Capítulo 4 – Um Dia é da Caça...

Vegeta acordou de repente. Depois de pestanejar por alguns segundos, olhou para o interior de sua nave. Não sabia dizer o que o havia despertado do hipersono. Tudo parecia normal, o computador estava funcionando como sempre. Então, por que sentia que havia alguma coisa errada?

Esse pressentimento o perseguia desde que chegara à base no Planeta Gelo. Sua última missão fora até fácil, por isso não tinha mais que alguns simples arranhões que não preocupariam nem um recruta. Um banho de chuveiro, um jantar frugal com ração seca de soldado e algumas horas de sono em seu alojamento eram tudo o que precisava, depois de apresentar seu relatório. Só esperava que Zarbon estivesse ocupado demais para recebê-lo, ou relegasse a tarefa a algum subordinado; aquele esnobe azul era insuportável, com a sua mania de achar que sabia tudo sobre Saiyajins! Conseguia ser ainda pior que Dodoria, pois seus insultos eram mais sutis e inteligentes que os do gorducho empelotado, portanto mais difíceis de aturar. O único consolo de Vegeta era saber que um dia ele poria um fim àquela situação.

Para sua surpresa, mal pôs o pé fora da nave foi recebido por dois soldados que o escoltaram até a enfermaria. Lá, o médico mandou que se despisse e entrasse imediatamente no tanque de regeneração. Vegeta quis saber por que, aquilo parecia perda de tempo já que não tinha mais que alguns cortes, mas o médico disse apenas que eram ordens.

O príncipe deu de ombros e obedeceu. Uns minutinhos de relaxamento não fariam mal nenhum. Quando o nível do líquido regenerador já estava acima de sua cabeça, ele foi invadido por um súbito torpor. Estranho... não sabia que estava tão... cansa...

Nunca soube se havia ficado por minutos ou horas, depois que o acordaram. Saiu do tanque, vestiu-se e estava indo embora quando quase esbarrou em alguém que vinha entrando. Justamente uma das pessoas que não queria ver.

"Aonde vai com tanta pressa, Vegeta? "quis saber Zarbon, olhando-o com desprezo como de costume "Que eu saiba, você não tem nada de importante para fazer agora."

"O que você quer? " Vegeta se conteve para não tirar aquela bichona de seu caminho com um empurrão.

"Temos uma nova missão pra você. O Grande Freeza quer que vá imediatamente ao Planeta Nutek."


Vegeta ergueu uma sobrancelha:

"Eu mal cheguei e ele já me manda embora de novo, sem ao menos receber o meu relatório? O Grande Freeza deve estar mesmo cheio de ver a minha cara!"

Zarbon franziu sua bela testa, zangado. Depois, sua expressão mudou estranhamente, como se lembrasse de algo agradável, e respondeu calmamente:

"Não temos o direito de saber as motivações do Grande Freeza. Vá para Nutek e aguarde novas ordens. Sua nave está esperando no píer 8. "girou nos calcanhares, abanando a capa, depois olhou por cima do ombro "Se respeitasse seus superiores, teria mais tempo para descansar."

Planeta Nutek, Setor 40F e ficar à disposição. Vegeta abanou a cabeça enquanto seguia pelo corredor. Não gostara da expressão de Zarbon. Se fosse outro que lhe desse aquelas instruções, poderia até imaginar que estavam lhe pregando alguma peça, mas Zarbon era oficial de confiança de Freeza.

O planeta Nutek pertencia a um sistema recentemente descoberto pelas tropas de reconhecimento. Era imenso, e rico em reservas naturais, especialmente minérios; além disso, seu povo possuía avançada tecnologia. Por essas razões, Freeza decidira ficar com o planeta para si, em vez de arrasá-lo e vendê-lo como de costume. Ele mandara a Tropa Ginyu para massacrar a maior parte da população, poupando apenas alguns – quase todos cientistas e técnicos, o que era muito conveniente, embora o chifrudo dissesse que "tivera pena deles".

