Templo de Baco, 04:12am
Afrodite remexeu-se na cama em busca de uma nova posição. Sentia o peito comprimido e tencionou virar-se de lado em busca de alívio, mas alguma coisa prendia-lhe os cabelos o impedindo.
Abriu ligeiramente os olhos, que devido ao sono e cansaço pareciam imersos em um deserto de areia, então olhou para baixo e viu as madeixas ruivas do cavaleiro de gelo espalhadas sobre seu peito.
Sorriu, satisfeito e feliz, depois levou uma das mãos aos fios sedosos fazendo uma carícia.
— Mon amour? — Peixes o chamou em tom carinhoso — Está dormindo?
Com muito esforço, Camus balançou a cabeça afirmativamente. Um gesto quase imperceptível.
— Camy, acorde... Não pode passar a noite aqui. — alertou-lhe Afrodite, que agora dava leves chacoalhões no corpo que jazia macilento sobre o seu.
— Hum...
— É sério, mon amour. Não pode ficar aqui até amanhecer. Já pagou por mim o valor da noite toda e nem eu tenho que ficar aqui até o fim do expediente.
— Hum... non gosto quando fala que paguei por você. — a voz de Camus soava como um sussurro fraco — Non é um objeto para mim... Paguei para que ninguém chegue perto de você... é diferente.
— Foi o que eu quis dizer, desaquenda... Agora você tem que ir. Anda. — Peixes empurrava o peso sobre seu peito, mas Camus nem ao menos se mexia.
— Non posso.
— Como não pode? Anda, tem que voltar pra Aquário antes do final do expediente.
— Non conseguiria subir as Doze Casas nem que quisesse, ma fleur... — a voz do aquariano era cada vez mais fraca — Além de ter esgotado todas as minhas forças, se eu descer agora vão querer saber qual foi o caminhão que me atropelou... Dieu... Você me fez um estrago!... Estou com medo de me olhar no espelho.
— Não exagera... Não fiz nada que não tenha pedido ou adorado! — Afrodite sorriu novamente empurrando o francês, agora para o lado — Anda, tem que ir, Camy. Todo mundo sabe que o Bruce Wayne está neste quarto comigo. Se dormir aqui, de manhã não vai conseguir sair sem ser visto. As moscas varejeiras vão estar de butuca, loucas para descobrir quem é o meu namorado misterioso! Ei... Camus?
Apoiado aos cotovelos, Afrodite agora olhava para o aquariano praticamente desmaiado em sua cama, em meio a lençóis de seda, vibradores, algemas de pelúcia, vendas, mordaças, chicotes cor de rosa, palmatórias e tantos outros apetrechos sexuais.
Camus dormia tão pesadamente que não se mexia. Sua respiração era leve e serena. Estava verdadeiramente esgotado.
Fora a exaustão física, o Santo de Aquário tinha o corpo todo marcado. Arranhões, chupões, mordidas, vergões, e batom, muitas marcas de batom, de diversas cores diferentes.
Peixes não estava em melhor situação, porém ainda lhe restava um tantinho de energia, a qual parecia empregar toda em sua parte racional.
— Dadá coroada! — sentou-se na beirada da cama e levou ambas as mãos ao rosto enquanto corria os olhos pelo corpo másculo e largado de Camus sobre o colchão — O que eu faço agora, minha deusa? Vou ter que carregar morro acima esse homem enorme, forte... sarado... gostoso... — esticou o braço e apalpou as nádegas branquelas do francês, que não reagiu — Que bunda!... Não faz isso comigo, mente! Foco!
Fechou os olhos, recolheu o braço e se levantou apressado. Com muito custo recolheu suas roupas do chão as vestindo com aflição, depois correu até o closet, prendeu os cabelos com um coque no alto da cabeça e colocou um boné para ocultá-los. Voltou ao quarto e chutou as roupas de Camus para debaixo da cama, em seguida fez uma nova tentativa de acordá-lo.
— Ei... Camus... você não vai subir mesmo? — deu-lhe um novo chacoalhão, mas Aquário nem se moveu.
O efeito colateral da cocaína que ingerira horas antes, somado à bebedeira e o sexo intenso haviam derrubado Camus. Depois daquela noite agitada, o ruivo finalmente estava em paz nos braços daquele que amava. Afrodite havia realizado seu desejo, e Camus agora se esquecia até de quem era, e dos perigos do mundo. Tudo que queria era ficar ali junto a sua fleur, por isso se entregara ao sono sem preocupar-se com nada.
Afrodite soltou um suspiro de resignação, então jogou para o chão todos os apetrechos que havia em cima da cama e apanhando as barras do lençol enrolou todo o corpo de Camus com o tecido, o embrulhando da cabeça aos pés.
— Eu vou te levar para casa. Não se mexa, e não fale nada. Ok? Espera aqui. — sussurrou para o embrulho sobre o colchão.
