Já passava do meio dia quando Saga, enfim, conseguiu levantar da cama. Havia passado quase a manhã toda daquela pós festa maldita de Touro entre o banheiro e o quarto. Sentia-se ainda meio atordoado, devido à dor e ao mal estar gastrointestinal que ainda o acometia, tudo graças à famigerada feijoada com mocotó e às tantas caipirinhas que tomara.
Havia tomado um banho mais cedo e com muito custo arrancado toda aquela tinta do corpo, agora só pensava nas sessões de tortura que faria contra o infeliz que o rabiscara, assim que descobrisse seu nome é claro.
Quando deixou a cama, enrolado ainda em seu roupão, notou uma bandeja com uma xícara virada de cabeça para baixo e um pequeno bule sobre o criado mudo. Curioso, o destampou e pode notar que estava cheio com chá de marcela.
Ficou alguns segundos olhando para o conjunto de louça grega intrigado. Quem teria todo esse cuidado consigo?
O primeiro nome da alma tão solícita a lhe passar pela mente foi de Afrodite. Porém, se bem conhecia aquele pisciano maluco, ele provavelmente estaria dormindo ali a seu lado, e no entanto percebia que ninguém dormira consigo.
Enquanto sua mente divagava tentando montar quebra cabeças improváveis, Saga colocou um pouco de chá na xícara e tomou mesmo frio, ao mesmo tempo em que olhava distraído para os travesseiros. Foi quando notou, sobre o travesseiro de fronhas brancas ao lado do seu, um fio de cabelo longo e negro como a noite. Devagar, debruçou-se sobre o colchão o apanhando entre os dedos e ao sentir a textura grossa e bem lisa, não teve duvidas.
— Será? — balbuciou para si mesmo, enquanto voltava a xícara para a bandeja. Constatou que somente uma pessoa naquele lugar possuía cabelos naquela cor e textura — Geisty! — sussurrou surpreso.
Estaria a ressaca lhe pregando uma peça e já começava a pensar absurdos improváveis? Geisty não teria forças para carrega-lo até ali. Com esforço tentava vasculhar sua memoria, mas em vão. Não conseguia se recordar de nada depois de ter tomado um fora da amazona que recusou seu convite para dançar, preferindo ir se esfregar com...
— Milo! — rosnou ao pensar que talvez ela tivesse pedido a ajuda de Escorpião para leva-lo a Gêmeos, o que encheu seu coração de uma raiva insana e uma melancolia já há muito conhecida — Não posso acreditar que ela teve a audácia de me trazer até aqui com ajuda do Escorpião. Não é possível, isso é uma afronta! Se foi isso... Se foi aquele maldito que me rabiscou...
Saga rosnava, enquanto andava de um lado para o outro do quarto esfregando o rosto e chutando o que encontrasse pela frente, até que desistiu de traçar possíveis situações em sua mente e rumou para o closet, onde se vestiu rapidamente, pois o dia prometia ser longo!
Teria que resolver assuntos pendentes que somente o Grande Mestre tinha conhecimento, além de ter de comparecer a uma maldita reunião no fim da tarde com alguns membros da máfia grega. Depois, supervisionar um carregamento de drogas junto a Aldebaran no porto de Atenas e terminar sua noite no bordel recepcionando a um grupo de empresários de Vólos, os quais estavam interessados em se filiar à máfia ateniense.
— Preciso de um café com conhaque! – suspirou cansado, enquanto subia para o Templo do Grande Mestre.
No Templo de Baco, com o sol já a pino, em seu quarto Geisty se espreguiçava sobre a cama, se arrastando para fora dela sem nenhuma disposição. Já havia sido comunicada, de que aquela noite no bordel seria especial e que para tal deveria estar muito bem apresentável.
Enquanto caminhava para o banheiro, a morena lançou um olhar desdenhoso para a penteadeira lotada de produtos de beleza da mais alta qualidade e soltou uma bufada de desanimo só de imaginar o tempo que gastaria usando toda aquela tranqueirada.
Bem diferente, no entanto, estava sendo a tarde de um certo sueco, que já ia para sua terceira sessão hidratação capilar.
Afrodite estava ansioso. Passara a manhã cuidando de suas rosas e lançando olhares escadaria à baixo. Sentia o cosmo de Camus em Aquário, mas ele lhe parecia até um pouco hostil. Na certa o francês estava nervoso com o encontro de logo mais a noite. Ele mesmo estava que não se aguentava de tanta ansiedade.
Foi quando o cosmo de Camus desaparecera de Aquário, logo depois do horário do almoço, que Afrodite ficou ainda mais apreensivo. Será que o ruivo havia desistido e voltado à Rússia? Esganaria ele com uma calcinha rendada se Camus tivesse a pachorra de lhe dar um bolo.
Tentando se acalmar, Peixes fora cumprir seus rituais para a noite. Dos tantos nomes que havia em uma lista extensa e particular de clientes interessados em programas consigo, ele escolhera um que mais lhe agradara e marcou logo para o início do expediente, pois queria ter o resto da noite livre para passar com o francês. Sendo assim, enfiou-se em seu quarto e só sairia de lá quando sentisse que estava prefeito e belo o suficiente para o cavaleiro de Aquário.
O dia transcorreu lento. Porém, não para os apaixonados como Mu e Shaka, que não arredaram pé da sexta casa desde manhã, e quando se deram conta já era noite.
Áries aproveitou sua tarde de folga para ficar na cama com Shaka... Assistindo televisão.
Em meio a baldes de pipocas, muitas fitas cassetes, Síbilas e Ralejs e tramoias sem fim, o mais novo casal de namorados do Santuário de Atena trocavam beijos apaixonados, olhares cumplices e juras de amor deixando a ficção em segundo plano. Estavam adorando viver os primeiros momentos intensos de sua recente história de amor.
Já para um certo cavaleiro de Leão, o romance era bem mais complicado.
Aiolia tentou convencer Marin a abandonar o Templo das Bacantes, sobre até ameaça de peitar Saga caso ele não concordasse. Porém, a Águia foi firme e lhe disse para ter paciência. Marin jamais arriscaria a vida do irmão e Saga deixara bem claro que sabia seu paradeiro. Temerosa e muito esperta, a ruiva conseguiu dobrar o Leão e convence-lo a fazer as coisas do seu jeito. Sendo assim, Aiolia lhe prometera que daria um jeito de lhe tirar daquela vida o mais rápido que pudesse. Trabalharia dobrado, juntaria dinheiro e, quem sabe com o tempo, conseguiria a quantia suficiente para pagar pela amazona e a tirar da prostituição. Até lá, prometera também que a visitaria todos os dias no bordel, lhe dando seu amparo e apoio.
Que grande consolo! Mas, para quem não tinha nada, já era algo a se pegar.
Máscara da Morte e Shura já se posicionavam na grande porta de entrada do Templo de Baco quando Saga chegou ao estabelecimento. Estava com um semblante péssimo, sentia a cabeça latejar horrores e já não havia mais café com conhaque, nem whisky ou mesmo Absinto que lhe aplacasse a dor, pois o próprio grego sabia a causa para sua moléstia: ansiedade!
Estava curioso demais para saber o que lhe ocorreu, de fato, na noite anterior e sondaria a amazona de Serpente até lhe arrancar detalhe por detalhe. Por isso, passou por todos às pressas e subiu rapidamente para o quarto que mantinha ali para tomar um merecido banho relaxante e se vestir elegantemente em um terno grafite.
Já pronto, Saga saiu a passos largos de seu quarto com um destino certo. Ao parar em frente ao quarto de Geisty, deu duas batidas na porta, recebendo em resposta a voz firme e melodiosa da amazona:
— Pode entrar!
O geminiano adentrou o cômodo, mas assim que viu a figura belíssima da mulher à sua frente se perdeu por alguns segundos, hipnotizado.
Geisty estava sentada em uma cadeira em frente à penteadeira. Tinha as pernas cruzadas e suas belas coxas bronzeadas estavam à amostra, através de uma enorme fenda no vestido frente única de festa todo bordado em tom carmim, assim como seus lábios. Os cabelos negros estavam caprichosamente arrumados e totalmente presos para o alto, deixando nu seu pescoço e se fazendo mais visível a única joia que usava, um longo, porem delicado, brinco de zircônias brancas.
Sem desviar os olhos da revista que folheava a amazona tirou o grego de sua contemplação lhe chamando a atenção.
— E então, sente-se melhor? Curou a ressaca?
— Ressaca? Não... Não acordei de ressaca. — mentiu descaradamente, o que fez a morena parar de ler e se voltar para ele, o olhando de cima a baixo com ar de deboche.
— Você não acordou de ressaca? Nossa, aprenda a mentir, Saga! — dando uma gargalhada — Pelo estado que te encontrei na piscina, era para estar com cefaleia até a próxima encarnação.
— Não exagere. Eu não bebi tanto assim. O que me ocorreu foi que comi demais, e aquela comida que o Aldebaran serviu era pesada. Depois... — foi interrompido abruptamente pela voz firme da amazona.
— Saga, você estava em coma alcoólico, boiando na piscina. — no mesmo instante o geminiano se calou, sem conseguir pensar em algum argumento convincente. O jeito então era contra atacar.
— Bem, cada um aproveitou a noite como bem quis, não é mesmo?... Eu bebi e comi. Já você, se divertiu com o Escorpião, pelo que me lembro. — jogou a pergunta no ar, sentindo raiva só de lembrar que ela e Milo passaram a noite dançando e sabe-se lá fazendo o que. Contudo, a resposta veio acompanhada de uma gargalhada descontraída da morena.
— Pior que não! Milo fez vergonha antes de você até. Bebeu tanto que saiu carregado pelo Afrodite... — só de dizer aquele nome, Geisty franziu o nariz como se sentisse um cheiro ruim e extremamente desagradável — Depois ele curtiu o fim da festa sozinho, dormindo largado no sofá do Aldebaran.
Saga não pode conter sua surpresa, assim como também um sorriso discreto, de alívio e vitória, que se desenhou em seu rosto. Era sempre bom ver que Milo havia se dado mal.
— Poxa, que azar o seu, né Geisty? E quem te ajudou a me levar até Gêmeos?
