Santuário, 08:23am
O sol se mostrava mais fraco naqueles dias de início de outono, ainda assim seus raios luminosos atingiam de forma delicada tudo o que tocavam.
Do lado de fora, o som melodioso do canto dos rouxinóis que fizeram seu ninho no antigo carvalho do jardim lateral invadia o aposento do Patriarca.
Devagar Saga piscava os olhos, despertando de um sono tranquilo, enquanto se acostumava com a luz natural que iluminava o ambiente.
Uma brisa mais fresca invadiu o quarto através da janela aberta, balançando as cortinas finas de tecido claro e lhe causando um leve arrepio na pele.
Sentiu falta do calor gostoso que o acompanhara durante aquela noite, e ansioso por senti-lo novamente olhou para o lado e só então percebeu-se sozinho.
Correu uma mão pelos lençóis macios como se pudesse acariciar a pele de quem deveria estar ali deitada. Esperançoso, percorreu com os olhos todo o cômodo a sua volta até mirar o criado mudo a seu lado, onde uma jarra de vidro com água, um copo vazio e um frasco transparente com vários comprimidos dentro jaziam lado a lado.
Devagar, recostou-se à cabeceira para se servir de um copo e tomou dois comprimidos, e enquanto o fazia seus olhos jades fitavam o vazio, como se buscassem algo perdido em sua memória.
Nesse instante a porta do aposento se abriu sem aviso, silenciosa, revelando a figura esguia vestida em uma camisa branca de mangas longas, as quais trazia dobradas até os cotovelos por serem nitidamente maior alguns números, mas não o suficiente para lhe cobrir por completo as coxas torneadas.
Estava descalça e com os longos cabelos negros amarrados em um coque displicente, enquanto no rosto exibia um sorriso discreto que contrastava com o olhar preocupado.
— Bom dia! Já tomou o seu remédio para dor de cabeça?
— Já... E com água! — ele sorriu sereno, porém não pode evitar uma careta que se formou em seu belo rosto ao dar o último gole no líquido transparente.
— Hum! Estou gostando de ver! Bom menino! — Geisty emendou se aproximando e se debruçando sobre o corpo forte do namorado lhe presenteando com um beijo calmo e carinhoso nos lábios.
- Início do Flashback -
No último degrau que dava acesso ao décimo terceiro Templo, Geisty continha seus passos. Até ali havia seguido firme e decidida, mas diante das imensas portas cerradas seu ânimo vacilara. Correu os olhos por todo o cenário à sua frente. Dois guardas faziam a sentinela em frente à entrada, armados com lanças, escudos e armaduras que remontavam à Idade do Bronze da Grécia Antiga.
A amazona analisava cada detalhe a fim de traçar uma estratégia, pois não poderia se dar ao luxo de falhar, já que tinha uma única chance.
Assim sendo, elevou seu Cosmo, de início, de modo brando e contínuo, porém perceptível para, propositalmente, alertar às duas sentinelas acerca de sua presença.
Assim que se percebeu notada, caminhou a passos firmes, com os olhos cravados nos rostos severo dos soldados, detendo-se apenas quando se viu diante de ambos.
— Boa Tarde! Solicito uma audiência com o Patriarca.
Mesmo sendo de patente superior aos homens à sua frente, os quais lhe detinham a passagem e a encaravam com carrancas nada amistosas, as normas de conduta do Santuário deveriam ser mantidas e a entrada de qualquer membro, exceto a própria Atena e o Patriarca, precisaria passar por uma autorização prévia.
Sem contar que Saga deixara bem claro que não queria ser incomodado por ninguém.
Absolutamente ninguém!
Os dois guardas se entreolharam rapidamente até que um deles pronunciou:
— A entrada de qualquer membro neste recinto está vetada até segunda ordem do Patriarca.
Em silêncio a amazona apenas assentiu com a cabeça afirmativamente, então lhes deu as costas e saiu calmamente descendo as escadas, enquanto as sentinelas acompanhavam o som de seus passos se distanciando.
Pelo menos era isso que os soldados acreditavam estar presenciando...
No momento em que se entreolharam e se voltaram para responder ao pedido de Geisty, já estavam presos a uma poderosa ilusão criada pelo Cosmo da amazona.
Foi a ela que responderam, já que lhes parecia tão real quanto à guerreira que um segundo antes estava em sua frente.
Suas mentes foram induzidas a crer que tudo o que seus olhos e ouvidos captavam era real, e automaticamente ignoraram tudo o que não fazia parte daquele conjunto ilusório, como a verdadeira Geisty correndo na velocidade do som entre eles e abrindo, rápida e silenciosamente, a porta atrás de ambos para adentrar o salão.
Através da pequena fresta Serpente viu sua ilusão dar as costas aos guardas e se retirar, então fechou silenciosamente a porta e seguiu seu caminho.
O grande salão estava mergulhado em uma penumbra densa, mas algo muito mais assustador e perigoso a aguardava além da escuridão que engolia o recinto.
O trono do Patriarca estava vazio e um silêncio soturno pairava no ar.
Determinada, Geisty respirou fundo, tomando fôlego e coragem, então passou a analisar o local usando todos os seus sentidos sensoriais enquanto caminhava receosa até o trono, como um felino que espreita o perigo.
E este não tardou em se mostrar.
Na direção do corredor lateral, o qual dava para os aposentos do Patriarca, uma voz intimidante, bem mais grave do que estava acostumada a ouvir, e bem mais soturna também, anunciou seu dono:
— Então você veio até aqui, amazona! Ora, mas quanta ousadia!
No mesmo instante, Geisty se voltou em sobressalto para a direção da voz, mas nem mesmo teve tempo de esboçar algum tipo de reação, pois no segundo seguinte a figura imponente do Patriarca se ergueu bem diante de si.
— Imagino que tenha vindo atrás dele! — rosnou, enfurecido.
Súbito, o homem a agarrou pelo pescoço com apenas uma das mãos, tendo como resposta somente um arfar de assombro e o olhar amedrontado de quem foi pego com a guarda baixa.
— Aargh! Sa... Saga!
Por reflexo, a jovem levou ambas as mãos armadas de garras ao punho do agressor, pressionando-o para que lhe soltasse.
— Não... — grunhiu com um sorriso perverso no rosto contorcido — Surpresa em me encontrar ao invés do banana do seu namorado?
— Não! — respondeu com um fiapo de voz.
— Hum... Então o que foi? Sentiu saudades de mim... amazona? — a trouxe mais próximo a si, ficando a centímetros do seu rosto, ao passo que ela desviava o olhar e franzia o cenho em desagrado — Responda! — sussurrou junto a seu ouvido, tendo como resposta o olhar de ojeriza da jovem, o que lhe arrancou uma risada sonora.
— Ah, o que é isso? Não fui tão rude assim com você... — debochava enquanto corria a mão livre pela cintura da italiana, quase alcançando seus seios, já que fora impedido pela palmada ágil da morena que o afastou empurrando a mão buliçosa para longe.
— Eu não tenho medo de você! — rangeu os dentes sentindo suas amigdalas sofrerem com a pressão da mão do Patriarca contra seu pescoço.
— Pois deveria! — retrucou a funesta figura de olhos viperinos.
— Não... Não posso temer alguém que... que eu amo!
