— MURALHA DE CRISTAL!

Junto com a poderosa voz que ressoou em ecos nas ruínas milenares de pedras, uma barreira invisível e instransponível se ergueu diante de Afrodite rebatendo o ataque do cavaleiro de Virgem, o qual sofreu um rebote sendo devolvido ao agressor, no caso Shaka, que só não fora atingido pelo próprio golpe porque se defendeu na velocidade da luz usando seu escudo de cosmo-energia.

— KHAN!

Na mesma hora que o escudo repeliu o golpe devolvido de Shaka, o cavaleiro guardião da sexta casa já o desfizera, ficando cara a cara com a face zangada de Mu que de trás da Muralha de Cristal encarava o virginiano com um olhar incrédulo e pleno de ira.

Áries estava tão nervoso que seu rosto corado contorcia-se, fazendo as pintinhas lemurianas em sua testa quase ficarem unidas. Havia se teleportado para os arredores do Templo de Baco assim que sentira o Cosmo de Shaka, sem nem ter tempo de vestir-se adequadamente, já que trajava apenas uma bermuda larga de algodão.

— Mas o que pensa que está fazendo, Shaka de Virgem? — disse rangendo os dentes — O QUE VOCÊ FAZ AQUI? — gritou a última frase entre perdigotos.

— Saia da frente, Áries. — respondeu Shaka encarando os olhos do ariano em resposta com incitação semelhante — Não se meta.

— Eu não posso acreditar, Shaka... — balançou a cabeça negativamente, os pequenos fios da franja tremelicando sobre sua testa — Quando senti seu cosmo se elevar nesse lugar, foi como tomar um golpe direto no meu peito... Afrodite está ferido, será que não vê? Ou não quer ver? Será possível que me enganei esse tempo todo a seu respeito?... Não estou acreditando que você tenha descido tão baixo, Virgem.

— Eu? Não. O único baixo aqui é esse imoral excomungado. Esse orgíaco sujo acabou de me dizer um monte de...

— DE VERDADES! — gritou o cavaleiro de Peixes piscando os olhos enquanto encobria a boca e o nariz com uma das mãos na tentativa de estancar o sangue que lhe escorria por entre os dedos, depois segurou no ombro de Mu e por trás da Muralha encarou o rosto colérico de Shaka — Eu só disse o que você precibava oubir. — estava fanho devido o nariz quebrado — E o excobungado aqui é você, Buda, que teve coragem de bater em uba noviça!

— Peixes... — Shaka rosnava do outro lado do escudo de cristal.

— Bu, ele ia bandar pro inferno uma serba do senhor! E ainda se diz ser o hobem bais próxibo de Deus!... Olha ai... quebrou beu dariz! — dizia exaltado.

— Dido, eu sinto muito! — Mu segurou no rosto do sueco com ambas as mãos, olhando para ele com o coração partido, mas seu gesto de compaixão despertou ainda mais o ciúme incontrolável de Shaka.

— Vai mesmo defender esse cínico e ficar contra mim, né, Mu? — disse, baixando seu cosmo, em seguida liberou Aldebaran da paralisia e deu as costas a Peixes e Áries, fechando os olhos — Tudo bem, faça como quiser. Eu já dei o meu recado a ele.

Resignado, Virgem começou a caminhar lentamente, deixando para trás dois cavaleiros que o observavam incrédulos.

Mas, Shaka não tivera chance de se afastar muito, já que Mu, transtornado como estava, o deteve desfazendo a Muralha de Cristal e correndo até ele.

— Você não vai sair daqui assim. — imprimiu toda sua raiva na voz grave e firme, ao mesmo tempo em que agarrava no braço do virginiano e o puxava para virar-se de frente para si — Que pose toda é essa, Shaka? Como você teve coragem de vir aqui, pelas minhas costas, e agredir o meu amigo? Não é possível que não percebeu o Cosmo dele triste e sofrido, o rosto dele todo marcado... Por Atena, Shaka, você não tem coração, não tem piedade?

O cavaleiro de Virgem olhava para o rosto de Mu e sentia sua tristeza. Da mesma forma intensa sentia os dedos do ariano apertar seu braço com força e seu Cosmo exalar rancor e melancolia. Porém, em meio a todas essas sensações Shaka procurava sentir, sem sucesso, justamente aquele sentimento do qual Mu lhe questionava. Piedade.

— Eu não vim à Terra para ter piedade.

— Você não é Deus, Shaka.

— Mas também não sou homem... — com um tranco livrou-se da mão de Mu — Se não consigo... Se não posso dar a você o que você quer eu não...

— Cale-se! Você não entendeu nada e eu não quero mais falar sobre isso com você. — disse Áries — Estou tão decepcionado, Shaka... Acho que você não é mais a pessoa pela qual chorei de saudades durante tantos anos em Jamiel. Você cresceu e se tornou um completo estranho para mim. Não irei à sua casa hoje, nem sei quando irei novamente, pois eu vou cuidar do Afrodite, porque você quebrou o nariz dele e como você mesmo disse, eu sou enfermeiro de garoto de programa, não é mesmo?

Foi então a vez de o Santo de Áries dar as costas a Virgem e seguir caminhando a passos apressados até onde Peixes estava de pé observando a tudo atentamente. Sem olhar para trás, Mu pegou na mão do amigo pisciano e teleportou a ambos para a primeira casa zodiacal, deixando para trás um certo indiano absorto.

Shaka soltou uma bufada de ar e então finalmente olhou para a direção do Templo de Baco. Sentiu ainda mais raiva ao ver ali parado Saga de Gêmeos, que ao lado de Aldebaran o encarava com algidez e surpresa.

Gêmeos correra para frente do Templo assim que sentiu os Cosmos de Virgem, Touro e Áries ativarem-se e se elevarem rapidamente. Como Grande Mestre e líder dos cavaleiros, estava pronto para interferir e impedir uma luta da qual nem conhecia o propósito, mas quando olhou para o cenário e percebeu Mu impedindo Shaka de matar Afrodite, logo se deu conta, mesmo que extremamente surpreso, de que se tratava de uma briga motivada por ciúmes. Mas, ciúmes de quem e por quem?

— Eu estou alucinando ou acabei de ver Shaka de Virgem tentar matar Afrodite de Peixes por ciúmes do Mu de Áries? Ou... É Peixes e Áries que estão se pegando?... Ou... Virgem... Será? Será que Shaka tá tendo um caso com o Afrodite? — perguntou em voz baixa ao brasileiro que estava ao seu lado.

— Se tu tá alucinando então eu também usei a mesma parada que tu usou. — disse Touro muito sério — É, parece que Afrodite não é o único viado aqui. Quem diria o Musinho... Será que boiolice pega?

— Bando de abutres! — rosnou Shaka os encarando, depois correu os olhos pelo local e sentiu-se envergonhado ao ver as bacantes que haviam saído para espiar a briga, e também Geisty, que da sacada do quarto do dono do bordel o olhava com semblante curioso e assustado.

— Cavaleiro de Virgem, se você tem problemas com o cavaleiro de Áries, ou com o cavaleiro de Peixes, peço que os resolva na sua casa, porque não vou admitir mais nenhum barraco na frente do meu bordel, você está entendendo? Não sei que tipo de relação vocês possuem e nem me interessa saber, mas não permitirei que venha aqui agredir meus funcionários e ameaçar meu empreendimento. — pontuou Saga, muito nervoso.

