Por Obrigação

"Eu devia ter deixado o Mestre Kame vir com a gente." Bulma resmungou furiosa, enfiando um conjunto de sutiã e calcinha bem simples antes de catar o resto das roupas num armário preso à parede"Pelo menos ele seria mais útil que Oolong e não poderia se transformar em esponjas, calcinhas ou toalhas de banho."

Como se já não houvesse perigo e tensões suficientes, tinha mais isso com que se preocupar. Não conseguia mais nem fazer xixi sem a permanente sensação de que o porco estava em algum lugar, espiando-a. Seria um milagre se no fim da viagem não estivesse cheia de rugas e cabelos brancos. Eu devia ter deixado ele trazer as suas revistas pornôs: pelo menos teria outras garotas com quem se distrair... mesmo que não fossem tão bonitas quanto eu." pensou, secando os cabelos com vaidade " Mas aqui no espaço, eu sou a única mulher humana à mão, com cabelo e dois seios." Concluiu com orgulho, enfiando as roupas pretas colantes que haviam se tornado seu uniforme desde o começo da viagem. Exceto por uma espécie de colete acolchoado, não trouxera outro tipo de roupa, pois achava que estariam usando escafandros espaciais a maior parte do tempo.

Tudo culpa da Chichi, com a sua idéia de uma babá para Gohan. Há! Aquele inútil não sabia nem cuidar de si mesmo, quanto mais de um garoto que era infinitamente mais forte e esperto. Só Chichi não via isso. Bulma se perguntava se todas as mães eram paranóicas daquele jeito com os filhos, já que a sua não podia servir de modelo, sabia muito bem. Graças a Deus, ela mesma jamais teria filhos!

Contra a vontade, lembrou da última visita a Goku no hospital. Tudo o que queria era um pouco de conversa amiga, na esperança que o otimismo e o jeito carinhoso dele ajudassem a expulsar seus medos... mas Chichi achara aquela uma excelente oportunidade para entregar-lhe uma "pequena" lista de recomendações sobre Gohan. Na verdade, pretendia dá-la a Oolong, mas a babá relutante não fora encontrada – provavelmente havia se disfarçado de mosca ou coisa parecida.

"Item 101: ele precisa comer vegetais todos os dias, no café da manhã, no almoço e no jantar. De manhã, normalmente, comemos ensopado com algas, assim ele não vai estranhar. 102: ele tem que ir pra cama às sete horas em ponto, depois de escovar os dentes. 103: Ele não pode falar com estranhos."

"Mas Chichi... "Goku disse da máquina onde fora encerrado pra não se mexer, por causa de seus ossos esmigalhados "Todo mundo que Gohan encontrar na viagem vai ser um estranho! Ele não vai poder falar com ninguém a não ser Kuririn, Oolong e Bulma? As pessoas de outros planetas vão achar que ele é mudo ou mal-educado."

Chichi fingiu não ouvir:

"Espero não ter esquecido nada. Ah, ainda tem a relação dos livros que ele precisa estudar na viagem pra não ficar atrasado quando voltar. "mostrou outra lista, um "pouquinho" mais longa que a primeira.

"Não tem nenhum de contos de fada, pra eu ler pro Gohan na hora de dormir? Nem brinquedos? Temos muito espaço na nave. " Bulma perguntou sarcástica, mas Chichi novamente não respondeu. Não dava pra saber se ela estava realmente absorvida com a lista ou se estava ignorando de propósito qualquer opinião que fosse diferente da sua sobre como criar Gohan. Franziu a testa, examinando atentamente cada item: se esquecesse alguma coisa poderia ser uma catástrofe!

Um profundo suspiro veio da máquina-casulo:

"Eu gostaria tanto de poder ir com vocês..."

Pela primeira vez Chichi tomou conhecimento da sua presença. Olhou-o feio por cima do ombro.

"Também gostaria que você fosse. Assim Gohan não teria que se sacrificar de novo pra consertar as encrencas em que você vive se metendo." disse asperamente, depois voltou a atenção à sua lista. Bulma percebeu que o melhor amigo ficara triste. Era muito duro para Chichi ter de se separar novamente do filho depois de ter passado um ano horrível de incertezas, sem ao menos saber que ele estava vivo. Mesmo assim, pensou a cientista, bem que ela poderia tratar o marido com mais carinho. Como Chichi podia falar em sacrifício, se Goku dera a própria vida para salvar o filho e quase se matara uma centena de vezes pelo bem de outras pessoas?

'Eu trocaria alegremente de lugar com você, se pudesse, Goku " Bulma disse, recebendo um sorriso agradecido. Chichi também voltou sua atenção para a outra mulher, e seus olhos instantaneamente se suavizaram com pena:

"Nem precisava nos dizer isso, Bulma. Todos nós sabemos o que você e o coitadinho do Pual vêm passando por causa de Yamcha. Vai ser horrível pra você ficar separada dele também por causa dessa maldita viagem, ainda mais que ele pode nem estar vivo quando você voltar..."