Peixes correu até a porta dos fundos, a abriu e analisou o corredor. Não havendo ninguém ali, voltou ligeiro para o quarto, pegou o embrulho no colo e com cuidado deixou o Templo de Baco pela saída dos fundos, dando graças à Atena que a maioria dos cavaleiros estava ainda no bordel e que, naquela hora, no sexto Templo Virgem e Áries já deveriam estar dormindo.
Quando cruzou Virgem e chegou à Libra, pode enfim respirar mais aliviado, mas não menos exausto.
— Minha deusa... por que nós tínhamos que morar nas últimas casas? Eu não poderia ter nascido em Abril, e o Camy em Maio? — resmungou entre arquejos.
Ao chegarem em Aquário, Afrodite rapidamente levou Camus a seu quarto, o colocou sobre a cama e o desembrulhou. Ainda passou alguns minutos velando seu sono, enquanto acariciava o rosto sereno do amado. Depois o cobriu, beijou delicadamente seus lábios, apanhou o lençol que trouxera do bordel e subiu para Peixes, onde jogou-se em seu leito caindo em sono profundo quase que imediatamente.
Templo de Baco, 08:25am
Ao longe, um som baixo e contínuo marcava batidas ritmadas.
Lentamente, o ruído se aproximava mais e mais, na mesma proporção em que a luminosidade se tornava cada vez mais incômoda aos olhos sensíveis que analisavam o ambiente.
Devagar, Geisty abriu as pálpebras piscando algumas vezes para se acostumar à luz que entrava pela janela de madeira, a qual fora aberta pelo vento forte da madrugada. Junto sentiu uma fisgada fina de dor nas têmporas, enquanto a boca lhe parecia muito seca.
Olhando em volta, ainda sonolenta, tentava entender o cenário.
Ao sentir o desconforto nas costas por conta da firmeza da superfície e de sua aspereza, além do quão longe o teto lhe parecia, se surpreendeu ao constatar que havia dormido no chão.
Percebeu, então, o calor reconfortante que abraçava seu corpo, e ao olhar para o lado encontrou o geminiano que dormia entregue em um abraço.
— Saga. Saga, acorde. Acorde, amore mio. — sussurrou junto ao rosto do amado enquanto o balançava de leve.
— Hummm... — Gêmeos murmurou em resposta sem nem abrir os olhos, depois a puxou em um abraço possessivo para mais junto de si.
— Acorde, querido. Pelos deuses, nos passamos a noite no chão!
—Ah? O que foi? — ele exclamou em um resmungo baixo com a voz rouca pelo sono, enquanto abria os olhos lentamente até se acostumar à claridade — Sim, acabamos dormindo por aqui mesmo, pelo visto. — ergueu o tronco e se apoiou em um dos cotovelos, esfregando o rosto com a outra mão para assim tentar despertar — Mas, depois de ontem... Não me surpreende em nada isso!
Em resposta recebeu um sorriso da amazona que levava a mão à própria têmpora.
— Ai, acho que bebi demais ontem, estou com uma dor chata.
— É ressaca. Tenho experiência nisso. Sei como melhorar... Falando nisso, que horas são mesmo?
Olhando com certa dificuldade para o relógio na parede a morena respondeu:
— São oito e meia da manhã, por que?
— Então ainda é cedo... Podemos ir para o meu quarto. Tomamos um banho juntos, comemos algo, descansamos um pouco mais e eu tiro esse dia de folga para cuidar dessa sua ressaca... E ainda posso te dar o presente que trouxe ontem.
— Presente? Que presente? — respondeu Geisty animada, tirando uma risada vitoriosa do grego.
— O presente que eu trouxe ontem para você, mas aconteceram tantas coisas que não consegui lhe entregar.
— Então eu vou me vestir e vamos para o seu quarto, meu cavaleiro.
— Ótimo! Mas ponha aquele seu robe de ontem. Você estava linda com ele.
— Estava muito pelada com ele, você quis dizer. — Dando uma risada.
— Também, mas ainda assim linda!
Em poucos segundos ambos se levantaram e se vestiram minimamente para saírem pelo corredor, silenciosos, se esgueirando até o quarto de Saga.
Ao fechar a porta, o cavaleiro puxou a amada para seus braços e lhe deu um beijo rápido, acariciando em seguida suas madeixas negras.
— Querida, sente-se ali na cama um instante.
Sorrindo e sem questionar, a amazona obedeceu enquanto observava o namorado ir até o móvel próximo e de lá trazer consigo uma caixa negra de veludo, decorada com uma fita de seda em tom pérola.
Em silêncio, Gêmeos se sentou ao lado de Geisty, fitou por um segundo o objeto e lhe entregou, a encarando com um olhar penetrante e um sorriso gentil.
— É para você.
Curiosa, a amazona desatou a fita sem pressa e ao abrir a caixa esta revelou uma lindíssima joia, um camafeu em ouro envelhecido, de formato oval e entalhes que remetiam a arabescos, ornado com minúsculos brilhantes encrustados que lhe davam um discreto brilho. Preso a ele uma delicada corrente de elos no estilo português.
