Sherlock percebeu o quanto Molly estava chateada e já esperava receber um grande sermão. Mas ela não dizia nada. Seu silêncio apenas doía. Então eles chegaram parando em frente ao 221B. Sherlock não ousou descer antes que Molly saísse. Ela debruçou-se no volante, respirando pesadamente, pensando no que iria dizer.

-O que é suficiente pra você? – ela se virou para ele, seus olhos estavam vermelhos e magoados – quantas vezes eu disse que se algo o incomodava poderia me contar. Por que fugir? Por que eu não sou suficiente pra que você pare de se preocupar com essas tolices? O que você quer Sherlock? Será que eu e Emily não somos nada, não contribuímos para a sua felicidade? Me responde Sherlock!

O grito que Molly deu na sua última frase o despertou completamente.

-Você é dedicada – ele balbuciou – esforçada, gentil, nobre. Não merece ouvir as lamurias de um homem quebrado que dá mais ouvidos a bobagens que as necessidades de sua esposa e filha. Eu sei que errei Molly, mas você não merece eu lamentando.

-Então era isso? – ela se voltou para ele devagar – ah Sherlock... seis anos de casamento não lhe ensinaram nada? É pra isso que eu estou aqui. Eu fiz uma promessa, que cuidaria de você em todos os dias de sua vida. Ouvir seus problemas, por mais tolos e incômodos que sejam, faz parte dessa promessa. Eu sou sua esposa e você sempre pode contar comigo.

-Perdão Molly – Sherlock soluçou – eu... da mesma forma que você se preocupa comigo, eu acho que estava me preocupando com você. Poupando você. Mas eu só piorei as coisas. Eu sei que vocês são a coisa mais importante da minha vida e eu não quero decepcioná-las nunca mais.

Molly o observou um instante e então o abraçou, aceitando seu pedido de desculpas. Ele chorou e ela chorou por ele. Ficaram assim por um longo tempo.