— Eu deveria mesmo tirar seus sentidos e acabar de vez com sua depravação, Gêmeos, e também com esse seu antro de perdição. Mas você é uma vergonha tão grande ao Santuário que não precisarei sujar minhas mãos, pois você mesmo irá afundar sozinho a si próprio e a quem estiver próximo a você.

Com um último olhar lançado à Geisty na sacada, Shaka teleportou-se de volta à casa de Virgem, deixando a todos calados, introspectos em seus próprios pensamentos, até que momentos depois Gêmeos soltou um suspiro longo e passou ambas as mãos no rosto.

— Eu devo ter um lugar reservado no Elísios só por ter suportado esse mala tantos anos, desde quando era um pivete que mijava na cama.

— Minha Santa Querupita! — exclamou Touro — Mas o Shaka não é monge? Existe monge gay? E desde quando monge trepa?

Saga olhou para Touro e após alguns segundos de um silêncio questionador ambos expulsaram a tensão que tomava conta de seus ânimos dando uma longa e divertida risada.

— Bem, parece que sim, né meu amigo. Existe monge gay, no entanto se trepa eu não sei, mas que está precisando, ah, isso ele está! — respondeu o geminiano aos risos, depois ergueu os olhos para a sacada de seu quarto e viu quando Geisty lhe sorriu antes de voltar ao interior do quarto.

— E quem pagou o pato foi o Afrodite. O que será que esse viado aprontou dessa vez? — completou o brasileiro.

— Ah, pode ter certeza que alguma merda aquele desmiolado fez para conseguir tirar Shaka de Virgem do sagrado Templo dele. Preciso conversar com Mu... Eu quero que fique bem claro que não quero aquele Buda maluco interferindo nos meus negócios. Do Peixes quero distância, senão eu mesmo o mato. Depois do que ele me aprontou ontem na minha festa de aniversário minha paciência com ele se esgotou. Venha. — deu dois tapinhas nas costas de Touro e subiu os degraus da escadaria, parando em frente às garotas que ainda estavam ali — Eu vou tirar o dia de folga hoje, por isso o Templo das Bacantes não abrirá. Façam o mesmo. Tirem o dia para fazerem o que tiverem vontade.

Naquele dia ninguém trabalharia no Templo de Baco, o dia seria de descanso, uma ótima oportunidade para passearem e relaxarem seus corpos e mentes casadas.

Descanso e relaxamento era também o que procurava Shaka de Virgem ao chegar à sexta casa zodiacal e ir direto para os fundos do Templo, onde ficava sua enorme Flor de Lótus feita em ouro. Era ali que o cavaleiro sempre procurava refúgio para as horas em que se encontrava perdido e também respostas para os questionamentos de sua mente confusa.

Levitou até o centro da escultura, posicionou-se cruzando as pernas, juntou as mãos à frente do ventre, fechou os olhos e iniciou seu mantra principal para entrar em transe meditativo.

— OM.

O som da voz de Shaka ecoava pelos longos corredores fazendo vibrar as chamas das velas que permaneciam sempre acesas e também o metal dos sinos de bronze, além de tudo o mais que havia ali e que respondia à vibração do poder que aquele mantra milenar possuía.

Porém, se tudo à volta de Virgem ressoava em sincronia numa perfeita harmonia, dentro da mente de Shaka a desordem e o caos imperavam.

Enquanto ele entoava seu mantra, procurando concentrar-se em sua própria voz, não era ela que ele ouvia, e sim a voz de Afrodite de Peixes, forte, decidida e vibrante em sua mente.

— Ooommmm... "Como eu sei qual é a escolha dele? Porque eu escuto o que ele tem para me dizer."... Oooommmmmmm... "Você está magoando e enlouquecendo o Mu. Se você quer morrer virgem é uma escolha sua. Ele não quer, Shaka!"... Ooooommmmmm... "Mu quer ter prazer com você e não é possível que você também não queira!... Ooooommmmmmmmm... "Esse seu namorico de criança com o Mu não vai durar muito. Se você não quer dar para ele, tem quem queira!"... Ooooooommmmmmmmmmm... "Ele está louco para meter gostoso na sua bunda, seu idiota. Só que você é tão prepotente que não é capaz de admitir que é isso que você também quer, Shaka!"... OOOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMMMMMM... Mas que... MALDITO CAVALEIRO DE PEIXES! — desistiu do mantra gritando por fim.

Abriu os olhos extremamente irritado. Desceu da lótus, chutou as velas, quebrou as varetas dos incensos e saiu de seu altar de meditação bufando feito um touro. Era impossível conseguir entrar em transe com a voz e as palavras do pisciano lhe atormentando a mente.

Meia hora depois, Shaka retornou ao altar munido de balde, vassoura, rodo e produtos de limpeza. Apanhou do chão tudo que havia jogado, recolocou em seus devidos lugares, limpou toda aquela bagunça, reacendeu as velas e incensos e estando tudo organizado por fora, já que dentro de si a bagunça só crescia, foi assistir televisão, pois já estava quase na hora do capítulo reprise da novela.

Casa de Áries, 09:11 AM

— Um...

— Dão... Espera Bu...

— Dois...

— Eu acho que dão tô prepara...

— Três.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH...

O grito de Afrodite reverberou por todo o Templo de Áries. No instante seguinte em que Mu recolocara a cartilagem septal do pisciano no lugar. Peixes, que estava deitado no sofá da sala, tendo a cabeça escorada por três grandes almofadas, agarrou na bermuda do ariano e encolheu as pernas, permanecendo assim por longos minutos, até que sua respiração se normalizasse aos poucos.

Ao lado dele, Mu aguardava pacientemente e com o coração partido. Via as lágrimas do amigo sueco escorrer de seus olhos pelas laterais do rosto enquanto estancava o sangue que vertia das narinas com o auxílio de uma toalha.

— Calma Dido... Tenta se acalmar. O pior já passou. Felizmente o golpe só deslocou a cartilagem, não chegou a quebrar. — dizia com voz branda, procurando tranquilizar o pisciano que se contorcia. Estava muito envergonhado pela atitude de Shaka e não sabia o que fazer para confortar Afrodite.

— Tem certeza, Bu? Dão vou ficar com o dariz torto? — perguntou Peixes finalmente abrindo os olhos e olhando para Áries.

— Não. Não vai. — Mu deu um sorriso singelo, mas logo voltou a ficar sério — Mas, diga-me a verdade... Não foi apenas no nariz que Shaka te acertou, não é? Você está com o rosto todo marcado.

— Foi sim, Bu... O loirudo só be deu um coice, aquela mula empacada... É que ontem eu quebrei louça* com a desgraçada da Lagartixa cascuda.

— Eu não acredito! — disse Mu se levantando para ir apanhar o estojo de primeiros socorros que havia deixado sobre a mesa de centro — Você estava convalescendo ainda dos ferimentos antigos... Não acredito que se meteu em briga novamente com o Misty! Dido tem que se controlar.

— Eu juro que tentei, Bu, bas aquela lazarenta de ventosa be tira do sério! — respondia enquanto era ajudado por Áries a levantar-se do sofá.

— Eu não sei se fico mais decepcionado com você ou com o Shaka. Anda, tira a roupa.