Geisty mantinha seu olhar vidrado na peça tão minuciosamente trabalhada e, receosa, passava a ponta dos dedos sobre os detalhes, tentando sentir também com o tato a beleza que capturava com seus olhos.
— É... É tão bonito... Nunca ganhei algo tão lindo. — falava em quase sussurro.
Tímido, Saga por fim se pronunciou.
— Eu queria poder viver livremente o nosso relacionamento, sem a necessidade de nos escondermos, como já lhe disse antes. E queria dar um próximo passo na nossa relação... Firmar o nosso compromisso como qualquer outro casal. — fez uma pausa a fim de criar coragem diante do infortúnio pelo qual passavam e prosseguiu — Mas, infelizmente não temos ainda essa liberdade.
Geisty observava Saga sem nem ao menos piscar. Seus olhos estavam presos à fisionomia do cavaleiro e a cada palavra que escapava dos lábios finos, fazendo o coração da amazona bater em um ritmo acelerado, quase exasperado.
Queria poder dizer algo, qualquer coisa que fosse, mas nem mesmo conseguia ouvir seus próprios pensamentos tamanha a surpresa e ansiedade que a acometia, como se a própria voz a tivesse abandonado naquele momento. Custava-lhe até mesmo acreditar que entendia o teor correto daquela conversa, mas sim, era exatamente o que ouvira e compreendera que agora lhe causava um misto de alegria e angústia.
— Mas, isso não me impede de jurar um compromisso a você. Não podemos ostentar essa jura como tantos outros casais, mas podemos ser discretos e ter um símbolo somente nosso... Você aceita, Geisty?
Saga naquele momento tinha o rosto iluminado por um toque sutil de esperança, a qual era refletida na expressão terna de seu semblante e que fazia seu coração agitar-se dentro do peito em euforia. Divisava a amada à sua frente estática, fisionomia surpresa, porém em seus olhos não enxergava dúvidas, mas sim o brilho sutil da coragem e da força. Virtudes que pareciam ser a matéria prima daquela mulher, e as quais o alimentavam nos momentos de maior dificuldade.
A resposta veio em voz baixa, escorregando tímida pelos lábios já secos devido ao nervosismo.
— Aceito. — a voz era doce e decidida — Na verdade, aceitei no dia em que bati na porta deste quarto e pude ver, através do seu olhar e das suas palavras, que o que sente por mim é verdadeiro.
A resposta do cavaleiro veio na forma de um sorriso amoroso.
— Posso colá-lo em você? — Saga perguntou pegando a joia com cuidado da caixa e a erguendo no ar.
— Claro.
Afastando os fios negros de seu cabelo para o lado, Geisty deixou livre o caminho para a nuca.
Enquanto Saga prendia o fecho, a jovem abria o camafeu revelando dentro um pequeno espelho. Nele ela fitava o próprio reflexo, concentrada, até ter suas mãos tocadas pelo cavaleiro.
— Precisava ser discreto... Então mandei que o ourives usasse de um truque. — ao destravar o espelho na base e o abrir como uma tampa, Saga revelou uma foto pequena e marcada sobre a peça de ouro.
— Somos nós! — afirmou Geisty sorrindo, agora tocando a imagem com carinho.
— Sim, somos nós, em uma das nossas poucas fotos juntos.
— Obrigada! — disse emocionada.
— De nada. Mas eu que lhe agradeço, pelo amor e por toda a fibra. — sem desviar o olhar do rosto da amada, Gêmeos lhe acariciava a pele aveludada enquanto se aproximava para tocar-lhe os lábios com delicadeza em um beijo sutil, o qual foi interrompido por ela que se afastou lentamente para tomar a mão do geminiano entre as suas.
— Nós vamos conseguir, Saga. — disse ela com os olhos marejados, porém com a voz firme — Nós vamos conseguir.
— Sim. Nós vamos! — o cavaleiro de Gêmeos afirmou apertando de volta a mão que o segurava firme, selando, assim, aquela promessa que levariam para a vida.
Casa de Peixes, 11:50am
Afrodite mal abriu os olhos e já se sentou na cama em sobressalto. Ainda vestido com as roupas da noite anterior, levou uma das mãos à nuca apertando a região e fazendo uma careta.
— Humm... Nossa! Que noite! — resmungou deixando escapar um sorriso — Parece que o cavalo de Tróia passou por cima de mim! Alôca!
Espreguiçou-se ligeiramente e ao olhar para o lado, notou um pequeno envelope azul. Ao abri-lo seus olhos se iluminaram ao encontrar um bilhete escrito por Camus, acompanhado de um pequeno coração feito em gelo.
"Mon amour, me desculpe ir embora sem falar com você antes. Precisei voltar para Moscou ainda pela manhã. Assuntos da "família". Eu amo muito você, e foi uma noite inesquecível! Obrigado por me trazer para casa. Nos vemos em breve. Ass: Bruce Wayne."
