Heart beats fast

Colours and promises

Korra sempre foi impaciente. Definitivamente não sabia apenas relaxar e esperar que as coisas acontecessem. Cada espera sempre era acompanhada de muxoxos, batidas de pé, voltas e voltas pela casa, respirações ansiosas e unhas roídas. E Mako, nesse momento parecia bem perto de entendê-la.

Mas o amor também era espera. E eles aprenderam isso desde o começo, como quando Korra perdeu sua dobra e não se encontrava em condições de corresponder a seus sentimentos recém-declarados.

Seja paciente. Tenzin pediu. E ele seria. Sempre seria.

Com o tempo aprenderia que a espera poderia ser curta, como aquela, ou mais longa, como quando Korra partiu de Republic City após ser envenenada pela Red Lótus voltando apenas três anos depois.

Esperar também foi imperativo nos quase dois anos em que ela passou missão diplomática pelos estados da Terra, evitando inclusive alguns confrontos civis, quando eles passavam meses sem se ver, onde a saudade era sempre amenizada com cartas quilométricas, muitas tendo como anexas páginas do seu livro de notas que ele usava em investigações, escritas sempre quando via algo imperdível que tinha vontade de compartilhar com ela imediatamente – o que era quase todo o tempo e madrugadas inteiras conversando ao telefone. Em algumas noites, ele passava essas madrugadas com o telefone em uma mão e a pedra de brilho esverdeada em outra, sendo esta sempre a última coisa que via antes de dormir. Mas um dia ela voltou da missão – e teve que partir novamente meses depois devido a alguns contratempos no leste da Nação do Fogo. Voltou e depois teve que partir por alguns compromissos diplomáticos na Tribo da Água do Norte e bem, nada foi fácil. Mas um dia ela voltou. Não definitivamente, mas daquela vez foi diferente.

Ele a avistara do navio, ainda parada, tentando vê-lo entre as dezenas de pessoas que circulavam no porto. Aquele porto que havia se tornado tão familiar para os encontros e despedidas dos dois, cheio de beijos apaixonados e abraços apertados. Mas daquela vez não houve nada disso, não a priori.

Havia apenas uma áurea de nervosismo. Korra andou em direção a ele com uma animação contida. Ele apenas ficou paralisado observando ela ir em direção a ele com um vestido branco fechado no colo em um formate de 'v' invertido, com detalhes azulados na ponta, que ia até o joelho, e um coque alto com algumas mechas que caiam pelo pescoço, passando, com uma expressão que era um misto de ansiedade e empolgação, alguns fios para trás da orelha. Ela estava particularmente linda.

Ele não conseguia esboçar alguma reação quando a viu para na sua frente com as bochechas corada cerrando os punhos na frente do peito e arqueando levemente a sobrancelha com uma expressão de incerteza.

Em seu pescoço, destacava-se uma fita azul marinho que circulava seu pescoço, com uma pedra que tinha o símbolo do seu elemento natural incrustado.

— Você? Ah... — perguntou Mako atônico e sem acreditar. Korra assentiu com balançando a cabeça com um sorriso.

Ele a abraçou, a elevando do chão e oscilando para um lado e para outro, provavelmente atrapalhando a passagem de desembarque, mas eles não poderiam se importar menos.

E agora ele ali estava. Impaciente e após ter dado ao menos três voltas no altar. Preparava-se para a quarta, quando sentiu seu estômago afundar ao soar a primeira nota da música de entrada que anunciava a presença da noiva.

A observou dar o primeiro passo com uma timidez e nervosismo que não era típico, quando a viu elevar o olhar e seus olhos se encontraram. Turquesa e Âmbar refletindo um ao outro, e apenas um ao outro. O que havia para ambos era apenas a brisa de outono com música suave ao fundo quando ela foi em direção a ele, e a e felicidade que emanava um do outro.

One step closer

De vestido branco revestido por uma renda suavemente azulada, perfeitamente ajustada até a sua cintura, tornando-se ligeiramente mais rodado a partir desta, trocando passos nervosos, Korra chegou até ele.

Suas mãos se tocaram assim que chegaram ao altar, a de ambos estavam frias, mas ao se enlaçarem sentiram um conforto e um calor de quem sabia que não poderiam estar em lugar mais certo naquele momento. Dizem que casamento, para os noivos, é um modo de dizer para os deuses, familiares, amigos, comunidade e sobretudo um para o outro que acreditam no amor que sentem. Então foi ali, com mãos enlaçadas, sobre o olhar pessoas se amavam naquela cerimônia simples e restrita que eles trocaram seus votos de matrimônio.

Parte dos poucos convidados já tinha partido quando ambos resolveram fugir para o deck de madeira com vista para toda Republic City que se encontrava ornamentado com luzes e velas em seu entorno. O mesmo lugar em que retomaram seu relacionamento.

Mako a abraçava enquanto ela ria pela elaboração da fuga de Raiko, que nem havia sido convidado. Não que Korra fosse muito rancorosa, mas não convidaria alguém que a baniu de Republic City nunca – ênfase no nunca. Sua respiração contra o ouvido dela, as mãos enlaçadas sobre seu corpo sentindo a barriga dela tremer com os espasmos de riso.

— Você deveria ter deixado eu declarar o banimento dele do meu casamento. — reclamou ela.

— Fica para as bodas de papel.

— Nossa, que visão de futuro. — ironizou ela.

— Tudo bem, ouro.

— Diamante.

— Vinhas.

— Ok, você venceu. — cedeu, lembrando-se do trabalho que aquilo deu. —Vinhas são realmente resistentes.

— Resistentes adaptáveis. Chega a ser romântico.

— É. — concordou ela com um suspiro pós inalar a fragrância almíscar exalada por ele. — Então bem vindo ao primeiro dia de conquista de nossas bodas de Vinhas.

Mako então a virou para ele em um ritmo compassado com a música suave que tocava ao fundo. Suas testas se colaram e seus pés mantiveram se movimentando de acordo com a melodia doce, atrapalhando-se algumas vezes na troca de passos. E foi em meio aqueles eventuais descompassos que os dois começaram suas vidas de casados.

I have died every day waiting for you

Darling don't be afraid

I have loved you for a thousand years

I'll love you for a thousand more