Capítulo 05 – Enemies

Fenrir Greyback aparatou em frente à mansão Malfoy e não conseguiu evitar que um som de ojeriza escapasse de sua boca por entre os dentes cerrados.

Aquele lugar cheirava a algo podre.

Enquanto atravessava os jardins até a imponente mansão, os pavões brancos se afastando dele por instinto, sua mente se voltava para Harry, tentando verificar se havia alguma ameaça ou alguma proposta que pudesse receber vindas de seu suposto mestre que pudessem convencê-lo de abandonar os planos que tinha para o garoto.

Não conseguiu encontrar nenhuma. Não temeria olhar nos olhos do Lord.

Os saguões estavam lotados de pessoas, nenhuma das quais ousava olhar para Greyback por muito tempo, nenhuma das quais merecia sua confiança. Na sala de jantar, em torno da grande mesa, os comensais estavam dispostos, ou alguns deles.

- Ah, Fenrir, eu o estava aguardando. – a voz chegou a ele antes mesmo do homem sentado à cabeceira se voltar para olhá-lo.

E ele não o fez, continuando a acariciar a imensa cobra que se enrolava no espaldar de sua cadeira enquanto Greyback se aproximou, ajoelhando-se ao seu lado em um cumprimento.

- Meus homens me avisaram que estava me procurando, Milord.

- Mas você não estava com eles. – o Lord afirmou, demonstrando que havia sido mais do que um chamado. Ele fora procurado.

- Eu não preciso estar para saber o que fazem ou o que andam falando, senhor.

Um riso de deboche fez com que a atmosfera tensa se desfizesse parcialmente, embora Fenrir soubesse que era uma sensação ilusória. Nada que realmente importasse fora dito ainda.

- Sabe o que meus homens andam falando, Fenrir? – Voldemort questionou com animação na voz.

- Não, Milord.

- Bem, eles me contaram uma história meio dramática sobre toda a morte de Dumbledore. Não era exatamente o que eu esperava ouvir, mas acredito que quando você terminar ela para mim, me contando a sua parte, eu possa ficar satisfeito.

- Será um prazer, Milord.

- Você estava com Malfoy e Snape na hora em que mataram o velho, não?

- Sim, senhor.

- E qual deles jogou o feitiço?

- Severus Snape, senhor.

- E depois disso, o que aconteceu?

- Eles fugiram, senhor. Seguiram a ordem de se retirar e vir à sua presença.

- Bem, sim. Mas algumas ordens foram desobedecidas e alguns não vieram. Os Malfoy já me contaram sua versão e eu já tomei providências quanto a eles. Gostaria muito de ouvir a versão de Snape de tudo, sabe onde ele está?

- Está no meu covil, Milord. Ele veio me pedir asilo, como eu não tinha conhecimento da sua vontade, permiti, mas ele está à sua disposição.

- Então deve trazê-lo a mim assim que possível. Vivo. Severus guarda mais informações do que eu imaginava, pelas suas ações. E ele pode ainda vir a ser útil.

- Sim, Milord.

- Mas e você, Fenrir? O que você fez após a morte de Dumbledore? Não aparatou até mim como todos estavam instruídos.

- Eu me distraí, senhor. Havia sangue demais.

- Sim, eu imagino. Sei o quanto seus sentidos são sensíveis. Mas o que meus homens têm me dito é que você não conseguiu se satisfazer somente em campo, mas levou alguém com você. Eles me disseram que você fugiu de Hogwarts levando Harry Potter, Fenrir. Isso é verdade?

- Sim, senhor.

- Mesmo quando eu ordenei que ele não fosse tocado?

- O cheiro dele era tão bom, senhor. – Fenrir disse, como se fosse explicação o suficiente, e o desejo era claro em sua voz.

Voldemort emitiu um silvo irritado e um silêncio tenso seguiu-se a isso, mas Fenrir Greyback sorriu.

Ele admirava Voldemort em sua inteligência e seu poder. Quando lhe foi oferecida uma escolha, ele certamente preferiu se aliar a ele a enfrentá-lo, e não se arrependia disso. Mas ele era somente um bruxo, e já era tão velho que havia se esquecido como era grandioso ser bruxo.

Para Voldemort, assim como para todos os bruxos, ser um lobisomem era, antes de tudo, ser um animal. Se Nagine era o mascote de Voldemort, Fenrir era seu cachorrinho. Um cachorrinho que ele se divertia soltando no campo de batalha para retalhar corpos e perseguir crianças.

Para Fenrir, era uma posição confortável. Em todos os anos da primeira guerra, ele praticamente dobrou o número de lobos de seu bando somente em ações para Voldemort, e sem sofrer nenhuma reprimenda quanto a isso além do usual olhar dado à escória. E mesmo assim, ainda era um olhar muito mais de medo e terror do que qualquer olhar direcionado a cachorrinhos.