Os olhos irados do Grande Mestre fitaram o rosto em agonia, espantados. Ele não estava preparado para o que ela acabara de dizer, e após uma breve pausa, percebendo que tocara a criatura de alguma forma onde desejava, a astuta amazona prosseguiu.
— Eu não vou perder o Saga, não novamente, não para você! E se você, de algum modo, for parte dele, então cabe a mim mantê-lo longe!
Irritado, o grego deu um tranco forte no corpo da amazona usando a mão que a segurava pelo pescoço, e disse com voz ríspida, em claro desagrado:
— VAGABUNDA!
— MONSTRO! TRAGA O SAGA DE VOLTA! — ela berrou, o enfrentando como pode, mesmo sua voz sufocada pela tentativa de estrangulamento.
— Eu deveria matá-la agora! Por desobediência! Perderia uma fonte de lucro, sim, mas há muitas como você... Acho em qualquer esquina! — sorriu debochado — Valeria à pena diante de todo o problema que me seria poupado. Além da facilidade com que realizaria meus planos sem você no meu caminho.
Apertou ainda mais o pescoço da amazona, que já começava a sentir dificuldade em respirar.
Por algum momento Geisty pensou que não seria capaz de vencê-lo. Ele era muito poderoso, e sua essência maligna tão pesada quanto anos de ódio cultivado em um coração ferido, mas ainda tinha frescas na memória as palavras de Shaka de Virgem, e percebia que não podia se dar ao luxo de fraquejar.
— Mas você... Não vai me matar... Porque essa não é a vontade de Saga! — dizia com a voz rouca e dificultosa diante da compressão das cordas vocais sendo estreitadas. — Está me ouvindo, Saga? Eu não vou desistir de você!
— Como disse? — retrucou o grego soltando mais uma gargalhada de puro escárnio — Não consegui te ouvir.
— Reaja, Saga!... Não quer fazer isso... Tem que... reagir!
— Oh! Será que ele não quer mesmo fazer isso? — provocou, enquanto observava o olhar receoso da morena — Ou ele apenas não tem coragem?
— Não! Ele não quer.
— Como pode saber?
— Porque Saga me ama! E eu o amo!
— Ah! Vadia tola! Não se iluda!
— E o que você sabe do amor? Você não sente, o que coloca Saga e a mim em vantagem sobre você, não acha? — agora Geisty era quem debochava.
O Grande Mestre trincou os dentes de raiva. Suas mãos agora tremiam, sua respiração se acentuava, acelerada e pesada.
— Então eu vou acabar com essa sua vantagem, amazona.
Levou a outra mão ao pescoço da garota tencionando esganá-la deveras, mas por algum motivo desconhecido seu corpo parecia não responder ao estímulo de sua vontade, e essa luta que começava a travar consigo mesmo de imediato fora notada pela amazona, que arregalou os olhos e bradou.
— SAGA! SAGA! EU SEI QUE ESTÁ AI! AAAHHH! — fora calada por um chacoalhão repentino.
— CALA A BOCA, SUA VAGABUNDA!
O grego gritou em ira, dando mais um tranco no corpo menor a fazendo arfar, mas nem diante da morte iminente a brava amazona vacilou.
— Não... não faça isso!... Saga, eu sei que está ai... Não está sozinho... Reaja! REAJA!
— Miserável!... Uhn... Tudo poderia ser resolvido de forma prática, mas você sempre escolhe o caminho mais complicado, Saga. Sempre toma as decisões mais ilógicas, pelo simples fato de não ter coragem para fazer o que é preciso. IMBECIL!
O Patriarca rosnava, grunhia, e suava, como se o esforço que fazia em tentar esganar a garota lhe fosse uma tarefa árdua e além de suas capacidades.
O que de fato não era.
Isso se não estivesse sendo impedido por alguém mais poderoso.
— Eu vou... por um basta em tudo isso... — lutava contra a força dentro de si que o refreava, enquanto tentava intensificar a pressão contra o pescoço da amazona.
— Saga! Saga não faça isso... Reaja! Volte para mim! Preciso... de você! — Geisty apertava com dificuldade os pulsos do grego.
— TOLO! Você jamais irá alcançar tudo o que merece sendo um molenga apaixonado.
O olhar colérico do grego era direcionado às íris violetas de Geisty, e evidenciava toda a ira que corria em suas veias naquele momento. Queria esganar a amazona com as próprias mãos, mas sentia seu corpo não lhe responder e seu controle vacilar de forma notória.
Gotículas de suor brotavam da testa, enquanto o rosto ruborizado de feições duras começava a empalidecer e os músculos a tencionar violentamente.
— Sa... Saga... uhn... lute! Lute! — grunhia Serpente, inerte, enquanto presenciava aquele monólogo bizarro.
— Eu vou livrá-lo de você, amazona! — rosnou o grego, logo em seguida fechando os olhos de supetão e chacoalhando a cabeça — Ah! Maldito!... Você não vê? Não consegue perceber?... Uhn... Está sendo fraco! Mais uma vez fraco! É tudo culpa dela. — abriu os olhos e voltou a encarar Geisty — Ela não permite que você seja forte. Que conquiste a tudo que merece... Ela te torna um covarde, Saga. Esse sentimento medíocre que você nutre por ela te torna um idiota inútil. Eu preciso por um fim nisso! — agora gritava com ódio na voz, soltando perdigotos.
Geisty sentia o ar não lhe ser mais o suficiente para lhe manter consciente, e os olhos lacrimejavam pela força que sofria contra o seu pescoço.
— Uhn... não... Saga... lute... por mim... por você! — murmurou sôfrega, mas jamais desistiria de seu intento enquanto lhe restasse a mínima chance que fosse.
— A culpa, é sua! — sibilava em ódio ao sentir as mãos trêmulas e vacilantes.
— Ouça somente a minha voz, Saga... Eu... uhn... vim aqui por você... mas sem a sua ajuda não vou conseguir te trazer de volta... Lute cavaleiro. LUTE!
Gritou com toda a força que conseguiu, encarando diretamente os olhos que emanavam angustia diante da batalha feroz que era travada na mente do grego.
Geisty então fechou os olhos deixando que lágrimas escorressem por seu rosto em agonia.
Agora era com Gêmeos.
Tinha que confiar nele, era por isso que estava ali.
A amazona havia entregado sua vida nas mãos do amado e dependia apenas dele o último e decisivo passo. Ou mergulhava em definitivo nas trevas daquela força que o tomava, ou sobrepujava-a, tomando seu corpo e suas vontades novamente, salvando a vida de sua amada que estava prestes a ser ceifada por suas próprias mãos.
E a estratégia da italiana começava a funcionar!
Um ímpeto muito mais forte tomou o cavaleiro nesse momento.
Estava diante de si a mulher que tanto amava e que tanto fez para proteger, se esvaindo devagar, e por suas mãos.
O desespero tomou a mente de Saga, e sobrepujou com muito mais força, mesmo sob os protestos raivosos, a parte maligna que gritava dentro de sua cabeça.
O rosto grave, retorcido em fúria, se desfez dando lugar a uma feição aflita e assustada que se deparava com o rosto ruborizado da amazona.
Foi em completo horror que se deu conta de que eram suas próprias mãos a tentar estrangular a amada, então a soltou de imediato encarando sua face rubra e exaltada com os olhos vidrados.
