O sol queimava seus fios castanhos fazendo-os refletir uma áurea dourada. Poderia passar o dia ali, observando sua expressão serena, a respiração lenta, seu coração batendo no ritmo do seu. Era como estar dentro de uma canção que passara a vida querendo ouvir. As lembranças da noite anterior passavam em sua mente todo o tempo fazendo-o apertar ela um pouco mais forte contra o seu peito e sorrir de soslaio em seguida apenas por ter sido real. Repreendeu-se por um segundo pelo apreço egocêntrico da ideia de ter sido o único que sabia o que era tê-la tocado. O que a havia tido em seus braços, sentido os suspiros que seu toque causava contra a sua pele, o que havia ouvido os sons do seu prazer. Mas independentemente de sua percepção possessiva, sabia que ambos haviam partilhado algo que jamais poderiam partilhar com outro alguém.
Lembrava-se da primeira vez que adormeceram juntos e do susto que tomou ao vê-la recostada em si. Chegava a ser irônico perceber que aquilo terminaria assim, com ela recostada em seu peito trazendo uma tranquilidade e paz que nem julgava possível conhecer.
Afastou-se cuidadosamente dela, que se remexeu preguiçosamente com sua ausência, parecia em um sono tão bom que Mako quase podia se sentir mal por possuir um lamento.
Por que você tem que odiar manhãs hein?
Murmurou praticamente para si mesmo, passando a mão por um de seus braços e dando um beijo leve em seu ombro. Ela logo partiria, e queria tanto poder passar mais tempo com ela.
...
As cenas da noite anterior ainda vagavam por sua mente como um sonho retroativo quando despertou lentamente sentindo o cheiro, tão popular em Republic City àquela hora, de asagohan. Sentou-se na cama preguiçosamente se embalando com o cobertor e se obrigou a localizar algo para vestir, catando a camisa de Mako que se encontrava jogada no chão. A fisgada de dor que sentiu ao andar foi um lembrete do que havia acontecido, assim como o as manchas rubras que marcavam os lençóis. Era bastante até para suas expectativas de uma aprendiz de Katara, então os retirou da cama rapidamente, buscando se dirigir discretamente à lavanderia se deparando com Mako cozinhando atrás do balcão ao chegar ao vão de entrada.
— Limpando um pouco da bagunça — defendeu-se com um sorriso sem jeito ao ter seus planos de discrição interrompidos pelo olhar inquisidor de Mako.
— Não se preocupe com isso. — disse ele tomando os lençóis de sua mão e se dirigindo à lavanderia que ficava pouco depois da cozinha.
Ela fitou as tigelas de missoshiru e tamagoyaki que aparentemente estavam prontas, e a de arroz, que parecia congelado. Então a levou ao fogo e ia acrescentando água, quando foi interrompida por Mako apagando o fogo apressadamente.
— O que está fazendo? — indagou após desligar o fogo, puxando-a para longe de sua quase obra culinária.
— Esquentando o arroz. —falou descontraída, não entendendo o desespero de Mako.
— Você não pode apenas esquentar o arroz. — falou ainda rindo do pequeno choque cultural. — ia virar uma papa.
Grãos ainda eram um mistério para Korra. Não tinha culpa se a alimentação do polo sul era tradicionalmente carnívora por não poderem contar com a riqueza da agricultura para se alimentar.
— Óbvio que eu sei disso. — falou Korra recusando-se a ceder. — Apenas observe. — prosseguiu ligando o fogo e fazendo sinal para que ele não interrompesse. Mako parecia perto de ter uma síncope, quando ela percebeu que a água estava quente o bastante e a fez evaporar.
— Sabe, a coisa de avatar e etc. — zombou, fingindo superioridade.
— Não vai admitir que não sabia, não é? — perguntou, segurando-a pela cintura.
— Você me subestimou. — defendeu-se.
— Não tem problema na coisa de ''essencialmente carnívora'' nem nada. — provocou forçando aspas com os dedos.
Eles riram lembrando de algo no passado.
— Pois bem, vou comprovar minhas habilidades. — falou, emburrando a cara e remexendo os armários e retirando algas, salmão e chocolate.