"A mesma pena que teve de mim" Vegeta murmurou para si mesmo. Era apenas uma constatação. Um bando de tolos que se deixava escravizar apenas para poupar suas patéticas vidinhas não merecia piedade, na opinião dele.

Mas por que cargas d água fora designado logo para aquele planeta? De acordo com o que ouvira, Nutek estava calmo agora. Os Ginyus haviam sufocado os últimos focos de rebelião e aguardavam permissão para partir. Talvez estivessem entediados e tivessem mandado pedir a Freeza alguém para torturar com suas coreografias idiotas... não, era besteira. Por mais que Freeza os mimasse, não atenderia a uma coisa dessas. Era mais provável que o verme o estivesse mandando para fazer trabalho burocrático ou qualquer coisa do gênero. Vegeta estremeceu. Freeza não usava apenas tortura para dominar seus homens; ele também tinha métodos mais sutis para mostrar quem estava no comando. Humilhar um subordinado relegando-o a trabalhos abaixo de sua posição era bem típico dos Icejins.

Mas o que o mais intrigava era: por que o haviam obrigado a ficar no tanque de regeneração, se estavam tão ansiosos para mandá-lo embora? Ele nem estava muito machucado.

Bom, logo saberia. Nutek não era longe.

Enquanto se acomodava o melhor que podia na minúscula nave, mandou uma mensagem para Nappa sobre a missão misteriosa. Seu antigo tutor ficou tão surpreso quanto ele, pra não dizer decepcionado. Então seu próximo... encontro estava cancelado? Vegeta sorriu, tranqüilizando-o. Estava tudo bem, precisavam ter paciência. Outra hora eles se encontrariam para prosseguir com o plano.

Lembrando de tudo isso agora, Vegeta não se recordava de mais nada, depois da conversa com Nappa. Teria dormido logo após a transmissão? Engraçado, não deveria ter hibernado tão rápido, especialmente depois da soneca no tanque. Além do mais, a viagem até Nutek seria curta, não necessitava de hibernação.

Olhou pela janela da nave. Embora não desse pra ver muita coisa, tinha certeza de que aquele não era o setor 40F, e confirmou isso checando tanto a tela de comunicação quanto o mapa holográfico. Olhou para as coordenadas no computador e arregalou os olhos. Que diabo de números eram aqueles? Estava bem longe de seu destino - na verdade, o lugar que aquelas coordenadas indicavam não sequer um nome ou uma classificação: o computador apenas o assinalava como "desconhecido" !

_Maldita geringonça!_Vegeta resmungou, tentando desesperadamente acreditar que aquilo era por acaso, embora a vozinha de aviso estivesse praticamente gritando em sua cabeça.

_Se eu me meter em encrenca porque cheguei atrasado, vou matar o mecânico_ apertou furioso os controles, colocando as verdadeiras coordenadas. Mas para sua surpresa, o computador retomou as coordenadas anteriores. Tentou de novo, e mais uma vez aqueles malditos números voltaram

"MERDAAAAA!!!!"Vegeta teve vontade de destruir o painel com um soco. Só não o fez porque não seria inteligente fazer aquela coisa parar de funcionar em pleno espaço. Não tinha mais dúvidas de que fora apanhado numa armadilha. Agora entendia aquela recepção na base, e a estranha expressão de Zarbon, como se estivesse se controlando para não sorrir. Qualquer técnico competente teria tempo de programar o computador da nave enquanto ele, Vegeta, cochilava no tanque de regeneração. E o fizera de modo que não pudesse ser desfeito facilmente, a não ser por um especialista - o que Vegeta certamente não era. Como pudera ser tão ingênuo?

