E então a maior surpresa veio. 2 meses depois de completarem 6 anos de casamento descobriram que Molly estava grávida. Sherlock Holmes seria pai. Uma criança alegraria o 221B. Os amigos dos Holmes vibraram e se alegraram por eles. John, mesmo de Lawrence, derramou lágrimas de felicidade por seu melhor amigo.

Contudo, a notícia vazou de seu meio familiar. O maior jornal da região destacou um lugar na primeira página para contar ao mundo que Sherlock e Molly Holmes teriam um filho. Estava lá, logo pela manhã, no jornal que Sherlock lia diariamente. Inevitavelmente, ele abriu abruptamente o jornal e passou as páginas rapidamente. Ele leu o artigo inteiro. Resumindo tudo, a ideia principal era "porque Sherlock Holmes insistia numa mentira tão óbvia, inventando um bebê imaginário, buscando comover o público, mas com que objetivo?". Aquilo foi a gota d'água. Ofender alguém que Sherlock amava tanto e nem tinha nascido havia sido o golpe mais cruel. Ele andou de um lado pro outro pela sala, resistindo a vontade de pegar sua arma.

-O que foi que aconteceu? – Molly exigiu – e não me venha com desculpas Sherlock Holmes!

Ele respirou fundo pressionando os lábios. Suas mãos pousaram delicadamente nos ombros dela.

-Molly – ele suspirou de novo – eu li um artigo no Regent Park Post que dizia que... o nosso filho é mais uma farsa. É mais uma das minhas tentativas de comover o público, fazer acharem que eu sou um pai de família exemplar... como se isso fosse algo impossível para Sherlock Holmes.

-Sherlock – ela disse suavemente – já lhe disse pra ignorar, que você deveria se concentrar no que é verdade, em nós.

-Isso me atinge Molly! – ele disse alto, revoltado – eu não queria me importar, queria esquecer, mas isso me atinge profundamente. Falem o que quiser de mim, mas não da minha esposa ou do meu filho que ainda nem nasceu.

Molly observou o rosto de Sherlock com compaixão, sentindo o mesmo que ele. Ela o abraçou apertado, repentinamente.

-Eu sei que é difícil – ela disse com a cabeça encostada em seu peito – isso me deixa muito triste também. Mas não guarde essa tristeza pra você. Me conte quando isso te incomodar porque eu sei quando esconde as coisas de mim. E por favor, se concentro no bebê que está vindo aí, eu preciso de você para cuidar do nosso filho. Fica comigo, Sherlock.

-É injusto o que estão fazendo = ele olhou pra ela – é nessas horas que eu não vejo razão para ter compaixão.

Molly o olhou estranhada e logo depois só suspirou.

-Eu sinto muito – Sherlock se desculpou – sei que alguns merecem compaixão. É que... você é maravilhosa, não merece ouvir tudo isso, não merece ser insultada.

As lágrimas escaparam de seus olhos contra sua vontade.

-Está tudo bem chorar – ela disse lhe dando outro abraço – está tudo bem ser humano Sherlock. Vamos passar por isso juntos.

Ele conseguiu olhar para ela de volta e sorriu, grato por toda bondade que Molly demonstrava quando ele mais precisava.