Além disso, ele nunca estava diretamente sob a mira do próprio Voldemort. Não lhe reservavam decisões, portanto não lhe destinavam castigos, e isso não significava que ele não era importante no grupo.

E, naquele momento, ele sabia que Voldemort poderia até reprovar suas atitudes, mas era o mesmo que reprovar um cachorrinho que fez suas necessidades no lugar errado. No caso, Greyback havia escolhido a pessoa errada para suprir suas necessidades, e se soubesse colocar a questão da forma certa, ganharia tempo.

- Ele está vivo? – Voldemort perguntou em uma irritação latente.

- Sim, Milord.

- Traga-me o garoto. Agora!

- Ele não está no país, Milord.

- Cruccio!

O feitiço foi repetido por inúmeras vozes no salão. Voldemort sabia o quanto um lobisomem era acostumado à dor e o quanto ela precisava ser multiplicada para ser devidamente sentida em todo o seu esplendor.

- Quero que o traga pela manhã. Não mais que isso, e que ele esteja vivo, entendido, Greyback?

- Sim, senhor. – a voz saiu em um rosnado baixo, dando a satisfação para o mestre de não conseguir encará-lo.

- Pode se retirar.

o0o

Fenrir correu.

A lua cheia seria na noite seguinte, seu corpo pedia pela liberdade, o lobo dentro dele guiando-o mesmo sob a luz do dia. Enquanto tolos que negavam sua natureza ficavam doentes nos dias que antecediam a lua por tentarem impedir o lobo, aprisioná-lo, Fenrir deixava seus pés voarem no vento e conseguia senti-lo correndo em suas veias, a consciência humana o abandonando levemente nesses momentos, como uma prévia do que aconteceria quando a lua tomasse o céu.

Ele não sabia o quanto Voldemort sabia sobre isso. Ele só o requisitava nos dias da lua para batalhas, e na certeza de que tinha algum controle sobre a mente do lobo. Para trazer Potter, ele tinha uma noite antes da lua. Mas ele já seria praticamente lobo, então.

E, com alguma sorte, atrasaria um pouco isso.

Mas correr, naquele momento, era antes de tudo uma camuflagem. Nenhum bruxo conseguiria segui-lo. Dessa vez, ele não cometera o mesmo erro que cometera com Snape, e tinha certeza de não estar sob o efeito de nenhum feitiço quando deixou a mansão. E quando aparatou, já na fronteira da Inglaterra com a Escócia, diretamente para o norte da França, na sua floresta, ele sabia que não poderia ter sido seguido.

E mesmo se demorasse, Voldemort ainda pensaria duas vezes antes de invadir outro país, e teria que descobrir primeiro onde estava para depois mandar seus exércitos. E isso se ele realmente estivesse disposto a invadir outro país por Fenrir.

A tarde caía sobre o covil e os lobos começavam a acordar. Algumas famílias se juntavam, acendendo fogo e reunindo comida, outros saiam para buscar algo, fosse caça, fosse roubo. Aqueles que trabalhavam, poucos e isolados, chegavam à clareira naquele momento também, tão pálidos e abatidos quanto a lua que se aproximava.

Fenrir cumprimentava alguns, parava para falar com outros, mandou alguns caçadores voltarem para a clareira e os reuniu em torno de uma fogueira. Eles precisavam saber e se preparar.

Severus o observou da porta da cabana. O homem alto falando em francês se destacava mesmo entre outros tantos homens fortes que o rodeavam. Por um momento, se perguntou como Fenrir teria sido quando humano, se é que algum dia fora totalmente humano. Será que ele emanaria a mesma força e a mesma ferocidade com que liderava o bando?

A uma última palavra do líder, o grupo se dispersou, cada um voltando ao seu canto com uma postura diferente, como se algo estivesse para acontecer. Severus sentiu a tensão e fitou preocupado o homem que caminhava em sua direção parecendo mais cansado do que se lembrava de já tê-lo visto.

- O que aconteceu? – perguntou, preocupado, quando o homem entrou na sala.

- Vou precisar de poção mata cão para o amanhecer. O máximo que conseguir.

- Para quê? – Severus foi ignorado quando o homem entrou no próprio quarto, olhando o garoto deitado na cama - Fenrir! – tentou chamar sua atenção.

- Saia. Esteja pronto de manhã e estará seguro, Snape.

E Severus foi empurrado para fora do quarto com todas as implicações daquela frase.

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Enemies – Inimigos, em francês

NA: Eu amo lidar com a natureza do Fenrir, preciso confessar *o* E nesse capítulo ele começa a realmente se desenhar enquanto personagem. Eu gosto tanto dele []

Gente, desculpa pela demora para postar, mas precisei viajar e fiquei um tempo sem net. Alias, ainda estou viajando e problemas não resolvidos, mas acho que o capítulo de sábado que vem deve vir no tempo certinho.

Enfim, espero que estejam curtindo Moonlit tanto quanto eu.

Beijos.