Capítulo 18 – Trop proch de la mort
Lucius fechou sua maleta e apagou as luzes da sala, se dirigindo à saída. As coisas no ministério não estavam fáceis e ele se sentia cansado, mas a cada dia de trabalho havia uma realização contida naquele poder de mudança, que estar no topo da cadeia produzia, que o fazia voltar para casa com a boa sensação de dever cumprido.
No fim do corredor, uma luz ainda brilhava. Ele chamou o elevador, mas regrediu seus passos até parar em frente à porta que ele sabia muito bem a quem pertencia: seu braço direito.
- Você não vem?
O homem dentro da sala não havia pegado sua capa ainda. A maleta estava fechada, mas ele não dava nenhum indicativo de que iria sair. Ao contrário, com um gesto de varinha, atraiu uma garrafa de dentro do grande armário que tomava toda uma parede do gabinete e encheu um copo com a bebida forte.
- Me deixa em paz. - a voz era fraca. Derrotada.
Lucius sabia de onde vinha aquela derrota. Era o motivo do homem não querer voltar para a casa que as duas famílias dividiam por hora. Era o motivo pelo qual Rodolphus Lestrange não conseguia se encarar no espelho, porque no espelho estavam os olhos de seu irmão.
E ele não tinha mais irmão.
Lucius entrou na sala, ouvindo as engrenagens do elevador subindo em meio ao grande silêncio do gole que o homem tomou da bebida. Pousou uma mão sobre seu ombro e ponderou por um momento sobre o que falar.
- Você sabe que eu sofro tanto quanto você, não sabe? Nós fomos vítimas de uma mesma maldição, Rodolphus. Tudo nos foi tirado e estamos tendo uma chance única de recuperar toda a nossa vida. Você vai se entregar assim?
- Para quê? - o homem perguntou, rouco, bebendo mais um pouco. Não era a resposta que Lucius esperava. Rodolphus o encarou e repetiu a pergunta – Para quê você quer recuperar tudo, Lucius? Seu nome, sua fortuna, seu país. Para que seu filho possa ter uma vida tranquila? Para que seus netos possam gozar da paz que você não teve? Para que sua família tenha finalmente o conforto e a tranquilidade de um lar cheio de amor que você tanto desejou? PARA QUE ESSA MERDA TODA, LUCIUS?
- Cala a boca. - Lucius respondeu, sério e calmo, o encarando firmemente – Você é um homem firme, Rodolphus. O único homem digno de Bellatrix Black. Você saiu de Azkaban lúcido para poder chegar até aqui. Você tem suas próprias razões para estar aqui comigo, e sabe disso. Aquele miserável não pode roubar isso de você.
- Eu fiz tudo isso por ele, Lucius. - o homem voltou a beber, fitando fixamente o tampo de sua mesa.
Como se tomando uma decisão drástica, Rodolphus se levantou. Pegou a maleta e a capa, seguindo a passos largos pelo corredor. Lucius girou os olhos, correndo para acompanhá-lo. E no mesmo ritmo chegaram ao átrio e aparataram diretamente para os jardins da pequena residência que agora dividiam.
Rodolphus entrou, indo da sala à cozinha e desta para os quartos como um furacão. Lucius o seguiu, mas parou no quarto do filho. Narcissa estava sentada na cama, Draco deitado em seu colo, os dois pareciam conversar em voz baixa. A cena tinha uma calma que não havia naquela casa desde a última visita de Fenrir. E com um olhar um pouco mais atento, Lucius constatou que seu filho estava curado.
Não mais seu filho.
- Severus esteve aqui hoje. - Narcissa o informou ao ver seu olhar fixo em Draco e um silêncio tenso os rodeando – A mando de Fenrir. Ele cuidou de Draco e Rabastan, estão curados.
- Eles não são mais bestas? - Lucius perguntou, frio. Narcissa fechou os olhos, buscando paciência, enquanto sentia Draco se retrair em seus braços.
- Você sabe que não há cura para isso. Mas eles estão bem agora. E poderiam viver melhor, se você...
- Eu não vou discutir isso, Narcissa. Eu já disse, se Fenrir Greyback quer tomar conta desse país com suas aberrações, que ele venha e passe por cima de todos os bruxos. Não é porque meu sangue foi contaminado que vou fazer as vontades dele!
- Pai... - Draco começou, baixo.