— Azar? Azar nada! O melhor veio depois... — disse a amazona já se acabando de tanto rir — Aldebaran me ajudou, e eu pude ver de camarote a maior vergonha da festa: O Grande Mestre sendo carregado desacordado de bêbado, nos ombros do anfitrião feito um saco de batatas. Ai... Vou borrar meu rímel! — dizia ela, enxugando o cantinho do olho direito que teimava em lacrimejar conforme ria.
Na mesma hora o ar de satisfação do grego foi trocado pelo de raiva.
— E deduzo que você saiba quem me rabiscou também, não é mesmo?
A amazona engoliu seco. Não conseguia pensar em nenhuma resposta convincente. Sem tirar os olhos da revista, respondeu tão falsamente quanto o loiro dos cabelos de Milo.
— Eu? Eu não! Quando te encontrei desmaiado e boiando você já estava rabiscado.
Saga franziu o cenho a analisando desconfiado.
— Por que me soa tão mentirosa essa sua história amazona?
— Eu salvei sua vida, seu mal agradecido! Devia era te deixar morrer afogado naquela merda de piscina. – olhou contrariada para Gêmeos.
— Deixa de falar bobagem, mulher. Eu sou um cavaleiro de ouro, não iria morrer afogado. Que absurdo!... Sem contar, que isso tudo é culpa do Touro, onde já se viu servir umas comidas radioativas dessas!
A amazona balançou a cabeça negativamente e abaixou o rosto para a revista, voltando a folheá-la.
— Em todo o caso, obrigado pela ajuda... E também pelo chá. — falou mais baixo o geminiano a encarando.
Geisty desviou os olhos do que lia e olhou diretamente nos olhos dele.
— De nada! — falou um pouco tímida, pois não esperava o reconhecimento de seu gesto.
Um silêncio se formou no quarto enquanto ambos se olhavam sem nada dizer e, desconcertado pelo momento, Saga quebrou o clima:
— O que está lendo de tão interessante na revista? — falou apontando para as mãos da amazona, que despertou de seu leve transe:
— Deixe de ser enxerido! — falou firme a fechando e a atirando sobre a cama — É apenas pesquisa de público. É uma revista de fofocas. Estou me inteirando da nossa clientela. Já que muitas das caras que aparecem nesses lixos também aparecem por aqui, não é mesmo?
— Não precisa perder seu tempo com isso. — disse Saga, um tanto quanto distraído.
— Não? – perguntou Geisty curiosa — Achei que fizesse parte do trabalho conhecer os clientes.
— Tanto faz, amazona. — respondeu o geminiano visivelmente perturbado — Já está na hora de descermos, você já enrolou demais. Vamos? — disse oferecendo o braço, o qual foi aceito por ela a contragosto.
— Vamos. — respondeu entre dentes.
Saga trouxe o braço da jovem para mais próximo de si e juntos desceram para o salão. No caminho, enquanto desciam as escadas o geminiano deixava seus olhos correrem pelo corpo da amazona e como era privilegiada a visão do alto, do decote bem recheado do vestido dela, sentindo seu corpo todo vibrar por dentro.
Já Geisty caminhava alheia a quase tudo à sua volta. Ouvia uma música de cabaré tocar ao fundo, embalando o som de muitas vozes e risadas dos clientes que bebericavam seus drinks, enquanto escolhiam as bacantes com quem iriam passar a noite.
No palco, Shina fazia uma apresentação no pole dance vestida apenas com uma calcinha fio dental e adesivos nos mamilos. Suas curvas somadas aos giros que dava naquele mastro enfeitiçava os visitantes.
Em outro canto do salão, Marin conversava com um homem alto e muito bem vestido. A ruiva tinha um semblante triste, pois realmente era muito penoso para a garota japonesa de modos tão tradicionais cumprir aquela função.
Ao contrário de Misty, que totalmente à vontade em uma mesa com mais dois homens, fazia um tipo de jogo alcoólico enquanto dava gargalhadas.
No bar, Aldebaran passava um paninho na bancada de mármore para depois servir uma dose de sangria a Shura, o qual estava muito nervoso depois de Máscara da Morte ter batido boca com um sujeito que queria entrar na casa, porém que estava na lista das personas non gratas listadas por Saga e proibidos de por os pés ali. Máscara da Morte resolveu o problema com o penetra e ganhou mais uma cabeça para sua coleção.
Assim, se iniciava mais uma noite corriqueira no Templo das Bacantes. Todavia, para uma pessoa em particular, ou duas talvez, a noite tinha sabor especial!
Afrodite descia as escadas exuberante!
Dentro de uma calça preta de couro obscenamente colada no corpo, enaltecendo suas coxas roliças e nádegas perfeitas, e uma camisa da mesma cor, porém bem transparente e soltinha, o cavaleiro de Peixes desfilava pelo salão com seus ruidosos scarpins vermelhos. Os cabelos eram um show à parte. Também, depois de tantas sessões de hidratação, pareciam riachos de águas cristalinas que corriam solenes se movimentando com graciosidade conforme ele andava.
Caminhou decidido até a mesa do cliente que escolhera para aquela noite, um jovem e belo empresário macedônio, e cochichou algo em seu ouvido. Havia pedido para que ele esperasse um pouco e então o chamaria para subir.
Afrodite estava ansioso. Não pelo primeiro programa que faria de fato, mas porque ainda não havia visto Camus ali. Perguntava a si mesmo porque de tanta apreensão, por que se preocupava caso Camus não viesse ao encontro, e foi procurando uma resposta que caminhou até o bar e pediu uma dose de vodca com limão a Aldebaran.
Para o alívio do pisciano, quando pedia a segunda dose o ruivo cruzava a porta de entrada, vestido em um longo sobretudo negro e trazendo uma maleta de negócios em uma das mãos.
Milo estava o acompanhando. Na certa se encontraram na entrada, já que Camus não fazia o tipo de combinar rolê com os amigos em uma zona.
E de fato Afrodite estava certo. Camus encontrara com Milo na entrada do Templo de Baco. Trocaram algumas palavras e seguiram juntos para dentro da casa. Lá, o aquariano precisou usar de todo seu sangue frio e técnicas adquiridas em anos de treinamento rígido na máfia pra disfarçar seu nervosismo ao botar os olhos na figura do cavaleiro de Peixes no bar. Sentiu-se estranho em achar Afrodite mais bonito do que o de costume e antes que fosse descoberto, pediu a Milo que escolhesse uma mesa para se sentarem, já que estavam juntos ali.
Escorpião escolheu uma mesa próxima ao lugar onde viu que Saga estava com Geisty cumprimentando alguns clientes. Ele e Aquário puxaram duas cadeiras e se sentaram.
Milo naquela noite estava sem nenhuma grana. O fato de ter encontrado com o amigo aquariano logo na chegada lhe soara como providência divina. Estava louco para passar outra noite com a amazona de Serpente, já tinha engendrado um plano na noite anterior, durante a festa de Aldebaran para miar no telhado novamente com Geisty, mas foram tantos olhares fulminantes de Saga contra si, tantos Afrodites beijoqueiros lhe servindo bebida a toda hora, de repente ficara cego e paralisado pelo golpe de Shaka e quando voltou à enxergar, o álcool tinha batido forte em sua mente e o nocauteado. Depois não se lembrara de mais nada.
Estava ali para uma segunda tentativa. No entanto, sabia que o preço da amazona era salgado para seu pobre bolso de aliciador barato e funcionário de um Santuário falido, então viu em Camus a oportunidade perfeita para tirar o atraso. Pediu-lhe dinheiro emprestado.
— Milo, eu já te emprestei dinheiro mês passado e até agora você ainda non me pagou. — disse Camus, apanhando seu copo e dando um gole no licor, depois abriu a lateral esquerda do casaco e retirou sua carteira de dentro — Seu débito só está crescendo.
— Que isso, Camus, e a amizade fica onde mano? Você é meu brother, pô! Cê sabe que vou pagar a grana. Não sei quando, mas vou. Sou um homem de palavra. Comigo é firmeza.
— Que eu saiba palavra non paga conta, folgado! — respondeu o francês, retirando algumas notas da carteira e entregando ao escorpiano — Toma. E fique esperto. Dever à máfia non é muito inteligente.
— Valeu amigão! Sabia que podia contar contigo, truta! Não se preocupe e também não coloque a minha cabeça a prêmio. Eu vou te pagá. — disse o escorpiano, batendo sua latinha de cerveja no cálice de licor de anis que haviam pedido ao garçom e que acabavam de chegar.
Em nenhum momento Milo conseguia desviar os olhos da amazona de Serpente, que também já percebera sua presença ali, infelizmente ao lado da figura indesejada do cavaleiro de Aquário.
Geisty então voltou sua atenção novamente para as pessoas à sua frente que conversavam com Saga.
Um deles era um rico empresário do ramo varejista grego, herdeiro de uma fortuna quase incontável. O homem, que aparentava não ter mais que quarenta anos, estendia a mão animado para Saga, o saudando e o convidando para se juntar aos outros ricaços que estavam junto a ele na mesa e, sem o menor pudor, olhou para a moça dos pés à cabeça, como se a despisse de cada pedaço do tecido fino que lhe cobria o corpo, e disse:
— Realmente os boatos procedem! Sua casa está muito bem servida de beldades! Como se chama essa preciosidade? — perguntou, desviando o olhar para Saga que o olhava de volta impassível.
— Essa é nossa joia, Geisty.
— Não para menos, lindíssima. Imagino que o valor seja à altura. — disse o homem.
— Sim, meu caro. É à altura! — respondeu Saga.
Geisty já lançava um olhar frio para o rico empresário, enquanto o ofendia mentalmente com toda a sorte de xingamentos de baixo calão que conhecia, e em três idiomas diferente. Então respirou fundo e tocando no braço de Saga disse em tom baixo.
— Se me der licença, Saga, esqueci algo em meu quarto e queria subir para pegar.
— Fique à vontade. — disse o geminiano, que deu graças aos deuses, pois não aguantava mais o olhar faminto do empresário sobre ela, então aproveitou-se para se sentar um pouco com eles até que ela retornasse.
Geisty então subiu as escadas às pressas e sorrateira, e caminhou até seu quarto, onde apanhou um objeto que há muito a incomodava, voltando para o salão logo em seguida.