3 anos antes
Já passava das duas da manhã na ilha do Templo do Ar quando Mako ouviu um ruído incessante vindo da cozinha e passos sorrateiros. Aproximou-se e quando sua presença foi notada pela namorada, esta tentou ocultar o que fazia como se tivesse protegendo a própria vida.
— Korra, o que está fazendo? — indagou como se falasse com uma criança, esperando confissão de uma Korra que tentava ocultar com o corpo alguma coisa.
— Nada, você está dormindo. — falou sobressaltada gesticulando como se estivesse pedindo um cessar fogo. — Dormindo, ok?
— Então você não está comendo carne em um templo vegetariano? — perguntou cinicamente.
— Sim, tudo coisa da sua cabeça, armadilha de sua psique. — sussurrou, tentando expulsá-lo da cozinha.
— Suponho que Tenzin vai querer saber...
— Você tá dormindo, cacete! — ralhou Korra, prestes a carbonizar o namorado.
— Pois bem, não deve ter problema dizer que. — falou baixinho criando um suspense final antes de elevar a voz alto o suficiente para toda Republic City ouvir. — Korra está comendo carne. — perturbou, quase gritando as quatro últimas palavras, fazendo Korra correr para tapar sua boca com as mãos realmente irritada, enquanto ele ria.
— Não tenho culpa de ser essencialmente carnívora. — argumentou, fitando o sushi recheado de salmão e chocolate que havia acabado de inventar.
— Nem eu. — falou Mako, precipitando-se em comer o verdadeiro achando da ilha enquanto ria juntamente com Korra das restrições alimentares do lugar. Ambos sentiam falta de carne.
— Em nossa casa terá salmão com chocolate todo dia. — determinou assim que terminaram o prato, fazendo Korra agradecer o fato das luzes estarem apagadas para ele não notar sua face queimando.
...
— Continua maravilhoso. — apreciou ele terminado de comer a mistura empanada ao seu lado no balcão de divisa entre a sala e a cozinha. — Merece até uma recompensa. — falou pausadamente, tocando os dedos em sua face com um sorriso convencido e a puxando para um beijo. Korra reagiu erguendo-se da cadeira do balcão e direcionando Mako pela sala durante o beijo
— Acho que devo notificar que seu asagohan também estava muito bom. — sussurrou em ameaça despertando um olhar inquisidor de Mako, pouco antes de ser empurrado para o sofá, enquanto ela se jogava sobre ele, flexionando suas pernas sobre seus quadris e o beijando avidamente.
Mako se entregou a sensação de ter aqueles lábios junto ao seu, enquanto as mãos delas percorria seu peitoral de modo exigente. Ele não hesitou em percorrer uma de suas mãos por aquelas pernas macias enquanto a outra caminhava por cima da fina camada de linho da camisa que ela vestia, delineando seus mamilos pouco antes de apertar seu peito firmemente extraindo um gemido de prazer.
Sentiu sua respiração em sua orelha, quando ela mordiscava e a lambia, parando por um breve segundo para encará-lo, mordendo o lábio inferior com uma espécie de sorriso que ele não conhecia até então.
A fitou com uma leve apreensão pouco antes de vê-la traçar um rastro de mordidas e beijos por sua pele rumo ao seu abdômen, deliciando-se com seus zumbidos gratificantes de encorajamento que ele expressava. Mako sentiu a pressão em suas calças aumentar quando os beijos passaram a oscilar pouco abaixo de seu ventre e sua mão passou a deslizar sobre ele, abrindo logo depois suas calças.
Sua determinação obstinada em agradá-lo colocou Mako em aviso prévio, porque sabia que ela tinha toda a intenção de fazê-lo engolir suas palavras. Mas antes que pudesse ensaiar qualquer protesto, Korra puxou a última camada de sua roupa e depositou um beijo orvalhado sobre a extremidade de sua intimidade. Seus dedos se agruparam por reflexo em seus cabelos, emaranhando-o de modo que ocultou o sorriso convencido de Korra de sua visão.
