou um beijo grego demorado, circulando a língua em torno da pele quente e macia, explorando toda a região com uma habilidade admirável.
Vez ou outra dava uma lambida lânguida no períneo, sentindo Camus contorcer o corpo e deixar escapar um gemido, então forçou a língua para dentro dele, se deliciando com a maneira como o corpo do ruivo se retraia todo com a nova experiência.
Camus por sua vez, fora totalmente surpreendido por aquela carícia.
Esperava que a cena de horas antes no quarto de Geisty fosse se repetir com ele. Era a chance perfeita para que o Santo da constelação de Peixes lhe fizesse sofrer a pior de todas as humilhações de sua vida. Seria o castigo merecido programado pelos deuses pelo que fizera com a amazona, porém jamais imaginou que Peixes fosse ser tão delicado consigo. Não esperava por aquela língua morna, molhada e hábil que passeava pelo meio de suas nádegas e invadia sua intimidade daquela forma. Soltou uma lufada de ar, abrindo os olhos em êxtase.
— A… Afro… dite! — sussurrou e foi tudo que conseguiu fazer sair de seus lábios, enquanto sentia todo seu corpo pegar fogo.
Aquilo era simplesmente delicioso! Sentia muita vergonha do modo como Afrodite conduzia aquelas carícias, mas como conseguir resistir e pensar em algo que fosse, com aquela língua atrevida e habilidosa entrando em si?
Peixes por sua vez, delirou ao ouvir a voz do aquariano dizer seu nome em êxtase e intensificou ainda mais os estímulos. Passou mais alguns minutos naquela carícia até que levou um dedo melecado de gel até lá e o introduziu com cuidado.
— Ah… Dieu! — gemeu o francês, quando sentiu o dedo do pisciano em si.
Estava enlouquecendo com aquilo e tentava se controlar para não gritar de prazer. Tinha passado a vida inteira maldizendo os viados escandalosos e ali estava ele, tendo dificuldades para conter seus próprios gritos, enquanto Afrodite lhe estimulava, mal conseguindo acreditar nas sensações que seu corpo lhe transmitiam.
Afrodite sabia muito bem que Camus de Aquário, por ser tão machão e hétero convicto, nunca fizera sexo anal antes, além do fato de que ele estava ali por algum motivo extraordinário.
Peixes tinha um raciocínio muito peculiar. Achava que pudesse ter caído em um buraco de minhoca atemporal ou sofrido um golpe de Saga e sido jogado em uma dimensão paralela, porque tudo aquilo era muito surreal! E mais surreal ainda era o sentimento de compaixão que começava a se desenhar em sua mente.
Por alguns minutos olhou para aquele homem totalmente a mercê de seus caprichos perversos e teve vontade de parar, vesti-lo dignamente com suas roupas e manda-lo embora simplesmente. Porém não conseguia. O francês estava tão submisso e fragilizado que Afrodite não podia mais pensar em fazer mal a ele. Queria lhe dar prazer e queria ter prazer com ele.
Prazer! Certamente um sentimento bem mais sublime que vingança.
Pensando nisso, Afrodite curvou o corpo para o lado, esticou o braço até a penteadeira de onde apanhou uma camisinha. Rasgou a embalagem com os dentes e rapidamente a colocou. Retirou o dedo com o qual preparava o francês e com muito cuidado começou a penetrá-lo, sentindo que ele estava muito tenso ainda.
Forçou um pouco mais, porém bem devagar, até conseguir vencer a barreira imposta pelo corpo do aquariano e entrar até quase a metade. Esperou Camus se acostumar com aquele volume grande dentro dele e então forçou mais um pouco, despejando mais lubrificante sobre seu pênis até conseguir entrar por completo, se enterrando dentro do cavaleiro.
Para Camus, a sensação era muito estranha. A dor que sentia, se intensificava pela vergonha, porém ambas tornavam o ato ainda mais prazeroso. Em seu intimo se perguntava como aquilo era possível. Sensações tão ambivalentes.
De qualquer modo, Camus não conseguia desassociar esse prazer que sentia ao fato de estar tão submisso e entregue ao outro cavaleiro, como jamais esteve na vida.
Sexo, para Aquário, era algo, até então, mecânico, como escovar os dentes ou tomar banho e não aquele mar de sensações que lhe deixavam arrebatado.
Já Afrodite sentia-se pleno de prazer com aquela sensação do corpo do outro esmagando seu membro, sugando, pressionando.
Camus ainda tentava se conter. Foi quando Afrodite começou a gemer.
