Capítulo 34 – Attaquer

Harry riu.

Era de certa forma extremamente aliviante ouvir aquilo. Ele queria repetir aquela frase, uma frase tão simples e ao mesmo tempo tão decisiva. Sentiu Draco o observando e havia um pequeno sorriso nos lábios do loiro também, ele entendia o que Harry estava sentindo de uma forma que poucas pessoas poderiam entender.

Harry se levantou, sentindo as pernas falharem como se estivesse embriagado, e Draco o deixou passar sem dizer nada, sabendo exatamente aonde ele ia. O caminho para a casa grande era curto, mas Harry o seguiu quase correndo, como se a cada passo que dava sentisse que precisava dar o próximo mais rápido e mais rápido para que o momento chegasse no próximo instante. Ele seria um lobisomem, e ao perceber o quanto queria isso, o quanto essa ideia o fazia mais forte e mais feliz, ele não desejava mais esperar pela lua ou o que fosse, queria Fenrir, queria que ele o mordesse, que o ferisse, se tivesse que ser, mas queria que ele o fizesse seu de uma vez por todas, para que eles simplesmente pudessem ter a certeza de que era aquilo, estava feito, e nada mais no mundo poderia mudar o fato de que iriam ficar juntos, simplesmente porque nasceram para isso.

Harry riu mais alto, ciente do olhar de crítica de Rabastan, que estava sentado com Louis na sala da casa de Fenrir. Eles entenderiam. Harry não se atrevia a colocar aqueles pensamentos em palavras, elas simplesmente pareciam doces e quase bregas demais para aquele lugar, para aquelas pessoas duras demais, ele mesmo sabia que ficaria mais duro nesse processo, pela dor e pela própria transformação. Por ser lobo. Mas, não, não havia nada que desejasse mais em sua vida. Sua vida, a vida salva por Fenrir quando o arrastara até ali em um rastro de sangue, tinha como único objetivo ser completa agora, e Harry estava feliz com o que isso significava.

- Onde está Fenrir? – perguntou, sua voz inundada por sua excitação.

- Ele voltou da caça há pouco tempo, acho que está no rio. – Louis lhe informou, desconfiado – Você está bem, Harry?

Harry só sorriu e saiu correndo da casa. Seu coração acelerou quando ele percebeu uma ansiedade diferente se somar à sua: Fenrir percebera sua alteração e agora estava intrigado com o que estava acontecendo. Ele já conseguia vê-lo em meio à semi-escuridão da noite, saindo nu do rio, amparando-o em seus braços quando Harry simplesmente se jogou contra ele, empurrando-o de volta para a água sem se preocupar com o fato de que estava vestido.

Fenrir o puxou, evitando que a água o cobrisse, e buscou a superfície também. Harry somente afastou os longos fios molhados de seu rosto antes de começar a beijá-lo, ainda rindo contra seus lábios, sentindo o conforto do abraço de seu moitié.

- Hey. – Fenrir o afastou levemente, não conseguindo evitar de sorrir também, contagiado com o entusiasmo do outro, além de toda aquela inesperada demonstração de carinho – O que está acontecendo?

- Nada. – Harry tentou normalizar a respiração, pousando sua testa contra a de Fenrir, água correndo pelo seu rosto junto com o toque dos lábios do lobo – Por enquanto nada, mas daqui a alguns dias eu quero nadar nesse rio com você. Quero ver se você consegue me pegar e, se conseguir, vou fazer com você sobre as pedras e esperar o sol aparecer para nos secar quando voltarmos à forma humana.

A boca de Fenrir se abriu levemente, os olhos azuis encarando Harry como se o significado das palavras ainda não o tivesse atingido por completo.

- Não brinque com isso, Harry. – sua voz era rouca e o que ele lhe transmitia pelo vínculo era uma confusão tão grande de sentimentos que tudo o que o garoto pode fazer foi abraçá-lo com mais força, sussurrando contra o seu ouvido.

- Eu não estou brincando. Eu quero ficar com você. Quero ficar aqui e quero ser um lobisomem. – ele se afastou para voltar a olhá-lo – Ah, e quero abrir uma escola, mas depois a gente discute isso.

As mãos de Fenrir correram seu rosto, afastando água e os cabelos negros que grudavam em sua pele, estudando sério os olhos verdes. Tão sério que o sorriso de Harry se desmanchou em expectativa, ele sentia a tensão e a ansiedade e todo o desejo de Fenrir de que aquilo não fosse só um delírio de um menino.

- Fale. – ele disse em um sussurro rouco.

