P.O.V EDWARD
"P.Q.P." É o que penso ao me dar conta do que acabei de fazer. Eu simplesmente beijei sua bochecha.
— É um prazer revê-lo também, Edward. – escutar Bella dizendo meu nome me encheu completamente de excitação. Algo que nunca aconteceu.
Bella se virou novamente em direção aos meus pais e Alice.
— Vou à adega... Volto já! – Então ela se afastou.
— O que foi isso, cabeção? – Olhei para Alice e ela estava com as mãos na cintura e me encarando com o cenho franzindo.
— Isso o quê? – Pergunto ao me aproximar de onde Esme e Carlisle já estavam sentados.
— "Isabella, é um prazer revê-la." – Falou com uma imitação grotesca da minha voz. – Desde quando você chama a Bella de Isabella?
Senti meu rosto esquentar ao escutar sua observação.
— Desde agora, oras! – Desconversei ao me sentar ao lado de Carlisle.
Meus pais, pela primeira vez, não interromperam nossa "discussão".
— E aquele beijo no rosto? – Ela não desistiu. – Você nunca fez isso. Nem quando conheceu a sua queridíssima ex-namorada. – Ela fez uma cara de asco ao pensar em Lauren.
— Foi apenas um beijo no rosto, Alice. – Bufei irritado.
— Claro! Vou fingir que acredito. – Ela revirou os olhos em descaso.
Fingi que nem a escutei.
Ignorando-a, olhei ao redor reparando que a combinação de vermelho e dourado, junto ao marrom da madeira do qual o estabelecimento era construindo, dava um ar charmoso e aconchegante.
— Boa noite! – Uma voz tirou-me da minha avaliação.
— Boa noite! – Respondemos todos juntos.
Um garçom estava atrás da única cadeira vazia de nossa mesa, cadeira essa que estava entre Alice e eu.
— Eu vou ser o garçom de vocês essa noite. – Disse ao entregar um cardápio para cada um de nós, deixando um em frente à cadeira vazia (o que achei bem estranho). – Senhorita Swan irá trazer o vinho de vocês. Em alguns minutos volto para anotar seus pedidos. – Meu corpo gelou ao saber que Bella voltaria em alguns minutos.
— Obrigado. – Carlisle agradeceu.
A minha reação a presença de Bella era ridícula. Como se fosse possível aquele mulherão olhar para um adolescente.
Abri o cardápio para ter pra onde olhar, em vez de olhar como um completo idiota para ela. Ele era dividido por país. Muito bem organizado.
— Desculpem a demora. – Escutei a voz de Bella ao meu lado esquerdo. Fiz uma força tremenda para não olhar para ela. Estava sem coragem depois da minha atitude.
Escutei a cadeira arrastar em um som bem suave. No momento em que ela se moveu para sentar-se, um aroma delicioso chegou ao meu nariz. Um cheiro de flores... Bem suave.
Seu perfume me fez pensar como seria sentir seu cheiro direto da fonte. Seu corpo, seu pescoço, sua pele branca extremamente macia... Pelo que pude provar. Esse pensamento, inadequado para o lugar, fez com que meus hormônios fervessem e uma reação totalmente normal, mas inoportuna, acontecesse.
Minha calça ficou apertada.
"Graça aos deuses eu estou sentando."
— Então, já sabem o que vão querer? – Bella quis saber.
— Estou completamente em dúvida... Entre comida mexicana ou brasileira. – Quem respondeu primeiro foi Esme.
— Na verdade eu também estou em dúvida sobre as duas culinárias. – Olhei para Carlisle, que estava a minha direita, e o vi encarando o cardápio com a testa franzida.
— Eu também. – Foi tudo o que Alice respondeu, porém para ela eu não tinha coragem de olhar.
Voltei a fingir que estava analisando as minhas opções no cardápio. Quando senti um olhar em cima de mim.
— E você, Edward? Já decidiu? – Olhei para a Bella, por puro reflexo, quando a escutei falar comigo. Ela estava com um sorriso doce nos lábios, onde momentaneamente deixei os meus olhos.
