Depois de dar folga coletiva à suas funcionárias naquele dia, e após a poeira levantada pela briga entre Afrodite e Shaka baixar, Saga voltou apressado para seu quarto no Templo de Baco.

Estava ansioso para colocar em prática uma ideia que de súbito lhe passou pela cabeça.

O destempero de Shaka em armar aquela algazarra barulhenta logo pela manhã e atrapalhar seu sono, além de sua reconciliação tão almejada com a amazona de Serpente, de repente veio a calhar.

Era ainda muito cedo e pretendia passar aquele dia todo junto de Geisty, isso é claro, se ela aceitasse. Ainda nutria certo receito frente aos desejos da amazona.

Sendo assim, chegou ao aposento depois de uma corrida, abriu a porta ansioso e encontrou Geisty de pé, com uma expressão no rosto nem um pouco amigável.

— O que houve? — perguntou ela franzindo a testa, já receosa da resposta que ouviria.

— Boa pergunta! Porque eu também não entendi nada. — fechou a porta e aproximou-se dela. Passou os braços pela cintura delgada e a puxou para um abraço — Bom dia! — disse aos risos, dando um selinho nos lábios da morena — Lamento que tenha acordado com mais esse barraco. Tinha planejado despertá-la com um belo café na cama.

— Ah é?... Mas, pelo jeito mais uma vez Afrodite atrapalhou seus planos, não é mesmo? — disse irônica, com um tom de voz meio ríspido.

— Bom, dessa vez foi o Buda de galocha, mas sim, Afrodite estava envolvido. Nem quero saber por quê!

— E você agora vai atrás dele, já que pelo que vi pela sacada, o cavaleiro de Virgem deu um coice na cara dele. — disse desanimada, já esperando que Gêmeos lhe dispensasse para ir atrás de socorrer o cavaleiro de Peixes.

— Não. — respondeu Saga de pronto, surpreendendo a amazona — Afrodite está mais que crescido para resolver seus problemas sozinho... Além do mais, hoje eu estou completamente ocupado para me envolver com problemas alheios.

A surpresa foi inevitável diante daquela afirmação. Geisty ergueu o olhar para o cavaleiro, o qual a mantinha com a cabeça apoiada em seu peito acariciando suavemente as madeixas negras desalinhadas.

— Quero poder passar cada minuto desse dia ao seu lado, e quero que seja especial para nós dois. — olhava para o rosto que o devolvia um olhar curioso.

Em seu íntimo, Saga já havia planejado mil e uma formas de viver aquele dia ao lado de sua amazona e esperava conseguir surpreendê-la. Tudo que mais desejava era recuperar todo o tempo perdido que passara longe dela, se assim os deuses permitissem. Queria conquistá-la!

— Hoje eu quero um dia de folga disso tudo para nós dois. Sem Templo, sem disfarces, sem obrigações, sem Santuário, sem problemas... Só nós dois! Quero passar o dia todo ao seu lado sem que ninguém nos interrompa. – percebia um brilho discreto de alegria nos olhos violetas, então sorrindo revelou seus planos — Pensei em irmos até Santorini hoje. Um dia inteiro só eu, você e o mar. O que acha?

No mesmo instante o rosto da amazona se iluminou em uma alegria desmedida, a qual culminou num sorriso largo, enquanto se afastou alguns passos do geminiano o encarando.

— Praia? Não acredito! Eu adoro praia, Saga. Está falando sério? Mesmo?

— Eu sei! — respondeu confiante, com olhar apaixonado perdido no sorriso da jovem. Finalmente era presenteado com aquele sorriso que tanto admirava. Depois de meses de convívio, era para si que ela sorria finalmente.

Ao perceber que era admirada de forma tão apaixonada, uma timidez quase que inexplicável atingiu em cheio a amazona, a fazendo baixar o olhar e em seu íntimo constatar o que lhe parecia óbvio naquele momento. Com o rosto levemente corado e sem abandonar o sorriso festeiro, Geisty ergueu o olhar novamente e encarou os olhos jades que pareciam hipnotizados por si.

— Você quer mesmo me conquistar, não é? — perguntou confiante.

— Sim! — respondeu Saga com a voz fluída e decidida.

Geisty sentiu o peito lhe comprimir e deixou escapar um leve suspiro. Estava feliz, porém ao mesmo tempo assustada. Como se procurasse alívio abraçou novamente o cavaleiro que de imediato a tomou em seus braços, e ambos entregues àquela força de atração que os acometia, mergulharam uma vez mais nos lábios sedentos e ansiosos um do outro, num beijo lento e delicado, enquanto toques suaves eram trocados mutuamente.

Após longos minutos entregues àquela sensação tão almejada, onde o afeto e a cumplicidade de um beijo trocado com paixão agora ocupavam o terreno que antes era povoado por medo, rancor, mágoa e revolta, ainda abraçados abriram os olhos e se encararam por alguns segundos antes de se afastarem para dar início ao que seria o primeiro dia se seu reencontro.

— A que horas saímos? — perguntou por fim a amazona.

— Se quiser, já.

— Não quer descansar mais?

— Na verdade, não. — confessou o grego com um sorriso.

— Bem... Confesso que eu também não. Então eu vou para meu quarto tomar um banho e tirar essa fantasia. — sorridente, deu um selinho apressado nos lábios do geminiano e já caminhava até a porta de saída quando, com uma expressão assustada, voltou-se a ele e disse em um tom de voz mais baixo — Mas, Saga... Como faremos para não sermos vistos?

— Estão quase todos dormindo. Dei o dia de folga para as meninas e há essa hora devem estar todas em seus quartos planejando o que irão fazer. Aldebaran está na adega e de lá deve voltar para a casa dele no Santuário. O Lagarto e as amazonas estão no Alojamento Prata. Creio que pode ir para seu quarto sem se preocupar. Quando estiver pronta me encontre na garagem dos fundos. Vamos de carro até o Porto e de lá embarcamos em uma lancha até Santorini.

— Não é muito arriscado Saga? Alguém pode nos ver e...

— Confie em mim. Tenho tudo sob controle.

— Está bem. Acho que agora eu confio... Ou não, quem sabe. Vai depender de você, cavaleiro. — finalmente abriu a porta e lançou um último olhar ao grego antes de deixar o quarto.

Saga acompanhou toda a ação com o sorriso bobo no rosto típico dos apaixonados. Vendo a morena deixar o quarto de modo furtivo, pensava no quanto desejava fazer aquela mulher feliz, no quanto a queria ao seu lado e de tudo o que seria — e fora— capaz de fazer por ela.

Porém, mesmo vivendo finalmente aquele sonho a tanto adiado, uma sensação nefasta se apoderava de seus pensamentos vez ou outra. Seria capaz de conquistar a confiança de Geisty depois de tudo que fizera a ela?

Tinha como certo, dentro de suas convicções, que caso não a conquistasse não tinha o direito de lhe cobrar coisa alguma, uma vez que ele mesmo não se perdoava por tê-la tomado de forma tão vil, sob a desculpa patife de testá-la, mesmo que não estivesse totalmente consciente do que fazia.

E Saga também tinha medo, muito medo, de jamais conseguir provar à sua amazona o quanto ela era importante, vital para si, como o ar que lhe mantinha vivo, ou os sonhos que lhe mantinham acordado ainda perante a força maligna que residia dentro de sua mente e que tentava jogá-lo ao precipício.

Fechando seus olhos ante o futuro incerto que se desenhava à sua frente, Gêmeos decidiu dar tempo ao tempo, confiando à sorte o tão almejado perdão da amada e também sua confiança. Sentia que sua vida e sanidade estavam presas aos fios negros do cabelo da amazona, a única pessoa no mundo que podia ser a âncora que o manteria firme naquele mar revolto que era sua mente.

Tomou um banho ligeiro decidido a deixar o medo, pelo menos naquele dia, para trás e em poucos minutos já deixava o quarto devidamente arrumado, vestido com roupas leves e confortáveis.

