Jamiel

O forte vento que se chocava contra o pagode do lado de fora, castigava as paredes de rochas milenares com o gélido frio da montanha, mas no interior da sólida construção, mais precisamente no último piso, o calor que vinha da lareira deixava o cômodo deliciosamente aconchegante.

Não que os recém-casados precisassem do fogo para aquecê-los, pois, como é dito, não há manta melhor para espantar o frio do que o amor. E amor eles tinham em demasia!

Em pé, frente a frente, de olhos fechados beijavam-se tão intensamente como se tivessem acabado de se reencontrar. A língua de um vagueava lentamente pelos lábios do outro, experimentando-os, depois permitindo ser explorada da mesma forma até enfim retomarem o beijo intenso e apaixonado, afastando-se apenas para buscar o ar que lhes faltava para de pronto mergulhar novamente naquele momento único.

Em uma sincronia quase que perfeita, ambos ergueram as pálpebras e seus olhares se encontraram numa troca intensa que refletia todo o amor que os preenchia.

Sem dizer uma só palavra, ou mesmo desviar as orbes verdes das azuis celestes febris, Mu levou as mãos até o sári bordado que Shaka vestia e lentamente o desenrolou, deixando que o pallu, já completamente solto, deslizasse pelo corpo esguio do virginiano até cair sobre o tapete de couro costurado à mão.

Da mesma forma, olhos nos olhos, porém um pouco mais nervoso, pois suas mãos agora tremiam como nunca antes, Virgem alcançou os botões da túnica que Áries usava e um a um os desabotoou com uma lentidão torturante.

Mu, em contrapartida, não se mexia. Deixando que o marido o despisse, o observava com desejo aflorado até que sentiu os dedos finos e tatuados de Shaka tocarem seu peito sutilmente por debaixo da túnica.

Tremeu de forma violenta, deixando escapar um suspiro quando as mãos do virginiano espalmaram-se em seu peito e percorreram ávidas a pele arrepiada até os ombros largos por debaixo do tecido, então sua túnica foi jogada ao chão, caindo em torno de seus pés.

Os olhos azuis do Santo de Virgem logo foram atraídos para a pele exposta do amado, tão alva quanto a neve que cobria as montanhas do lado de fora da torre, e sem conseguir conter o desejo de tocá-la, Shaka aproximou o rosto e beijou a curva do pescoço de Mu.

Um beijo suave, mas que alimentou a gana de ambos de imediato.

Aquele beijo, os lábios quentes do indiano, os cabelos dourados que pendiam em cascatas e lhe acariciavam o abdome, tudo aquilo foi demais para Mu suportar, e um pouco mais afoito segurou no zíper da blusa bordada do amado e o abriu.

Shaka o ajudou nessa hora endireitando a postura e erguendo os braços para que Mu pudesse retirar a peça, e novamente encarando os olhos do lemuriano perguntava-se se por ventura seria a benção do casamento, ou a magia que os envolvia naquele lugar sagrado, pois nunca antes o Santo de Áries lhe pareceu tão belo como naquele instante.

Envoltos naquela aura erótica, ansiosos, porém completamente em paz, despiam-se um ao outro sem pressa, cativos pelo olhar hipnótico que trocavam, até que, completamente nus, de roupas, joias, pudores e inseguranças, afastaram-se minimamente apenas para poderem se olhar, se conhecer como nunca fizeram antes.

Os corações aceleraram de tal forma que era possível ouvir o som de suas respirações entrecortadas, mesmo com o ruído pronunciado do vento forte do lado de fora a chacoalhar as centenas de bandeirinhas coloridas.

Os olhos faiscavam exalando toda a luxúria que preenchia suas auras, os peitos subiam e desciam arfantes, as peles, aquecidas e iluminadas pelo fogo que queimava na lareira, ansiavam pelo toque, eriçadas, frementes.

Ali, despidos de seus pudores, ambos descobriam no corpo do outro o que suas almas há muito já sabiam.

Eles se desejavam, se amavam, e se completavam.

— Pelos deuses... Você é lindo, Shaka! — o sussurro do Santo de Áries veio acompanhado de um gesto firme, e com o coração aos pulos Mu tomou o loiro nos braços novamente o beijando, agora com volúpia desmedida.

Shaka fechou os olhos em êxtase, retribuindo o beijo com igual paixão, sentindo seu corpo queimar por dentro e todos os seus músculos estremecerem.

Nunca antes a nudez de Mu lhe fora tão instigante.

Já o tocara diversas vezes, já conhecia seu corpo pelas carícias que trocaram, mas nunca antes a nudez do ariano lhe fora oferecida daquela forma.

Mu era lindo!

O corpo másculo e forte sempre escondido pelas largas túnicas que usava, somado aos traços delicados de suas feições, lhe conferiam uma virilidade desconcertante, a qual fez o corpo do Santo de Virgem reagir de uma forma que ele mesmo não esperava.

Percebeu-se levemente perdido, então entregou-se de corpo e alma aquele beijo enquanto sentia a ereção do lemuriano chocar-se contra a sua, no mesmo instante em que Áries descia uma das mãos às suas nádegas dando uma leve apalpada, proporcionando-lhe uma sensação inédita, uma mistura de estranheza e desejo.

— Hum... Mu... — gemeu entre os lábios do lemuriano, voltando a mordiscá-los enquanto permitia que o outro o conduzisse para a cama o fazendo andar de costas alguns passos até suas pernas se chocarem contra o colchão o obrigando a parar e abrir os olhos em sobressalto.

Áries fez o mesmo, encarando as íris azuis que lhe faziam uma pergunta muda.

Mesmo extasiado pelo momento, febril de paixão, Mu não pôde deixar de notar a desorientação na aura do amado.

Era certo de que Shaka estava inseguro, ele também o estava, por isso tomou a frente e enlaçou o loiro em seus braços num abraço possessivo, ao mesmo tempo em que lhe distribuía beijos pelos ombros, pescoço e face.

— Também me é estranho e novo esse momento, luz da minha vida. — sussurrou ao ouvido do virginiano, não resistindo em lhe dar uma mordida macia no lóbulo da orelha, a qual fez Shaka sentir todo seu corpo arrepiar-se — Sou tão inexperiente quanto você...

Segurando o rosto do indiano entre as mãos cravou as orbes verdes nas azuis ansiosas.

— Mas, quero descobrir junto contigo... Como é amar em toda sua plenitude. —tomou novamente os lábios do marido, agora de modo incisivo, pois mal podia conter o desejo que lhe queimava por dentro.

Logo que sentiu Shaka aprofundar o beijo, Mu lentamente se debruçou sobre o corpo do amado o fazendo deitar-se no leito, e entre mãos aflitas que corriam ambos os corpos em chamas, arquejos e gemidos lúbricos, logo estavam no meio da cama.

Shaka atacava os lábios do lemuriano como se através deles, do néctar que possuíam, pudesse aplacar sua sede. Seus dedos finos tatuados embrenhavam-se nos cabelos lavanda e instintivamente os puxavam, trazendo o rosto de Mu para mais juntos do seu.

As mãos de Áries deslizavam pelos quadris de Virgem, e dessa vez sem se deterem arranhavam e apalpavam levemente as coxas firmes ligeiramente trêmulas, arrancando um gemido lânguido do indiano.

Mu delirava com o calor do corpo sob o seu, a maciez da pele, o perfume ímpar de sândalo!

Foi com muito custo que conseguiu apartar-se daquele corpo cobiçoso para erguer parcialmente o tronco.

Queria olhar para Shaka. Admirar sua beleza. Enlouquecer com sua entrega.

Os olhos felinos do lemuriano passearam rapidamente pela figura nua deitada em sua cama em meio às grossas mantas de lã de carneiro, a qual olhava para si com lascívia.

A visão do virginiano ali, mergulhado em seu mundo particular, entre as tantas coisas que compunham o lar que Jamiel lhe representava, as quais para si eram sagradas, lhe causou tamanho furor que foi preciso sufocar um gemido mais proeminente quando sentiu seu baixo ventre pulsar forte, contraindo-se a medida em que se tornava impossível conter sua libido.

Contudo, um detalhe em particular capturou os olhos verdes do Santo de Áries de modo mais veemente. Um pequeno e estreito "caminho" de pelinhos pubianos louríssimos, que desciam desde o umbigo de Shaka e circundavam seu membro, o qual, por sinal, estava excitadíssimo.

Aquele foi o golpe de misericórdia.

Shaka era realmente divino! E era seu!

Desejava-o mais que tudo. Precisava dele tanto quanto necessitava do ar para respirar.

— Ahh... Shaka... Pelos deuses, como eu o quero! — suspirou, voltando a se debruçar sobre o virginiano para novamente tomar seus lábios.

