Capítulo 2 - Não Estamos Sós no Universo
Um grito abafado e distante quebrou o silêncio até então perturbado apenas pelo suave zunido das máquinas da sala de controle. Em poucos segundos, o grito foi ficando cada vez mais alto até se transformar num urro, seguido por uma série de palavrões misturados com o que parecia ser desculpas gaguejadas. Outro som, semelhante ao de panelas, abafou as duas vozes, e as desculpas se transformaram em gritos de dor. Os dois pequenos guerreiros permaneceram por mais alguns instantes com os olhos fechados, porém, por mais que tentassem, se tornava evidente que a concentração estava perdida. O carequinha foi o primeiro a resignadamente abrir os olhos. Ele não era muito mais alto que seu companheiro, que tinha cinco anos; à primeira vista alguém poderia confundi-lo com uma criança, mas na verdade era um adulto.
"Não adianta, Gohan." suspirou, enquanto o garotinho também abria os olhos"Vamos ter que esperar até que eles parem de brigar pra podermos voltar a treinar."
E só teremos alguns minutos, antes que comecem a brigar de novo, pensou, porém guardou suas reflexões para si mesmo.
Gohan estava tão frustrado quanto Kuririn, mas se sentia mais confuso que aborrecido.
"Gostaria que eles pudessem lutar mentalmente como nós"disse " Seria bem mais tranquilo. Não entendo porque o senhor Oolong precisa tanto ver mulheres sem roupa. Acha que ele quer conferir se elas são mesmo mulheres, senhor Kuririn? Ouvi Mestre Kame dizer que papai fazia isso."
Com ou sem cinco anos, Gohan era realmente filho de Goku. Seu tom de voz sério deixou a pergunta ainda mais engraçada, e foi em vão que Kuririn tentou reprimir o riso.
"Não. Oolong não... isso é, ele sabe muito bem quem é mulher e quem não é, disso não há dúvida." conseguiu dizer, entre risinhos. Os olhos arregalados e cheios de inocência do menino fizeram Kuririn lembrar com quem estava falando, e ele se recompôs:"Mas é tudo o que posso dizer. Por favor, não pergunte mais. Sua mãe me mataria."
Gohan pareceu mais confuso ainda, porém, antes que pudesse dizer qualquer coisa um coelhinho cinzento irrompeu pela porta, abanando as orelhas. Seu pêlo estava todo encharcado e deixou um rastro de poças na sala de controle. Ele quase esbarrou em Gohan:
"S-socorro! Me ajudem! "disse, resfolegante "Bulma ficou maluca!"
"E o que você fez pra ela ficar maluca? "Kuririn deu um sorriso cínico.
O coelho olhou feio pra ele e se sacudiu, respingando água nos rapazes, que protestaram. Ouviu-se um "puf" e em meio a uma nuvem de fumaça o coelho se transformou num porquinho indignado:
"Nada! Não fiz nada! " disse, dando uma última sacudida "Por que vocês acham que tudo o que acontece nesta nave é culpa minha?"
"Você estava espiando Bulma no chuveiro de novo, não estava? " indagou Kuririn, enquanto se enxugava.
Ouviram um som de pés descalços molhados que ficava cada vez mais forte à medida que se aproximava da sala. Oolong ficou desesperado:
"Detalhes, pessoal, detalhes! Como é, vão me ajudar ou não?"
"Bom... " Gohan lançou um olhar interrogativo para Kuririn, mas sem esperar resposta, o porco se transformou numa mosca e foi se esconder no meio das máguinas. Alguns segundos mais tarde, Bulma entrou na sala de controle. Kuririn e Gohan quase deram um pulo ao vê-la.
Seu corpo ainda estava molhado do banho, porém estava decentemente coberto com um curto roupão cor-de-rosa, cujos ombros estavam ensopados pelo cabelo solto. Não seria uma visão apavorante se os olhos dela não faiscassem de raiva e se Bulma não tivesse na mão uma imensa frigideira (que a tripulação desconfiava ser presente de Chichi).
"Muito bem, onde ele está? Não tentem escondê-lo, rapazes! Eu avisei Oolong o que aconteceria se ele voltasse a me espiar. Será que uma dama não pode tomar banho em paz?"