Ao se aproximar da porta do quarto de Geisty deteve seus passos apressados. Pensou em bater, porém conteve-se e apenas se concentrou em sentir o Cosmo dela. Sorriu ao constatar que, diferente das outras vezes, ele agora era alegre e agitado. Estava feliz em perceber que ela também estava ansiosa para estar consigo.

Elevou de forma discreta seu Cosmo no intuito de avisá-la de sua presença ali, e depois desceu silenciosamente pela escada, indo em direção aos fundos do Templo.

Mas, antes de ir à garagem, onde disse que encontraria a amazona, Gêmeos passou em seu escritório e fez uma breve ligação, acionando um de seus contatos particulares que trabalhava no Porto de Pireus.

A ideia do passeio a Santorini surgiu-lhe naquela manhã, não tinha nada preparado, mas era um homem prático e possuía influência e muitos contatos. Por isso, foi fácil para o geminiano colocar sua ideia de dia perfeito em prática. Bastou um telefonema e a maior lancha de posse da máfia grega o estaria esperando no Porto em trinta minutos, com piloto, buffet e tudo que ele demandou.

Ao encerrar a ligação, Saga soltou um suspiro de alívio e seguiu para a garagem.

De dentro do quarto Geisty sentia o Cosmo do geminiano lhe avisando que estava pronto e ainda meio atrapalhada, abria as várias gavetas apressada, tentando se recordar onde estavam guardados seus biquínis, porém na pressa e euforia o único que conseguiu encontrar foi justamente o biquíni amarelo e minúsculo que havia usado no aniversário de Aldebaran.

Esticando a calcinha na altura de seus olhos, parecia fazer uma análise minuciosa da peça e, dado a careta que fazia, não estava nada contente com o resultado.

— Hum... É realmente muito pequeno... Quase imoral! — deu um risinho sapeca, mas logo voltou a ficar séria — É o mesmo que usei para provocá-lo quando estava de resguardo pelo "acidente" com Afro... Afrodite. — deu uma bufada, quase rosnando o nome do cavaleiro de Peixes, aparentemente irritada — Um ponto a menos para você, biquíni imoral. Me fez lembrar daquela desgraça de dia... Atena! Eu devo ter perdido todo meu juízo. Ou a vergonha na minha cara! — devolveu a peça à gaveta com raiva.

Respirou fundo e retomou a sua busca por outra peça de banho, revirando afoita as gavetas, já se desesperando por não encontrar outro.

— Ah, que se dane, vai esse mesmo. — resmungou, pegando a minúscula peça amarela e soltando de seu corpo a toalha com a qual se enxugara após o banho, que caiu esquecida no carpete vermelho.

Vestiu apressada a calcinha do biquíni, tentando subi-la com dificuldade pela pele ainda úmida e depois travou uma batalha com a parte de cima da peça para ajeitar os seios dentro do pequeno sutiã de cortininha.

Queria parecer o mais discreta possível e atrair o mínimo de olhares para si e para Saga, já que não podiam chamar atenção diante da situação complicada que viviam, mas suas opções de roupa não a ajudavam, já que quase tudo que possuía eram peças sensuais para "trabalhar" no bordel, e um vestido tubinho preto não era o mais indicado para um dia na praia.

Foi com muito custo que encontrou um vestido leve, branco, curto e um par de sandálias rasteiras. Olhou-se rapidamente no espelho, não estava muito satisfeita com o que era refletido, mas era tudo o que tinha.

Com esse pensamento, alcançou a escova e penteou rapidamente as longas madeixas negras, as deixando soltas mesmo. Agachou-se e de um cantinho escondido puxou uma bolsa simples de palha onde jogou tudo que precisaria dentro, desde perfume e peças íntimas a toalha de banho.

Correu para fora do closet e saiu apressada do quarto, fechando atrás de si a porta e descendo silenciosamente as escadas que davam acesso ao primeiro andar. Seguiu a passos ligeiros para os fundos do bordel onde encontrou Saga já dentro de sua Mercedes.

Certificando-se de que não havia ninguém ali que os pudesse ver, Geisty se aproximou do carro, já vendo Saga se debruçar para o lado do banco do carona e abrir a porta.

— Pronto. Demorei muito? — disse afobada enquanto sentava-se no banco, batendo a porta com cuidado em seguida para não fazer barulho.

— Alguns anos. Mas valeu a espera. — respondeu Gêmeos com um sorriso, esticando-se todo para tomá-la em seus braços e lhe dar um beijo ligeiro nos lábios — Vamos?

— Vamos. — ela respondeu animada.

No percurso eles conversavam animados, ainda que meio tímidos. Mesmo com tantos percalços, aquele era o tão esperado primeiro encontro de Gêmeos com sua amazona, e dela com o verdadeiro Santo guardião da terceira casa zodiacal, o mesmo que tantas vezes lhe dera bom dia na arena de treinamentos.

Estavam radiantes, mas também apreensivos, procurando forças um no outro para poderem viver, um dia, livres de fato das amarras que o destino lhes colocara.

Ao chegarem ao Porto de Pireus, rapidamente embarcaram na lancha e zarparam para o destino escolhido, a tão famosa ilha de Santorini.

Já bem afastados da costa ateniense, em alto mar, Geisty se permitiu ser livre, sem a preocupação de se esconder de algum espião da temida Vory v Zakone.

Carinhosamente pegou na mão de Saga e o conduziu até a proa da luxuosa lancha, onde se sentou no assoalho com as pernas penduradas para fora da embarcação e os braços apoiados no parapeito de metal, sendo acompanhada pelo cavaleiro que fez o mesmo, porém a abraçando com ternura e a mantendo bem junto de si, assim ela podia deitar a cabeça em seu peito, enquanto sentiam juntos o vento do mediterrâneo assoprar seus cabelos.

Passaram quase toda a viagem abraçados daquela maneira, tentando viver cada segundo daquela felicidade recém descoberta.

Ao desembarcarem, era impossível para a amazona disfarçar o olhar encantado que tinha diante da beleza do local. Corria seus olhos violetas curiosos por tudo que alcançava, as construções que pareciam ter nascido naturalmente com a ilha, o azul espetacular da orla, assim como sua praia de areias claras e ondas suaves.

— E então, gostou do lugar? — Saga a abraçou por trás sussurrando em seu ouvido.

— Adorei! É lindo. Nunca tinha vindo aqui antes. — disse, se virando para trás e o abraçando.

— Que bom que gostou. — respondeu sorridente o cavaleiro, fazendo uma carícia no rosto delicado — Vamos dar entrada no hotel então.

— Hotel? Mas, nós não íamos ficar na praia? — perguntou estranhando.

— Sim, nós vamos, mas quando quiser descansar, no hotel tem mais conforto. Depois, se quiser tomar um banho tem água quente. Até porque, eu não pretendo voltar ainda hoje ao Santuário. E creio que não esteja nada ansiosa para voltar ao Templo de Baco. Estou errado?

— Não. — ela sorriu.

— E não vai querer dormir sobre a areia, não é? — devolveu o sorriso.

— Não. Não vou. — esticou o pescoço e beijou os lábios do cavaleiro — Mas, não imaginei que dormiríamos aqui hoje, você não disse nada.

— Surpresa! — abriu os braços entusiasmado, com a mente já tecendo saídas convincentes para o deslize dos detalhes que deixou de comunicar à amada simplesmente porque decidira tudo na hora — A menos que queira voltar hoje, aí você é quem manda.

— Não! Achei ótima a ideia do hotel e de ficarmos aqui.

Saga a olhou preocupado, pois a última coisa que queria era causar algum tipo de imposição ou mesmo constrangimento. Desconcertado, tentou desfazer o mal entendido:

— Geisty, me desculpe... Eu não queria que você se sentisse pressionada, não foi minha intenção...

— Não... Tudo bem, Saga, eu compreendo. De verdade, compreendo. Eu gostei do lugar.

— Certo. — uma pausa se fez enquanto o geminiano encarava o rosto da jovem que lhe devolvia o olhar.