— Aaaaaaaaaaaaahh… ma petite fille! — (Minha menininha!) — gritou em êxtase o pisciano, e então começou a se mover lentamente, puxando o quadril para trás, quase saindo por completo para depois empurrar de volta, iniciando um vai e vem cadenciado e delicioso — Aaaaaahhh... que delicia, Camus! Aaaaaaahhh... é assim que você gosta, princesse du papa?
— Oui, papa… ce est ... ce est comme ça que je aime! Gémissements à moi, papa? — (Sim, papai, é assim que eu gosto! Geme para mim, papai?)
Atrás da porta, espiando pela fresta, Misty de Lagarto se via ali, se enterrando bem devagar nas carnes macias do aquariano.
— Aaaaaaaaah…! Que tesão é essa sua bundona redonda, heim, Camus! Tão apertadinha! Você é virgem? Bem… agora não é mais! Hihihihihihihihihi! — delirava, absorto em seus pensamentos, enquanto se masturbava.
Suado e arfante, Misty parecia mesmo estar penetrando Camus. Não podia gemer então fazia de conta que os gemidos de Afrodite eram os seus próprios. Quando Camus começou a gemer despudoradamente só queria que Afrodite começasse a foder aquele homem com força. Em seus pensamentos, Misty gritava mil xingamentos contra Peixes e toda aquela paciência irritante que ele tinha com o francês.
Mas dentro do quarto, Afrodite se mantinha paciente. Delirava com aquele homem que tinha totalmente sob seu domínio.
— Ah...oui... je sais que vouz aimes mes gémissements, Camyyy! — (Sim, sei que você adora meus gemidos, Camy.) — dizia o pisciano, enquanto penetrava Camus, ora com mais força, ora mais lentamente, entrando quase por completo para depois retirar todo o pênis de dentro dele e colocar de novo, recomeçando as estocadas firmes.
Segurou nos quadris dele, enfiando as unhas na pele alva e sardenta o puxando para trás para se arremeter com força dentro dele, soltando uns gemidos mais altos e escandalosos.
— Aaaaaaaaaaaaaaaaahh… que delicia, Camus! Aaaahhh… rebola, princesa… vai… empina essa bundona gostosa para o seu papa! — delirava, já o penetrando com mais força.
Camus por sua vez, não conseguia se controlar. As investidas agora eram muito fortes e se via falando absurdos em sua língua mãe. Palavras que nunca acreditou ser capaz de pronunciar:
— Oh, oui ... je aime me baiser comme ça, papa. Oui… oui... plus fort... plus fort! *(1) — gemia, quase gritando, enquanto empinava a bunda.
Depois de um bom tempo nesse ritmo frenético, Peixes debruçou sobre as costas de Aquário, deslizando suas delicadas mãos pelo peito forte dele, desceu uma pela barriga até chegar ao membro enrijecido novamente, onde segurou com força. Sorriu em êxtase ao contato!
— Hmmmmm, veja só quem acordou! — deu um beijo na orelha do aquariano, seguido de uma mordida na nuca, depois voltou a se erguer na cama, ficando de joelhos. Deu mais meia dúzia de estocadas bem fortes e então saiu de dentro dele, pronto para dar a próxima ordem.
— Vamos, deite-se de bruços na cama, princesinha *plaft* — desferiu um tapa no traseiro do francês.
Camus nem sequer questionou, engatinhou até o meio da cama e se deitou de bruços como o sueco mandou. Levou uma das mãos para trás, segurou em sua própria nádega e a puxou para o lado. Ergueu o pescoço, olhou por cima de seus ombros, deu um sorrisinho sapeca para o sueco e disse:
— C'est ainsi, papa? C'est ainsi qui veut mon papa? — (Assim, papai? É assim que meu papai quer?)
Afrodite observava mordendo os lábios de tesão. O que era aquele aquariano machão, até então, em sua cama? Camus era fogo puro!
Sem demora, o pisciano subiu na cama e se posicionou sobre ele, puxou seus cabelos ruivos com força para o lado, expondo sua nuca onde deu outra mordida. Em seguida, levou uma mão à boca dele e o fez chupar seus dedos, enquanto voltava a penetrá-lo, agora com mais força.
— Ja... min kära... — (Isso, assim que eu gosto, minha querida!)
O pisciano estava tão louco que falava em sua própria língua sem perceber. Segurou nos dois punhos de Aquário e puxou seus braços para trás das costas, prendendo os pulsos com uma mão enquanto puxava o cabelo dele com a outra.
Imobilizado, Camus só se mexia pelos trancos violentos que Afrodite lhe dava ao penetra-lo enlouquecidamente, feito um animal no cio.
— Aaaaaaahhh… aaaaaahhh… aaaaahhhh… mmmmm… que delícia você é, ma princesse! Princesse du papa! Aaaaahhh…. – gemia, levando Camus a loucura com seus gritos e delirando ao ver o corpo dele sendo chacoalhado daquela forma.