— Oi? — Afrodite olhou para Áries surpreso, segurando a toalha na frente do rosto — Desistiu de be ajudar e resolveu assinar beu atestado de óbito? Se eu tirar a rouba na sua frente invoco o Buda boladão na hora, Alice!

— Deixa de ser bobo. Se se meteu em outra briga ontem deve ter mais ferimentos pelo corpo. Vou passar o emplastro que estávamos usando esses dias e já faço novos curativos. Depois, você não tem nada que eu já não tenha visto. Anda, tira essa fantasia doida ai e senta aqui na cadeira. — puxou uma das cadeiras de madeira que ficavam dispostas num grande balcão que ligava a sala à cozinha.

Afrodite atendeu ao pedido sem dar-se a pudores, até porque pudor não fazia parte de sua personalidade exuberante. Retirou o hábito de látex o jogando sobre o sofá e apenas de cueca sentou-se na cadeira de frente para o encosto, abraçando o mesmo e deixando suas costas livres para que Mu pudesse espalhar o emplastro.

Com muita delicadeza, Áries prendeu os longos cabelos do amigo para o alto num coque bagunçado e despejou uma boa quantidade do elixir, distribuindo sobre as feridas novas e antigas usando as palmas das mãos.

— Depois que espalhar o medicamento e fizer os curativos, ative seu Cosmo para acelerar o processo de cicatrização.

— Hu-hum... farei isso, mas antes, vai Bu, me emplastela todo... Humm. — respondeu rindo o pisciano — Já pensou se o Buda loirudo visse essa cena? Me deixa broxa pro resto da binha vida!

— Dido... Me desculpe pelo Shaka. — falou o ariano com um pesar real na voz — Ele e eu, bem... Nós nos desentendemos ontem e... E o idiota descontou a raiva dele em você. Estou tão envergonhado pela atitude dele.

— Dão se preocube, Bu. Nem se desculbe. — afastou a toalha do rosto virando a cabeça para trás à procura dos olhos verdes do ariano, depois olhou para ele com convicção — Eu teria feito o besmo no lugar dele. Shaka só defendeu o que é dele. Eu só dão entendi por que ele estava tão bravo cobigo!

— Foi porque eu... Foi porque eu fui burro. Eu entendi tudo errado os conselhos que você me deu na festa. Bebi e tentei agarrar ele. Avancei feio o sinal.

— Dããoo! Você dão fez isso! — Afrodite arregalou os olhos em surpresa.

— Sim... E depois disse a ele que você dormiu aqui...

— Hum... Agora o chilique da bona faz todo sentido! Mas, eu disse ubas boas verdades para ele! Pode abostar que ele vai ficar de cabeça quente pensando em cada palavra!... Eu até queria ter alguém que brigasse por bim assim! — suspirou olhando para um ponto qualquer entre o tapete e o rodapé, e seus olhinhos azuis brilharam!

— Não quero nem pensar no que foi que você disse a ele. — Mu deu uma risada sonora, depois pediu para que Peixes virasse de frente para que ele pudesse passar o emplastro em seu rosto, e assim que Afrodite sentou-se corretamente na cadeira, com uma gaze embebida em soro fisiológico limpou todo seu rosto, fez um novo curativo no supercílio e outro no nariz, para depois espalhar o emplastro sobre os hematomas.

— Do jeito esquisito dele, Shaka aba você, Bu! Vocês só precisam perder o bedo de conversar sobre sexo! Eu sinto que vocês se abam! Ah, o abor!... Seria lindo se a princesa desse um coice de mula em alguém por causa de bim! — piscou os olhos várias vezes dando um suspiro.

— Quem? — perguntou Áries curioso, e na mesma hora Afrodite engoliu seco e tentou disfarçar.

— Ai ai ai ai ai Bu... passa aqui, passa aqui... Está doendo tanto aqui! — dizia agitando-se sobre a cadeira enquanto mostrava o joelho ralado para Mu, pedindo que ele passasse o emplastro naquele local.

— Eu sei que ele me ama e eu também amo aquele idiota, mas nem por isso serei conivente com os erros dele. — Mu continuava, sem perceber a bola fora do amigo. Espalhou o produto no local indicado e massageava suavemente com as palmas das mãos — Tinha que ver a maneira grosseira com que ele me tratou noite passada. Ok, eu o magoei, agarrei ele à força, mas não fiz nada que ele não quisesse... E depois, nada justifica o que ele fez hoje, Shaka passou dos limites. Onde já se viu, primeiro não queria que ninguém soubesse do nosso namoro, depois vai na porta da casa de tolerância e me faz aquele escândalo! Que homem mais incoerente!

— Esses são os piores! Uma hora te dão joias e beijos, outra hora um murro na cara e uma surra de cinta. — murmurou o pisciano pensativo.

Nessa hora Mu ficou sério, então segurou no queixo de Afrodite o fez olhar em seus olhos.

— Dido, eu sou sensitivo. Desde que sofreu aquele ataque com aço lemuriano venho sentindo você triste. Eu sei que está sofrendo, imagino que esteja com sua honra de cavaleiro ferida, mas não havia nada que você pudesse fazer sozinho e sem seu Cosmo... Mas, sinto que não é isso que o aflige, meu amigo. Sua aura está imersa em melancolia e eu nunca o vi assim. O que está acontecendo?

Afrodite olhava naqueles olhos tão doces sentindo uma angústia sufocante. Sua alma suplicava por contar a Mu que o verdadeiro motivo de seu pesar era Camus, o amor que sentia por ele e que não queria admitir para si mesmo, e a culpa que carregava nas costas por ter traído sua confiança da maneira mais baixa que encontrou. Mas não podia contar.

— Não posso, Bu... Não agora... Talvez nunca... — respondeu, sem quebrar o contato visual.

— Está bem. Se prefere assim eu o respeito. Mas, quero que saiba que estou aqui, que sou seu amigo e que, da mesma maneira que me defendeu e que enfrentou Shaka com a coragem de poucos, eu também irei te defender sempre que for preciso. — colocou o vidro com o emplastro sobre a mesa de centro e delicadamente abraçou o pisciano, que retribuiu de pronto — Quero que conte comigo, Dido, e que não sofra calado e sozinho. Pode confiar em mim.

— Obrigado, Bu, bas é belhor eu ir para binha casa agora, antes que o Buda loirudo apareça aqui e corte fora minha barbatana! — sorriu, esperando que Mu se afastasse para se levantar em seguida e apanhar a fantasia de freira sobre o sofá — Eu vou ficar bem. Devo muito acué* ao Saga e até conseguir pagar tudo que devo tô preso naquela zona. Isso que estou sentindo logo passa. Não nasci bara ser um peixe preso num aquário! — vestiu a fantasia enquanto Áries o observava.

— Queria tanto poder ajudar... Posso tentar conversar com Saga e pedir para ele...

— Shii... — aproximando-se do ariano, Afrodite colocou o dedo indicador sobre seus lábios o fazendo se calar — Não quero que se envolva ainda bais nesse negócio sórdido. Entenda-se com o Buda maluco e dão o julgue mal, Bu. Você esteve fora por buito tempo, mas Shion permaneceu a seu lado até quanto pôde e o velho te abava muito... Shaka nunca teve ninguém... Depois que você foi embora, ele se isolou na sexta casa e nunca deixou que nos aproximássemos buito dele... Imagino que deva ser besmo buito difícil para ele se relacionar com alguém de carne e osso, no seu caso mais carne do que osso, depois de ter passado tantos anos sozinho conversando e sendo doutrinado por um fantasma, ou esbírito, sei lá... Com o Buda! Pense nisso, Bu, e obrigado mais uma vez!