Sempre que essa troca de olhares acontecia, uma força maior os tomava e sem que percebessem e nem mesmo tentassem ir contra, se aproximavam mais, em um abraço aconchegante e um beijo repleto de sentimento.

Ao se soltarem, ainda aéreos, foi ela quem o trouxe à realidade.

— Vamos então? Quero aproveitar o mar. Há meses que não mergulho. — falava animada, se balançando nos braços dele.

— Vamos! — respondeu de pronto o geminiano com um ar apaixonado.

E realmente ele o estava, transbordava por cada poro aquela paixão. Carinhosamente pegou na mão da amazona, entrelaçando seus dedos e seguiram em direção ao hotel, o qual ficava de frente para aquele trecho de praia.

Ao chegarem ao hall de recepção, todo decorado em branco, com mármore e flores coloridas espalhadas em vasos e jarros artesanais, Geisty correu os olhos pelo ambiente, admirada. Era um requinte do qual ela nunca havia tido contato antes. Curiosa, analisava cada detalhe do lugar que de tão luxuoso lhe causava certo desconforto, pois estava acostumada a uma vida simples. Enquanto seguiam ia até o balcão da recepção e Saga reservava a melhor suíte, o geminiano sentiu a mão fria da amazona apertar com força a sua, em um nervosismo que ele mesmo não conseguia entender. Ao pegar as chaves que lhes foram estendidas, afastou-se do balcão e se voltou para ela, perguntando em tom baixo ao seu ouvido:

— Geisty, está tudo bem?

— Hum? Ah, sim! Está tudo ótimo! Por quê?

— Não sei, você me parece nervosa.

— Não, não estou nervosa... Só um pouco... Incomodada. Nunca estive em um lugar assim.

— Assim como?

— Bonito, sofisticado... A Ilha Fantasma era bem rústica, depois... Depois não vem ao caso, não é mesmo?

— Bom... Você merece o melhor lugar. Quero que tenha um dia perfeito. — comentou sorrindo e ao mesmo tempo aliviado, puxando Geisty para junto de si — Vamos subir, já estamos registrados. — dizia andando a passos curtos com a amazona abraçada a si. Estava ansioso para a surpresa que tinha para ela.

Ao chegarem em frente ao quarto, Saga mal conseguia disfarçar sua ansiedade e fez questão de abrir a porta e encaminhar a amazona para dentro do cômodo, o qual lhe pareceu incrivelmente belo e confortável. Até mesmo os lençóis e travesseiros sobre a enorme cama pareciam macios só de olhar.

— Quero te mostrar o melhor da suíte. — disse o grego provocando a curiosidade da morena que o olhou em expectativa sem nem mesmo ter tempo para responder, enquanto era encaminhada para a porta oposta a que entraram no cômodo.

Fazendo certo suspense, Gêmeos a abriu lentamente, revelando uma linda piscina de azul profundo que tomava boa parte da área externa, a qual era toda decorada em branco. Ao fundo o parapeito revelava a vista panorâmica daquele trecho da praia.

— E então o que achou? — perguntou o geminiano quase segurando a respiração. Já havia visto fotos daquele hotel em específico, anos antes, e sabia se tratar de uma das áreas internas mais bonitas de todas as dezenas de hotéis da ilha. Estava mesmo empenhado em agradá-la.

— É lindo, Saga! — respondeu um tanto quanto absorta, uma vez que só havia visto tais lugares nas revistas que mostravam como vivia a alta sociedade grega, coisa bem distante da sua realidade tão limitada — E o azul da água e também da praia... — caminhava observando a tudo surpresa —... É da cor dos seus cabelos. — direcionando um olhar apaixonado para o cavaleiro o deixou meio encabulado.

— A Grécia é linda, Geisty... Mas, sem você aqui toda essa beleza me era obsoleta. Enfim, hoje consegui voltar a enxergar o quanto meu país é lindo e o quanto quero que você o conheça junto a mim. Quando tudo se resolver e a Vory não mais tiver poder sobre nossas vidas, te prometo que nunca mais irá viver exilada, escondida ou isolada. — disse a trazendo pela mão até o parapeito esculpido na pedra, de onde se via toda a paisagem da praia.

Saga enfim parecia ter conseguido amolecer a barreira que Geisty criara em torno de si mesma, com toda a razão, e atingir a tão almejada confiança da amazona, que o abraçava com força, deixando-se entregar aquele sentimento que tanto lutara para reprimir.

Correndo as mãos pelos ombros fortes do cavaleiro a amazona o trouxe para junto de si e as bocas novamente se uniram num beijo apaixonado. Não tinha mais como negar a forte atração que aquele homem exercia em si. Parecia até que conhecia seus pontos frágeis.

— Sem promessas, cavaleiro. — disse ela apartando o beijo enquanto acariciava o rosto robusto do grego — Eu tenho consciência da nossa situação, depois... — deu alguns passos para trás e suspirou, jogando os cabelos ao vento e deixando o ar puro e revigorante da brisa marítima encher seus pulmões —... Esse é nosso dia, não é mesmo? Vamos vivê-lo, hoje. Promessas são para dias que ainda virão, que ainda não existem. Mas, o que temos hoje está aqui e é somente isso que importa agora.

— Você está certa. — a puxou pela cintura, encantado — Mas, espero mesmo, Geisty, que haja muitos dias futuros e que eu possa vivê-los com você. — falava em tom baixo, junto ao ouvido da amazona para que até sua voz a acariciasse.

Geisty fechou os olhos, se deixando levar pelas palavras do geminiano. Desejava o mesmo, porém em segredo. Saga lhe era ainda uma incógnita, mas seu desejo por ele, em contrapartida, lhe era bem consciente. Tão consciente que não podia evitar o medo de senti-lo, mas como a brava amazona que era, estava resignada a enfrentá-lo.

Ficaram assim, presos ao abraço um do outro e a seus próprios temores e anseios, até que a amazona sentenciou:

— Acho que já podemos ir à praia. O que acha?

Saga sorriu e respondeu apenas com um aceno de cabeça, e em seguida buscou uma vez mais os lábios doces da morena num beijo ligeiro antes dela deixá-lo ali para ir ao banheiro se trocar.

Sozinho, Gêmeos caminhou até o frigobar e de lá pegou uma garrafa de água mineral. Estranhamente não sentia falta de seu Absinto. Essa constatação lhe fez dar um gole na água fresquinha e deixar escapar uma risada divertida, enquanto sentava-se em uma poltrona pra esperar a amazona.

Deu um suspiro longo, precisava conter sua ansiedade ou colocaria tudo a perder. Havia prometido a si mesmo que não faria nada para acelerar o processo com Geisty, como havia de fato planejado quando a salvou da morte das garras da Vory v Zakone. Mas, quando menos esperava, Ele apareceu, e colocou tudo a perder, dificultando ainda mais sua aproximação com a amada. Agora não permitiria que seu lado sombrio novamente se colocasse em seu caminho, muito menos que a fizesse sofrer. Não!

— Se acalma Saga! Vai dar tudo certo. — esfregou as mãos uma na outra, um pouco nervoso — Você tem o controle.

Respirou fundo, fechando os olhos e tentando acalmar a própria respiração, enquanto devagar abria os três botões da camisa de algodão que usava a tirando por cima da cabeça e a jogando sobre a espreguiçadeira que havia ali perto. Iria com a bermuda que estava vestindo, pois já tinha um short de banho por baixo.

Já Geisty, visivelmente nervosa, refletia sentada sobre a tampa do vaso sanitário.

— Atena, me dê sabedoria nesse momento. Preciso mais do que nunca!

Agitada, tentava se acalmar e colocar seus pensamentos em ordem. Sabia, obviamente, que sentia uma atração imensa pelo geminiano. Atração que, aliás, surgira há anos, mas tudo dera errado para ambos, porém nem os contratempos e a convivência conturbada deram cabo desse sentimento que só se fazia crescer em seu interior.