O beijo dessa vez fora rápido, pois Mu, na ânsia de provar aquele corpo lânguido, escorregou para baixo, enquanto percorria a pele quente e perfumada do loiro com a língua, ora beijando, ora mordiscando, ombros, mamilos, umbigo, até chegar a seu objetivo principal.

Precisava tocar aqueles pelinhos com a boca. Percorrer com a língua aquela trilha que lhe tiraria certamente todo o juízo, e quando se deu conta já tinha o rosto colado à pelves de Shaka, que enlouquecido contorcia-se e arqueava-se todo sobre a lã de ovelha que cobria o colchão deixando escapar da garganta alguns gemidos menos contidos.

Mu esfregava o rosto nos pelos cor de sol enquanto deslizava ambas as mãos para as nádegas do virginiano, percebendo a carne trêmula inicialmente aos poucos relaxar mediante seus toques.

Era totalmente diferente do pouco que se lembrava de quando estivera com Marin.

Apesar de o corpo feminino da amazona ter lhe despertado sensações até então desconhecidas também, e extremamente prazerosas, em nada se comparava ao arrebatamento, o qual lhe era quase doloroso de tão intenso, que o corpo do Santo de Virgem lhe causava.

— Mu... Ahh... — Shaka sussurrou após um breve sobressalto, sentindo as mãos firmes e pesadas do ferreiro lhe apertar aquela área tão íntima e espantosamente gostando daquela sensação.

— Sha... Você me deixa... Louco... — gemeu o ariano em êxtase.

Mu então tocou o membro rijo do loiro com o queixo quando ergueu o rosto para olhar para ele, e fazendo uma carícia, o vendo completamente perdido, à mercê de seus toques e estímulos, levou uma das mãos até o pênis do indiano e iniciou uma massagem lenta, ritmada, até que, conferindo mentalmente todas as "lições" que o cavaleiro de Peixes lhe dera em várias de suas conversas, ainda que meio inseguro sobre como deveria proceder beijou delicadamente a glande, experimentando o sabor, para em seguida abrir a boca e abocanhar o pênis rijo de Shaka até onde conseguisse.

A sensação da boca quente e úmida do lemuriano envolvendo seu órgão mais sensível fez o cavaleiro de Virgem jogar a cabeça para trás e soltar um gemido rouco.

Sem que percebesse, Shaka apertava com força a manta grossa de lã com os dedos das mãos e também dos pés, já que aquela nova sensação lhe era tão arrebatadora que o obrigava a curvar parcialmente os joelhos para projetar a pelves para cima, de encontro ao rosto de Mu, que ainda procurava seu ritmo, ora serpenteando a língua em torno do falo turgido do amante, ora sugando com cautela, experimentando, conhecendo, deliciando-se a cada nova impressão.

Shaka sentia seu pênis pulsar dentro da boca do lemuriano de modo tão delicioso e intenso que lhe chegava a causar dor.

Ou a dor que sentia era tão somente o tesão máximo que arrebata os amantes no momento do gozo?

Estar com Mu era totalmente diferente e muito melhor do que sua imaginação pode supor.

Sexo ainda era um terreno tão pouco explorado pelo Santo de Virgem que mal podia traduzir o que seu corpo lhe dizia.

— Mu... aahhhh... — gemeu enlouquecido, erguendo a cabeça e baixando os olhos para fitar o amado lhe dando prazer, e então foi como se o fogo que ardia na lareira de súbito passasse a queimar dentro de si.

Arqueou as costas e puxou o ar pela boca. Sentia-se sufocar, tamanha a excitação que o tomava. Precisava de ar, e de alívio! Mas, Áries o estimulava com tamanha avidez que temeu não ser capaz de suportar mais, sequer um segundo.

— Mu... eu... aaahhh... — gemeu, as mãos trêmulas soltando a lã do cobertor para buscar os cabelos lavanda, em desespero, mas quando os tocou não era capaz de decidir se afastava o amado de si ou se forçava a cabeça dele para baixo, de encontro ao seu quadril, intencionando aprofundar o contato.

Mu por sua vez, completamente entregue ao prazer que acabara de descobrir, sugava o membro do indiano com ainda mais vontade, já que percebeu que de fato os dentes não eram um empecilho, como Afrodite havia lhe garantido.

Problema maior era conseguir colocar todo o sexo de Shaka dentro de sua na boca.

Mesmo com certa dificuldade ele tentava, ora passando a língua por toda a extensão, sentindo a pele macia e os músculos túrgidos como nunca, ora usando a própria saliva e os fluidos naturais que já emanavam do corpo do loiro para tentar "escorregar" o membro dele até sua garganta.

Foi em uma dessas tentativas que Shaka sucumbiu de vez, perdendo completamente o controle de seu corpo, então, quando ondas de calor e energia fizeram seu baixo ventre se contrair de forma violenta, o indiano rapidamente empurrou a cabeça de Mu para trás o fazendo retirar a boca de seu pênis, e com o coração aos pulos gozou na mão do lemuriano, soltando um longo gemido e contorcendo-se todo sobre o leito.

— Aahhh... Mu... Aaahh... — gemeu alto, para delírio do ariano que fascinado o observava sem ao menos piscar.

Imensamente satisfeito por ter conseguido proporcionar prazer ao marido, sentindo-se vitorioso, os olhos verdes de Mu faiscaram em luxúria. As contrações em seu próprio sexo tornando-se cada vez mais intensas e insuportáveis.

Mu estava tão extasiado que temia gozar apenas em ver Shaka arrebatado daquela maneira. Então, arfante e ansioso, limpou a mão suja de sêmen na barra da manta de lã e às pressas a levou até seu próprio membro, tocando-se de modo lento, apertando a glande enquanto procurava se acalmar, afinal não pretendia encerrar sua noite de núpcias ali.

— Shaka... — sussurrou encarando o rosto corado e levemente suado do virginiano, que parecia ter dificuldades em respirar tamanha sua euforia — Eu te amo... — gemeu ao beijar a barriga frenética do cavaleiro, a qual subia e descia em ritmo acelerado — Eu te amo tanto... — subindo um pouco mais, lambeu os mamilos firmes sentindo a pele em torno deles se arrepiar — Preciso de você...

Áries tomou a boca de Virgem com sofreguidão, que recuperando o ritmo normal da respiração aos poucos logo correspondeu com igual intensidade, passando os braços acima dos ombros do ariano para arranhar de leve sua nuca.

— Mu... — arquejou, com os lábios colados na orelha do outro.

— Hum? — murmurou o lemuriano com a voz quase sufocada, enquanto se encaixava entre as pernas de Virgem que instintivamente se abriam para si.

— Me desculpe. Eu... Não consegui... segurar. — Shaka disse em baixo tom, um pouco envergonhado por ter atingido o clímax tão rapidamente.

Mu ergueu a cabeça e deu uma mordida amena no maxilar do indiano, encarando seus olhos semicerrados e seu rosto corado.

— Não tem que se desculpar de nada... Acho que é assim mesmo, você estava gostando e eu também. — sentenciou o Santo de Áries, que propositalmente pressionava os quadris para baixo intencionando deixar claro seu desejo de possuir o virginiano, porém jamais o faria se Shaka não o permitisse — Ahh... Eu te quero tanto, Shaka.

Mu não estava convicto do que fazia.

O tempo todo tentava passar segurança enquanto procurava acessar seu acervo mental e seguir as "instruções" que Afrodite lhe dera ao longo dos meses em que debateram sobre o assunto. O rosto afogueado, os lábios inchados e arfantes, as pupilas dilatadas denunciavam o arroubo libidinoso que tomava todo seu ser, e jurou para si mesmo, num pacto velado, que se Shaka porventura lhe dissesse não pularia daquele penhasco de cabeça, já que não suportaria viver sem tomar o indiano.

A verdade era que desde que decidiram ficar juntos, viver um relacionamento, jamais haviam conversado sobre os tais "encaixes".

Shaka por sua vez, não estava em melhores condições de discernimento.

Mal tivera tempo de se recuperar daquele orgasmo delicioso já sentia seu corpo reagir novamente às carícias de Mu.

Seus hormônios em ebulição lhe provando cada vez mais que tantos anos dedicados à meditação e autocontrole de nada lhe serviram quando o assunto era Mu de Áries e o desejo que sentia por ele, o deleite em ser tocado pelas mesmas mãos que manipulavam o metal e o fogo.

Porém, o medo de não serem "compatíveis", como Mu havia lhe dito certa vez, também lhe assombrava.

Contudo, para saber teria que experimentar!