Porém quando cruzou as mesas, não foi até onde Saga estava sentado com os convidados, mas parou em frente à mesa onde estavam Milo e Camus. Olhou para o Escorpião, que já a acompanhava com os olhos ávidos desde que ela descera as escadas novamente e o cumprimentou com um sorriso.
— Boa noite gatinha! — disse apressado o escorpiano, passeando os olhos por todo o corpo da garota.
— Miau! — respondeu ela em tom de brincadeira — Que surpresa, Milo! Quanto tempo! — ironizou — Pelo seu estado ontem na festa, achei que nem iria acordar hoje.
— O Miluxo aqui está sempre acordadão, sua linda! — respondeu com um enorme sorriso — E ai? Está ocupada hoje? — perguntou diretamente.
— Talvez sim, talvez não... O mais certo é, quem sabe! — disse Geisty, agora voltando sua atenção a Camus, que tomava seu licor de anis a ignorando completamente — O meu papo aqui, por enquanto, é com ele.
Quando Aquário finalmente olhou para ela, Geisty, sem nenhuma cerimônia, apoiou uma das mãos na mesa e olhou firme nos olhos dele.
— Foi você quem me deixou isso? — perguntou, colocando o lírio dentro do copo de vodca que também pertencia ao ruivo — Me presenteie apenas com a maior distância possível de sua pessoa. Passar bem! Ou melhor, passe muito mal!
Dito isso, Geisty se afastou da mesa caminhando discretamente até o bar, onde pediu uma dose de Martini a Aldebaran e virou em uma só golada.
Na mesa, Milo ainda tentava entender o que acabara de se passar, enquanto Camus erguia uma sobrancelha olhando para a flor de gelo dentro de seu copo. Ela tinha de fato razão para estar furiosa, não tinha sido nenhum gentleman com ela, mas desembolsara uma boa grana pelos seus serviços e tinha sua consciência tranquila.
— Eita mulher brava! — disse Milo aos risos. — Assim que é bom.
— Non. Ela non é uma mulher brava, é uma mulher grosseira, mal educada e sem o mínimo de compostura. — disse o francês. Se ela não aceitou as desculpas, problema dela.
— Bom, ela pode não ter compostura, mas tem um traseiro e uns peitão que nossa! Por Atena! — disse Milo rindo, então matou a cerveja que tomava e arrastou a cadeira para trás — Valeu pela grana, brother. Vou dar um trato na mal educada. — concluiu deixando a mesa e indo atrás de Geisty no bar.
Todavia, nem bem Milo se afastou, outra figura se aproximou da mesa sorrateiramente, parando bem em frente a Camus, que ao olhar para ele sentiu seu peito bater mais forte e seu sangue gelar nas veias, e nem estava usando seu cosmo frio para tanto!
— Boa noite, monsieur Aquarium! — disse Afrodite, girando um canudinho colorido dentro do copo do drink que tinha nas mãos — Está se divertindo?
— Saia daqui Peixes. Mon dieu! — Camus disse quase num rosnado. Por sorte não havia nenhum russo ali naquela noite, ou estaria ainda mais nervoso.
— Eu vi que você ganhou uma florzinha de gelo! Oh, não! Acho que foi o contrário! Foi você quem presenteou aquele Exú de franja com ela! — disse o pisciano, que do lugar onde estava havia visto tudo que se passou na mesa em que o francês estava com o Escorpião. Viu quando Geisty se aproximou, debruçou sobre a mesa e colocou a flor dentro do copo de vodca do ruivo, depois saindo apressada para o bar. Estranhamente se sentiu incomodado com aquilo — Pois saiba que papa não gostou nada nada de saber disso. Que você anda presenteando outras pessoas além dele.
Afrodite então esticou o braço e apanhou o bendito lírio de gelo do copo de vodca para em seguida coloca-lo dentro de seu próprio copo.
— Estava mesmo precisando de mais gelo para o meu otim*. — franziu o nariz fazendo uma careta para o aquariano, que já suava frio — Bem, divirtam-se! Tenho que trabalhar. Não vou demorar mais que meia hora. — deu uma piscadinha para o ruivo e saiu.
Camus soltou um suspiro longo e aliviado. Ninguém no mundo o deixava mais tenso que Afrodite de Peixes, e para aliviar toda aquela tensão pediu outro licor para o garçom, já correndo os olhos pelo salão à procura de uma garota disponível para subir ao segundo andar.
Viu quando Peixes se aproximou de uma das mesas e puxou um homem alto e moreno pela mão, subindo com ele logo em seguida. Sentiu-se estranho, não sabia definir como, ainda mais quando testemunhou o homem dar uma apalpada totalmente indiscreta nas nádegas do pisciano, mas procurou manter o raciocínio prático e contou no relógio quarenta minutos, que era o tempo que teria para subir com uma bacante, transar com ela e ir para o quarto do pisciano. Virou o cálice de licor de uma só vez quando constatou que faria mesmo aquela loucura.
Enquanto isso, próximo ao bar, Milo voltada a cercar Geisty. Estava decidido a passar a noite com ela.
— E ai, gatinha. Quer brincar de gato mia essa noite? — disse o escorpiano se acercando dela por trás, lhe dando um beijo na curva do pescoço.
— Eu adoraria! — respondeu a amazona, sentindo a pele se arrepiar e se virando de frente para ele e enlaçando seu pescoço, dando um sorriso sexy que fez o Escorpião ficar todo animado.
Mais afastado dali, em uma reunião informal com os mais influentes empresários da Grécia, Saga, que estava compenetrado na conversa, desviou seu olhar por um curto segundo para o bar e viu a cena, o que lhe tirou completamente do tino — "Mas que... Caralho do Hades! O que aquele Escorpião atrevido está fazendo aqui? E ainda se agarrando com Geisty?" — sem pestanejar o geminiano se levantou meio alheio a conversa — Com licença senhores!
Gêmeos então seguiu direto para o bar. Nervoso e apressado esbarrava em algumas mesas e pessoas com quem cruzava durante o trajeto, resmungando algum impropério inaudível, até chegar ao casal que se abraçava e parar diante deles.
— Boa noite, Milo! Acredito que esteja ciente de que terá que pagar até mesmo para abraçar essa amazona. — disse, encarando os olhos do Escorpião com aspereza. Na mesma hora, o sorriso no rosto de Geisty se desfez, dando lugar a um olhar de raiva e apreensão. Soltou os braços do pescoço de Milo, dando um passo para trás.
— Ei, calma ai chefe, eu vou pagar. — falou Escorpião todo sorridente, e depois puxou do bolso de trás da calça jeans um maço de dinheiro e estendendo para Saga, que soltou uma lufada de ar antes de apanhar o bolo em sua mão e começar a contar ali mesmo.
— E então gatinha, vamos subir? — falou Milo, correndo a mão pelas costas nuas da amazona, a qual se mantinha concentrada no rosto austero do geminiano.
— Você pode subir com qualquer outra bacante... Menos com ela. — o geminiano fora taxativo, embora exibisse um sorriso no rosto de satisfação.
Na mesma hora, Geisty arregalou os olhos em espanto. Afinal de contas, por que Saga estava fazendo aquilo, sendo que ele mesmo a oferecera como pagamento ao Escorpião? Esse, por sinal, quase se engasgou ao ouvir a sentença do dono da casa.
— O que? C-Como assim? — perguntou, com os olhos azuis arregalados.
— Você não tem o suficiente em dinheiro para subir com ela. — respondeu Saga, sacudindo o maço de notas no ar e em seguida o batendo contra mão estendida do loiro.
— Como assim não tenho o suficiente? Ai tem muita grana! A quantia exata, aliás, do preço dela.
— Eu aumentei o preço dela! — falou duas vezes mais satisfeito.
Milo respirou fundo, fuzilando Saga com o olhar. Estava claro que ele não queria permitir que subisse com Geisty, mas por quê? Essa, por sinal, que até então assistia à discussão calada, se manifestou.
— Ei, só um instante! Você aumentou o meu preço e não me comunicou, Saga. Por quê?
— E eu deveria? O dono dessa merda sou eu e a devedora que eu saiba é você. — a amazona cruzou os braços e fechou a cara na mesma hora, mas Saga, sem se abalar e disposto a despachar de vez Milo, pegou no braço da amazona gentilmente e o enlaçou ao seu — Nos dê licença, Milo, e vá se divertir com qualquer outra garota que esteja dentro de seu poder aquisitivo.
Escorpião rosnou de raiva, observando o geminiano se afastar levando a morena consigo — "Ai tem!" — pensou ele. Estava furioso, então olhou para a mesa onde estava a princípio sentado com Camus pensando em voltar ali e lhe pedir mais dinheiro, mas na mesma hora viu o ruivo acenar para uma das meninas e se levantar da mesa, apanhando sua maleta negra, a qual trazia a tiracolo. A moça então se aproximou dele, que a enlaçou pela cintura e juntos seguiram para as escadarias, subindo os degraus que levavam aos quartos.
Como não teria Geisty para transar, nem Camus para papear, irritado Milo deixou o Templo de Baco. Nunca precisou pagar para pegar mulher e era isso que faria. Gastaria a grana do aquariano em algum lugar onde seu olhar e seu sorriso sedutor falassem mais alto que dinheiro!
Enquanto isso, no bar, encostados no balcão Saga pediu uma dose de whisky para si e uma de Martini para a amazona. Quando chegaram as bebidas, ele deu um gole generoso na sua, enquanto olhava de soslaio para a jovem de cara emburrada que encarava a taça sem tocá-la.
— Vamos Geisty, não faça essa cara... Beba seu Martini. Será possível que preciso te lembrar de que seu oficio aqui é para pagar uma dívida enorme em seu nome e não para fazer caridade para um pé rapado como o Milo?
Ainda com cara de poucos amigos, Geisty sentou-se no banco e cruzou as pernas, as deixando totalmente à amostra. Pegou a taça e deu um gole.
— Gostaria que não me tratasse como uma mercadoria o tempo todo...
Saga, que estava com sua atenção presa ao belo par de pernas, correu a mão pela coxa da amazona se aproximando e lhe falando ao ouvido com voz sensual.
— Mas não estou. E, se quiser, essa noite pode terminar diferente... — aspirava o perfume que tanto gostava.
Geisty sentiu sua cabeça girar com aquela aproximação, mas no mesmo instante tomou as rédeas da razão e de forma busca empurrou a mão do geminiano de sua coxa.