No entanto, o fantasma de sua prisão no Cabo Sunion e do teste, a todo o momento ressurgia em sua mente lhe assombrando. Em especial o maldito teste... Esse era o pior dos nós que tinha para desmanchar em sua cabeça.

Havia sido abusada por Saga, e mesmo que ao olhar para seu rosto não fosse capaz de reconhecê-lo ali, ainda assim era ele. Não o mesmo que dias depois trocara olhares cativantes consigo e muito menos o homem que se declarou em seu quarto na noite anterior, abrindo seu coração e lhe revelando um passado de mentiras, rancores e mágoas, além de lhe oferecer um futuro incerto.

Não, definitivamente não era a mesma pessoa.

Olhava aflita para a porta do banheiro. Precisava a todo custo tentar pôr ordem na bagunça que eram os seus sentimentos, e precisava ser já!

Em angustia, apertava as mãos uma na outra, lembrando-se de toda a conversa que havia tido com o grego na noite anterior. Amava Saga, desde a adolescência, quando trocavam olhares durante os treinos das amazonas, e sabia que jamais conseguiria reprimir esse amor. Então a resposta para suas perguntas fugiu-lhe pela boca em forma de sussurro.

— Sim! Sim!

A decisão era difícil, mas estava disposta a dar fim àquela história de desencontros, dando uma chance a eles dois, mesmo que por enquanto teriam que viver esse amor às escondidas.

Com um leve sorriso no rosto, enxugou as lágrimas que cismaram em brotar de seus olhos e rapidamente retirou o vestido. Já estava com o biquíni por baixo, então apenas amarrou uma canga vermelha na cintura, jogou uma água no rosto, enxugou com a toalha e respirando fundo entregou-se bravamente à vida que tanto sonhara.

Assim como Saga, Geisty decidira não deixar que nada e nem ninguém se colocasse novamente em seu caminho. Nem si mesma e seus temores.

Ao abrir a porta do quarto, os olhos violetas cruzaram ansiosos com os olhos jades do cavaleiro, que na mesma hora se levantava da poltrona surpreso em vê-la usando o famigerado biquíni amarelo.

— Lembra-se dele, não é? Eu tentei encontrar um mais discreto, mas só achei esse. — disse se referindo ao biquíni minúsculo.

— Particularmente, acho que fica muito bem em você. — falava correndo os olhos pela amazona, ao passo que se aproximava dela pra pegar-lhe pela mão — Aliás, tudo fica bem em você. Você é linda, Geisty. — deu um selinho nos lábios carnudos fechando os olhos e aspirando o perfume gostoso que vinha da pele dela.

— Hum... Vamos, ou iremos perder o melhor do sol. — disse sentido os pelos da nuca arrepiarem-se ao toque da pele nua do grego com a sua.

— Sim. Vamos. — respondeu Saga sorrindo.

Desceram de mãos dadas e sorridentes. Em poucos minutos já caminhavam calmamente pelas areias brancas de Santorini com uma alegria que transbordava, até que Geisty acelerou alguns passos se soltando da mão do geminiano de supetão.

— Quero ver você me alcançar lá, no mar!

Mal acabou de ditar o desafio, a morena já desprendia a canga que trazia na cintura e a lançava em direção ao cavaleiro, o qual apanhou o tecido vermelho que bailava no ar, sorrindo para a garota que corria em direção às ondas.

Caminhou mais alguns passos até que deixou a canga junto às sandálias e a bermuda que usava, e acelerando o passo correu em direção ao mar, na direção da silhueta que cortava as ondas. Contudo, ao emergir do primeiro mergulho não mais a viu, e logo ficou apreensivo.

Olhando tudo a sua volta, sentiu um aperto repentino no peito, até que seu pé ser puxado com força e caiu de costas na água, logo em seguida sendo puxado pelos braços, assustado.

— Há-há! Nem sequer chegou perto de me alcançar! — sorria a amazona satisfeita, ambos sendo balançados constantemente pelas ondas — O que foi? Que cara é essa?

— Nada. — respondeu o geminiano retirando os fios da franja que lhe grudavam nos olhos — Fiquei preocupado, não conseguia te ver... Pensei que algo tivesse acontecido.

— Ah, é? — soltou uma gargalhada animada — Achou que eu tivesse fugido a nado, não é?

— Claro que não, que absurdo! — falou ficando levemente desconcertado, pois havia sim pensando nessa possibilidade.

— Achou sim! — caiu na gargalhada — Você achou que eu tivesse fugido a nado! — puxou o cavaleiro para mais perto, o abraçando pelo pescoço até quase tocar seus lábios — Se você quiser eu fujo, mas com você. Para onde você quiser.

Saga a envolveu com seus braços, olhando nos olhos que tanto o atraiam.

— Obrigado. — disse em tom um tanto quanto sério.

— Hum? Pelo que? — perguntou ela curiosa.

— Por esse dia. Por estar aqui. Por me dar essa chance... Não vivia um dia como esse há tanto tempo... Na verdade acho que nunca vivi. Devo isso a você, Geisty.

A resposta da amazona não poderia ser outra. Enquanto as ondas os embalavam, ela beijava os lábios salgados pela água oceânica desejando que aquele fosse o dia mais longo de sua vida, para poder vivê-lo em toda sua plenitude.

— Não há pôr do sol como o de Santorini... Agora compreendo esse famoso dito grego. — suspirava a amazona ao olhar para o horizonte onde a enorme estrela de fogo se enterrava na imensidão do mar azul, transformando água em chamas numa ilusão de ótica naturalmente espetacular.

— Sim. É um dos mais belos do mundo todo. — respondeu Saga, que sentado na areia sustentava o corpo da garota em seu peito, enquanto lhe fazia uma carícia delicada nas madeixas negras.

Foi exatamente esse momento que Geisty escolheu para tocar em um assunto que muito a incomodava.

— Saga? — chamou sem desviar o olhar do horizonte.

— Sim? — respondeu o geminiano, apoiando a cabeça em seu ombro para prestar atenção.

— Preciso falar sobre dois assuntos que estão me incomodando... Já que agora não deve haver mais segredos entre nós. Imagino. — disse se virando de frente para ele.

— Diga.

— É sobre Marin.

— Marin? O que tem a Marin?

— Agora que sei o real propósito do Templo das Bacantes existir, jamais conseguirei viver com o mínimo de paz sabendo que Marin está se prostituindo à força. Não é justo você impor à Marin aquela vida, Saga. Eu a conheço há anos. Muito melhor, aliás, do que muitos sequer imaginam, e sei o quanto é penoso para ela ter que se submeter a isso. Ela não merece viver assim por minha causa, para manter o meu disfarce.

Saga ouvia tudo calado, até tentar se manifestar.

— Mas, Geisty, entenda que eu não tenho como pagar o soldo da Marin, nem de ninguém. O Santuário não tem verba nem para a alimentação e manutenção dos novos aprendizes, quem dirá para o soldo dos cavaleiros de Prata. Você sabe que os Santos de Ouro se mantêm através de atividades externas ligadas à máfia russa, dali eles tiram o sustento deles, mas os Santos de Prata e Bronze não. E não posso simplesmente tomar a armadura de toda essa gente e mandá-los embora. É justamente o que não quero fazer até que essa crise pós-guerra fria se amenize. Sem contar que não posso afastá-la sem um bom motivo, ou seria percebido pelos russos...

— Ela pode colaborar de outras formas.

— Por exemplo?

— Não sei, mas se aceitar, pensamos em algo. Marin é uma boa menina, é recatada, teve uma educação oriental rígida, veio para a Grécia com o intuito exclusivo de servir à Atena. Ela nem mesmo tem a possibilidade de enganar os clientes com ilusão. Ela não merece passar por isso, muito menos para manter o meu disfarce... Enquanto somos felizes às escondidas ela é visivelmente infeliz. Não é justo, Saga!...

— Assim como não é justo eu liberar a Marin e pagar o soldo dela com o trabalho de Shina, Misty e Afrodite, que também são cavaleiros. Entende?