Aquário naquela altura faria tudo que Peixes lhe mandasse, somente para que o sueco continuasse o fodendo daquela maneira delirante, enquanto lhe presenteava com os gemidos que tanto o instigavam.
— Aaaaaahhh… vire-se, vire-se de frente! Anda! — ordenou o sueco quase gritando, saindo de dentro dele novamente e esperando Camus obedecer sua ordem.
O francês de imediato se virou, deitando de costas na cama e já abrindo as pernas, então Afrodite imediatamente se colocou no meio delas, segurou em seu próprio pênis e o penetrou de uma vez, dando um tranco forte e fazendo Camus soltar um grito.
O rosto de Aquário estava em chamas e ele se sentia entorpecido, tamanho sua excitação. Porém, naquela posição, encarando o rosto do sueco que o olhava nos olhos sem o menor pudor, enquanto o fodia com uma força descomunal, Camus sentia-se humilhado como nunca.
A verdade era que tudo em Afrodite o desconcertava. O cheiro de rosas que exalava de seu corpo, o balançar dos cabelos azuis tão claros, o rosto incrivelmente andrógeno, o corpo trabalhado e... a voz!
Ah, o que era a voz de Afrodite de Peixes! Sentia-se hipnotizado por ela, como um marujo preso nos encantos do canto sedutor de uma seria!
Chegou a pensar que Peixes o tinha enfeitiçado, mas sabia que seu cosmo gelado reagiria às toxinas dele as bloqueando instantaneamente antes que pudessem atingi-lo. Caíra em seu canto e cedera a seus encantos sem nenhum tipo de truque, além da peça que sua própria mente lhe pregara.
— Isso, seu viado enrustido, safado… Olha para mim! Olha, Camus... Aaaaaahhh... Então é isso, né! Você adora um macho, não é, minha princesa? — dizia aumentando o ritmo da penetração ainda mais, chocando seu corpo contra o dele de forma ruidosa — Está gostoso? Me diz se está gostoso! — provocava, enquanto passava a mão pelo rosto suado de Camus, que somente afirmava que sim com a cabeça.
De repente, Aquário virou o rosto para o lado, quebrando o contato visual com ele, pois sentiu vergonha pelo que iria fazer e então levou uma mão ao seu próprio membro e começou a se masturbar no mesmo ritmo das estocadas violentas que Afrodite lhe dava.
— Baise-moi, Aphrodite! Aaaaaaaaaaaaaahhh… Baise-moi comme jamais auparavant… Aaaahh… oui… Joui à l'intérieur de moi, papa!... Donne-moi votre sperme chaud! Je veux, Aphrodite!... Oui aaaaaaaaaahhhh… *(2) — gritava alucinado, enquanto se tocava em frenesi.
Não tardou muito para soltar um gemido alto e rouco e se derramar novamente, tendo um orgasmo delicioso.
Do lado de fora, um certo cavaleiro de prata espião ia a loucura!
Misty estava extasiado. Seu corpo quente se arrepiava todo e seus músculos tremiam involuntariamente. Havia atingido o orgasmo quase que ao mesmo tempo em que Camus e estava até um pouco zonzo ainda.
— Pelos deuses! O que acabou de acontecer aqui? Isso foi real? Eu preciso ter esse ruivo só pra mim! Hmmm... — só depois de alguns minutos que foi notar o chão completamente melado. Tirou um lenço do bolso do casaco de peles que estava jogado atrás de si e limpou. Ninguém podia saber que ele estivera ali, por isso não podia deixar vestígios.
Dentro do quarto, Afrodite gemeu alto e sentiu seu coração acelerar ainda mais quando viu Camus gozar novamente, enquanto gritava obscenidades — "Ah, é disso que ele gosta! É um sujo mesmo! Camus… você é um sujo!" — pensou, divertido e instigado, fechando os olhos com força. Estava para explodir de prazer.
Foi justamente nessa hora que perdeu de uma vez por todas o medo que ainda sentia de uma reação abrupta e violenta de Aquário e sem mais se conter, debruçou-se sobre ele tomando sua boca num beijo avassalador!
Foi com imensa surpresa e satisfação que Camus recebeu a boca de Afrodite na sua. Os lábios do sueco eram quentes, saborosos, doces! Ser beijado daquela maneira logo após o gozo arrebatador que acabara de ter foi como um pressente divino!
Instintivamente resfriou um pouco sua temperatura, causando um choque térmico entre as línguas, para também não ser afetado pelo veneno na saliva dele e então se entregou àquele beijo como se precisasse dele para viver. Enlaçou Afrodite com os braços, o apertando contra si e acariciando suas costas com urgência, apertando a pele macia com as pontas dos dedos.