- Eu quero que você me transforme em lobisomem, ma moitié. Eu quero ficar com você.

Havia força na forma como Fenrir puxou Harry para um beijo. Força, não violência. E havia um tipo de força diferente na forma como Harry correspondeu. Era confiança e desejo, era vontade de se tornar um, de provar e de reconhecer. Era bom, era bem vindo, era o que eram juntos em toda a sua intensidade.

As mãos de Fenrir rasgaram e afastaram a blusa de Harry até ter seu peito exposto em contato com o seu, ele abandonou o beijo para correr o nariz pelo pescoço do garoto, passando os dentes de leve pelo seu ombro. Harry sorriu, Fenrir gostava de fazer isso e ele sabia o que significava e, se aquilo antes o assustava, agora só aumentava seu desejo. Tentou se livrar das roupas o mais rápido possível, deixando que a correnteza do rio levasse o que sobrou delas conforme Fenrir tentou ajudá-lo.

Fenrir o virou contra seu peito, colando seu corpo às suas costas, e Harry se agarrou a seus cabelos conforme o homem se debruçou sobre seu ombro para beijá-lo. As mãos corriam todo o seu corpo, firmes, e eram os únicos pontos de apoio que tinha, solto na água. Colou seu corpo contra o de Fenrir, enroscando suas pernas, sentindo o movimento do próprio rio ajudar os dois quando seus corpos se uniram.

A boca de Fenrir não deixava seu corpo, um carinho constante em seus ombros, nuca e costas, passeando por seu rosto e lábios, quebrado por gemidos conforme os movimentos dos dois se tornavam mais intensos. A mão de Harry desceu para encontrar a mão de Fenrir que o apoiava pela cintura, o ajudando, e seus dedos se entrelaçaram quando Harry voltou a puxá-lo, gritando seu nome para a noite enquanto Fenrir o abraçava, trêmulo, envolvendo-o por completo, como se tentando segurar o momento em seus braços, somente respirando junto com seu moitié.

Harry se virou em seu abraço, pousando a cabeça em seu ombro, e suspirou. O leve movimento do rio, agora muito mais brando, lavava seus corpos de forma suave e ele poderia adormecer naquele momento sabendo que o homem que o envolvia cuidaria dele.

Como em resposta a isso, Fenrir passou um dos braços sob seus joelhos, tomando-o no colo, e o levou de volta para casa em silêncio, depositando-o sobre sua cama. Harry sorriu, pensando que continuariam ali o que começaram no rio, mas Fenrir estava sério novamente, saiu e voltou com vestes limpas para os dois, e dessa vez vestiu um conjunto completo.

- Alguma coisa que eu deveria saber? – Harry perguntou, vendo-o se vestir em silêncio.

- Eu estou com medo por você. – Fenrir começou – Você é ma moitié e passou por muita coisa desde que eu te trouxe para cá. Eu não escondi de ninguém no covil esse fato, mas também não te reivindiquei.

- O que isso significa? – Harry não gostou da palavra ou de como isso parecia importante e deixava Fenrir tenso.

- Eu não anunciei para o covil que estava me unindo a você. Primeiro, porque eu pretendia já te transformar antes da lua mudar, mas a guerra não permitiu. E conforme você começou a reagir ao que eu fazia, eu percebi que anunciar para todos que você me pertencia não ia ajudar em nada você se sentir melhor comigo.

- Não, realmente. Mas não é como se não fosse óbvio, por tudo o que você fez. Eu lembro como você tratou Remus quando me encontrou com ele.

- Eu fui bondoso demais com Remus e isso não é uma coisa boa. Ele é minha cria, apesar de estar com você, eu nunca pretendi matá-lo. Meus temores começaram quando todo o covil percebeu isso. Você era ma moitié, todos sabiam e todos sabem, mas se algum lobo quiser te transformar antes de mim ou mesmo te reivindicar para ele, ou eu o mato, ou eu te perco.

- Bem, não acho que ninguém vá querer morrer. – Harry comentou, deitando-se ao lado de Fenrir de forma insinuante.

- Agora que você decidiu ficar, eu preciso te anunciar como meu consorte o mais rápido possível. Para sua segurança, Harry. Para que não haja risco de nenhum outro lobo tentar tirar você a força de mim.

Harry sorriu e pousou um beijo sobre seus lábios.

- E eu tenho certeza que isso não tem nada a ver com a sensação de vitória que você está sentindo.