Não precisava nem de metade de seu intelecto para saber a razão de tudo aquilo. Ele sempre fora discreto ao planejar seus encontros com os dois outros Saiyajins sobreviventes, mas sabia que Nappa e Radditz nem sempre eram tão cuidadosos. E todo mundo sabia como os três odiavam Freeza; ainda por cima, ninguém gostava deles, em especial de Vegeta. Qualquer um poderia tê-los rastreado até encontrar provas suficientes para botar Freeza em seu cangote. A única coisa que realmente surpreendia Vegeta era que o verme se dera ao trabalho de bolar um plano tão sofisticado. Não era o jeito dele. O príncipe já imaginara um zilhão de vezes o que Freeza faria com ele se desconfiasse de qualquer coisa: frequentemente, tinha pesadelos em que era desmembrado ou cortado em pedaços ainda vivo, ou queimado lentamente até virar cinzas. Freeza adorava torturas. Talvez houvesse no interior da nave alguma câmera escondida e o miserável estivesse agora apreciando a sua aflição.

Bom, se não podia consertar sozinho aquela droga, devia examinar outras no scouter, embora um tanto ceticamente. Não iam ter tanto trabalho em deixá-lo perdido no espaço com um aparelho com o qual pudesse pedir socorro.

Como esperava, o scouter não -o. Os delicados mecanismos estavam completamente corroídos e cobertos por uma espécie de pasta malcheirosa.

"Colocaram uma "pílula". Muito espertos " torceu a boca num sorriso amargo.

"Pílula" era a gíria para um sofisticado equipamento de espionagem. Tratava-se de uma pequena cápsula que podia ser armazenada em compartimentos especiais, mas em contato com oxigênio se tornava extremamente para sabotagens, assassinatos, e até suicídios em casos extremos. Mais uma razão para que ele fosse para o tanque; assim podiam trocar suas roupas e equipamentos sem suspeitas. Se tivessem lhe dado um scouter quebrado, sempre poderia haver a hipótese de Vegeta tentar se comunicar com os outros Saiyajins antes de partir, e descobrir o logro. Mas colocando uma pílula no scouter, levaria horas até que ela corroesse os mecanismos; assim, ele pudera falar com Nappa sem desconfiar de nada, antes de seu mergulho no desconhecido.

Procurou pensar em outros jeitos de sair daquela situação, mas , por mais que tentasse permanecer calmo e racional, lentamente o desespero se infiltrava em seu cérebro. Bom, pelo menos queriam mantê-lo vivo, ou a nave já teria explodido. Provavelmente estava sendo mandado para algum planeta onde seria aprisionado, vendido como escravo ou alguma coisa do gênero. Neste caso, sempre haveria algum jeito de escapar. O que Vegeta realmente temia era que a nave pudesse ficar voando sem rumo até acabar o oxigênio, e quase ficou em pânico ao pensar na idéia. Tudo menos isso!

Enquanto se censurava por sua fraqueza, ocorreu-lhe uma coisa. Era algo que raramente usava, mas...

"Saudações, Vegeta. " uma voz familiar e detestada interrompeu seus pensamentos "Está apreciando a viagem?"

Vegeta olhou com ódio para a tela de comunicação, onde aparecia o rosto de Freeza.

"Está atrasado " resmungou, de dentes cerrados.


"Feio, não? "zombou uma voz aguda e desagradável, que produzia arrepios nos ouvidos de qualquer um.

Não que o dono da voz fosse uma beleza; nem mesmo para os padrões de sua raça ele seria considerado bonito, com sua pele marrom cheia de manchas pretas, feições de réptil e quatro olhos maldosos. Seus companheiros também não eram nada atraentes. Mas a coisa mais notável neles não era suas aparências, e sim os uniformes. Qualquer um deles poderia ser facilmente confundido com um dos soldados de Freeza, por causa dos scouters e das famosas couraças de borracha.

Era exatamente por isso que se vestiam assim. Na verdade, nenhum deles ou de seus outros colegas chegara a conhecer Freeza pessoalmente, e tampouco o desejavam. Assim como alguns insetos imitam a aparência de predadores mais fortes para intimidar seus atacantes ou vítimas, aqueles piratas espaciais fingiam ser soldados de Freeza para aterrorizar os habitantes dos planetas saqueados, fazendo-os perder a vontade de lutar; isso poupava tempo e vidas.