Peixes por sua vez, sugava os lábios macios do francês com lascívia. Serpenteava a língua dele com a sua, sentindo sua boca meio que dormente pelo frio. Porém a sensação era arrebatadora, um misto de calor e frio que tornava os lábios de Camus únicos! Sentia um arrepio na nuca e tinha que terminar logo com aquilo ou iria enlouquecer.
Saiu novamente de dentro dele, pulou da cama às pressas, abriu a gaveta da penteadeira, pegou um vibrador rosa enorme em formato de pênis e pulou na cama de volta.
Ajoelhou-se no meio das pernas do ruivo o fazendo abri-las bem, então ergueu uma delas, a apoiando sobre seu ombro. Lubrificou o vibrador e com muito cuidado o introduziu em Camus, empurrando para dentro, enquanto prestava atenção nas expressões que ele fazia, delirando de prazer ao ouvi-lo gemer e fechar os olhos.
Desceu a perna de Aquário e ligou o aparelho, então se colocou de pé sobre o colchão de frente para Camus. Retirou a camisinha a jogando no chão e voltou a se masturbar com movimentos cadenciados e em ritmo acelerado.
— Vai princesa... diz que sou bonito! Dit que ton papa est très beaou… — (diz que seu papai é muito lindo) — Aaaaaaaaaah... diz, sua menininha safada!...
Ainda trêmulo, Camus ergueu o tronco da cama, apoiou os cotovelos no colchão, ficando meio sentado e sentindo o vibrador se enterrar ainda mais em si.
Com o rosto bem próximo ao pisciano, Camus olhava ora para o membro de Afrodite, ora para seu rosto tão lindo e então, do jeito mais safado que conseguiu, enquanto mordia os lábios provocando o outro, disse com voz rouca:
— Mon père est très beau... Oh, oui! Le plus beau de tous! Hmm... Papa a un bite délicieux! — (Meu papai é lindo… Oh, sim! O mais lindo de todos! Humm… E papai tem um pau delicioso!) — deu uma lambida lenta no pênis de Afrodite, depois sorriu e olhou para ele, enquanto o pisciano continuava a se masturbar vidrado.
Do lado de fora ouvia-se um sussurro muito baixo.
— Isso Camus! Diz que eu sou bonito, diz! Mas fala mais alto! Não estou te ouvindo direito! — Misty sussurrava atrás da porta, enquanto lambia os lábios de tesão.
Porem, o verdadeiro dono dos elogios os ouvia em alto e bom tom e eles soavam como música aos ouvidos de Peixes, que sofria espasmos de prazer.
Para Afrodite não havia nada no mundo que o deixava mais excitado do que ouvir um homem exaltando sua beleza! Tombou a cabeça para trás e de olhos fechados, gemia alto:
— Aaaaaaaaah siiim! Aaaaaahhh... seu viado safado... sim... Eu sou o homem mais lindo desse mundo!
Camus concordava com a cabeça, sem tirar os olhos do membro de Afrodite.
— Oui! Vous êtes le plus beau de tous! Laissez-moi avaler tout, papa? Votre petite princesse a soif! Je veux ton lait! *(3) — sussurrou lambendo os lábios.
Quando ouviu aquele pedido, Afrodite olhou para Aquário, sorriu e segurando bem na base de seu membro, começou a bater com ele no rosto daquele ruivo maluco.
— Abre a boca, vai abre bem essa boca! — disse afoito e então agarrou nos cabelos dele novamente e o fez chupar seu membro, para finalmente gozar dentro da boca do aquariano em jatos quentes e abundantes.
— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhh… siiim... engole tudo, seu puto! Aaaahh… Camus! — gritava, jogando a cabeça para trás e projetando o quadril para frente.
Camus vibrou intimamente vendo o sueco ter aquele orgasmo. E como foi bom senti-lo gozar em sua boca! Experimentar com toda a sensibilidade da língua o caminho que o sêmen percorria por debaixo da pele fina do membro dele até se esparramar em sua garganta. Fora uma experiência incrivelmente prazerosa para Camus de Aquário, que engoliu tudo o que pôde, mesmo nem sabendo ao certo o que estava fazendo e nem porque estava fazendo aquilo.
Afrodite só soltou os cabelos ruivos quando teve o ultimo espasmo, então dobrou uma perna e colocou o pé no meio do peito de Camus o empurrando contra a cama, para literalmente se jogar por cima dele exausto, arfante e todo suado.
Ainda teve um fiapo de energia para erguer a cabeça e beijar a boca do aquariano mais uma vez, provando seu próprio gosto.
Camus de novo mergulhara naquele beijo com toda sua alma. Somente agora percebia o quanto estava cansado, esgotado, para ser mais exato.
