Capítulo 08 – Fight
A lua cobria toda a mata que cercava a propriedade dos Malfoy com uma luz forte e pálida. O grupo de lobos deslizava no chão entre as árvores praticamente sem fazer barulho. A noite repousava tranquila e quente, o ar parado na tensão eminente.
O lobo grande e dourado que ia à frente, coordenando com pequenos gestos de cabeça o avanço da matilha, ergueu o focinho e fechou os olhos azuis, farejando o ar. A mansão estava cheia, mas não estavam todos ali. Malfoy e sua família, todos os Lestrange, os Carrow, Yaxley, Rookwood, Dolohov e mais meia dúzia de comensais. Estavam espalhados pela casa, mas não havia nenhum sinal de que esperavam um ataque.
Voldemort já devia saber que estavam ali, mas ele sabia que viria, que traria o menino e Severus, ele o prometera. Talvez estivesse neste mesmo momento tentando supor o motivo do porque estava hesitando na mata ou porque viera com toda a matilha. Quanto tempo levaria para a ideia de que estava sendo atacado se formasse em sua mente?
Fenrir não queria saber. Não queria esperar. Se não estivesse sob o efeito da Mata Cão, já teria atacado, assim como sentia a excitação daqueles que no grupo não a haviam tomado. Só não avançavam ainda porque não havia a ordem do líder.
Estes entrariam na mansão logo após ele, e enquanto ele encararia Voldemort, seriam eles que penetrariam em todas as partes da casa, guiados pelo cheiro da carne humana e do sangue pulsando nas veias de cada comensal. Eles não teriam chance, qualquer um que se colocasse em seus caminhos seria destruído.
Mas ele precisava da consciência para manter seu foco. Para não se deliciar com o cheiro do sangue, os gritos ou os passos ecoando pela mansão. Ele precisava matar Voldemort, o mais rápido possível, antes que ele pudesse articular qualquer defesa. Voldemort e a cobra. E precisava de pelo menos um dos Lestrange vivos para entrar no cofre e pegar a taça. E mesmo aí o trabalho estaria somente começando.
Então o melhor a fazer era dar o primeiro passo de uma vez por todas.
Os olhos azuis se abriram, fitando a lua cheia, e quando o focinho do lobo desceu em um movimento rápido e feroz, um uivo subiu em uníssono da mata e o grupo atacou, como um só corpo.
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- Eu posso curá-lo! Fenrir, nós estamos do mesmo lado! Por favor! Por favor!
Os olhos azuis fitaram o homem desesperado com a varinha trêmula na mão em frente à porta trancada. Do lado de dentro, Fenrir podia sentir o cheiro da mulher e do moleque e sabia que era somente isto que Lucius estava tentando proteger. Com um gesto, mandou os outros lobos se afastarem, e encarou os olhos claros do homem da forma como Snape o havia dito para fazer.
- Fogo maldito? – o homem perguntou, confuso, e o lobo se virou de costas para ele em um gesto claro para ser seguido.
Ele desceu as escadarias de mármore ao lado do lobo, observando a sua agilidade utilizando somente três patas para saltar os degraus – uma parecia totalmente comprometida por um ferimento. Lucius sussurrou um feitiço para diminuir a dor e o lobo grunhiu. Não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas Narcissa e Draco estavam trancados em uma sala cercados por lobos, se precisasse se unir a Fenrir para salvá-los, ele o faria.
E, ao chegar ao que um dia havia sido o hall de entrada da mansão e a sala de jantar – que Voldemort havia convertido na sala de reunião dos comensais nos últimos tempos -, Lucius começou a tomar dimensão dos objetivos de Fenrir: a parte da frente da mansão havia desabado, restavam somente ruínas em madeira e mármore, mesmo os grandes pilares sustentados por magia jaziam em cacos por todo o jardim. E, no que seria a sala, tudo o que se via eram partes de corpos jogadas por todos os lados, inclusive muitos lobos mortos. Em um canto, Rabastan e Rodolphus Lestrange estavam encurralados contra a parede por quatro lobos, e no centro havia uma concentração de mais de vinte, que pareciam ainda atacar furiosamente uma poça de sangue no chão.