Bulma empalideceu, lamentando que o Rei Cutelo não estivesse ali pra calar a boca da filha(ao menos, para tentar); porém estavam os três sozinhos ali. Goku percebeu seu desconforto e abriu a boca para pedir que a mulher parasse, mas Chichi continuou sem perceber nada:

"... mas acho que, mesmo estando tão ocupada com os preparativos, você bem que poderia passar mais tempo com Yamcha. Sei que ele ainda está em coma, mas, afinal, vocês vão se casar algum dia, e as suas primeiras responsabilidades são com o seu noivo. Olhe pra mim, por exemplo: Deus sabe como é duro estar casada com o Goku! Mas eu nunca deixo de lado meus deveres de esposa, por mais difíceis que sejam " concluiu com um suspiro dramático, e fechou os olhos, orgulhosa de seu "sacrifício".

Quando abriu novamente os olhos, encontrou os de Bulma faiscando de raiva. O corpo todo da cientista tremia, seus punhos estavam cerrados:

"Você não é NINGUÉM pra ensinar os outros como ser boa esposa!" urrou "Pelo menos EU não saltei por cima do corpo de Yamcha no campo de batalha, nem o acuso de coisas que não foram absolutamente culpa dele! " e com essa disparou para fora do quarto, antes que a estupefata Princesa Cutelo pudesse reagir. E, principalmente, antes que o casal visse as lágrimas em seus olhos, as mesmas lágrimas que ameaçavam derramar agora enquanto se olhava no espelho.

"Droga... com tanta coisa, por que tinha que me lembrar logo disso?"

Por mais horrível que parecesse, frequentemente Bulma achava que teria sido melhor se Yamcha houvesse morrido. Pelo menos ele estaria treinando lá no céu com Tenshinhan e Chaos, melhorando a sua técnica, que nunca fora muito boa. Não estaria em coma num hospital, nem teria que ser sedado logo depois que acordasse por causa das dores insuportáveis que sentiria, arriscando-se a se tornar um viciado. Mais importante, seus amigos na Terra ficariam tristes, é claro, mas pelo menos não estariam passando aquela agonia terrível por vê-lo naquele estado, nem se lembrando como ele fora antes.

Yamcha... você era tão bonito...

Chichi havia desculpado a explosão de Bulma, acreditando que fora por causa da tensão e estresse excessivos que a amiga vinha passando. Não tinha como saber que seus comentários haviam cutucado uma ferida secreta, mantida aberta pela culpa. Bulma nunca se preocupara antes com o que pudessem pensar dela, mas aquilo era muito diferente. Será que o resto de seus amigos também achava que ela estava negligenciando Yamcha? Os preparativos não foram apenas desculpa: estivera realmente muito ocupada consertando a nave que fora de Kami-sama e providenciando o material necessário para a viagem... Mas o verdadeiro motivo de suas escassas visitas a Yamcha era a tortura de vê-lo deitado ali, coberto de bandagens e tubos como um monstro de Frankenstein, e Pual sempre por perto, tão magrinho e quieto que parecia uma sombra do que fora. A devoção do gatinho era comovente, mas dava um pouco nos nervos. Havia momentos em que tinha vontade de esganá-lo, pois quando ele a olhava parecia estar censurando-a por não se sacrificar por Yamcha também, por não ficar ali colado aos pés da cama chegando ao ponto de esquecer de comer e dormir. Se os amigos não lhe enfiassem comida goela abaixo, teria certamente morrido de fome. Ele era um constante lembrete da culpa secreta de Bulma. E, mesmo com essa culpa, ela não conseguia deixar de sentir o que sentia.

Mestre Karin insistira que os senzus deixariam o rosto dele como antes, logo que ficassem prontos, mas era óbvio que mesmo ele tinha dúvidas. E por mais que Bulma desejasse acreditar nisso e procurasse parecer otimista na frente dos amigos, no fundo ela era tão cética quanto Oolong. Vira muitos tipos de mágica durante suas aventuras de adolescente; estava tudo bem que um feijãozinho emendasse ossos quebrados ou estancasse hemorragias, mas fazer pele e osso crescer do nada?

Se não funcionasse... A cirurgia plástica na Terra não era assim tão avançada, já pesquisara sobre isso. Com sorte, Yamcha ficara... funcional, digamos, poderia comer sem sonda e talvez recuperar a visão de seu olho direito. De qualquer jeito, precisaria de cuidados especiais, de fisioterapia e de um lugar para ficar onde recebesse toda a atenção que precisava. E precisaria dela, Bulma.