O efeito do álcool já estava bem mais ameno, porém ainda sentia-se inebriado. Além disso, acabara de ter uma noite completamente insana, com direito a três orgasmos.
Afrodite por sinal tinha se segurado tanto para ter o máximo de prazer possível naquele jogo que quando chegou ao clímax foi como se todas as suas energias tivessem deixado seu corpo de uma só vez e o orgasmo tivesse drenado toda sua força vital!
Imediatamente sentiu muito sono e tudo que conseguiu fazer foi se esgueirar para o lado, ficando somente com a cabeça sobre o peito de Camus. Passou um braço pelo tórax do aquariano, lhe dando um abraço, jogou uma perna por cima da perna dele e aninhou-se ali mesmo.
Camus, ainda ofegante, trêmulo e confuso, esperou Afrodite se aninhar em seu corpo e então o abraçou o mais forte que conseguia, puxando a cabeça do pisciano para perto da sua. Afundou o rosto naqueles cabelos tão perfumados, aspirando o cheiro delicioso daquele homem. Fechou os olhos e enfiando os dedos por debaixo dos fios azuis piscina, fazendo uma carícia delicada e terna, disse num sussurro quase inaudível:
— Je vous ai toujours envié, Aphrodite! — (Sempre o invejei, Afrodite!) — não sabia se o cavaleiro de Peixes o ouvia, o fato era que Camus tinha feito essa confissão mais para si mesmo que para Afrodite.
Peixes só conseguiu ouvir um murmúrio que não compreendeu ao certo e antes que mergulhasse completamente no mundo dos sonhos respondeu baixinho:
— Boa noite, Camus! — beijou o peito do francês, que a essa altura já dormia profundamente, sonhando com os momentos vividos há pouco.
No corredor atrás da porta, Misty os observava atento e mais calmo. Tendo se passado alguns minutos, teve uma ideia muito louca, enquanto olhava as peças de roupas dos dois cavaleiros de ouro espalhadas pelo chão.
— E se eu pegar a cueca dele pra mim? Será que ele vai dar falta? Não... não vai não! Hihihihihihihi. — abriu lentamente a porta e foi engatinhando para dentro do quarto, se esgueirando feito um felino, até que chegou à peça íntima do aquariano jogada no chão e a agarrou com rapidez, temeroso que algum deles acordasse e o pegasse no flagra. Deu uma boa olhada no quarto de Afrodite, o qual era todo decorado em estilo vitoriano, com muitas rosas em vasos suecos de porcelana.
— Hum… que péssimo gosto, escamosa!
Ficou de joelhos, levantando o tronco para cima para poder olhar para os dois dormindo como pedras.
— Já para homens você tem bom gosto até demais!
Sentindo uma pontada de inveja e vendo que estavam mesmo apagados, resolveu levantar-se. Chegou bem perto de Camus e sentiu ímpetos em tocá-lo, mas desistiu e apenas pegou uma mecha de seu cabelo e cheirou, fechando os olhos e gravando bem aquele cheiro único e delicioso do francês.
— Humm… delícia! — abriu os olhos e olhou para Aquário adormecido na cama — Você será meu, boneca! Hihihihihihi. — soltou a mecha de cabelo, afastou-se lentamente da cama e saiu andando, languido e vaporoso, tão leve quanto uma pluma, enquanto metia a cueca boxer de Camus no rosto para cheira-la.
Nem voltou para o salão. Foi direto para seu quarto. Aquela noite já tinha lhe rendido emoções suficientes!
Quando o dia amanheceu, Camus sentiu a claridade incomodar seus olhos.
A janela do quarto de Afrodite estava com as cortinas abertas e um raio de sol batia bem no rosto do francês. Camus se remexeu um pouco na cama e sentiu sua cabeça pesada. A boca tinha um gosto horrível e estranho, meio rançoso.
Ao tentar se virar para o lado, sentiu seu corpo todo dolorido, como se tivesse levado uma surra. Incomodado, mexeu as pernas e então sentiu um incomodo grande entre suas nádegas. — "Mas que… que diabos?" — pensou assustado, enquanto abria os olhos já mais acostumados com a claridade. Piscou várias vezes para conseguir enxergar ao seu redor, quando percebeu que estava em um quarto que obviamente não era o seu, e também não era o quarto da amazona de prata.
— Dieu saint! — resmungou baixinho, agora de olhos arregalados.
Devagar, e com medo do que poderia encontrar, baixou a cabeça olhando para seu peito e encontrou uma cabeleira azul piscina esparramada em cima de si. Ouviu Afrodite ressoar tranquilo enquanto dormia e derrubou novamente a cabeça no travesseiro aterrorizado!