— O que você me sugere? – Perguntei com um pequeno sorriso que não consegui evitar.
Ela mordeu os lábios e deglutiu rapidamente, como se estivesse desconfortável.
— Eu sugiro para você, e para todos vocês... – Ela se virou para olhar a minha família. – A culinária brasileira. – Fui libertado da sua "prisão" assim que ela desviou o olhar.
"Por que eu senti esse frio na barriga quando ela falou comigo, de novo?"
— Muito bem... Vou ficar com a brasileira. O que você nos sugere? – Perguntou Carlisle.
— Hmm... – A escutei dizer. Com mais coragem do que minutos atrás, eu levantei os meus olhos para olhar para Bella. Ela estava concentrada olhando para o cardápio... Eu me perguntei o porquê disso, afinal ela era dona do lugar, devia saber quais pratos estavam servindo. — Como entrada eu sugiro uma porção média de caldeirada de frutos do mar. E como prato principal, peixe assado sem espinha, que vem acompanhado de arroz, vinagrete e farofa. – Ela olhou para todos quando terminou de ler o cardápio. Quando seus olhos bateram nos meus, ela deu um sorriso. Senti minha barriga tremer de novo.
— Ótima sugestão! – Alguém, que eu não consegui identificar, disse.
— Todos vão querer o mesmo? – Ela perguntou.
— Sim. – Todos respondem. Exceto eu. Porque ainda estou pensando nessa nova mania da minha barriga.
— Edward? – Escutei-a me chamar. Olhei para ela, ainda distraído. – Você vai querer o mesmo? – Ela esticou sua mão e a colocou em cima da minha que estava descansando na mesa. Um choque percorreu o meu braço, indo direto para a minha virilha.
— Sim... Sim... Ótima sugestão! – É tudo o que eu consegui dizer ao passar a mão livre nos cabelos.
— Ok. – Ela tirou sua mão da minha, o que eu sinceramente eu não queria. – Vou pedir o mesmo para mim. – Ela olhou ao redor, acredito que procurando o garçom. Ele se aproximou e ela fez nossos pedidos.
Olhei ao redor da mesa, preocupado se alguém tinha visto sua mão em cima da minha... Mesmo não entendendo o porquê da minha preocupação.
Felizmente meus pais e Alice estavam em uma conversa animada, sobre os pratos típicos brasileiros... O que me deixou muito aliviado.
Bella se envolveu na conversa enquanto esperávamos o retorno do garçom, já com nossos pedidos.
Olhei para ela pelo canto dos olhos. Com a cabeça baixa.
Bella tinha um perfil lindo, daquele ângulo dava para notar que seu lábio inferior era um pouco maior que o superior. Seu nariz era arrebitado e pequeno. Seus cílios eram curvados para cima, em um perfeito C.
Sua pele era branca e macia como seda.
Enquanto a olhava descaradamente, mesmo que de maneira disfarçada, ela sorriu e colocou atrás da orelha um fio de cabelo que havia se desprendido. Esse pequeno gesto a deixou ainda mais linda... Fez-me querer esticar os braços e eu mesmo colocar aquele fio rebelde no lugar.
Apertei os punhos, que estavam em meu colo para cobrir a minha mais que evidente ereção – culpe os meus hormônios adolescentes, para impedir que meus braços se movessem.
Fui despertado da minha análise minuciosa de Bella pelo meu celular vibrando.
Ao pegar o aparelho, vi que era outra mensagem de Lauren... Resolvi ver o que tinha nas mensagens.
"Ed, estou com saudades." Essa era a primeira mensagem dela, a que chegou na hora que eu estava entrando no restaurante.
"Como você pode desistir de algo tão perfeito quanto o nosso namoro? Se lembre dos momentos mágicos que vivemos." Revirei os olhos ao ler essa última mensagem.
Continuei olhando para o celular, decidindo se respondia a mensagem para dizer pela segunda vez que não queria mais nada com ela.
Quando decidi que o melhor era ignorar, senti uma respiração perto da minha orelha. Um calor subiu novamente por todo o meu corpo.