Por mais que todos os amigos dele fizessem, a responsabilidade maior estava em seus ombros. Já estava assumindo-a, na verdade: o tratamento dele era pago pela Corporação Cápsula (o de Goku era pago pelo Rei Cutelo). Bulma nem pensaria em agir de outro modo: mesmo que Yamcha não fosse mais seu namorado, ela ainda tinha muito carinho por ele, assim como tinha pelo Goku. Esse era o problema. Não interessava que os dois estivessem separados na ocasião da batalha contra os Saiyajins, para todo mundo ela continuava comprometida com Yamcha. E agora que ele estava assim, todos certamente esperavam que ela finalmente oficializasse o compromisso quando ele estivesse em condições. Que se casasse com ele.

Como é fácil julgar uma pessoa quando não se está no lugar dela! Bondade e generosidade deveriam ser coisas espontâneas, não obrigatórias. Se você se sacrifica por alguém, todos te chamam de santa, de pessoa incrível... ninguém percebe que muitas vezes você só pode agir assim porque se não o fizer então será um monstro de egoísmo, o extremo oposto! E era o que aconteceria com ela, Bulma, se rompesse definitivamente com Yamcha agora ou se apaixonasse por outro homem.

"Eu não deveria pensar assim... preciso ter fé. Afinal, se os senzus não funcionarem, ainda teremos as esferas do dragão, elas vão voltar logo que os Namekianos ressuscitarem Piccolo. Eles prometeram. Aai... eu devia ter pedido que também pedissem ao dragão deles para curar Yamcha... que burrada! " Bulma pestanejou várias vezes, como se receasse que seu reflexo no espelho desse lugar a um rosto com um buraco na face direita expondo dentes brancos e gengiva vermelha em contraste com a pele destroçada... Fechou os olhos e abriu-os de novo, vendo apenas seu próprio rosto ansioso.

Recentemente, aquilo voltara a ocupar seus pesadelos, depois de tanto tempo. Provavelmente porque os últimos dias haviam sido vazios, sem nenhuma pista das próximas esferas. Ao menos os perigos e aflições que haviam passado durante a busca pelo planeta Namek e, posteriormente, pelas esferas de estrelas negras, haviam servido para ajudá-la a esquecer de seus problemas pessoais. Mas agora, embora a tripulação procurasse manter o bom-humor, ocasionalmente podia-se perceber a tensão mútua nos olhos uns dos outros. Gohan às vezes chamava pela mãe, pelo pai ou pelo "senhor Piccolo" durante o sono, e Oolong dera pra persegui-la daquele jeito, coisa que não fazia em casa. Todos estavam mais que ansiosos por terminarem a missão e voltarem finamente para a Terra.

"E mesmo assim, apesar de eu querer isso tanto quanto os outros, frequentemente me pego temendo a nossa volta..."

Seus pensamentos foram interrompidos por uma discreta batida na porta. Respirando fundo para se recompor, Bulma clicou no botão de abrir.

"Já terminaram a limpeza?" rosnou, antes mesmo de ver quem estava ali, receosa de que tivessem ouvido alguma coisa.

O mensageiro, que era Gohan, recuou, intimidado.

"J-já... é que... Kuririn me pediu pra chamar você. "seu rosto tímido se abriu num sorriso "Achamos uma coisa que você precisa ver!"

"E o que é...uff! "Bulma arquejou quando Gohan a puxou pela mão e praticamente arrastou-a, obrigando-a a se curvar por causa da diferença de tamanho. Num instante, haviam atravessado o corredor (era curtinho) e estavam de volta à sala de controle. Kuririn rapidamente se virou na direção deles, o rosto iluminado como o de Gohan e o radar do dragão nas mãos:

"CONSEGUIMOS!" berrou, saltando na direção deles "Achamos as últimas esferas do dragão, Bulma!"

"Ei, espere um pouco. Ainda temos quatro esferas pra juntar, lembram? ' ela lembrou ceticamente, quando o pequeno monge lhe passou o radar. Olhou desconfiada para o seu invento, e quase em seguida seus olhos se arregalaram:

"N... Não é possível! " engasgou, fitando a flechinha que indicava TRÊS esferas. Depois olhou com mais atenção e percebeu outra coisa:

"Há mais uma aqui..." apontou para o extremo oposto da flechinha com o número três _Está longe das outras, mas sem dúvida todas as quatro estão no mesmo planeta.

"Reduza a escala "Kuririn falou, agora mais calmo.

Bulma obedeceu, e as coordenadas do radar indicaram um pequeno e solitário planeta adiante deles. Pertencia a um sistema desconhecido, com um sol levemente azulado e bem mais distante de seus planetas que o Sol do sistema solar, o bastante para tornar possível a vida, já que era um sol mais novo e forte.

Os quatro examinaram o planetinha pela tela do painel de controle.