Então se lembrou da noite anterior imediatamente e seu coração disparou! Tinha bebido muito, sim, mas infelizmente não o suficiente para lhe tirar a memoria.
Ali deitado, com Afrodite dormindo tranquilo em seus braços, Camus se pôs a reviver toda a imensa loucura que fizera na noite anterior. Precisava ir embora, isso era certo e o quanto antes!
Levantou a cabeça mais uma vez e o mais delicado que conseguiu tentou retirar o sueco de seus braços para deita-lo ao lado na cama.
Quando executava esse movimento, sentiu novamente um incomodo grande entre suas nádegas, agora bem mais forte.
— Mas que merda é essa? — disse em tom normal, já levando a mão ao traseiro. Estava tão nervoso com aquilo que nem se lembrou de fazer silêncio — Non é possível!
Completamente horrorizado, Camus retirou o vibrador rosa de dentro de si, fazendo uma careta enquanto o puxava, e ficou alguns minutos olhando absorto para aquele objeto.
Estava atônito! Como pode dormir com aquela coisa dentro de si e nem perceber? Pior ainda! Quando aquilo foi parar ali?
Irritado, jogou longe o vibrador e se sentou com cuidado na cama, buscando com os olhos suas roupas que estavam espalhadas pelo chão.
Atrás ele, Afrodite, ainda muito sonolento, inconscientemente se remexeu nos lençóis vermelhos passando as mãos por debaixo do travesseiro e virando-se de lado para voltar a dormir. Encolheu as pernas e esfregou o rosto na fronha. De repente, teve uma sensação estranha que o fez entreabrir os olhos por um instante. Foi quando viu um vulto sentado de costas.
Ainda com os olhos semiabertos, tentou formar a imagem. Cabelos longos, lisos e vermelho cobre... Só podiam ser de uma pessoa naquele lugar. Mas estava de babydoll? Será que estava delirando?
Foi quando como um relâmpago as imagens e as lembranças da noite anterior vieram à sua mente. Então arregalou os olhos e seu corpo estremeceu. — "Minha deusa, tô morto!" — pensou, com sua alma já querendo deixar o corpo que certamente sofreria as consequências da fúria do aquariano.
Camus sentiu quando Afrodite se mexeu na cama atrás de si. — "Merde... ele está acordando! O que eu faço?" — pensou. Não teria coragem de encarar o sueco, principalmente depois dos absurdos que disse e que fez!
Sentia-se sujo!
Devagar e ainda de costas, tirou as joias, a presilha do cabelo, as meias de seda e o baby-doll, deixando tudo muito organizado e arrumadinho na beirada da cama ao seu lado.
Então Camus fechou os olhos e respirou fundo. Apertando as duas mãos no colchão. Resolveu que era hora de dizer algo. Inventar que não se lembrava de nada por causa do álcool e que não estava consciente não iria convencer.
— Peix… digo… Afrodite. — não sabia por onde começar. Achava que no mínimo deveria chamá-lo pelo nome. Então puxou o lençol se cobrindo, pois estava envergonhado pela sua nudez.
— … — não houve resposta.
Afrodite continuava imóvel. Deitado ainda na mesma posição, de lado, com as mãos embaixo do travesseiro e as pernas dobradas, a única coisa que mexia eram os enormes olhos azuis claros, que estavam arregalados e fixos em Camus.
— Olha… Afrodite... eu… eu… — Aquário tentava ainda dizer algo.
— …
Peixes achou estranho o fato de o francês chamá-lo pelo nome, já que nunca o fizera antes, sempre se dirigindo a ele como Cavaleiro de Peixes, ou mesmo pelos nomes carinhosos que Camus tanto gostava de chamá-lo, como bicha, viado, marica, afrescalhado e outras coisas do tipo.
Percebeu o quanto Aquário estava encabulado naquela situação. E com toda razão, já que tiveram uma noite bem fora do comum. Uma pontada de compaixão tomou seu espírito e ele conseguiu enfim desembargar a voz.
— C-Camus... Se eu me mexer e me sentar ai do seu lado... você vai me por num esquife?
— Non! Nunca! Eu... Claro que non. — respondeu o aquariano imediatamente, logo se virando para trás, para olhar para o pisciano e assim seus olhares se encontraram mais uma vez.
Novamente ficou calado, pois o que iria dizer para ele? Que estava arrependido? Que foi um erro? Falaria que estava bêbado e que o outro se aproveitou de seu estado e o induziu a fazer todas aquelas coisas?
Aquário não falaria nada disso, pois em seu interior sabia que tinha adorado a experiência. Tinha se deliciado com cada palavra que dissera e que ouvira, e com cada toque de Afrodite.