"Dama? " Kuririn repetiu, irônico. Bulma lançou-lhe um olhar que fez os dois rapazes se encolherem.
"Nós não sabemos." explicou Gohan "Ele virou uma mosca e sumiu."
Bulma sorriu e cruzou os braços:
"Tudo bem. Já faz algum tempo que ele está transformado, e não tem como sair daqui sem passar primeiro por mim. Só tenho que esperar que..."
Mal disse isso, ouviram um grunhido e um "puf". Um foguete vermelho apareceu do nada e voou em direção à saída. Mas, assim que chegou ao umbral da porta, voltou a ser Oolong e caiu de cara no chão.
Um sonoro "bang" ecoou pela nave inteira, e com certeza teria sido também ouvido no espaço lá fora se não fosse pelo vácuo. Meio divertidos e meio amedrontados, Kuririn e Gohan viram Oolong esfregar uma coleção de galos na sua cabeça.
"Na próxima vez que você virar esponja, eu jogo você no vaso e puxo a descarga! Não estou brincando. " Bulma ameaçou, enquanto saía altivamente, a fim de se trocar, uma das mãos segurando o roupão com recato e a outra segurando a frigideira agora amassada.
"Você deveria se sentir agradecida, porque eu ainda acho você bonita, já que o resto da galáxia não tem a mesma opinião!"disse o porco furioso.
Kuririn e Gohan deram risadinhas. Recentemente, sua busca pelas esferas do dragão os levara até o planeta Sheezoo, lugar extremamente primitivo habitado por seres calvos de pele dourada e cujas mulheres tinham um seio só. Infelizmente, o precioso item fazia parte dos adornos do guerreiro mais importante e forte de uma tribo local – um homem musculoso e atraente, apesar de careca. Bulma tentara paquerá-lo para ver se conseguia a esfera, - pelo menos foi a desculpa que deu – mas só deixara o homem horrorizado. "Monstro cabeludo de dois seios", foi como ele a chamou, segundo os tradutores trazidos pelos viajantes. No final, Gohan conseguira a esfera vencendo o guerreiro num duelo, mas Bulma passara três dias resmungando sobre a cegueira alienígena.
Bulma estacou. Ela virou-se nos calcanhares e bateu com o pé úmido no chão de metal:
"Eu SOU linda! "gritou"E os Sheezojins não são o universo inteiro. Não se esqueçam que há várias culturas diferentes. Mesmo na Terra há diferentes conceitos de beleza: alguns preferem mulheres mais magras, outros mais gordas. Por isso, não é surpresa que alienígenas não achem bonito o que a gente acha."
"Grande consolo. " Oolong sorriu" Você não se lembrou disso quando aqueles selvagens acharam Kuririn mais bonito que você. Aquelas amazonas até queriam disputá-lo pros haréns delas!"
"EI!"Kuririn corou, mas acabou sorrindo "Não é culpa minha se alguém finalmente repara nos meus atributos..."
Ele não terminou de falar, mas foi interrompido por um estalo. Bulma estava agora ocupada procurando alguma coisa numa caixinha de cápsulas(não me perguntem por que ela trazia isso no bolso do roupão). Os três ficaram horrorizados.
"Eeei, Bulma, não precisa fazer isso! A gente só estava brincando! "implorou Kuririn.
" E eu ainda não posso me transformar!"
Mas, em vez da bazuca, bombas ou qualquer outra coisa que esperassem, a cápsula se transformou em um balde, esfregão e panos de limpeza. Calmamente, Bulma colocou um dos produtos de limpeza na mão de cada um.
"Se vocês têm tempo suficiente para inventar piadinhas e pregar peças, também têm tempo para limpar essa bagunça " disse, acenando com a cabeça na direção das poças criadas por Oolong e ela mesma. Satisfeita, marchou novamente para a porta; então parou e olhou por cima do ombro: " Quando eu voltar, é melhor que tudo esteja brilhando."
"Nós não temos nada com isso! _ Kuririn protestou, e virou-se para Oolong "Espero que esteja satisfeito agora!"