Fenrir o beijou, se debruçando sobre a cama e cobrindo-o com seu corpo. Tocar Harry e tê-lo disposto daquela forma era quase irresistível, mas todos os seus instintos gritavam que precisava protegê-lo, antes de mais nada, e só então poderia deitar tranquilo ao seu lado sabendo que ele seria seu, para sempre, como Harry mesmo havia dito.

- Se vista, se não te exibo nu para todo o covil, e todos os lobos vão entender porque eu mataria qualquer um por você.

Harry riu, mas se levantou e vestiu as roupas que Fenrir lhe trouxera. Eram de certa forma melhores do que as que usava habitualmente, em um tom de cinza escuro e com alguns detalhes metalizados. Harry entendeu o quanto aquele momento era importante e seguiu com Fenrir quando o lobo deixou o quarto. Mas, do lado de fora, Snape os aguardava, sentado sério em um canto da sala, um pouco afastado de Louis e Rabastan.

- Eu preciso falar com ele antes. – Harry segurou Fenrir pelo braço e indicou Snape – Sozinho.

Um olhar hostil foi trocado entre os dois homens, mas Harry quase rolou os olhos para isso. Ele não sentia nenhum tipo de hostilidade pelo vínculo, o que significava que Fenrir confiava em Snape talvez de uma forma em que ele não confiava em mais ninguém. Ele confiaria Harry a Snape se as escolhas do garoto fossem outras, e esse era o momento em que Harry precisava agradecer a Snape por confiar nele também. Fenrir saiu da casa, junto com os outros homens, e Harry se sentou em frente ao seu ex-professor.

- Draco me contou. Eu esperava que você viesse falar comigo antes.

- Eu fui falar com ma moitié, antes de mais nada. Estou falando com você agora. – Harry sorria, mas Severus estava sério, como sempre – Você vai ficar bem, Severus?

- Eu vou ficar com você até depois da transformação, para ter certeza de que tudo estará realmente bem. Depois vou ficar na França, parece que Narcissa tem algumas propriedades aqui ainda, vamos tentar recomeçar. – ele fez uma pausa, como quem reflete longamente sobre algo, e então acrescentou – Juntos. Obviamente ela vai querer ver Draco de vez em quando e eu aproveito para ver como o psicopata do seu moitié está te tratando.

- Eu fico feliz de saber isso. – Harry sorriu com sinceridade e tocou as mãos de Snape sobre a mesa – Eu nunca te agradeci...

- Cale a boca, Potter. – os olhos negros e frios que conhecia desde seus 11 anos o encaravam da mesma forma de sempre, algo entre cuidado e ressalva, mas com uma intensidade que não dedicava a mais ninguém – Seu moitié está te esperando.

Harry sorriu e se levantou, saindo para a clareira. A luz da grande fogueira ainda era presente, mas ele não conseguia ver o fogo em si, escondido pela multidão que a cercava. Parecia que todas as pessoas, homens, mulheres e crianças que faziam parte do covil, estavam agora de pé em uma imensa roda em torno da luz. E, mais alto do que todos, Fenrir se destacava como uma assombração sobre as chamas, fazendo um discurso acalorado em francês. E no momento em que os olhos azuis caíram sobre ele, disse seu nome, e toda a multidão se voltou para olhá-lo, as pessoas mais próximas se curvando e se afastando, de forma que um corredor começou a se abrir em direção à fogueira, e Harry percebeu que deveria segui-lo até seu moitié.

Fenrir lhe deu a mão e o puxou para cima de um tronco caído ao lado, deixando-o alto o suficiente para que todos pudessem vê-lo. Pousou um beijo leve em suas mãos, outro em sua testa e finalmente em seus lábios, inicialmente carinhoso, mas no segundo seguinte o envolvia pela cintura e Harry se sentia tonto com seu toque, o calor do fogo, e o som de gritos e aplausos da multidão. Quando Fenrir rompeu o beijo, mas continuou abraçando-o como se tivesse percebido que Harry precisava de apoio. O garoto corou, ao ver que todos os olhavam, e escondeu o rosto contra seu peito. Fenrir afagou seus cabelos, sorrindo, jogou a cabeça para trás e uivou para a lua, em um gesto que surpreendeu Harry, e ele achou quase infantil por um momento, até ver outros homens e mulheres o imitando a toda a volta, e dos uivos surgiu da mata o som de um tambor, e depois outro e vários, e então o garoto entendeu que estava começando um tipo de festa.

Fenrir o ajudou a descer do tronco conforme as pessoas começavam a dançar e se espalhar pela clareira, e o puxou para um novo beijo, analisando seu rosto.

- Você está bem? – perguntou, baixo.