— Mensagem da namorada? – Escutei Bella perguntar muito próxima de mim. Encarando-me com muita curiosidade.
Levantei a cabeça e olhei para ela com a testa franzida, estranhando essa aproximação, mas claro que não achando nem um pouco ruim. Olhei em volta mais uma vez, observando os meus pais e Alice... Ela era a única que estava de olho em Bella e eu.
Constrangido pelo flagra, abaixei a cabeça e respondi baixinho:
— Ex. – É a única palavra que saiu da minha boca.
— Hmmm... – Foi tudo o que ela respondeu antes de se afastar.
O resto do jantar passou em muitas conversas, principalmente entre minha família e Bella... Sobre sua viagem. Sobre o que ela mais gostou nas culturas diferentes que conheceu. Suas comidas favoritas de cada país.
Eu fiquei mais na minha, apenas escutando. E conhecendo um pouco mais dela.
[...]
— Tchau Bella... Boa noite! – Alice abraçou Bella bem apertado, pelo que pude notar. – Venha na nossa casa de novo. Será um prazer.
Todos nos encontrávamos na porta do restaurante, nos despedindo de Bella.
Esme e Carlisle deram um beijo em sua bochecha, uma boa noite e agradeceram ao convite. E como sempre, Alice foi a mais extravagante. Ao abraçar Bella, quase a partiu em dois.
— Boa noite, Alice! – Bella sorriu para ela. – Pode deixar que eu irei sim na sua casa. Passa-me o seu número, que assim fica mais fácil da gente se comunicar. – Alice esticou seu celular para Bella e esta fez o mesmo. Eu senti a coceira da inveja naquele momento.
Depois da troca de números, Bella se virou em minha direção, com aqueles olhos incríveis e um sorriso lindo em sua boca. Por um momento apenas fiquei parado, como um completo idiota... Antes de me tocar que eu era o único que ainda não havia se despedido dela.
Acordando do meu transe, andei em sua direção... Suando frio, devo acrescentar.
"Você é um babaca completo Edward! Ficar nervoso desse jeito, como se nunca tivesse falado com uma mulher."
— Boa noite, Bella! – Estiquei minha mão para ela e quando Bella colocou a sua na minha, senti uma corrente elétrica subir pelo meu braço. – Obrigado pelo convite, foi uma ótima noite. – Dei um passo em sua direção e abaixei um pouco meu tronco para poder beijar o seu rosto.
Quando meus lábios tocaram em sua bochecha, senti meu corpo todo esquentar. O meu coração começou a produzir um som em meus ouvidos, que se assemelhava a uma marcha. Meus lábios esquentaram.
Eu senti tudo isso em apenas alguns segundos.
Quando levantei meu corpo e dei um passo para trás, vi sua bochecha um pouco corada.
Aquilo a deixava ainda mais linda.
Encarei-a enquanto ela mordeu seus lábios... E depois sua boca se converteu, novamente, em um sorriso.
— Boa noite Edward. Apareça mais vezes também. – Seu rosto voltou à cor normal. – Sim, realmente foi uma noite agradável.
— Vou aparecer! – Sorri para ela. – Tchau. – Me despedi e virei para ir embora.
— Tchau.
Procurei meus pais e encontrei-os a alguns metros conversando com um casal de conhecidos.
— Disfarça um pouco, Edward. – Escutei Alice que estava ao meu lado.
— Disfarçar o que, baixinha? – Ela me fuzilou com os olhos.
— Você só falta comer a Bella com os olhos.
— Não viaja, Alice! – Desconversei.
— Claro... Claro... – Ela ignorou totalmente a minha resposta.
[...]
Quando chegamos em nossa casa, fui direto para o meu quarto. Entrei nele e passei a chave na porta. Vai que uma anã resolve invadi-lo.
Tirei minha roupa e fui direto para o banheiro... Tomei um banho rápido, vesti uma calça de moletom e um suéter azul. Joguei-me na cama assim que estava vestido.
Liguei a televisão, porém não consegui prestar atenção no que estava passando. Deixei em um volume baixo. Fiquei deitado olhando para o teto.