Em total assombro, Saga contemplava a amazona. Os lábios entreabertos trêmulos, as mãos ainda congeladas no ar, até que uma dor excruciante lhe acometeu a cabeça o fazendo levar ambas as mãos às têmporas e fechar os olhos.
— AAHH! NÃO! NÃO! — urrou, a voz oscilando entre a rouquidão grave e o timbre mais ameno — PARE! JAMAIS PERMITIREI QUE A MACHUQUE!
A seu lado, Geisty, cambaleante e um pouco ainda atordoada, levou a mão ao próprio pescoço enquanto tossia buscando ar pela boca de forma urgente, mas sem tirar os olhos do cavaleiro à sua frente.
— Saga!... Saga! Estou aqui! Eu vim por você! Não o deixe... vencê-lo!
Serpente iniciou uma aproximação, mas logo fora repelida.
— Não se aproxime! Arhg!... Não... Mate-a! Seu fracote!... NÃO! — seus joelhos vacilaram e o grego foi ao chão. As mãos ainda amparando a cabeça.
A luta que Gêmeos travava consigo mesmo era intensa, pesada, porém não era uma luta travada sozinho.
— Saga! — Geisty gritou, e desobedecendo à advertência do Patriarca correu até ele e segurando em seus punhos chamou sua atenção — Abra os olhos! Olhe para mim! Não escute a voz, Saga! Não escute! Faça-o silenciar, você pode! Você é mais forte! E você... tem a mim! Eu amo você, cavaleiro! Volte para mim!
Estava assustada, e mal tivera tempo de se recuperar, mas firme em seu propósito, Geisty amparava o geminiano como podia, até sentir as forças dele vacilarem e seu corpo robusto tombar para frente.
O amparou como pode em seus braços, notando sua face em agonia que agora parecia mais pálida, mas que enfim começava a abandonar aquela fisionomia grotesca e violenta.
— Atena! — uma emoção desmedida tomou conta do coração de Serpente.
Gêmeos agora lutava para manter a consciência após a batalha interna que travara contra o mal que residia em si. Os efeitos se refletiam em seu copo, o qual se mostrava extremamente cansado e abatido, mas era ele novamente ali. Os fios dos cabelos que antes se mostravam negros apesar da escuridão do salão, agora voltavam progressivamente a ganhar o viço azulado de antes até atingir sua totalidade.
— Geisty... — sussurrou.
— Sim, sou eu! Está tudo bem! Está tudo bem! Você conseguiu! Descanse. — replicou a amazona, esboçando um sorriso de alívio nos lábios trêmulos.
— Minha... amazona... — balbuciou ao enfim olhar com candura nos olhos violetas da amada. Tentou levar com muita dificuldade a mão ao rosto preocupado da italiana, conseguindo apenas tocar-lhe com a ponta dos dedos e ela a segurar com firmeza para lhe passar confiança.
— Eu estou aqui, Saga. Estou aqui com você.
Foi a última coisa que ele ouviu com clareza antes de perder a consciência.
Aflita, Geisty se levantou num salto e correu até a enorme porta de entrada do salão, a qual abriu com um solavanco e chamou os dois guardas que ali mantinham sentinela.
— Vocês dois, rápido! O Grande Mestre teve um mal súbito e precisa ser levado a seus aposentos para repousar. Não façam perguntas, apenas cumpram a ordem, pois se algo acontecer ao nosso Patriarca vocês responderão!
Não esperou que eles a contestassem, e voltou correndo ao salão.
Os soldados estranharam a presença da amazona ali, já que a tinham enxotado e visto se distanciar da área com seus próprios olhos, mas frente àquela ameaça, e com a saúde do Patriarca em risco, não perderiam tempo tentando desvendar o mistério.
Sendo assim, apressados adentraram o salão e removeram o Santo de Gêmeos até seus aposentos, onde o colocaram na cama e o deixaram na companhia da amazona, retornando o mais brevemente a seus postos.
Ao notar que o cavaleiro suava e tinha tremores involuntários, além de estar um pouco febril, Geisty foi até a cozinha e voltou com uma pequena bacia com água fria e uma toalha de rosto branca.
Mergulhou a toalha na água e fez uma compressa sobre a fronte do geminiano para tentar reanimá-lo.
— Saga. Saga, me responda. Está me ouvindo? — indagou próximo ao seu rosto, dando leves tapinhas nas bochechas coradas na intenção de acordá-lo.
Depois de alguns minutos ele reagiu, abrindo os olhos atordoado, mas conseguindo reconhecer através de sua visão desfocada a figura amada de sua amazona.
— Geisty...
Ela sorriu, com os olhos marejados de emoção ao reconhecer o olhar sereno do cavaleiro a quem entregara seu coração.
— Olá! Estou aqui! Que bom vê-lo novamente. — acariciou o rosto do grego com ternura.
— Você veio até aqui... — a voz tremida entregava seu cansaço — Por quê? Por que, meu amor... se pôs em perigo dessa forma?
— Você precisava de mim. Precisava da minha ajuda. Eu não prometi que seria o seu farol quando o mar revolto o quisesse levá-lo para longe de mim?
— Não... Não devia ter vindo aqui sozinha. É arriscado demais confrontá-lo sozinha!
— Saga, eu sabia que se você perdesse o controle sobre Ele, ninguém mais poderia te ajudar... A não ser eu.
— Ele... Ele tentou te tirar de mim, Geisty... — melancólico, não aceitava ter atentado contra a vida de quem tanto amava, e se sentia miserável por isso.
— Mas não conseguiu. Você o impediu! — sorriu a morena, então aproximou o rosto da face ainda atordoada do geminiano e lhe beijou ternamente os lábios.
Saga estremeceu diante daquele contado, então deixou a dor extravasar na forma de um choro tímido.
— Não devia ter se arriscado dessa forma... Se ele tivesse conseguido te... — silenciou-se de súbito.
— Eu sabia que você não permitiria que isso acontecesse. Eu confiei em você, na sua força. Eu sabia que não fraquejaria. Eu tinha certeza disso. — disse tocando o rosto do cavaleiro enquanto trocavam um olhar cúmplice.
— Obrigado, por não ter desistido de mim...
— Você também não desistiu de mim, Saga. Somos muito teimosos, não acha?
Ambos sorriram um para o outro.
Gêmeos não tinha coragem para tomar-lhe um beijo depois de tudo que acabara de vivenciar e, mesmo que indiretamente, infligir a ela, mas desejava desesperadamente tocar aqueles lábios que tanto lhe faziam falta.
— Eu vou cuidar de você.
— Eu sinto tanto por tudo que tem acontecido a você... a nós... Eu não queria que fosse desse jeito...
— Eu também sinto por você! Veja esse lugar, Saga! Veja como está vivendo! — apontou para o entorno onde várias garrafas de Absinto, Whisky, e toda a sorte de bebidas alcóolicas de teor fortíssimo jaziam vazias pelo chão acarpetado — Está abatido. Não se alimenta direito, e dia após dia tem se embriagado. Até quando acha que seu corpo vai resistir? Por todos os deuses! Foi Baco que não te deixou ir dessa para os Elísios ainda.