Claro que Freeza sabia da existência deles, mas os piratas eram espertos. Para não ser descobertos e explodidos em partículas, eles viviam mudando de um planeta para outro, de preferência em galáxias menos conhecidas. A última mudança, contudo, não fora planejada. Fora uma emergência, causada pelo envolvimento do líder deles com outros membros restantes da sua espécie. Bem que seus subordinados o haviam avisado que aqueles dois eram encrenca, mas o Mestre era teimoso.

Alguns batedores haviam sido enviados para investigar a área, tanto para procurar comida quanto porque o Mestre desejava novas formas de vida inteligente para suas experiências. Ninguém estava entusiasmado com a missão; até mesmo ficar reparando a nave (danificada na queda por causa da tempestade) parecia melhor. Ainda mais que o interesse maior daquele planeta já fora encontrado.

Bom, ao menos aqueles três não voltariam de mãos vazias.

"Vai ficar mais apresentável depois de um banho." Bier, o líder, deu de ombros. Era peludo, de estatura mediana e rosto ossudo 'Ainda bem que não sou em quem vai lavá-lo."

"Mesmo que o desinfetem completamente, vai continuar sendo lixo. Não vale a pena levá-lo para Mestre Taurus. Devíamos acabar com o sofrimento dele agora."

"Não me interessa a sua opinião, Syrup. Vamos levá-lo e Mestre Taurus decidirá se ele serve ou não para suas experiências. "Bier encerrou a discussão e olhou para o outro companheiro, Garana. Era um alienígena alto, com pele azul e enrugada, embora fosse ainda jovem para sua espécie, e estava agachado junto do prisioneiro que haviam encontrado entre os destroços da enxurrada. Achavam que fosse um nativo, principalmente porque estava nu, embora Garana achasse que suas roupas poderiam ter sido arrancadas pela fúria do rio. O ki dele era tão baixo que sequer fora detectado pelos scouters, mas no momento não dava para saber se isso era normal ou se era porque ele estava quase morto. Estava tão sujo que se Bier não tivesse tropeçado nele, o teriam confundido com um pedaço de árvore.

"Como ele está?" perguntou o líder ao outro companheiro "Vai sobreviver até chegarmos à nave?"

Garana olhou para ele. Era um alienígena alto e delgado, com pele azul e enrugada, embora ele fosse jovem para os padrões de sua raça; a boca era uma caverna escura.

" Há 90 por cento de possibilidade, se não houver complicações." ele avaliou. Sua voz era rouca e abafada, porém compreensível." Tirei toda a água dos pulmões. Ele ainda está muito frio, mas a pulsação e respiração estão regulares. Mas deveríamos levá-lo o mais rápido possível."

"Por que a pressa? "perguntou Bier.

Garana hesitou, lançou um olhar para o prisioneiro desmaiado e abriu a boca, depois fechou-a, como se quisesse dizer algo e tivesse mudado de idéia.

"Não gosto... dos arranhões na pele dele."explicou em tom forçado"São superficiais, provavelmente causados ao bater nas rochas e outras coisas na enxurrada, mas ele pode apanhar alguma infecção. Ele também pode ter lesões internas; talvez seja por isso que ainda não acordou."

"Ou pode estar fingindo"zombou Syrup "Deixe que eu ajudo." avançou até o prisioneiro e cutucou-lhe a perna com a ponta da bota _Hora de acordar, "Feio Adormecido"! Não vamos levar você nas costas." ergueu o pé para chutá-lo, mas um violento soco nas costas atirou-o de cara na lama.

"Você se acha muito engraçado?"Bier urrou "Esqueceu quem é que está no comando? Eu quero que esse espécime chegue em perfeitas condições até a nave ! E se eu mandar você carregá-lo, você vai carregar!"