— Eu tenho uma dívida para pagar, não é mesmo? Ou você se esqueceu? – perguntava enfática o encarando.
— Tem toda razão, minha cara. Você entendeu o espírito da coisa. Por isso, essa noite vai atender aquele empresário que me abordou assim que descemos para o salão. Ele está louco para conhecer melhor a nossa joia da casa e eu estou louco por fechar negócios muito lucrativos com ele. Viu como é simples? — deu um gole em sua bebida sem cortar o contato visual com ela.
— Certo! — respondeu seco a amazona, virando o Martini de uma única vez e pousando ruidosamente a taça no balcão.
Sem dizer mais nada, Geisty desceu do banco e com um andar lânguido se dirigiu à mesa do empresário grego, o qual já a observava ansioso. Calmamente o convidou para subirem e ele aceitou de pronto.
Do bar, Saga observava atento o casal subir as escadas. Franziu o cenho quando os dois sumiram de sua vista ao dobrarem o corredor, então matou com um gole só o resto de whisky que havia em seu copo e balbuciou, ainda com os lábios colados no vidro.
— Não me decepcione, amazona.
No salão, Saga se mantinha concentrado, observando Shina subir com um politico espanhol e Misty descer as escadas com um rapaz jovem e meio estranho. Olhou no relógio e constatou que já haviam se passado trinta minutos desde que Geisty subira com o empresário.
Sentia de leve o cosmo da amazona ativo e não podia evitar que um discreto sorriso se formasse no canto de seus lábios.
Discretamente, Gêmeos se levantou da mesa em que estava sentado com alguns políticos gregos, cruzou o salão e seguiu escadaria à cima, indo em direção aos quartos.
Ao parar em frente à porta do quarto da amazona, sentiu seu cosmo mais forte e também pôde ouvir os gemidos do empresário que estava com ela. Não contendo a ansiedade e curiosidade, Saga olhou em volta e ao comprovar que estava sozinho, se abaixou e olhou pela fechadura, podendo comprovar as suas suspeitas.
A cama era colocada estrategicamente no ângulo de visão da fechadura da porta. Sobre ela, o empresário, nu, se contorcia sozinho em meio aos lençóis, parecendo estocar o ar, enquanto deslizava suas mãos espalmadas no vazio fechando os dedos levemente como que apalpando o nada.
Geisty estava sentada em uma cadeira confortável. Tomava uma taça de champanhe enquanto se mantinha concentrada na figura sobre a cama, que acreditava estar fazendo sexo com ela, mas que na verdade transava com uma ilusão projetada pelo cosmo da amazona.
Vez ou outra a morena soltava uma risadinha divertida e tomava um gole da bebida para se conter.
Do lado de fora do quarto, satisfeito Saga se afastou com um imenso sorriso no rosto. — "Você entendeu mesmo o espírito da coisa!" — pensou o geminiano ao deixar o local, caminhando pelo corredor para retornar ao salão.
No caminho, uma das bacantes que subia para o quarto para usar o banheiro cruzou com o geminiano no corredor e teve o braço segurado delicadamente.
— Está desocupada, querida? — perguntou Gêmeos com voz sutil e amistosa.
— Sim, patrão! — respondeu receosa a moça de cabelos prateados, recebendo um sorriso sacana do grego.
— Então venha. Me acompanhe até o meu quarto.
Minutos depois, no quarto de Geisty, a porta se abria e um extasiado e satisfeito cliente saia, prometendo voltar mais vezes para mais noites quentes com a valiosa joia da casa. A amazona apenas retribuía os elogios sorrindo.
— Vou lhe aguardar ansiosa. — disse na maior cara de pau, então fechou a porta, se recolhendo em seu quarto, onde pode enfim soltar o riso como queria — Trouxaaa! — gargalhava, enquanto caminhava até a cama e se jogava arrancando os brincos, os colocando sobre o criado mudo — Encerrei por hoje! — disse soltando um suspiro e olhando pra o teto do aposento — Tenho que admitir... Ô vida fácil essa de puta!
Depois de se despir, Geisty trocou os lençóis da cama e se deitou para dormir, mas antes de se entregar totalmente ao sono, pensou no que Saga havia lhe dito na festa da noite anterior — "Talvez não seja de todo o ruim voltar para a Grécia".
Há duas portas de distância da porta do quarto de Geisty, Mônica, a bacante com quem Camus de Aquário subira, passava a chave na fechadura, enquanto pedia a seu cliente que ficasse à vontade.
Camus então pediu, sem cerimônia alguma, para que ela se despisse e se deitasse na cama e enquanto a moça cumpria a ordem ele fazia o mesmo retirando suas roupas. Estava sem cuecas, não porque queria, mas porque fora obrigado de certo modo, já que misteriosamente todas as suas cuecas haviam desaparecido como que por mágica das gavetas de seu guarda-roupa em Aquário, porém isso só lhe facilitou o trabalho de se despir, já que estava com pressa de acabar logo com aquilo.
Completamente nu, deitou na cama ao lado da bacante e a mandou que o chupasse. De olhos fechados, Camus se concentrou e assim que se sentiu estimulado, deu uma nova ordem, pedindo agora para que a moça o cavalgasse. Ela então apanhou uma camisinha que deixava estrategicamente ao lado da cama e executou a ordem com primor.
Foi rápido, mecânico e tedioso para ambos.
Tudo terminado, Camus deixou o pagamento sobre o colchão e pediu para usar o banheiro. Lá dentro, tomou uma ducha rápida e antes de se trocar ficou alguns minutos parado em frente ao espelho, atento a seu reflexo. Seu coração batia freneticamente dentro do peito. As mãos suavam e a respiração ofegava. Pensou em deixar o quarto e ir embora, mas simplesmente não conseguia. Parecia paralisado. Foi quando soltou um suspiro longo e caminhou até sua maleta a abrindo.
De dentro dela, Camus retirou com as mãos trêmulas que denunciavam sua ansiedade, um estojo de veludo negro, o qual abriu revelando uma gargantilha de ouro branco e diamantes, além de um par de brincos que constituíam apenas duas gemas aquamarines, raríssimas e de valor e beleza inestimáveis. Colocou a gargantilha em seu pescoço e os brincos nas orelhas, jogando o cabelo por cima para escondê-los, e se olhando no espelho franziu as sobrancelhas.
— Merde! Estou ridículo. — resmungou, com o rosto ruborizado. Com certa pressa, de outro estojo menor retirou um anel de diamante azul e ouro branco e o colocou no dedo mindinho, o único no qual cabia.
Antes que perdesse a coragem vestiu-se rapidamente, retirando de dentro da maleta um cachecol grosso de lã acinzentado. O enrolou em torno do pescoço para esconder a joia, fechou a maleta e saiu do banheiro.
Quando passou pela bacante, despediu-se rapidamente sem lhe dar tempo para que reparasse em algo e pediu para deixar o quarto pela porta dos fundos, dando a desculpa de que não queria passar pelo salão. Ao sair, rumou direto para o quarto de Afrodite, dando três toques suaves na porta.
Porém, ao terceiro toque, a porta se abriu, pois estava apenas encostada. Camus então entrou, estranhando o ambiente estar mergulhado em uma penumbra densa, mas logo o perfume único de rosas e o som de uma canção francesa na voz de Edith Piaf já lhe diziam que o dono do quarto estava ali e o aguardava.
Aquário entrou, fechando a porta atrás de si logo em seguida. Seu peito até doía tamanha sua ansiedade e nervosismo. Caminhou até o centro do quarto olhando tudo em volta, mas como estava muito escuro não encontrou o sueco. Irritado, deixou a maleta cair no chão e começou a desenrolar o cachecol de seu pescoço, até que uma luz surgira de repente focalizando seu rosto, o brigando a fechar os olhos em reflexo e proteger-se da luz espalmando ambas as mãos à frente.
— Hã-hã! Não tire nada... Ainda! — disse Afrodite, que apontava uma lanterna com um jato de luz em tom rosado para o rosto do francês. Estava deitado em sua cama, apoiado em várias almofadas luxuosas em tom rosa nude — Fique exatamente assim, como está, minha princesa russa! — falava quase num sussurro, e sua voz era tão sensual que arrancava arrepios de Camus, antes mesmo que pudesse ver o dono dela — Pontual como sempre, Camy. Venha, aproxime-se. Quero ver você!
— Camy? — disse o ruivo, estreitando o olhar. Via uma silhueta sobre a cama apenas, já que Afrodite agora passeava com o foco de luz da lanterna pelo corpo do francês — Vai ser assim agora? Vai me por apelidos ridículos, um após o outro? — disse, caminhando lentamente em direção à cama.
— Eu só faço o que você gosta, mon cher! E eu sei do que você gosta, princesa. Anda. Vá até a peça ali e acenda o abajur. — indicou a direção apontando o foco de luz da lanterna para o abajur, o qual Camus deveria acender.
Aquário titubeou por alguns segundos, mas a curiosidade em ver a figura sobre a cama era maior. Sendo assim, caminhou a passos lentos até o abajur iluminado pela lanterna e o acendeu. Imediatamente as outras luminárias que compunham o quarto de Peixes se acenderam em uma sincronia perfeita, pois estavam interligadas umas as outras.
Com o ambiente bem mais claro, Camus pode finalmente ver Afrodite, que agora apagava a lanterna e se ajoelhava sobre a cama sem tirar os olhos contornados em kajal negro dos olhos surpresos do aquariano.
E como ele estava deslumbrante! Usava apenas uma calça de látex negra e mais nada, mas ela era tão justa que enaltecia todas suas belas formas. Era de cós muito baixo e o tornava irresistivelmente desejável.
Como uma mariposa atraída pela armadilha do rútilo luminoso das lanternas noturnas, assim Camus se aproximava da cama sem conseguir piscar, enquanto mantinha os olhos fixos na figura que lhe sorria de forma sedutora ao mesmo tempo em que caminhava de joelhos sobre os lençóis até a beirada, parando quando já estavam frente a frente, olhos nos olhos.
— Vejo que veio exatamente como pedi. — disse o pisciano, encostando a ponta do dedo indicador no queixo de Camus para depois desliza-lo pelos contornos do sobretudo que ele usava — Está lindíssimo!