Quando Afrodite saiu, Mu sentou-se no sofá com o estojo de primeiros socorros em seu colo.

Ali ele ficou por longos minutos, com o olhar perdido e o semblante tristonho enquanto repensava em tudo que aconteceu desde a hora em que saíra da casa de Shaka para ir à festa de aniversário de Saga de Gêmeos.

Uma leve dor de cabeça lhe lembrava que agora estava sóbrio, então finalmente conseguiu organizar os pensamentos e retomar com consciência tudo que acontecera desde a noite passada.

A briga com Shaka havia sido, de certa forma, reveladora, porém também muito decepcionante, uma vez que Virgem além de lhe dar as respostas que procurava acerca de sua preferência na cama, ainda lhe revelara uma faceta cruel.

Talvez estivesse cego de paixão e seus olhos somente foram abertos quando o loiro o tratara de forma tão arrogante, além de demonstrar total desprezo e falta de compaixão para com o próximo.

Justo, Shaka, a quem todos acreditam ser o próximo Buda, ou no mínimo o representante do próprio na Terra.

Esfregou o rosto soltando uma arfada de lamento. Seu orgulho ariano estava ferido e apesar de reconhecer que também errara com Shaka, as palavras duras e carregadas de julgamentos do namorado foram piores do que o golpe covarde que ele desferira contra si, visto que, a se tratar pela maneira como Virgem havia lidado com o problema, Mu começava a pensar que talvez amasse Shaka muito mais do que era amado por ele.

Não que duvidasse dos sentimentos do indiano, mas o fato de tê-lo rejeitado plantava em Áries a semente da dúvida.

Com o peito apertado, Mu levantou-se do sofá arquejando ruidosamente. Estava tão revoltado que mesmo diante de um desejo latente de subir até Virgem para conversar com o amado preferiu não ir, pois só pioraria as coisas e certamente iniciaria uma nova discussão. Sentia-se capaz de tudo por Shaka, em nome do seu amor, mas assim como fez ele, duvidando de seu caráter, agora Mu duvidava dos sentimentos que moviam o virginiano em respeito a si.

Por isso mesmo, ao perceber que pensar não o estava ajudando em nada, visto que não encontrava solução para o impasse que se instalara em seu namoro, decidiu descer até à Forja, o único lugar no mundo que era capaz de lhe abrandar o espírito e o coração.

Casa de Virgem, 09:38 PM

Na tela da televisão, Síbila, a bela indiana de olhos verdes que protagonizava Destinos Cruzados, saía de casa escondida de seu marido, Ralej.

Enquanto caminhava apressada pelas ruas estreitas e tumultuadas de Varanasi, tomava o cuidado de cobrir o rosto com um véu negro para não ser reconhecida até chegar ao destino traçado: a temida casa das viúvas!

Entrou sigilosamente e foi guiada por uma das moradoras até um quarto escuro, onde uma moça muito bonita chorava deitada sobre a cama. Estava com o corpo todo ferido, pois havia sido agredida por um dos clientes dos quais era forçada a fazer sexo em troca de dinheiro para manter a pensão, já que era a mais jovem e mais bonita das moradoras.

Seu nome era Rhama e era amiga de infância de Síbila, por isso a bondosa kshatriyas** comprometeu-se a cuidar dela até que se recuperasse da violência sofrida.

Síbila fazia isso em segredo, uma vez que se fosse vista na casa das viúvas seria castigada.

O risco era imenso, mas mesmo assim sua compaixão era maior que seu medo. — "Vou cuidar de você, Rhama, mesmo que me arrisque. Não posso deixar de ter compaixão com os que estão sofrendo, e não me importo com sua condição. Viúva ou prostituta, antes de mais nada você é um ser humano e é minha amiga!" — dizia Síbila, enquanto limpava os ferimentos de Rhama com um sorriso terno no rosto.

Sentado sobre a cama, as pernas cruzadas e os olhos injetados na tela do aparelho, Shaka assistia à cena da novela como se vivenciasse um dejà vu indigesto.

Tal qual Mu, Síbila era pura compaixão com a amiga prostituta. A ela não importava o que de errado Rahma teria feito para merecer aquela violência, mas apenas que precisava de sua ajuda.

"(...) Foi isso que me tornei, e continuarei a ajudar quem precisar de minha ajuda, sabe por que? Porque é isso que os humanos fazem. Ajudam uns aos outros."

A frase que Mu lhe dissera na noite passada vinha à tona no mesmo momento em que Síbila dava um abraço em Rahma e lhe entregava um envelope com algumas notas de rúpias na tela da TV.

— Droga... Talvez tenha exagerado. — murmurou em voz baixa, vendo os créditos de encerramento do capítulo subirem — Mas, se aquele impudico não tivesse me falado todas aquelas... coisas... ARGH! — desceu da cama nervoso, indo até o televisor para desligá-lo.

No silêncio do quarto, Shaka permaneceu alguns minutos pensativo — "Compaixão." — a palavra ecoava insistente em sua mente — "O Mu é um ser humano como qualquer outro e você está enlouquecendo esse homem com essa sua paranoia religiosa e essa greve de sexo." — novamente a voz e as palavras de Afrodite lhe puniam.

— Droga, Mu... Por que você tem que ser tão... bondoso? Tão melhor que... eu.

Na Forja lemuriana da primeira casa zodiacal, o som do martelar contínuo atravessava as espessas paredes de rochas maciças e galgava noite adentro rompendo o silêncio das ruínas milenares com um tilintar repetitivo e estridente.

Mu passara a tarde toda ali, entre fogo, fuligem, cinzas, metal e devaneios. O trabalho pesado e manual o ajudava a reciclar os pensamentos. Era um exercício que lhe proporcionava bem estar para o corpo e refrigério para a alma.

O som das marteladas cessaram por poucos minutos, apenas o tempo que levou para Mu retirar de dentro da fornalha viva uma ombreira de uma das armaduras de bronze dos aprendizes e encaixar a peça na bigorna com o auxílio de uma pinça articulada. Logo o som do metal sendo moldado pelo martelo voltou a retumbar.

Muito concentrado, Áries não percebeu que estava sendo observado.

De costas para a porta de entrada da forja, não pode ver quando a silhueta esguia cruzou o batente se aproximando a passos silenciosos e lentos.

Os olhos azuis muito claros do visitante silente percorriam imbuídos o contorno do corpo do ferreiro à sua frente, passeando pelas costas largas, nuas e suadas, depois correndo instigados pela cintura delgada onde o suor se acumulava no cós da calça que ele vestia tão somente, a deixando úmida.

Após perderem-se ali entre quadril e cintura, os mesmos olhos percorreram o caminho de volta até fixarem-se à nuca, onde alguns fiapos do cabelo lavanda aderiam à pele suada, já que toda a cabeleira farta do cavaleiro estava muito bem presa por uma tira de couro no alto da cabeça.