Pensando naquele encontro com Bella. E me perguntando o porquê estava tendo aqueles estranhos sentimentos.
Não consegui chegar a nenhuma conclusão.
Cai no sono pensando no jantar e em seu cheiro de flores.
[...]
Acordei de repente e um pouco suado, com um desconforto entre as pernas. Olhei para baixo apenas para confirmar de onde vinha o desconforto.
Eu estava duro depois de ter um sonho, pra lá de quente, com Bella.
Isso nunca mais tinha acontecido, entretanto eu tinha a sensação de que aquilo ia acontecer muito frequentemente.
Tirei o lençol de cima de mim, e movido por todos os hormônios adolescentes, enfio a minha mão dentro da calça de moletom para encontrar o meu próprio alivio.
Movi minha mão de cima a baixo, na minha dura ereção. Gozei, gemendo baixo, pensando no sonho quente que tive com Bella.
[...]
Já haviam se passado duas semanas desde o jantar no restaurante de Bella. E como eu imaginava, depois daquele dia, meus sonhos se tornaram muito, muito quentes. Eu já havia me acostumado a acordar durante a madrugada sustentando uma ereção dolorosa.
O que me surpreendeu, no entanto, é que aquilo não me impedia de acordar durante a manhã também sustentando a habitual ereção matinal. Estou me sentindo de volta aos meus doze e treze anos, quando ter ereções era tão normal quanto respirar.
Felizmente, ou infelizmente, eu não sei dizer, desde aquela noite eu não tinha visto Bella novamente.
O que não significa, é claro, que eu não tenha ouvido falar dela. Ela parecia ser o assunto preferido de Alice e meus pais.
Normalmente eu tento ignorar esses assuntos, mas um havia me chamado totalmente a atenção, porque quando eu ouvi Bella + tatuagem, juntos, foi difícil me manter indiferente.
Em uma tarde livre de Esme, eu a encontrei com Alice em uma conversa entusiasmada.
— A senhora tinha que ver, mãe... Ela é linda! Simples, delicada e discreta. – Estava indo em direção à cozinha para pegar um pedaço de bolo quando escutei a voz suplicante da Alice. – Eu prometo que faço uma desse jeito também. Eu não quero nada extravagante.
— Ai Alice... Eu não sei. – Pelo tom de Esme, Alice estava pedindo algo. Nada surpreendente, Alice sempre estava pedindo alguma coisa.
— Se a Bella mostrar a tatuagem dela, a senhora promete pensar no assunto? – Essa frase me fez erguer a cabeça.
Mil imagens dominaram a minha mente. Bella nua com uma tribal na lateral do corpo, debaixo do peito até a curva do quadril. Bella nua, em cima da minha cama, com uma tatuagem em forma de um coração na virilha. Bella nua, no meu chuveiro de costas para mim, com uma tatuagem um pouco a cima da sua bunda (que devia ser espetacular) na forma do símbolo do infinito.
Corri da cozinha antes que elas pudessem ver a minha ereção nada discreta.
Se meus sonhos já estavam pra lá de quente, depois desse dia, eles pioraram.
[...]
Eu estava no meu quarto, deitado na minha cama e olhando para o teto repleto de estrelas e planetas que brilhavam no escuro, fazendo o que mais fazia ultimamente... Pensar em Bella.
Pensando em como seria muito foda se ela não me enxergasse como o garoto de dezessete anos que eu era, e nem como o garotinho de 10 anos com quem ela brincava e que, por pura inocência, pediu-a em casamento.
Durante os primeiros dias, eu pensei que meus sonhos eróticos eram frutos de um tesão reprimido... Hormônio adolescente. Mas, me peguei pensando em momentos que poderíamos ter... Como por exemplo: um show de uma banda bem legal, ela em pé na minha frente de costas para mim, com meus braços ao seu redor; ou nós dois deitados na clareira mais incrível que eu havia encontrado a uns dois quilômetros de casa, coberta de flores das mais diversas cores. Ela sorrindo do para mim, eu passando meus dedos delicadamente em seu rosto macio; beijos e muitos beijos entre nós dois; Ela no meu quarto, enquanto assistíamos a um filme completamente idiota, e depois caíamos no sono, dormindo agarradinhos. É claro que também imaginava uns momentos em que nós dois estávamos completamente sem roupa.