Feliz, Afrodite beijou o bilhete e o pequeno suvenir gelado, os devolvendo ao envelope o qual escondeu no fundo falso de uma das gavetas de sua penteadeira.
Correu para o banheiro já desfazendo-se das roupas pelo caminho. Tinha pressa, já que passava do meio dia e ainda não tinha voltado ao bordel para recolher as roupas de Camus que ficaram em seu quarto.
Assim, após tomar uma ducha ligeira, vestiu-se simplesmente com uma calça jeans, tênis e camiseta e com os longos cabelos ainda molhados e despenteados correu para o Templo de Baco.
Templo de Baco, 12:03pm
No banheiro do quarto da bacante Fúlvia, Mu trocava a resistência do chuveiro da moça. Não havia conseguido dizer não à garota quando ela o contatou pelo ramal interno do estabelecimento lhe pedindo ajuda, já que não havia conseguido falar com mais ninguém naquela manhã e, estando gripada, não queria tomar banho frio.
O que o lemuriano não esperava era encontrar a bela garota de cabelos platinados e olhos verdes bravios trajando apenas uma toalha, não muito grande inclusive, enrolada ao corpo.
Completamente constrangido, o ariano tentava ignorar a presença da moça quase nua ao seu lado enquanto tentava agilizar o conserto, ao passo que Fúlvia tinha era pressa em puxar assunto com ele. Usava a desculpa do chuveiro para cercar o lemuriano.
— É verdade que o senhor se casou? — perguntou a jovem encostada na porta aberta do boxe, enquanto corria os olhos vagarosamente pelo corpo coberto do lemuriano.
— É. — Mu respondeu simplesmente, sem deixar de mexer no chuveiro.
— E foi com o moço monge, Seu Mu? — continuou, enquanto mexia nos cabelos de modo a tentar chamar alguma atenção para si — Não sabia que monges se casavam.
— Sim, meu marido é monge budista. Na verdade eu também sou. Budista, no caso, mas não sou monge. Apenas sigo a vertente tibetana dos lhamas e ele a indiana.
— Humm. Entendi. — a moça respondeu com um resmungo manhoso — De onde eu vim, digo, na cidade onde eu morava quando era criança, teve um padre que também se casou, e com a Miss Verão! Ele era trinta e dois anos mais velho que ela e diziam que a vocação para o sacerdócio não foi suficiente para apagar o fogo do dese...
Súbito, a queda da chave de fenda com a qual Mu rosqueava os parafusos do chuveiro interrompeu o relato da bacante, que toda solícita se apressou em abaixar-se para apanhar a ferramenta do chão.
— Ah, me... me desculpe... — Mu gaguejou ao abaixar-se quase no mesmo instante para executar a mesma ação de recolher o objeto e com o movimento tocar levemente seu quadril ao de Fúlvia, recobrando a postura ereta de imediato.
Absurdamente constrangido, tanto com os toques involuntários quanto com o teor da conversa, Mu sentia a aura da jovem cada vez mais quente, ganhando até um tom avermelhado.
— Não se desculpe por isso. — a moça sorriu para o ariano lhe entregando a ferramenta enquanto, propositalmente, afrouxava a toalha enrolada em se corpo.
O constrangimento e desconforto de Mu já beirava o insuportável. Não queria estar ali, naquela situação, e não porque não era capaz de notar o quanto Fúlvia era uma mulher bonita e desejável, mas porque sua criação conservadora lhe doutrinara a julgar desrespeitoso o ato de um homem cobiçar levianamente uma mulher. Somado a isso, para o Santo de Áries a sedução e o desejo eram despertos pelo recato e pelo compromisso firmado entre duas pessoas que se amavam, e tudo que Fúlvia conseguia com aqueles jogos de sedução era deixa-lo envergonhado.
Rapidamente, Mu voltou a rosquear o parafuso que prendia a tampa da resistência do chuveiro, dando as costas à Fúlvia que voltou a apertar a toalha em seu corpo.
— Seu Mu, o senhor é gay? — perguntou a bacante de supetão, sem mais rodeios.
A ferramenta quase foi ao chão novamente.
— Bom... Eu me casei com um homem, e estou muito feliz com isso. — disse firme.
Não querendo estender aquela conversa, tampouco o clima inapropriado a que ela conduzia, Mu encerrou o conserto e saiu de dentro do boxe pedindo licença à Fúlvia.
— Bom, já pode tomar seu banho quente. — disse Áries esboçando um gentil sorriso — Agora preciso ir.
— Não! Espere! — a moça o segurou pelo braço quando ele caminhava para a porta de saída do banheiro.
— O que foi? — Mu arregalou os olhos, um tanto assustado.
— A... — Fúlvia sentia o coração acelerado, surpresa com o quão forte era o braço daquele cavaleiro de feições delicadas e gentis, já que o corpo do lemuriano estava quase sempre oculto pelas vestes largas e o lenço vermelho que trazia sobre os ombros — Nossa... o senhor é tão forte, Seu Mu!