O suor preso à pele refletia a luz quente da fornalha, deixando o corpo do ariano iluminado, ao passo que os cabelos bagunçados lhe conferiam um ar selvagem.

A cada vez que erguia o braço forte no ar, para em seguida baixá-lo com vigor imprimindo força às marteladas, a mente do visitante silencioso fantasiava, e a resposta imediata de seu corpo o condenava.

O calor, o fogo, o corpo másculo e viril do ferreiro, o tilintar do metal, o cheiro forte de brasa e suor o estavam pondo louco, excitado e deveras confuso. — "Buda, o que há comigo? Ele só está consertando a armadura! O que tem de sexual nisso? Aquele Baiacu beijoqueiro prevaricador me envenenou, só pode ser isso!" — pensou aflito, sem conseguir tirar os olhos do homem à sua frente.

Chegou a pensar em sair dali, mas de súbito fora acometido por uma coragem afã que o fez apressar os passos e aproximar-se sorrateiramente de Mu.

Foi numa das horas em que o ferreiro ergueu o braço para cima, buscando impulso para a martelada que Shaka, inibindo seu cosmo e sem aviso prévio, encostou seu corpo esguio ao dele, lhe dando um abraço por trás, enquanto corria ambas as mãos pelo abdômen de Áries, galgando os músculos definidos até pousarem sobre o peito quente e suado.

— Não me mande embora. — pronunciou quase num sussurro ao pé do ouvido do ariano.

Mu baixou o braço lentamente, quase deixando cair a ferramenta com o susto da presença muda do outro ali. As mãos de Shaka estavam frias em contato com sua pele extremamente quente, mas em contrapartida sentia a aura do virginiano arder em ressonância com a sua.

Toda a agressividade de horas antes havia desaparecido e Mu percebeu que Virgem viera em missão de paz. Talvez por isso, mesmo ainda estando profundamente magoado, não conseguiu apartar aquele abraço roubado, deixando cair, agora por vontade própria, o martelo no chão para então colocar suas mãos sobre as dele, entrelaçando os dedos num gesto de boas vindas.

— Eu deveria... Mas, não sou capaz. — confessou, jogando a cabeça para trás a encaixando no ombro do virginiano, enquanto aproveitava para roçar seu rosto nos cabelos dourados dos quais tanto amava o perfume.

— Eu vim em paz, Mu. — encostou seu rosto ao dele, fechando os olhos e aspirando o odor natural da pele do lemuriano, nunca imaginou que fosse sentir-se atraído por algo tão peculiar — Eu pensei muito em tudo que me disse... — inclinou o rosto para o lado e beijou o lóbulo da orelha do namorado, dando uma mordida leve logo após — Quanto ao que fiz hoje de manhã, eu não me arrependo. Você é meu, Mu! E agora quero que todos saibam disso, porque não deixarei ninguém tirar você de mim!

Áries bem que tentava continuar irritado, mas com aqueles toques era impossível.

— Shaaa... Não me provoca assim, por favor... — resmungou Áries, sentindo todos os pelos de seu corpo se arrepiarem em resposta aos toques e beijos que Virgem lhe distribuía — Eu sou seu, Shaka, de corpo e alma, mas e você? Você é meu? Não é o que sinto. — murmurou.

— Claro que sou seu, Mu. Não estou aqui? Não vim atrás de você? — lambeu o contorno da orelha do lemuriano, ao mesmo tempo em que descia as mãos para sua cintura, aproveitando para colar ainda mais os corpos e os quadris — Vim aqui só para te mostrar que está enganado. Nós somos compatíveis sim, posso lhe provar. — forçou as unhas contra a pele ardente, enfiando os dedos longos dentro do cos úmido de suor da calça que Mu vestia.

— Ah é? — foi só o que conseguiu dizer em meio à excitação que tomava todo seu corpo, em especial seu baixo ventre, que fazia seu membro pulsar dando-lhe a sensação de prazerosas fisgadas — Como pretende me provar? Se só há um jeito de saber. — o desafiou, sentindo seu próprio rosto queimar diante do atrevimento.

Áries virou-se de frente para Virgem depois daquela pergunta. Queria olhar em seus olhos para ter certeza de que ele estava ali consciente do que dizia e fazia, mas quando se virou de imediato fora recebido com um beijo tão dedicado que seu principal intuito caiu por terra e ele se entregou de corpo e alma mais uma vez aos lábios cálidos do virginiano.

Mu beijava Shaka com entrega e paixão, até que sentiu as mãos do namorado sorrateiramente deslizarem para dentro de sua calça e surpreendentemente lhe acariciarem o membro rijo por cima da cueca, com certa insegurança. Abriu os olhos de supetão, sem interromper o beijo, vendo os olhos fechados de Shaka em sua expressão serena de costume.

Virgem nunca o tocara de forma tão íntima e devido à novidade tudo que fez foi deixá-lo conduzir as carícias, afinal estava adorando.

Fechou os olhos e deslizou também suas mãos pelas costas de Shaka até as estacionarem sobre as nádegas macias, então abriu bem as palmas e deu um apertão, sentindo seu membro latejar ainda mais forte só de imaginá-las nuas.

— Humm... Shaka... — apartou o beijo para atacar o pescoço de Virgem com leves mordidas — Está tão bom, mas... Não precisa fazer isso se não quiser. Eu não estou mais zangado com você.

— Mas, eu quero... Mu... — respondeu num sussurro meio vacilante, pois assustou-se um pouco ao sentir a força com que Áries lhe apalpava as nádegas, mas não o impediu de continuar como na noite passada, uma vez que a voz de Afrodite lhe ressoava na mente o confundindo e o condenando — "Mu está louco para meter gostoso na sua bunda, seu idiota... Só que você é tão prepotente que não é capaz de admitir que é isso que você também quer." — perturbado deu um passo em falso quase caindo para o lado, mas Áries o amparou o trazendo para mais um beijo apaixonado.

Aos beijos, amassos e mordidas afoitas, Shaka conduzia Mu até o sofá velho que o ariano mantinha ali há anos. Sem interromper as carícias, deitou-se de costas no estofado carcomido puxando o lemuriano para junto de si.

O Santo de Áries deixou-se levar, embora julgava que o amado pudesse estar agindo daquela forma por medo de perdê-lo, pois tal iniciativa era de se estranhar vinda de alguém tão reservado quanto Shaka. Notava na aura do amado uma insegurança latente e também certo nervosismo, porém Mu estava muito excitado e era extremamente difícil manter a razão diante daquele loiro que o provocava de forma deliciosa e desmedida.

Por isso mesmo que, sem pensar mais em nada, apenas no desejo que sentia por Virgem, deitou-se sobre ele e tomou sua boca uma vez mais, agora de forma lasciva, sugando a língua quente do indiano enquanto levantava a barra de sua túnica.

Shaka mergulhava naquele beijo sem medo de perder o norte. Estava tão excitado quanto Mu, o desejava com plenitude de corpo e alma, porém sua mente não lhe dava trégua. Algo ainda incomodava o cavaleiro guardião da sexta casa.

— Hum... Mu... eu... — sussurrou, sentindo o peso do ariano pressionar suas costas contra uma ripa de madeira que se sobressaía ao enchimento ralo do estofado, mas o desconforto daquele sofá estava longe de atrapalhar seu intento.