Syrup sentou-se, cuspindo lama. Seus olhinhos de lagarto brilharam, como se não acreditasse no que o outro lhe fizera.

"Não posso nem brincar? Se você ainda está chateado porque foi o Absinto quem achou a bola e não você, não é culpa mi..."

Garana abanou a cabeça e fingiu que arrumava seu equipamento. Por que aquele idiota insistia em provocar Bier e arrumar mais encrenca? Estavam perdendo tempo... Distraidamente, mexeu em seu próprio scouter. A resposta foi um bip-bip e uma série de dados que imediatamente fizeram esquecer seu aborrecimento.

"Que...?" exclamou, atraindo a atenção de Bier. O líder, que ainda segurava Syrup pela roupa, ergueu as sobrancelhas peludas.

"Tem alguma coisa vindo pra cá "Garana explicou "Uma, não, duas..quatro, eu acho.

Beer soltou Syrup e mexeu no próprio scouter. O lagarto caiu sentado, mas se levantou ligeiro e resmungando. Teve que tirar a lama de seu próprio scouter antes de poder checar os sinais, também, mas nem precisou. Um estrondo veio do céu, fazendo os três erguerem os olhos.

"Olhem!" Syrup apontou para cima.

Uma coisa atravessava rapidamente o céu, descendo cada vez mais. Apesar da distância, podiam ver que era uma nave, embora não o tipo com que estavam estava cheia de espinhos.

"Uma nave do planeta Namek! " Beer exclamou, enquanto esta mergulhava na selva ao longe.

"Mas o que namekianos vieram fazer aqui, logo neste planetinha? "Garana ainda estava boquiaberto "Eles nem são muito de viajar!"

'Talvez sejam turistas" sugeriu Syrup.

"Ou talvez estejam procurando a mesma coisa que nós. Não viram os outros sinais? "Bier rosnou.

Seus companheiros respiraram fundo. Junto com as formas de vida, os scouters indicavam outro sinal que aqueles piratas já conheciam bem. Mais do que um, na verdade...

"Três esferas?!" os olhos de Syrup quase pularam fora "Mas pra que namekianos estariam atrás dessas bolinhas mágicas? Eles podem fazer quantas bolas quiserem!"

'Até que enfim você disse alguma coisa inteligente "Bier ironizou "Há alguma coisa estranha aqui, e é melhor darmos uma olhada antes que os outros o façam. Não, Garana "disse, quando o esguio pirata fez menção de levantar voo com eles "Fique aqui tomando conta do prisioneiro."

A expressão de Garana deixava claro que ele mais ou menos esperava isso. Mas não deixou de protestar:

"Por que eu? Ele está fora de perigo agora. Syrup pode muito bem tomar conta dele..."

"Não pode, não. Eu conheço Syrup; ele mataria o prisioneiro só pra se distrair e depois diria que foi um acidente. Vou mandar uma tropa de resgate aqui recolher vocês dois, e pro seu bem é melhor esse infeliz ainda estar vivo quando eles chegarem. "

Ele decolou. Syrup saiu atrás dele, com uma risadinha:

"É, tome conta do nenezinho!"

Garana ficou sozinho com o homem inconsciente, amaldiçoando o próprio azar. Não tivera coragem de dizer a Bier o que realmente suspeitava: de que aquele estranho que haviam encontrado quase afogado pertencia quase com certeza à mesma raça que Mestre Taurus. Mesmo coberto de sujeira, era evidente... o rosto, o cabelo, até mesmo a cauda! Como é que aqueles dois idiotas não haviam percebido também? Porém, Garana sabia que ambos ririam dele se dissesse o que pensava. Freeza exterminara os Saiyajins há muitos anos; até mesmo seu príncipe, o último herdeiro da casa real, estava morto, de acordo com os tais de Nappa e Radditz. Ambos também estavam mortos agora - ainda bem, porque só haviam trazido problemas. Os dois únicos Saiyajins vivos no universo eram Mestre Taurus e aquele sósia dele que vivia na Terra. E mesmo este morreria daqui a alguns meses, já que o maldito planeta estava condenado. Mas, se havia um Saiyajin vivo na Terra, por que não poderia haver em outros lugares?