Esses pensamentos me faziam suspirar feito um completo idiota.
Mesmo achando que aquilo pudesse ser difícil de acontecer, eu ficava bolando planos de torná-los realidade.
Fui despertado do meu momento gay por uma batida em minha porta.
— Pode entrar. – Respondi a pessoa que estava batendo.
— Oi irmãozinho! – Alice enfiou apenas a cabeça para dentro do meu quarto. O que me fez revirar os olhos.
— Não seja sem noção, Alice. Se eu falei que podia entrar, significa que não estou nu. – Depois de tanto brigar com ela, Alice finalmente aprendeu a esperar eu a deixar entrar no quarto quando ela batia na porta.
Quando entrou ela, foi em direção da minha escrivaninha e sentou na cadeira. Mas como a curiosidade dela era grande, simplesmente me ignorou e começou a revirar os livros que tinha em cima móvel.
— Edward... Você lê romance? – Ela se virou na minha direção levantando a capa de um livro para mim. Senti meu rosto esquentar, quando corei feito uma garotinha.
Pulei da cama como um louco e tomei o livro da mão dela.
— Deixa de ser enxerida, Alice. – Respondi bravo e com vergonha.
— Que seja! – Ela abanou a mão com descaso.
— Fala logo o que você quer ou sai do meu quarto. – Olhei feio para ela.
— Ishi... Já vi que está de mal humor. – Ela debochou de mim.
— Fora, Alice! – Apontei em direção da porta.
— Ok... Ok... – Ela revirou os olhos. – Eu vim te convidar para algo. – Isso é tudo o que ela disse. Eu solto o ar já impaciente.
— Para o que, Alice?
— Eu vou para um show em Port Angeles com o pessoal da escola, de uma banda cover de rock bem legal... Pelo menos é o que dizem. – Ela olhou para cima da minha mesa, puxou um papel e uma caneta e começou a rabiscar nele. – Você quer ir?
— Não sei, Alice. – Cocei o pescoço indeciso.
— Ah... Vamos! Vai ser legal! – Ela insistiu.
— Desde quando você faz questão da minha presença em uma saída sua, principalmente com amigas da sua escola? – Levantei a sobrancelha para ela.
Ela fez uma careta.
- Ok... Ok... – Ela revirou os olhos de novo. – Nossa mãe só vai me deixar ir se você for também, pois o show vai acabar um pouco tarde. Parece que ela não acredita muito no meu senso de responsabilidade. – A indignação ficou bem evidente na voz dela. – Até parece que eu vou fazer alguma besteira.
Avaliei um pouco a situação e cheguei à conclusão que precisava mesmo de uma distração. E não seria tão chato assistir um show de rock.
— Ok Alice... Eu vou com vocês. – Disse por fim.
— Ahhh... Muito obrigada, Dudu. – Ela gritou animada e pulou em cima de mim, me chamando do mesmo jeito que chamava quando era mais nova.
— De nada, baixinha. – Retribui o abraço e beijei sua testa. – Afinal, quando vai ser esse show? – Perguntei ao me afastar dela.
— Sábado. – Ela me respondeu. – Não se preocupe com os ingressos, a Bia vai por lá essa semana e vai aproveitar para comprar os ingressos de todo mundo.
—Quem é que vai? – Perguntei curioso.
— A Beatriz e o resto dos meus amigos da escola... O Seth vai também.
— Não sabia que era assim tão amiga do Seth.
— Oras... Eu sou! Assim como o resto do pessoal de La Push. – Ela me respondeu com desdém. – Já tive até uma tarde de cinema com a Leah.
— Ok... Alice. Perdoe-me.
— Tudo bem. – Ela se levantou e beijou o meu rosto. – Obrigada, Edward. – E saiu do meu quarto.