— Ah... Fúlvia, já passou do meu horário de almoço, eu preciso mesmo ir.
— Mas é que... — ela disse mordendo o cantinho dos lábios.
— É que o que? — Mu perguntou aflito.
— A descarga.
— Como?
— A descarga, Seu Mu. Está emperrada.
— Pelos deuses! — murmurou Áries enxugando a testa com as costas das mãos — Eu vou soltar a válvula, mas para trocá-la precisaremos de um encanador, está bem? Chamarei um assim que voltar do meu horário de almoço.
Agoniado, Mu caminhou apressado até o vaso sanitário sendo seguido pela jovem que vinha saltitante logo atrás.
— Sabe, Seu Mu, o senhor se casou com o moço monge, mas antes subiu com a Marin na noite de estreia do bordel.
— É... Bem... Foi. E o que tem isso? — Mu enxugou o suor e engoliu em seco. Atrás de si sentia a moça a uma distância bem perigosa.
— Tem que, então, o senhor não é totalmente gay. — Fúlvia dizia sem disfarçar a animação contida em sua voz.
— Como? — Mu finalmente encarou a moça, visivelmente consternado e constrangido.
— O senhor é gilete. — concluiu ela animada, sorrindo com ainda mais agrado.
— Gilete?
— Sim! O senhor é gilete. É Bi, no caso. Não é? — perguntou com viva curiosidade.
— Bi? Como assim? — perguntou Mu assumindo um semblante sério.
— Bissexual, Seu Mu. É quem corta pros dois lados, quem gosta de homem e de mulher.
— E tem isso? — ele piscou os olhos, surpreso.
— Ah, tem! Ô se tem, Seu Mu.
A jovem respondeu lançando um olhar nem um pouco casto para o lemuriano, e ultrapassando todos os limites de sua já esquecida e ignorada razão, ergueu a mão e tencionou tocar o rosto do cavaleiro à sua frente, mas o movimento foi interrompido de súbito e Fúlvia ficou parada na frente de Mu com a mão estendida no ar, os olhos arregalados e a boca semiaberta.
O Santo de Áries já se afastava quando percebeu a intenção da bacante em lhe tocar, mas ao vê-la parada ali, tal qual uma estátua de cera, Mu estreitou os olhos, confuso, analisando a jovem à sua frente com uma suspeita absurda do que estava acontecendo.
— F-Fúlvia? Está... tudo bem? — ele perguntou em voz baixa, mas quem lhe respondeu não foi a moça.
"Ela está bem!" — a voz imponente e grave de Shaka de Virgem invadiu o quarto surpreendendo a bacante, que ainda paralisada apenas mexia as orbes dos olhos os correndo de forma agitada por todo o cômodo como se procurasse o dono daquela voz — "Agora, se vai permanecer bem aí só depende dela."
— Shaka! Por todos os deuses! — atabalhoado, Mu guardou a chave de fenda no bolso da calça e apressou-se a cobrir a válvula da descarga com a tampa para sair logo dali — O que pensa que está fazendo? Ficou maluco? Não pode usar seu Cosmo contra civis.
"Não diga! Cavaleiros também não podem usar armas, ou envolver-se com o crime, traficar pessoas e drogas, tampouco criar um templo de prevaricação e vícios em pleno solo Sagrado!... Eu o estava esperando para almoçarmos juntos em casa, mas senti seu Cosmo agitado, inquieto e desconfortável. Da última vez que senti seu Cosmo assim você tinha sido embebedado por esses degenerados e..."
— Eu já entendi, luz da minha vida, já entendi. — Mu suspirou, até que aliviado — Liberte a civil. Eu já estou indo para casa.
"Não. Hoje eu vim almoçar com você. Estou do lado de fora desse Templo sodômico te esperando."
A voz de Shaka se calou e no instante seguinte Fúlvia, muito assustada pelo que presenciou e ouviu, pôde se mover livremente.
A primeira reação da moça foi levar ambas as mãos trêmulas à boca e arregalar os olhos verdes bravios em choque.
— Meu... meu Deus! O que foi isso? — ela sussurrou com voz agastada — É o seu...
— Sim é o meu marido... Agora eu tenho que ir, Fúlvia, é... bem... Me desculpe... Eu vou mandar um encanador ver tudo que precisa, está bem? É...
— Ele vai me deixar frígida?
— Que?
— Ah, minha nossa! Vou viver de quê? Vou perder meu emprego!
— N-não! Claro que não. Ele não vai fazer nada... Eu... Eu tenho que ir. Com licença.
Apressado, porém aliviado, Mu deixou o quarto da bacante agradecendo à súbita e oportuna intervenção de Shaka. Ao cruzar o salão e sair pela porta principal do Templo dedicado ao deus do vinho, viu logo à frente o virginiano parado de pé ao lado do grande loureiro que marcava a entrada para as ruínas do Santuário.