Correu as mãos pelas costas nuas do lemuriano as descendo até seus quadris, onde segurou firme e o puxou de encontro ao seu, fazendo suas ereções se tocarem e delirando com o prazer que isso lhe proporcionava.

Ainda não tinha pensado no tal encaixe. Como se resolveriam com as posições.

Porém, Shaka nunca sequer pensava em fazer sexo, independente do modo como fosse, ou se fosse com homem ou mulher. Era tudo assustadoramente novo para ele, mas não iria interromper-se novamente.

— Mu... Quero você. Aqui, agora. — murmurou, e decidido a alcançar a resposta através da prática, agarrou o cós da calça de Mu e com um puxão para baixo o despiu até metade das coxas, levando a cueca junto e surpreendendo o ariano, o qual cessou os beijos para olhar para o rosto do namorado — Não... Não para, Mu... Vem... — dizia, enquanto buscava o pênis do amado com uma das mãos, para de imediato agarrá-lo meio sem jeito e iniciar os movimentos de masturbação.

Surpreendeu-se com o "dote" do ariano. Pessoalmente pareceu-lhe ainda mais robusto do que se lembrava de ter visto quando o espiou com Marin no Templo de Baco, mas era de se esperar, já que passaram tantos anos longe um do outro e Mu tornara-se um homem lindo e viril, bem diferente daquele garotinho de físico frágil e delicado.

Mu por sua vez, estava nos Elísios. Tinha Shaka como queria, o desejando, se entregando de bom grado a si, excitado, uma vez que podia sentir o membro rijo abaixo do seu, a pele arrepiada, a aura rubra como nunca... Todavia, mesmo com todos os sinais positivos, algo parecia também incomodar o cavaleiro de Áries.

Shaka, mesmo com toques trêmulos, o masturbava deliciosamente, era só fechar os olhos, beijar os lábios doces do indiano e deixar que o amor que sentiam um pelo outro os conduzissem.

Mas não foi isso o que aconteceu.

Ao abrir os olhos por um instante, Mu viu Shaka deitado abaixo de si, beijando seus ombros, contorcendo-se de prazer, mas nada em volta fazia jus à importância que Mu dava aquele homem em sua vida.

Além de não saber como prosseguir caso realmente fizessem sexo ali, Áries olhava em seu entorno e via ferramentas jogadas no chão, peças destruídas de armaduras, restos de ferro fundido, a fornalha acesa a expelir cinzas e fuligem de carvão, sem falar no sofá velho e encardido, no qual a figura quase divina do virginiano estava deitada, pronta a se entregar, e de repente sentiu-se extremamente culpado.

Shaka era o amor de sua vida, e tal qual fora educado rigorosamente por Shion desde criança, deveria respeitar a pessoa que amava, e não estava respeitando Virgem. Ao contrário, agora sentia-se extremamente mau caráter ao se aproveitar da insegurança do namorado. Estava prestes a tirar-lhe a pureza de maneira leviana, desajeitada e afoita, em cima de um sofá velho empoeirado.

Diferente da noite anterior, agora estava sóbrio e aquilo lhe parecia tão absurdamente errado. Era óbvio que o namorado estava excitado, mas a real motivação que o levava a se entregar daquela maneira não era unicamente o amor que sentia por si, mas o medo de perdê-lo.

Shion o ensinara que quando encontrasse a pessoa certa deveria sempre dar-lhe o seu melhor, respeitá-la e também cuidá-la, e aquele não era o seu melhor. Deflorar Shaka, aproveitando-se do seu momento de fragilidade, seria uma desonra e uma vergonha tão grande que não conseguiu prosseguir. Sua consciência não permitia.

— Sha... Para... Aqui não. — disse com muito esforço em tom baixo, buscando os olhos do cavaleiro deitado sob si.

— Hum? — apenas gemeu o virginiano, ainda estimulando o ariano enquanto passava uma das pernas por sua cintura.

— Não quero aqui... Assim não amor. É errado.

Mu então ergueu o tronco e segurou no punho de Shaka, o fazendo soltar seu pênis e conduzindo sua mão até seu rosto, dando um beijo singelo na palma.

— O que? Por que não? Não era isso que você queria ontem? — questionou Virgem, confuso — Não é isso que você quer?

— Sim, é... É isso que eu quero. — soltou a mão do namorado e lentamente saiu de cima dele, levantando-se e puxando a calça para cima, extremamente envergonhado — Mas, não desse jeito, eu... Quero muito fazer amor com você, mas... Nem sei de que jeito faz, eu... Assim não tá certo, Shaka.

— Eu fiz errado, foi isso? — questionou o indiano com uma expressão aflita, vendo o outro fechar a calça — Eu... Eu não sei bem como fazer, mas posso aprender, Mu, juntos podemos. Só não quero que aprenda com outro, quero que aprenda comigo.

Áries deu um longo suspiro resignado.

— Eu sabia... Eu o conheço melhor do que imagina. Bem que estranhei essa sua... Ousadia. — baixou a cabeça dando um sorriso, ao mesmo tempo em que tentava conter a excitação em seu corpo que ainda se fazia presente — Shaka, não é assim que iremos resolver nossos problemas. Não é apenas fazendo sexo... Você ia fazer só para me agradar.

— Não! Absolutamente não, Mu! — Virgem levantou-se apressado do sofá, baixando a barra da túnica e retirando do rosto umas mechas do cabelo bagunçado — Eu quero... Queria... Bem... acho que queria. Mu eu amo tanto você, mas...

— Mas não foi para isso que dedicou toda sua vida, não é? Está em dúvida já que a Roda do Samsara lhe colocou diante de algo que julgava não estar destinado. Eu sei... Vem, cá. — o ariano esticou os braços e puxou o amado para um abraço carinhoso — Antes de ser seu namorado, eu sou e sempre fui seu melhor amigo. Conheço sua missão e seus anseios. O que sinto por você vai muito além do desejo carnal. Eu o amo desde que te vi ainda menino pela primeira vez... Sabe por quê? Sua aura iluminada, cálida e sábia deslumbraram meus olhos muvianos no momento em que olhei para sua figura, e eu soube naquela hora que você, Shaka, era um ser diferente, assim como eu, e não me senti mais sozinho... Não irei desrespeitá-lo novamente. Eu errei ao me esquecer disso. Me perdoe meu amor. — dizia com voz branda enquanto lhe acariciava os ombros — Vamos com calma. Como combinamos, afinal você me avisou que seria assim e eu aceitei, não foi? Me desculpa por ontem, Sha, eu sei que passei dos limites. É que, diferente de você, para mim não é nada fácil conter o desejo que tenho em...

— Para mim não está sendo fácil também, Mu. — interrompeu o loiro afastando-se minimamente, apenas para olhar nos olhos de Áries — Só que... Da mesma forma que não é fácil mais controlar meu desejo por você, também não é fácil abandonar meu voto. Sinto que estou traindo minha missão... Me deixando levar pelos prazeres da carne e quando chegar a hora de despertar Atena, não serei capaz de fazê-lo, porque me desviei do propósito pelo qual nasci e não terei poder suficiente para trazê-la de volta.

— Entendo... Você tem tanta certeza assim de que Atena virá para nós corrompida? Ela é nossa deusa.