Levantou-se da cama e passou a vasculhar o quarto, sendo acompanhada pelo olhar cansado do cavaleiro, até que encontrou o que procurava no fundo de uma gaveta.
— Achei! Sabia que deveria ter um vidro de aspirinas por aqui.
Seguiu apressada para a cozinha e de lá voltou com um copo generoso de água, ajoelhou-se ao lado da cama e os serviu ao cavaleiro.
— Toma. Daqui para frente nada de álcool para aliviar as dores de cabeça.
O ajudou a se acomodar devidamente entre os travesseiros e o cobriu com um fino lençol, deitando-se em seguida a seu lado para lhe acariciar o cabelo rente à testa.
— Quem dera uma aspirina fosse a solução! — lamentou o grego, e logo passou um dos braços pelos ombros da amazona lhe aconchegando em seu peito — Mas, obrigado. Só de estar aqui comigo já me sinto bem melhor.
— Descanse. Quando acordar eu faço um lanche leve para nos dois, está bem? Não pense em nada agora, apenas se fortaleça. — tinha no rosto uma expressão serena, mas em seu íntimo estava preocupada com o estado do geminiano.
Em poucos minutos Saga havia pego no sono, então Geisty passou a arrumar a bagunça que se instaurara naquele quarto.
- Fim do Flashback –
— Como se sente hoje? — a amazona perguntou enquanto distribuía beijos pelo rosto sereno do cavaleiro.
— Hum... Com certeza bem melhor que há uma semana! — sorriu abraçando a cintura do corpo delgado colado ao seu — Nem a papelada toda dos fornecedores do Templo das Bacantes que tive que conferir sozinho ontem, já que Mu chega hoje de viagem, me tirou do sério... Nem o vacilo do Máscara da Morte e do Shura em deixar aquela briga entre os argelinos acabar com um senador gravemente ferido, e que com certeza vai pesar no meu bolso, e nem o desentendimento do Afrodite com o prefeito Praxédes conseguiram me fazer perder a razão.
— Hum, bendita seja a aspirina! — riu a morena, dando uma leve mordida no queixo do cavaleiro.
— Bendita seja você! Minha amazona! — em um rompante a puxou para seu colo de forma travessa enquanto sorria, arrancando uma risada da jovem, então pode beijar os lábios doces que tanto bem lhe traziam.
Era um alívio para Saga vê-la ali a seu lado. Era realidade a sua presença, e isso tornava um pouco menos dura sua vida.
O beijo ganhava intensidade a medida que o desejo inerente de ambos crescia.
— Hum... muito bem! — Geisty apartava o beijo por curtos momentos para sussurrar lhe acariciando os cabelos — Estou orgulhosa desse meu paciente! — pontuou com um sorriso, enquanto tocava o indicador no peito nu do cavaleiro.
— Sim senhora, dona enfermeira! E pode se despreocupar que tão cedo eu não vou beber. O que mais preciso eu já tenho aqui a meu lado para me manter são. — dizia com a voz mansa, fitando os olhos atentos da amazona, acariciando o rosto que trazia uma feição apenada.
Geisty sentiu um aperto no peito ao ouvir aquilo.
Agora mais do que antes, sentia-se culpada pelo atual estado de debilidade do amado, pois a seu ver tudo poderia ter sido evitado por ela, bastasse que tivesse confiado nas palavras de Saga quando toda aquela briga no Templo de Baco teve início.
Sem cortar o contato que mantinha com o cavaleiro naquele momento, se ajeitou em seu colo, sentando sobre ele com uma perna para cada lado de seu corpo. Tomando seu rosto entre as mãos, o olhou nos olhos com um misto de amor e pesar, perdida no olhar apaixonado que a fitava de volta.
Com um fio de voz tentou se expressar:
— Saga, eu não imaginava que isso tudo pudesse acontecer a você... Não dessa forma. Se eu soubesse eu não teria agido como agi.
— Não, não Geisty, você não tem culpa de nada. Eu que preciso me desculpar pelo que fiz a você... Eu perdi o controle...
— Por minha causa.
— Não. Por tantas coisas... Mas, você voltou por mim. Você voltou e insistiu, até quando Ele tentou te impedir de me resgatar... Você não desistiu de mim.
— Nem desistiria. Eu prometi que seria seu farol.
— Você se arriscou por mim.
— Eu precisa tentar... Eu era, talvez, sua última chance.
— Minha única chance. Única!... Eu confio tanto em você... E eu... Eu te amo tanto, Geisty.
Aquilo foi um baque para a amazona.
Sabia dos sentimentos do cavaleiro por si, mas nunca havia escutado de sua boca com todas as letras que ele a amava, e um "eu te amo" é algo que balança a maioria dos mortais, principalmente depois de tudo pelo que haviam passado.
Sentiu sua pele se arrepiar por completo, enquanto sua boca secava e se abria em um ensaio mudo de argumentação, conseguindo somente manter seus olhos fixos no rosto do homem a sua frente, que não pode deixar de notar a reação de surpresa, e continuou a falar.
— Eu só quero viver esse sentimento com você. Ter você ao meu lado... Pagar essa maldita dívida com os russos e poder dizer a todos que estamos juntos. Sei que a ideia foi minha, e não há um só dia em que não me arrependa de ao em vez de ter criado o Templo das Bacantes, ter dado cabo de toda a Rússia e aquela corja...
— Saga, já conversamos sobre isso. Não se exalte está bem? — disse Geisty de forma serena — Hoje sabemos que esse era o único meio que você, e também Ele, encontraram. Não iria adiantar você afundar toda a Rússia no oceano ou mandar cada membro da Vory v Zakone para outra dimensão. Eles são como um câncer, Saga. Você se livra de um e logo surgem outros, e outros...
Saga tomou as mãos da amazona nas suas, beijando-lhe os dedos delicados, um a um.
— Quero poder andar de mãos dadas com você, e não viver em segredo a seu lado... Eu quero gritar ao mundo que a amo, dormir e acordar todos os dias a seu lado... — tomou folego e soltou de uma vez todo o seu sentimento, deixando a voz sair suave, enquanto trazia a boca de sua amazona para mais próximo da sua, quase tocando os lábios, sem desviar das íris violetas que brilhavam marejadas o fitando em fascínio — Eu quero que você seja a minha família... a minha vida! Uma vida juntos, sem medo de sermos retalhados por qualquer que seja o inimigo, seja ele a Vory, o Santuário, o Hades, ou o Mal que eu não controlo... Eu só quero que sejamos felizes, juntos!
A voz se calou para finalmente matar a sede que sentia nos lábios doces da amada, em um beijo intenso, profundo e apaixonado que assinava aquela promessa.
Com o beijo ganhando intensidade e as línguas sedentas não sendo mais suficientes para acalmar o calor que crescia dentro dos corpos dos dois amantes, acariciavam-se mutuamente, entregando-se aquele momento de corpo e alma.
Saga deslizava as mãos pelas coxas torneadas da amazona até alcançar a barra da camisa e por baixo do tecido fino explorar seu corpo com suaves toques, sentindo as curvas e a suavidade da pele macia.
Geisty soltou um suspiro de excitação em meio ao beijo intenso ao sentir a mão forte do amado acariciando um de seus seios.