Cautelosamente, Garana deu alguns passos na direção do homem. Ele sabia que Saiyajins costumavam enviar seus bebês para exterminar a vida em outros planetas, a fim de treiná-los e selecionar os mais fortes. Só por causa disso o mestre e seu sósia estavam vivos. Se eles haviam sido criado em outros planetas desde bebês, por que não outros Saiyajins?

Claro que poderia estar imaginando coisas, pensou para se acalmar. Afinal, o ki daquela criatura era pequeno demais para ser de um Saiyajin: nem aparecia no scouter! Talvez estivesse ficando paranóico. Mais tranquilo, aproximou-se do prisioneiro. Não tinha certeza se este estava mesmo inconsciente ou fingia, porém as algemas que lhe colocara deveriam impedir que fizesse qualquer coisa. Mesmo assim, gostaria que a tal patrulha chegasse logo. Maldito Beer, devia ter esquecido de avisá-los!

"É melhor eu mesmo chamá-los", pensou, e ergue o braço para mexer no scouter. Um gemido chamou sua atenção. O prisioneiro se mexia no chão, a testa franzida, aparentemente tentando soltar os braços, porém não abriu os olhos. Depois de algumas tentativas de se virar, sem sucesso, ficou de barriga para cima, com as pernas dobradas e os pés plantados no chão.

"Ooooh..."gemeu, pestanejando como se estivesse acordando agora "Onde eu estou? Não consigo sentir meus braços."

"Fique quieto, ou vai deixar de sentir o corpo inteiro!" Garana ameaçou, com a mão na pistola laser presa em seu cinto. O prisioneiro piscou de novo com ar confuso, como se não pudesse enxergar direito.

"Eu quero um pouco dágua..." gemeu em tom de súplica.

O alien azul hesitou, depois guardou a pistola de volta no cinto. Cautelosamente, aproximou-se e curvou-se sobre o prisioneiro.

Usando as pernas e a cauda como molas, o homem tomou impulso e atirou-se contra Garana, acertando sua garganta com as algemas, ao mesmo tempo que procurava agarrrar-lhe o pescoço por trás com as mãos. Pego de surpresa, o alien se desequilibrou e caiu, com o inimigo em cima dele. As algemas enterravam-se cada vez mais na delicada carne do pescoço. Ele ainda tentou pegar a pistola, mas a cauda do ex-prisioneiro agarrou seu braço e torceu-o até estalar.

Apesar da dor e do desespero, Garana não pôde deixar de ficar chocado. Embora fosse considerado fraco em comparação com a maioria de seus companheiros, de modo algum um simples nativo poderia ser páreo para ele. E, em seus últimos segundos de vida, percebeu que estava certo: aquele homem era mesmo um... S...

Sua garganta finalmente se rompeu, lançando um jato de fluido azul-escuro e malcheiroso na cara de Vegeta. Enojado, este cuspiu e piscou, tentando sem muito sucesso limpar aquela coisa do rosto; depois olhou para o cadáver com uma expressão incrédula e maravilhada. Devagar, a consciência do que fizera tomou conta de seu cérebro. Mesmo mais fraco, desarmado e contido por um par de algemas, havia conseguido matar o outro! Um som rouco subiu do fundo de sua garganta e explodiu em uma gargalhada insana:

"Obrigado por salvar a minha vida" disse para o cadáver.

Uma antiga chama há muito desaparecida dançava de novo em seus olhos.

Glossário:

Bier: pronúncia de beer – cerveja, em inglês.

Syrup : xarope. Na Europa e América do Norte, xarope não é apenas remédio para tosse: também é uma espécie de calda comida com tortas e panquecas – mas igualmente enjoada. ;)

Garana – guaraná.