Suspirei. Caminhei para guardar o livro no meu closet e voltei a me deitar para contemplar o teto.
[...]
— Tchau, mãe! – Alice abraçou a nossa mãe e a beijou no rosto.
— Tchau, filha... Divirta-se e tenha juízo. – Ela beijou a testa de Alice.
Estávamos na porta de casa nos despedindo de nossos pais para ir ao tal show cover de rock.
— Ah mãe... Por favor! A senhora sabe que eu me comporto. – Ela chiou, enquanto caminhava na direção de nosso pai. Enquanto isso, Esme veio em minha direção.
— Divirta-se você também, filho... E fica de olho nela. – Ela me beijou no rosto e me abraçou.
— Pode deixar, mãe. Alice sempre se comporta... Ela é só extravagante mesmo. – Sorri para ela.
— Eu sei... Eu sei... Eu exagero. – Ela sorriu para mim. – Apenas me preocupo demais.
— Ok... Vamos indo, então. – Alice me puxou antes que eu chegasse perto de Carlisle.
[...]
Nossa viagem de carro foi consumida pela voz de Alice. Quando eu pensava que ela havia terminado o que tinha para dizer, ela surgia com um novo assunto. O único momento em que contribui para a conversa, foi quando ela começou a falar de beisebol. Eu acabei influenciando Alice quanto ao esporte.
Finalmente chegamos à casa de show e encontramos os amigos de Alice perto da entrada. Sou surpreendido pela presença de uma pessoa que não imaginava que também iria.
Alice saiu entusiasmada do meu carro, antes que eu terminasse de desligá-lo direito, correndo na direção deles.
— Bella! – Escutei ela gritar. – Que bom que você veio! – Fiquei surpreso quando a vi se jogando em cima de Bella. Eu não imaginava que elas tinham formado uma amizade assim tão intima.
Sai do carro e fui na direção delas. Mesmo que eu me sentisse intimidado pela presença de Bella (principalmente por causa dos sonhos nada inocentes), a minha surpresa por ela estar ali, fez com que eu não conseguisse disfarçar o sorriso que surgiu em minha boca.
Sendo assim, quando parei ao lado delas, um sorriso discreto encontrava-se em meu rosto.
— Boa noite, Edward. – Ela sorriu para mim e me surpreendeu mais uma vez ao se aproximar de mim e dar um beijo em meu rosto. – É ótimo vê-lo novamente. – Minha mão direita automaticamente vai para a sua cintura, a puxando para mais perto inconscientemente.
— Boa noite, Bella. – Retribui o beijo, porém ao notar que estávamos muito perto, afastei-me rapidamente. – É ótimo mesmo.
— Rum-rum. – Alice me tirou do meu torpor ao coçar a garganta para chamar nossa atenção. Senti meu rosto esquentar ao me dar conta que ela presenciou toda a cena. – Vamos... O pessoal já foi para a entrada. – Nem tinha reparado que eles tinham se afastando de onde estávamos.
— Claro, Alice. – Bella foi quem respondeu. Eu apenas balancei a cabeça.
Seguimos em direção à entrada. Alice um pouco mais a frente agoniada do jeito que ela era. Bella e eu caminhamos um pouco mais devagar lado a lado.
— Confesso que estou surpreso por encontrar você aqui. Alice não me disse que você também viria. – Iniciei uma conversa para distrair os pensamentos libidinosos que queriam dominar a minha mente.
— Eu acredito que tenha sido por eu não ter confirmado que viria. – Nossas mãos, de uma maneira bem clichê, se tocaram enquanto andávamos. – Eu precisava resolver algumas pendências do restaurante.
— Hmmm. – Eu me senti um idiota por dizer apenas isso. Quando eu estava ao seu lado, não conseguia ser muito criativo para puxar assunto.
Alcançamos Alice e seus amigos.
— Pessoal, quero que vocês conheçam a Isabella, mas podem chama-la de Bella. – Alice fez as apresentações.
— Olá pessoal! – Todos riam.