Mu lhe acenou sorridente ao descer as escadas externas, vendo que apesar do semblante sempre sério e do incidente a pouco, a aura do amado era serena e pacífica, e que trazia consigo, bem seguro entre as mãos, um pequeno volume embrulhado num tecido branco.
— Oi amor. Eu já estava indo para casa. — disse o ariano ao aproximar-se do marido e lhe cumprimentar com um beijo ligeiro nos lábios.
Shaka raspou a garganta um tanto constrangido, já que demonstrações de afeto em público lhe causavam certo desconforto, então apressou-se a estender o embrulho a Mu.
— Eu sei, mas senti vontade de vir aqui. E parece que fiz bem, não foi?
— Fez. Fez muito bem. Adorei a surpresa, mas não pode paralisar todas as pessoas que se aproximarem de mim, luz da minha vida. Eu só estava consertando o chuveiro da moça... O que é isso? — perguntou curioso o ariano, já desenrolando o tecido que envolvia uma pequena travessa de porcelana indiana.
— É o seu almoço. — disse Shaka.
— Não acredito! Trouxe meu almoço aqui para mim? — Mu sorriu alegre e genuinamente feliz com o ato de carinho do virginiano. Ele sabia que era com esses pequenos gestos de cuidado e dedicação que Shaka demonstrava o quanto o amava, por isso era inevitável sentir-se ligeiramente vaidoso, e até orgulhoso, de ser o detentor do amor do Santo de Virgem — Te convidaria para entrar para comermos juntos na minha sala... Ou... Tem certeza de que não quer ir para casa, Sha? Eu tenho uma hora livre ainda.
Shaka pensou por alguns instantes, então virou seu rosto na direção do Templo de Baco e mesmo de olhos fechados pode ver uma aglomeração de garotas curiosas que disputavam janelas e portas para espiá-los. Entre elas, Fúlvia, que de longe era a mais exaltada.
— Tenho. — respondeu convicto voltando-se ao ariano — Está um dia tão agradável, por que não ficamos aqui, na sombra do loureiro? Igual fazíamos quando éramos crianças, lembra? — disse Virgem, que por ser o único cavaleiro que não frequentava o bordel, e por isso ainda não ser conhecido pelas garotas que trabalhavam nele, achou por bem impor sua presença, ainda mais depois de sentir o constrangimento de Mu diante de Fúlvia — Venha. Sente-se aqui. Eu trouxe samosas, torta de palmito e arroz com castanhas.
— Hum... o cheiro está delicioso! — exclamou o lemuriano ao sentar-se ao lado do amado que se acomodava no chão.
No Templo de Baco, o aglomerado de garotas curiosas que se acotovelavam nas portas e janelas estava em polvorosa. Todas queriam ver o moço monge que roubara o coração do sempre tão gentil e amável tesoureiro daquela zona, tanto que nem perceberam a chegada de Afrodite de Peixes que subia as escadas apressado, já estranhando aquele rebuliço todo.
Quando chegou à porta principal, Afrodite então virou-se para trás e olhou na mesma direção em que todos aqueles pares de olhos deslumbrados divisavam, vendo Mu e Shaka sentados lado a lado debaixo do loureiro.
Peixes sorriu alegre, depois virou-se para frente e seguiu caminhando para dentro do salão.
— Xô, bando de varejeiras! — disse o pisciano ao cruzar a porta onde estavam as garotas — Deixem os dois namorarem em paz. A menos que queiram que o monge loirudo transforme todas vocês em galinhas de verdade! Ele tem esse poder, viu! Eu não mexeria com o bofe dele se fosse vocês.
Com um gesto enfático, o pisciano bateu palmas para dispersar e apressar as garotas pondo fim a toda aquela torrente de olhares curiosos e buchichos, então quando as jovens começaram a voltar para seus quartos ele fez o mesmo indo para o seu.
Abriu a porta apressado e adentrou o cômodo, precavido. Correu até a cama e ajoelhando-se no chão puxou as roupas de Camus que havia escondido ali na noite anterior. Conferiu peça por peça as colocando em cima do leito, mas deu falta de um componente: a cueca!
— Ué... tem que estar aqui. — murmurou deitando-se de bruços no chão para poder averiguar melhor toda a área abaixo do leito — Não é possível, tem que estar aqui!
Consternado, levantou-se num salto e passou a procurar por todo o cômodo, sobre as poltronas, debaixo dos travesseiros, nas gavetas e até no armário do banheiro, voltando para o centro do quarto onde levou ambas as mãos ao rosto o esfregando nervosamente.
— Pensa, Afrodite... pensa... — batia com excitação os dedos das mãos na testa — Eu levei o Camy para Aquário pelado... Sim, ele estava pelado, peladinho, tenho certeza! Essa cueca tem que estar aqui a menos que...
Súbito, o rosto de Afrodite se congelou numa expressão de espanto e incredulidade terríveis.