O cavaleiro enlaçou suave seus dedos entre os fios que saiam da nuca da italiana, então desviou os lábios para o pescoço perfumado dando um chupão que fez toda a pele bronzeada da morena se arrepiar de imediato.
Sabia cada ponto fraco do corpo dela, e aquela batalha ele já havia ganho.
Ágil, afastou com os pés o lençol fino que ainda lhe cobria o corpo nu, deixando à mostra sua ereção pronunciada, a qual pode ser notada pela amazona quando o membro quente tocou-lhe o traseiro.
Aprofundou-se mais ao beijo em seguida interrompê-lo de súbito e se afastar o suficiente para retirar, por cima da cabeça mesmo, a camisa de botões que Geisty usava.
A nudez deslumbrante da amazona agora era contemplada pelos olhos cobiçosos do namorado, que sem conseguir se controlar corria as mãos másculas e grandes pelo abdômen definido da jovem até alcançar seus seios firmes e apalpá-los.
Volumosos, enchiam ambas as mãos do cavaleiro e arrancavam suspiros lascivos da italiana, que rebolava insinuante em seu colo enquanto corria as suas mãos pelo peitoral definido do amante, estacionando ambas em sua nuca ao se debruçar para beijá-lo de forma faminta.
O geminiano sentia seu membro latejar em excitação. Seu corpo pedia por mais, pedia desesperadamente pelo corpo de sua amada amazona.
Com esse objetivo, deslizou a mão pelas curvas sinuosas dela até alcançar a base de seu pênis e posicioná-lo, aguardando o momento em que sua parceira o desejasse receber dentro de si.
Geisty rebolava sensual fazendo o membro invadi-la de forma lenta, deliciosa, torturante, levando o geminiano a interromper o beijo para gemer sôfrego, deixando a cabeça pender para trás com os olhos semicerrados, totalmente entregue ao prazer.
Com muito custo conseguiu se recompor daquela deliciosa sensação de invasão no corpo quente, macio e úmido.
Ao olhar para o rosto da italiana corado pelo desejo, tomou-lhe novamente a boca, e agora explorava com sua língua cada pedacinho ao mesmo tempo em que se movia em ritmo cadenciado, entrando e saindo dela, fazendo com que Geisty tencionasse ainda mais o corpo em tesão, lhe causando uma deliciosa compressão no membro.
Uma nova onda de prazer os atingia, e em reação Saga apertava com vontade as nádegas da amazona enquanto aumentava o ritmo da penetração.
Um gemido mais alto e arfante brotou da garganta da amazona, que arqueava as costas totalmente entregue a seu cavaleiro, remexendo os quadris para frente e para trás ainda mais libidinosa, ao passo que seus seios eram deliciosamente provados pela boca sedenta de Saga.
— Amo sua pele, seu sabor... Ahn... seu cheiro... sua boca... Você inteira! Como me fez falta, Geisty! — murmurou trilhando um caminho de beijos até o pescoço da amada.
— Ahh.. Amore mio! Ti amo cosi! — o gemido fora dito no ouvido do cavaleiro, e intensificando o ritmo de seus movimentos logo sentiu o corpo contrair-se em espasmos involuntários de um orgasmo delicioso que refletia também no corpo do geminiano, o qual sentiu seu membro ser comprimido em uma excitante pressão.
Ter em seu colo a mulher que tanto amava, totalmente entregue a si, arrebatada por um orgasmo intenso enquanto sussurrava em seu ouvido que o amava em sua língua natal, não era somente prazeroso, era muito mais que isso.
Sentia-se pleno, realizado.
Foi com esse sentimento que fora tomado por um prazer muito além da carne, o qual lhe arrebatava todo o espírito, a vontade, os desejos mais íntimos, então se esvaiu em um gozo quase delirante, espalmando ambas as mãos nas nádegas firmes e volumosas da amazona, cravando os calcanhares no colchão macio e aprofundando-se mais em seu interior.
Deixava-se tombar a cabeça para trás se derramando abundante no interior do corpo quente e extremamente estimulante da morena. Mantendo os olhos semiabertos ainda conseguia admirar o rosto da mulher que tanto amava contorcido em prazer.
Fez tanto para a proteger e tê-la a seu lado...
Foi nesse momento de contemplação que os olhos cintilantes da amazona encontraram os olhos apaixonados do cavaleiro que a fitava.
Naquele momento, aquela troca de olhares foi capaz de demostrar muito mais que um discurso inteiro dito em palavras. Seus olhares eram a expressão máxima de seus sentimentos, a declaração mais completa de amor que poderia existir. Um amor muito além do corpo. Um amor que tocava suas almas.
Atraída por aquele magnetismo, Geisty se debruçou sobre Saga colando seus corpos e tomando sua cabeça em suas mãos. O beijou de forma apaixonada, quente, trançando suas línguas em um suave balé enquanto embrenhava os dedos finos nos fios azuis revoltos.
Saga podia sentir o coração dela bater frenético dentro do peito. Gostaria que aquele momento nunca chegasse ao fim, que se tornasse eterno em suas vidas, mas o dia apenas começava e tinha uma série de compromissos o aguardando.
— Queria ficar para sempre nesse quarto com você. — disse o grego.
— Eu também, mas infelizmente a vida do lado de fora nos aguarda, meu cavaleiro. — respondeu a garota pegando na mão dele e dando um beijo delicado.
— Sim... eu sei. — Saga acariciou o rosto de pele aveludada.
— Mas, vamos viver ainda tantos outros momentos como este, ou até melhores... — deu um sorriso sacana, lançando um olhar carregado de luxúria para ele.
— Disso eu não tenho dúvida, minha linda amazona.
— Hum... mas sabe de uma coisa que eu me lembrei agora? — ela falava com os olhos fechados e sorrindo.
— Hum? O que? — perguntou curioso em meio a beijos que distribuía no pescoço livre e delicado, não se cansava da suavidade e perfume daquela pele.
— Na realidade eu vim aqui te acordar para tomarmos o café da manhã que preparei para nós... Mas, a essa altura o chá já esfriou.
— Eu gosto de chá frio.
— Mentira!
— Sim é mentira! — admitiu rindo — Prefiro gelado! — riu divertindo girando seus corpos e se deitando sobre ela, então tomou-lhe a boca uma vez mais antes começar seus compromissos diários.
Enquanto trocavam aquele beijo, a mente da amazona lhe pregava uma peça, a fazendo se lembrar das palavras do Santo de Peixes: "Brigas de casal se resolvem mesmo é na cama".
Geisty jamais admitiria, mas Afrodite estava certo!
Templo de Baco, 11:05am
Apesar do clima brando do Outono grego, os raios do sol próximo ao meio dia eram quentes e o calor intenso.
Mu descia as escadarias da casa de Virgem em direção ao Templo de Baco enquanto usava o lenço vermelho, que costumeiramente trazia jogado sobre os ombros, para cobrir a cabeça. Os dias na fria Jamiel já haviam lhe deixado mal acostumado novamente, pois o calor que fazia na Grécia nunca lhe pareceu tão incômodo quanto naquele final de manhã.
O lemuriano e o Santo de Virgem haviam regressado da Lua de Mel há poucas horas, e após arrumarem a modesta bagagem que levaram, e num debate ligeiro decidirem como se daria a mudança do ariano para a sexta casa zodiacal, Mu enfim regressava ao trabalho no Templo das Bacantes.