— Oi Bella, eu sou Seth. – Ele abriu o seu sorriso brincalhão para ela e ainda teve a cara de pau de lhe dar uma piscadela. – Sou amigo da Alice e do Edward de La Push.
— Oi Seth. – ela sorriu docemente para ele. – Prazer em conhecê-lo.
— Olá Bella... Chamo-me Jasper. – Olhei de cara feia para ele, não podia evitar, ao me lembrar em como ele comia Alice com os olhos na escola. Eu já perguntei para ela se eles tinham alguma coisa, mas ela negava. – É um prazer conhecê-la.
— Hey, Jasper... O prazer é meu! – Ela foi cordial demais para o meu gosto.
Outro se aproximou para se apresentar pessoalmente. Uma vontade animalesca de puxá-la pela cintura se apossou do meu corpo. Fechei as mãos em punho para evitar concretizar o meu desejo.
— Olá Bella! Seu nome faz jus a você! – Brian, o mais babaca de todos os amigos de escola da Alice. Ele abriu um sorriso idiota, o deixando ainda mais babaca, por se achar o tal. – Essa noite acabou de ficar ainda melhor. – Se enxerga idiota, ela não vai querer nada com um adolescente punheteiro como você.
A ironia desse pensamento me deixou deprimido, ao me lembrar de que eu também era um adolescente punheteiro.
— Oi Brian. – ela sorriu para ele de forma mais contida. O que melhorou o meu humor.
As apresentações seguiram, porém finalmente chegou ao fim e às oito horas o tão falado show começou.
Para a minha alegria e tensão, Bella permaneceu ao meu lado. Alice e seus amigos estavam a nossa frente e, vez ou outra, Brian se aproximava para tentar puxar assunto com Bella, entretanto, com a falta de abertura dela, ele finalmente desistiu. Cada vez que ele se aproximava, eu sentia uma vontade louca de socar a cara dele.
Eu tentei prestar atenção na banda, porém meus olhos, de maneira discreta, estavam voltados para Bella.
Ela se encontrava com o sorriso mais magnífico de todos. Sua cabeça balançava conforme o ritmo da musica e algumas vezes ela levantava os braços no ar e gritava. Outras vezes ela pulava. Ou então apenas se balançava de um lado a outro só curtindo a música.
Quando a banda tocou uma musica mais lenta, ela jogou de novo os braços para cima, ergueu a cabeça e fechou os olhos, mantendo aquele sorriso perfeito em sua boca também perfeita.
A imagem era tão espetacular que esqueci a discrição e passei a encará-la descaradamente, com um sorriso besta nos lábios. Fiquei olhando-a por vários minutos.
Provavelmente por se sentir observada, ela abriu os olhos repentinamente me pegando a comendo com os meus. A surpresa me fez desviar o olho repentinamente, totalmente constrangido.
Olhei para o palco fingindo que estava prestando atenção no show, quando senti ela se aproximar de mim. Sua mão direita tocou meu peito e seus lábios chegaram perto da minha orelha. Devido à aproximação não consegui olhar para ela.
— Edward, eu estou com sede... Vou ao bar pegar uma bebida. – Ela falou um pouco alto devido a música no ambiente. – Você deseja algo também?
— Me deu vontade de tomar algo. – Olhei de canto para ela. Seu idiota, aja como homem. Repreendo-me.
— Ok... Volto já. – Sua mão saiu do meu peito ao se afastar, mas, criando coragem, não deixei que ela fosse muito longe.
Estiquei o meu braço para segurar seu pulso e ela olhou para mim interrogativa.
— Espere Bella, eu vou com você! – Aproximei minha boca de sua orelha para que ela me escutasse. – Deixe-me apenas avisar Alice.
— Está bem!
— Alice, eu vou com a Bella até o bar... Não saia daqui! Em alguns minutos nós voltaremos. – Falei alto perto dela.
— Tudo bem! – Foi tudo o que ela me respondeu, não se dando nem o trabalho de olhar para mim.
Aproximei-me novamente de Bella.
— Vamos? – Sorri para ela.
— Então, vamos lá...!