— Tenho. Não sei te dizer como, nem quando, mas Atena se apresentará a nós como nossa inimiga. Cabe a mim trazê-la de volta, Mu. Mas, por Buda, o que isso tem a ver em fazermos sexo ou não? Não consigo entender. E por que agora você parou? Podíamos ter tentado...

— Não amor, senti que não deveria, não desse jeito. Também não tenho uma resposta exata do por que, mas minha consciência não me permitiu continuar. Não vamos mais perturbar nossas mentes com isso, Sha. — acariciou o rosto do loiro, depositando em seguida um beijo carinhoso em seus lábios — Vamos fazer do nosso jeito, no nosso tempo. Tudo bem? Você está certo, eu não deveria ter seguido os conselhos do Dido, mas ele não teve culpa, ele só queria nos ajudar.

Shaka franziu a testa. Só de ouvir o nome de Afrodite seu sangue fervia de raiva dentro das veias, mas uma coisa tinha que admitir, tinha feito exatamente o mesmo, seguido as palavras de Peixes, por isso estava ali e "atacara" Mu da mesma forma que fora atacado.

— Tudo bem, agora eu entendo. — afastou-se uns passos, enquanto Mu caminhava até à fornalha para apagá-la — Eu só não quero que isso se torne um problema para nós que te faça ir desabafar com aquele Baiacu beijoqueiro. Por Buda, Mu, desabafe comigo. Eu que sou seu namorado.

Fornalha apagada, ferramentas no lugar, Mu apanhou a camisa de cima do balcão de ferro e a vestiu, aproximando-se de Shaka novamente e pegando em sua mão.

— Sha, entenda uma coisa, Dido é meu amigo. Converso muitas coisas com ele. Coisas das quais ainda tenho vergonha de conversar com você. Eu não quero ele, eu não o amo, eu amo você. Dido apenas entende desse assunto de sexo e não vejo problema em perguntar algumas coisas. E outra... Não o julgue mal por ele ser meio maluquinho.

— Meio? Meio é elogio. E é claro que ele sabe muita coisa mais que nós, ele é um devasso, além de garoto de programa.

— Que seja. Dido fala um monte de bobagens, faz mais ainda, mas no fundo é só uma criança assustada. Só que esteja certo, Shaka, de que é por causa do Afrodite que ninguém nesse Santuário vai nos olhar torto, ou nos condenar por sermos um casal homossexual. Devemos isso a ele, porque ele enfrentou todo mundo para que o respeitassem como ele é... Até a maldita Vory e seu dinheiro ter mais poder sobre esse Santuário que o próprio Grande Mestre... Tenho por mim que foram eles quem agrediram o Dido. Quase o mataram, tinha que ver o estado do meu banheiro depois que o ajudei a tomar banho e limpar os ferimentos. Sangue para todo lado.

— Hump... E desde quando Gêmeos tem ou teve algum poder sobre esse Santuário? Esse usurpador só presta para somar mais desgraça ao que já está caótico O QUE? — Shaka de repente deu um grito, agarrando no braço de Mu e lhe dando um chacoalhão — Você disse banho? Você deu banho naquele pervertido do Afrodite?

— Aii... S-sim, qual o problema? — a voz saía tremida devido ao chacoalhão.

— Eu não posso acreditar que você viu e tocou em outro homem nu! E justo o Baiacu? — com um tranco trouxe Áries para junto de seu corpo e o encarou, seus olhos faiscavam de raiva e ciúmes — Não vê que ele está te influenciando? Você é puro, Mu, é inocente, e Afrodite e aquele antro de perdição que você trabalha estão te levando para o mau caminho, o caminho da devassidão, do sadismo, da obscenidade... Buda, me desencarne agora!

— Ai, Shaka, por Atena, meu amor, minha vida. — abraçou novamente o indiano tentando acalmá-lo — Entenda que ninguém nessa vida pode me levar para um caminho do qual eu não queira seguir. Shaka, eu sou dono do meu destino e dos meus desejos, ninguém me influencia. Olha para mim. — procurou o rosto do amado se afastando um pouco — O cavaleiro de Peixes é meu amigo. É um garoto de programa, sim, mas também é um Santo que entregou sua vida à Atena, e um dos mais poderosos entre nós. Eu vi Afrodite nu? Sim, e dai? Não é ele quem eu quero ver. Só há um homem na face da Terra que me desperta o desejo de retirar cada peça de sua roupa, até deixá-lo completamente nu e poder beijar cada pedacinho de seu corpo... Você, Shaka. Só você conseguiu despertar em mim algo que estava quieto por anos, e nem precisei tirar sua roupa. Seu cheiro, o seu olhar me excitam absurdamente... Não é um corpo, entenda... É você, Shaka de Virgem, você por inteiro. E é com você que quero perder minha virgindade e passar o resto da minha vida.

Shaka ouvia aquelas palavras ainda irritado. Porém, aos poucos as declarações tão sinceras e carinhosas do amado o iam acalmando o ânimo. Teria que aprender a lidar com seus ciúmes, já que confiava em Mu até mais que em si mesmo e não tinha porque duvidar de suas palavras.

— Está bem, Mu. Não precisa dizer mais nada. Eu acredito em você. — acariciou o rosto sujo de fuligem dando um sorriso — Eu também desejo passar minha vida ao seu lado e também quero perder minha... É, bem... Não sei se quero... Isso tornaria meu caminho até à Iluminação ainda mais longo e... Quero dizer, eu quero, mas... Não quer dormir em minha casa hoje? — mudou de assunto, era a melhor e única estratégia que lhe restava — Podemos ver uns filmes, o que acha? Faço aqueles bolinhos de chuva que você gosta.

Áries riu da falta de jeito do outro. Então passou um braço por seu ombro e caminhando junto a ele o conduziu para fora da forja.

— Eu acho perfeito! Me espera tomar um banho e subimos juntos, pode ser?

Shaka acenou que sim com a cabeça e acompanhou Mu até o banheiro. Não que fosse essa sua intenção. Quando o lemuriano disse que iria tomar banho, imaginou que o esperaria na sala, na biblioteca, onde quer que fosse, menos onde se encontrava agora, dentro do banheiro da primeira casa. Foram conversando e quando se deu conta já via o ariano abrir a torneira da ducha e retirar a camisa.

Num gesto involuntário, Virgem virou-se de costas para o namorado, enquanto meio sem jeito, tentando disfarçar o rosto corado, fingiu estar interessado na decoração do ambiente.

— Puxa, violetas! Não sabia que gostava de flores. São bonitas. — disse, vendo pela visão periférica o lemuriano entrar no box e fechar a porta de vidro transparente.

— Sim, eu gosto muito de flores. — respondeu meio encabulado. Estava tão envergonhado quanto Virgem, pois também fora pego de surpresa pela situação, mas nada diria. Tentaria agir normal, e seu normal era tomar seu banho virado de costas para Shaka.

Ao perceber que Mu estava de costas, o virginiano tombou discretamente a cabeça para o lado procurando espiar a silhueta de seu corpo. A espuma do shampoo que ele usava escorria por suas costas e Virgem perdia-se no caminho que ela traçava passando pelas nádegas redondinhas e coxas delineadas. Sentia um calor crescer dentro do peito e aquecer todo seu corpo — "Buda, por quê? Agora vai ser sempre assim? Por que estou aqui com ele? Por que eu procuro tanto o sofrimento? Será que me dá prazer sofrer pelo que não posso ter? Só isso explica o fato de eu estar aqui dentro desse banheiro sem ter coragem para entrar naquele box e agarrá-lo." — pensava sentindo a respiração pesar, até que novamente resolveu fugir.

