Após o que pareceu uma eternidade assolada por uma combustão de pensamentos e emoções, Korra consegui expressar o que pairava em sua cabeça: Confusão.

— Mako, o que você está falando... Por quê? — perguntou Korra, confusa. Havia passado os últimos três anos tentando manter um túmulo sobre o seu passado, sobre esses sentimentos. E agora ele estava ali, bagunçando tudo. Fazendo seu coração palpitar freneticamente, e ela nem ao sabia o que aquilo queria dizer, nem sabia se realmente queria saber o significado daquilo.- Digo, eu tenho que ir.- Retificou, esquivando-se do seu olhar, fazendo menção de partir.

— Korra, eu lamento... Sei que não é hora de falarmos sobre isso, que está tudo uma loucura. — Mako a conteve, segurando seu braço e buscando encará-la, enquanto ela tentava desviar o olhar. Arrependia-se de ter escolhido aquele momento para falar aquilo.— Só prometa que teremos essa conversa.

Ele a fitou com uma expressão séria, esperando que se comprometesse a ceder um momento.

— Qual é o ponto? Faz três anos! — Ela exclamou exasperada.

— Eu sei, eu sei que pra você pode não fazer sentido, mas eu... Eu preciso disso.— admitiu Mako, frustrado e com voz cortada.

— Por quê?

— Por que, Korra? — indagou pronto para falar tudo. Talvez não tivesse nunca mais a oportunidade de ter essa conversa. O sempre funcionara até então como uma âncora, o prendendo aquele momento, talvez só assim encontrasse liberdade. - Porque eu nunca vou conseguir seguir em frente sem isso. Eu não posso continuar buscando você em cada encontro, buscando fragmentos de você em cada mulher, apegando-me a cada detalhe que lembre você. Eu não posso mais continuar sendo assombrado pela esperança de ter você de volta... — hesitou por um momento, tentando recuperar-se e encará-la seriamente. Precisava ver nos seus olhos turquesa, que agora estava sendo novamente percorrido por um curso silencioso e intenso de lágrimas, a verdade. — Eu acredito em nós, Korra, e preciso saber se você também.

— Eu disse sempre, Mako — disse, aproximando-se e colando os lábios no dele. Suas mãos logo foram levadas à sua face úmida, e após uma ligeira carícia, chegaram a seus cabelos curtos e seus dedos percorreram suas mechas castanha, sentindo emanar uma fragrância suave que era só dela. Quando ela interrompeu o beijo, buscando deixar ir aquelas lágrimas mistas de todas as emoções que a envolviam, suas testas se colaram. Não havia palavras a ser ditas, e sua cabeça aconchegou-se na curva do pescoço dele. Seus braços não hesitaram em envolvê-la completamente. Podia sentir a pulsação de todo o seu corpo, o calor e vida que emanava daquele ser e era como se eles fossem duas chamas, partilhando da mesma energia. E naquele momento, ela era toda sua.

— Agora eu realmente preciso fazer algo — interrompeu o silêncio.

Mako a encarou, devia prever o que estava por vir devido a cara marota que lhe lançou. Mas soltou um o quê quase instantâneo.

— Você não vai gostar, mas realmente preciso — disse, forçando um olhar sério, mas havia um riso contido em sua expressão, denunciando o que viria. Ela, sem cerimônia, atacou seu cabelo com as mãos, bagunçando-o.

— Korra, você não pode sair por aí, atacando covardemente o cabelo das pessoas.— falou, prendendo as suas mãos, que já haviam começado a ensaiar dobra de ar para garantir o estrago, em um golpe em que prendeu seu pulso um no outro e circunscreveu um rápido caminho até suas costas, assegurando sua rendição.

— E você não pode simplesmente assassinar seu topete com hairspray.— protestou rindo e lutando pra se libertar do inesperado abraço.- Parece ilegal.

— Há muita coisa ilegal por aqui- Sussurrou Mako, deferindo beijos suaves em seu pescoço, fazendo-a sentir como se uma descarga elétrica percorresse todo seu corpo. Era uma raio, um raio quente e resultante de dois campos elétricos que se colidiam.

— Tipo? — perguntou Korra, não resistindo à provocação.