O porco não parecia nada envergonhado.
"Só vou estar satisfeito quando voltar à Terra e ver garotas humanas de novo! Ela não precisava ficar tão brava; eu só estava tentando animá-la um pouco. Não tenho nada pra fazer, e não me deixaram nem trazer algumas revistinhas "inocentes" pra me distrair!"
"Eu posso te emprestar meus livros " ofereceu Gohan, esfregando o chão.
"Não, obrigado _Oolong torceu o nariz "O único livro que poderia me interessar seria de anatomia, e bem específico. Quando esse pesadelo terminar, vou ficar feliz se conseguir lembrar como é realmente o corpo de uma garota, depois dessas semanas vendo tentáculos, garras e outras coisas horríveis."
Kuririn abanou a cabeça. Oolong não tinha jeito. Ao menos numa coisa ele tinha razão: não devia estar com eles naquela viagem. Depois que o senhor Popo mostrou a Bulma a nave que havia trazido Kami-sama à Terra, eles haviam discutido quem deveria viajar pelo espaço atrás das esferas do dragão, afim de salvar o planeta do terrível destino traçado por Taurus. Para horror de Bulma, ela fora a primeira a ser escolhida, já que somente ela poderia consertar a nave se esta quebrasse no espaço. Ela protestou que não podia ir sozinha e escolhera Kuririn para protegê-la na viagem. Goku e Yamcha haviam se ferido gravemente na terrível batalha contra os Saiyajins, e os outros guerreiros da Terra estavam mortos. Mas então, no meio daquela seriedade, o velho Kame insistiu que Kuririn não seria proteção suficiente e se ofereceu para ir também... e pelo jeito dele, seria um perigo ainda maior para Bulma que quaisquer alienígenas que encontrasse. A garota olhou desesperadamente em torno, e na falta de outra pessoa escolheu Oolong, talvez por achar que seria mais fácil manter o porco à distância do que o velho. Na opinião de Kuririn, entretanto, seria apenas trocar o roto pelo rasgado.
Fora então que Gohan se oferecera para ir com eles. Apesar do horror de Chichi, tanto Bulma quanto Oolong pareceram aliviados. Só que a mulher de Goku se indignou que o porquinho não se importasse que uma criança inocente estaria "se sacrificando" no lugar dele, e não tivera jeito senão Oolong ir também, como "babá oficial" do garoto. Ninguém ficara feliz com isso.
Aquelas lembranças fizeram Kuririn recordar o motivo de sua viagem, em primeiro lugar.
"Numa coisa eu concordo com você"suspirou "Vai ser um grande alívio quando tudo estiver terminado. Não quero nem imaginar o que pode acontecer se não juntarmos as esferas black star a tempo.
A carinha de Gohan ficou triste.
"Pena que as esferas de Namek foram usadas há alguns meses atrás. Elas tinham dois desejos em vez de um só, como as nossas. Poderíamos ter usado o segundo pedido para trazer o senhor Piccolo, senhor Tenshinhan e Chao-tzu de volta."
Kuririn olhou para ele. Durante o curto tempo em que haviam combatido juntos os Saiyajins, ele se apegara bastante ao filho de Goku, e sabia que o garoto sentia falta de seu temível sensei. Gohan ficara tão alegre quando o Ancião lhes dissera sobre os dois desejos... só pra desanimar em seguida, ao saber que esses desejos haviam sido realizados dois meses atrás, no tempo da Terra. Levaria um ano para as esferas poderem ser de novo usadas. Comovidos pela decepção e desespero da turma, os namekianos lhes falaram sobre as esferas de estrelas negras, que estavam espalhadas pelo universo. Era sua única esperança de salvarem a Terra. No entanto, como as esferas terrestres, as black stars garantiam apenas um desejo.
Ele tentou animar o garoto:
"É pena mesmo, mas lembre-se do que o Ancião disse... ele prometeu que dentro de quatro meses poderão trazer nossos amigos de volta. Você vai ver Piccolo de novo!"
"É verdade! " o rosto de Gohan se iluminou.
"Ugh, não sei por que você gosta tanto daquele cara. " Oolong estremeceu "Mas vocês deveriam ter pedido para eles usarem o segundo desejo pra restaurar o rosto de Yamcha!"