Contudo, em sua mente agora totalmente racional, Camus sabia e considerava tudo o que fizeram bizarro demais e acima de tudo, errado! Portanto estava decidido. Esse episódio não se repetiria nunca mais em sua vida!
Abaixou a cabeça novamente e olhou para suas peças de roupas espalhadas sob o grande tapete vermelho felpudo. Suspirou, passando as mãos nos cabelos e então disse em tom bem baixo e sério:
— Olha… Afrodite… o que fizemos aqui… foi… foi…
— Foi, sexo, Camus, só isso! — respondeu o sueco ao se sentar ao lado dele na cama, enquanto ouvia a tentativa frustrada do aquariano em lhe dar alguma explicação para algo que ele jamais iria conseguir explicar.
Sentiu o quanto o colega estava tenso, triste e envergonhado. Porém, também não sabia exatamente o que fazer. Nunca teve que passar pelo "dia seguinte". Nunca nem sequer acordara junto com alguém na mesma cama. Simplesmente fazia sexo e despachava a pessoa logo em seguida.
Contudo, ali estava Camus de Aquário! Simplesmente o homem mais frio, calculista e homofóbico que conhecia. Respirou fundo e se levantou, indo recolher as roupas do francês espalhadas pelo chão. Juntou tudo que achou e voltou até Camus na cama, lhe entregando as peças de roupa.
— Toma suas roupas. Vista-se, eu não vou te olhar. — disse e em seguida virou-se de costas para Camus cruzando os braços.
— Merci. — respondeu o francês envergonhado — ... enfim… Eu só queria que non ficasse pensando… é… mal e mim. Eu… — respirava fundo e de olhos fechados — Eu non sou assim… é sério! Isso que aconteceu, olha eu… eu non faço essas cosias… eu… — suava e tremia. Estava com tanta vergonha que pensavam em sair dali correndo na velocidade da luz mesmo estando nu!
— Você não precisa se explicar, Camus. Nós só transamos. É para isso que eu trabalho aqui, não é? Eu não penso nem bem, nem mal de você! Não penso nada! Não sou pago pra pensar. Só sou pago para servir.
Camus ficou sem reação. Peixes estava certo.
Resignado, se levantou com cuidado e vestiu suas roupas devagar. Sentia muitas dores pelo corpo durante esse simples processo de se vestir, principalmente em suas nádegas, devido às inúmeras chibatadas e tapas que recebera.
Quando vestiu as calças deu por falta de sua cueca, olhou em volta e nada. Ficou um pouco consternado, mas não tinha tempo para isso. Também não poderia perguntar para Afrodite, já que era perigoso o sueco lhe oferecer uma calcinha no lugar. Seu rosto ficou corado diante desse pensamento absurdo, então Camus vestiu logo a calça acabando com o dilema.
Já vestido, o francês olhou para os lados, evitando olhar para Peixes e disse:
— Você non esta aqui para me servir, eu… bem… non foi com você o programa que comprei. — colocou a mão no bolso da calça e pegou sua carteira — Enfim, non quero te prejudicar. Você passou a noite sem trabalhar por minha culpa. — Aquário então retirou um talão de cheques da carteira, pegou a caneta presa a ela e assinou uma folha, deixando o valor em branco — Eu non sei quanto você cobra pelo programa, por isso… tome, está em branco. — disse, esticando o braço e entregando o cheque a Afrodite.
Peixes virou de frente para ele e descruzou os braços. Olhou para aquele pedaço de papel com certa estranheza e então pegou o cheque e ficou alguns segundos olhando a assinatura de Camus na folha.
Era estranho! Nunca recebera dinheiro antes por uma transa, mas já que estava ali para isso, deveria ir se acostumando. Olhou para Aquário confuso e calado. Não sabia se deveria agradecer, ou como deveria se comportar. Então percebeu que o outro estava ainda muito constrangido.
— Eu… só peço que vá descontar o valor no banco pessoalmente. Eu non gostaria que outras pessoas soubessem que estive aqui. — disse Camus guardando a carteira no bolso da calça.
— Não se preocupe, Aquário, ninguém vai saber que esteve aqui. — falou, caminhando até a penteadeira, onde abriu uma gaveta e guardou o cheque dentro. Depois foi ao closet, vestiu um hobby preto de seda e voltou até onde Camus estava parado no meio do quarto.
Afrodite sabia que na cabeça do aquariano o desespero tomava conta. Sabia que ele não queria ser visto por ninguém, afinal era um dos lideres de uma máfia extremamente homofóbica. Então resolveu ajudá-lo.
— Espere aqui, Camus! — disse, depois se dirigiu até à porta dos fundos de sua suíte, deu alguns passos no corredor, viu que estava vazio e que todos os outros quartos estavam com as portas fechadas.