Sentindo as mãos fortes do lemuriano correrem sôfregas por suas coxas, apertando, arranhando, o peso do corpo lhe pressionando, a rigidez absurda do membro dele tocando o seu, o qual começava a despertar novamente, Shaka pegou todos os medos, inseguranças e dúvidas que serpenteavam em sua mente na forma de um furacão de emoções e as colocou todas no olho da tempestade, mandando tudo para o espaço.

— Mu... — chamou, com a boca colada ao ouvido do amado — Eu... eu também quero. Tome meu corpo... Me faça seu de corpo e alma.

Bastou aquela confissão ao pé do ouvido para incendiar completamente o juízo do Cavaleiro de Áries, o qual sentiu o coração saltar frenético dentro do peito e o baixo ventre arder em anseio.

Os olhos verdes então buscaram os azuis e no instante seguinte as bocas se uniram selando o desejo recíproco de cada um, até que Mu as afastou minimamente apenas para inclinar-se um pouco para o lado, enfiar a mão por debaixo de um dos travesseiros e tatear o local à procura da bisnaga de lubrificante que já havia deixado estrategicamente ali.

Apesar de saber que seus corpos, instintos, hormônios e principalmente o amor os guiariam, Áries tinha plena consciência de que corria o risco de machucar o amado, visto que eram inexperientes, estavam afoitos, ansiosos, e a natureza conferiu dotes bem generosos à certa parte de sua anatomia.

Ao dar-se conta do que era aquilo que o ariano tinha em mãos, o coração de Virgem acelerou desatinado, parecendo uma locomotiva sem freios.

Teve medo.

Ou melhor dizendo, receio, mas julgou absolutamente normal, afinal em momento algum de sua vida imaginou que desejaria tanto entregar-se a outro homem, e esse desejo era tão forte que lhe chegava a assustar.

Olhou com atenção para Mu que se afastou erguendo o troco e endireitando a postura para, meio desajeitado, despejar um tanto de lubrificante nos próprios dedos.

— Luz da minha vida!... — sussurrou o ariano lhe beijando a face febril — Ainda confia em mim?

— Eu confio. — suspirou com volúpia fechando os olhos, entregando-se ao prazer de sentir o outro arquejar em delírio enquanto lhe tomava novamente o pênis com a outra mão, iniciando uma nova massagem ritmada, lenta, deliciosa.

O tempo todo Mu se lembrava das palavras do amigo pisciano lhe dizendo que precisava deixar o loiro bem relaxado, precisa prepará-lo ou ele sofreria em demasia.

Por isso, ao mesmo tempo em que estimulava o sexo de Shaka, Mu escorregou o dedo lambuzado pelo lubrificante e tocou delicadamente a intimidade do amado, proporcionado ao indiano uma sensação completamente nova, a qual o fez se retesar por inteiro e contrair os músculos em resposta.

O lemuriano então uniu novamente sua boca a do loiro o beijando no intuito de transmitir-lhe confiança, e quando sentiu o virginiano relaxar, aos poucos ensaiou uma invasão, cuidadosa, lenta, ele mesmo desbravando seus próprios anseios, provando sensações que jamais sonhara experimentar e delirando com cada uma delas.

— Ahh... M-Mu...

O suspiro veio acompanhado por unhas que se cravaram nos ombros do Santo de Áries, o qual soltou um gemido rouco, e atento a cada gesto do indiano passou a conduzir os estímulos sem nenhuma pressa, buscando forças de onde não tinha para não deixar a ansiedade lhe vencer.

Quando percebia o rosto do amado em agonia, Mu intensificava a massagem em seu membro no intuito de relaxá-lo e deixá-lo excitado, ele mesmo explodindo de tesão, mas certo de que aquele preparo era estritamente necessário.

Por isso, introduziu com uma lentidão ímpar mais um dedo, sentindo a intimidade do outro se contrair imediatamente comprimindo-lhe os dedos, aumentando ainda mais sua expectativa e ansiedade pelo viria em seguida.

Era incômodo para Shaka, mas aos poucos, com os beijos, os toques, o cuidado de Mu para consigo, o desconforto inicial se transfigurou em uma sensação prazerosa, como se uma faísca se ascendesse dentro de si e ganhasse proporções enormes rapidamente o incendiando de dentro para fora.

Mu friccionava o pênis contra sua virilha, e a rigidez absurda do membro, somada à umidade que dele escorria em demasia, dava ganas a Virgem em senti-lo dentro de si.

Sem perceber Shaka já movia discretamente o quadril, cadenciando seus movimentos aos dos dedos que lhe estocavam gentilmente.

Ambos ansiavam por mais contato. A excitação atingindo um patamar insuportável, então, certo de que o amado estava preparado, Mu removeu os dedos do interior de Shaka e enquanto buscava a boca ofegante para toma-la com paixão alcançou novamente a bisnaga de lubrificante para, com certa pressa, despejar uma boa quantia do produto sobre seu membro.

A ansiedade agora era desesperadora, mas ele usava de todos seus artifícios para tentar contê-la o quanto pudesse.

Com uma das mãos trêmulas segurou na base de seu próprio pênis, e com a outra ergueu uma das pernas do virginiano a apoiando em um de seus ombros, então forçou a penetração, com zelo e lentidão dedicados.

Não foi capaz de sufocar um gemido rouco ao sentir a resistência que o corpo do outro oferecia sendo vencida deliciosamente conforme empurrava-se para dentro dele.

— Ahhh... S-Shaka... — arfou, cerrando os dentes ao sentir os músculos do indiano se contraírem instintivamente mediante aquela invasão, acolhendo sua glande dentro do canal estreito.

Shaka abafou um grito, mordendo os próprios lábios e fechando os olhos, e percebendo que o amado sentia dor mesmo depois de todo aquele cuidadoso preparo, Mu tentou não se mover, mas também não se assustou ou se impressionou, pois sabia que seria assim no início, fora avisado.

Apesar da ânsia que sentia em entrar todo de uma vez no indiano, Áries obrigava-se a não perder a cabeça, alucinado pelo controle que se forçava a manter.

Mal respirava ou se mexia, poupando Shaka ao máximo da dor.

— "Zeus, como isso pode ser tão... bom?" — pensou, também fechando os olhos na intenção de se acalmar, e nessa hora abaixou-se com cuidado buscando a boca de Shaka para beija-lo com sofreguidão.

Quando os lábios se apartaram para que retomassem o fôlego roubado pelo beijo, Mu ensaiou uma nova investida, introduzindo-se um pouco mais dentro do virginiano, o qual agarrou em seus braços assustado com a dor intensa que tomava aquela região de seu corpo.

— Ahhh... está... está doendo. — quase gritou. Não que temesse a dor, qualquer que ela fosse, apenas não imaginava que sexo teria de ser dolorido daquela forma.

— Muito?... Quer parar? — Mu perguntou aflito e confuso, o coração acelerado, o peito arfante, pois se tivesse que interromper o ato somente o precipício que sustenta sua torre no alto da montanha lhe serviria de consolo.

Afinal, foram meses de um jejum insano e o tesão que o tomava não se aplacaria se não fosse até o fim.

Mesmo assim, se Shaka lhe pedisse, sem saber de onde tiraria forças iria interromper o ato.

— Não!... Sim!... Ahhh... Não pare... — Shaka respondeu às pressas, tencionando tentar acalmar seu próprio nervosismo — Fique assim... Não se mexa...

— Está bem...

— Espere um pouco... Me deixe acostumar.

Em desespero, Vigem levou a mão ao seu próprio pênis e se tocou, procurando relaxar e se acostumar com o membro invasor dentro de si, o qual sentia pulsar muito túrgido, colocando Mu em uma situação delicada.

— "Pelos deuses, Shaka! Não faz isso comigo!" — sentiu gotas de suor brotarem em sua testa, e seu baixo ventre agora se contraia dolorosamente, pois a visão do amado se masturbando, remexendo o quadril enquanto procurava, talvez, uma posição mais confortável para recebê-lo o estava fazendo perder toda a sanidade que tentou manter até aquele momento.

Beijou de forma devota o peito, ombros e pescoço do virginiano na intenção de ajudá-lo a relaxar, quando de súbito os gemidos de Shaka, os arquejos que saiam lascivos de sua boca, e uma travessa balançadinha na cabeça à moda indiana lhe indicaram que poderia prosseguir.

Mu agradeceu aos deuses por aquele gesto, e sem mais delongas forçou um pouco mais a penetração atento ao rosto de Shaka, no qual novamente uma careta de dor se desenhava.

— Aahhh!

— Me desculpe luz da minha vida. — balbuciou rente aos lábios do virginiano, mordiscando seu queixo enquanto com ambas as mãos acariciava seus mamilos — Não vou... avançar mais que isso... Está bem? Confie em mim... — inclinou para trás os quadris vagarosamente e em seguida uma nova investida cuidadosa arrancou um suspiro abafado do virginiano.