O alfa abriu caminho entre a matilha, sendo seguido por Lucius, e voltou a encará-lo firmemente, repetindo a ordem.
- É o Lorde? – a voz do patriarca saiu baixa e trêmula. Não havia nada que comprovasse essa afirmação além da destruição do local e a ausência de seu mestre ali. E nos olhos azuis estava a confirmação. O Lorde e Nagine. Reduzidos a nada.
Eles devem queimar, Lucius. Queimar para sempre. E então você e sua família estarão livres.
A voz do lobo ecoava dentro de sua cabeça e Lucius não conseguia desviar os olhos dos olhos azuis. Tudo, além daqueles olhos, era somente sofrimento e destruição. Sua casa estava destruída. Seu passado estava destruído. Seu nome estava destruído.
Seu mestre estava destruído.
Ele não sabia porquê ou como um bando de lobisomens havia conseguido destruí-lo ou se isso realmente tinha acontecido. Ele já acreditara uma vez, e ele voltara. Mas ele não cometeria os mesmos erros uma vez mais. O lobo o encarando estava certo. Ele estaria livre.
Com um gesto de cabeça, concordou, e os lobos se afastaram, arrastando os irmãos Lestrange para fora da sala.
Para que Lucius pudesse incendiar tudo o que restara de suas crenças.
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Metade da matilha estava morta.
Voldemort não acreditava que seria atacado, mas quando chegaram até ele, ele já sabia que aquilo era um ataque. Fenrir diria que o orgulho não permitiu que ele simplesmente desaparecesse na sua frente. Voldemort podia fugir de Dumbledore, talvez, ele podia evitar duelar com Harry Potter ou se deixar prender por um bando de aurores no meio do ministério se isso não fosse do interesse dele.
Mas lobisomens eram criaturas inferiores que lhe deviam respeito e obediência cega. Ele os derrotaria somente para ensinar essas palavras para Fenrir Greyback. Ou mandar alguém ensinar, pois depois daquilo, Greyback não mereceria sequer o luxo do cruccio sair de sua varinha.
E esse tipo de pensamento tão reproduzido pelo Lorde somente refletia o quanto ele não sabia sobre lobisomens. E assim como ele não sabia sobre amor e foi derrotado a primeira vez pelo sacrifício de uma mãe, ele não sabia sobre a resistência da pele de um lobisomem ou sobre a consciência de grupo que um lobisomem tem, e foi derrotado uma segunda vez.
E metade da matilha estava morta. Porque não foi fácil, como Fenrir sabia que não seria.
Ele fechou os olhos cansado enquanto corria contra o vento frio que vinha do norte. A pata traseira voltara a doer e mal obedecia seus movimentos, ele sabia que, quando parasse, talvez não conseguiria voltar a movê-la sem atendimento, mas precisava continuar. Rumo a Hogwarts.
Assim como Lucius, Rodolphus aceitou colaborar, trazendo a taça e a espada de Godric Gryffindor para ele. Ambos juraram lealdade e Fenrir os orientou a se protegerem por enquanto, que pela manhã retornaria para dar instruções. Ele saberia onde encontrá-los pelo cheiro do medo que emanavam agora.
Ainda faltavam o medalhão e o diadema, que Snape disse estarem no castelo. O céu começava a clarear, mas a lua ainda não chegara ao horizonte quando avistaram as colinas de Hogsmead. Tinham pouco tempo.
Os lobos pararam sob as últimas árvores da Floresta Proibida quando os raios de sol começavam a avermelhar o céu. Os sons da transformação abafados pelo acordar da mata, os animais se afastando da clareira conforme avistavam o grupo de homens e mulheres cansados e cheirando a morte. Fenrir deu orientações e auxiliou os feridos antes de se sentar em um tronco e esperar, vendo uma linha pequena de fumaça surgir e subir para o céu já claro, saindo da chaminé da cabana do gigante.