Ela repetiu provocativamente o beijo, brincando levemente com a língua pouco antes de envolvê-lo com sua boca. O calor inconfundível que ela criou em torno de sua pele sensível rasgou um silvo de êxtase da garganta de Mako. Começando a chupá-lo provisoriamente, intercalando com lambidas por sua extensão, seguidas por chupadas mais vorazes ao criar mais confiança quando ele respondeu com gemidos guturais de prazer. Ele automaticamente torcia suas mãos em seu cabelo em uma tentativa de se manter e se empurrar mais profundamente em sua boca. Korra podia sentir ele se contendo, o que só aumentou o seu desejo de fazê-lo perder o controle.
Korra buscou definir o ritmo colocando a mão na base de sua ereção, flexionando novamente os lábios em torno dele aumentando a velocidade em que o chupava. Mordendo o lábio para abafar seus gemidos, Mako penteou para trás a cortina de mechas do cabelo de Korra para que ele pudesse assistir a si mesmo desaparecer em sua boca novamente e novamente.
Ela estava absolutamente certa de que estava levando-o ao limite, mas antes que pudesse testá-lo, Mako a conteve, empurrando-a delicadamente enquanto buscava se apoiar para olhá-la.
— Korra, pare, eu vo... Aaah... — Sua advertência foi abruptamente e pragmaticamente interrompida, por Korra empurrando seu peito contra o sofá e transformando a hesitação em um gemido surdo quando o chupou lascivamente, intensificando o contato com toda sua extensão até vê-lo se render à sua libertação.
O gosto amargo, quase adstringente, a fez se desconectar por um momento do que estava fazendo, antes de decidir se render ao seu instinto primitivo e ao puro desejo de sentir aquele líquido em sua pele, reivindicando tudo com os lábios, envolvendo-o novamente até o fluxo sanar.
Mako a puxou para perto de si pouco depois de se restabelecer enquanto Korra o fitava com uma leve expressão de incerteza. Ele deslizou as mãos por sua face notando o quanto de si havia se espalhado por ela.
— Acho que tem que tomar um banho, avatar Korra. — sussurrou beijando-a com volúpia, deslizando um dos lados de sua camisa com mãos. Korra deixou-se conduzir por ele enquanto a despia rumo ao banheiro passando a mão por se corpo de modo exigente e voraz. O último botão de sua camisa havia sido desabotoado quando ele a jogou no box. Ambos se encararam quando a água começou a correr pelos seus rostos, apreciando a sensação da água quente em seus corpos, a proximidade de um do outro.
Mako se aproximou de seus lábios disposto a pegar tudo dela para si, passando uma de suas mãos por suas pernas e trazendo-a para mais perto do seu corpo, beijando e mordiscando seu colo e o vão entre os seios, deliciando-se com a luxúria de tê-la como sua. Arrastou-a sem protestos para um dos limites do box, pressionando contra a parede enquanto ela deslizava as mãos, entre apertos e carícias, por suas costas e pelos músculos de seu abdômen. Ela não teria o controle novamente.
— Não dessa vez. — determinou, pegando suas mãos e prendendo-as acima de sua cabeça com um dos punhos.
— Vai ter que aprender a perder às vezes, officer. — provocou, tentado se libertar enquanto o via sacar uma corrente com dois aros de metal em suas extremidades.
— Agora você é minha, Avatar. — disse, utilizando-se da haste metálica do boxe para algemá-la, reivindicando seus lábios. Korra respondeu seu beijo na mesma intensidade, antes de virá-la contra a parede, mordiscando e beijando seu pescoço enquanto suas mãos apertavam seus seios gerando uma corrente de prazer que envolvia seus sentidos. Uma das mãos deslizou por seu ventre, apalpando ousadamente sua intimidade antes de se focar em produzir movimentos circulares em seu centro, que causavam uma sensação de torpor em seu corpo. Já expressava murmúrios de prazer quando sentiu dois dedos adentrarem sua cavidade úmida, fazendo-a mexer os quadris em movimento de vai e vem só para senti-lo deslizar em sua intimidade. Mako acelerou o movimento de seus dedos dentro dela e ela quase gritou por mais. Precisava de mais.
Ele pareceu sentir sua exigência, uma vez que antes que pedisse, pôde sentir seu membro rígido entrar em si buscando vencer a resistência que seu corpo ainda determinava através de uma estocada rápida e rasa. Ela mexeu vagarosamente os quadris esperando preencher-se, sentindo uma dor latente, antes de deixar-se guiar pelo desejo de sentir ele se mover dentro de si.
