Avisos da Autora. POR FAVOR LEIA:

1) Quero agradecer a todos que comentariam. Eu fiquei muito feliz em saber que vocês gostaram, e isso me inspirou ainda mais para continuar essa fic. Se você está lendo o segundo capítulo, por favor, continue a comentar.

2) Peço desculpas pela demora para postar o segundo capítulo. Eu faço faculdade, e o tempo é curto.

3) Peço desculpas pelos erros de português e de gramatica. É que escrevi grande parte pelo celular.

4) Peço desculpa se o que descrevi do metrô está incorreto, ou se algo de Nova York está errado. Eu nunca andei de metrô, e nunca fui a Nova York, então não sei como são essas experiências.

5) Espero que goste, pois escrevo com o meu coração. Beeeijinhos.

XXXXXXXXXX

Já haviam passado alguns minutos desde que William havia sentado no banco, ele tinha impressão de que estava ali há uma eternidade. O metrô dava pequenas balanceadas enquanto corria, fazendo o seu ombro encostar levemente no ombro de Fátima. Provavelmente ela não sentia, pois ambos estavam com casacos grossos. Ela continuava com o rosto voltado para o livro que lia.

Ele queria puxar assunto, pedir como estava, perguntar sobre o trabalho, e se ainda estava fazendo aulas de dança, apenas queria saber sobre ela, mas tinha receio de fazer isso e a aborrecer, já que aparentemente, estava totalmente absorvida pelo livro.

Bonner tentava observar as outras pessoas que estavam no metrô, como uma tentativa de tirar a sua atenção de Fátima. Havia um senhor dormindo profundamente em um dos bancos em sua frente, ele usava uma touca branca, com calças e casacos pretos, os óculos estavam empoleirados na ponta do nariz, prestes a cair. Ao lado do senhor, estava uma menininha, que insistia em contar alguma história que havia vivenciado na escola hoje, e a mãe apenas balançava a cabeça e tentava se manter atenta a sua filha. Muitas pessoas diferentes estavam dentro daquele metrô, mas os seus olhos sempre repousavam na mulher sentada ao seu lado, isso porque, por mais que já haviam se passado seis anos desde que tinham se separado, ela continuava a ser a mulher mais interessante que ele já conhecerá.

Seus olhos caíram sobre o livro em que ela tinha nas mãos, ele inclinou a cabeça um pouco mais para frente, tentava ler algumas palavras. Ela sempre gostou de ler, livros na cabeceira da cama era um item que não podia faltar em hipótese alguma. Lembrou-se dos momentos em que ia se deitar, e lá estava ela, estendida sobre a cama, com um pijama frouxo e com um livro nas mãos. Muitas vezes, ele se deitava ao lado dela em silêncio e lia juntamente (as únicas palavras que podiam ser ouvidas no quarto era quando ela perguntava se poderia virar a página), assim como ele estava fazendo agora.

Estava terminando de ler uma frase no livro, quando subitamente Fátima o fechou. Imediatamente William endireitou a cabeça e olhou para frente, com a intenção de não ser pego em flagrante pela morena. Havia um senhor (aquele que estava dormindo anteriormente), que pelo visto, estava observando os dois, pois, quando ele viu que William estava disfarçando, o senhor balançou a cabeça negativamente, e em seguida revirou os olhos.

William levou a sua mão até a parte de trás da cabeça e a coçou, ergueu as sobrancelhas e com olhos anunciou um pedido de desculpas para o senhor. Essa atitude de ser "pego" o deixou envergonhado e também o fez sentir como um completo imbecil.

"Então, como está sendo as suas férias?" ele escutou Fátima perguntar. Virou seu rosto para o lado esquerdo, para encontrar a dona da voz.

Lá estava ela, com aqueles olhos pretos sortidos com tons acastanhados, olhando atentando para ele. A quanto tempo ele não via aquele olhar tão profundo? Deus! Ele nem poderia dizer. As bochechas dela estavam completamente rosadas, assim como a ponta do nariz, certamente o vento de Nova York havia feito isso em sua pele branquinha, dispensando qualquer uso de blush. A maquiagem era pouquíssima em seu rosto, algumas marcas de expressão eram visíveis e isso a tonou ainda mais bela. Ah! e ela tinha aquele sorriso nos lábios! Aquele mesmo, tortinho! Era esse sorriso "torto" pelo qual ele havia se apaixonado, desde quando a viu pela primeira vez na televisão.