- Acho que não entendi direito o que aconteceu, mas ok. – Fenrir voltou a sorrir e beijá-lo.

Harry tocou de leve as linhas do seu rosto. Ele estava sorrindo e ele ainda podia ver o quanto seus dentes eram mais afiados do que o normal, mesmo em forma humana, e havia algo de triste que nunca deixava seus olhos, mas aquele sorriso... aquele sorriso era novo. Harry nunca o tinha visto tão feliz. Externamente, o único efeito era um pouco mais de carinhos para com Harry, mas o vínculo entre os dois transbordava a felicidade que Fenrir estava sentindo, contagiando Harry, o que só aumentava a intensidade de tudo.

Aos poucos, Harry entendeu que aquilo era mais ou menos como se casar. Ou talvez um noivado. Depois do anúncio de Fenrir e da música ter começado, várias pessoas vieram cumprimentá-los, muitos trazendo presentes. Harry aprendeu rapidamente o "Merci", e sorria para aqueles que se ajoelhavam ou faziam reverências de diversas formas para ele. Isso o assustou um pouco, mas também lhe deu a dimensão da importância de Fenrir naquele lugar. Ele era o alfa, e Harry era seu companheiro agora, e por isso merecia o mesmo respeito. Apesar de um pouco constrangido, Harry agradecia e admirava aquelas pessoas e o afeto e consideração que elas demonstravam ter com ele e com Fenrir.

Seu noivo, ou o equivalente lobisomem para isso, não ficou muito ao seu lado, porém. Ao que parecia, ele ter reivindicado Harry trazia consequências políticas que iam além do fato de que todo o covil deveria respeitá-lo também, e por isso rapidamente Fenrir foi cercado de pessoas exigindo algum tipo de atenção, alguns lobos tão grandes quanto ele pareciam irritados, outros pareciam pedir coisas, outros o parabenizavam. Harry o observou apreensivo por alguns minutos, até notar que a sensação de felicidade de Fenrir não diminuía, independente de quem ou o que estivessem falando com ele, e isso o deixou aliviado e plantou um sorriso permanente no rosto de Harry.

O sol veio de mansinho, banhando a clareira inicialmente com uma luz cinzenta, que foi gradualmente se tornando dourado. A fogueira se apagou, as crianças e algumas outras pessoas se recolheram, mas a música continuava e as homenagens haviam terminado, mas vários grupos de pessoas conversavam à volta de Harry. Rabastan e Louis haviam vindo em algum momento, mas pouco depois desapareceram na multidão. Remus e Draco conversaram com ele também, mas agora estavam sentados juntos perto dos restos da fogueira, trocando carinhos. Snape não apareceu, nem Narcissa, mas Harry de certa forma esperava por isso.

Ele se sentia cansado e com sono e queria muito poder ficar sozinho com Fenrir novamente, mesmo que fosse para somente dormirem abraçados e aproveitar aquela sensação boa que ainda permeava seu corpo. Em um olhar rápido, o localizou do outro lado da clareira, conversando com um grupo de mulheres. Os olhos azuis se voltaram para ele rapidamente e Fenrir sorriu, antes de responder algo para uma de suas convidadas. Harry decidiu se retirar, Fenrir saberia onde encontrá-lo.

Ao se levantar e dar os primeiros passos em direção a casa, porém, Harry sentiu alguém puxá-lo pelo braço e começar a conduzi-lo na direção contrária. Ele se assustou e tentou se desvencilhar, mas então reconheceu o riso rouco e percebeu que era só Lincan.

- Não tive a oportunidade de te parabenizar. Finalmente Fenrir assumiu seu papel com você.

- Foi só uma questão formal. – Harry respondeu, não tendo muita certeza do que estava falando – Hum... Obrigado.

- Agora que você é oficialmente parte do grupo, eu quero te mostrar uma coisa. É um dos maiores segredos desse lugar, e você me fez tantas perguntas da outra vez que conversamos, acho que vai gostar disso.

- Eu estou cansado. – Harry tentou se desvencilhar do braço do lobo, mas só conseguiu que ele passasse uma mão às suas costas, o conduzindo para entre as árvores.

- Considere esse o meu presente. – Lincan disse, sorrindo, e Harry acabou por se deixar levar.

A luz da manhã brincava entre as folhas verdes do fim do verão e era agradável andar pela mata àquela hora. Harry pensava em como seria correr sobre o chão macio daquela floresta com as patas de um lobo, o toque frio do orvalho e o vento quente que ainda guardava um pouco do cheiro do mar. Ele sabia que seus sentidos seriam diferentes quando fosse transformado e, se aquele lugar já era deslumbrante naquele momento, com os olhos do lobo seria fabuloso.