— Não! — balbuciou com voz tremida — Não, não, não, não! Não pode ser! Dadá, não pode ser!
Com a mesma ânsia, temeridade e desvario que impulsionam uma manada em estouro, Afrodite correu para fora do quarto e seguia, na mesma sanha, até o quarto de Misty de Lagarto, mas não foi preciso bater à sua porta, pois quando passava pela escadaria que dava acesso ao salão viu o cavaleiro de Prata lá embaixo dirigindo-se à saída para sua corrida diária.
— EI! — Peixes gritou enquanto já descia os degraus bufando feito um touro — Pode parar ai onde está, Lagartixa Cascuda!
Misty olhou para trás fingindo surpresa.
— Ai estava demorando! — disse o francesinho enfastiado — O ar estava tão leve até agora a pouco... Ai vem você emporcalhar tudo com esse seu cheiro enjoado de rosa. O que foi agora, Peixe Piranha?
Afrodite parou bem à frente do cavaleiro de prata o encarando com olhos furiosos.
— Mas que inferno de ebó me foi lançado nessa vida para eu merecer ter que viver com um encosto como você vigiando todos os meus passos?
— Bebeu agrotóxico de novo, Escamosa? Vigiando você? Ah, faça-me o favor, eu tenho mais o que fazer! — rebateu Lagarto fazendo menção em sair, mas Afrodite o pegou pelo braço o impedindo.
— Você pode enganar o... o Batman, mas a mim você não engana, caninana oxigenada. Onde está a cueca? — disse o pisciano entre dentes.
— Que cueca? — Misty riu debochado, até de forma meio irônica — Oh! Não sei do que está falando.
— Da cueca do... do Batman que você ROUBOU do meu quarto noite passada, Santa. Não faz a Katya.
— Ficou louca de vez, bicha? Noite passada eu estava atendendo... Atendendo os SEUS clientes, inclusive.
— Truqueira desgraçada! — rosnou o pisciano — Você não vai sair daqui antes de me devolver a cueca dele. Vem, anda!
Afrodite agora puxava Misty pelo braço que oferecia resistência se remexendo e chutando mesas e cadeiras que via pela frente.
— QUE ISSO! ME LARGA! — gritou Lagarto — O que pensa que está fazendo, sua louca? Tira a mão de mim.
— Louca é você se acha que não vou acabar com seus truques. Você vai me devolver essa cueca agora! Onde você a escondeu? Naquele moquifo do seu quarto?
— Ora, quem sabe? Hihihihi... Se eu tivesse pego, talvez. — novamente Misty ria debochado, encarando os olhos furiosos de Afrodite.
— Sua... odiosa! — Peixes estreitou os olhos, tenho mais do que nunca certeza de que ele estava mentindo novamente — ANDA! VEM! VOCÊ VAI ME DEVOLVER ESSA CUECA AGORA!
— NÃO! — Lagarto agarrou em uma das cadeiras, agora de fato tentando se livrar das mãos do pisciano — Não tenho que devolver aquilo que não peguei. ME SOLTA!
— Se você não subir agora eu vou entrar naquele seu covil de réptil peçonhento e não vai sobrar parede de pé! Me devolve a cueca, desgraçada!
— E quem te disse que ela está lá? — provocou Misty, agora chutando as pernas de Afrodite que esquivava como podia, derrubando cadeiras, mesas e o que esbarrasse pela frente.
— Ah, ela não está lá? — Peixes não desistia de arrastar Lagarto para a escadaria — E onde está? Está vestido com ela? Se você teve a pachorra de vestir a cuca do Batman eu... eu mato você! Deixa eu ver.
O pisciano então agarrou na calça do francesinho e com trancos tentava puxá-la para baixo. Misty por sua vez, segurava no cós o impedindo, e entre arranhões, empurrões, trancos e barrancos ambos chegaram à escadaria, por onde descia Saga de Gêmeos vestido com um roupão branco.
O Grande Mestre do Santuário e dono absoluto daquele bordel, tinha a intenção de descer até a cozinha para preparar uma refeição que desfrutaria na paz e aconchego de seu quarto junto da amada, mas ao pé da escada estavam dois cavaleiros se engalfinhando fervorosamente, impedindo sua passagem.
Não seria novidade alguma para Saga flagrar uma discussão, repleta de agressões físicas e palavreado chulo, entre Afrodite e Misty, porém dessa vez o que chamou sua atenção foi o teor do conflito.
Cuecas.
Todavia, não eram quaisquer cuecas. Eram as cuecas do Batman! Ou o tal namorado misterioso do Santo de Peixes.
Do alto da escadaria, Saga olhava para aqueles dois sentindo uma pontada forte de dor lhe acertar a têmpora. Afrodite e Misty não tinham remédio, e amaldiçoava o miserável dia em que teve a infeliz ideia de colocar aquelas duas crias chocadas no puro ódio do tártaro para dividirem o mesmo teto.