Minutos depois, ela estava tremendo em torno dele, suas paredes úmidas convulsionando violentamente em torno de seu comprimento rígido. Mako a seguiu, seu clímax eclodiu de seu corpo com força explosiva. Ele gemeu em voz alta, o prazer rasgando sua garganta, agarrando Korra perto de si, seu corpo inteiro tremendo.
Quando os últimos resquícios de seu orgasmo finalmente desapareceram, Mako a soltou, puxando-a para água, onde ambos finalizaram o banho lentamente, deixando ir o suor da exaustão de seus corpos que haviam acabado de se amar.
— E o seu destino agora? — perguntou Mako a embalando com uma toalha por cima ombros, brincando de enxugar algumas gotas de água mais evidentes em seu cabelo.
— Preciso pegar minhas coisas em casa e a Naga. — falou.
— Certo, devemos pedir um taxi. — falou Mako sem notar o ato falho.
— Eu não sou de dizer isso, mas veja bem: Eu não tenho o que vestir. — falou com divertimento e uma onda de risos que se espalhou pelo quarto com a lembrança de que ele havia queimado suas roupas na noite anterior.
— Vou buscar suas coisas então. — Ofereceu-se ele, após se recuperar do excesso de risos.
Quando ele saiu, aproveitou sua ausência para secar o cabelo e pegar outra camiseta para vestir temporariamente, além de novos cobertores para a cama, derrubando uma caixa de pertences quando puxou um deles. Na hora, limitou-se a tirá-la do chão, devolvendo-a ao armário e prosseguiu com seus planos de deixar o quarto minimamente arrumado antes de ir comer mais um pouco mais. Ociosidade costumava deixá-la com fome.
Dividia um sanduíche de atum quando Mako chegou com suas malas e algumas sacolas.
— Sanduíches do Narook pra você. — falou animadamente, sabendo que adoraria por ser do lugar preferido dela.
— Não acredito. — correu Korra em sua direção animada tomando sua sacola e dando-lhe um beijo.
— Naga está lá em baixo.
— Tadinha, foi abandonada ontem. — lamentou por sua amiga, que devia tá se sentindo um pouco abandonada.
— Tem outra coisa também. — falou Mako um pouco sem jeito.
—O quê? — perguntou enquanto ele estendia um saco de farmácia.
— Nós fomos um pouco irresponsáveis ontem... E bem, hoje também na verdade, talvez... - ia dizendo do modo mais Mako do mundo.
—Tudo bem. — respondeu ela abrindo uma cartela com uma pílula de dose única e tomando.
— Desculpe, eu deveria ter sido mais cuidadoso... — desculpou-se realmente se sentindo mal por ela ter que arcar com sua irresponsabilidade.
— Eu não espero ter esse tipo de problema, mas devemos ser mais cautelosos da próxima vez.
—Por que não? — perguntou com uma expressão confusa ao notar o modo amargo com que falara aquilo, fugindo de seu olhar, puxando-a para si pela base de sua mão para que esta o encarasse.
— O veneno... É improvável que eu venha a ter filhos. — respondeu obrigando-se a olha-lo. — Eu queria... Um dia, sabe.
Seu olhar expunha tanta vulnerabilidade. Era algo importante para ela, mais uma coisa que havia sido roubado dela e que nada que fizesse poderia reparar. Não pode evitar envolve-la em seus braços buscando absorver sua dor.
— Eu lamento. — sussurrou apertando-a em seus braços e beijando o topo de sua cabeça, inalando mais uma vez a fragrância suave que exalava por longos minutos.
— Eu vou entender se você... — ia dizendo Korra, quebrando o silencia que havia se estabelecido durante o abraço.
— Korra, nem ouse. — interrompeu em um sussurro, negando-se a desfazer o abraço enquanto ela relutava por um segundo antes de se render novamente aquele aconchego. Aquele sussurro e ela apenas soube. Gerar filhos não significa nada para quem quer ter uma família. Ele e Bolin cresceram nas ruas, torcendo para serem vistos por alguém capaz de ama-los independentemente do sangue. Como podia supor que ele não sabia disso?
— Eu te amo. — murmurou em resposta.
