A guerra bate à porta
Ao chegarem ao escritório, Dumbledore indicou as cadeiras à sua frente para que os visitantes se sentassem. Todos tomaram seus assentos e o diretor foi o primeiro a se pronunciar.
— Então, que assuntos tão urgentes trariam o rei da Floresta das Trevas ao Mundo Bruxo?
— Guerra. – disse Thranduil.
— E contra quem, meu caro? – perguntou Dumbledore, endireitando-se em sua cadeira.
— Neste exato momento – disse o elfo levantando-se de sua cadeira e indo em direção a janela do escritório – há representantes das principais raças e governos de toda a Terra-Média se reunindo para discutir o retorno de um antigo inimigo de Arda; Sauron. – falou, olhando janela a fora. – Este, sendo servo de Morgoth, tem como pretensão dominar tudo e todos! E isso significa a extinção de tudo o que é bom e natural. Já o enfrentamos antes, mas desta vez ele tem fortes aliados... Sauron tem corrompido alguns dos nossos. E há uma ameaça iminente desta guerra ultrapassar nossas fronteiras e chegar a outros mundos. Sabe-se que neste mundo há uma pessoa que já viveu em nossas terras e tem poder suficiente para ir e vir intermundos. E é essa a razão de eu estar aqui... por ela. – concluiu o rei, absorto em seus pensamentos.
— E vossa majestade está sugerindo que a menina poderia ser recrutada por Sauron? – indignou-se Dumbledore. – Pelo que sei, a srta. Quasmer não faz uso de tais habilidades há muito tempo...
— Você falou certo, Dumbledore. Pelo o que você sabe! – retrucou o rei.
Flashback
Naquele instante, adentrava os salões de Erebor uma comitiva de elfos, todos em perfeita sincronia, trajando vestes nobres e rústicas. A leveza de seu andar dava a impressão de que flutuavam elegantemente em direção ao trono do rei Thrór.
O mais alto deles se destacava na frente dos demais, não apenas por estar trajando vestes reais, mas sua nobreza e altivez precedia sua presença. Olhos cinzentos em seu rosto delicadamente fino fitavam cuidadosamente o rosto do rei, seus cabelos prateados, sensíveis a qualquer brisa que passasse, descansavam em seus ombros indo até a metade de suas costas, no topo uma coroa feitas de galhos e folhas de outono adornavam sua cabeça.
Parou a poucos metros do trono e curvou levemente a cabeça em saudação ao rei. O restante dos elfos fizeram uma breve reverência e pararam atrás de Thranduil. O rei da Floresta das Trevas se adiantou e falou em sua voz aveludada:
— Saudações ao Rei Sob a Montanha! Venho em motivações de paz para negociar uma trégua entre nosso povo!
Thrór ladeado por seu filho Thráin e seu neto Thorin respondeu arrogantemente:
— Agora que o reino dos anões se coloca acima do teu, vens negociar...! A descoberta da Pedra Arken legitima meu direito real e divino de governar! É um sinal de Eru! Não és o primeiro e nem serás o último rei a vir implorar por paz!
Thranduil abriu a boca para falar, mas foi interrompido por uma criança que irrompeu correndo e rindo pelo salão com duas anãs aflitas em seu encalço. A criança correu travessamente e se agarrou à barra das vestes do rei elfo se desvencilhando, ainda rindo, das amas-anãs. A mais velha das mulheres parou estarrecida perante os presentes, olhando com desespero para ambos os reis.
Thrór, completamente desconcertado com a repentina cena, falou com sua voz de trovão:
— Melita, leve Naevia até seus aposentos e fique lá com ela até que eu dê a ordem.
— Sim, majestade... – disse a anã. Pegando a menina pela cintura até que desgarrasse da túnica do elfo.
O rei élfico estupefato com a situação olhou com curiosidade e surpresa enquanto a criança era levada pelas amas para fora do salão principal.
/ fim do flashback /
Depois de uma breve pausa, Dumbledore cruzou suas mãos e disse calmamente:
— Bem, posso lhe assegurar que desde que voltou, ela não o fez...Fineus, vá até o dormitório de Naevia e traga-a aqui. Diga que são assuntos urgentes. — concluiu finalmente.
Dito isto, o quadro atrás da mesa do diretor ficou vazio.