Como era de costume, mesmo que tivesse um pouco atrasado para começar o expediente, ao entrar no salão cumprimentou a equipe que cuidava da faxina do local, e vendo — isso sim, não era nada costumeiro — Aldebaran, Afrodite e Saga reunidos no bar seguiu até lá com um sorriso que não lhe cabia no rosto.
Dois eram os motivos da felicidade que estampava a bela face do Santo de Áries.
Um, e o mais óbvio, era sua recente união com Shaka de Virgem, o outro foi entrar naquele salão e se deparar com a aura cristalina de Saga de Gêmeos, que em nada lembrava aquela aura soturna e funesta que vira emanar de seu corpo quando o viu pela última vez antes de sair em viagem.
Sorrindo, Mu retirou o lenço que cobria sua cabeça o deixando cair pelos ombros novamente, e ao chegar até os irmãos de armas abriu os braços e abraçou Saga e Afrodite ao mesmo tempo.
Aldebaran estava atrás do balcão tomando notas dos pedidos que teria que fazer aos fornecedores.
— Bom dia, equipe! — disse animado.
Saga piscou os olhos, surpreendido. Estava tão concentrado no que discutia no bar com Touro e Peixes que nem notou a chegada do ariano.
— Ora, ora! Enfim voltou, Áries! — brincou o geminiano virando o rosto para a direção dele e lhe devolvendo o sorriso.
— Olha, eu bem que gostaria de não ter voltado, de poder ficar para sempre onde eu estava, mas sei que não vivem sem mim. Por isso eu voltei, porque vocês me amam... — respondeu chacoalhando o geminiano pelo ombro.
— Hum... é que achei que não suportaria uma semana inteira junto do Buda de galocha. Temi por sua vida. Achei que fosse morrer de tédio.
Afrodite abafou uma risada mais contundente, enquanto Aldebaran franzia as grossas sobrancelhas e corria os olhos curiosos de um para outro cavaleiro, tentando assimilar a conversa.
— Tédio eu sentiria se não tivesse ele, a luz da minha vida, a meu lado, Saga de Gêmeos! — anunciou o lemuriano soltando a ambos do abraço em um suspiro apaixonado.
Aldebaran continuava atento a cada palavra, olhar, gesto ou o que fosse para sanar sua gigantesca curiosidade, pois a única certeza que tinha naquele momento era de que estava por fora de um assunto que lhe parecia ser a fofoca do ano do Santuário.
Seu faro de fofoqueiro de plantão jamais se enganara antes. Desde o início havia achado estranho o amigo pedir uma semana de férias, assim, de supetão. Ainda mais uma viagem sem propósito previamente definido, a troco de nada, na crise em que estavam?
Faltava uma peça para esse quebra-cabeça, mas ao que o cavaleiro de Virgem fora citado no assunto, a mente fuxiqueira do taurino trabalhara rápido, tecendo uma gama de suposições, algumas tão absurdas até para seu próprio entendimento.
Há tempos queria entender que rolo era aquele entre Mu e Shaka. Na verdade, desde o dia em que o loiro aparecera ali enfurecido e quebrara a cara de Afrodite.
— Deixa de implicar com o Buda loirudo, chefe. — repreendeu o pisciano — Amor a gente não escolhe não. Tire por si mesmo. Está aí com as duas rodinhas da tua biga arriadas por aquela varejeira franjuda daAAAAiiiiii...
Com um beliscão no antebraço, Saga impediu Afrodite de dizer o nome da dona de seu coração a tempo.
Estavam em terreno minado. Não que Aldebaran representasse algum perigo, mas quanto menos pessoas soubessem de seu relacionamento com Geisty, menos chance de ele ir parar nos ouvidos de Dimitri Yurievich Volkov.
Sorte que logo a curiosidade do Santo de Touro desviou a conversa para outro viés.
— Fala aê, Mu! Tudo certim? — disse o brasileiro deixando de lado o bloco de notas — Eu sabia que tu tinha tirado uns dias de folga, mas não que tinha levado o Buda com você. Tu tá passando bem, cara? Tá pagando promessa? É alguma penitência? Pô, quando for assim sobe as escadarias da Penha de joelhos, dá mais certo e tu sofre menos. — soltou uma gargalhada.
— Vocês todos fazem um juízo muito errado do Shaka. — rebateu o ariano — Ele é uma pessoa maravilhosa. E assim como eu sempre vi isso, um dia vocês também irão ver... E eu não viajei com ele para pagar promessa ou cumprir penitência não, seu Touro aloprado, eu estava em lua de mel.
Ao dizer as palavras, Mu ergueu a mão esquerda até a altura dos olhos de Aldebaran e com todo orgulho que lhe cabia exibiu a aliança de ouro em seu dedo anelar.
Maior que ela, somente seu sorriso ao fazê-lo.
Aldebaran, que nesse momento apoiava atrás da orelha a caneta que usava, ficou tão sobressaltado que a deixou escorregar entre os dedos e cair atrás de si, no chão.
Com os olhos jabuticabas arregalados e a boca esquecida aberta em espanto, fitava incrédulo o amigo ariano, causando riso nos outros três.
— Homi rapaz, como é que é? Tu o que? — exclamou o taurino, estupefato.
— Eu me casei com Shaka, Debão.
— Você e o Testemunha de Buda?... Minha Nossa Senhora da Cabeça!(1)
— Sim, eu e ele, por que o espanto?
— Por quê? Tu ainda tem a cara de pau de me perguntar por quê? Pera aê... Vou até me sentar aqui, cara! — puxou um banquinho que havia a seu lado — Olha, eu até tava meio desconfiado de vocês dois desde aquele dia que o loirão apareceu aqui, e tal... Mas, cara, casar? Casar pra quê? Que pressa é essa de morrer pro mundo? Nem vi namoro e já me aparece algemado! Um dos dois tá prenho por acaso? Só pode ser, pra casar nessa correria toda. Quando isso aconteceu que eu não vi?
— Deixa de falar besteira Tourão, te mostro quem está prenho, seu folgado! — rebateu o ariano aos risos — Agora, falando sério, eu sei que é um choque para vocês, mas se esqueceram de que sempre fomos muito unidos desde crianças? Shaka era meu melhor amigo, e foi muito sofrido para nós dois o tempo que fiquei longe do Santuário. Foi questão de dias, depois do meu regresso, para que nos déssemos conta de que nos amávamos desde a infância. — dizia com cara de bobo, ora olhando para o amigo surpreso, ora para a grossa aliança em seu dedo, e a alegria emanando de si como raios de sol — Então eu fiz o certo! Fiz o que tinha que fazer. Agora estamos casados sobre as bênçãos de Buda!
Saga, que escutava calado, revirou os olhos, porém admitia sentir um tico de inveja de Mu naquele momento. Quem dera ele pudesse ao menos assumir para todos seu amor com Geisty.
— E foi um casamento Odara! Dadá está de prova! — afirmou Afrodite, orgulhoso e vaidoso por ter feito parte de tudo aquilo.
— Tu sabia, viado? — perguntou o brasileiro dando um cutucão no ombro do pisciano.
— Ora, claro! Eu fui a irmã...