Voltou pra dentro e pegou no braço de Camus, o conduzindo até a porta. Saiu com ele no corredor e lhe indicou o caminho que deveria seguir.
— Vá até o final do corredor. A ultima porta é a porta de saída. Do lado esquerdo tem uma escada. Desça e já sairá na parte de trás do Templo. Pode ir, todos estão dormindo.
— Merci, Afrodite... Non preciso dizer que isso non ira se repetir, non é? — disse Camus e então olhou nos olhos de Afrodite mais uma vez e saiu sem dizer mais nada.
Ao passar pela porta do quarto de Geisty, lembrou-se do que fez à ela.
Nunca tinha sido um homem tão estupido e grosso antes. Fora educado, desde muito pequeno a ser gentil e cordial com as mulheres. Nunca gostou muito de estripulias na cama. Toda vez que fizera sexo com mulheres na vida, o ato era puramente mecânico. Agora, depois da noite que tivera com Afrodite, até desconfiava do por quê! Porém, nem por isso as maltratava ou era cruel com elas.
Camus então decidiu que deveria de alguma forma se retratar com a amazona pelo que fizera. Não que estivesse arrependido ou se importasse com ela, mas porque fora descortês e sua rígida educação francesa não lhe deixaria em paz com sua própria consciência se não fizesse algo para minimizar sua grosseria da noite anterior.
Abriu a porta do quarto bem devagar e verificando que Geisty não estava lá entrou apressado. Usando seus poderes criou um lírio de cristal de gelo eterno e o deixou debaixo do travesseiro, saindo do quarto em seguida.
Estava quase chegando à porta de saída quando de repente vacilou.
Camus não conseguia cruzar aquela porta. Seu coração batia frenético, suas mãos suavam num misto de medo e emoção. Não entendia o motivo de seu vacilo, só sentia uma necessidade visceral de fazer uma coisa que caso não o fizesse naquele momento, muito provavelmente jamais teria outra oportunidade e nem a coragem suficiente para tal.
Deu meia volta e atravessou novamente o corredor correndo. Parou em frente à porta do quarto de Afrodite, respirou fundo, agarrou a maçaneta e num movimento rápido e brusco entrou, pegando o pisciano de surpresa sentado na banqueta em frente a penteadeira.
Correu até ele e o pegou pelo braço, fazendo Afrodite se levantar num tranco e se encolher todo, já esperando levar um soco na cara, mas quando Peixes abriu a boca para já soltar um grito, o mesmo foi abafado por Camus, que colou seu corpo ao dele olhando firme em seus olhos assustados. Os lábios quase se tocavam e as respirações aceleradas se mesclavam.
Aquário permaneceu naquela posição por alguns segundos, mergulhando naqueles olhos azuis tão intensos, até que não suportando mais tomou os lábios do sueco em um beijo forte, voraz e lascivo.
Quando sentiu Afrodite o corresponder e o beijar com a mesma intensidade e desejo, o francês enlaçou seus dedos nos cabelos dele e aprofundou ainda mais aquele beijo delicioso, se demorando longos minutos degustando o néctar doce daqueles lábios.
Nunca, em sua vida inteira, Camus havia beijado alguém com tamanha intensidade e entrega.
Sem muita vontade, o aquariano se afastou de Afrodite, segurou em seu belo rosto com ambas as mãos, aproximou os lábios do ouvido dele e sussurrou:
— Adieu, ma belle rose!
Com alguns poucos passos para trás, Camus deixou o quarto de Afrodite, fechando a porta com cuidado. Só então saiu do Templo de Baco, deixando para trás um certo sueco que agora sorria feito um bobo deitado em meio aos lençóis vermelhos da cama, enquanto, em meio a uma chuva de pétalas de rosas, olhava um ponto qualquer no teto com olhos vidrados.
"Ma belle rose! Ma belle rose! Ma belle rose!"
A frase ecoava feito um mantra poderoso e hipnotizante na mente de Afrodite de Peixes.
Glossário Afroditesco
Adé = bicha enrustida
Aquendar = 1. chamar para prestar atenção; 2. fazer alguma função; 3. Palavra multiuso, que pode ser usada em diversas situações, e pode significar também olhar, paquerar, pegar, esconder...
Tá boa? = (irônico) como quem diz: Tá doida?
Traduções censuradas
*(1) Oh, sim. Eu gosto que me foda assim, papai. Sim… sim... mais forte... mais forte!
*(2) Me fode, Afrodite. Me fode como nunca antes! Goza dentro de mim, papai! Me dá sua porra quente. Eu preciso dela!
*(3) Sim! Você é o mais lindo de todos! Me deixe engolir tudo, papai? Sua princesinha está com sede! Me dá seu leite!