— Humm... Mu... — o indiano agarrou-se a ele. Os dedos de uma das mãos cravados aos ombros largos do lemuriano enquanto os da outra envolviam com vigor seu próprio membro latejante.

— Ahh... Shakaa...

Alucinado, o cavaleiro de Áries, assim que percebeu o amado mais relaxado, começou a estocá-lo de forma cadenciada, encontrando um ritmo que lhe fosse satisfatório e ao mesmo tempo não causasse tanto desconforto ao indiano. Não o penetrava totalmente, uma vez que tinha consciência de sua anatomia avantajada, por isso investia obrigando-se a não penetrar Shaka com todo seu membro, avançando até pouco mais da metade e usando toda sua disciplina e autocontrole para não forçar além do limite que o corpo do amado lhe impunha.

— "Ah... Zeus! Como é apertado! Não vou conseguir aguentar! Isso é bom demais!" — pensava, alucinado de tesão, ainda mais quando ouviu Shaka cerrar os dentes e, parecendo vencer a barreira da dor e receber a benção tão aguardada do prazer, gemer alto sem nenhum pudor.

Aquela foi a deixa para que Áries o estocasse com mais vigor, sentindo o calor entre seus corpos atingir níveis insustentáveis.

Suavam, gemiam juntos, suas respirações agora se abraçando.

— Aaahhhhh... S-Shaka... — buscou a boca anelante do loiro e tomou-lhe os lábios em desespero, agora o estocando em ritmo frenético, porém tendo o cuidado de não chocar seu quadril ao dele. Ainda temia machucá-lo.

Suor denso e quente brotava da pele alva do lemuriano, enquanto da garganta palavras indecifráveis lhe escapavam.

Era bom demais, intenso demais!

Sob o corpo agitado e febril do ariano, Shaka gemia extasiado, surpreendido pelo fato de que numa fração de segundos o que lhe estava sendo uma experiência extremamente dolorosa num passe de mágica tornara-se absurdamente prazerosa.

— Aahhhh... assim... Mu... ahhhh... — quase gritou ao sentir uma onda de calor e sutis contrações tomarem toda região de sua pelves.

Foi quando pareciam ter finalmente encontrado o ritmo e candência perfeitas que Mu desesperou-se ao sentir uma forte fisgada em seu baixo ventre, então percebeu que sua excitação estava atingindo patamares insuportáveis.

— Ahhh... Não... Ahh não... não! Ainda não... ahhh... eu...

Mu então agarrou-se a Shaka e com uma última estocada firme sucumbiu aos espasmos que geraram uma onda de eletricidade, a qual percorreu todo seu corpo concentrando-se em sua intimidade e o conduzindo a um orgasmo intenso e arrebatador.

Havia se contido tanto que foi como abrir as comportas de uma represa. Um tremor frenético tomou conta de si enquanto se derramava intensamente dentro do corpo do cavaleiro de Virgem.

— Aaaahhhhnnn... — gemeu despudoradamente.

Shaka por sua vez, sentindo dentro de si todas as pulsações de prazer do lemuriano, percebeu seu corpo responder de imediato com contrações ligeiras e ritmadas. O calor que tomava seu peito então assumiu níveis estratosféricos, e em êxtase intensificou o ritmo da masturbação que fazia a si mesmo.

Tantos anos meditando e treinando para ignorar seu estado físico e elevar o espiritual, para não sentir as necessidades do corpo mais primitivas, como fome, frio, sede, sono e desejo sexual, que sentir seu corpo vivo e estimulado daquela forma o deixara em estado de graça.

Além disso, ver Mu daquela maneira entregue, senti-lo com tanta veemência dentro de si, era mais excitante que tudo que já havia experimentado.

Áries por sinal não estava nada satisfeito com sua performance. Apesar daquele orgasmo mágico e inigualável, e tendo consciência de que Shaka ainda precisava de alívio manteve-se dentro dele e levou a própria mão sobre a do amado, passando a masturbá-lo de maneira conjunta.

— Sha... me descul...

— Shiii... — o indiano o interrompeu de pronto — Eu... eu estou quase... ahhh

Ao sentir mais uma vez as contrações ritmadas e o pulsar alucinante em seu membro, Shaka gozou novamente derramando-se nas mãos de ambos.

Foi muito melhor dessa vez. Agora sentia-se pleno, completo.

Ainda ofegante e letárgico, Virgem acolheu Áries em seus braços, que rendido ao cansaço e êxtase retirou-se de dentro do corpo do amado e ajeitou-se sobre ele com um sorriso bobo no rosto.

Foi rápido, mágico e inesquecível.

— Não acredito que esperamos tanto... É bom demais! — exclamou com um suspiro — Você gostou?

— Sim... Eu gostei!... Gostei muito! — Shaka sorriu, acomodando a cabeça sobre o travesseiro.

— Me diz que não é um sonho, Sha. Que eu não estou mais aqui sozinho.

— Não. Não é um sonho, Mu. — suspirou, exausto — É real. Estamos aqui, juntos... E eu amo você.

— Eu também... amo você... Luz da minha vida.

Sorriram satisfeitos, e depois de um longo tempo em silêncio, ouvindo o vento do lado de fora chacoalhar as bandeirinhas levando aos deuses as preces nelas escritas, adormeceram abraçados quase que ao mesmo tempo.

O dia amanheceu frio e com o céu fechado.

Mergulhado em um denso silêncio e uma penumbra aconchegante, o quarto ainda mantinha-se aquecido pelo fogo que crepitava na lareira.

Shaka espreguiçou-se sonolento apenas para virar para o lado oposto e continuar dormindo, mas quando esticou um dos braços e tudo que tocou foi lã de carneiro e um travesseiro vazio abriu os olhos lentamente dando-se conta de que estava sozinho no cômodo.

Despertando aos poucos, sentou-se e encontrou uma flor de lótus depositada estrategicamente sobre o travesseiro ao lado, então a tomou entre os dedos e correndo os olhos pelo recinto percebeu outros mimos deixados ali para si, como uma bandeja grande de metal repleta de frutos, um jarro de vidro com água e um longo e pesado casaco de couro forrado em lã de carneiro, costurado à moda típica tibetana, o qual estava estrategicamente colocado no cabideiro junto de um par de botas feitas com o mesmo material.

Enquanto analisava tudo aquilo, lembrava-se da noite anterior e de tudo que vivera junto a Mu. O casamento, a festa, as trapalhadas de Afrodite, e enfim a tão esperada "primeira vez".

— Buda! Quem diria! — exclamou para si mesmo, olhando para grossa aliança de ouro em seu dedo e deixando escapar um sorriso tímido, apesar de não estar sendo observado por ninguém.

Talvez fosse de seu próprio julgamento que ainda conservava algum pudor, já que nasceu para ser um monge, casto, e depois da noite passada e do prazer que sentira em ser penetrado por Mu não lhe restava a menor dúvida de que era gay e gostava de sexo.

Afastou a grossa manta de lã que cobria seu corpo e caminhou até o cabideiro apanhando o casado e as botas.

Já vestido, buscou pelo Cosmo do Santo de Áries o encontrando do lado de fora da torre, então teleportou-se para junto dele.

Sentiu o efeito da baixa temperatura de imediato, a qual o obrigou a cruzar os braços e encolher os ombros assim que o vento forte e uma fina garoa lhe recepcionaram.

Pouco mais à frente Mu cortava lenha. Usava uma grossa veste tibetana de lã, calças e botas. Tinha os cabelos soltos e as mãos nuas que seguravam um afiado machado de lâmina e cabo rústicos.

Assim que sentiu a presença do indiano ali, Áries rapidamente recolheu os dois tocos de madeira que acabara de partir os empilhando junto dos outros e endireitando a postura olhou para ele e sorriu.

Tantas foram as vezes, durante seu exílio naquele pedaço ermo do planeta, em que se sentira sozinho e tudo que desejava era ver exatamente a cena que se desenhava diante de si naquele momento...

Shaka de Virgem ali, olhando para si com o mais belo e intenso par de olhos que já vira em sua vida, lhe presenteando com o mais sincero sorriso, enquanto caminhava vindo a seu encontro, os cabelos cor de ouro num balé majestoso coordenado pelo vento.

— Bom dia. — disse o indiano aproximando-se.

— Bom dia! — respondeu um entusiasmado e sorridente lemuriano — Acordou cedo! Ainda estou cortando a lenha para aquecer a água para o banho. Já comeu alguma coisa? Gostou das frutas? Escolhi as melhores do mercadinho do vilarejo, mas aqui o clima não é muito favorável, como você pôde ver... Mas, em compensação temos leite fresco de cabra, pão e queijo... e legumes na dispensa. Ah, ela fica no piso térreo junto com a cozinha. Também comprei gengibre e cardamomo para o chai, só não sei se tem canela... Droga, sabia que estava esquecendo alguma coisa.