Um silêncio culpado caiu sobre a sala de controle. Haviam esquecido a vítima mais prejudicada na batalha dos Saiyajins.
"Odeio admitir, mas eu realmente esqueci. " Kuririn olhou para o chão. "E eu, de todas as pessoas envolvidas, deveria ter me lembrado." Pensou. Nunca esqueceria aqueles momentos terríveis depois que haviam pousado o avião no lugar onde estavam os corpos de seus amigos mortos por Nappa, o Saiyajin gigante. Kuririn fora o primeiro a se aproximar de Yamcha, e para sua surpresa, ao tocar o corpo, sentiu um leve movimento. Yamcha ainda estava vivo! Kuririn soltara um grito de alegria, chamando a atenção de todos. E então, no momento exato em que Bulma, Mestre Karin e Kameroshi corriam na sua direção, Kuririn havia virado o corpo. O trio parara instantaneamente, horrorizado. Durante um minuto que pareceu muito longo, ninguém dissera ou fizera coisa alguma. Então, o rosto de Bulma ficou branco e ela caiu para trás, sem um grito.
Parecia que Yamcha havia conseguido se livrar do "abraço" do Saibaman e recuar, segundos antes que o monstro vegetal explodisse, porém não o suficiente. Metade de seu rosto havia sido arrancada pela explosão. Agora ele estava em coma, no mesmo hospital que Goku, e ainda não sabiam afirmar ao certo se viveria. Mestre Karin havia garantido que ele ficaria bem, assim que os senzus para os dois feridos estivessem prontos. Aquilo fizera Bulma se animar um pouco, e dentro de algumas semanas ela parecia ter voltado a ser a mesma... porém, pensando melhor agora, a jovem evitava falar no assunto. Kuririn sentiu-se um pouco culpado. Durante toda a viagem, ele lamentara que Bulma tivesse que vir com eles. Frequentemente, a cientista se mostrava um estorvo maior que Oolong, com suas constantes reclamações e necessidade de ser salva. Nada disso era novo, mas francamente, ela andava um pouco pior que o habitual. Agora ele começava a pensar se não seria a maneira dela disfarçar a preocupação pelo namorado.
"Mas... Mestre Karin prometeu que o rosto de Yamcha vai perfeito de novo com o senzu."Gohan disse.
"Oh, caia na real, guri. Há limites pra tudo! Eu estava olhando pro Mestre Karin quando disse isso, e a testa dele estava suando. Como podemos ter certeza..."
"Não dê atenção a ele, Gohan " interrompeu Kuririn "EU acredito no Mestre Karin. É natural que a gente esteja nervoso – especialmente Bulma. E se o senzu não funcionar, poderemos pedir a Shen-long pra curar Yamcha quando voltarmos à Terra. Vai terminar tudo bem, vocês vão ver."
"O vírus de otimismo do Goku pegou vocês." Oolong abanou a cabeça "Bom, mudando de assunto, falta muito pra próxima esfera?"
"Já devemos estar chegando, pela última vez que eu chequei. Gohan, pode me passar o radar?"o monge perguntou, mas só obteve silêncio em resposta. Ele se virou e viu o filho de Goku olhando distraído o espaço lá fora, pela escotilha da nave.
"Que foi? Está vendo alguma coisa?"
"Hã-hã. É só que... tenho uma sensação esquista. Como se não estivéssemos sozinhos aqui no espaço."
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Vegeta encolheu-se e se abraçou em posição fetal, em busca do que ainda restava de calor em seu corpo. O maldito Freeza havia trancado nu em uma de suas celas de gelo novamente! A última vez que isso acontecera, ele fora tirado de lá em tempo de salvar os membros, mas perdera parte de sua cauda. Desta vez, não acreditava que teria sorte. Apertou ainda mais os olhos fechados, não querendo olhar para suas mãos e pés. Já podia visualizar os dedos ficando escuros com gangrena...