— Pelos deuses, Saga! Qualquer um vê que Shina está adorando esse trabalho. Conhecemos essa maluca desde criança, sabe bem do que estou falando... Já Misty pouco se importa. Ele mesmo me disse que está se divertindo à beça. E eu me concedo o direito de não falar sobre Afrodite nesse dia que é só nosso. Estou falando de Marin. E convenhamos que bem ou mal, as meninas trazidas pelo Milo estão aqui por livre e espontânea vontade, e podemos cuidar bem delas aqui. Creio que muitas estão melhor do que onde estavam. Mas, Marin não, Saga. — disse enfática, o encarando nos olhos.

Não tinha o que negar, Geisty estava certa quanto à Águia, e o geminiano se pôs pensativo sobre o assunto, até que tomou uma decisão.

— Geisty, eu realmente não posso retirar Marin de supetão da função a qual a submeti. Seria muito arriscado e levantaria suspeitas, mas, posso afastá-la aos poucos lhe designando outras funções. — disse sério, pois não havia mencionado à amazona que chantageara Marin ameaçando um irmão que ele nem fazia ideia do paradeiro. Na ocasião, estava desesperado para que o negócio do prostíbulo desse certo e ele pudesse enfim se aproximar de Serpente, mesmo que por caminhos tortos e seguindo uma lógica pouco convincente.

— Bom, já é um progresso! — respondeu Geisty animada — Marin é muito habilidosa, e podia ajudar Aldebaran no bar, ou ficar com o cargo do Afrodite... Já que até cego vê que aquele lá não administra nem a própria vida, que dirá prestar para auxiliar as meninas e lhes dar suporte. — soltou uma bufada irritada — Ela pode também dar aulas de grego para as bacantes.

— Eu vou pensar Geisty... Mas o cargo do Afrodite continua com ele. Já passou da hora dele aprender a ter responsabilidades e eu vou cobrar isso dele. Até agora só tive prejuízo por causa do temperamento imaturo do cavaleiro de Peixes, mas... Tudo bem, eu prometo mudar a situação de Marin o mais rápido possível.

— Obrigada! — falou dando um suspiro de alívio e um sorriso.

— E qual era a segunda coisa? — perguntou curioso e ao mesmo tempo com receio do que estava por vir.

Já Geisty ficou alguns poucos segundo o encarando nos olhos, até que respirou fundo criando coragem.

— Eu queria falar sobre nós. Em específico sobre o que me disse que acontece com você... Digo, os tais lapsos de memória, as mudanças repentinas de comportamento...

Um nervosismo se abateu sobre Saga. De súbito sentiu as mãos tremerem e o coração bater mais forte. Não passava por sua cabeça que aquele seria o assunto do qual ela queria tratar, algo que era um mistério até para si mesmo, muito menos naquele momento.

Era muito incômodo falar sobre o fato, mas não o podia negar a ela, mesmo não tendo certeza do que lhe acontecia muitas vezes.

— Geisty, não tenho muito o que dizer além do que já lhe contei.

— Saga, eu realmente preciso saber o que acontece com você se vamos seguir juntos. Não quero sofrer!... Quero pelo menos conhecer o terreno no qual estou pisando e para isso preciso que me diga o que de fato acontece quando... Quando você diz que toma determinadas atitudes sem o querer, sem ter consciência do que faz. — disse a morena em tom firme.

O geminiano em contrapartida a olhava apreensivo, quase vidrado, enquanto sugava os próprios lábios, angustiado, e vendo que não havia escapatória piscou algumas vezes e resolveu expor o pouco que sabia do mal que tanto o afligia.

— Geisty, por mais que possa não parecer, sempre tentei ser uma pessoa justa e dar o melhor de mim em tudo, mas sempre fui posto a prova por meu irmão. Eu creio que a má influência de Kanon, aliada a seu mau caráter, alimentaram algo dentro de mim que muitas vezes sou simplesmente incapaz de conter. Uma força que se alimenta de ódio e ganância... E que tenho que combater a cada dia, a cada minuto... — baixou o rosto evitando os olhos violetas que lhe encaravam com aflição —... Quase sucumbi a Ele quando o maldito do Kanon se passou por mim e enganou a nós dois. Por isso não consegui agir de imediato, eu... Eu tinha que contê-lo... Mas, quando senti que estava pronto para desfazer a canalhice do meu irmão sem me deixar dominar por essa força maligna, Shion me obrigou a lutar com Aiolos e depois me trancafiou no Cabo Sunion junto com Sagitário e Afrodite.

— Nunca entendi direito essa história. — disse Geisty assustada com tudo que ouvia.

— Por favor, não me peça para falar dela agora. Não quero mesmo estragar o nosso dia de folga relatando o meu passado indigesto. — ergueu o rosto e novamente olhou para ela, pegando em sua mão com delicadeza — Tudo que posso dizer a você é que lá, no Cabo Sunion, eu sucumbi pela primeira vez e Ele despertou.

— Quem é... Ele, Saga?

— Eu... Eu não sei. — respondeu um tanto quanto aflito — Ele talvez seja uma força maligna autônoma, ou pior... Ele talvez seja eu mesmo. — engoliu seco — Não sei como se deu, mas... É como se eu tivesse perdido minha consciência e outra tivesse assumido. Só me lembro de sentir fortes dores de cabeça que iam minando minha razão. Aiolos me disse que me tornei violento... E que tentei matar Afrodite... Por diversas vezes. — apertou com força as mãos da amazona contra as suas — Pouco antes de Shion nos tirar do cativeiro, eu consegui recuperar minha consciência, mas diante dos relatos de Sagitário e do comportamento arredio de Peixes comigo, eu tive receio de me aproximar de você e resolvi me afastar até conseguir entender o que acontecia comigo. Não podia colocar você em risco... Eu não tinha mais total controle de mim, Geisty.

— E agora? Você tem?

— Não. Tanto que não estava nos meus planos revelar a você tão cedo toda essa trama que arquitetei. Esperava conseguir um pouco mais de estabilidade emocional, mas... Não suportava mais fingir que a desprezava, quando tudo que mais queria era tê-la em meus braços. Me sinto feliz e ao mesmo tempo muito assustado, mas... Algo me diz que você é a única pessoa no mundo que pode me ajudar a conter o mal dentro de mim, através dos meus sentimentos por você.

— Se você está assustado, imagine eu! — soltou um suspiro e levou a mão à franja, puxando para trás e depois a deixando cair novamente sobres as sobrancelhas delineadas — Espero muito que sua intuição esteja certa, Saga. Se realmente eu puder ajudar ficarei feliz. Por nós dois. Mas, nunca pensou em procurar ajuda especializada?

— Sim... O Absinto é meu melhor terapeuta! — deu uma risada divertida.

— Saga, não brinque com isso. Tem de haver outro meio, ou seu corpo não vai aguentar!

— Não há outro meio. Não posso arriscar envolver ainda mais pessoas nisso. Já me puno por ter envolvido você.

— Saga, pelos deuses! Então irá passar o resto de sua vida se embebedando para se conter? — falava gesticulando, visivelmente indignada com a postura escolhida pelo cavaleiro.

— Não! – disse pesaroso – Não é apenas a bebida que me acalma. – olhava amuado para ela – Quando tive a coragem, enfim, de te revelar toda a verdade e poder voltar a sonhar com uma vida ao seu lado, percebi que tudo havia ficado diferente... Ele perdeu a força! — sorriu — Diferente de todas às vezes que eu me convencia a tentar te esquecer e negar meus próprios sentimentos, as vezes tomando atitudes das quais depois me arrependia, mas que sei que foram influências dele...

— Hum... Acho que posso imaginar a que tipo de atitudes você está se referindo... — disse fazendo uma careta.