— Ah, sim, está se esquecendo sim! — disse Shaka descruzando os braços para agarrar na gola do casaco do ariano e puxá-lo para junto de si, colando seus corpos com tanto afinco que seus narizes se chocaram — O beijo de bom dia do seu marido aqui.

O machado foi cravado no tronco que lhe servia de base e as mãos do ferreiro que o seguravam com firmeza agora tocavam com suavidade os cabelos dourados do cavaleiro de Virgem.

Beijaram-se brevemente, e logo regressaram juntos à torre.

A lenha fora transportada com telecinese até o banheiro do último piso onde uma banheira grande feita em pedra polida e mármore já continha água pré-aquecida.

Usufruindo da intimidade recém conquistada, banharam-se juntos, num ritual pleno de afeto e contemplação.

Ao retornarem ao quarto, Shaka se deu conta de que nada do que havia colocado em sua bagagem lhe serviria para enfrentar o clima severo de Jamiel, por isso aceitou de bom grado as roupas grossas de lã que Mu lhe oferecera.

Após desjejuarem, Áries apresentou seu segundo lar ao virginiano, que fascinado cravava seus olhos em cada detalhe, desde a rusticidade da cozinha no primeiro piso, a qual comportava um fogão à lenha, um pequeno engenho para o feitio de açúcar e melado, três grandes silos para armazenamento de grãos e um forno de tijolos, até a elegante, porém simples, biblioteca no terceiro piso.

No andar de cima ficava um quarto reservado aos aprendizes. Foi ali que Mu viveu grande parte de sua infância ao lado de Shion de Áries.

Tudo naquela torre carregava muita história e Shaka percebia pelo modo como Mu relatava sua passagem por Jamiel que ela, apesar de seu exílio, lhe era um lar muito querido e um refúgio sagrado.

Antes da noite derramar-se sobre a montanha fizeram uma refeição caprichada. Cozinharam juntos e após beijos, carícias cúmplices, amassos e muita conversa jogada fora regressaram ao quarto.

Não fizeram sexo naquela noite. Em comum acordo decidiram apenas dormir abraçadinhos, pois o virginiano ainda se sentia um pouco dolorido por conta da noite passada.

No entanto, aquela resolução serviu apenas para atiçar a libido de ambos, pois pouco depois de o sol despontar na cordilheira, Mu era despertado por lábios acalorados e afoitos que lhe beijavam a nuca, costas e pescoço, enquanto uma mão buliçosa escorregava para dentro de sua cueca lhe massageando o membro rijo graças a uma oportuna ereção matinal.

Mu então se remexeu sobre os cobertores de lã gemendo languidamente, ainda meio sonolento, mas tão logo sentiu o indiano lhe descer a cueca até metade das coxas virou-se de frente para ele e tomou seus lábios ofegantes num beijo possessivo.

Sem dizer nada, Áries segurou o amado pelos ombros e o virou de costas para si, repetindo o gesto do loiro e agora ele abaixando a cueca de Shaka até o meio das coxas.

Colou seu peito às costas do Santo de Virgem e já completamente desperto usou a dádiva do teleporte para trazer a bisnaga de lubrificante até suas mãos.

Logo seus dedos já se insinuavam ao redor da intimidade do virginiano e se punham novamente a prepará-lo com todo cuidado.

Gemidos, arquejos, sussurros, murmúrios eram trocados, até que um grito abafado de Shaka novamente obrigou Mu a se conter quando iniciou lentamente a penetração.

Todavia, não foi preciso esperar tanto quanto da primeira vez. Apesar de seu corpo apresentar ainda muita resistência, a excitação pungente de Shaka o fez romper a barreira da dor e atingir a glória do prazer com bem mais facilidade dessa vez, e logo estavam unidos num ritmo cadenciado que levava ambos ao delírio.

Mais uma vez o ato fora rápido e mágico. Mu ainda não conseguia conter o arrebatamento que lhe tomava por completo a cada estocada mais firme que dava no corpo do amado sentindo os músculos de Shaka se contraírem ao redor de seu sexo.

O orgasmo veio com uma investida um pouco mais forte e um urro de prazer do Santo de Áries, que ainda sem arremeter-se por inteiro dentro do corpo do indiano derramou-se dentro dele sentindo a famigerada eletricidade fazer tremer todo seu corpo.

Shaka gemeu alto ao sentir o calor do prazer de Mu o preencher. Seu corpo começava a fremir violentamente quando em busca de alívio tocou seu próprio pênis se masturbando, mas logo fora interrompido pela mão do ariano, que retirando-se de dentro de si com cuidado posicionou-se entre suas pernas e tomou em sua boca seu sexo túrgido e molhado.

Quase em desespero, Shaka agarrou as madeixas lavanda com ambas as mãos e passou a ditar o ritmo da felação, empurrando a cabeça de Mu de encontro a seu quadril enquanto gemia e principalmente o observava, com volúpia no olhar.

Não demorou para que também atingisse o ápice do prazer, afastando a cabeça de Mu quando sentiu que se derramaria dentro da boca dele.

Satisfeitos, ficaram ainda um longo tempo ali, deitados na cama, aproveitando cada sensação, antes de se levantarem e darem início a mais um dia de sua lua de mel.

No quarto dia precisaram descer até a vila para comprar suprimentos, pois Mu não havia feito um estoque que suportaria uma semana toda. Querendo ou não, quando preparou tudo ainda existia a possibilidade de Shaka se negar a casar consigo, por isso já lhes faltavam leite, pão e alguns grãos.

Foram juntos à venda da vila onde por anos Mu sempre aparecera sozinho, e para espanto da população local, a qual já conhecia o recluso e exótico ferreiro da torre do penhasco, agora ele surgia acompanhado de uma figura igualmente atípica.

Muitos foram os cumprimentos, modestos ou não, e também perguntas, mas como sempre fizera, o ariano manteve-se circunspecto deixando vivo o mistério de sua existência naquela região tão erma da montanha, apenas retribuindo os sorrisos e apertos de mãos sem mais delongas.

Shaka observava a tudo calado.

Aquelas pessoas nitidamente viam em Mu uma lenda, quase uma figura viva do Folclore local.

Crianças queriam tocá-lo, mulheres cochichavam umas com as outras, alguns homens lhe direcionavam um olhar questionador.

Lembrou-se das vezes em que fora à Índia, algumas a mando do Santuário para o cumprimento de alguma missão, outras por vontade própria, nas quais recebia os mesmos olhares, porém, além do arroubo e questionamento aparentes impressos nas faces sofridas, muitos também olhavam para si rogando por clemência.

Pensou se não fora leviano ao abrir mão de sua iluminação para viver com Mu, mas naquele momento tudo que sentia era que, talvez, pudesse fazer mais pela humanidade lutando como um homem comum, a despeito de ser um deus.

Virgem despertou de seus questionamentos quando Mu tocou seu ombro e o trouxe de volta ao presente.

— Sha, teleportei tudo que precisamos para Jamiel. Podemos ir. — disse o ariano percebendo-o distraído — Está tudo bem?

— Sim, está tudo bem. — o virginiano respondeu quase num sussurro.

— Parecia com o pensamento longe.

— Sim. De fato estava. Pensava na Índia, no meu país e todas suas mazelas. No quanto eu poderia fazer por ele como cavaleiro ou como... — ia dizer deus, mas logo corrigiu-se — Bem, isso não importa agora. Podemos ir.

Mu não era indiferente aos questionamentos internos de Shaka, por isso mais uma vez jurou a si mesmo que seria um excelente marido, para que ambos nunca duvidassem da escolha que tomaram.

Ao regressarem à torre fizeram uma refeição rápida e se abrigaram do frio no aconchego da biblioteca, em meio a livros tão antigos quanto a história da humanidade.

Lá pelas tantas, aconchegaram-se um ao outro em um divã revestido por couro de iaque e logo a paixão que exalava de seus poros alimentou o desejo urgente que os arrebatava.

Shaka sentiu ganas em provar Mu da mesma forma como ele o fizera das outras vezes, e sem pestanejar escorregou o corpo esguio para baixo, desamarrou-lhe a calça, desceu o cós junto com a cueca, apenas o suficiente para expor o pênis do lemuriano para fora, e iniciou uma estimulação oral, ainda que meio desajeitada, lambendo da base até à glande, provocando o lemuriano até o limite do insuportável, e quando o sentiu totalmente rijo e pulsante o tomou em sua boca até onde foi capaz, iniciando uma sucção tímida, mas o suficiente para levar Mu ao delírio.