— DIDO! Shiu! — o grito de Mu calou novamente de súbito o sueco, afinal não queria que ninguém no Santuário soubesse que fez o tão temido e sério Santo de Virgem vestir-se num sári de noiva — Sim, Deba, somente o Dido e o Saga sabiam. Eu queria que fosse surpresa até para o Shaka, por isso não contei a ninguém. Foi uma cerimonia simples, sabe que ele não gosta nem aceita exageros. — encarou Afrodite com um olhar severo.
— Ah... Tá certo, mas pô, se tivesse falado a gente teria feito uma churrascada maneira... Queimava aquela carne marota. — lamentou o brasileiro.
— Shaka é vegetariano, Deba. — Mu riu — No máximo ele comeria o tomate, e ainda ficaria reclamando da vaca sendo assada, porque ele é indiano, você sabe, e lá na terra dele elas são sagradas.
— Tédio! — Saga suspirou, arrancando uma risada dos três cavaleiros.
— Ah, foda-se ele, Mu, que comesse o abacaxi na brasa ou um pãozinho com alho... Mas e agora? Tu vai passar a viver de mato também? Porra cara, não me fala isso porque senão eu morro de desgosto... Eu sei que tu valoriza uma picanha suculenta...
— Claro que não, Touro. Shaka cozinha muito bem, por sinal, e não me importo de comer mato com ele em Virgem, mas fora de casa posso comer o que quiser, oras. E, nada me impede de ir visitar meu grande amigo, e vizinho, quando ele estiver fazendo aquele churrasco maneiro. Não é não? — Mu deu uma piscadinha para Aldebaran e ambos caíram na gargalhada.
— Pô cara que susto! Pensei que fosse perder meu parça de churras. Imagina eu precisar depender desses dois aí pra me acompanhar na comilança? — apontou para Saga e Afrodite no balcão — Esse viado fresco que não come nada e esse outro ai, das tripa sensível, que não aguenta comida com sustância! — recebeu de Peixes um olhar desdenhoso e de Gêmeos um reprovativo.
— Não. Não perdeu seu parça de comilança não, Deba. — Mu sorriu para o amigo.
— Tá certo, minha casa, sua casa, carneirinho. Só me resta então desejar felicidades a vocês. — Touro deu a volta no balcão e abraçou o lemuriano, dando tapas sonoros em suas costas — Que Atena te dê paciência, porque se der força...
— Tá, tá! — Áries ria — Obrigado Deba. É bom estar de volta. E é muito bom ter todos vocês de volta também. — encarou o rosto de Saga ao fazer aquela afirmação, pois era de fato muito gratificante ter o geminiano ali com eles sem aquela sombra cheia de ódio que envolvia seu corpo dias atrás.
— Eu digo o mesmo, Mu. — respondeu Saga, que havia entendido a intenção por trás das palavras do lemuriano — É bom estar de volta. E se for possível, mais uma vez, felicidades a vocês.
— Mas, eu acho que não sou o único que está rindo feito bobo aqui não, heim! — olhou para Afrodite — Que cara de bobo é essa?
— Ah, ele está assim há dias. — disse Aldebaran — Parece que viu passarinho verde. Tá de namoro acredita? Mas não quer contar quem é.
— Estou amando, gente. Eu já falei para vocês. Tão achando o que? Que puto não ama? — Afrodite repetiu o que já havia confessado há dois dias.
— Melhor assim. — confessou Saga — Antes vê-lo rindo feito bobo pelos cantos do que choramingando e criando encrenca. Só tome cuidado para não se machucar. Ainda acho uma imprudência sua não dizer quem é esse seu namorado misterioso. Ele pode ser um homem perigoso, Peixes. Ele está comprando praticamente todos os seus horários de atendimento, o que revela que ele também é um homem que tem muita grana, e nessa época de crise que estamos vivendo dinheiro é sinônimo de poder. E por que ele nunca dá as caras aqui no Templo?
— Porque ele não é obrigado, chefinho. E não insistam. Não falo nem sobre tortura, Saga, já disse. Tira teu jumento da garoa. Não quero ninguém agourando meu namoro. — postulou o pisciano — Confie em mim, ele é um cara legal. Sei o que estou fazendo.
— Sabe o que está fazendo? Atena! Como é difícil acreditar nisso! — Gêmeos balançou a cabeça negativamente.
Vendo que a conversa tomava um rumo arriscado, Mu, que já sabia, ou ao menos desconfia, da identidade do namorado misterioso de Afrodite, tomou a frente.
— Hum... vejamos... — o lemuriano colocou a mão no queixo de forma caricata — Dido está namorando um cara misterioso, cheio da grana, cuja identidade é segredo e que o visita na calada da noite sem ninguém notar! Gente tá fácil demais saber quem é esse namorado do Dido. — disse confiante.
— MU! — Afrodite arregalou os olhos aquamarines, aflito.
Aldebaran e Saga também encaravam o lemuriano com semblantes ansiosos, cheios de expectativa.
— Quem é? Fala logo, Mu! — ambos disseram ao mesmo tempo.
Mu fez mistério por alguns instantes
— Nananananananan Batman! — disse o ariano, logo em seguida caindo na gargalhada — O Dido está namorando o Cavaleiro das Trevas, minha gente! Como vocês não desconfiaram que o Bruce Wayne anda por aqui? Nossa, se eu não volto vocês iam ficar ai, cheios das dúvidas. Parem de depender assim de mim.
Mu fazia graça enquanto Afrodite sentiu os joelhos fraquejarem e se escorou em um dos banquinhos que serviam o balcão. Levou a mão ao peito e suspirou aliviado.
— Minha nossa senhora do infarto e do mal súbito! — murmurou baixinho o sueco, enquanto um coro de gargalhadas explodia no ar, ecoando por todo o salão.
— Ah, tá explicado o mistério! — ria Aldebaran — Realmente ninguém pode saber que o Batman está de caso com cavaleiro de Peixes, ou o Bruce Wayne vai perder alguns dos esquemas dele.
— Tá, vão rindo... Isso é mágoa de cafuçu* da minha pessoa! — pulou do banquinho e ajeitou as mangas da camiseta branca — Estão com inveja porque o Batman é rico e nem a varejeira de franja, nem o Buda loirudo, têm onde cair mortos. Vocês vão ter que sustenta-los a vida toda.
— Eu sustento a minha varejeira com prazer. — Saga rebateu entre gargalhadas.
— E eu tenho dois empregos! — ria o ariano — Aliás, já estou protelando demais um deles. Vou para minha sala, mas antes, Dido, saiba que Shaka abdicou da vida materialista, e só o soldo dele como cavaleiro já supre suas necessidades. Porém, eu vou cobrir aquele homem de ouro! Are baba! Você vai ver.
— Eu tô de boa disso, não vou sustentar ninguém, porque não quero me casar. Meu dinheiro vai ser pra churrascada, mulata e carnaval. — postulou Aldebaran apanhando a caneta que havia caído no chão.
Afrodite sorriu para o amigo ariano. Era bom vê-lo tão feliz como estava.
Óbvio que estava louco de curiosidade para saber como foi a noite de núpcias, e se suas dicas valiosas surtiram o efeito esperado, mas deixaria essa conversa para uma hora em que estivessem sozinhos.