Afrodite então ergueu os braços e enlaçou o pescoço do francês, o puxando para junto de si e tomando sua boca num beijo voluptuoso, porém ligeiro, que mal fora retribuído pelo outro cavaleiro e já era interrompido, deixando um sabor de quero mais nos lábios ávidos do francês!
Peixes desceu da cama e se dirigiu à cantoneira ao fundo do aposento, onde ficava um pequeno bar com algumas bebidas e dois banquinhos. Camus respirava fundo enquanto o observava.
— Por que não gosta do apelido? — perguntou o sueco, enquanto apanhava uma garrafa de vinho francês já aberta e depositava o líquido em duas grandes taças, em seguida voltando até Aquário e lhe entregando uma —Toma. — como não obteve resposta, apenas o silêncio de Camus, Afrodite foi direto ao que lhe interessava — Quero ver o que trouxe para mim. Tire a roupa. — ordenou.
Imediatamente Camus sentiu seu peito arder em chamas, seu estômago revirar e todos os pelos de seu corpo se eriçarem de uma só vez. A voz de Afrodite soava tão absurdamente sensual e autoritária que novamente aquele sentimento de humilhação tomou conta de si, o impossibilitando de reagir. A maneira como Peixes o olhava, no fundo dos olhos, sem o mínimo pudor, lhe instigava e tudo que conseguiu fazer foi dar um gole generoso no vinho e entregar a taça para o sueco, para em seguida desenrolar o cachecol de seu pescoço, o jogando em cima da poltrona que ficava ao lado.
Afrodite o olhava executando os movimentos como se analisasse uma obra de artes, correndo os olhos por cada detalhe do aquariano, enquanto mordia o cantinho do lábio inferior.
Camus então desamarrou o sobretudo lentamente, o desabotoou e retirou da mesma maneira, sem pressa, se livrando dele da mesma forma que fez com o cachecol e sob a supervisão analítica de Afrodite. Então o francês abriu a gola de sua camisa e dois botões, revelando a gargantilha de diamantes que usava no pescoço. Em seu íntimo ainda guardava alguma esperança de que só entregaria as joias a ele e iria embora para casa.
— Pronto, pode pegar. Assim acabamos logo com esse joguinho idiota. Já te trouxe o que queria. — disse, levando as mãos até a própria nuca para desabotoar a joia, mas fora interrompido por Afrodite que às pressas colocou as taças de vinho sobre uma peça de decoração que havia ali e o impediu, segurando em seus cotovelos.
— Não faça isso! — disse, puxando os braços dele de volta e olhando para a gargantilha completamente em êxtase, tamanha era sua beleza e luxo, e ainda mais vestindo um homem lindíssimo como Camus. Apesar de estar maravilhado com a beleza do ruivo usando aquela joia, sabia o quanto ele estava desconfortável e só conseguia pensar que Camus deveria ter mesmo muito medo de ser descoberto pela Vory v Zakone, para se sujeitar aquilo daquela forma — Calma, para que tanta pressa? Nem começamos ainda. Relaxa... E me deixe ver essa preciosidade que você me trouxe!
Afrodite abriu um pouco mais a camisa do aquariano e seus olhos brilharam quando vira a gargantilha por inteiro.
— Minha deusa! — exclamou com um sorriso aberto e olhos arregalados — Camus, que coisa mais linda! — deslizou a ponta dos dedos sobre as pedras preciosas, mas apenas por alguns segundos, passando logo a desabotoar os outros botões da camisa do ruivo — Você realmente tem muito bom gosto. Sabe, eu ia pedir para você fazer um strip tease para mim... Mas quero te ver tirar outras roupas, não essas casqueiras formais que você usa. O que acha? — deslizou o dedo indicador até o umbigo do aquariano, o circulando em seu entorno enquanto beijava seu queixo.
— Acho que você non tem amor à vida, Peixes. — respondeu ofegante Camus, que de olhos fechados apenas se concentrava nas carícias de Afrodite.
Aquário detestava admitir, mas aquele maldito sueco mexia muito consigo. Enquanto o sentia retirar sua camisa e deslizar as unhas longas por seu tórax e braços que se arrepiavam aos toques, Camus se recordava do tempo que gastara na mais cara joalheria de Atenas à procura de uma joia que fosse tão bela quanto Afrodite.
Poderia ter comprado qualquer peça, e comprou! O anel foi o primeiro e mais simples e ia encerrar a compra apenas com ele, mas quando bateu os olhos naquele par de gemas aquamarines, que eram exatamente da cor dos olhos e dos cabelos do pisciano, não pode deixar de imaginar o quão deslumbrante ele ficaria as usando.
O preço era uma pequena fortuna, mas nada que lhe fizesse realmente falta. Camus era um dos homens mais ricos de toda a Rússia e seu poder aquisitivo ia muito além do que Afrodite e o próprio Saga pudessem imaginar. Contudo, Aquário fazia questão de manter esse detalhe sobre sua vida particular em completo sigilo, por isso, toda vez que vinha à Grécia não ostentava absolutamente nada que pudesse chamar a atenção dos colegas cavaleiros, pois quase todos os seus bens, incluindo as mansões, carros esportivos de luxo e muito dinheiro, eram diretamente ligados à máfia.
Justamente por não gostar de ostentar que ficou surpreso consigo mesmo quando comprara os brincos, e por isso também, ficou um pouco chateado pelo sueco não tê-los notado, já que não eram uma joia qualquer.
Na mesma hora, Camus fechou o semblante ainda mais, fazendo uma carranca emburrada. Estava ali, dando uma mini fortuna em joias para um garoto de programa que o obrigara a usar lingerie e o humilhara de todas as formas, e ele nem sequer notara os brincos.
— Ah, tenho sim! Amor à vida, ao luxo, aos diamantes... — disse Peixes, tirando Camus de seu devaneio particular — Anda, deixa de marra e tome seu vinho. Escolhi especialmente para você. — buscou as taças no balcão e estendeu a Camus.
— Non gosto de vinho. Pegue suas joias, pois tenho pressa em sair deste quarto. — insistiu o aquariano, negando a taça que era oferecida.
— Ah, mas quem disse que você vai sair? — respondeu o pisciano dando um gole na bebida carmim, depois se aproximou do francês e lhe tomou os lábios em outro beijo suave, agora com o sabor do vinho misturado à sua saliva doce.
Camus então fora tomado de súbito por um ímpeto acalorado e um comichão que lhe subia pelas pernas, culminando em um torpor ardente que lhe queimava o peito, e surpreendeu Afrodite lhe agarrando pela cintura e dando um tranco em seu corpo, colocando ambos os corpos e tomando a boca do outro num beijo urgente, pleno de volúpia e ansiedade.
Peixes jogou as taças de vinho sobre o tapete sem demora, na ânsia de ter as mãos livres para arrancar a camisa do aquariano, arranhar sua pele e lhe puxar os cabelos. Fez tudo isso com fulgor, enquanto o beijava avidamente explorando toda a boca quente e sedenta de Aquário, mas de repente puxou as madeixas ruivas para trás, forçando Camus a parar o beijo e soltar um gemido.
— Calma! Está muito ansioso. Primeiro, minhas joias.
Irritado, Camus se separou do sueco, retirou o anel do dedo e o entregou a ele de forma rude.
— Toma. É isso que quer? Pegue e me deixe ir embora.
— Hum... papa está ficando profundamente irritado com toda essa grosseria e frescura! Olha lá, heim! Vou ter que castigá-la de novo se continuar assim! — respondeu Peixes rindo e pegando na mão de Camus o puxando para sua penteadeira — Venha. Quero ver o que você me trouxe ai!
Chegando lá, Afrodite sentou-se na banqueta de frente para o espelho. Jogou os longos cabelos para trás de suas costas e disse :
— Vamos, coloque as minhas joias em mim, e pare de reclamar. Ou terei que ser mais rígido com você, princesa! Hoje eu também separei uma coisa especial para você usar.
— Non fale comigo assim. — disse Camus, voltando a ficar emburrado. Que merda Peixes tinha na cabeça em parar o beijo daquele jeito para lhe obrigar a lhe colocar as malditas joias?
Irritado e arrependido de estar ali, Camus retirou a gargantilha, puxou o cabelo de Afrodite para o lado e a colocou em seu pescoço. Depois pegou o anel da palma da mão que o próprio sueco lhe oferecia e o colocou no dedo do meio de Afrodite. Fez tudo de forma seca.
— Pronto. Foram caras e são muito elegantes. Espero que sejam de seu agrado. — disse se afastando dele — Ficaram lindas em você, Peixes. São delicadas e nem um pouco vulgares. — virou-se de costas sem revelar os brincos, os guardaria para presentear a irmã, talvez. Apanhou a camisa no chão e a chacoalhou no ar — Agora vou embora. Faça bom proveito delas.
— Mas o que pensa que está fazendo? — disse Afrodite se levantando da banqueta para ir atrás do ruivo e quando chegou perto dele, o puxou pelo braço com força, o trazendo para junto de si. Com a mão que tinha livre, colocou o cabelo de Camus atrás da orelha, revelando a joia — Aonde pensa que vai com meus brincos? Sim, porque suponho que sejam meus, já que imagino não ser do seu feitio tratar de negócios daquela máfia xexelenta usando joias preciosas nas orelhas, Camy.
Camus nada disse. Ficou olhando para os olhos brilhantes dele, enquanto via as gemas. Elas refletiam em suas retinas, o tornando ainda mais belo e sublime.
— Uau! Camus! São magníficos! — tocou a joia delicadamente, contrastando com a força que fazia com a outra mão para manter o francês ali, colado em si — Nunca vi uma joia como essa! Você se superou. E ficam mais lindos ainda em você! Minha princesa russa! Vou deixar usá-los hoje, mas depois vai ter que coloca-los em mim também, e não com essa cara de bunda suja que você colocou as outras! — esfregou seu rosto no pescoço do francês, lhe dando uma lambida e um beijo em seguida.
Camus tremeu de excitação ao ouvir o tom de autoridade com que Afrodite lhe dirigia a palavra. Teve medo, pois mais uma vez lá estava Peixes lhe tirando o juízo. Então sem lutar, até porque sabia que seria uma batalha travada em vão contra si mesmo, segurou o sueco pela cintura e novamente tomou sua boca, num beijo agora lento, molhado e profundo, que era retribuído da mesma maneira pelo cavaleiro guardião da última casa zodiacal. Camus passeava suas mãos pelo corpo esguio e forte do pisciano, ao passo que Afrodite se esfregava nele de forma voluptuosa, levando o ruivo à loucura.