Diferente do que fazia com o amado, sempre tendo a preocupação de afastar-lhe a cabeça quando percebia que iria atingir o clímax, Shaka não recuou quando sentiu que Mu se derramaria em sua boca, e para total êxtase do lemuriano, que tremia devido os espasmos provocados pelo orgasmo avassalador, o virginiano engoliu quase todo o sêmen, perdendo somente algumas gotas que lhe escorreram pelo canto da boca devido sua inexperiência.

Virgem não sabia explicar por que sentira vontade de fazer aquilo. Apenas sentira, e logo depois de ser puxado pelo marido, o qual tomou seus lábios ainda úmidos, ficaram ali longos minutos recuperando o fôlego enquanto jogavam conversa fora.

— Você disse que pensava na Índia, hoje de manhã quando estivemos na vila. — Mu dizia com a voz ainda um pouco trêmula enquanto ajeitava o loiro entre suas pernas o abraçando carinhosamente.

— Sim, pensava. — Shaka respondeu com um suspiro.

— Eu sei que prometi a você uma viagem à Índia, onde visitaríamos os templos mais famosos e os lugares que você gostaria de ir... Ainda dá tempo de...

— Não. — o indiano o interrompeu de pronto — De forma alguma, Mu. Eu estou adorando ficar aqui com você.

— Sim, eu sei, mas... Jamiel é só isso que você já viu. Montanhas, vento, chuva, alguns carneiros e iaques que as vezes se aventuram por aqui, montanha acima...

— E você. — novamente uma interrupção, mas agora foram os lábios de Shaka que calaram a voz do lemuriano — Não preciso de mais nada... Sabe que estou muito habituado à reclusão. Depois, tudo que preciso e quero está aqui, olhando para mim.

Áries sorriu manhoso, apertando o virginiano em seus braços.

— Sim, eu sei sim. Aliás, acho que te conheço melhor que a mim mesmo, luz da minha vida. — sorriu fazendo um cafuné nas madeixas douradas — Mas, se quiser podíamos visitar a Índia amanhã. Talvez o Taj Mahal... Ou quem sabe... Os estúdios de Bollywood! Hã? O que me diz?

A expressão no rosto do virginiano respondera por ele.

Ao ouvir aquilo, Shaka ergueu a cabeça de supetão e com os olhos arregalados em surpresa e expectativa encarou Mu.

Estava sério, muito! Parecia ainda processar aquelas palavras em sua mente.

Mesmo amante da dramaturgia e da sétima arte, jamais sequer pensara em um dia pisar em um estúdio, vivenciar os cenários, tocar os figurinos, ver ao vivo o que somente via na sua pequena e já opaca tela de 21 polegadas.

— Mas... isso é... isso é possível? — perguntou em sobressalto.

— Meu amor! Você está diante da criatura que, além de viver para realizar todos os seus desejos, pode te colocar aonde você quiser! Não há um só beco ou viela nesse mundo para onde eu não possa me teleportar, Shaka, luz da minha vida! É claro que eles devem ter horários de visitação e essas coisas, mas... Eu acho que posso fazer para nós um roteiro particular de visitação muito melhor. É só você dizer que sim, que quer.

Uma balançada de cabeça, um sorriso largo e vários beijos estalados nos lábios do lemuriano foram a resposta de Shaka.

O sol despontava fraco no horizonte tingindo o topo da cordilheira com seus raios dourados.

Era a primeira manhã sem a habitual garoa fina e o vento gelado rotineiro.

O casal de cavaleiros levantou cedo.

Como já haviam se habituado, enquanto Mu foi recolher a lenha para esquentar a água para o banho, Shaka foi preparar o chai, cortar as frutas e esquentar o pão para o dejejum.

Em pouco mais de uma hora já estavam prontos para mais um tour pela Índia, mais precisamente aos estúdios de Bollywood.

Vestidos com roupas leves, calças e batas masculinas de algodão, pois o país natal de Shaka quase sempre apresentava um clima quente, a única parte ruim do passeio era que não podiam sequer trocar olhares, ou aproximarem-se muito um do outro. Tinham que fingir o tempo todo que eram apenas dois amigos em uma visita turística qualquer e não apaixonados em plena lua de mel.

Porém, a homofobia e intolerância indiana não conseguira, felizmente, ser maior que a alegria e emoção que viviam ao se verem em frente ao suntuoso complexo de estúdios cinematográficos da fantástica fábrica indiana de sonhos.

— Puxa é... é enorme, mas... — franziu as sobrancelhas loiras — Custo a acreditar que tudo aquilo que a gente vê nos filmes é feito nesses galpões. É realmente incrível!

— Bom, muitas cenas são externas, mas a grande maioria acho que é feita aqui sim. — disse Áries, encantado com os olhos azuis brilhantes que corriam cada pedacinho daquele lugar.

Mu jamais imaginara em sua vida que pudesse ficar tão louco de amor como estava naquele momento. Faria tudo, absolutamente tudo, para ver Shaka sorrir e foi exatamente pensando nisso que uma ideia ousada, como muitas que pipocavam em sua cabeça ultimamente, se formou.

Deixou escapar um riso eufórico que chamou a atenção do indiano.

— O que foi? — perguntou Virgem sorrindo para ele.

— Eu pensei uma coisa aqui, mas é uma surpresa.

— Ah, por Buda, Mu! Na última vez que me preparou uma surpresa eu acabei vestido de noiva e tendo a honra disputada por dois cavaleiros falando quinem dois ulus*. Não quero saber de mais surpresa nenhuma. — balançou a cabeça negativamente, enquanto encarava o ariano com um semblante severo.

— É, mas também se casou comigo, luz da minha vida. — Áries sorriu divertido, pois nem mesmo Shaka conseguia disfarçar o riso — Se tornou o meu marido. O senhor Shaka de Jamiel. Está arrependido?

— Você sabe que não. — trocou um olhar apaixonado com o lemuriano — Foi a coisa mais certa que fiz em minha vida. Vamos?

— Vamos.

Tão logo os teleportou para dentro do complexo onde ficavam os estúdios, caminharam embrenhando-se entre os atores, figurantes e equipes técnicas, eles mesmos sendo confundidos muitas vezes com atores devido seus traços tão exóticos em comparação à população local.

Shaka mal piscava.

Mulheres lindíssimas corriam de um lado para o outro em seus sáris esvoaçantes. Belos homens em seus figurinos de mocinho. Graciosas crianças decorando o texto com a ajuda dos pais antes de entrar em cena.

Muitos animais também circulavam ali, entre eles vacas, elefantes, cavalos e macacos, todos muito bem cuidados e monitorados por adestradores.

Enquanto Mu se distraia vendo duas dançarinas ensaiarem uma coreografia, Shaka foi conversar com um dos produtores do filme que estava sendo gravado naquele dia e "convenceu" o homem a lhe dar dois crachás para que ele e Mu pudessem assistir à gravação. Era uma cena de ação, categoria preferida o Santo de Virgem, e não perderia a oportunidade por nada.

Logo chegou com os crachás em mãos deu um para Mu e já prendeu o outro em sua roupa.

— Como você conseguiu isso? — questionou o ariano.

— Anda, coloca o seu, a gravação já vai começar.

— Atena, perdoa ele. Ele não sabe o que faz! — disse Mu prendendo o crachá em sua camisa — Sha, não pode usar seu Cosmo para manipular os civis.

— E não usei. Eu disse que daria algumas rúpias a ele se me desse dois crachás. Anda, vamos.

Mu sorriu, espantando como a paixão pelo cinema mexia com seu amado virginiano.

Assistiram à cena de camarote e ainda ganharam de bônus uma cena de dança com cerca de quarenta bailarinos luxuosamente vestidos.

Findada a gravação, Mu soltou um suspiro de alívio e ansiedade, pois estava em cima da hora para executar a surpresa que havia planejado para Shaka.

— Sha, espera todo mundo sair e então segura na minha mão. Vou teleportar a gente para outro lugar. — instruiu.

Shaka seguiu como pedido e assim que se viram bem afastados de todos pegou na mão de Mu que imediatamente os teleportou para outro complexo de estúdios. Porém, esse não ficava em Bollywood e sim no centro de Nova Deli, capital indiana.

Surgiram em frente a um grande mural que trazia estampado a identificação do estúdio e o nome da produção que era gravada ali.

"Estúdio 3 – Destinos Cruzados."

Shaka arregalou os olhos e engoliu em seco antes de sua boca entreabrir e ele a cobrir com ambas as mãos numa expressão de surpresa.

— Hoje nós vamos assistir a um capítulo da novela ao vivo! — sussurrou-lhe o ariano.

Virgem queria pular no pescoço dele e enchê-lo de beijos, tamanha sua euforia e alegria em saber que veria seus tão amados personagens em uma cena ao vivo.