"Minhas férias estão sendo boas" Isso foi tudo o que ele conseguiu pronunciar. William queria falar mais, mas qualquer assunto havia fugido de sua mente, e ele apenas queria se bater por isso.

"Humm, que bom!" Fátima balançou a sua cabeça positivamente, e voltou a sua atenção para o banco da frente. Ela observou a menininha que conversava com sua mãe sem parar, e sorriu. Amava crianças, adorava ver a interação que os pequeninos tinham com o mundo. Isso é algo que ela tem desde a adolescência, o dom para lidar com crianças.

Ficou alguns segundos observando a menina, quando lançou outra pergunta para William "Então... o que você tem feito aqui?" Quando as palavras saíram de sua boca, Fátima se deu conta de quão invasivas elas eram. Fechou os seus olhos, os espremendo um pouco, enquanto a sua boca cerrou-se firmemente. O seu corpo estava apenas demonstrando o súbito arrependimento que a tinha pegado. "Que pergunta estúpida! Não é da minha conta o que ele está fazendo aqui", pensou. As palavras mal tinham saído de sua boca, e os seus pensamentos já estavam começando a tortura-la.

"Bem, estou aqui há três dias, e como você sabe, não sou muito organizado com minhas programações, então ainda estou começando a me organizar" Fátima ergueu as sobrancelhas e balançou positivamente a cabeça. Ela se lembrava muito bem da desorganização dele. Quando eram casados, as organizações das programações sempre ficavam por sua responsabilidade.

"Eu assisti há alguns teatros" continuou William "Visitei alguns museus e uns memoriais, e agora eu estou voltando de uma feira de comidas"

"Uma feira de comidas? Isso parece ser bem legal" Algo brilhou no rosto de Fátima, mas desapareceu antes que ele pudesse reconhecer ou decifrar.

"Sim, é bem legal" Ele balançou a cabeça positivamente "A feira começou hoje e acabará daqui a dois dias. Fica em uma das ruas de Downtown" Vagamente cruzou os braços sobre o peito "Eu acho que você iria gostar. Traz comidas diferentes e de todos os países. Tem uma barraca de comidas Itália que faz o melhor Gnocchi que eu já comi em toda a minha vida!"

Lembrou-se como Fátima gostava de experimentar novas comidas. Sempre que iam viajar e escolhiam algum restaurante para comer, William pedia pratos dos quais já havia degustado, enquanto Fátima optava por pratos que eram inusitados ao seu paladar. Nem sempre ela tinha sucesso na busca de novos sabores, e quando isso acontecia, William dividia a sua refeição com ela.

"Eu amo Gnocchi... Talvez eu deva colocar essa feira de comidas na minha lista de programações" disse ela em um agradável tom aveludado.

"Você certamente não irá se arrepender" Ele simplesmente disse.

Um sorriso puxou os cantos da boca de Fátima, e um pequeno som de concordância pode-se ser escutado. William começou a balançar um pouco a sua perna, pois ambos haviam caído no silencio novamente. Ele mexeu-se desconfortavelmente no banco.

"E você, o que tem feito por aqui?" Perguntou William, após alguns segundos de silencio.

"Eu cheguei hoje de manhã, então eu não fiz nada. Quero dizer.." Ela disse rapidamente, enquanto pegava a sua luva e colocava na mão que estava sem, para que antes ela pudesse virar as páginas do livro "Eu fui agora a tarde assistir um espetáculo de dança, e em seguida passei em uma livraria"

William a observou atentamente, assim que ela terminou de falar, ele abriu a sua boca para começar uma nova frase, porem, o metro parou no mesmo momento e ele foi interrompido pela Fátima.

"É aqui que eu desço" Disse Fátima, enquanto se colocava de pé.