— Eu também te amo, mas agora vá se vestir. — falou encarando-a e afrouxando o abraço. — Amo seu dia de tom boy, mas creio que tem uma viagem a fazer.
Ela assentiu, dirigindo-se ao quarto.
Assim que se trocou, sua atenção se voltou para uma das portas do armário de Mako como tivesse uma força magnética pedindo para abri-la. Não queria ser esse tipo de namorada que fuçava as coisas alheias, mas não pode evitar se sentir curiosa com a caixa que caiu mais cedo. Na hora, havia contido o instinto de abrir, mas estar uma segunda vez tão próxima daquilo era tentação de mais para não ceder. Então sucumbiu à curiosidade doentia, retirando a caixa do armário e a encarando por um longo segundo de dúvida antes de abrir.
Quando abriu, surpreendeu-se com uma foto tirada no Festival dos Espíritos Glaciais há anos atrás. Sorriu ao saber que ele havia guardado todo esse tempo. Além de haver algumas fotos de sua família, havia também alguns desenhos carinhosos de traços infantis que provavelmente havia ganhado de Bolin, com representações deles com seus pais, e em alguns momentos, só dele. Afinal, Mako se tornou a representação de sua família para o Bolin, com o tempo. Naquele momento sentiu uma corrente de ternura pelo amigo e pelo laço que sabia existir entre ele e Mako. Aquilo a fez se sentir uma invasora de memórias tão íntimas que quase a fez pensar em parar de vasculhara a caixa. Havia também uma fita azul marinho que puxou, deparando-se com uma pedra azul onde era possível observar o desenho do símbolo do seu elemento natural no seu interior.
Ela entrelaçou o colar entre seus dedos, observando-o sem reação pelo que pareceram longas horas.
— Comprei na viagem ao Polo Sul. — falou uma voz grave vinda da porta de modo sereno, fazendo-a se sentir grata por estar de costas para não vê-lo. — Não se assuste, não pretendia te dar na época. Não seria tão imprudente. — continuou com um resquício de humor. — Mas achei que talvez, depois que conseguisse um lugar pra nós, uma carreira na delegacia... Bem... Talvez.
Falou ele recostado na porta com uma expressão distante. Foi transportado para a lembrança do que sentiu ao comprar o colar. Aquela inciativa, assim como tudo que Korra inspirava, era movido pela vontade ser uma pouco melhor do que supostamente era, e inevitavelmente, por uma vontade de provar que não um jogador famoso interessado em se divertir com uma namoradinha sem importância, ou um rato de rua querendo tirar proveito de uma figura como a avatar. Queria estar à altura dela. Foi assim quando entrou na carreira militar, mas no momento que pegou o colar sentiu uma onda de esperança aquecer seu ser. Como se aquilo fosse à promessa de um futuro, uma vida que queria mais que tudo.
Resolveu se aproximar de Korra, que ainda tentava absorver a informação fitando o colar, sentando-se de frente a ela.
— Desculpe, eu não devia ter mexido nisso. — falou ela, tentando devolver o colar à caixa.
— Não. — pediu Mako, detendo-a. — É seu. Se um dia estiver pronta... Use.
Korra assentiu deixando uma lágrima solitária correr por sua face. Então os sentimentos dele não haviam mudado desde aquela época, ele ainda queria aquilo. Ela o abraçou, apertando o colar mais forte em suas mãos.
...
Os tons de laranja já tingiam o céu quando Korra se encontrou no porto prestes a embarcar. Passara o resto da tarde lá com Mako, após perder o primeiro navio. Sua cabeça se encontrava apoiada na curva do pescoço de Mako que a envolvia em um último abraço quando, quando se libertou, olhando-o pelo que seria a última vez antes de partir, ambos pareciam incapazes de dizer algo naquele momento.
— Então, estou esperando as últimas palavras. — disse brincando com o silêncio estabelecido no seu último momento ali.
— O quê? — perguntou Mako, com estranhamento.
— Algo como ''Te vejo em Breve'' ou ''Não leve 3 anos''. — perguntou com uma dose de humor.
Mako riu e a puxou para um segundo abraço seguido por um beijo em sua testa.
— Eu vou estar esperando, não? — falou com um sorriso de soslaio vendo Korra assentir pouco antes de partir.
Ele a esperaria. Sempre.