Seu rosto estava apoiado numa superfície áspera e irregular, que não parecia ser o chão da cela. Abriu os olhos de repente, e fechou-os logo em seguida por causa dos pingos de chuva que não paravam de cair. Lentamente, ele se sentou e esfregou os olhos, sentindo o peso de alguma coisa colada às suas costas – seu próprio cabelo encharcado. Respirou fundo uma vez, depois outra, e pestanejou, tentando reorganizar seus pensamentos. Juntando coragem, olhou para as mãos: estavam rosadas e normais. Lançou um olhar rápido para os pés, embora fosse desnecessário: já sabia que não estava na cela de Freeza, e sim naquele mesmo planeta abandonado no qual vivia há cinco anos!
Vegeta ergueu a cabeça, sentindo a chuva em seu rosto, os olhos semicerrados e nenhum sorriso em sua boca, a despeito de seu alívio. Ele estava nu, sim, e também gelado, mas não era por causa das torturas daquele lagarto insano. Estava preso para sempre naquele planeta, mas de algum modo também estava livre, pois desde o começo de seu longo exílio nunca mais vira o interior de uma cela. Ao menos uma coisa boa havia em sua situação. Mas, de que adiantava?
Um relâmpago riscou o céu, cegando-o por alguns segundos. Há quanto tempo devia estar ali, no alto da cachoeira, depois de ter provavelmente adormecido de exaustão e desespero? Enquanto lentamente se erguia, uma onda de vergonha e desprezo por si mesmo o tomou. Como pudera se deixar ceder assim? Mesmo tendo perdido tudo, ele ainda era Vegeta. Mesmo se tivesse de passar um milhão de anos naquele planeta esquecido, ninguém podia tirar isso dele.
Esse pensamento, entretanto, o lembrou que havia perdido toda a esperança de escapar, e isso deu-lhe um baque no coração. Talvez, pensou distraidamente fitando a paisagem lá embaixo, devesse tentar ver o que havia além daquelas montanhas. Nada garantia que ele fosse a única forma de vida inteligente naquele mundo... de qualquer jeito, ficar sentado ali não o levaria a lugar algum.
Soltou um espirro. Aquela não era hora para pensamentos existenciais. Podia meditar mais tarde, num lugar seco.
Estava descendo o vale quando seus ouvidos captaram alguma coisa através do barulho do trovão e do constante chiar da chuva. Um ronco inicialmente fraco, mas aumentava aos poucos, como se estivesse chegando perto dele.
Oh não.
Vegeta lançou um olhar rápido por cima do ombro e desatou a correr, o mais rápido que o vento lhe permitia. Por causa da chuva, o rio havia subido até transbordar, levando tudo pelo caminho. Vegeta já vira muitas enxurradas assim. Geralmente não se preocupava, pois sua caverna ficava num lugar alto e fora do alcance das águas famintas. Várias vezes, já se aproveitara das enchentes para conseguir carne. Mas era a primeira vez que se punha diretamente no caminho de uma. Idiota. Devia ter ficado lá em cima, o risco teria sido menor. Agora era tarde para voltar.
Um grupo de árvores estava cada vez mais perto. Sua única saída seria subir numa delas e torcer para que ela resistisse à força da água. Era uma chance mínima, a água estava muito perto, mas Vegeta, como sempre, estava confiante. Ele podia correr mais rápido que qualquer outro animal. Diversas vezes já apanhara pequenos sáurios na corrida, puxando-os pelas caudas.
Mas não adiantou.
Uma onda barrenta bateu em suas costas com um impacto semelhante à cauda de um dinossauro. Em questão de segundos, a água o cercou antes que Vegeta tivesse tempo de se levantar. Engolindo água, ele se debateu, tentando a todo custo manter a cabeça acima da superfície, mas era difícil, porque as ondas o levavam de um lado para outro.
Alguma coisa acertou sua cabeça e ele mergulhou numa escuridão cheia de estrelas.
Mesmo se não tivesse ficado inconsciente, não teria percebido que não estava mais sozinho naquele planeta. Pois, naquele momento, em outro lugar mais afastado, um novo som se juntava ao barulho do trovão, ao rugido da água e aos gritos de animais apavorados. Um som que Vegeta julgara que nunca mais ouviria.
O som de uma espaçonave.