— Sim. Sei que ele me influenciou nas vezes em que me deitei com Afrodite, porque logo depois as dores de cabeça vinham galopantes. Sentia aqui... Bem aqui dentro... Ele faria de tudo para me afastar de você, porque você é minha razão. — falava apontando para a cabeça — Só passei a me sentir melhor quando aceitei que não havia como fugir dos meus sentimentos. Só aí percebi que o que me norteava, a luz que me mantinha em sanidade, era você... Só por você eu conseguia me manter firme. Você é meu farol no mar revolto da minha consciência, Geisty.

A amazona o encarava estupefata. Então Saga se deu conta do peso de suas palavras e de toda a carga de responsabilidade que elas transferiam à mulher à sua frente.

— Me desculpe... Eu não queria te sufocar dessa forma. Não tinha esse direito. — disse tristonho.

No entanto, para a surpresa do cavaleiro, a amazona pousou delicadamente os dedos sobre os lábios estremecidos dele, num gesto de carinho.

— Não diga isso. — falou ela em tom ameno — Eu só precisava saber a verdade para ter uma mínima noção do terreno que estou pisando. — se aproximou mais, fazendo sua respiração ser sentida por ele — Estarei ao seu lado, Saga. Faça sua parte e eu lhe prometo que farei a minha.

— Sim, eu farei. — disse em um sussurro, se aproximando dos lábios dela até quase os tocar.

Ficaram assim por alguns segundos, selando com os olhares cúmplices o pacto, então entregaram-se a um beijo apaixonado que perdurou até o sol ser completamente engolido pela imensidão do mar azul.

Ainda ficaram um tempo sentados na morna areia branca contando os astros que despontavam no firmamento, mas antes mesmo que ele fosse todo tomado pelos diamantes noturnos, o casal apaixonado regressou ao quarto de mãos dadas e espírito revigorado.

Geisty já se encaminhava ao banheiro enquanto Saga fechava a porta.

— Preciso de um banho! Parece que trouxe toda a areia da praia nessa minha juba. – dizia alegre soltando os cabelos que antes estavam presos em um coque – Estava tudo maravilhoso. Principalmente a companhia. — olhando para trás sorriu para o cavaleiro que seguia seus passos até parar no meio do aposento.

— Muito obrigado pela parte que me toca! – respondeu sorridente, divertindo-se com a descontração da moça.

— Não vou me demorar. – ela disse parada ao batente da porta, para em seguida dar dois passos para trás e fechá-la lentamente, lançando um olhar sensual ao grego que não lhe tirava os olhos.

Com um suspiro longo, Gêmeos baixou a cabeça e sorriu, em seguida rumou a passos lentos até a área da piscina para usar o banheiro externo.

Enquanto tomava seu banho e se vestia com a roupa que chegara mais cedo, o geminiano pensava em tudo o que estava vivendo naquele momento. Parecia um sonho, e não queria acordar dele.

Em poucos minutos já estava pronto e aguardando Geisty sentado na poltrona em frente à varanda. Ansioso, olhava para a porta do banheiro em que ela estava a cada cinco minutos, até que matutou uma ideia e abandonou sua vigília para caminhar apressado até o telefone e discar o número do serviço de quarto. Ainda não estava satisfeito e queria surpreender sua amazona uma vez mais, por isso pediu um legítimo vinho italiano.

Por sorte o pedido chegara antes de Geisty abrir a porta do banheiro, e Saga teve tempo de apanhar a encomenda e posicioná-la estrategicamente sobre a luxuosa mesa de vidro junto de duas taças de cristal.

Mal acabou de ajeitar a surpresa, ouviu a porta se abrir, e quando ergueu a cabeça foi presenteado com uma visão que guardaria em sua memória para sempre.

Geisty saia do banho vestida com um roupão felpudo branco, cortesia do hotel. Os cabelos molhados e revoltos lhe conferiam um ar selvagem, mesclado à beleza tão delicada que tanto mexia consigo, a deixando divinamente desejável. Nem o vestido mais caro e belo do mundo mexeria tanto com seus sentidos quanto a imagem da amazona nua debaixo daquele roupão.

Porém, o surpreendido não fora somente ele. Geisty também ao ver o vinho já aberto e as taças sorriu arqueando as sobrancelhas.

— Pedi um vinho para nós dois. — disse Gêmeos quebrando o silêncio, ainda que meio desconcertado.

— Eu estou vendo! — respondeu a morena, que percebeu de pronto o olhar curioso do cavaleiro — Ah! Coloquei um dos roupões que estavam no banheiro... Você não se incomoda, não é?

— N-Não! Não me incomodo! Mas, eu pensei que fossemos jantar no restaurante do hotel.

Geisty olhava encabulada para o cavaleiro, mas como não havia uma desculpa convincente, foi obrigada a falar a verdade, meio que a contragosto.

— Eu só trouxe uma roupa, aquele vestido simples que estava usando. Não fazia ideia que sairíamos para jantar. Pensei que fosse só um passeio pela praia mesmo.

Percebendo que a italiana estava envergonhada, Saga usou uma saída de mestre.

— Só um momento. — pediu sem dar maiores explicações, então andou até o banheiro, onde entrou e fechou a porta, deixando no quarto uma amazona confusa, até que, poucos minutos depois, retornou vestido com o outro roupão que havia sido disponibilizado ao casal.

Geisty caiu na risada ao vê-lo vestido igual a si. Toda tensão caiu por terra.

— Viu só? Não tem problema! Ficamos no quarto, vestidos com nossos melhores trajes e na companhia de um Chianti! — disse sorrindo, deixando a amazona corada, enquanto entregava uma taça a ela já lhe servindo a bebida.

— Pediu Chianti! É meu vinho preferido.

— Eu sei! – respondeu Saga a surpreendendo, ao mesmo tempo em que despejava o vinho em sua taça para depois devolver a garrafa à mesa e esticar o braço para fazer um brinde com a amada.

— Sabe? Como assim você sabe? – tilintando sua taça a dele.

— Ah Geisty, eu sei muitas coisas a seu respeito... — confessou dando um gole na bebida, encarando os olhos surpresos e fixos aos seus.

— Hum... E, que tipo de coisas são essas? — degustou a bebida com um gole sutil.

— Muitas... — Saga olhava feliz para ela, analisando o rosto repleto de curiosidade que o indagava — Eu sei, por exemplo, que sua bebida preferida é vinho e sei que é o Chianti, porque além de ser o seu pedido mais frequente no bar, eu sei que mantém sempre uma garrafa escondida em seu quarto.

— Não acredito! — exclamou ela — Você entra no meu quarto e revira as minhas coisas?

— Claro que não! — disse Saga deixando escapar uma risada, depois caminhou até a cama e sentou-se na beirada — Mas, já vi, mais de uma vez inclusive, você bebendo dessa garrafa lá no seu quarto.

— Hum... Sei. — fez um muxoxo e sentou-se ao lado dele, ainda o encarando com surpresa e curiosidade — E o que mais você sabe sobre mim, cavaleiro?

— Sei que sua fruta preferida é maçã.

— Ah, mas isso foi fácil descobrir, porque só eu como as maçãs que ficam na fruteira da cozinha do Templo...

— Não! Aí é que você se engana. — aproximou-se dela e fez uma carícia na franja ainda meio úmida — Sei que gosta de maçã porque eu a via subir na macieira ao lado do campo das amazonas. Você não me via, mas eu a via lá, escondida na copa enquanto se fartava das maçãs.

— Você ficava me observando? – perguntou com um ar tristonho, sentindo o coração apertar.

— Sim, sempre que podia. Quase todos os dias. – constatou dando um sorriso retraído — Sei também que usa o mesmo corte de cabelo desde que chegou ao Santuário, e que quando quer contar um segredo para Shina conversam em italiano em voz bem baixa, para os padrões italianos, é claro! — riu alto — Mas, não se preocupe, apesar de cochicharem gritando, praticamente, eu não entendia nada do que falavam, não falo italiano bem até hoje...

— Saga... — balbuciou, mas o cavaleiro a interrompeu.