- Você não tem voz aqui! - Lucius olhou para o garoto com ferocidade – E não me chame assim! - o rosto de Draco se contorceu em dor e as lágrimas fugiam de seus olhos – Eu teria matado e morrido por você, Draco! Eu fiz de tudo para que você saísse dessa guerra vivo e pudesse ter uma vida digna! Mas não mais. Eu não posso mais confiar em você. Não vale a pena fazer NADA por uma criatura inconsciente cujo conceito humano de gratidão não faz sentido frente a seus impulsos de matar e destruir. O sangue puro que eu e sua mãe te demos foi infectado, então você não significa mais nada para mim.
- Lucius! - Narcissa protestou, mas o marido não a deixou continuar.
- O fato de a transformação ter sido involuntária, um incidente político do qual eu assumo que você foi vítima, é o único fato que me força a ser responsável por você e permitir que você continue vivendo sob o mesmo teto que eu. Mas se eu determinar que você deve ficar trancado no seu quarto pelo resto da sua vida, como um animal, você vai ficar, porque é nisso que você vai se tornar a cada lua cheia. Fenrir Greyback matou meu filho. Eu não vou ter medo de enterrá-lo.
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Rodolphus se viu à porta do quarto de Rabastan sem ter consciência de como chegou ali. A decisão que tomara em seu gabinete no ministério tomou sua mente por completo até se deparar com a figura do irmão encostada junto à janela do quarto, fumando. Ele estava de pé, as vestes limpas alinhadas perfeitamente ao corpo livre de ataduras. Ele estava curado.
- Rabastan. - chamou, a esperança de ainda ser digno de um olhar presente em sua voz de forma latente. Mas o homem somente atirou a bituca pela janela e se apoiou no batente, soltando a fumaça devagar – Nós precisamos conversar.
- Eu não posso viver assim. - Rabastan disse, baixo – Eu entendo, talvez racionalmente demais, o que você e Lucius estão fazendo. Eu apoiaria isso em qualquer outra ocasião. Mas não posso viver assim.
Rodolphus se aproximou, as mãos se apoiando sobre os ombros do irmão, correndo pelos seus braços até envolver seu peito e puxá-lo contra o próprio corpo. Ele não sabia o que fazer. Ele nunca soube o que fazer.
- Você sabe, não sabe? Você sente isso como eu desde... sempre.
Rabastan se virou em seus braços olhando fixamente o rosto do irmão.
- Não venha você me falar de amor depois de tudo o que passamos.
- Eu nunca me permiti isso. Eu te vi crescer, Rabastan. Eu sempre estive um passo a sua frente, te olhando de longe. Te vendo se tornar homem.
- E nunca foi homem o suficiente para se permitir isso. Quando eu entendi o que éramos, Rodolphus, você estava casado. Você fugiu de mim uma vida inteira estando sempre ao meu lado!
- E agora estão te tirando de mim. - Rodolphus encarou o irmão, seus dedos correndo seu rosto como se nunca tivesse ousado olhar para ele como se deve – Eu não posso permitir isso, Rabastan. Eu não preciso viver com você. Não preciso te tocar, como eu queria, eu posso te amar de longe, Rabastan. Eu posso assistir você crescer e ser o homem que eu sei que você é por mais toda uma vida. Mas eu não consigo existir longe de você.
- Eu estou morrendo. - Rodolphus fechou os olhos com força e Rabastan deixou sua testa cair contra a dele, enredando seus dedos nos cabelos do irmão – Não há permissões para sermos o que somos, Rodolphus. Isso nunca vai acontecer. E ficar aqui está me matando.
- Rabastan. - Rodolphus repetia o nome de sua moitié, sentindo a magia dos dois fluir conforme o ar deixava seus lábios – Rabastan.
Sempre fora uma certeza tão grande, ele estar ali, a um passo de distância, ao alcance da mão, que não havia necessidade de dizer, não havia porque romper barreiras, desafiar instituições, cometer pecados. Eles podiam se tocar, eles podiam se abraçar, e isso nunca era o bastante, mas era o suficiente para a paz tão necessária, para a magia. Não para eles.
Mas Rodolphus não estava lá. Rabastan estava ao seu lado quando foram presos, estava ao seu lado enquanto gritava na escuridão, estava ao seu lado quando Bellatrix morreu. Mas Rodolphus não estava com ele quando Fenrir o transformara, quando seu cerne mágico se modificou, e não estava com ele quando a lua veio e ele se feriu em luta inconsciente.
Ele nunca estivera realmente com ele por medo. E agora nunca estaria, porque a alma de Rabastan estava a cada dia mais distante da dele. E Rodolphus não conseguia aceitar aquilo da mesma forma que nunca conseguira aceitar que amava seu irmão além da fraternidade.