"Nunca ouvi falar antes desse planeta."disse Bulma, examinando os mapas que ela mesma tinha traçado, ou haviam conseguido em outros planetas durante a viagem "Ele não aparece no mapa, e nenhum dos alienígenas que contatamos falou a respeito dele."

"Ainda acho bom demais pra ser verdade" resmungou Oolong "Lembram daqueles dois etês cor-de-rosa que fingiram ser namekianos pra roubar a nossa nave? Talvez sejam outros como aqueles tentando nos enganar."

"Seria coincidência demais" Kuririn afirmou "Aqueles aliens eram telepatas e estavam presos por causa daquele vórtice que envolvia o planeta. Aqui não há vórtice nenhum."

"Mas Oolong tem razão numa coisa "observou Bulma "Pode não ser aliens como aqueles, ou outra armadilha para nós, mas alguém mais pode estar juntando as esferas do dragão. Lembrem-se de quem nem todo mundo sabe que os namekuseijin sobreviveram e se mudaram para outro planeta; nem nós saberíamos disso se não fosse o aviso do senhor Kaio."

O entusiasmo entre os tripulantes, e todos começaram a trocar olhares preocupados.

"Talvez pensem que os namekianos estão extintos e que as outras esferas do dragão não existem mais, por isso estão procurando as de estrelas pretas também." Gohan acrescentou "Elas são bem conhecidas pelo universo. O Taurus, por exemplo, poderia estar atrás delas, já que não conseguiu as Terra porque o senhor Piccolo morreu."

O nome do causador daquela viagem fez todos estremecerem. Oolong, em especial, parecia bastante doente, mesmo que não tivesse lutado contra os Saiyajins naquele dia terrível. Como alguém podia ser tão igual fisicamente ao querido Goku, que todos eles amavam e confiavam, e tão cruel e distorcido por dentro?

Finalmente, Kuririn ergueu a cabeça, e uma expressão determinada foi surgindo em seus olhos enquanto falava:

"Mas se não formos lá, nunca saberemos. Talvez seja uma armadilha, como Oolong disse, e nesse caso estaremos perdendo tempo. Mas. e se não for? A Terra pode estar condenada porque não tentamos nem checar se as esferas estão lá!"

Bulma e Gohan concordaram com as cabeças, a mesma determinação aparecendo em seus olhos. Em silêncio, o monge estendeu a mão. Gohan colocou a própria mão sobre a dele, depois Bulma e finalmente o relutante Oolong, depois de alguns olhares feios.

"Ao planeta desconhecido!" exclamou Gohan.

"Que seja o fim da nossa viagem!"acrescentou Kuririn.

"Mas não o fim de nossas vidas " Oolong concluiu esperançosamente.

Bulma retirou o braço e pôs as mãos na cintura, em posição de comando:

"Muito bem, vamos deixar de papo. Vou dar as coordenadas pro computador descer, então é melhor correrem pros seus lugares se não quiserem virar panquecas na descida!"

Não terminou de falar e todos já haviam se sentado apertando os cintos, já mais que familiarizados com os pousos bruscos da "comandante". Enquanto Bulma se acomodava em seu próprio assento e transmitia os dados ao computador, sentiu um frio no estômago, bem diferente do conhecido friozinho que antecedia e acompanhava as aterrissagens.

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Lá embaixo, no planeta...

"Feio, não? " escarneceu uma voz estridente.

Notas:Como avisei no primeiro capítulo, estou demorando pra atualizar porque estou fazendo um "laboratório", lendo histórias de ficção científica e pesquisando material técnico pra não sair besteira... mas quero ver se posto mais capítulos este ano. Os aliens cor-de-rosa a que Oolong se refere apareceram num episódio durante a viagem de Bulma, Gohan e Kuririn a Namek... estou modificando alguns detalhes, mas conservei outros. Taurus, ou Turles, no original, é o sósia de Goku que aparece naquele filme da árvore que sugava a vida de planetas. Seu nome significa nabo.

Não sei de onde veio a idéia para algo tão macabro, coitado do Yamcha. Mas parecia perfeito, já que essa fic é mais pesada. Sei que parece terrível, mas os sentimentos de Bulma são realistas: as pessoas raramente pensam no lado dos parentes e amigos daqueles que sofrem doenças terminais, ou das pessoas que têm de cuidar de um parente inválido.

Não é crueldade da Chichi essa história dos vegetais.. lembrem que os hábitos alimentares no Japão e outros lugares são diferentes dos nossos. Eles comem no café coisas como pasta de feijão, miso-shiru (espécie de sopa) e arroz cozido. Sei que geralmente faço a Chichi meio bruxa, mas aqui eu sempre me revoltei com a maneira como ela tratou Goku depois da batalha com os Saiyajins, principalmente porque ninguém teve a coragem de lhe dizer umas verdadezinhas. O bom da fanfiction é justamente retificar esse tipo de falha, hehe. ;)