— Ter esse cheiro.. — respondeu inalando a fragrância que deu cabelo emanava, fazendo ela sentir cada ponto do seu corpo se arrepiar. Suas mãos, que outrora prendiam seus pulsos, passara a percorrer um perigoso caminho através de sua blusa.— Essa pele...— prosseguiu, mordiscando a curva de seu pescoço , suas mãos já alcançara a base do seu seio, quando ele se direcionou, com beijos, e lambidas, ao lóbulo de sua orelha. Já se sentia completamente rendida quando suas mãos quentes os envolveram, provocando uma corrente de luxúria e desejo.— Não estar onde quero.- Afirmou prosseguindo com os beijos, mas corra subitamente congelou.

Estar onde quero.Significava muita coisa. E envolviam apartamento, vinho, uma cama tremendo, lençóis farfalhando... E bem... Não era como se Mako soubesse que ela não passou os últimos três anos propriamente encontrando garotos. Na verdade, havia acabado de convencê-lo que passara ao menos os últimos seis meses fazendo isso. A perspectiva a deixou repentinamente tensa. Mako notou o corpo dela se enrijecer, parou e afrouxou o toque.

— Tudo bem?— perguntou hesitante e preocupado.

— Sim.— Korra afirmou, virando-se para ele, e deferindo leves beijinhos. — Só tenho que ir. Pra minha casa. — enfatizou hesitante e embaraçada, esperando não soar rude.

— Claro — Mako assentiu pensativo, dando-lhe um leve beijo na testa, e acompanhando-a até a ilha do templo do ar. Quando chegaram, sua presença foi rapidamente notada por Senna, que os encontrou na escadaria, apressando-se para abraçar a filha.

— Estava tão preocupada. Vocês saíram desde tão cedo. — expressou Senna, ainda mantendo a filha nos braços.

— Sim, e eu e o Mako acabamos perdendo a pista do Wu.— contou Korra, fazendo sua mãe voltar a atenção para a presença do Mako. Ele acenou um olá com um sorriso, mas a expressão da mulher se tornara severa assim que o encarou.

— Você está tão imunda, filha. E precisa descansar. — disse, voltando-se novamente para Korra

— É, eu realmente preciso de uma banho. — Korra concordou divertida, apreciando o modo imperativo da mãe.

— Vá. — Sua mãe ordenou. Ela deu um acenou de adeus para Mako e bufou um Ok, Ok, para a mãe. Não queria ter se despedido de um modo tão distante, mas também não desejava responder perguntas àquela hora anunciando a volta deles. Queria que aquela noite fosse um segredo só deles.

Ao menos por enquanto.

Senna observou imóvel a filha subir a escadaria até entrar no templo, e em seguida olhou para Mako. Estava claro que ela queria conversar alguma coisa. Mako se viu nervoso ao perceber isso, mas se manteve ali, esperando o momento que ela achasse propício falar.

— Mako.— falou com voz grave, soando menos como uma chamado, e mais como uma espécie de nota para si mesma e atraindo imediatamente seu olhar.- Só eu sei o quanto Korra, à despeito de ser a pessoa mais poderosa do nosso mundo, do espírito forte e impetulante, pode ser frágil e vulnerável. E ela está. Não se aproveite disso.

— Senhora, eu.. .

— Não — interrompeu ela e ele calou-se imediatamente. Não era o seu momento de falar.

— A Korra passou por muita coisa esses últimos anos. Agora ela está se restabelecendo e eu só quero que esteja certo sobre qual lugar quer ocupar na vida deminha filha.— Seu tom era áspero e seus lábios crispavam. Mako sentiu toda a força e ferocidade daquela mulher se expressar a última sentença. Ele teve certeza que em nome disso, aquela mulher tímida e reservada mataria e morreria.

Mako assentiu, mantendo o olhar fixo.

— Eu sei que palavras e tudo que menos importa agora, mas e eu e a senhora temos algo incomum: Eu também amo a Korra mais do quê a minha própria vida. Eu só quero vê-la bem... Eu... Eu não a machucaria. — falou frustrado. A suposição de que ele pudesse estar brincando com Korra o ofendia, mas a perspectiva de poder machucá-la o deixava realmente frustrado.

— Vá. — disse a mulher após um longo tempo, em que seus olhares se sustentaram. Não duvidava das palavras do rapaz, mas também não estava certa sobre o quanto aquilo bastaria.