A cabana em chamas. Os gritos. Os feitiços. O cheiro de sangue. Harry caído gritando de dor no gramado. A febre.
- Tudo tem estado bem mais calmo por aqui desde sua última visita, senhor Greyback.
Os olhos azuis se voltaram para o vulto que surgia do meio das árvores e se delineava em tons de cinza transparente à sua frente.
- Barão. – ele cumprimentou – Recebeu a carta de Snape?
- Sim. – havia desprezo em sua voz – Não me surpreendeu. Não é a primeira vez na história que há batalhas nesses jardins e eu vi o garoto Malfoy se desesperar durante todos esses meses. Além do mais, fantasmas ouvem mais do que se imagina. Eu já sabia das horcruxes e sabia que Dumbledore ia morrer.
- Você acredita na inocência de Snape? – Fenrir perguntou com agressividade, a dor o impulsionando a tornar aquela conversa objetiva e o mais curta possível.
- Ninguém é inocente. Mas eu trouxe o que ele me pediu. – e ali estavam o diadema de Ravenclaw e o medalhão de Slytherin – Agora, saia daqui.
E havia reprovação e ameaça na voz do fantasma, mas não importava para Fenrir o que um homem morto pensava. Ele poderia voltar para casa agora.
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Fenrir sabia que não era seguro, mas a floresta em volta do castelo era o melhor lugar para ficar durante o dia. Sua alma implorava por voltar para sua moitié, mas o grupo não tinha condições de viajar enquanto a lua não voltasse ao céu. As árvores ofereceram água, comida e abrigo para que dormissem por algumas horas, se revezando em vigília, até que o sol abaixou e a proximidade da lua cheia os despertasse, devolvendo por puro êxtase a força nos corpos feridos.
E dessa vez não havia poção. Fenrir jogou em volta do corpo a alça do saco com os objetos que precisava guardar com sua vida, pois sabia que não haveria mais consciência nas próximas horas, e seu único guia depois de transformado seria a vontade de voltar para o covil.
Era reconfortante acordar e a primeira coisa a se sentir é o calor do sol na pele nua e o cheiro salgado e quente do mar ainda próximo. Terra conhecida sob os pés e o som da França despertando no ar. A noite não foi o suficiente para levá-los para o covil, mas estavam perto. Um último uivo no ar trouxe auxílio ao encontro deles e logo toda a clareira se convertia em enfermaria.
Fenrir ignorou a própria dor e a ansiedade para cuidar dos feridos, dando ordens e providenciando atendimento. Ter bruxos no grupo era vital nesses momentos, ele sabia, embora não tomasse a própria varinha.
Snape o observava parado à porta da casa. Fenrir atirou o saco aos seus pés e arrastou a perna ferida mais alguns passos até se jogar em uma cadeira.
- Veja se está tudo aí. – resmungou, baixo, fechando os olhos enquanto ouvia Louis resmungar feitiços para curar seu corpo – Depois vai ajudar. Pode destruir as coisas mais tarde.
- Você o matou? – Snape perguntou, sua voz inflexível, mas era óbvio pela pergunta que ele ainda duvidava disso.
Fenrir se ergueu, querendo fitar o desgraçado antes de responder, mas sequer chegou a vê-lo. Seus olhos pararam no meio do caminho, na figura pequena, encolhida contra a porta de seu quarto como se quisesse passar despercebida, o lençol branco sobre os ombros caindo de forma a cobrir todo o seu corpo, mas os olhos verdes o encarando com muito mais expressão do que Fenrir jamais vira.
- É verdade? – a voz baixa do garoto também o desafiava – Você matou Voldemort?
- Matei. – e a voz tinha a mesma fúria do ato.
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Fight – Luta, em francês
NA: TAMTAMTAMTAM ADORO esse capítulo *o*
Ele é tão rápido e tenso e forte *o* Parece o Fenrir XD
Espero que vocês tenham gostado também XD
Beijos e até semana que vem, pessoas o/