— Mu, eu... Por todas as pegadas que Buda deixou na Terra, eu não posso acreditar! — mal respirava, encarando o lemuriano que sorria satisfeito.

— Acredite! Agora vamos oferecer as mesmas rúpias imaginárias que você ofereceu para o pobre do produtor e vamos ver se conseguimos assistir a uma cena com os personagens principais.

— A Síbila!

— Sim, a sua amada Síbila. — fez um muxoxo — Vamos ver se ela veio gravar hoje, mas agora você é um homem casado, heim! Nada de ficar suspirando por essa moça.

— Deixa de ser bobo. Anda! Vamos logo.

Shaka tomou a frente e Mu veio logo atrás aos risos. Virgem estava tão eufórico e alegre que lhe dava gosto de ver.

Felizmente a atriz que interpretava a destemida e ousada mulher que lutava para conquistar seus direitos frente à cruel e patriarcal sociedade indiana estaria gravando naquele dia, juntamente com o outro protagonista, o qual fazia seu par romântico na trama.

Para a glória do cavaleiro de Virgem, ele veria Síbila e Ralej a poucos metros de seus olhos.

Tudo certo, rúpias imaginárias prometidas, crachás em mãos, cadeiras especiais a postos, as filmagens se iniciaram com uma cena no quarto da coadjuvante Rhana, um diálogo com Síbila, o qual era testemunhado por Shaka com tanta atenção e devoção como se tivesse ouvindo a própria palavra de Buda.

A atriz que interpretava a protagonista era ainda mais bonita ao vivo.

A seu lado, Mu se divertia, tanto com a cena e os clichês discutidos entre as personagens, quanto com a atenção desprendia pelo amado a cada movimento, cada fala decorada e encenada.

— Por Buda! — sussurrou num sobressalto.

— O que foi, Sha? — Mu sussurrou de volta.

— Não ouviu o que Rhana disse? Eles querem tirar o filho dela! Isso não pode acontecer!

— Ah!... Nossa! Sim, isso não pode acontecer! — concordou Áries, mesmo não se lembrando do contexto da trama.

— Se levarem a criança a entregarão para o mercador de peixes e ela deixará de herdar as empresas do pai. Rhana voltará a morar na rua... Coitada. — murmurou com visível pesar.

— Que desgraça! — Mu exclamou deixando escapar um suspiro.

Quando Ralej entrou em cena, o coração do virginiano vibrou, pois o bravo indiano sempre aparecia nos momentos mais críticos para trazer uma solução. Como agora, em que ele surgia para garantir proteção à Rhana, por amor à esposa e por ser possuidor de um afiado sendo de justiça.

Ao final da gravação daquele dia, Shaka fizera questão de cumprimentar os atores e lhes dizer o quanto apreciava seu trabalho, tudo de forma muito respeitosa, sem tietagem, mas recebendo olhares de um ariano levemente enciumado.

Deixaram os estúdios quando não havia mais quase ninguém por ali, porém, enquanto cruzavam um corredor estreito que levava até a saída do local, entre as tantas portas que havia ali, Mu conseguiu ler as palavras em hindi impressas numa plaqueta que diziam: – "Quarto de Síbila e Ralej".

Como num impulso instintivo, sem nem sequer pensar ou ponderar coisa que fosse, Áries tomou a mão de Virgem na sua e no instante seguinte estavam no meio do aposento, do outro lado da porta com a plaqueta.

Apesar das luzes apagadas, e uma penumbra fraca apenas iluminar o local, Virgem reconheceu aquele cenário de imediato.

— Ficou maluco? — sussurrou assustado — O que está fazendo?... Esse é o quarto...

— Do Ralej e da Síbila. — o ariano sorriu interrompendo-o, então segurou o virginiano pelos braços e com um tranco forte e abrupto o trouxe para perto de si, colando seu corpo ao dele, quase tocando seus lábios — Eu quero fazer amor com você aqui, Shaka. E quero agora.

— Q-Que? A-Aqui? — o loiro gaguejou tamanho seu arroubo, então teve os lábios tomados com tanta urgência e intensidade que sentiu o chão abaixo de seus pés tornarem-se nuvens. Experimentou flutuar, à medida que o folego lhe faltava sendo todo tomado pela lascívia ariana.

— Eu te amo. — Mu beijou o pescoço quente do indiano.

—...

— Eu te amo, Shaka. — mordiscou os lábios afoitos antes de tomar a boca novamente com paixão, enquanto forçava o virginiano a andar de costas até a cama, avançando lentamente, beijando e esfregando seu corpo excitado contra o dele.

—...

— Deuses... Eu te amo tanto! — desceu as mãos às nádegas esguias e firmes, apertando a carne com força proporcional a seu tesão, arrancando um gemido languido do virginiano.

Shaka a essa altura não podia mais negar que aquela ideia maluca do ariano lhe parecia absurdamente excitante.

Quantas foram as vezes em que assistira à cenas românticas entre Síbila e Ralej naquele cenário!

Quantas discussões, reconciliações, beijos e tapas aconteceram ali!

Era como estar dentro da fantasia que ele seguia diariamente com paixão e devoção.

As mãos de Mu lhe apertavam sem dó as nádegas.

O pênis já muito rijo dele pressionava o seu lhe causando furor.

O beijo voluptuoso lhe causava frisson.

Áries era sua perdição, capaz de lhe fazer perder qualquer juízo que pretendesse manter, e rendendo-se ao desejo que agora queimava seu corpo por dentro feito brasa, Shaka agarrou os ombros do lemuriano e num gesto brusco girou seus corpos para atirar Mu sobre a cama.

— Eu também te amo, seu maluco. — disse Shaka ao debruçar-se sobre o corpo do marido para retomar o beijo, aproveitando-se para enfiar as mãos por debaixo de sua camisa e puxá-la para cima, intencionando retirá-la — Dê um jeito nas câmeras... — sussurrou em seu ouvido, mordendo de leve o lóbulo da orelha enquanto Mu erguia os braços acatando ao pedido — E também na luz... Está muito escuro... Quero ficar por cima e quero olhar para você.

Ouvir aquela "ordem" foi o suficiente para que Áries sentisse seu corpo todo incendiar-se, culminando numa forte contração involuntária em seu baixo ventre que de tão intensa provocou uma leve vertigem.

Na mesma hora seu coração assumiu um ritmo alucinante, a pele se arrepiou por completo e da boca arfante um gemido rouco escapuliu.

— Ahhh... Shaka! Tudo que você quiser... Faço tudo! — afoito auxiliou o loiro a lhe tirar a camisa.

Tinha uma pressa desconcertante, pois só em imaginar o poderoso cavaleiro de Virgem montado em seu colo, sua mente e sua aura entravam em frenesi.

Um novo ataque de Shaka a seu pescoço, com lambidas ardentes e beijos afobados o fez ter pressa em cumprir a ordem, então usou sua telecinese para desligar todo e qualquer aparelho eletrônico que houvesse naquele estúdio, selar a porta e acender as luzes.

Nesta hora, Virgem aproveitou a deixa e escorregando por entre as pernas de Mu, traçando uma trilha de beijos por todo seu torço, desceu da cama e imediatamente em seguida abriu o botão e o zíper da calça do amado, retirando a peça em emergência ímpar.

Arranhou de leve o membro do lemuriano por cima da cueca de algodão para também sem mais delongas retirá-la e segurar o órgão latejante em sua mão, ansioso por senti-lo novamente dentro de si.

Mu não podia acreditar no que acontecia.

Suspirou pesadamente agarrado à colcha bordada que cobria o colchão.

Não sabia se aquele cenário e o que ele significava para Shaka exercia alguma influência sobre o sempre tão recatado cavaleiro, mas era a primeira vez que via tamanha luxúria exalar dos olhos intensos do amado.

Sentia-se completamente subjugado a ele, a seu olhar e seus toques.

Com uma lambida provocativa no sexo túrgido do ariano, Shaka o abandonou, para frustração completa de Mu, e endireitou a postura passando a se despir.

Um par de olhos verdes esmeralda voluptuosos acompanhavam atentos cada movimento seu até que estivesse completamente nu, num convite delirante ao prazer.

Aquela visão inebriou os sentidos de Mu exatamente como das outras vezes.

Shaka tinha um corpo longilíneo, magro, porém extremamente definido pelos anos de ginástica e ioga.

O lemuriano devorava com os olhos cada centímetro daquela pele alva, contornado as coxas firmes que lentamente se afastaram quando o indiano apoiou um dos joelhos na beirada do leito, subindo para o sexo ereto e delicioso, depois para o peito levemente arfante que se debruçava sobre o seu, para os ombros languidos salpicados por minúsculas e graciosas sardas, até enfim encontrar os imponentes olhos azuis que o encaravam com erotismo ímpar.