Quando, depois de longos minutos separaram os lábios inchados pelo beijo intenso, Camus mergulhou seus dedos nos cabeços azuis piscina do sueco e disse com voz rouca e sensual em seu ouvido.
— Elles sont de la couleur de vos yeux. — (Elas são da cor dos seus olhos.) — E parece que foram feitos para você. — disse Aquário, que a essa altura já tinha se entregue a seus desejos mais íntimos e tomava o pescoço de Afrodite com beijos e pequenas mordidas, ao mesmo tempo em que escorregava as mãos pelas costas nuas dele até apertar sua cintura.
Peixes tombou a cabeça para trás, fechando os olhos e soltando um gemido longo de satisfação. Nada no mundo o deixava mais excitado que alguém lhe falando de sua beleza, e ter uma parte do corpo comparada a uma joia tão bela e de valor tão alto fazia seu ego tilintar de prazer.
— Aaahh, Camus. Adorei os meus presentes! — disse quase num sussurro, então se levantou de forma brusca e saltou no colo do aquariano, o entrelaçando com as pernas e tomando novamente sua boca, até que de súbito saltou para o chão novamente.
— É a vez de papa colocar os presentes que separou hoje para sua petite fille! — disse, puxando os cabelos de Camus pela nuca para lhe depositar uma mordida de leve no queixo, depois escorregou a mão até suas nádegas e deu um apertão, fazendo o francês soltar um gemido rouco.
— Hum... Vraiment, papa?... Puis aller, aller vite! Votre princesse est impatient de voir ce que vous avez enregistré pour ele! — (É mesmo, papai? Então vai, vai depressa! Sua princesa está ansiosa para ver o que você tem para ela!) – disse Camus, que a essa altura de tão excitado que estava já falava em sua língua mãe, deixando o desejo, o tesão, a sede por tocar o corpo do sueco e seguir com aquela jogo perigoso e maluco que faziam falassem mais alto que seus medos, pudores e razão.
Já Peixes ficava louco com a dualidade de Camus. Tão forte, tão poderoso e tão submisso ao mesmo tempo. Era justamente isso que o enlouquecia.
Não se contendo mais, Afrodite num gesto ligeiro desabotoou a calça do francês e com um só puxão para baixo a fez cair até seus tornozelos, surpreendendo-se ao vê-lo sem cueca, mas instigado pela ereção proeminente do outro que quase lhe saltou à cara.
— Pela deusa! — disse com um sorriso enorme no rosto — Seu safado! Já veio preparado!
Na mesma hora, Camus deu um passo para trás, meio cambaleante devido à calça embolada em seus tornozelos, ao mesmo tempo em que tentou cobrir seu membro usando as mãos, fazendo um concha.
— Non é o que está pensando! — disse atrapalhado, com o rosto quase na mesma cor que os cabelos.
— Ah, não? — riu o pisciano — Mas não tem problema nenhum, Camy. Eu já separei uma peça perfeita para você.
— É verdade. Acredite! Todas as minhas cuecas desapareceram do meu Templo. Fui me vestir hoje de manhã e non havia nenhuma!... Estou intrigado com isso... e... Uso apenas cuecas de uma marca francesa que só existe em Paris, por isso non saí para comprar... Non vou vestir qualquer merde que ache por aqui em Atenas... — dizia, enquanto via o pisciano se aproximar de si com um olhar provocador em um risinho no rosto — Ei! Isso non é coisa sua, é?
— Tenho cara de ladrão de cuecas, Aquário? Tira a mão! — deu um passo até ficar colado a ele novamente, em seguida lhe deu um tapa nas mãos, e assim que Camus soltou seu pênis, Afrodite logo tratou de agarrá-lo, iniciando uma massagem ousada, enquanto olhava nos olhos do francês o seduzindo fazendo caras e bocas — Não me interessa suas cuecas, mas sim o que tem dentro delas! Hum... Você tem um pau grande e delicioso, Camus... Será que vai caber?
— Caber? — sussurrou o aquariano ao mesmo tempo curioso e apreensivo.
— Sim! A calcinha que separei para você hoje, será que vai caber? Ela é bem pequenininha e você... Nossa, você é um tesão, Camus! — beijou o canto da boca do aquariano, enquanto ainda manipulava seu pênis com maestria.
— Aaahhh... Afrodite... — gemeu o francês — Você é um depravado. Gosta de me ver de calcinha tanto assim? — disse o aquariano, levando uma das mãos às nádegas do sueco e dando um apertão forte, cravando as unhas no látex da calça — Te excita me vestir com elas? Hum?
— Ah sim! Muito! — respondeu o pisciano lambendo o pescoço do ruivo – E sei que você também gosta! Camy! — esticou o pescoço e tomou os lábios dele mais uma vez antes de se afastar e pegá-lo pela mão — Vem!
Afrodite puxou Camus pelo quarto até chegar a seu closet, então abriu as duas portas, revelando um interior enorme com muitas araras de roupas, prateleiras, onde havia toda a sorte de sexy toys, bem como revistas e fitas cassetes, além de muitas gavetas e espelhos. Foi até uma das gavetas, puxou e de dentro retirou uma calcinha de rendas azul piscina junto com conjunto de ligas e meias de seda, ergue diante dos olhos incrédulos de Camus e disse:
— Olha só como eu acertei! Meu sexto sentido está muito apurado, não acha? Combina com os brincos maravilhosos que você me deu. — entregou a peça de renda minúscula nas mãos do aquariano e puxou um Camus atônito e sem reação pela mão, o fazendo sentar em uma cadeira vermelha que fora colocada ali estrategicamente.
Camus não acreditava. Achava realmente que o pisciano estivesse brincando. Não imaginou que o outro o faria mesmo usar novamente aquela peça infame. No fundo, existia uma chama de dignidade dentro de si que o fazia titubear.
— Afrodite... non... non precisamos disso.
— Ah, precisamos sim! — insistiu o sueco se ajoelhando entre suas pernas e dando o tiro de misericórdia que faltava para acabar com qualquer razão e dignidade que Camus ainda pudesse alimentar — Eu vou chupar seu pau bem gostoso... E ai você vai usar o meu presente para eu ver.
Dito e feito. Assim que Afrodite começou a felação, Camus perdera de vez toda sua resistência. Já tinha recebido sexo oral de muitas mulheres ao longo de sua vida, porém nada, em absoluto, se comparava ao que Afrodite fazia consigo. Não se lembrava ao certo de tudo o que fizeram na fatídica noite em que passaram juntos. Estava bêbado demais, absorto e perdido dentro de si mesmo. Agora era como se fosse tudo novo para si. A boca de Afrodite era quente, molhada na medida certa. A língua ágil e os movimentos eram tão estimulantes que o faziam contrair os dedos dos pés em deleite, enquanto gemia totalmente entregue.
Quando sentiu que Camus estava prestes a atingir o clímax, Afrodite parou, arrancando um gemido de protesto do outro.
— Ah, non! Non pare!
— Shiu, ma petite! Quem manda aqui sou eu! Cala a boca. — disse, passando a língua entre os lábios.
Então Peixes esticou o braço e pegou a calcinha, as meias e a liga das mãos do ruivo. Juntou suas pernas e primeiro vestiu as meias, as desenrolando lentamente, dando beijos e pequenos arranhões nas coxas de Camus enquanto executava o movimento, até vestir as duas. Depois o fez ficar de pé e colocou a calcinha, puxando para cima enquanto ouvia o outro protestar. Não ligava, pois para ele, o ato de vestir Aquário com aquelas peças era tão excitante que se transportava para outro mundo!
— Afrodite, non... Isso incomoda...
— Já mandei calar a boca. Não seja malcriada ou vai apanhar! — retrucou, pegando a liga e forçando o aquariano a vesti-la. Quando estava pronto, prendeu as pontas nas meias e sorriu, batendo três palmas — Voilà! Perfeito! Ah! Espere! Ainda falta um detalhe!
Abriu uma gaveta e de dentro retirou uma coleira de couro branco com pedras em brilhante e uma argola de aço no meio. Puxou Camus pelo cabelo sem muita delicadeza e colocou o acessório nele, fechando a fivela e dando um selinho em seus lábios ao final.
— Viu, só! Eu não disse que ia ficar lindo! — disse, enfiando o dedo na argola e puxando para baixo — Anda. De quatro no chão.
— O que? — murmurou o francês.
— Mandei ficar de quatro no chão. Ficou surdo de repente? — disse, forçando o corpo do outro pela argola na coleira.
Camus estava alucinado, mas nem sabia ao certo com o que. Se era com o beijo, ou o perfume inebriante de Peixes, ou seu jeito dominador e autoritário. A verdade era que estava explodindo de tesão!
A calcinha que o pisciano vestira em si era minúscula e se enterrava em suas nádegas o incomodando, mas ao mesmo tempo lhe proporcionando uma sensação de prazer inexplicável. Aos poucos foi dobrando os joelhos e ficando na posição que o outro lhe ordenara, pois mesmo a contragosto, sentir-se à mercê daquele sueco depravado era excitante demais. Sentia muita vergonha e isso só piorava sua situação, porque era esse o combustível que lhe mantinha cada vez mais fascinado naquele jogo perigoso. Ali já não era mais o frio e calculista cavaleiro de Aquário, chefe da máfia mais influente e perigosa do mundo, mas somente Camus, um jovem devasso reprimido por tudo e por todos, e que somente com Afrodite podia ser o que era em essência.
— Oh, oui papa...
— Oui, oui... – dizia Peixes, puxando os cabelos ruivos do cavaleiro e se curvando para baixo para esfregar seu rosto no dele – Aaaahhh... Camus... Você me tira do sério... Quero você! Quero agora! Te desejo tanto!
— Vous me voulez, papa? Vous voulez baiser avec sa petite princesse? Hum?*(1) — disse o aquariano, que de joelhos no chão abraçava as penas de Afrodite e esfregava o rosto em seu membro rijo, por cima do látex, enquanto apertava as coxas e nádegas do pisciano com ambas as mãos — Aaaah, Aphrodite... Je veux aussi baiser avec toi, papa! Je veux sa bite enfoui au plus profond dans mon cul! Je vous souhaite, papa! Fag délicieux!*(2)
Afrodite mais uma vez tinha o que queria. O frio cavaleiro de Aquário entrando em erupção em suas mãos.