— Eu também sei por que quase não fala em sua língua natal. Shion lhe proibia. Ele exigia de todos os aprendizes estrangeiros que apenas se comunicassem em grego. Por isso as aulas sempre puxadas. — nessa vez a voz do cavaleiro saiu pesarosa e a amazona baixou seu olhar com tristeza — Sei que adora a cor roxa, e acredite, você fica linda com ela. — deu um sorriso, por fim a olhando vidrado com ar apaixonado. Saga simplesmente não conseguia mais disfarçar o que sentia por ela.

Geisty enxergou naquele olhar e nas palavras do geminiano que o que ele sentia por si era de fato intenso e verdadeiro, assim como seu sentimento por ele. Ficou um pouco melancólica por apenas lembrar-se de detalhes de Kanon, dos gostos de Kanon, mas não se deixou abater em nenhum momento. Estava disposta a enterrar seu passado e começar a caminhar ao lado do verdadeiro amor de sua vida, o verdadeiro cavaleiro de Gêmeos.

Assim, suspirou fundo e tentou galgar os primeiros passos que a levariam a conhecer Saga de Gêmeos.

— Me deixou realmente impressionada, cavaleiro. — disse pegando na mão dele, a trazendo para seu colo — Bem, eu gostaria muito de ter podido observá-lo tanto quando me observou. Tenho certeza de que momentos assim me dariam muita alegria, mas... Farei isso a começar de hoje, até o último dia de minha vida... Porém, de uma preferência sua eu já tenho plena consciência! Sei que adora olhar para minhas pernas. — sorriu de forma sensual, fazendo o cavaleiro lhe devolver o sorriso com a mesma intenção.

— Hum... Você me pegou! — deu o último gole no vinho e pousou a taça sobre o criado mudo ao lado da cama — Você está certa. Eu adoro olhar para suas pernas! E do que mais eu gosto? – disse em tom de desafio.

— Gosta dos meus olhos, de olhar bem fundo neles... — respondeu decidida, com uma malícia na voz que poucas vezes Saga experimentara. Em seguida aproximou-se dele e sorvendo o último gole de sua taça, também a colocou sobre o mesmo móvel ao lado da cama, debruçando todo seu corpo sobre o de Saga para executar o movimento, e logo depois voltou a sentar-se normalmente, porém quase colada ao geminiano.

— Acertou, novamente. Adoro olhar para seus olhos... Olhos curiosos, sempre questionadores e hipnotizantes.

— E dos meus lábios... — o geminiano no mesmo instante prendeu seus olhos nos lábios carnudos citados, os vendo mexer lentamente, enquanto ela falava — Sei perfeitamente que adora eles... Que adora beijá-los, mordê-los, sentir seu gosto... — beijou o queixo do cavaleiro o fazendo fechar os olhos em deleite —... Eu sei que adora meus lábios, me diz isso com os seus toda vez que me beija... Assim. – interrompeu a frase com o encontro tão desejado dos lábios quentes.

Trocavam um beijo delicioso, lento e pleno de desejo, explorando a boca um do outro com suas línguas levemente adocicadas pelo vinho tinto a se provarem com lascívia.

Separavam-se ora ou outra apenas para tomar fôlego, e era nesses intervalos que Geisty guiava os lábios afoitos de Saga por todo seu rosto, o qual era presentado com muitos outros beijos molhados que galgavam caminho até o pescoço nu que lhe era oferecido.

Ali Gêmeos se perdia entre beijos, mordidinhas e sugadas sutis, se deliciando com o perfume natural da amazona e a textura da pele macia. Enquanto as mãos corriam pela nuca eriçada, a qual instigava ainda mais a libido do geminiano, a boca arfante procurava refrigério nos lábios tão desejados da amazona.

Sentiu um tremor lhe percorrer todo o corpo quando experimentou as mãos quentes da morena se infiltrarem lentamente por debaixo do roupão e correrem sinuosas por seus ombros, até deslizarem precisas pelo peito, onde estacionaram com um leve roçar de unhas. A pele toda se arrepiava diante daquele toque, e ele soltou um gemido abafado de prazer.

Geisty acabara caindo no próprio jogo de sedução que começara, pois todo o sentimento que sentia dentro de si e o desejo, que até então estava sendo controlado, ganhou forma e força impossíveis se serem controlados, a dominando por completo e soprando para longe qualquer temor que antes a freava.

Os beijos, cada vez mais intensos em seu pescoço, lhe causavam um rebuliço interno que culminava em um arrepio gostoso lhe correndo freneticamente por toda a coluna. A sensação se intensificou ainda mais quando Saga também deslizou as mãos fortes por debaixo do roupão que usava para lhe acariciar o colo e ombros, aproveitando para puxar para trás o tecido felpudo do roupão, a fim de ter livre acesso à pele bronzeada pelo sol, onde distribuía ainda mais beijos.

Para surpresa do cavaleiro, Geisty desceu as mãos até o nó frouxo da faixa que amarrava o roupão do grego e o soltou lentamente, num claro convite para que prosseguissem. Gêmeos sentiu seu coração dar batidas mais intensas nesse momento, em uma euforia contida dentro de si, pois mal podia acreditar que estava a um passo de realizar aquele desejo que lhe era tão íntimo e antigo. E dessa vez estava em seu pleno juízo, e ainda sendo seduzido por sua amada.

E assim ele o fez, e enquanto a amazona lhe despia lentamente, Saga baixava o roupão dela até a peça escorregar, por si só, pelas costas nuas, ficando pendurada apenas na parte da frente, segura pelos seios fartos e firmes da morena.

Aquela forma tão sutil de censurar a vista do seio nu apenas instigou ainda mais o cavaleiro. Correu suave os dedos pela pele morena até se livrar de vez do tecido, revelando por fim o objeto de seu desejo.

Sem se conter mais, Saga os tocou delicadamente, sentido a maciez encantadora da pele firme, ao passo que um gemido um pouco mais proeminente de Geisty o deixou tão excitado que depositou um beijo delicado em um dos mamilos quase que por instinto.

Ao sentir o toque quente dos lábios do cavaleiro em seu seio, a amazona deixou escapar um gemido baixo, fechando os olhos em seguida e tombando a cabeça para o lado. As carícias do grego lhe proporcionavam uma satisfação sem igual, e enquanto ele provava seus mamilos rijos com beijos e leves sugadas, ela explorava o corpo másculo sob o roupão já aberto, correndo as mãos delicadas pelo tórax trabalhado até pousá-las sobre as coxas fortes, finalmente atrevendo-se a tocar o membro rijo do cavaleiro por cima da cueca azul marinho.

Gêmeos soltou um gemido rouco, abafado pelos seios fartos nos quais ele mergulhava o rosto acalorado pela excitação crescente. Sentiu quando Geisty deu um puxão forte no roupão e o jogou ao pé da cama, o deixando ali. Saga teve a certeza de que ela queria e estava pronta para se entregar a si.

De forma lenta e suave executou o mesmo gesto, retirando o roupão da amazona enquanto voltava a sugar delicadamente os mamilos hirtos, alternando entre um e outro, até deixá-la apenas com a calcinha que usava.

— Hum... Saga... — sussurrou a morena ao senti-lo colar o corpo másculo ao seu, a trazendo para junto dele para poderem experimentar o calor dos corpos em êxtase. Geisty sofria uma sensação sufocante de luxúria, e só Gêmeos continha o ar de que ela precisava para respirar. Não suportava nem mais um segundo sem tê-lo e seu coração ladrava dentro do peito para si mesma de que nunca mais permitiria estar longe do cavaleiro. O queria para si, agora e sempre!

Saga tomou uma vez mais os lábios arfantes em desejo da mulher, agora num beijo urgente que era retribuído com a mesma lascívia, enquanto as carícias das mãos afoitas que passeavam pelos corpos quentes e extasiados, num balé conjunto embalado pela paixão que os inundava, deixava ainda mais quentes os desejos dos amantes.

Saga entrelaçava seus dedos nas madeixas negras ainda úmidas, enquanto com a outra mão explorava as curvas perfeitas do corpo delgado sob o seu.