Distraído, tropeçou em uma raiz, e Lincan o amparou para que não caísse. Harry estava sonolento, acontecera muita coisa nas últimas horas e tudo o exauriu física e emocionalmente. Não sabia há quanto tempo estavam andando, mas, se continuassem por muito mais, Lincan teria que levá-lo carregado para casa, e ele tinha certeza de que Fenrir não gostaria disso.

- Lincan. – Harry parou abruptamente, sentindo confuso que a mão do lobo ainda o empurrava, insistindo que andasse – Eu estou realmente cansado. O que você quer me mostrar?

- Isso, Harry. – ele fez um gesto amplo para a mata à volta – Isso, esse lugar pobre e cheirando a podridão e maresia. Isso, que Fenrir te prometeu como seu pequeno palácio para o seu pequeno príncipe. Isso é tudo o que você vai ter, e eu sei que é muito menos do que você quer, do que você espera e você vai ter que suportar até o fim dos seus dias.

- Do que você está falando? – Harry perguntou, confuso. A voz do homem era dura, carregada de um rancor que Harry não conseguia entender de onde vinha, e suas palavras simplesmente não faziam sentido para sua mente cansada.

- Você, Harry Potter, nasceu para lutar e morrer duelando com um bruxo das trevas qualquer, não para ser lobisomem. O seu lugar não é aqui e nunca vai ser. Eu gosto de você, eu realmente gosto, se você não fosse estúpido o suficiente para ser la moitié do alfa do bando, eu já teria feito isso há mais tempo, mas eu tive esperanças que você percebesse a burrada que estava fazendo e fosse embora, ou mesmo que Fenrir te matasse na cama ou na sua tentativa de fugir. Isso seria um favor para todos nós.

Harry recuou, pegando a varinha, mas tropeçou conforme andava e caiu no chão, se arrastando para longe de Lincan enquanto o homem avançava contra ele.

- Eu não fiz nada! Eu... eu nunca quis isso... Eu... Estupefaça! – Lincan o fez se dobrar no chão com um chute quando Harry errou o primeiro feitiço.

- Mas agora você quer. Quer ser aberto em dois em uma mordida, passar dias em agonia entre a vida e a morte e ressurgir como um poderoso lobisomem. – Lincan chutou seu rosto, fazendo-o cuspir sangue, e pisou sobre sua mão, Harry ouviu o som de algo se quebrar sob seu pé e não sabia se era a varinha ou algum de seus ossos, a dor sendo demais. Lincan chutou a varinha para longe, e ela se perdeu no chão da mata.

- Um bruxo poderoso como você não precisava disso, você podia ter matado Fenrir no primeiro dia e então eu seria alfa e você seria meu, ou talvez eu te deixasse ir depois de uma trepada para firmar a paz com os bruxos. – ele chutou Harry de novo, empurrando o menino contra uma árvore, seu braço forte o sustentando pelo pescoço – Agora, Harry, você tem que morrer, porque não existe paz com Fenrir, ou pelo menos não enquanto ele for o alfa.

- Ele vai te matar! – Harry cuspiu em tom de ameaça.

- Depois de ver o corpo de seu querido moitié dilacerado jogado para as formigas comerem? Não, Potter, ele vai enlouquecer. E ninguém vai ousar não me apoiar em favor de um louco.

Harry gritou e jogou todo o peso de seu corpo contra o de Lincan, um pulso de magia correndo do seu corpo para o do lobo, derrubando-o no chão, e então se ergueu, cambaleando, tentando correr entre as árvores, mas ele mal sabia para que lado ficava o acampamento ou a que distância estavam. Sentiu seus pés serem puxados e caiu, batendo a cabeça contra o chão. Gritou, na tentativa de que alguém o ouvisse, e em seguida gritou de dor, quando sentiu as unhas do homem cravarem-se em suas costas, abrindo cortes profundos e rasgando sua roupa. Tentou revidar, mas com apenas uma das mãos, Lincan imobilizou as suas e usou o peso do próprio corpo para mantê-lo imóvel contra o chão. Quando as unhas rasgaram suas pernas e Harry sentiu o hálito do lobo contra seu pescoço, ele voltou a gritar, chamando por Fenrir em meio às lágrimas, mas não havia ninguém além de Lincan ali.

- Grite, Harry. Como você gritou para ele na noite em que chegou aqui. – e o mordeu.

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Attaquer – do francês, ataque.