— Aaaahh oui, ma belle! — riu, e depois segurou o queixo de Camus o forçando a levantar o rosto e olhar para si — Papa vai foder a princesinha devassa dele bem gostoso! Do jeitinho que ela gosta! Agora anda! De quatro! Obedeça!
— Oui! — respondeu Aquário se colocando na posição de pronto.
— Isso, assim mesmo! — dizia Afrodite, enquanto deslizava as mãos pelas nádegas dele, vez ou outra dando um tapa forte e estalado — Hum... Aaah! Que delícia, Camus! Adoro foder você, seu ruivo gostoso.
Peixes então se sentou na cadeira vermelha e baixou o cós de sua calça, colocando o pênis para fora e massageando algumas vezes lentamente — Vem, me chupa! — disse apenas — Vamos, vai começar a música que eu gosto! Quero ouvi-la enquanto você me chupa bem gostoso, Camy.
Camus não perdeu tempo, assim que ouviu a ordem aproximou-se engatinhando, se colocou entre as pernas do pisciano e enquanto ele cantarolava a música abocanhou todo o membro rijo e pulsante de uma só vez, iniciando uma felação deliciosa, usando os lábios e a língua e se deliciando com o gosto daquele membro. Entre um movimento e outro, sugava, ora de leve, ora com maior intensidade, levando Afrodite à loucura, que com os olhos pregados no ruivo o observava em completo êxtase.
— Hum... Você é bom nisso, princesa... Aaahhh... Assim, não pare... — gemia o sueco, agarrando os cabelos longos do ruivo e forçando sua cabeça para baixo. Ficava doido quando o via engasgar.
Os espelhos que existiam ali davam a Afrodite uma visão sublime de seu mago do gelo, ajoelhado entre suas pernas lhe dando prazer e totalmente entregue a seus caprichos. Mal podia acreditar que era verdade, que tinha todo esse domínio sobre Camus e essa sensação de poder o deixava ainda mais excitado.
Quando percebeu Aquário puxar sua calça mais para baixo, lhe acariciar os testículos e lamber seu períneo, sentiu que logo explodiria de prazer e não queria acabar com a brincadeira. Por isso, agarrou novamente em seus cabelos e puxou sua cabeça para trás com certa violência, o fazendo parar. Em seguida tomou os lábios do aquariano provando seu próprio gosto, num beijo carregado em luxúria.
— Hum... Você é bem atrevidinha, princesa... Papa gosta disso! — disse, escorregando as mãos pelo corpo do outro até segurar no elástico da calcinha e baixa-la lentamente até os joelhos, depois apalpando as nádegas generosas do francês, ora dando tapas, ora apenas se deliciando com a textura e maciez da carne — Aaaaaah... Vai, Camus, pede... Pede para o seu papa te comer. — sussurrava no ouvido do francês — Pede, safado.
— Baise moi, papa! Baise sa princesse! — respondeu Aquário mais que depressa.*(3)
Ao ouvir o pedido, Afrodite na mesma hora se levantou da cadeira, segurou na argola da coleira que vestira em Camus e o conduziu até ela, o fazendo ficar de bruços sobre o acento, com o peito na madeira, os joelhos no chão e as pernas abertas, lhe proporcionando uma visão excitante de sua intimidade, a qual acariciou por longos minutos usando os dedos e também a língua.
Então esticou o braço até uma das gavetas ao lado e de dentro dela pegou uma bisnaga de lubrificante e um pacote de camisinhas. Despejou uma boa quantidade do gel no aquariano e o penetrou com um dedo. Conforme os gemidos iam ficando mais intensos e o corpo de Camus mais relaxado, Afrodite introduziu outro dedo, mas não se demorou muito na preparação, pois estava prestes a explodir de tesão.
Retirou os dedos, vestiu uma das camisinhas em si, e segurando na base de seu pênis penetrou Camus com cuidado, o vendo apertar os braços da cadeira com tanta força que ouviu a madeira trincar. Sorriu, então forçou um pouco mais, até sentir seu pênis todo dentro dele, o estrangulando de uma forma deliciosa. Segurou a cintura de Aquário com uma das mãos, e com a outra buscou seus cabelos novamente, apanhando um bom punhado para em seguida puxá-lo para trás, o fazendo se levantar e colar as costas em seu tronco.
— Aaahhhh... Camus, assim que você quer?... Que rabo apertado você tem! Gosta de dar ele para mim? — sussurrou no ouvido do outro, enquanto mordiscava de leve o lóbulo da orelha do ruivo.
— Oui... j´adore! — (Sim... Eu adoro!) — respondeu Aquário. Sentia-se humilhado, rebaixado, mas também sentia-se sujo, imoral, depravado e era justamente esses adjetivos a que se empregava em pensamento que o excitava cada vez mais.
Via a si mesmo nos espelhos, em diversos ângulos, vestido daquele jeito, sendo tomado por Afrodite que tinha total domínio sobre si e tudo que conseguia sentir era um tesão absurdo, que o fazia querer chafurdar cada vez mais naquela lama de sensações. Por isso mesmo empinava os quadris ainda mais de encontro aos de Afrodite, rebolando e gemendo em completo êxtase.
— Plus fort, papa! Plus fort! — (Mais forte, papai! Mais forte!) — pedia — Je veux que vous me mangez le plus fort qui obtenir! Pédé! Aaahhhh... oui... Vient, papa...vient! *(4) Aaaahhhh. — rogava entre gemidos de dor e de prazer.
A dor lhe deixava ainda mais delirante, já que aumentava sua sensação de punição. Para ele, estava sendo punido, castigado por ter desejos tão imorais e proibidos e queria sofrer sua punição da forma mais intensa que conseguisse.
Afrodite por sua vez, atendia aos pedidos aumentando o ritmo da penetração conforme sua excitação crescia ao ver Camus tão entregue.
— Aaahhhh... Então toma... Gostoso... Safado! — dizia entre gemidos roucos, porém se irritou quando Aquário baixou a cabeça para desviar o olhar dos espelhos — Não abaixa a cabeça, porra! Não mandei você baixar! — gritou em alto e em bom tom. Então agarrou no cabelo do ruivo o fazendo levantar novamente a cabeça e olhar para o espelho — Olha! Veja quem está te fodendo, Camus! Veja quem manda aqui, viado gostoso. — lambeu o rosto do francês sem tirar os olhos de seus reflexos por um só segundo e meteu com mais força, soltando urros e proferindo obscenidades nos ouvidos de Camus, que gemia ainda mais alto em resposta.
O ritmo que Peixes impunha era forte, firme e acelerado. Seus corpos se chocavam e logos minutos se passaram sem que ele diminuísse aquela intensidade, até que de súbito, Afrodite saiu de dentro de Aquário, agarrou a calcinha que estava caída em seus joelhos com ambas as mãos e com um só puxão a rasgou, jogando os pedaços para longe.
— Vire-se! — mais uma ordem que não fora cumprida de imediato — Eu mandei se virar. — gritou o sueco, já agarrando Camus pelo quadril e o fazendo virar de frente para si.
Com um solavanco o colocou sentado sobre a cadeira, se ajoelhou no chão, abriu as pernas do francês, as colocando sobre seus ombros e enquanto beijava seus lábios arfantes o penetrou novamente, de uma só vez, retomando o vai e vem cadenciado, dessa vez mais forte e acelerado, chocando novamente os corpos um contra o outro de maneira ruidosa.
— É assim que você quer, né?
— Aaahhhh... oui... ce´est ça... aaaahhhh
— Siiim... Papa sabe que é assim... Aahhh... Camus... — dizia, enquanto estocava selvagemente aquele corpo trêmulo e febril — Geme, Camus, vai... Geme para mim, fadinha do gelo!
— Aaahhhhh... Aphrodite... Hummm... oui... vous êtes mon homme. — (Você é meu homem.).
— Aahh… sou? Sou teu homem?
— Oui... Hummm... seulement vous… Ainsi… plus fort… — (Sim, só você é. Assim. Mais forte.).
Delirante, Camus gemia feito um louco. Até tentava se controlar, porém não conseguia e de olhos fechados mergulhava de cabeça em toda aquela depravação que ao mesmo tempo lhe envergonhava, mas que fazia parte intrínseca de seu ser.
Quando Afrodite tomou sua boca ao mesmo tempo em que segurou em seu membro o estimulando no mesmo ritmo da penetração, Camus sentiu-se logo no limiar do orgasmo, quando pequenos espasmos tomaram seu corpo involuntariamente. O prazer da penetração unido à estimulação em seu pênis era uma experiência única e arrebatadora, e o ruivo não tinha mais como esconder de si mesmo que era daquilo que gostava.
— Papa... je... je vais... n´arrête pas... Viens, viens, dans moi... viens avec sa princesse...*(5) — dizia entre gemidos cálidos, enquanto empurrava os próprios quadris contra os de Afrodite, intensificando o contato, até que chegou ao orgasmo soltando um urro de prazer, molhando a mão do pisciano e boa parte de seu próprio tronco.
Afrodite olhava para Camus alucinado com o que via, os cabelos ruivos espalhados, os olhos avelãs semicerrados, a boca arfante que pedia por mais, enquanto seu corpo forte balançava frenético conforme os trancos que lhe dava. Ele tinha uma beleza tão exótica, tão apaixonante! E como o sueco era amante fiel da beleza em todas as suas formas, estava amando possuir aquele ser tão belo. Vê-lo atingir o prazer máximo o fez delirar.
— Aaah, sim, Camyy... Siiim... Seu viado lindo! Aaaahhh... — gemeu o sueco, tendo um orgasmo delicioso poucos minutos após, e ainda dentro do francês, colou seu peito ao dele o olhando nos olhos, enquanto ambos sincronizavam as respirações, recuperando o fôlego.
Camus sentia como se o ar lhe faltasse, tanto pela letargia pós orgasmo, quanto pela profundidade dos olhos de Afrodite e a maneira como eles encaravam os seus. Parecia haver um magnetismo ímpar entre eles, o qual os envolvia por completo.
