Na manhã seguinte Molly perguntou à sra. Hudson se havia visto Sherlock na noite passada.

-Eu o vi sair na pressa de sempre – respondeu a senhoria dos Holmes – ele pediu que eu cuidasse de você.

-Ele não disse onde ia? – perguntou Molly sem conter o desespero.

-Não me disse – a sra. Hudson franziu o cenho – o que foi Molly?

-Eu não sei o que há com ele – respondeu a sra. Holmes – mas eu vou.

Ela terminou seu café da manhã disposta a encontrar seu marido. Discou para o número que Sherlock detestava e ela mesma hesitava ligar, mas não deixava de ligar quando mais precisava.

-Anthea? Eu preciso falar com Mycroft – pediu a cunhada do governo britânico em pessoa – é Molly Holmes e é urgente.

-O que houve Molly? – ouviu-se Mycroft do outro lado da linha.

-Acho que Sherlock teve uma recaída – ela respondeu com pesar.

-Eu lembro de você ter mencionado mídias negativas sobre vocês o deixarem abalado – ele respondeu – deve ter acontecido. Ele saiu sem falar nada não é mesmo?

-Sim e não responde minhas ligações – Molly disse.

-Vou mandar alguém atrás dele – Mycroft a respondeu – não saia daí. Vai ficar tudo bem.

O cunhado de Molly desligou depois de um tenso momento de silêncio. Ela não o obedeceria, sabia que o procedimento padrão de Mycroft seria enviar um carro atrás de seu irmão e um estranho o obrigaria a sair e acompanha-lo. Não era de brutalidade que seu marido precisava naquele momento. Molly ficou em casa como seu cunhado havia ordenado, mas não por muito tempo. Quando um carro com o motorista chegou em frente ao 221b da Baker Street, ela obrigou e se esforçou ao máximo que o homem descesse do carro e a deixasse dirigir. Ela tirou vantagem do sobrenome Holmes que usava.

-Não importa o que Mycroft disse eu também sou uma Holmes! – disse ela ao motorista com toda raiva que tinha.

O homem assustado, se viu obrigado a entregar o carro para ela. Molly então dirigiu até onde achava que Sherlock estava. Era triste ver tantos jovens em situações lamentáveis. Ela não o encontrou no lugar de sempre. Então procurou em tantos outros prováveis lugares. Foi assim que Molly passou o dia, até o começo do entardecer.

Então lembrou de um lugar que ainda não tinha pensado. O canto mais isolado de Sherlock. Onde ele ia com a desculpa de desligar-se completamente do mundo para pensar em casos mais difíceis. E ele ia para lá somente de madrugada. Embaixo de Waterloo. Molly reconheceu a figura de seu marido. Ele estava tremendo, seu famoso casaco estava sujo e lhe servia como cobertor. Ele estava mais pálido que no dia anterior. Seu estado era degradante, o que deixava Molly mais preocupada ainda. Ela se aproximou, segurando o rosto dele. Seu cheiro era quase insuportável.

-Sherlock – Molly chamou alto o bastante para que ele ouvisse, mas não havia raiva em sua voz, somente mágoa.

-Você não deveria estar aqui... – ele murmurou de forma que quase não dava para entender.

-Fique quieto – sua esposa pediu – vamos para casa.

Ela o ajudou a se levantar e os dois caminharam cambaleando até o carro. Sherlock pôs sua mente temporariamente danificada para funcionar durante o caminho.