O contato com a maciez da pele de sua amada era instigante e sendo impossível de controlar seus ímpetos Gêmeos a puxou pelo quadril para que se sentasse em seu colo.

Abraçado ao tronco dela, espalmou ambas as mãos nas nádegas volumosas dando um leve apertão. Sentiu que Geisty se remexia excitada sobre seu membro latejante, enquanto lhe arranhava as costas suavemente, esfregava o rosto contra o seu, arfante. Ela estava com o corpo em chamas.

Sem conseguir mais conter o êxtase delirante que o tomava por completo, Saga deitou a amazona sobre os lençóis já se posicionando sobre ela. A pressão em seu baixo ventre o punha louco e, enquanto distribuía beijos por todo o corpo moreno e febril, provando com os lábios a textura deliciosa da pele perfumada da amada, que respondia a seus toques ficando toda arrepiada, fazia um caminho tendo a boca como guia até a borda da lingerie delicada que ela usava.

Não se deteve, e com luxúria roçou seus lábios por cima da peça de renda preta, sentindo seu toque áspero, e apanhando o tecido com os dentes puxou a peça para baixo, desnudando a amazona que se contorcia em excitação.

Mantendo seus olhos fixos aos dela, tal qual um felino esgueirou-se sobre o colchão trazendo a calcinha presa aos dentes, a qual corria sinuosa pelas pernas longas e torneadas da morena, até ser retirada por completo e esquecida no chão ao lado da cama.

Ainda olhando para ela, percebeu seu rosto corado e os olhos brilhantes de desejo, então lhe sorriu e beijando seus tornozelos livrou-se da própria cueca, deixando à mostra toda sua excitação.

Num gesto inesperado para ele, Geisty ergueu o tronco e o agarrou pelos ombros, o trazendo para junto de si com um beijo afoito. Não suportava mais esperar!

O coração de ambos acelerava sem controle a cada nova ação, e ao se deitar sobre ela, Saga respirava descompassado, sufocado pelo desejo, só pensando em provar daquele corpo que tanto desejara. Contudo, queria aproveitar sem pressa, chegar ao limite do seu autocontrole.

Geisty por sua vez, queria o mesmo, desejava senti-lo, experimentá-lo, deixar transbordar aquela paixão sufocante e transpor para a carne o que já sentia em seu coração.

Naturalmente se acomodavam nos abraços um do outro, até que a amazona o acolheu entre suas pernas o prendendo pela cintura, sentindo a ereção proeminente do cavaleiro lhe acariciar diretamente a intimidade de forma extasiante.

Foi depois de beijos tão apaixonados que os faziam quase perder o fôlego, que Saga galgou sua mão pelo mínimo espaço que havia entre os corpos ardentes de ambos até seu membro, o conduzindo até a entrada já muito úmida da amazona e experimentando em delírio a maciez e o calor do corpo dela, de forma lenta, quase torturante.

Ao sentir-se todo dentro, o cavaleiro deixou escapar um gemido, enquanto com um de seus abraços apertava o corpo esguio da mulher, a qual se contorcia devido o prazer da invasão deliciosa, soltando um gemido manhoso.

Com os olhos entreabertos e a respiração falha, Geisty olhava para o rosto do geminiano finalmente reconhecendo a face tão querida do homem que a tomava. Era completamente diferente da outra vez, era Saga em sua pura essência ali e foi por esse homem que ela deu os primeiros suspiros, anos atrás. Esse mesmo homem que agora ela trazia para um beijo pleno de amor enquanto se entregava de corpo e alma, o sentindo se enterrar cada vez com mais vigor na maciez de seu corpo febril.

Nenhuma palavra era dita, por nenhum dos dois, apenas os gemidos conduziam os movimentos curtos e ritmados dos corpos que se chocavam de forma cadenciada sobre o colchão macio, bagunçando os lençóis.

Com o avanço dos minutos e o prazer de ambos tomando proporções insustentáveis, Geisty sentia seu corpo se aproximar do clímax, e afoita apertava os dedos de unhas longas esmaltadas em carmim contra a pele suada das costas do geminiano, em seguida as deslizando para baixo até espalmá-las nas nádegas firmes que se moviam freneticamente. Deixou livre um gemido ao sentir o corpo se inundar de uma vez por uma sensação única de prazer que lhe causava espasmos deliciosos.

— Humm... Saga... — chamou arfante o nome do cavaleiro, enquanto fechava os olhos entregando-se aquele momento sublime do orgasmo.

Instigado pelo prazer que sentia emanar de todos os poros da amazona, Gêmeos sentia que não seria capaz de se conter por muito mais tempo, então abraçou com firmeza o corpo trêmulo e o pressionando contra o seu intensificou as investidas, sedento, arfante, assumindo movimentos firmes e acelerados, enquanto tentava beijar sem controle os lábios da morena, conseguindo apenas roçá-los contra os seus.

Atingiu o ápice do prazer se afundando por completo na maciez e calor receptivos de Geisty, a qual soltou mais uma vez um gemido falho que se misturou ao rouco e alto do cavaleiro.

Saga sentiu um arrepio intenso lhe descer pela coluna e culminar em seu baixo ventre com força, o fazendo se esvair em um gozo delirante que minou todas as suas forças e o derrubou fraco sobre o corpo da italiana, a qual o recebia em um abraço.

Ambos estavam exaustos. Um sobre o outro, respiravam arfantes, suados e trêmulos, com as mentes ainda experimentado a letargia de toda aquela descarga intensa de sensações.

Abraçaram-se carinhosamente e buscando os lábios úmidos, beijaram-se, selando apaixonadamente aquele compromisso.

Após algum tempo, Saga afastou minimamente seu rosto e olhando Geisty nos olhos entreabertos sorriu, acariciando as maçãs do rosto corado que lhe devolvia o mesmo riso satisfeito e amável.

— Seus olhos ficam ainda mais bonitos quando você sente prazer... Nunca os tinha visto daquela cor, púrpura! – disse o grego distribuindo beijos delicados pelo rosto da amada.

— Eu não consigo controlar muito bem meu Cosmo nessas situações... Digamos, de intensa emoção. — riu divertida — Acaba acontecendo isso.

— Pois não controle! É lindo!... Você é linda, Geisty. Minha amazona.

Após outros beijos cúmplices, Saga rolou para o lado na cama e Geisty aconchegou-se em seu abraço, deitando a cabeça sobre o peito forte e ganhando um cafuné de brinde do namorado.

— Quer pedir o jantar aqui no quarto? — perguntou Gêmeos, segurando na mão dela que jazia sobre seu peito.

— Não. Agora não estou com fome. Prefiro descansar, estou exausta. — deu um beijo no pescoço do geminiano – Mas, se quiser pode pedir para você.

— Eu prefiro descansar também. — disse com voz calma, fechando os olhos e soltando um suspiro longo, ao mesmo tempo em que se colava mais ao corpo delgado da mulher — Pedimos algo para comer mais tarde. E, quem sabe, aproveitamos o resto da noite ainda.

— Hum... Ótima ideia, Saga! – a amazona sorriu, depois também fechou os olhos, já quase entregue ao sono — Boa noite... E obrigada pelo dia maravilhoso.

— Boa noite, minha amazona.

O coração do cavaleiro fora atingido por aquele agradecimento, fazendo seus olhos marejarem de felicidade e medo. Desejava muito fazer aquela mulher feliz, mas seu futuro, por mais que planejasse, estava envolto em uma névoa sombria de incertezas. Contudo, estava disposto a mover céu e terra para fazer de Geisty uma mulher livre e feliz.

Apertou o delicado corpo contra o seu e de olhos fechados aspirou o perfume dos cabelos negros como a noite.

— Eu que a agradeço, minha amazona, por me permitir mais essa chance. — sussurrou, mesmo consciente de que ela já dormia, mais como uma afirmação para si mesmo, até que o sono lhe atingiu em cheio.

O mundo dos sonhos agora não mais era seu terreno ideal, já que tinha realizado o maior deles!