— Ah, Mu, eu vou esperar na sala. Está ficando abafado aqui.

— Tudo bem, Sha. Não vou demorar.

Áries respondeu sem se virar de frente, já que também tentava lidar com um problema parecido.

Pensar que Shaka estava ali tão próximo o observando ao banho, o tinha deixado excitado novamente. Fazia de tudo para que Virgem não notasse, mas estava difícil conter sua libido, ainda mais depois dos amassos que deram na forja. Foi um alívio quando percebeu que o namorado havia deixado o banheiro.

Precisava abrandar toda aquela "tensão", ou tesão, antes de subir à casa do namorado ou não conseguiria assistir ao filme, muito menos conseguiria dormir a seu lado. Assim sendo, sem perder mais tempo, Mu desceu uma das mãos ao seu membro rijo e começou a se tocar, com movimentos lentos de início, mas que ganhavam intensidade conforme o estímulo aumentava sua excitação.

Não foi surpresa alguma que o alívio viera depressa e mordendo os lábios para evitar que um gemido lhe escapasse da garganta, escorou a testa no vidro do box e ficou ainda alguns minutos desfrutando da sensação de bem estar que o gozo lhe proporcionara.

Quando sua respiração se abrandou, terminou o banho rapidamente, enxugou-se e foi para o quarto se vestir. Colocou uma calça leve de algodão, sandálias gregas e a camiseta de carneirinhos que ganhara do namorado e que adorava usar para dormir. Deixou os cabelos soltos para que secassem mais rápido e foi para a sala, onde encontrou Shaka de pé em frente à janela olhando para céu estrelado do lado de fora.

Abraçou o virginiano por trás depositando um beijo em seu ombro.

— No que está pensando? — perguntou com um sorriso, aconchegando o corpo do outro ao seu.

— Estou pensando que essa foi nossa primeira briga, desde quando éramos crianças, e que espero que seja a última. — respondeu o loiro virando-se de frente — Eu usei meu Cosmo contra você... — ergueu o braço e tocou no pequeno ferimento que Mu ainda tinha nos lábios —... Me perdoe, Mu. Não sei o que houve comigo.

— Não vamos mais falar nisso, está bem? Eu também perdi a cabeça, Sha. Mas, quero que algo fique bem claro entre nós. Não vou virar as costas ao Afrodite.

— Mu, por favor...

— Não, Shaka, ouça. Você é sensitivo também, creio que percebeu que ele não está bem, que está deprimido, logo ele, que sempre foi alegre. Não vou deixar de ouvi-lo quando ele me procurar, nem de ajudá-lo quando ele precisar. E você precisa confiar em mim.

— Eu confio, Mu. Não confio é nele. Mas, eu entendi, só que me deixe estar com você. Não me esconda mais nada.

— Não. Prometo. — pegou na mão do indiano e lhe deu um beijo nos dedos — Então vamos? Com esse rolo todo eu acabei perdendo o capítulo de hoje da novela. Me diz, o Ralej descobriu sobre a amiga viúva da Síbila? — de mãos dadas seguiam até a parte de fora da primeira casa zodiacal.

— Nem te conto! Você perdeu o melhor capítulo! — respondeu Shaka empolgado, mas quando ia começar a narrar as peripécias de Síbila, Ralej e Rahma, Mu puxou para perto de si até ficaram frente à frente, olhos nos olhos.

— Shaka, antes quero que me diga uma coisa. O que você disse mais cedo, quando falou que quer que todos saibam que estamos juntos, isso foi sério? Podemos assumir nosso namoro para todos?

Mu tentava disfarçar, mas seus olhos brilhavam com a esperança de poder gritar para o mundo o amor que sentia, que aquele deus indiano, era seu, todo seu... Ou quase todo, pelo menos por enquanto, assim esperava.

— Não só pode como deve, senhor Mu de Áries! — respondeu Virgem com um sorriso — Que todos saibam que se mexer com você irão receber uma visita nada amistosa minha. Mas, creio que depois da ameaça que fiz a eles, de que posso deixar a todos impotentes, acho bem difícil alguém criar caso com a gente daqui para frente.

— Imagina só a cara de todos ao saberem que a comunidade gay do Santuário está aumentando? — Mu riu das próprias palavras, até porque ser homossexual era uma descoberta recente até para ele.

— Que bobagem, Mu. Isso são apenas rótulos. Eu me lembro que quando o vi pela primeira vez achei que você fosse uma menina, afinal estava tão limpinho e arrumado naquelas roupas típicas tibetanas todas enfeitadas, que só poderia ser uma jovem consagrada, de casta elevada, e já gostei de você nesse mesmo dia. — riu junto com o ariano, depois deu um selinho em seus lábios e pegou em sua mão — O amor verdadeiro quando acontece transcende o gênero. É nisso que acredito. Eu amaria você até se fosse um elefante.

— Bem, a tromba eu já tenho! Só falta as orelhas e o rabo. — respondeu um tanto quanto sério, para depois cair na risada. Contudo, reconhecia a si mesmo nas palavras do amado, visto que fora criado e doutrinado por Shion a encontrar uma donzela, se apaixonar, casar com uma mulher, constituir família, ter filhos e perpetuar sua raça quase extinta. Estava determinado a fazer isso, apenas não contava que se apaixonaria sim, mas pelo melhor amigo.

— Por Buda! Não me faça suprir meu próprio sentido da audição, Mu. Por favor.

Caminhavam devagar, sem pressa alguma de chegar ao sexto Templo. Enquanto subiam as escadas, Shaka narrava o capítulo da novela e Mu ouvia a tudo em um silêncio contemplativo de dar inveja a qualquer palestrante.

— Ralej está na porta da casa das viúvas e Síbila está lá dentro cuidando de Rahma. — falava o virginiano com uma expressão aflita no belo rosto — Ele terá que ser muito compreensivo, porque se ele não entender que Rahma é uma pobre coitada, viúva e prostituta, sem perspectiva alguma de futuro e que só pode contar com a bondade da Síbila, o casamento deles estará em risco. Síbila é uma mulher muito determinada, Mu. Ela não irá sucumbir aos caprichos do marido.

— Oh, pelos deuses! Que problemão eles terão que enfrentar, né Sha? — exclamava Mu arregalando os olhos, demonstrando interesse, mesmo que para ele novelas não fossem nem um pouco atrativas quando eram para Virgem. Mesmo assim ouvia a tudo com paciência e atenção.

— Sim, Mu. Um problemão!...

Ambos carregavam o drama de Síbila e Ralej nas costas sem deixar de, inevitavelmente, comparar a ficção com a vida real. Tal qual o casal da novela, eles tinham um grande problema para enfrentar juntos, mas se a vida também imita a arte, o final feliz, talvez, seria garantido!

*Dicionário Afroditesco

Acué – dinheiro

Quebrar louça – brigar

** Casta indiana de elevado nível hierárquico, abaixo apenas dos Brahmins. Segundo a tradição, seriam originários dos braços de Brahma. Estes exercem as funções de natureza política e militar.