Beijaram-se demoradamente, provando os lábios um do outro como quem saboreia o mais doce dos néctares. As mãos de Mu passeando pela pele aveludada de Shaka. As coxas de Virgem pressionando o quadril do ariano quando se posicionou sentado sobre seu baixo ventre, remexendo-se de forma torturante a permitir que suas nádegas resvalassem suavemente contra o pênis do marido.

— Hummm... Shaka... — o lemuriano gemeu enlouquecido mordendo os próprios lábios e projetando o quadril para cima em expectativa.

— Preciso do lubrificante. — o virginiano sussurrou quando se debruçou para lhe beijar um dos mamilos, e obviamente seu pedido fora atendido no ato.

Áries teleportou a bisnaga para sua mão e a ofereceu de pronto a Shaka, que levemente corado a apanhou e erguendo o tronco até ficar sentado novamente despejou um bom tanto do produto sobre os dedos fechados. Levando o braço para trás aplicou em si mesmo, limpando o excesso que sobrara em sua mão no pênis vultoso de Mu, massageando e previamente já o posicionando.

— S-Shakaa... ahhnn... — suplicou o ferreiro entre gemidos.

Ciente de sua angústia, e ele próprio já em êxtase pela expectativa, o indiano conduziu a penetração ditando a cadência da invasão, experimentando novamente o deleite contraditório entre a dor e o prazer.

— Aaahhhhhhh... — entreabriu os lábios para soltar um gemido rouco, contraindo as coxas e remexendo lentamente os quadris para facilitar o encaixe.

Abaixo de si, Mu sucumbia à visão erótica do rosto belo em agonia do indiano, o qual gradativamente se transfigurava em uma expressão de pura luxúria à medida que se movimentava buscando seu ritmo.

— Ah, pelos... deuses... Shaka... — balbuciou num rosnar abafado, contraindo os dedos dos pés e mordendo os próprios lábios a cada nova investida do indiano que lentamente enterrava-se em si.

Ofegava, contorcia-se, mas sem tirar os olhos das íris azul celeste que em momento algum quebravam o contato visual que mantinha consigo. Estava cativo do poder hipnótico impresso aquele olhar e quando menos percebera estava, pela primeira vez, completamente dentro do virginiano. Todo seu pênis volumoso, da glande à base, preenchendo o corpo do amado num encaixe perfeito que lhe proporcionava um prazer sublime, o qual teve medo de tornar efêmero novamente tamanha sua excitação.

Mas dessa vez seria diferente.

Não demorou muito mais para que Shaka se livrasse do desconforto da dor e desse início à uma cavalgada cadenciada, inicialmente comedida.

Para o deleite do defensor da primeira casa, o Santo de Virgem gemia sem pudores, subindo e descendo majestosamente num balé erótico que punha à prova todo seu autocontrole.

Deixou que o indiano espalmasse ambas as mãos em seu largo peito para ter mais apoio ao movimentar os quadris, então ele também levou as mãos à cintura de Shaka e as escorregando para as nádegas esguias pôde acompanhar os movimentos pélvicos que ganhavam intensidade a cada nova investida.

— Ahhh... assim Shaka... hummm... por Zeus... ahnn — gemeu, projetando seu quadril para cima instintivamente, estocando o corpo apertado e febril em alguns intervalos, extasiado por conseguir entrar por completo dessa vez.

— Mu... aahhhh... Eu amo você... hmmm — a respiração descompassada de Virgem se agravava à medida que acelerava seus movimentos de subida e descida.

Logo estavam unidos em um ritmo frenético, o som dos corpos se chocando ecoando pelo estúdio.

Shaka cavalgava Mu com maestria. Envolvido pela atmosfera do cenário da novela, pela sensualidade desmedida do Santo de Áries e por seu próprio desejo lascivo, o qual descobriu tão logo que se viu apaixonado pelo ariano. Tudo que queria era viver aquele momento com a máxima entrega que conseguisse.

Já Mu estava nos Elísios!

Enquanto hipnotizado pelos olhos azuis que em momento algum lhe davam trégua, pelos cabelos dourados que balançavam criando um véu de ouro que lhe cobria o torso e braços, Mu levou uma mão ao pênis de Shaka e passou a masturbá-lo no mesmo ritmo.

Dessa vez conseguiram ir um pouco mais além e vencer a afobação das primeiras vezes, desfrutando de alguns minutos prazerosos, mas tão logo Áries fora atingido pelas ondas de prazer que ditavam seu limite máximo, inundando o interior do indiano com seu gozo, Shaka fora arrebatado por um violento orgasmo que o fez derramar-se, quase ao mesmo tempo, na mão do ariano.

O virginiano desabou sobre o peito do lemuriano e lá ficou, na mesma posição, por longos minutos, cadenciando sua respiração a do amado até que ambos recuperassem o ritmo normal. Jamais imaginou que experimentaria tamanho prazer em vida.

— Nunca mais vou assistir à novela sem lembrar desse dia... — disse quase num fio de voz, mas o suficientemente firme para arrancar uma risada sonora do marido.

— Acho que vou teleportar essa cama lá para sua casa. Pelos deuses! A cama da Síbila é poderosa!

— Deixa de ser besta, Mu de Áries!

Nessa hora Mu ganhou um croque na cabeça e um beijo ligeiro nos lábios.

— Aii... Primeiro me bate, depois me beija? — reclamou, observando o loiro se levantar apressado para recolher as roupas do chão.

— Não vai teleportar a cama, mas... — Shaka se deteve correndo os olhos pelo cenário rico em detalhes os quais ele conhecia como ninguém, então estacionou o olhar sobre um pequeno altar que ficava ao lado da penteadeira e foi até lá apanhar seu suvenir — Podemos levar isso. Anda, teleporta essa estatueta.

— O que? — Mu arregalou os olhos saltando da cama — É sério isso? Você vai furtar a Síbila, Shaka de Virgem?

— É só uma lembrança, não exagere.

— Mas, justo o Lord Ganesha? — apanhou a estatueta graciosa de cerâmica do deus hindu nas mãos a analisando, então sorriu por constatar se tratar da representação mais fofa e doce que já vira do deus elefante — Só porque ele é todo engraçadinho e fofinho?

— Claro que não. É porque essa é uma relíquia de família. Síbila a ganhou da mãe, que a ganhou da avó, que a ganhou da bisavó, que a ganhou da tataravó...

— Tá, já entendi, Sha! Pelos deuses, não vai me falar a geração toda da família da Síbila. Atena, perdoa ele de novo. — rogou aos risos, fazendo desaparecer o objeto de sua mão.

— Kalii, a irmã invejosa, está com a verdadeira. Essa é falsa. — explicou como se o fato abrandasse seu delito, enquanto terminava de se vestir.

— Sei... E Buda vai permitir você ter um deus hindu no seu altar? — Mu questionou como por brincadeira, enquanto vestia a camisa.

— Buda vai permitir que Ganesha tenha um lugar em seu altar sim... E Shaka vai permitir que o cavaleiro de Áries tenha um lugar em seu sagrado Templo, para sempre, ou até quando ele quiser... Ah, e logicamente se ele assim desejar. Você vai morar comigo, Mu? — parou o que fazia ficando de pé, imóvel, frente a frente com o ariano. Seu rosto queimava, estava envergonhado pelo convite.

— Você está falando em terceira pessoa. — Mu sorriu de lado, aproximando-se do indiano lentamente. Sabia que ele só cometia esse deslize de colocação pronominal quando estava inseguro ou nervoso.

— Ah... sim... — Shaka baixou a cabeça envergonhado, rindo de seu próprio embaraço, mas logo o lemuriano segurou em seu queixo e o fez olhar para si.

— Sinto-me honrado por esse convite. — disse o ariano sem desmanchar o sorriso.

— Então... você aceita? Ou...

— Nós agora somos casados. Uma só alma, uma só carne e uma só vida. Com minhas habilidades psíquicas posso muito bem residir em Virgem e guardar Áries... O que significa que vai ver minha cara amassada de sono todas as manhãs, porque Mu vai morar com Shaka.

Um largo sorriso se abriu no rosto do virginiano e o acordo fora selado com um beijo apaixonado.

Aquela fora a última noite que passaram em Jamiel.

Logo pela manhã juntaram as poucas bagagens que haviam levado, organizaram a torre e despediram-se da montanha. Não era um adeus, pois agora o pagode sagrado pertenceria eternamente aos dois, esperando por ambos sempre que necessitassem de refúgio.

Num piscar de olhos estavam de volta ao Santuário, à sexta casa zodiacal. Agora seria ali que juntos dariam início à tão sonhada vida a dois, mas dessa vez tinham a benção dos deuses.

*ulus – pessoa estúpida, bobo.