Os dedos frios tocaram seu rosto em um toque conhecido e ele percebeu que estava chorando. Afastou-se, secando o rosto de forma violenta, como se tentasse esconder o que era óbvio. Rabastan o olhava sério, analista. Ele sempre soubera, sempre sentira, sempre o acompanhara. O que faltou para eles?
- Severus esteve aqui hoje. Ele está com Fenrir. Eu vou procurá-lo e me juntar ao bando, Rodolphus. Não nasci para ser tratado como escória. O dia que você estiver pronto para se juntar a mim, talvez consiga me encontrar.
Rodolphus não conseguiu encarar o irmão enquanto ele deixava o quarto. Ele não teve coragem antes, não teria nunca.
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Narcissa deu dois toques na porta aberta e aguardou qualquer indicação de que pudesse entrar. O homem não se moveu. Continuava parado junto à janela, encarando os jardins escuros. Ela sabia que dali ele teria visto eles saírem.
- Lucius está na sala, bebendo. Nós discutimos.
- Eu ouvi. Não me importo.
Ela se aproximou, cruzando os braços contra o peito. Não sabia se havia feito o melhor permitindo que Draco partisse com Rabastan, mas o comportamento de Lucius a assustava e ela não conseguiria lidar com os dois ao mesmo tempo.
- Meu filho estava pensando em se matar. Eu encontrei este frasco de veneno no quarto dele, não sei como conseguiu. Eu me importo com isso. - ela respondeu – Você sabe para onde eles foram?
Ele não respondeu, somente encarando o pequeno frasco que ela depositou ao seu lado.
- Rodolphus, eu não sei o tipo de relação que você tinha com Rabastan, mas acredito que esteja preocupado com ele. Era seu irmão. Se não pudermos saber o que está acontecendo com eles...
- Ele foi embora, é tudo o que eu preciso saber. - ele respondeu, sério, a encarando pela primeira vez de forma ofensiva.
- Vou escrever para Severus. Se souber de qualquer coisa, eu te aviso. - ela disse, por fim, saindo do quarto.
Rodolphus pegou a pequena amostra de veneno que ela deixara para trás e a examinou mais atentamente. Não era tão poderoso, provavelmente Draco conseguiu manipulando as poções que Narcissa lhe deu nas várias tentativas de curá-lo. De qualquer forma, iria servir. Demoraria, mas iria servir.
Rodolphus se olhou no reflexo do vidro da janela e os olhos de Rabastan o olharam de volta. Ele sorriu e fez um pequeno brinde antes de beber todo o conteúdo do frasco, e então foi se deitar na cama do irmão. Queria que sua última lembrança fosse o cheiro do homem que amou por toda uma vida, mas que nunca realmente foi seu.
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- Você tem algum plano? - Draco perguntou, apressando o passo para acompanhar o homem que andava a sua frente – Você sabe onde é o covil de Greyback?
- Se você não esteve lá antes, não há como saber. - Rabastan afirmou, atravessando a avenida a passos rápidos. O Noitibus os havia deixado na periferia de Londres e já era madrugada. Se ouvissem aquela conversa, poderiam estar presos antes do sol surgir, e o garoto parecia não ter ideia do quanto isso era provável – Entra aí. - ele empurrou Draco para dentro de um hotel barato.
- Boa noite. - o atendente os olhou, desconfiado.
- Um quarto para dois. - Rabastan pediu, depositando dinheiro sobre o balcão – E preciso de material para escrita e uma coruja antes do amanhecer.
- Nossa coruja está fora. - o atendente respondeu com visível má vontade e lhe deu a chave.
- Então providencie outra. - Rabastan lhe entregou mais algumas moedas e recebeu um aceno afirmativo como resposta.
Guiou Draco escadas acima, entrando no quarto precário e trancando a porta.
- A nossa única chance é encontrar Snape e esperar que ele consiga fazer com que Fenrir venha até nós. - ele explicou, impaciente, andando até a mesa pequena no canto do quarto e acendendo um cigarro – Descanse enquanto pode, garoto, isso não vai ser fácil.
Draco concordou, contrariado, e deitou na única cama do quarto, desejando que o sono fizesse com que tudo não passasse de um pesadelo.
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Tropproch de lamort, do francês, "muito perto da morte".
NA: Olá, queridos.
Desculpem pelo atraso para a postagem, Dark K. ainda estava comigo, e ela é prioridade XD
Agora acredito que tudo volte a certa normalidade e daqui a 15 dias posto o próximo certinho.
E capítulo triste esse ._. E terá MUITAS consequencias XD
Beijos e espero comentários!