— Faça isso, Mu. Cubra seu amor de ouro, beijos, abraços, carinhos, que é só o que importa nessa vida. Eu vou até a cozinha tomar nota dos itens que faltam na dispensa e já levo para você na sua sala. Seja bem vindo de volta.
Com uma piscadinha, despediu-se do lemuriano e com um aceno de Saga e Aldebaran, que seguiram juntos no bar acertando os pedidos que fariam aos fornecedores na parte da tarde.
Peixes seguiu para a cozinha, como disse que faria, mas ao entrar deparou-se com a única pessoa ali capaz de lhe tirar o sorriso alegre do rosto.
Pensou em dar meia volta e fingir que não havia visto ninguém, ou simplesmente imaginar que ali estava uma grande e dissimulada mosca varejeira a quem se livraria com um simples abanar de mãos.
Contudo não o fez.
Não continuaria fugindo de todos ali como fazia há dias, por isso voltou a assumir a postura de antes sem mais deixar que ninguém ali o abalasse.
— Boa tarde, subalterna. — disse Afrodite ao adentrar o recinto encarando os olhos azuis de Misty cravados em si — Já botando a cara no açúcar? — fez menção ao pote de doce de leite que o francês segurava nas mãos.
Lagarto sentia ódio dele.
Não havia visto indício algum de que Camus reatara o romance com o pisciano, mas, esperto como era, já tinha juntado todas as peças do quebra-cabeças e tinha certeza de que estavam juntos novamente. O modo como Aquário olhava para Peixes quando este lhe fez aquela velada declaração de amor em público, em forma de canção, e depois deixara o salão às pressas, era forte indício de que perdoara o pisciano.
Logo depois Afrodite voltara a sorrir, como há tanto tempo não sorria, ao mesmo tempo em que rumores de que tinha um namorado misterioso começaram a circular pela boca miúda.
Sim, Misty sabia que estavam juntos, mesmo ainda não tendo flagrado nenhuma evidência.
Nesse tempo Lagarto e Peixes pouco se falaram, pois o francesinho evitava o pisciano fingindo indiferença ao fato de terem se reconciliado. Mesmo que por dentro estivesse se corroendo de raiva, inveja e toda a sorte de sentimentos cáusticos, por fora seu rosto era sereno, ponderado, ao passo que sua mente incansável já trabalhava há dias uma forma de acabar com o sorriso irritante do sueco.
— Eu tenho um metabolismo muito ativo, isso aqui eu queimo rápido! Ao contrário de você. — provocou — Aliás, você deu uma boa engordada, não?
Peixes riu dele.
— Boa tentativa, exú. Não vai me tirar do sério.
— Credo, Escamosa. Sai da defensiva! — caminhou até a geladeira onde guardou o pote de doce — Não falei isso para te ofender não, apenas porque sei que o ruivo gosta assim, dos mais cheinhos. E como eu sei que vocês voltaram eu achei que...
Súbito, Afrodite o interrompeu, surpreendido com aquela afirmação inesperada.
— Você sabe o quê?
Triunfante, Misty fechou a porta da geladeira e virou-se de frente para Afrodite. Encarando seus olhos com uma expressão ainda mais fria, caminhou até ele até ficarem frente à frente.
— Eu sei que você e Camus voltaram a foder.
A reação de Peixes foi imediata.
Assumindo um semblante rígido, transtornado o sueco agarrou a camiseta do francês com ambas as mãos e lhe dando um tranco o trouxe para perto de si, então comprimiu os lábios e em voz muito baixa ameaçou:
— Eu corto essa sua língua peçonhenta de Lagartixa cascuda se você repetir o nome dele aqui dentro mais uma vez, seu miserável. Você anda me vigiando? — questionou alterado, pois estava certo de que dessa vez tanto ele quanto Camus tinham tomado todo o cuidado do mundo em não serem vistos.
— Tá loca, gata? Eu tenho mais o que fazer do que ficar cuidando da sua vida. Não viaja, Afrodite!
— Então como você sabe?
— Ora, como eu sei? Camus é meu amigo, esqueceu, meu bem?
— Já disse para não falar o nome dele, sua odiosa!
— Ai, desculpa! Sai sem querer! É que estou tão acostumado a tratá-lo assim, pelo nome... E a mim não há o menor problema dizer seu nome, já que somos amigos. E eu não preciso me preocupar em esconder nossa amizade, já que aqui ninguém desconfiaria justo de mim, não acha?
Misty soltou as mãos de Afrodite de sua camisa com algum esforço, em seguida afastou-se do pisciano.
— Vai parar de fazer a Kátya e vai desaquendar logo o babado, oferenda?* — bufou nervoso — Amigo de edi* é neca*, idiota! Tá de truque?* Que merda de amigo você acha que é dele, sua iludida?
— Te garanto que bem mais do que você imagina.
Lagarto ajeitou a camisa, pegou uma das frutas que havia dentro de uma fruteira sobre a mesa, e caminhou para a saída como se nada tivesse acontecido, mas não se retirou antes de aproveitar a oportunidade para plantar a semente da intriga entre o casal.
— Eu não preciso te vigiar para saber das coisas, Afrodite. O mundo não gira em torno do seu um umbigo, peixosa. Se eu sei que voltaram foi porque um amigo me contou. — sorriu debochado, dando uma piscadinha — Aliás, ele está bem receoso, inseguro até, o pobrezinho. Eu o conheço bem para saber que está. O tempo que passou longe dele me permitiu conhecê-lo a fundo. Veja se cuida bem dele, senão já sabe. Cuido eu!
Viu Lagarto abrir a porta para deixar o local e já se preparava para ir atrás dele. Arrancaria a verdadeira intenção impressa naquelas palavras de sentido dúbio se não fosse, na mesma hora, Saga de Gêmeos ter entrado no recinto, trocando olhares nada amistosos com o cavaleiro de Prata, o qual seguiu se caminho sem olhar para trás.
— Que cara é essa, Afrodite? — perguntou o geminiano ao perceber o semblante perturbado do sueco — Parece que viu um espectro.
— Nada. — Peixes respirou fundo — Era só uma varejeira da barriga inchada que estava aqui zunindo no meu ouvido, mas já a espantei. Só que ela botou ovos no meu dia, essa maldita!
— Logo cedo, Afrodite? Não começa! E não quero você perto do Misty, já o avisei. — pontuou o grego, abrindo o fichário que trazia em mãos e o oferecendo ao pisciano — Já fez a lista? Mu precisa envia-la aos fornecedores ainda hoje. Anda, faça seu trabalho e pare de implicar com Lagarto. Quero a lista na mesa do Mu em meia hora.
Saga se retirou, deixando para trás um pisciano para lá e encucado.
Afrodite rabiscou no papel os itens que faltavam na dispensa e em sua mente o que faria para descobrir o que existia, enfim, entre Misty de Lagarto e Camus de Aquário.
Faria uma visita ao cavaleiro de prata.
(1) Nossa Senhora da Cabeça é uma Santa do Panteão Católico, protetora da cabeça, do cérebro, da inteligência e da sabedoria.
Dicionário Afroditesco
Edi = ânus
Estar de truque = estar fingindo, mentindo.
Neca = pênis
Vai parar de fazer a Kátya e vai desaquendar logo o babado, oferenda? = Vai parar de fingir e vai dizer logo a verdade?