Ele observou para fora do metrô e percebeu que esta também era a plataforma em que descia. Enquanto ele não estava falando com Fátima o tempo parecia uma eternidade, mas agora, que os dois tinham iniciado uma conversa, o tempo passou tão rápido que ele estava surpreso de que já haviam chegado.

"Eu também desço aqui" Disse ele, e colocou-se de pé.

Fátima arregalou os olhos, surpresa, mas assentiu com a cabeça e começou a caminhar para fora do metrô. Grande parte das pessoas estava descendo, incluindo o senhor e a mãe com a menininha que estavam sentados à frente deles.

A morena saiu de dentro do metrô e logo atrás saiu William. Um vento gelado e cortante, típico de Nova York, soprou, fazendo com que Fátima envolve-se os braços ao redor do seu corpo. Ela virou-se, para ficar de frente para William.

"O meu hotel fica para esse lado" Ela desenrolou um dos seus braços que estavam grudados ao seu corpo e apontou com o dedo para frente.

"O meu hotel fica para esse lado" William apontou para direção contrária do que ela. Por um momento, ele pensou que talvez os dois poderiam estar hospedados no mesmo hotel, mas isso seria coincidência demais, somente se eles estivessem em um filme isso iria acontecer.

"Então... foi bom te ver, William" Bernardes exibiu um sorriso aveludado, igual a sua voz "Aproveite suas férias"

"Okay..." Ele respondeu lentamente. Estava sem reação, os dois mal haviam se encontrado e já estavam se desencontrando "Foi bom te ver também. E aproveite as suas férias também!"

Antes mesmo que ele terminasse de falar ela já havia começado a caminhar. Ele pode ouvir ela sussurrando algo que afirmava que iria aproveitar as suas férias. Soltou um suspiro profundou, e começou a dar os passos para ir ao seu hotel.

Ele não sabia dizer o que estava sentindo. Quando pensou em começar a perguntar a ela como estavam as coisas, o metrô chegou na plataforma. Não é como se ele não tivesse nenhuma notícia dela durante esses seis anos, ele tinha. Mas essas notícias vinham apenas dos seus filhos, que soltavam pequenas informações sobre ela. Outras, vinham da televisão, quando ele tinha a sorte de ligar em um programa na qual ela estava dando uma entrevista. Às vezes, secretamente, ele assistia o programa dela enquanto estava na sala de redação, na qual ele podia colher curtas informações. Mas ele queria ouvir dela, da boca dela, que ela estava bem. Ele queria conversar com ela, como amigo. Afinal, já haviam se passado seis anos, as feridas já haviam curado, certo?

Imediatamente, William parou a sua caminhada e virou-se para a direção em que Fátima tinha ido embora. Ele avistou-a, ela andava calmamente, não estava muito longe. Começou a caminhar rapidamente em direção a ela. "Fátima! Fátima!"

A jornalista escutou a voz grave do seu ex marido chamando pelo seu nome, imediatamente ela parou e virou-se na direção em que vinha a voz. Ele estava apenas a alguns passos de distância dela. Franziu instantaneamente a sua testa. Será que ela havia deixado cair alguma coisa, e ele encontrou? O observou aproximar-se dela.

"Eu estava aqui pensando... " Ele respirava pesadamente "Talvez, se você quiser, amanhã podemos ir juntos na feira de comidas, em Downtown. Eu estava pensando em voltar lá para comer de novo o Gnocchi"

Ela ficou em silencio por alguns segundos, ela estava pensando e ele quase podia ver as maquinas em sua cabeça funcionando. William sentiu-se ansioso, o seu coração estava começando a ficar mais acelerado, quando ela finalmente respondeu.

"Okay, tudo bem por mim" Exibiu um sorriso terno, e retirou o celular que estava no bolso do casaco "Eu vou te passar o meu número de celular, e aí você me chama no Whatsapp para combinarmos o horário. Pode ser?"

Ele balançou a cabeça em concordância, e imediatamente retirou o celular do bolso. Os dois trocaram os números de celular e em seguida Fátima se despediu, com apenas um ''tchau'' e seguiu o caminho para o seu hotel. Enquanto William, ficou parado no mesmo lugar, observando-a andar, até que desapareceu de sua vista.