Sem pensar muito, o ruivo segurou no rosto do pisciano e puxou para tomar seus lábios num beijo um tanto quanto estranho, pois Camus não só beijava e sugava a boca de Afrodite, como também a lambia, mordendo vez ou outra o queixo, como se degustasse uma iguaria rara e deliciosa. Tudo isso olhando dentro daqueles olhos tão azuis que chegavam a hipnotizá-lo.
Em seu mais íntimo, Aquário pensava em como se deixara levar daquela forma por ele e, principalmente, quando fora que tinha baixado a guarda e se envolvido daquela maneira. Piscou algumas vezes. Era melhor não obter resposta. Tinha medo de se descobrir apaixonado justamente por aquele homem a quem tanto repreendia e até mesmo abominava. Conhecia muito bem Afrodite e sabia que ele não era capaz de amar a ninguém, além de si mesmo.
Já ele, Camus, era vítima de seus próprios sentimentos, nutrindo um medo irracional de se entregar a eles, preferindo não ter nenhum, pois sabia que quando se entregasse seria forte, intenso, arrebatador ao ponto de consumi-lo por inteiro. — "Que todos os deuses do Olimpo tenham misericórdia de moi!" — pensou.
Não podia estar apaixonado por Afrodite. Não justamente por ele.
Aquário fora tirado de seu estado letárgico e contemplativo quando Peixes se afastou, saindo de dentro dele delicadamente. O sueco retirou a camisinha usada, deu um nó e a jogou no lixo ali perto. Depois puxou o ruivo pela mão para se deitarem sobre o tapete felpudo que havia ali, um ao lado do outro, ambos olhando para o teto com olhos parados e pupilas ainda meio dilatadas.
— Foi incrível, Camy. — disse Afrodite com um sorriso no rosto — Foi uma foda e tanto! Você é um francesinho muito depravado. Me deixa louco! —procurou a mão do aquariano, a pegou e levando até seu rosto deu um beijo na palma — Agora pode me dar meus brincos. Ou quer colocá-los em mim?
— Oui. — respondeu Aquário tão somente, então se sentou, fazendo uma careta de dor no início, mas logo relaxou e retirou os brincos das orelhas.
Afrodite fez o mesmo, sentando-se de frente para ele e cruzando as pernas.
Camus então afastou os cabelos do sueco, os jogando para trás das costas e com uma delicadeza surpreendente para alguém que era um furacão durante o sexo e um assassino cruel e sanguinário no dia a dia, colocou os brincos nas orelhas de Peixes fazendo uma carícia em seu rosto logo em seguida.
— Très beaux! — (Lindíssimo!) — disse com um sorriso tímido e singelo.
Afrodite tocou nas gemas com as pontas dos dedos e sorriu satisfeito.
— Imagino que tenham ficado muito mais bonitos em mim que em você! —disse provocando, depois se levantou e sentou-se na cadeira — Vem... Senta aqui no meu colinho.
— Non... Eu preciso ir embora.
— Está dizendo isso desde que chegou, Camy. — disse, oferecendo a mão para o aquariano se levantar — Anda, senta aqui. — bateu com a mão nas próprias coxas indicando.
Camus mais uma vez obedeceu, se levantou e se sentou nas pernas de Afrodite, que o abraçou pela cintura e começou balança-lo como se faz com as crianças, mexendo as pernas e dando pequenos solavancos.
— Você, princesa, está deixando papa muito satisfeito! Quando vem me visitar de novo? — apertou a ponta do nariz de Camus, dando uma chacoalhada de leve — E o que vai trazer para mim na próxima visita?
Camus ficou corado de vergonha. Uma coisa era ser tratado daquela maneira no auge do tesão. Fazia parte de seu fetiche maluco, o qual nem ele sabia definir ao certo. Outra coisa era aceitar aquilo de cabeça fria. Não mesmo.
— A-Afrodite... Non. Non faça isso, s´il vous plait. — disse num sussurro.
— Não faz o que? — perguntou o outro rindo — Isso? — começou a chacoalhar ainda mais as pernas, imitando uma cavalgada e segurando Camus pela cintura — Upa, Upa, cavalinho! Quer brincar mais um pouquinho? — riu ainda mais, até que o francês desceu de seu colo nervoso, mas Peixes logo se levantou atrás e o agarrou pelo braço, o trazendo para junto de si, novamente colando seus corpos — Ei! Mas que humor mais instável você tem, Camy, estou só brincando! — deu um selinho nos lábios do ruivo, em seguida acariciando seu rosto — Quero mesmo saber quando você volta.
— Pois fique avisado que non gosto dessas brincadeiras. Parece que até agora você ainda non entendeu porque eu deixo você fazer... Fazer essas coisas comigo, Afrodite.
— Porque, como diria o Buda loirudo, você é um mundano, Camus de Aquário! — deu um tapa na lateral da nádega do francês.
Camus suspirou. Se nem mesmo ele sabia por que deixava Afrodite fazer tudo aquilo consigo, como poderia exigir do outro que soubesse.
Resignado, abraçou com força o pisciano, escondendo seu rosto na curva do pescoço perfumado dele e lhe dando um beijo rápido.
— Eu venho outras vezes sim. — disse por fim — Non sei quando... Nem com que frequência. Non moro no Santuário, sabe disso... E tenho muitos negócios a resolver em Moscou, mas... sempre que der venho ver você. Sempre que me vir subir com alguma das garotas, me espere. Non sei o que trarei da próxima vez, mas... só posso dizer que será à altura de sua beleza e valor, ma belle rose! Mas agora tenho mesmo que ir embora. Non posso correr o risco de ser visto aqui.
— Hum... Vou esperar ansiosamente, ma petite princesse! Mas, antes de dar linha, tenho que te devolver uma coisa. — disse Afrodite, deixando o closet e caminhando até sua penteadeira, ajeitando a calça de látex no corpo enquanto isso.
De frente para o móvel, Peixes apanhou o lírio de gelo que Aquário havia feito para Geisty e que ainda estava dentro do copo que trouxera do salão. Atrás dele, Aquário terminava de vestir suas roupas e nem se dera conta, só tomou conhecimento do que era a tal coisa de que Afrodite falava quando este atirou o lírio contra si, que bateu em seu peito e caiu sobre seu colo.
— Mas que merde é essa, Afrodite? — disse irritado, pois tinha doído a pancada da peça contra si.
— Leva embora essa porra de flor matim que você fez para aquela mosca varejeira de franja. Exú da bunda flácida! Suma com isso da minha frente e se por acaso você um dia subir com ela, pode esquecer papa, princesa, calcinhas e todo o resto. — dizia quase gritando, visivelmente irritado.
Camus ficou surpreso. O que era aquilo? Ciúme? Baixou a cabeça e riu.
— Non seja ciumento. Essa flor foi apenas uma gentileza e um pedido de desculpas. — disse o ruivo, que usando seu cosmo reduziu a escultura a vapor d´água, bem diante dos olhos dele.
Depois, assumindo o papel do Camus que todos conheciam, deu dois passos firmes e decididos até Afrodite, o agarrou pela cintura lhe dando um tranco com o corpo e o trazendo para si o beijou de forma forte, passional, dominante e autoritária, ditando ele agora o que queria, enquanto mantinha a cabeça de Peixes imóvel travando seus dedos nos cabelos dele.
O beijo era tão possessivo que Afrodite pediu arrego, espalmando as mãos no peito de Aquário e afastando o rosto para poder recuperar o fôlego. Então Camus soltou os fios azuis do sueco e chamou sua atenção.
— Olhe isso...
Elevou minimamente seu cosmo para não ser detectado ali por nenhum dos outros cavaleiros, fechou os olhos e da palma de sua mão minúsculas partículas de gelo começaram a surgir, tomando forma lentamente, diante dos olhos admirados de Peixes.
Camus moldava o gelo com seu pensamento e poder, e para lhe dar forma se concentrava na imagem do pisciano e de toda a beleza que transbordava nele, a delicadeza da pele pálida e aveludada, a textura dos cabelos macios, as formas perfeitas do corpo, o gosto único, o perfume sem igual de rosas... Com tudo isso dominando seus pensamentos, Aquário criou uma lindíssima rosa de gelo eterno, tão perfeita quanto as do jardim de Afrodite, tão rara quanto o cavaleiro que as manipulava. Era tão linda que parecia viva e, se olhasse com muita atenção para ela, podia se notar uma luz azulada em seu interior, pulsando no mesmo ritmo do coração do aquariano.
— Une belle rose, pour le plus belles de tout le monde! — (Uma bela rosa, para a mais linda rosa de todo o mundo!) — sussurrou, dando um beijo na rosa e entregando a escultura a um pisciano deslumbrando com o que acabara de ver e com o que agora tinha em mãos — Adieu, ma belle rose.
Camus vestiu o casaco, apanhou a maleta e saiu pela porta dos fundos. Tinha que ser rápido. Tanto para não ser visto, quanto para não ceder à tentação e voltar quarto do pisciano.
Este por sinal estava parado ainda no meio do aposento decorado em tons de rosa nude, branco e vermelho. Olhava maravilhado para aquela perfeição em suas mãos. Era mesmo uma obra de arte digna de sua beleza.
Caminhou até a cama, sentou-se e olhou no interior da peça, vendo uma luz azul cintilar. Sorriu e se deitou, trazendo a rosa para seu peito e soltando um suspiro longo.
— Adieu. Camy! Estarei te esperando. — virou para o lado e adormeceu, com o coração de Camus pulsando entre suas mãos.
Dicionário Afroditesco
Dar linha – ir embora.
Matim – Mixuruca. Coisa pequena, ínfima, sem importância.
Otim – bebida alcoólica. Qualquer tipo de bebida que contenha álcool.
Traduções censuradas
STOP – leia por sua conta e risco.
*(1) – Você me quer, papai? Quer foder a sua princesa?
*(2) – Eu também quero foder com você. Eu quero seu pau enterrado o mais fundo possível na minha bunda. Te desejo tanto, papai! Seu viado gostoso!
*(3) – Me fode. Fode a sua princesa.
*(4) – Me come o mais forte que conseguir! Sua bicha! Aaahh... Goza, goza!
*(5) – Papai... Eu... Eu vou... Não pare... Goza, papai, goza dentro de mim... Junto com sua princesa.