Contudo, não iria se irritar. Não podia se irritar, não hoje.
Não permitiria que ninguém estragasse aquele momento tão especial que estava vivendo ao lado de sua amazona, e pensando nele foi que fechou os olhos respirando bem fundo, tentando buscar a calma que muitas vezes lhe faltava nessas situações. Iria ignorá-los. Desceria as escadas calmamente, seguiria até a cozinha e retomaria seu dia como se nada tivesse acontecido.
Mas, no Templo das Bacantes se você não vai até a confusão pode estar certo de que a confusão vem até você.
— SAGA! — o grito de Afrodite retirou Gêmeos de sua concentração forçada — SAGA! VEM AQUI! Essa maldita Cascuda roubou a cueca do Batman! Vivemos com um ladrão entre nós.
— Não roubei nada! — Misty gritou em sua defesa, finalmente se desvencilhando do sueco — Se você não sabe onde estão as cuecas do seu namorado isso é problema seu, não meu. Deveria cuidar melhor das cuecas dele, gata.
— TRUQUEIRO DO AQUERONTE! — gritou Afrodite.
— BICHA HISTÉRICA! — rebateu Misty — Olha aqui, Saga, essa bicha descompensada destruiu o meu quarto ontem, e o estabelecimento não tomou nenhuma providência sequer para puni-lo.
— Destruí mesmo, santa! — Afrodite bateu no peito, encarando Misty, depois olhou para Gêmeos — Destruí mesmo, Saga! E sabe o que eu também destruí, além da casqueira do quarto desse viado? Todas as cuecas do Batman que ELE ROUBOU.
— É mentira, sua piranha! Não roubei cueca nenhuma! — berrou Misty.
— É verdade! E agora ele roubou mais uma!
— Vocês... Estão me enlouquecendo... CHEGA! — bradou o cavaleiro de Gêmeos, irritado e aflito.
Mal o dia começara e o geminiano já se via imerso naquele conflito sem nenhum sentindo, pelo menos para si.
— Uma porra de uma cueca? Esse é o problema? — rosnou o grego encarando os dois cavaleiros com semblante furioso.
— Não, foram várias, Saga, ele roubou várias e...
— EU DISSE CHEGA, AFRODITE! — outro grito, agora mais potente e que fez ambos os brigões se calarem e ficarem estáticos olhando para o cavaleiro à sua frente — O problema então é o caralho da porra de uma cueca, não é? — enquanto falava, Saga apressadamente desatava o nó da faixa que prendia seu roupão — Uma merda de uma cueca não vai tirar a minha paz hoje...
Surpresos e curiosos, Misty e Afrodite olhavam para o geminiano que agora abria o roupão para em seguida retirar a própria cueca num gesto nervoso e impaciente, sendo observado atentamente por dois pares de olhos incrédulos.
— S-Saga o que está fazendo? — Afrodite perguntou surpreso.
— O problema não é cueca? — respondeu o geminiano iriado — Então toma!
Saga atirou a própria cueca no rosto de Misty de Lagarto, que sem reação continuou parado no mesmo lugar em que estava, enquanto Afrodite olhava alarmado a peça escorregar pela face do cavaleiro de Prata até deslizar por seu dorso todo e jazer no chão a seus pés.
— Não quero mais ouvir a voz dos dois hoje. Se eu escutar um pio sequer mando os dois para outra dimensão, com cueca, com Batman, com TUDO JUNTO! Me deem sossego, inferno.
Ambos, Lagarto e Peixes, ainda observaram o Santo de Gêmeos deixar o local seminu, caminhando tranquilamente até a cozinha.
Sem dizer nada, mas trocando farpas pelos olhares faiscantes que dirigiam um ao outro, Afrodite e Misty deixaram o salão.
Lagarto subiu para seu quarto. Lá pode finalmente cantar sua vitória junto da cueca de Camus que afanara na noite passada quando viu Afrodite deixar o Templo de Baco na madrugada levando consigo um "embrulho" enorme nos braços. Foi fácil entrar no quarto do pisciano e achar a cueca debaixo da cama. Peixes era tão previsível... Ou será que era porque conhecia Afrodite melhor que ninguém naquele Santuário e sabia exatamente como o sueco agia em cada situação?
Jogou-se na cama, sorridente e realizado, e esgueirando-se pelos lençóis apanhou um dos travesseiros e de dentro da fronha retirou a cueca boxer afanada, a levando ao rosto e aspirando seu cheiro em deleite.
Muita coisa iria mudar daquele dia em diante, porém a determinação de Misty em acabar com a felicidade de Afrodite, essa perduraria ainda por muito tempo.
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Essa fanfic foi postada originalmente no site do Nyah, mas ela continua. Estamos postando agora o volume dois.
procure no meu perfil aqui no site o volume dois e acesse nosso grupo no face para saber mais sobre a fic, as autoras e a continuação ;) ps: todos os capítulos possuem imagens e ilustrações que estão no face
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